terça-feira, 17 de julho de 2018

Vaga vaga-lume; TO/SD; Publicado: BH, 0310702013.

Vaga vaga-lume
Pela noite afora
A tentar em vão
Iluminar o céu
Com a tua pequena luz
Que pisca aqui
E pisca ali
A parecer estrelas
Que caíram do céu
E ficaram suspensas no ar
A correr de um lado para outro
A parecer crianças perdidas na noite
A brinca de esconde-esconde
Na noite negra
Vaga vaga-lume
Pelo mundo afora
A tentar levar tua luz
Aos cegos da vida
Mas a noite é grande
E tu vagas tristonho
No teu mundo sem luz
Tua companhia é a noite
Vaga vaga-lume
Tua luz me dá tristeza
Tua solidão me dá dor
E tua noite me dá medo
Mas tua coragem
Dá-me amor
Vaga vaga-lume
Siga em paz a tua noite
A tentar espalhar em vão
Por este mundo negro afora
A tua pequenina luz
Vaga vaga-lume.

Sei que sou um bobo; TO/SD; Publicado: BH, 0310702013.

Sei que sou um bobo
Reconheço que sou
Sei que sou mal
Reconheço que sou
Sei que sou um cafajeste
Reconheço que sou
Sei que sou um covarde
Reconheço que sou
Sei que sou um hipócrita
Reconheço que sou
Sei que sou um ignorante
Reconheço que sou
Sei que não sei de nada
Sei que não sou de nada
Mas não é preciso
Andares a espalhar por aí
Tudo que sou
Ninguém precisa conhecer
A minha pessoa
E se tiver de conhecer
Eu mesmo ando a espalhar por aí
Tudo que sou
Sei que sou um imbecil
Reconheço que sou
Sei que sou um chato
Reconheço que sou
Sei que sou um fraco
Reconheço que sou
Mas por que gostas de mim?
Por que não me mandas embora?
E por que não me matas?
Apesar de não prestar
E apesar do que sou
Gostas de mim
Sou feliz
E tenho amor.

Não posso querer que meus filhos me honrem; BH, 0210202000; Publicado: BH, 0310702013.

