domingo, 24 de junho de 2018

Antropófago com fome; NL, 0210502008; Publicado: BH, 01201002009.

Quero beber sangue e comer carne crua
Para que viver assim certinho normal beber
Água e comer vegetal? quero é acabar
Com a natureza matar as baleias os golfinhos
E os pinguins; quero ser japonês e chinês eles
Que estão certos quero é enterrar gente viva
Igual eles já enterraram; terremoto maremoto
Tufão furacão todo castigo para americano
Do norte é pouco quero algo mais forte aviões
Carregados com bombas atômicas a chover sem parar,
Até aniquilar aquele império do mal ou
Deixá-lo como um cordeiro um carneirinho e
Não como uma ave de rapina uma águia predadora;
Quero ódio raiva e rancor quero ira terror e horror 
Morrer de apoplexia agonia e angústia fazer
Sangrar e beber o sangue fresquinho quente e
Um naco de carne preso nos dentes e deixar
Bem claro que é carne humana sadia e nobre;
Carne humana minha gente de gente
Quem é que não gostaria de comer um
Bush assado ou de fazer dele uma buchada
Ou uma dobrada à moda do Porto tal qual
O Pessoa nos relatou num poema? sou
Doido por buchada dobrada dobradinha e se
For carne célebre de presidente americano
Fica mais saborosa ainda; cuidado que
Eu estou com fome não passa perto de
Mim com esse bundão não que eu posso
Dá uma mordida em sua bunda; estou com
Fome cuidado barrigudão adoro sarapatel
Angu à baiana chouriço e morcela; estou com
Fome quem não quiser ser devorado passa
Para o outro lado; se Hitler comeu judeu assado
Por que que eu não posso comer? hoje Israel está a
Comer é criancinha crua nem põe na panela 
Para cozinhar quanto mais joga só umas bombas
Para despedaçar e ficar melhor para engolir; é
A forra meus amigos é a vingança contra
Os palestinos que também não devem deixar por menos
E comer dos israelenses alguns meninos.

Marcel Proust; NL, 0220502008; Publicado: BH, 01201002009.

Se tivesse o dom de pensar e pudesse
Pensar igual Marcel Proust pensou e falou
Para sua governanta que todo o mundo
Leria a literatura dele; se tivesse o Dom 
De escrever igual Marcel Proust escreveu
Mesmo doente debilitado trancado no quarto
Para legar à humanidade obras literárias
De raras belezas;  porém gênio não se faz gênio 
Nasce e nasceu gênio e nasci este estúpido do
Garrancheador e sei que não terei como
Leitor de minhas obras nem mesmo eu quanto
Mais o mundo inteiro igual Marcel Proust tem
Por causa dos seus livros geniais; quem sou eu
Para sonhar tão alto para tecer com letras e
Palavras verbos e substantivos textos com o gabarito
Que teve para tecer; vejo-o como um tecelão da
Cultura e nós da humanidade que amamos a
Literatura universal devemos muito a ele; erro e peco
Muito nos meus escritos baixo o nível fico com raiva e
Com ódio e escrevo com difamação; não aperfeiçoei
Um estilo e nem criei um diferencial que pudesse
Chamar a atenção ou adequar-me ao jaez de
Algum escritor; vejo-o manufaturador da letra
Pegava letra por letra e com esmero tricotar
Palavra por palavra costurar retalho por retalho
Sem pressa sem perder tempo ia buscar o tempo
Perdido ia caminhar pelos caminhos de Shwan e
Enamorar pelas raparigas em flor pelas suas sombras
Detalhes e silhuetas; se fosse para escrever para ficar
Rico com a escrita para agradar a gregos e a
Troianos na certa ele seria um escritor medíocre
Mediano; mas escreveu tal qual Deus fez o
Mundo sem ninguém por perto paras perturbar para
Perguntar o que estava a ser feito ou para o estressar;
Escreveu com ser alma e espírito e é assim
Com a licença que peço que tento aprender;
É assim que também quero que vejam-me não
O mundo inteiro mas pelo menos eu e os meus eus;
E se um dia for merecedor para entrar para essa
Nobre galeria que tenha o Marcel por guia que s
Reencarne em mim e passe-me seus segredos e mistérios.

A arrelia que trago; BH, 0270801999; Publicado: BH, 0220602012.

A arrelia que trago
Guardada dentro de mim
É a zanga bruta e eterna
O mau presságio
Que não deixam-me arreitar;
Excitar o apetite sexual
Sentir os desejos sexuais
É o ódio que carrego
A ira que demonstro
A cólera que sinto;
Tudo faz-me arreliar
Irritar-me até
Com o ar que respiro;
Afogar-me até
Com a água que bebo
E não vejo quando
A arrematação destes males
Um dia me transformará
Em um homem normal e feliz;
Não vejo quando
Vou poder arrematar
Pôr remate na dor
Terminar a impotência
Acabar com este terror;
Comprar em leilão uma solução
E concluir com a resolução
Que porá fim
A infelicidade infinita
Que respira dentro de mim;
Quero conseguir com a vida
Este meu arremate
O acabamento do tormento
Que parece não querer
A deixar-me viver
Teima em fazer-me arremedar
Teima em fazer-me uma imitação
De homem sem coração. 

sexta-feira, 22 de junho de 2018

E já que não sei; BH, 0270801999; Publicado: BH, 0220602012.

