domingo, 16 de dezembro de 2018

E gosta; Varanda da Marechal Marques Porto. 131; RJ/SD; Publicado: BH, 0230902012.

E gosta
E gosta que a gente faz
Tudo com ela
E gosta
Gosta que a gente
Passe a mão na bunda dela
Pegue na bunda dela
Ou em qualquer outro lugar
Daquele corpo louco
E gosta
Quando acaricia tudo
Na frente e atrás
E pede mais
E rebola bastante
E mexe mais ainda
E implora por tudo
E gosta
Gosta de fazer
Todo tipo de sacanagem
Gosta de repetir
À toda hora
Gosto de sacanagem
Sou uma mulher sacana
Safada e sem-vergonha
Sou uma cadela
Doida por um homem
E faz de tudo mesmo
Não precisa pedir
Não precisa mandar
E conhece os segredos e 
Faz com o corpo todo
Faz com a língua
Faz com os dedos
E se entrega toda
E se abre toda
E fica toda molhada
Toda melada e escorregadia
Igual baba de quiabo
E ela pede pelo diabo
Pelo capeta e pelo demônio
Implora pelos santos
Por Deus e pelo gozo e pelo orgasmo
Pelo prazer e pela volúpia
Pela excitação e pelo desejo
E gosta de ser mulher
E gosta de ser fêmea
De ser feminina
De ser usada e tratada
Do jeito que merece
E gosta de merecer.

Não tem jeito não; Varanda da Marechal Marques Porto, 131; RJ/SD; Publicado: BH, 0230902012.

Não tem jeito não
E insatisfeito e impotente mesmo
Diante do esmero
Não viril não na frente do pavão
Não fértil não
De esfíncter frouxo
É folgado e largo e 
Não consegue manter a ereção
Não consegue gozar
E nem fazer com que 
A mulher goze
Não consegue atingir o clímax
O orgasmo e a ejaculação
Os espermas são precoces
É um doente sexual
Não consegue vencer os problemas
E as barreiras e as muralhas
Coitadas das mulheres
Vão ter que procurar outro
Não as satisfaz
Não as dá prazer
E nem gozo
Elas vivem iludidas
Tentem ajudar
Tentam excitar
Fazem de tudo
Mas não obtém exito
O órgão não funciona
Disse que disse
Parece uma maria-mole
Um pedaço de borracha
Esticado e sem efeito
Sem sentido e sem jeito
Não sabe mais o que fazer
Não consegue nem e vencer e 
Curar e nem e libertar;
Não consegue ter ereção suficiente
Espermas suficientes
Gozo suficiente
Prazer suficiente
Coito suficiente
E ejaculação suficiente
Orgasmo total e completo
Não consegue ter nada suficiente
É um pobre dum impotente
Consigo não tem jeito não
Não nasceu para essas coisas de sexo
Sobrou um idiota sem prazer.



sábado, 15 de dezembro de 2018

De que vale as pessoas do mundo vangloriarem se; BH, NL, 0210802007; Publicado: BH, 0290802010.

De que vale as pessoas do mundo vangloriarem se
De nobreza no nome se têm pouca coisa em relação 
Com a nobreza do espírito e a ideia vira geleia e a 
Boia vira jiboia e a Coreia nunca será Troia e Deus 
Quando olha as pessoas do mundo já não pode 
Dizer abençoo-as e são à minha imagem e o ideal 
Não tem voo e elas só se importam com o zoo e entre
Uma árvore e um médio exemplar de pessoas do
Mundo fico com a árvore e o médio é paralelepípedo
Bárbaro e não tem música e tudo para ele é mais fácil
Vamos tocar adiante e não temos saída e o jeito é morrer
Com saúde e ainda assim morrer é ruim e quem saiu
Saiu ficou não pode mais sair baiuca feiura xiita
Juruna quem pôde por banca pôs e quem não pôde
Não pôs e quem têm vêm se não têm não vêm ficam por lá
Onde contém vida espiritual e as almas mantêm elevação,
Mesmo quando não convêm e nem provêm de que vale
Ser homem sóbrio sério que sabe o que faz abstêmio e não
Ter nem lucidez de bêbado? mais vale tomar um porre
De luz nobreza burguesia elite ai que azia de que
Vale obter todo dinheiro do mundo e quando
Morrer não levar nada para o fundo e quero
É viver que seja na pobreza ou que seja na
Miséria e um dia valer um tostão ou meio
Nunca valerei um milhão sou regato riacho córrego
Poeira de estrada cancela pinguela sou grilo
Sapo libélula valho menos do que um toco de
Vela e no entanto conto estrelas canto para
Elas converso em verso e faço confidências
Todas as rochas me formam desde as mais
Primitivas até as rochas que formam as grandes
Cadeias de cordilheiras e as vastas montanhas e 
As imensas pradarias cânions e vales e sítios
Arqueológicos e quando choro de tristeza pelas pessoas
Do mundo minhas lágrimas criam enseadas baías
Restingas mares oceanos rios lagoas lagos lençóis
Freáticos mas as pessoas do mundo parecem
Não se importarem umas com as outras
Todos perdemos o respeito e só procuramos
A felicidade e a salvação individuais
Gostaria de viver cem anos e legar às
Pessoas do mundo meus sinceros ais.