Não posso querer que meus filhos me honrem
Se como filho nunca honrei aos meus pais e por 
Isso nunca serão prolongados os meus dias na terra
Não posso querer que os meus filhos me respeitem me
Sigam se como filho nunca respeitei e nunca 
Segui aos meus pais por isso nada posso cobrar
Nada posso exigir dos meus filhos se um dia
Como filho não fui coerente não fui ético e nem racional
Não fui lógico e nem tomei como exemplo como espelho
Os meus pais durante o tempo que convivi com eles
Sofri motivos de desgosto e de vergonha e não segui 
Um conselho sequer dado por meus genitores
E por isso me conformo em comer o pão que o diabo
Amassou me conformo em rastejar na poeira e 
Passar por todas as privações e percalços que passo e ainda
Ter que morrer sem deixar nenhuma herança
A não ser a do medo a da falta de fé de esperança a herança
Da fraqueza e de todas as fobias que consegui
Adquirir durante todo o tempo que dura a minha vida
Sinto até vergonha dos meus filhos por não poder
Passar para eles uma imagem de otimismo de força
De poder de potência uma imagem de vencedor de lutador
Brigador guerreiro ganhador de todas as batalhas
E a imagem que passo é a da mentira
Da falsidade e da ilusão para esconder as derrotas
O derrotado que sou durante toda a existência
O negativismo e a superficialidade à flor da pele
Que não consigo camuflar direito e como dói
E com todos estes complexos reunidos realmente
E não consigo superar os traumas e não consigo
Vencer os dogmas e os tabus que à toda hora
Lançam-me em depressão profunda angústia extrema
E agonia terminal que nem mesmo o maior de todos
Os porres é capaz de me livrar deles e acaba por
Afundar-me ainda mais na lama do chiqueiro
Mas tenho consciência que tento sair deste estágio
Tento sobressair e superar estas divergências psíquicas
É duro e difícil e para uma cabeça de mentalidade
Fraca igual a minha é quase impossível
Porém espero também que os meus filhos não ajam
Comigo da mesma forma e da mesma maneira
Que agi com os meus pais apesar de que sei que 
Tenho que pagar com a mesma moeda e se 
Não puder ser diferente que seja do jeito que será
Lamento ter que viver tanta contradição lamento ter que 
Suportar tanto peso na consciência de remorso e de 
Arrependimento de não ter sido o filho que fosse
O cristalino dos olhos dos meus pais
E é esta cruz que carrego nas costas igual Jesus Cristo
Carregou a dele para o calvário e nela foi pregado
Sem piedade ao ser santo e crucificado entre ladrões
E sou ladrão e quero andar no meio de santo
E sou ladrão ímpio e quero andar no meio
Dos justos sou néscio e infame e quero andar
No meio dos sábios dos sóbrios ao ser um 
Escarnecedor pecador sem salvação a querer
Comer com os reis e as rainhas a ser que o que  
Espera-me é o convívio om os porcos e os vermes
O que me espera é o fogo eterno o lago de 
Enxofre de sentimento e de dor e não 
Adianta que não mereço a eternidade
Em outro lugar não mereço a felicidade
Em vida não a merecerei depois de morto
Nem em alma e nem em espírito é a verdade
E a única coisa que tenho para fazer é chorar
E a única coisa que sei fazer é chorar
Chorar por mim por meus pais e por meus filhos
Se fosse mais corajoso menos covarde e tivesse
Mais fé e paixão mais luz no espírito na inteligência
Meu comportamento seria outro meu desempenho
Seria outro e não esta incompetência e não 
Esta decadência física mental longe do
Teor ideal longe do equilíbrio fundamental
Que traz a tranquilidade emocional a qualquer 
Mortal que atingiu a evolução atingiu a
Sabedoria, a chave do conhecimento e não
Esta divergência de ideias esta congestão
De ideais infrutíferos e que não levam a
Lugar algum o tipo de indivíduo mesquinho
E fora de estrutura que nem na aparência
Tem dignidade que nem no caráter tem moral
E nem nos atos e na estatura tem grandeza
Tem gente que fala que gosto de denegrir
A minha imagem que foi feito macumbaria
E feitiçaria para mim e que já até viram
Em revelações e em profecias um vudu meu
Coberto de espinhos acontece que nem imagem
Eu tenho e macumbaria e feitiçaria só
Pegam em quem existe vudu só dá certo
Para quem é gente e tem alma e tem espírito
E não tenho e não sou nada disso
E quem é que pode fazer alguma coisa com nada?
E sou o nada e onde chego não sou
Observado por que ninguém perde tempo caro
A observar o nada o tempo é precioso e só deve
Ser usado em coisas preciosas em algo de valor
De moda e que seja novidade na humanidade
Estou só a esperar o meteoro Eros cair para que
Tudo seja mudado e transformado e espero que
Ele caia precisamente em cima de minha
Cabeça a pulverizá-la de vez para que ela
Nunca mais me faça passar por tantas situações
Humilhantes vazias e sem pretensões de luminosidade
Pois no princípio quando criou Deus os céus e a
Terra e no dia certo Ele disse haja luz em
Mim quando fui formado e criado quando
Eu nasci ninguém disse haja luz por isso é que
Sou opaco e obtuso a luz me ofusca mesmo a
Luz artificial e de dia em plena luz do sol
E não consigo me enxergar e nem enxergar
O limite das ruas e as janelas das casas e dos prédios
Alguém esqueceu de determinar a luz em mim
Alguém esqueceu de me determinar alguma coisa
E perdi a determinante e deixei de ser a
Determinante da vida e do destino meus
