terça-feira, 26 de maio de 2015

Rio Grande do Norte, 916, 13; BH, 030702012; Publicado: BH, 0260502026.

Se procurado vivo ou morto não
Sou novidade vivo não valho um
Centavo de real furado morto penso
Que chamarei mais a atenção do vivo
Ai indiferença profanação se
Procurado morto chamarei a
Atenção do estado das autoridades
Vivo ando pela cidade vou às ruas
Às igrejas aos cemitérios não tenho
Nenhum mistério morto sou
Um mistério uma incógnita um
Oculto mortos querem saber
Quem o que sou se tenho uma
Mulher se tenho um amor se
Tenho filhos se sou mendigo
Ou se sou doutor se sou
Apenas porteiro se tomo conta
De portaria sim senhor aonde
Passam bois passam boiadas
Passam as morenas enamoradas
Um tiro ressoou na madrugada
Alguém foi baleado no coração
Foi um amor foi uma paixão ou foi
Fausto a ser tentado pelo
Mandrião? um cão uivou na
Encruzilhada menina vai para
Casa não demora se te
Tardares tua mãe chora é
Noite alta avançada é a
Madrugada é a hora

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Rio Grande do Norte, 916, 12; BH, 030702012; Publicado BH, 0250502015.

Segurei a tua mão por meia hora
Pelo amor de Deus não falas mais nada
Comigo não não me dirijas mais
A palavra não me digas mais nada
É que sou maluco posso apaixonar-me
De vez por ti sejas muda de hoje
Em diante sejas cega surda é 
Que sou doido a tua voz embriaga-me
É que sou louco apaixono-me
À toa à toa qualquer coisinha
Feminina em ti me faz apaixonar
Por uma mulher contigo foi assim
Muito próxima de mim podes ser
Uma vítima fatal deste meu mal
Viste meu bem toda madrugada
Agora já não durmo mais parece
Que estou num hospício não tenho
Paz em toda parede te vejo
Pintada numa tela como se
Fosse a obra de arte rara
Perfeita dum artista de renome
Internacional evitas-me vomitas-me
Não chores por mim mantenhas
Distância faróis baixos velocidade
Reduzida a neblina é densa
A cerração fechada na serra

Rio Grande do Norte, 916, 11; BH, 030702012; Publicado: BH, 0250502015.

Porteiro ou abres esta portaria ou
Abro-te a cara na porrada é que
Briguei com a minha namorada
Tenho que vê-la tu não vais
Impedir-me bebi todas mais
Algumas mais umas outras
Estou doidão no meu coração
Não tenho razão só paixão
Ciúme porteiro sejad meu
Camarada, interfona para a minha
Namorada digas que é para
Desce quero as espumas dos
Beijos dos lábios dela tantas
Vezes quantas são as espumas
Que as ondas do mar fazem ao
Quebrarem nas praias porteiro
Não tenho dinheiro tudo aqui é
Passageiro somos personagens
Do desespero estou desesperado
Não posso perder a mina amada
Porteiro meu amigo não faças
Isso comigo abras essa porteira
Ou vou chorar aqui a noite
Inteira até à hora derradeira
Desta minha vida passageira
Quando raiar a madrugada
Serás a testemunha de que
Realmente não posso viver
Sem a minha adorada

Rio Grande do Norte, 916, 10; BH, 020702012; Publicado: BH, 0250502015.

Na atual idade tenho autoridade para
Dizer a pensar sem pensar para falar
Com opinião sem opinião quem
Quiser dar ouvidos não é comigo
Quem quiser fazer ouvidos moucos de
Mercador que faça sou um louco
Minha loucura não é iluminada sou
Um doido velho caduco doído que
Inda vive a sonhar depois de anos de
Pesadelos dromedário insano carrego
Minha corcova envelhecida que não
Descurvará nunca mais ressoará
Pelas plataformas nunca mais tal o
Grasnar do corvo o uivo do
Demônio ao ser expulso paras as
Profundezas do pior inferno onde
Eternizará acorrentado por todos
Os tempos passados presentes
Vindouros meu cérebro teima em
Escorrer todo pelo nariz não quer
Ficar concreto dentro da caixa
Craniana derrete-se todo em
Secreção vermelha amarela
Haja guardanapo papel higiênico
Para apará-lo então por todas as
Bizarrices aberrações que penso
Falo terei considerações os
Loucos têm prioridades das
Minhas não abro mão nem sadio

Rio Grande do Norte, 916, 9; BH, 020702012; Publicado: BH, 0250502015.

