quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O meu jeito é de apelintrado; BH, 0110602000.

O meu jeito é de apelintrado e
Tenho modos e ares de pelintra
E ninguém vai me perdoar, pelo
Jeito da maneira que sou; não
Sou apendiceado à vida, e a
Vida não tem apêndice em mim
E não consegui fazer a minha
Apendicectomia da morte e
Nem a extirpação mortal, tal o
Apêndice ileo-cecal; em mim a
Vida não é apenciciforme, e só
A morte é que é apendiculada,
Terminada no meu prolongamento
Final; a vida em mim não é
Essencial, e ao todo a que
Pertenço, e não me encontro
E nada sei juntar, nada sei
Acrescentar, nada sei apensar,
Apendicular à minha felicidade;
Sou só este apendículo de
Morte, este pequeno apendix
Sem vida, que navega cego em
Mar apenedado, cujos muitos
Penedos, vão afundar a embarcação;
Gostaria era de ser um poeta e
Que fosse levado a sério e que
Soubesse interferir na inteligência
Nacional e modificar os rumos
Da nação; porém, sou só um
Pilantra, um que ninguém dá
Ouvidos, um que ninguém ouve
A voz; e os poetas antigamente,
Exerceram em muitas transformações.

Só mesmo a natureza; BH, 0110602000.

Só mesmo a natureza,
Meu bem, para me aperar;
Só mesmo a natureza, anjo,
Para ajaezar meu ser,
Adornar o meu saber;
E o que é que nós,
Só deixamos acontecer,
A não ser a destruição
E o extermínio dela;
É necessário um apertão,
Um grande aperto como
De multidão comprimida,
Para que seja impedido,
O ponto final de tudo,
Sem ponto de interrogação,
Sem ponto de exclamação,
Simplesmente o fatal ponto final;
Se fosse um cidadão aperado,
Ajaezado no meu todo,
Encilhado com esmero,
Um cavalo bem vestido para desfile
E não tivesse o medo aperaltado,
A covardia que me faz aperaltar,
Aparelhar e me ajonatar como o
Aperalvilhar de um burguês,
Um apéptico da elite,
Que sofre de apepsia incurável;
Ai, meu coração apenhascado,
A balançar sobre o penhasco;
Ai, meu ser apeninsulado,
Ilhado nas águas do meu choro;
Ai, meu grito apenhado, que
Não encontra eco nos penedos,
Nas penhas insensíveis.

Já se foi há muito tempo; RJ, 060701981.

Já se foi há muito tempo,
O tempo da escravidão e
Hoje na era moderna,
Não se pode existir
Coisa assim não;
Trabalho desumano,
Salário humilhante,
De fome e injusto;
Na época de hoje,
Não se é permitido,
Coisas dessas maneiras e
Tem que se encontrar
Uma solução
Para uma vida melhor;
Um salário mais justo
E mais compensador;
Não se pode mais permitir,
Tanto desequilíbrio social:
O rico sempre mais rico,
O pobre sempre mais pobre,
Sem ter o que comer,
Sem ter o que vestir,
Onde morar e cair morto;
Tem que haver urgentemente,
Uma maior distribuição de renda,
Justa e honesta e igual para todos;
Chega de escravidão,
De exploração e fome;
Chega de injustiça;
O trabalhador merece respeito,
Merece ser bem pago
E também valorizado;
O operário tem que participar
Dos juros e das rendas gerados,
Pois ele é a base de toda a
Estrutura socioeconômica do
Sistema escravista e escravidão
É coisa do século passado.

Meu apendoamento não é real; BH, 0110602000.