E perdi a vida a alma e o espírito
Perdi o tempo física e mentalmente
E sinto que não adianta buscar tal Marcel Proust buscou
O tempo perdido principalmente aquele perdido
Em lamúrias e lamentações em choros e
Reclamações a esperar em orações que as coisas
Sejam resolvidas através dos céus dos santos
E preciso mais é de ir à luta correr em busca
Das soluções e das respostas das perguntas que me
Afligem e me atormentam a me encher de dúvidas
A me cobrir de sombras de trevas e de labirintos
Por aonde vago sem encontrar o fio de lã
Que me levará à saída e a fugir do Minotauro
E ao quebrar o espelho por onde a olhar a
Imagem da Medusa a mataria com a espada
E a jogar água na fogueira onde queimava
O galho de árvore para enfiar no único olho
Do Ciclope Polifemo a cegá-lo e a impedir que
Ele me devorasse de tira-gosto depois do vinho
E tudo em minha vida me impediu que
E me transformasse em herói tudo me
Impediu que e me transformasse em homem e
Que e subisse a escada e deparasse com a
Palavra chave a resposta fatal a pedra fundamental
Quebraram os degraus da escada despenquei ao
Chão meu lugar predileto e dali não me
Levantei mais ali mesmo fui velado colocado
No caixão e erguido o meu sepulcro e para
Quem pensou: acabou começou o estado de decomposição
A briga dos vermes pelos melhores pedaços de carn;
O banquete macabro onde em pouco tempo
Fui totalmente devorado a ficar só os ossos
Brancos como se fossem de marfim e que num
Futuro podem ser recuperados por um arqueólogo e
Considerado o fóssil de algum ser que existiu
Há milhões de anos numa era remota
E desconhecida a era das trevas e da falta de luz
Principalmente a luz interior que até hoje
Não consigo encontrar quem a tenha e onde
A conseguiu pois agora feito fóssil que procurou 
Na época da era em que andou sobre a
Terra e não a conseguiu não a descobriu e
Nem a inventou e nem a roubou como
Prometeu que roubou o fogo dos desuses para os 
Humanos e foi condenado a ter o fígado
Devorado pelos abutres amarrado ao alto de um pico
Se pudesse também faria a mesma coisa
Roubaria a luz para os homens mesmo que tivesse
Que pagar um preço maior do que o que Prometeu
Pagou espírito de Machado de Assis me visita
Espírito de Homero me visita espírito de Dante me
Visita espíritos de todos os deuses do Olimpo:
Visitais-me espíritos de todos os grandes mestres e
Todos os grandes célebres da humanidade me
Visitais me façais espírito também para que
E possa ser aceito no meio de vós para que
E possa superar tudo que não consegui
Como vil mortal como homem comum saco
Cheio de erros e de defeitos de mágoas e rancor
Saco cheio de mentiras falsidades e ilusões
Saco cheio de fome de pobreza e de miséria
Espírito da justiça e de todos os justiceiros me
Visitais que preciso crescer preciso fugir
De todos os elos que impedem minha liberdade
Minha coragem e minha fé na luz e na
Esperança preciso crescer para vencer e ganhar
Chegar em qualquer lugar de cabeça erguida
De peito estufado com timbre na voz e luz
E brilho no olhar a demonstrar que ali
Chegou um novo filho um novo pai um
Novo homem um novo ser e todo mundo
Tem que notar notar a diferença notar o
Nível notar o porte os atos e todo o composto
Novo toda a composição compostura e designação
E não poderá haver o apesar de tudo o pelo
Menos tentou a mudança tem que ser outra
A transformação e a metamorfose têm que
Ser o fim da era da mediocridade e a
Entrada na era da evolução do fim
Da mesquinharia do início da criação
O princípio de quem quer e vai crescer o
Desejo de quem quer e vai mudar o destino
E almeja chegar ao fim da linha sem
Importar com o primeiro ou o último
Lugar e sim em chegar em cruzar a reta
Final igual a um cavalo no jóquei em
Dias de corridas de grande prêmio e competição
Meus filhos deixo a vós esta minha herança
Linear e espero que não fiqueis tristes
Por herdar do pai só estas linhas e estas frases
Repetíveis nestes papéis de jornais porém é tudo
Que realmente tenho para deixar a vós 
Gostaria de deixar dinheiro muito dinheiro
Bens e condições de adquirireis mais
Bens porém só sei deixar poesias poemas prosas
Odes elegias tolices burrices e tudo
Que um ser humano carrega dentro de si
Não vou falar que deixo amor e paz certeza e
Segurança no futuro o crítico chama a isto de
Pieguice e demagogia mas mesmo assim
Vou falar que meu coração é pequeno para 
Caber todo amor que sinto por vós os críticos 
Pensam que o Lucas é doente que tem que ser 
Curado e que tem que ser internado e que 
Quando crescer mais se tornará inviável
A convivência com ele e quero dizer
Que estou satisfeito e feliz com a maneira
Dele ser e quero que os críticos enfiem as
Línguas nos próprios buracos do esgoto: no cu
Agora tenho que pedir desculpas pela falta 
De compostura e de educação que me levam
A falar um palavrão na hora mais indevida
Mas o desabafo às vezes nos leva a cometer indelicadezas
A cometer deslizes e derrapãos na linguagem
Guardais então para vós mesmos as vossas línguas
Pensais as vossas palavras e os vossos atos e perdoais
O pai que não soube criar-vos e nem soube
Criar um mundo diferente e correto certo
Para a felicidade de um futuro melhor
E mais seguro sem as ameaças das guerras
E de todas consequências nocivas que elas
São capazes de trazer à humanidade.