Se tu puderes um dia acabar de vez; BH, 0230250202008; Publicado: BH, 0290802010.



Se tu puderes um dia acabar de vez.
De tudo quanto for ez de tua vida como fato
Concreto tu alcançarás rapidamente um patamar
Mais elevado do que esse em que tu estás
Estacionado e começas pela timidez e destrua-a
Despreze-a e a embriaguez deixe-a sóbria e quando
Bateres em tu a languidez da preguiça reaja
Revide-a rispidamente e não deixe nem a
Desfaçatez de sobra e ponha-a de lado também
Em tua vida e ao vir a cupidez passional
A paixão corra dela meu irmão destrói
Qualquer homem são e já a maluquez troque-a
Pela lucidez pela hiper lucidez e seja então
Este ez que tu deves manter em tua condição e
Não abras mão de buscares sem cessar e temer a
Solidez de alma e de espírito e de ser e dês
Um jeito de com um gesto substituíres a polidez
Causada pela falta de ousadia e coragem e fé e
Audácia e não esqueças a mesquinhez viste
Acorde-a e a expulses do teu coração amargo e 
Interior e tudo mais que seja a tua formação
E lembras-te a invalidez também mata e a invalidez
Moral e de princípio e de ética e um dos piores
Mau que atinge a humanidade junto com
A sordidez do ser humano e da raça humana
E é assim que repito e te digo acabes de vez
Com o ez nefasto que elimina a auto-estima
E nos enche de complexos e de depressão e vês
A escassez de sabedoria o que é capaz de nos
Causar? e a frigidez? anime-a com xerez e
Aja com paciência de jogador de xadrez e assim
A prática do bem e a força moral do ato virtuoso com
Qualidade própria para produzir certos efeitos positivos
Causarão razão e validade e legitimidade e fé e esperança
E caridade e a pequenez para evitá-la tens que
Crescer todo dia todo santo dia sem morbidez até chegar
A tua vez de ser de existir de planificar não ficar mais
Abaixo e nem mais acima juntinho como a linha do horizonte
Lado a lado como as paralelas.

Os indiferentes; BH, 0270702001; Publicado: BH, 0310802010

Conversar o que com quem não
Olha pro céu? falar de que com
Quem não acompanha com o olhar
O voo solitário de um urubu nas
Alturas do firmamento azul? dialogar
O que com quem não sabe cheirar
O ar e sentir o vento e abrir o nariz
À brisa e o rosto ao orvalho e o corpo
Ao sereno? conversar o que com
Quem não sabe olhar uma árvore e 
Perceber o beija-flor a catar grãos de
Terra e nem observar as evoluções
Das andorinhas? como conviver no
Meio dos indiferentes e ainda mais
Quando acham que são diferentes e 
Emudeço então aos indiferentes
Sempre e fico surdo às suas vozes
E cego aos seus olhares e não converso
Com esses mudos e com esses surdos
Nem com a linguagem de sinais
E nem escrevo em braile a esses cegos
Que não têm as retinas perfuradas
E têm as mãos decepadas e
Conversar o que com quem ignora
A inteligência e atropela com a
Estupidez a sabedoria e escarnece
Da razão e da virtude? apresenta
Coragem e esconde a covardia e prega
A verdade e fala a mentira e com
A injustiça faz apologia à justiça
E passa impunemente com uma
Vistosa gaiola na mão e dentro
Dela um triste passarinho.