Meu apendoamento não é real;
Não tenho o dom e nem a ação
De apendoar meu ser, guarnecer
De pendões minhas muralhas e
Deitar o milho e a cana no paiol
Do meu castelo de areia; perdi
Desde tempos longínquos
A aperceptibilidade natural
Na qualidade e no caráter;
Não sou aperceptível tal o poeta
E o que posso aperceber cego?
Não sei avistar nem as coisas
Mais simples, que a vida põe
Diante do meu nariz; sei que não
Sou um ser completo, não me
Tornei perfeito e nem sou aperfeiçoado
O quanto quero; percebo que nem
O meu amor, me torna aperfeiçoador;
Minha paz não é aperfeiçoável;
Os únicos qualificativos que,
Tenho, são os dados às flores
Sem cálices e sem corolas;
Indisfarçável aperiantáceo,
Indiscutível aperiantado e só;
E nada me é mais aperiente,
Nem me abre o apetite; bebo e
Perdi o gosto do aperitivo;
E viver se tornou aposítico;
Tornou-se aperispérmico o viver,
Na ausência do perispermo da botânica;
E no final o que me cabe?
É apessoar a arma, engatilhar o
Revolver, levantar o cão da espingarda
E acabar com tudo, ao disparar na cabeça.

Sinto-me realmente aperreado; BH, 0110602000.

Sinto-me realmente aperreado,
Oprimido pela burguesia,
Vexado pela elite
E nervoso com a minha situação;
O meu aperreador é o governo,
O meu oprimente é o congresso
E tudo que me é amolante,
É toda a classe política;
Quando vai me bastar,
Todo este aperreamento,
Chegar de amolação,
Todo vexame pessoal que passo;
Não suporto mais a apertadela,
É este regime apertador,
É este sistema arrochador;
Quero fugir deste apertadouro,
Deste lugar que me aperta tanto;
Quero folgar o cinto,
Soltar a faixa e o espartilho;
Preciso me ver e viver livre;
Sei que não sou apessoado,
Não tenho boa aparência,
Não sou de boa estatura,
Como requer a vaidade
E nada tenho para aperolar ou
Dar à semelhança de pérola ao meu ser;
Tenho só estas minhas fartas pálpebras,
De fartas pestanas e cílios, que me fazem
Um ser sobrancelhudo, apestanado,
Ciliado e de pálpebras pesadas, que só
Quer fechar os olhos para não enxergar
O apertar da realidade; o empestar da
Vida, da qual morremos dela,
Sem ela nunca nos ter.

Penso muito; RJ,0210701981.

Penso muito
Em mim mesmo;
Preocupo demais
Comigo mesmo,
Com meus jeitos
E com meus gestos;
Penso muito
Em meu físico,
Meu corpo e
Meu cabelo;
Preocupo demais
Com a minha barriga,
Meu nariz e
Minha pele;
Minha barba e bigode,
Cabelos e unhas;
Em suma:
Não quero nem saber
Sobre outras coisas
A não ser
Sobre o meu ser;
Esqueço o amor,
A paz e o íntimo;
Esqueço as pessoas,
Meu pai e minha mãe,
Meus irmãos e irmãs,
Primos e primas,
Amigos e inimigos;
Esqueço o mundo
E o universo inteiro.
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                             

Ai, quem me dera ser; BH.

Ai, quem me dera ser,
Um ser apiforme, e
Que tem a forma e a
Utilidade de uma
Pequena abelha; sem
Precisar sofrer de
Apifobia, e nem
Conhecer a fobia às
Abelhas; e com todo
O ânimo de um apídeo,
Todo o trabalho relativo
Aos Apídeos; toda a
Sociedade da espécime
E da família de
Himenópteros, que têm
Como tipo a útil abelha,
Que foge do brejo de
Água salgada, o apicum
À borda do mar; e quando
Pousa num apículo, uma
Ponta aguda de polém,
Uma curta e pouco
Consistente camada de
Néctar apiculado, mas
Não a apícula apicida,
Que produz a morte das
Abelhas e impede o
Fabrico do mel; ai, quem
Dera-me, se, o
Apetecedor criador, que
Apetece e deseja proteger
As abelhas rainhas e legar
O apetecível ao máximo
Que puder; ao corrigir as
Flores sem apétalo, sem
Pétalas e sem perianto e
A todo que tenha apetite,
Matar a fome com leite e
Mel; a todo apetitente dar
De comer; ai, quem me
Dera de mim, chegar vivo
Ao meu fim; levar a vida
No doce; levar o doce do
Mel; levar os corações ao céu.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Com um aperitório; BH, 0110602000.