Já não tenho mais ânimo e findou-se em mim a resistência; NL, 030602008; Publicado: BH, 0801202009.

Já não tenho mais ânimo e findou-se em mim a resistência
E queimei todo o gás e o fogo apagou-se
É a velhice que chegou para ficar e acabar comigo
Não há calor que aqueça este corpo deflagrado
Aqui jaz eu em minha própria sepultura
E sou mesmo o meu túmulo e sobre
Mim coloquei a minha lápide a tábua de
Mármore fria tão fria quanto eu pensamentos
Tormentosos povoam meu cérebro e nem consigo
Livrar-me deles são tenebrosos a deixar minha
Mente em pânico mas nada percebo além disso
Ignoro e demoro a encontrar a razão e o que
Matou-me foi a dor e eu pensava que era a dor ou
O sofrimento e não tenho nem noção do que
É a dor e do que é o sofrimento perder o prazer?
Findar o gozo? a força? isso me parece não ser nada
Para quem nunca teve prazer gozo e força? pois é já não
Tenho movimento direção sentido não pastoreio mais
Os rebanhos não toco mais a flauta de Pan e por onde me
Arrasto as ninfas se escondem nos bosques nos rios
Fontes  e montanhas fogem para bem longe nuas e há muito
Tempo que não sei o que é uma moça bela e bem feita de
Corpo e sinto que causo arrepios em todas elas sem
O nimbo da vida que me iluminava caí no
Labirinto e só saí do outro lado da noite
O minotauro já me esperava e adivinhou que eu
Estava para ir ao encontro dele com o mesmo
Olhar do touro postado diante do toureiro trespassado
Pela espada aguardo rendido pacientemente o golpe
Fatal que será dado em minha nuca por meu
Algoz com um punhal; já perdi meu tempo e Proust
Não me salvou todas as águas das minhas veias já
Rolaram pelas areias entram eras e saem eras e o pó
Continua a ser levado pelo vento nas estradas só
O espectro de homem é que não deixa marcas é o
Único que passa incólume anônimo incógnito até
Mesmo as rochas as pedras e os cascalhos demonstram
Consciência e impõem presença só o espectro esse
Sonâmbulo autômato que vem ali e que não deixará
Nada por aqui nem os ossos como eu serão moídos
Transformados em moléculas cujas partículas serão
Espargidas nos inconscientes universais até nunca mais
Ou encontrar um novo acelerador.

Gosto de puta prostituta meretriz mulher gueixa; NL, 0300502008; Publicado: BH, 0801202009.