Incrédulo? incrédulo é quem não cria; BH, 070802001; BH, Publicado: BH, 030902010.

Incrédulo? incrédulo é quem não cria
Pois quem cria crê e creio por que 
Crio e crio meus filhos tanto os 
Figurados quanto os literais e crio 
Meus pensamentos e creio no que
Crio e por isto não sou um
Incrédulo e incrédulo é quem
É indiferente e omisso e covarde
Não procura o elo da verdade
E nem quebra o preconceito
Da mentira e creio na razão e
Na fé e na paixão e crio
Porque creio e porque fico indignado
Com os falsos símbolos e os tais
Pregadores da virtude virtual e 
É por isso que na morte 
Transformo-me pois não há
Morte em quem transforma-se
E transformo-me no que crio e 
Creio e vice e versa e verso na 
Metamorfose e na metafísica 
Utópica da liberdade e creio que 
Sou iluminado e crio na minha luz e 
Crio porque sou iluminado e creio 
Na minha luz mas antes tive que 
Florescer nas trevas e tive que trotar 
No lodo e chapinar na lama e lambi 
Sal grosso na pedra e esfreguei 
Minhas feridas com ácido e fui até à 
Medula dos meus ossos e saí da 
Mandíbula das minhas entranhas.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Gostaria de escrever uma obra desprovida; BH, 0220202008; Publicado: BH, 020902010.

Gostaria de escrever uma obra desprovida
De frio na barriga e diarreia e de disfunções 
Urinária e erétil e gostaria de escrever uma 
Obra nua e crua e despida de sentidos e de 
Sentimentos e racional e sem paixões e porém 
Sou mortal e protótipo de homem instável e
Flexível e procuro letras para formar palavras
E não as tenho e procuro palavras para formar 
Pensamentos e não as tenho e procuro 
Pensamentos e o que encontro é só uma 
Cabeça vazia e um cérebro inato e um crânio 
Fraturado e sim é o que gostaria uma obra 
Cognoscível de onde surgiria um homem livre
Moderno e autônomo e independente e excelso
Mas busco com os olhos e perscruto e volto ao 
Nada e a caneta dá voltas no papel e forma 
Espirais e redemoinhos e tornados e furacões
E as letras caem e saltitam e fogem e as 
Palavras ficam mudas e não cantam canções e
Passam sem melodias e arquiteturas ou 
Engenhos e as frases não vêm e as sentenças 
Morrem e os períodos são efêmeros e quiméricos
E faltos de conteúdo e elucubrações superiores
E ficam as coisas rasteiras e as baixarias e a 
Falta de moderação e vejo que tardiamente 
Escreverei algo de útil para a humanidade e 
Morrerei e ninguém sentirá falta pois não 
Acrescentarei à história e à ciência ou à cultura
Qualquer evidência de minha inteligência e em 
Cima de minha cabeça trovões se impõem e cada 
Um quer registrar estrondo mais ensurdecedor do 
Que o outro e raios disputam descargas e se 
Lançam em todas as direções e a apostarem
Quem carregará o maior volume de descarga 
Elétrica e o vento lança a chuva para todos os 
Lados e tempestade e no meio a tentar captar 
Para mim um pouco dessa potencial universal
Para transformá-la numa obra sem igual e 
Superior com a mesma força com o mesmo teor
E pigmeu e anão e tatu e toupeira menor do que 
Eu só o ralo e a vala negra e a sujeira do mundo 
Já é outro horror e o erro do mundo já não tem
Mais tamanho e nem chuva torrencial e nem 
Tsunami providencial endireitarão a humanidade 
Bestial e então depois do caos quando não 
Houver mais mente e coração apresentarei 
Meus escritos em primeira-mão e revelarei
Minha obra e encontrarei dimensão e alicerce
E estrutura um castelo medieval e umas naus 
Felizes no mar em que vago e ma súbita mão
Dalgum fantasma oculto e se chove pois
Se nenhuma chuva cai e se te queres matar
E porque não te queres matar e corro e morro e 
Um dia chego lá e minh'alma não será pequena.