sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Amanhã quero uma poesia se ontem; BH, 0290802013; Publicado: BH, 01º0102016.

Amanhã quero uma poesia se ontem
A poesia não me quis hoje a poesia
Não me quer mal me quer bem não
Me quer amanhã quero uma poesia a
Musa nunca me deixa realizar meu sonho
Por pesadelo só me manda um poema
Que é um desmazelo se fosse vontade
Dela até hoje seria aquela estrela
Apagada ali no firmamento até hoje
Seria incompleto uma sinfonia inacabada
Um concerto ao piano que nunca seria
Executado a musa da mesma maneira
Que é cruel comigo foi cruel com
Beethoven só o deixou criar a sua
Obra-prima quando estava inteiramente
Surdo castigo maior não há penso que
Talvez a crueldade não tenha frustrado o
Beethoven que toda noite sonhava
Que ouvia que não era surdo que podia
Escutar muito bem o que compunha só
Ficava triste quando tinha que acordar
Mas ficava louco para dormir a poder
Sonhar de novo ou sonhava que estava
Acordado mesmo mas era o Beethoven
Alemão europeu duma raça privilegiada
De cérebros superiores de mentes
Brilhantes de pensadores de pensamentos
Livres poetas consagrados de lirismos
Clássicos eruditos que a musa nunca
Deixou morrer à míngua

Há assombrações nos armários que; BH, 0270802013; Publicado: BH, 01º0102016.

Há assombrações nos armários que
Não queremos mais enxergar há
Sobrenaturais nas prateleiras
Nos vãos das escadas nos fundos dos
Corredores nos porões nos sótãos
Seres fantásticos entes surrealistas
Que sempre nos acompanharam
Que sempre nos atormentaram
Agora fazemos questões de ignorar
Há almas atrás das portas espíritos
Debaixo das camas a nos meter
Medo a aguçar as nossas superstições
A nos fazer acreditar nos seres que
Vivem nas sombras que se escondem
Nas penumbras a querer nos surpreender
Aquelas coisas velhas que vivem
Guardadas nas gavetas das cômodas
Que ressuscitam a nos assustar a
Trazer o nosso passado a bater à
Nossa porta como se fossem o presente
Há fantasmas nossos parceiros de
Aventuras pelas madrugadas de
Porres nos noturnos de sonhos
Gravados nos pergaminhos de
Pesadelos registrados nos manuscritos
Há Nostradamus alquimistas pajés
Xamãs sacerdotes magos bruxos
Todos com uma promessa uma
Profecia na ponta da língua
Com uma linguagem taciturna
Daquela que não foi feita para
Expressarmos os nossos sentimentos
Há uma falta de sentidos no ar
Entre os céus a terra a nos perturbar

Cabeça totalmente vazia que Rimbaud; BH, 0250802013; Publicado: BH, 01º0102016.

Cabeça totalmente vazia que Rimbaud
Budelaire nada reanima tédio
Puro Proust Joyce nenhum para
Acudir-me pensamento no oco total
Ideia nem para se ter uma ideia
De importante nada que seja capaz
De impressionar alguém que se
Impressiona importante todos
Impressionam-se como os mais
Importantes uns doutros saio pela
Tangente à francesa escorrego-me
Do esgoto incólume atravesso a
Praça tão insignificante no centro
Da arena que não chamo a atenção
Do touro não distraio o toureiro
No festival de San Firmino no
Rodeio dos peões de Barretos dos
Boiadeiros só pensava na absurdidade
Que a estupidez é capaz de nos fazer
Chegar para certas coisas temos
Que ser de fato estúpidos ou não
Seremos notados temos que ser
De fato ignorantes ou seremos
Ignorados não sei porque por mais
Que tenhamos diplomas títulos não
Temos forma a nossa fórmula não
Funciona não causa efeito a
Nossa conjectura é um defeito
Sem conserto cansei de olhar para
As mesmas paredes as mesmas
Galerias cansei de olhar não vejo
Mais o azul que impressiona-me
Nem do céu nem do mar é a
Única coisa pela qual quero deixar
Impressionar-me estúpido que sou

Não vou sair desta enrascada? BH, 0250802013; Publicado:BH, 010102016.