Gosto de puta prostituta meretriz mulher gueixa
Viver em prostíbulos cabarés randevus e puteiros
Gosto do cheiro da cor e do tempero é o
Lupanar alcova boate as garotas as quengas
As raparigas que não são mais em flores elas
Dão-me e as dou por dinheiro presentes
Favor não têm amor só o corpo a carne as
Falsas carícias os beijos frios e a nudez desejada
O gozo fingido o orgasmo indefinido e a jura
Da satisfação garantida e a declaração fatal
Que se pudesse a tirava daquele lugar e faria dela
Esposa dona de casa mãe de família rainha do lar
E ela que gostava da vida que levava e que era dela
Mas a vendia por poucas horas por um punhado de
Moedas tal qual Judas se vendeu amo essas
Madalenas Marias Lias Saras Evas Raqueis Mirians
Martas princesas rainhas e filhas de faraós amo
Essas putas pútridas prostitutas de luxo meretrizes do
Lixo mulheres das beiras das ruas dos cantos dos baixos
Prostíbulos dos cabarés infernizados ou puteiros
Elitizados mas com melhores reputações do que
As repartições públicas (câmaras senado palácios
Tribunais prefeituras e outros mais) que atire a
Primeira pedra quem não concordar elas lavam
Meus pés  com lágrimas e enxugam com os cabelos
Já viu coisa mais linda fato mais verdadeiro?
Mas só choram por dinheiro e são as únicas
Que me querem que não me repulsam e nem
Têm ojeriza de mim não me desprezam
E quando as procuro estão sempre à disposição
Quando quero elas são mães outro dia irmãs
E no outro tias avós primas me enchem de
Fantasias sou o melhor do mundo o super-herói o
Imortal o que desejo elas me fazem ser o que
Quero sentir elas me fazem sentir me compreendem
E me analisam e me dão consultas como se fossem
Freud Lacan Jung e resolvem os meus problemas
Chafurdo nelas e saio limpo um porco light
Com bom colesterol e pobre em gorduras trans.

Não ensaiei o meu papel; NL, 0150902008; Publicado: BH, 0801202009.

Não ensaiei o meu papel
Não decorei o meu texto e no cenário
Deste teatro sou o pior ator que a natureza
Já formou não mudei nada e em mim
Nada mudou eu que pensava que
Pensava descobri que o meu pensamento
Pregava-me peças do teatro do absurdo
Ninguém entendia o que representava
Era o ator que todo elenco evitava
Trabalhar com ele e que nenhum
Diretor tinha prazer de dirigir e todo
Autor que escrevia para mim acabava
Decepcionado com oque eu fazia
Com a obra dele e a plateia vaiava
Ululava e apupava a plateia era
Trocista e a cada passo trôpego
Pelo palco a cada cambaleada eram
Gargalhadas achincalhes e escarnações
E não endireitava-me não
Tomava prumo e cada vez mais 
Cavava  minha ruína diante de todos
E continuava pensar que fazia arte
Que fazia cultura e estava nu um rei
Despido deposto com o castelo arrasado
Reinado falido cuja rainha fugiu com
O bobo da corte enquanto os vassalos
Riam e saqueavam os tesouros dos
Escombros do castelo e dentro de mim tudo
Continuava a dormir ainda no pesadelo não
Era sonho pois nunca tive sonho e nem
Soube sonhar não persegui com ambição
A oportunidade da sabedoria.

Esgotaram-se o tempo e os assuntos; NL, 0150902008; Publicado: BH, 0801202009.

Esgotaram-se o tempo e os assuntos 
As novidades nem a realidade
Resiste mais hoje e de que mais
Vivemos é de ilusão fantasia e euforia
O consumo nos causa a sensação da
Falsa felicidade e então nos
Entorpecemos de comida ou de bebida
Ou de que teremos a eterna juventude
Numa clínica de cirurgia plástica
Ou academia que deixa o corpo sarado
A barriga chapada e modelo de Adônis
Já de cultura penso que ninguém quer
Saber mais sabedoria lógica raciocínio
Têm o desprezo de todos que preferem a
Alienação fogem dos conceitos dos
Quesitos e dos princípios e não
Querem nem saber da ética ou
Das ciências políticas a educação e
Os bons costumes deixamos nos armários
O respeito a consideração a amizade
São esquecidas em nome de uma
Segurança ou de um suposto
Medo que o relacionamento pode
Causar e nos levar à violência
E o estado de razão plena e de
Lucidez só encontrado pela maioria
Na embriaguez por isto é nesta
Hora que a droga tem vez e os
Psicotrópicos viram mania e fazem
Sucesso no meio da juventude
Ou até mesmo no meio adulto
Com o uso de álcool e outras substâncias
A humanidade caminha para um
Resíduo e tenho o receio que seja
O da pedra que não podemos transformar.