Gritais para mim tens que aprender a
Viver dizeis olha os lírios dos vales
Vejas as flores dos campos és um
Incauto navegante em escuro
Tenebroso mar és um marinheiro
Insano em negro terrível oceano
Quereis tudo de mim ofereceis céus
Perdão salvação ofereceis vida
Eterna redenção mas humano que
Sou para que quererei isso tudo?
Bastam-me as pedras que fazem-me
Sentir bastam-me a brisa as ondas
Do mar o infinito a fazer-me imaginar
Basta-me o tempo a pré-história as
Idades que formam as civilizações
Basta-me a cultura desprezo todo
Tipo de religião se Deus for alguma
Religião desprezo Deus como
Desprezo todos os santos santas
Criados pela estupidez humana ouçais
Então predadores do saber da
Cultura do conhecimento desprezo
Todos vós viro-vos as costas ouçais
Adoradores de barro que esperais
Recompensa pagais indulgências
Para entrardes em palácios celestiais
Não compactuo convosco nem com
Vossas crenças hipócritas mas
Agradeço-vos despeço-me mui
Cordialmente com toda amabilidade

domingo, 24 de maio de 2015

Rio Grande do Norte, 916, 8; BH, 020702012; Publicado: BH, 0240502015.

Desconfortável estou desconfortável
De pé corpo encurvado para a frente
Posição incômoda joelhos arqueados
A sustentar todo peso do corpo morto
Dou passos errantes em pequeno espaço
Como se vivesse numa jaula arrasto-me
Arfo arquejo bufo de desgosto parece-me
Que expus todo lixo da burguesia as
Tripas da elite as vísceras as sobras os
Restos mortais aos pedaços em sacos plásticos
Na calçada em frente ao pé duma árvore
Todos olham-me de dentro de seus vidros
Animal em exposição nunca viram algo
Parecido com um ser humano pois já
Descaracterizados não têm mais a
Noção do que é ser um exemplar da
Raça humana embriagados viciados
Ébrios bêbedos aculturados exóticos
Sem educação iletrados apedeutas
De vastas ignorâncias estupidezes
Nada fazem para amenizá-las só sabem
Pedir a Deus em orações que resolva
Tudo não incomodam outros deuses
Pois só acreditam em um mas clamam
Por todos os santos por todas as santas
Padroeiras à espera do milagre maior
Impossível a vida eterna aqui na terra
Donde nunca sairão pois são feitos de barros

Tereza Mota Valadares, 190, 19; BH, 0280602012; Publicado: BH, 0240502015.

Muita coisa horrível aconteceu
Acontece acontecerá quem
Viveu vive viverá verá que é
Muito terror muito horror
Que inda não parecem ter fim
Não querem acabar a
Humanidade precisa encontrar
Um caminho possível à preservação
À evolução não tenho moral
Para dizer ou cacife para
Escrever ou profetizar não tenho
Dignidade dom de profeta
Para alarmar o ser humano
Que necessita de paz anseia
O amor não tenho a
Experiência de vida para levar
À raça humana uma
Mensagem de vida de
Esperança de otimismo
Se tirar por mim não haverá
Salvação para tanta gente se
Pegar-me por exemplo não
Sobrará pedra sobre pedra a
Contar a história é que teimo
Teimoso no que é duvidoso
No que é incerteza logo sou
Pessoa errada que sempre
Andou no lugar errado na
Hora errada logo sou o que
Nunca tive um êxito na vida
Que servisse de restauração