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sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
Tamarineiras amendoeiras paineiras; BH, 0120902013; Publicado: BH, 050102016.
Tamarineiras amendoeiras paineiras
Assombradas as que metiam medo
Eram as gameleiras assustavam as
Nossas almas infantis as amei todas
Desde os meus tempos pueris é o
Orgulho de ter sido envolvido
Sempre com essas fadas dos bosques
Deusas dos pomares rainhas das matas
Senhoras das florestas quem nunca
Esteve envolvido com essas ninfas
Sereias das ramagens musas das
Folhagens? não deve ter sabido o que
É viver essas princesas das floras
Encantam argonautas fazem Argos
Ficar cego de amor Tirésias enxergar
Com o feitiço cupido não precisa
Mais disparar flechas nos corações
De pé meu pé de jacarandá minha
Peroba de lei no quintal que é
O meu reinado terreno onde nasci
Herói considerado um dia serei
Enterrado nos galhos ramados dessas
Ramagens floridas de pé meu pinho-de-riga
As estações se apaixonarão os passarinhos
Se acasalarão cada ninho será um coração
Serei da terra nascido de barro nobre amassado
Argila, tabatinga massapê preto ou do
Barro vermelho sagrado da lama que
Se formou onde o sangue de Jesus
Cristo foi derramado benditas sejam
Paineiras amendoeiras tamarineiras gameleiras
Almas santas que sustentam meu passado
Detesto morte de crianças; BH, 0110902013; Publicado: BH, 050102016.
Detesto morte de crianças
Tanto na realidade quanto na ficção
Jamais faria uma arte escreveria
Uma obra que no enredo alguma
Criança teria que morrer detesto
Doenças de crianças não aceito
Explicações porque crianças têm
Que ficar doentes para mim todo
Anjo da guarda é criança quando
Lia a Bíblia sofria tanto na parte
Que fala que as crianças morriam
Ou os leõezinhos morriam de
Fome não entendia a causa das
Crianças sofrerem dos leõezinhos
Morrerem de fome continuo
Assim meio meninão a chorar
Pelas crianças queimadas nas
Guerras a chorar pelos que morrem
De fome pelos que morrem nas
Ruas debaixo de marquises viadutos
Pontes inda sou meio amanteigado
Com essas coisas sociais com falta
De escolas hospitais creches inda
Perco noites de sono a pensar numa
Saída para evitar despejamento de
Bombas em aldeias cidades tribos
Bairros subúrbios mas não há nada
Que impeça uma bomba depois que
Foi disparada não há santa nem
Remédio para as armas químicas
Incendiárias cada dia mais sofisticadas
Para uma guerra de extermínio em massa
Que silêncio maravilhoso; BH, 0100902013; Publicado: BH, 050102016.
Que silêncio maravilhoso
Não há nada como a reflexão
Na madrugada montanhês é
Carneiro vive a ruminar no
Aprisco nos silêncios dos noturnos
Medita o universo a luz a
Treva inspira na vida uma
Obra de arte na morte uma
Obra-prima quando tudo dorme
Os espíritos acordam as almas
Levantam-se os fantasmas vestem-se
De névoas aproveitam as reflexões
Dos silêncios da madrugada são
Amantes dos noturnos dos poetas
Angustiados ansiosos que apreciam
A comunhão entre Vênus a Lua
Os desesperados acalmam-se os
Loucos dormem em suas celas seus
Cubículos sujos em conspiração
Não uivam não rangem os dentes
Combinam uma confidência
Não quebram momento tão
Sobrenatural tão em transe
Os perdidos que dormem não
Encontram nada os sonhos fogem
Ao acordarem os pesadelos continuarão
É bom sentir-se envolvido assim pelos
Braços nus da noite só em companhia
Da poesia, só debruçado sobre a fonte
Dos desejos onde nascem os poemas
Narcisista em cada traço em cada letra
Em cada palavra ergue um auto-retrato
Meu avô fazia carrancas no papel; BH, 0100902013; Publicado: BH, 050102016.