Com um aperitório, a lâmina
Com que os fabricantes de
Alfinetes igualam os arames,
Usei para igualar na minha
Vida, minha alma com meu
Espírito; e com apero de
Prata e aperos de ouros, farei
Os preparos necessários para
Encilar um cavalo puro sangue,
De arreios de jaez e de pérolas;
E os caules que têm flores sem
Corolas, o apetalifloro esmagado,
Pelas patas do cavalo apichelado,
De feição de pichel, que ao
Apichelar na apicadura, não
Detonará o ponto de união de
Dois volantes nos trabalhos de
Armador; e para os que têm flores
Terminais, apicifloros colossais
E então o apiciforme mais elevado,
O ápice apiciliar que está inserido,
No espelho quebrado do outro,
Que tem em cada ponta de pedaço,
Que termina em cada ponta,
Com imagem de cadáver indicado,
Um vulto vulgar apontado,
Notado em cada lado do dilacerado,
Quebra-cabeça infinito, que jamais
Poderá ser montado e todos os
Reflexos se perderão e todos os
Sonhos possíveis descerão sobre
Nossas almas, silhuetas desesperadas
E cruas manchas de espíritos volúveis
De falhas e faltas eternas que outras
Vidas não completarão.

Nunca fui aplausível e nada fiz de; BH, 0130602000.

Nunca fui aplausível e nada fiz de
Digno de aplauso verdadeiro ou de
Plausível para a liberdade e penso
Que nunca fui admissível pela sociedade
E aprovável pela burguesia e pela elite;
E sinto uma aplestia extrema,
Um apetite insaciável de poesia e
Fome canina por um poema,
Que me faça provar a mim mesmo,
Que não vou apodentrar vivo,
Que não vou me deixar apodrecer
E que um dia ainda,
Vou aprender a escrever e então
Bastar o meu estado apodrido,
Barrar tudo em mim que comece a apodrecer
E colocarei por terra meu apodador;
Nortearei aquele que me apodar,
Vencerei ao motejador;
Desprezarei ao meu escarnecedor
E o zombador não encontrará
Mais em mim motivo de zombaria
E vai só me respeitar;
Tanto como um aponogetonáceo,
Da espécime das famílias das Aponogetonáceas,
Pequena família de plantas monocotiledôneas;
E assim poderei evoluir mais,
Sentir todas as emoções,
Perceber todos os sentidos
E abraçar a glória da vida;
Sem ter o aplauso negado,
Uma palma sequer, todas abertas,
Em um tapa ou uma palmada
E nada terei que temer,
Nada terei que provar,
Sanção nenhuma terei que sofrer.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Preciso me reapaixonar; RJ, 0200701981.

Preciso me reapaixonar
Por ti novamente;
Preciso me reaproximar
De ti novamente;
Estás muito distante,
Estou muito distante;
Precisamos nos desejar mais,
Nos abraçar mais;
Precisamos nos amar mais;
E fazer amor todo dia,
Fazer amor toda hora,
Para poder nos conhecer
E nos descobrir
E nos entender melhor;
Temos que nos usar
E chegar cada um,
Bem para perto do outro;
Preciso mais de ti,
De teu sexo e sabor;
Preciso do teu suor,
Do teu cheiro
E do teu sal;
Tu não me fazes mal
E não posso
Distanciar-me assim
Tanto de ti;
Tenho que te reencontrar,
Reacostumar-me contigo;
Não posso te perder e
Venhas para dentro de mim, e
Deixas que te possua,
Para possuir-te até a alma;
Não chames o exorcista,
Deixas que fique em ti.

Sempre fui aplaudidor; BH, 0130602000.