E já que não sei ser homem
Vou arremedar um homem
Imitar de qualquer maneira
Normal ou caricatural
E já que não sei ser
Vou parecer manter a aparência
Quem sabe que com este arremedo
Não consigo alguma coisa
O meu arremessamento na vida
O meu atirar para longe a insegurança
Superficialidade e fraqueza
Quem sabe não consigo repelir
O mal que me aflige
A falsidade e a ilusão
É arrojar-me com ímpeto na verdade
E lançar-me de vez na realidade
É o arremessar da vida real
No meu corpo morto inerte
Algo precisa acontecer comigo
Preciso sentir o meu arremesso
A minha investida na busca
Das respostas para as minhas perguntas
Tenho que arremeter como o jato
Que com toda a velocidade
Precipita-se com cautela
E usar de toda a coragem
Que sempre falta-me
Na ocasião de ação mais arrojada
E para a arremetida final
Que terei que fazer
Para sair do lodo
Preciso contar comigo
E quebrar a máxima
De onde que não se espera
É que não sai nada mesmo
E já que estou um morto
Tenho que parecer que estou um vivo


E tirar alguma coisa de mim.

Arrepender-me por viver; BH, 0270801999; Publicado: BH, 0220602012.

Arrepender-me por viver
Viver em vão vil e vazio
Sentir remorso por respirar
Mudar de opinião
Deixar de andar
E só rastejar na poeira
Arrepiar de medo
Levantar os pelos e cabelos
De calafrio e terror e horror
Ao expor meu arrependimento
Eriçar minha pele
Igual ao gato
Em frente ao cão feroz
Causar medo a mim mesmo
Voltar atrás no meu caminho
Embalar na carreira
Sem olhar para atrás
Cair de estremecimento
Causado pelo arrepio
Que a minha assombração e
O meu fantasma olham-me
De dentro do espelho ao revés
E onde tento limpar minha sujeira
É como se limpa o algodão
Com o ferro de arrequife
Para tentar fugir do arresto
Da apreensão judicial extra terreal
Do bem e do mal da minha alma
Para garantir o pagamento
Da minha dívida e sair logo da 
Minha condição de devedor
E de pecador faltoso
E de espírito barato
Que vaga perdido
A bater de porta em porta.

Não há quem lhe cuspa para cima; RJ, 040201999; Publicado: BH, 0220602012.

Não há quem lhe cuspa para cima
Que não lhe caia na cara
No pretérito comeste o pão
Que o diabo amassou
Hoje cospes no prato que comeste
Não precisas nem respeito
Só consideração só a lembrança
Só a memória do coração
De ajuda todos precisamos
De amparo social também
E quando estivermos no ápice
No topo do morro
No cimo da ladeira
Tomarmos cuidado para
Não descermos a rolar
E lá de cima
Não esquecer de ajudar
Quem ficou aqui embaixo
Estendido na poeira
Da estrada da vida
A magoar os pés
Nos seixos e nos pedregulhos
E nos espinhos dos caminhos
Então meu caro
Não firas para não seres ferido
A órbita da Terra em torno do Sol
Pode até ser eterna
E continuar em outra vida
O que tu não pagas aqui
Com certeza pagarás no além. 

Lancei na praça meu arrendamento; BH, 0270801999; Publicado: BH, 0220602012.

Lancei na praça meu arrendamento
Fui aquele que quis se ceder por solidão
E não apareceu interessado
Estava disposto a um contrato bilateral
Pelo qual assegurava a outrem
Por certo tempo infinito
Preço indeterminado
O direito à minha exploração
Por unidade ou por econômica
Fui o arrendador ninguém 
Quis arrendar-me receber-me ou 
Rendilhar na minha arrenda e na
Segunda cava das minhas vinhas
Dos meus milharais
Tirar as ervas daninhas
Que impediam-me de florescer
Por mais que oferecesse
Não apareceu arrendatário
E passei a arrengar-me
Abjurar a minha pessoa
Detestar a mim mesmo
Amaldiçoar-me e imaginar
Se ninguém quer-me para amar
Como é que eu mesmo
Posso querer-me
Posso amar a mim mesmo?
E neste arrengo passei
A irritar-me mais ainda
A ficar cego de ódio,
A querer arrancar os próprios olhos
Como se fosse um Édipo
Levei tempo para acordar
E tu não estavas ao meu lado.