Meu avô fazia carrancas no papel
Com o lápis de cor cangaceiros
Jagunços pistoleiros capatazes índios
Fazendeiros garimpeiros boiadeiros
Peões cavaleiros vaqueiros mulheres
Rendeiras lavadeiras namoradeiras
Índias escravas meu avô fazia
Carrancas no papel com o lápis de
Cor barranqueiros canoeiros
Tocadores de viola tropeiros
Sanfoneiros caçadores montadores
De burros bravos soldados polícias
Reis rainhas príncipes princesas
Meu avô escrevia cartas aos pais
Das meninas moças virgens com
Pedidos de namoros de casamentos
Meu avô inda tocava numa viola
Preta arranhada de unhas umas
Músicas que menino não entendia
Mas meu avô entendia meu avô
Teve muitas terras fazendas gentes
Era dono de rios morros montanhas
Teve muitos filhos que foram pelo
Mundo uns voltaram outros nunca
Mais apareceram outros morreram
Abandonados em asilos meu avô
Morreu dum tombo o vi jogado
Nu em cima duma maca num
Cubículo dum hospital público
Do Rio de Janeiro meu avô
Gostava de varrer as calçadas em
Frente da casa em que morávamos
Na Rua do Pau Velho até hoje não
Sei o que meu avô foi fazer no
Rio de Janeiro morrer longe de tudo?
Quando será que poderei convencer-me? BH, 050902013; BH, 050102016.
Quando será que poderei convencer-me?
Pois nada faz-me convencer inda não
Há pelo menos em mim o que faça-me
Dizer assim sim estou convencido de
Mim inda penso como imaturo
Pueril ingênuo inda ajo como se
Estivesse na infância inseguro
Cambaleante bambo não tenho
Bebido não tenho marcado presença
Nos meus bares da vida nos meus
Botequins prediletos mais caseiro a
Reler Miscelânea de Opiniões
Sentenças Nietzsche percebo que
Tenho uma miscelânea de cabeça de
Menino nenhuma opinião ou
Sentença que convençam o cachorro
Late late não consigo convencê-lo
A parar de latir é que são quase doze
Horas faltam vinte minutos os
Vizinhos podem reclamar do barulho
Do cachorro no momento passa um
Bando de cachorros vagabundos pela
Rua aí é que o alarido aumenta
Enfim ai de mim encalhei agora na
Leitura malgrado meu encalhei
Também na escrita é que estou meio
Aborrecido com o julgamento dessa
AP 470 pelo STF que vergonha
Condenar sem provas sem
Testemunhas imortalizo aqui essa
Ação Penal posto aqui para a posteridade
A 470 no STF cravo na eternidade
Esse erro em nome não sei de que
Pelo menos nisso convenci-me
Quem não descobre inventa bom; BH, 030902013; Publicado: BH, 050102016.
Quem não descobre inventa bom
Seria se descobrísseis alguma coisa
Ou no caso inventásseis algo numa
Análise rápida do que precisa ser
Inventado ou do que precisa ser
Descoberto árvore não é mais
Necessário inventar todos os
Tipos de árvores já foram descobertas
Das mais estranhas misteriosas
Assombradas como as gameleiras
Das beiras das minhas estradas às
Árvores das ciências do bem do
Mal da vida da morte como
Que menino é bicho bobo ter
Medo duma árvore duma
Pobre velha gameleira abandonada
Só porque o povo dizia que era
Assombrada que aparecia almas
Entes espíritos às sombras dela
Pássaros também todos já foram
Inventados inclusive aves urubus
Corvos borboletas calangos
Taruiras lagartixas lagartos
Salamandras pedras paus rios o
Que a mente conseguir pensar
Imaginar já foi descoberto
Inventado nem o universo que
É algo bem maior precisa mais
Ser inventado todo dia um
Universo novo é descoberto dentro
Do próprio universo como as águas
Dum rio são águas doutro rio
Que não é o mesmo rio dentro do
Próprio rio naquela conjectura
Em que se especula a Terra parar
Tomar o caminho de volta nós
Teremos que passar por tudo que
Já passamos? ah não deixais
A Terra seguir
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