Sempre fui aplaudidor
Dos talentos alheios, dos dons dos outros;
Sempre fui aquele que aplaude o aplanético,
O sistema ótico que dá imagem plana
De um pequeno objeto sem total
Aberração de esfericidade;
E tudo capaz de impedir o
Desenvolvimento incompleto ou
Deficiente de qualquer órgão do corpo,
Na aplasia aplástica indevida e
Que não tem plasticidade aplicante
E nem aplicativo que explica
O aplicável da teoria na prática
E nem aplica a tese do aplo do
Grego hapleas, a significar simples aplócero,
No que possui antenas ou cornos simples;
Abertura ou boca de aplóstomo?
Incisão de aplotomia; a pausa e a
Suspensão temporária da respiração na apneia;
Que no sono do apnéico é inesperada e
E indesejável; e todo o designativo
De distância, a eterna separação e privação,
Oposição de derivação consecutiva,
Apogeu dos anjos e apofonia do canto, o
Perdido apógrafo do fragmento apócrifo;
E na apócope o apóstrofo apomorfina;
E a apostasia transforma-se em forma
Por abrandamento afélio; cria do aforismo
De aferese que quando a palavra
Que se lhe segue começa por
Vogal asferada; e a pequena constelação
Austral após a antiga ave do paraíso
Pousar na haste de madeira sagrada
Que se prendem as principais peças do arado.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Experimentar de tudo; RJ, 0200701981.

Experimentar de tudo,
O todo
E o nada;
Experimentar o início,
O meio e o fim;
Experimentar a meta,
A reta e a seta;
Experimentar o culto,
E o oculto, o obscuro e o escuro,
O abstrato e o trato,
E o extrato;
Experimentar o fato,
O desconhecido;
Experimentar a gota,
A grota e a gruta,
A bruta e a força bruta;
Experimentar o inteiro,
O mundo e o universo,
O feio e o belo,
O homem e a mulher;
Experimentar o amor,
A paz e a harmonia,
A irmandade e o sabor;
Experimentar a experiência,
Toda a ciência,
De sã consciência;
Experimentar a dor,
O sofrimento e o sentimento,
A ilusão e a mentira,
A realidade crua,
A sinceridade nua,
Experimentar;
É valido,
A experiência é útil
E fortalece o ser.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Patagônia, 927; Mendigo de Luz; BH, 01901002011.

Bato à tua porta a pedir uma esmola pelo amor de Deus;
E o que tens a me oferecer: ouro, mirra e incenso; pão,
Centeio e vinho; azeite, carneiro assado e araque; mas,
Não entendes o mendigo à tua porta; o porte andrajoso
Enche-te de piedade, e abres a tua porta; ofereces a mesa,
A cama, os banhos e os rebanhos; pões a mulher à        
Disposição; ofereces a filha; mas, o essencial tu não tens
À sobrevivência do mendigo; e ele recusa tudo que tens;
Não aceita teus bens, tuas migalhas e até percebe, que és
Mais pobre do que ele, e que bateu em porta errada; e tu
Insistes em agradar a este pobre demônio; fazes rezas,
Orações, oblações e cantas os cânticos sagrados, os
Hinos de louvores e as cantigas de louvações; queres
Lavar as feridas do ralado com tuas lágrimas e ungir-lhe
A cabeça com óleo, e transbordar-lhe o cálice; teimas
Obstinado, que fazes de conforme com as leis divinas
E a religião; mas, o mendigo, na primeira mentira da
Religião, pulou fora dela; desceu do altar e quebrou o
Santuário; e vem a noite com os ventos uivantes frios;
O mendigo recebe açoites de rajadas pelos restos de
Andrajos; trazes um prato com manjares e pões diante
Dele; mas, o mendigo implora pela esmola que ele precisa,
Pelo amor de Deus; e ao não recebê-la, levanta junto com
O semblante, e fita-te os olhos embaçados; a voz é mansa,
Balido de ovelha, de suave sereno, de carinhoso orvalho;
Fica tu, então, com as tuas trevas; continuarei a mendigar
Pelo mundo, a luz de que tanto preciso, para não morrer;
Não mendigo o que tens; mendigo a luz que pensei que
Tivesses, para ser a lâmpada dos meus pés nos caminhos.

Marcel Proust; NL, 0220502008.

