sábado, 30 de março de 2019

almejei sem merecer um amor com anelo

almejei sem merecer um amor com anelo
de prazer não fui capaz de retribuir o que
ofereceu-me sagaz era já não mais rapaz não
enfrento pois não sou enaz frustro o que me
faz não contento só com o meu pensamento
então desfaço a arapuca solto a presa que
caiu na armadilha tiro a pelota do estilingue
não arremesso nada mais ao alvo à mosca
não acerto meu tiro na mira fui posto de
lado de franco atirador desclassificado ao
apertar o gatilho foi pela culatra se desfez na
bruma do mar a brisa do rosto era o que
mais queria emoldurar me fiz de rasto ficou
rastro do meu corpo no asfalto me fiz de
sereno para namorar me fiz de orvalho para me
apaixonar era a névoa que não conseguia ver fiz
uma poesia para a entreter se voltar sei que vou
morrer não tenho nada para dar nem mesmo
prazer ansioso fecho os olhos para não ver o
desagrado causado pelo narciso que sou ao só
apaixonar pela sombra deste meu amor que me
reflete na poeira na fumaça que embaça a
imagem na borra no bagaço no entulho ao
lançar meus olhos para a frente meus caminhos
ficavam para atrás as trevas me envolviam
persistentes pertinente a luz se distanciava
mais porém a perdi antes de a encontrar

BH, 0200102011; Publicado: BH, 070202011

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