Não vou sair desta enrascada?
Não vou nadar até o porto sem morrer na
Praia? ou o meu destino será outro?
O de não nadar até o porto o de
Morrer na praia das letras posso
Desistir não representam-me
Das palavras posso abrir mão não
Formaram minha palavra não
Embasaram minhas sentenças
Precisei de provas precisei de juras
De testemunhas de firma reconhecida
No cartório na minha miscelânea de
Opiniões não encontrei quem quis
Autenticar dar por fundamento
Escondi-me atrás da porta debaixo da
Cama no fundo do porão fugi para o
Sótão onde havia um louco sorrateiro
Aliei-me a ele ficamos anônimos
Enquanto houve silêncio nada nos
Notou mas quando começou a
Uivar a esmurrar as sombras a bater
Nas paredes a vizinhança começou a
Incomodar-se fomos notados
Apontados condenados nada de
Defesa argumentações alegações
Embargos o tribunal era de exceção
Penitenciados por sermos loucos
Por supostas faltas de razões heis
Aqui as tuas palavras todas jogadas na
Tua cara heis aqui as tuas letras vira
A outra face para ser esbofetado

Teimarei nadarei contra a corrente; BH, 022082013; Publicado: BH, 01º0102016.

Teimarei nadarei contra a corrente
Não importa ousarei irei contra o
Vento sei que o vento abre passagens
Nas rochas esperarei o dia certo
Uma dessas passagens se abrir
Atravessarei a pedreira com
Audácia resistirei as pradarias estão
Logo ali antes da noite estarei
Num repasto de sossego o corpo dói
Não há outro remédio o ânimo
É de ânsia sofreguidão de desespero
Posso nem emplacar um pensamento
Ou fundar uma frase talvez o
Próprio epitáfio não consiga compor
Há um saturamento na fundição há
Um limite na caldeira a usina
Está na força máxima preste a
Sofrer um esgotamento não terei
Remédio a não ser a resistência
Não terei alívio fui escolhido para
Esta missão é árdua arriscada
Suicida é viagem sem volta beco
Sem saída é sinuca de bico dilema
De encruzilhada ou enigma de esfinge
Devoradora primeiro ofertarei minhas
Carnes peles ossos depois alma
Espírito entidade em que for transformado
Amanhã lerei uma letra depois de
Amanhã uma palavra não asseguro
Que seja a verdade é tudo que tenho
A teima irritante que causa gastura
Com atrito de pés arrastados no asfalto

Candeia - Candeia Samba da Antiga (1970)

Desprovido de qualquer compromisso; BH, 0190802013; Publicado: BH, 01º0102016.

Desprovido de qualquer compromisso
Não ter obrigação não pensar ou exercer
Função ação nu enfrentar o futuro
Livre dos antigos preconceitos livre
Dos antigos artigos inda navego a
Praia está distante o porto de
Relance em relance fica mais longe o
Cais inatingível nado mais do que sou
Sozinho minha sombra abandonou-me
Perdeu-se no azul d'água não
Sei ou se já ultrapassou a linha
De chegada não sei quedo para
Enganar-me miragem iludo-me
Com as miragens para chegar
A um oásis uma onda o leva
Para o horizonte navios só os de
Névoas embarcações jangadas de
Fenícios de marinheiros experientes
Passam ao largo levam blocos de
Pedras de mármores para as pirâmides
Do Egito toneladas de metais nobres
Para as armas estátuas levam ouro
Para os tronos sarcófagos dos faraós
Algodão para o linho das múmias
Espermacete bálsamos filósofos
Para ensinarem aos sacerdotes
Assombração avistam-me não podem
Levar-me sou um peso descartado
Dutro navio quase a pique sobrenatural
Sobressaltados apelam aos deuses a
Visão à flor d'água desfraldam velas
Possantes remos ferem as ondas a
Afastarem-me de mim que fico para atrás