Se tivesse o dom de pensar e pudesse
Pensar igual Marcel Proust pensou e falou
Para sua governanta, que todo o mundo
Leria a literatura dele; se tivesse o om de 
Escrever, igual Marcel Proust escreveu,
Mesmo doente, debilitado, trancado no quarto,
Para legar à humanidade, obras literárias
De raras belezas;  porém, gênio não se faz, gênio 
Nasce e ele nasceu gênio e nasci este estúpido do
Garrancheador e sei que não terei como
Leitor de minhas obras, nem mesmo eu, quanto
Mais o mundo inteiro, igual Marcel Proust tem,
Por causa dos seus livros geniais; quem sou eu
Para sonhar tão alto, para tecer com letras e
Palavras, verbos e substantivos, textos com o gabarito
Que ele teve para tecer; vejo-o como um tecelão da
Cultura e nós da humanidade, que amamos a
Literatura universal, devemos muito a ele; erro e peco
Muito nos meus escritos, baixo o nível, fico com raiva e
Com ódio e escrevo com difamação; não aperfeiçoei
Um estilo e nem criei um diferencial que pudesse
Chamar a atenção ou adequar-me ao jaez de
Algum escritor; vejo-o manufaturador da letra,
Pegava letra por letra e com esmero, tricotava,
Palavra por palavra, costurava retalho por retalho,
Sem pressa, sem perder tempo, ia buscar o tempo
Perdido, ia caminhar pelos caminhos de Shwan e
Enamorar pelas raparigas em flor, pelas suas sombras,
Detalhes e silhuetas; se fosse para ele escrever, para ficar
Rico com a escrita, para agradar a gregos e a
Troianos, na certa ele seria um escritor medíocre,
Mediano; mas ele escreveu tal qual Deus fez o
Mundo, sem ninguém por perto para perturbar, para
Perguntar o que estava a ser feito ou para o estressar;
Escreveu com ser, alma e espírito, e é assim,
Com a licença que peço, que tento aprender;
É assim que, também quero que me vejam, não
O mundo inteiro, mas pelo menos eu e os meus eus;
E se um dia for merecedor, para entrar para essa
Nobre galeria, que tenha o Marcel por guia, que ele
Se reencarne em mim e me passe seus segredos e mistérios.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Prefiro morrer a dizer que; BH, 0130602000.

Prefiro morrer a dizer que
Prefiro ser um apolítico;
Com todo combate aos políticos,
Não sou um não político,
Um que não trata de política,
Muito pelo contrário,
Não estou alheio a ela,
À política mais e mais ética,
À política da razão, da moral
E do comportamento com decoro;
Como uma parte final da missa grega,
Uma apólise solene que evite
O apolentar dos políticos do congresso,
O engordar com a polenta das cifras,
Os bolsos e as contas nos paraísos fiscais;
E vem é do povo o cacife apolentador,
Vem é do povo os impostos e os pagamentos;
É necessário apolegar os maus políticos e
Machucar com os dedos os dedos deles,
Principalmente na quebra dos polegares para
Que eles se tornem apoldrados,
Tal a égua que dá cria a
Um poldro apolainado,
Em forma de flácidas polainas; e
Torná-los umas apojitaguaras,
Árvores da família das Rutáceas,
Mas que são mais úteis
E bem mais necessárias que os maus políticos;
Os que não possuem nenhuma apojatura,
O ornamento melódico representado,
Por uma pequena nota sem corte
Oblíquo ou haste a preceder a
Nota essencial, a qual subtrai-se o
Próprio valor da acentuação;
Mas quando é que poderemos
Ornar ou valorizar um político
Nos dias de hoje.

Tem sempre alguém; RJ, 0170701981.

Tem sempre alguém,
A querer paquerar
É só tu
Saberes entender,
Saberes ver
E saberes olhar;
Tem sempre alguém,
A querer se entregar,
Transar e amar,
Papear e conversar;
Basta tu
Ficares na tua
E não deixares escapulir,
A oportunidade que surgir;
Tem sempre alguém a fim,
Com um sorriso assim,
Um olhar languido,
Um gesto intuitivo,
Uma expressão loquaz,
A dar a entender,
Que quer conhecer,
Que quer fazer,
Trocar beijos e carícias,
Abraços e carinhos;
Tem sempre alguém,
Disposto e à disposição;
É só estenderes a mão,
Levares um papo bom,
Cheio de descontração;
É só abrires a mente,
A boca e o coração;
E namorar e amar,
Transar e sanar; e
Fazeres o que quiseres,
Tem sempre alguém,
Para ti também.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Estou a secar feito leito de rio; BH, 0130602000.

Estou a secar feito leito de rio,
Estou a virar deserto por falta de apojamento,
Não me encontro apojado de orvalho,
Entumecido com algum líquido,
Não estou cheio de sereno;
Tudo que faço é apográfico,
Uma reprodução sem caráter,
Vazia e sem teor apogístico;
Minha frase anda como um apogáster,
Minhas palavras como apogástreo
E meu pensamento um apogastro de
Moluscos cujos ventres são desprovidos de pés;
Pois em mim nada parece andar
E tudo parece não andar;
Até mesmo na alteração do valor fonético
Da vogal de um radical, sem ser
Por influência da vogal final,
Na apofonia de coro para coros;
De devo para deves; esse desvio de
Som ou alternância vocática é
Herança indo-européia e explica
Por exemplo, a diferença entre
Um vocábulo latino e o grego cognato
Correspomdente: ped (raiz latina oriunda
De pés, pedis=pé), e pod (raiz grega oriunda
De pous, podos=pé); daí os
Sufixos pede (latino) e poda ou pode
Grego, que entram na composição
De vocábulos portugueses; bípede que sou,
Antípode que pareço, miriápode
Que explica também, variantes
De raiz em vocábulos portugueses
Originários do latim; e ao repudiar,
Faço tudo bem feito para existir,
Faço e fiz para viver; feci feliz
E o coração saariano não fez o fecit,
Que me conservou tão seco.

Sei que a minha vida; BH, 0220602000.

Sei que a minha vida,
É como um apofisiário duro,
Um apofisário calcinado
E difícil de roer; e sei que a
Minha vida, não é firme como
Uma apófige, como o anel
Que circunda o fuste da coluna
Logo acima da base
Ou perto do capitel;
Nada sustenta minha vida,
Um suspiro e não chego à apódose,
A segunda parte do meu período,
Mesmo que seja gramatical,
Em relação à primeira parte;
A prótase cujo sentido é complemento
E na retórica, sou a figura que
Pelo absurdo do argumento,
É repelida na apodioxe;
Não sou um ser evidente,
Um homem convincente;
Não permito em mim,
A demonstração da verdade;
Nego todo apodietico em mim,
Falta tudo de apodítico em mim
E devido a apodia,
Devido a falta de pés,
E não posso andar na linha do horizonte;
E não posso andar na corda bamba entre
As paralelas do infinito, já não sei andar e nem
Muletas me servem mais e
Não quero cadeiras de rodas;
Perdi o faro apodengado,
Perdi a audição de podengo e 
Não sou mais aquele cão
Útil para a caça de coelhos;
Nem as pulgas me querem mais;
Sou só agora e sempre,
Fruto de toda apodadura humana.

Eu quero tanto; RJ, 0170701981.

Eu quero tanto,
Que tu me beijes na boca,
Lambuzes-me e sujes-me
E abuses de mim, amor;
Que faças o óbvio,
Que faças o absurdo
E me ponhas como Drácula,
Numa história de terror;
E quero tanto,
Que tu me pegues,
Laves-me com saliva e
E me laves com suor;
Sugues o meu sangue,
Despedaces minha carne,
Dilaceres minha garganta,
Com unhas de pavor,
Decepes minha mão,
Agarrada na tua;
Ponhas-me em órbita
E me leves para a lua,
Santa nua,
Deusa pelada,
Manchada e pura,
Obscura e límpida;
Deites em meu leito,
De prazeres e pragas;
Mates tua fome,
Destruas meu ser
Ao avivar o teu;
Apagues minha chama,
Ao alimentar a tua;
Pois quero tanto,
Que tu faças comigo,
Tudo que és capaz de fazer.

Sou mineiro apocópico; BH,0220602000.

Sou mineiro apocópico,
E não sei parar de apocopar,
Não consigo falar direito
E sem diminuir sílaba e letra,
No fim de cada palavra pronunciada;
E cada vez mais vou falar,
Com o proceder à apócope;
Sou mineiro apocopado,
Todas as minhas frases sofreram
E são apocopadas: que posso fazer?
Se fosse um apocináceo,
Se fosse um apocíneo,
Espécime dos Apocináceos ou Apocíneas,
Família de plantas dicotiledôneas,
Monopétalas e hipóginas,
À qual pertence a espinadeira,
E jamais precisaria falar ou
Escrever o que quer que fosse;
E nem sofreria a revolução periódica,
Como a apocatástase de um astro;
E nem seguiria na teologia,
A doutrina herética segundo a
Qual no fim dos tempos, serão
Admitidos ao Paraíso, todas as almas,
Todos os espíritos com total
Restabelecimento de saúde;
E o gineceu composto de dois
Ou mais capelos distintos entre si,
O apocáspico sem desespero e causa,
Que não morre de apoplexia,
Nem afecção cerebral causada
Por acidente vascular e que
Se manifesta por privação dos sentidos
E do movimento da apoquentação;
Sufoco e afogamento, sem morte
Súbita e precipitada e só a vida
Ávida esperada; só o amor para
Nos socorrer.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Só quero aprender a agradar; BH, 0220602000.

Só quero aprender a agradar,
Ser agradável com todo mundo,
Com todas as mulheres
E com todos os homens;
Causar prazer e contentar-me,
Contentar as pessoas e deliciar-me;
Ter mais frequentemente,
Empregado em todas as pessoas,
O prazer, mesmo que embora, não
Tenha conjugação completa;
Usar corretamente e aprazer-me,
A tudo que me apraz a felicidade
E que aprazar-se à humanidade;
Sem aprazamento de tempo,
O aprazador hipócrita que só
Usa a esperança para não realizar,
Tal a incapacidade de executar,
Os movimentos apropriados a
Um determinado fim, se bem
Que não exista paralisia
Como na apraxia, e o desacordo
Entre o movimento e a intensão
Da intenção para vedar a perda
Da compreensão do uso
De objetos usuais, não lhes
Reconhecer nem mesmo a forma,
Devido ao cozimento do cérebro,
A que se juntam outras substâncias,
Que não o adoçam e nem o classificam;
E a apozema medicinal não cura e
Só aumenta o apoucamento,
A falta de energia que faz apoucar,
Num rebaixamento de humilhação,
Como causa do apoucador amesquinhador,
Que gera mal provido,
Pouco desenvolvido, tímido e imbecil,
Mesquinho e acanhado,
Apoucado na esquizofrenia mórbida.

A hora é esta minha gente; RJ, 0150701981.

A hora é esta minha gente,
Vamos levantar a voz,
Precisamos estar preparados,
Para matar ou morrer;
O momento é este,
Temos que entrar em ação,
Vamos nos levantar,
Vamos nos revoltar,
Entrar em manifestação;
Protestar e lutar,
A hora é de libertação;
O sangue tem que correr,
Não podemos morrer,
Amarrados nas correntes,
Presos nos grilhões
E nas algemas do poder;
Vamos parar o poderio militar,
Vamos expulsar os generais,
Os estrangeiros e as multinacionais;
Chega de exploração,
Chega de opressão,
Temos que sair do chão;
Esta vida de cachorro,
De bicho do mato,
Tem que acabar;
Não podemos continuar,
Sem participar,
Sem opinar e falar;
Temos que estar presentes,
Temos que ter presença,
Acabar com a burguesia,
Com a minoria privilegiada,
E com a elite abusada;
Vamos impor direitos iguais,
Nós somos nossa gente,
Nós somos o povo
E quem decide
É o poder do povo;
E o poder do povo,
É poder ilimitado.

Entre um apótomo; BH, 0220602000.

Entre um apótomo,
O intervalo entre dois tons,
E na matemática a diferença,
Entre duas quantidades imponderáveis,
E a posição que se deve dar,
A um membro fraturado, depois
De ligada a fratura na apótese;
Se fosse um gênio obstinado,
E criaria um apotegma imortal,
Como um dito sentencioso feito
Por pessoa célebre e sobrenatural;
Um aforismo clássico e abissal,
Um provérbio sábio e de profundidade
E assim a apoteosar a poesia eterna;
Fazer a apoteose do poema infinito e
Glorificar minha escrita com discernimento,
Enriquecer com apotegmatismo,
Minhas linhas internas,
Com pensamento apotegmático,
Postura de poeta iluminado,
Como as peças das balizas
E o madeiramento de lei,
Que formam a apostura do costado
Do navio acima da cinta;
E não perder no meio dos porcos,
A apostolicidade adquirida
Do caráter apostólico; e conformidade
De doutrina com os apóstolos
E no meio dos abutres,
Se mostrar apostolical,
Mesmo que as carnes sejam
Rasgadas e devoradas, não sair
Do semblante apostólico;
E na apostilha dos pontos e matérias,
Estudar as aulas publicadas,
Em avulsos para uso de alunos,
Para que entre uma apostila e
Outra, aprender o valor da vida.

Gostaria de ser pelas ruas; BH, 0220602000.

Gostaria de ser pelas ruas, como
Um ser que pudesse ser apontado,
Como o poeta apontável e reconhecido,
Apontado e seguro com pontos largos,
Longe do conjunto de coisas desconexas,
Que sabe segurar um poema,
Encher com pontos os vazios,
Citar a ponto a poesia,
A proposito de toda natureza,
Apontoar a beleza cerebral,
Corrigir o torturado moralmente,
O importunado pelas dores,
Apoquentado e o aflito de alma
E tudo que incomoda a paz,
Que importuna a felicidade,
Que apoquenta o amor e
Todo defeito negativo do apoquentador,
Numa extravasação do sangue, e
Deixar fluir num aporismo,
Numa hemorragia de venoso,
A deixar só o arterial;
O que oxigena e cristalina;
O que purifica e redime,
Desintoxica e permite,
Que a vida continue ainda,
Livre como um apopétalo
Da corola cujas pétalas,
São livres umas das outras;
Como o dialiopétalo do aporema,
Silogismo pelo qual se demonstra,
O valor igual de duas ou mais
Proposições contraditórias;
Livre da hesitação e da dúvida,
Que o orador simula ter,
No meio de um discurso,
Por aporismar o vernáculo,
Na indecisão da aporia existencial. 

Quem aceita um não; RJ, 0150701981.

Quem aceita um não
E cai no chão
E fica estendido,
Sem se levantar;
Quem leva um não
E não procura saber
Qual a causa
Da negação,
Tem mais é que se enterrar,
No fundo de um caixão;
Quem espera um não
E não procura o sim,
Já chega ao fim
Da carreira e da vida,
Não curou a ferida,
Da mente e do corpo;
Não aceito um não,
Sem uma explicação,
Sem um porque;
Todo não,
Tem sua razão
E se a razão,
E se o por que,
Não me convencem,
Não adiantar,
Que não quero saber,
Que não vou aceitar,
O dito não;
Não é qualquer não,
Que me faz desistir;
O não,
Para me fazer parar,
Tem que ser um não,
Que pare meu coração;
Pois não perdoo
A negação;
Só aceito um não,
Com a promessa depois
De um grande sim.

Problema difícil de resolver; BH, 0220602000.

Problema difícil de resolver,
Assim que me sinto na vida;
Um inseto himenóptero áporo,
Que tem guelras pouco desenvolvidas,
O aporobrânquio articulado,
Da classe dos Aracnídeos; moluscos
Cefalópodes, uma aporrinose escandalosa,
Fluxo de catarro nasal constante,
Assim que me sinto na vida;
Uma canoa que não pode ser aportada,
Um navio sem aportamento,
Um barco que não conhece
A ação de aportar, em coração
Seguro e espirituoso;
E todo caminho aportelado,
Toda estrada que tem portela,
Transpor e aportilhar,
Para abrir portilhas ou portilhões,
Nos muros ou nas muralhas,
Nos costados dos navios piratas,
E colocá-los a pique;
O navio negreiro aportuguesado,
O escravo africano aportuguesável
À força, jamais poderemos esquecer,
Fazer a aposentação da história,
Numa espécie de aposentadoria
E de esquecimento de tudo,
Que sofreram os negros e os índios;
Não quero ser um aposentador do passado,
Criar no meu aposentamento,
Um pensamento distante da história;
Uma interrupção intencional,
No meio de uma frase de vida,
Como a aposiopese ou a reticência;
E ao que faz cerrar a apetite do saber,
O aposítico do conhecimento,
Combater com a avidez do aperiente.

Adequado a tudo aposto; BH, 0220602000.

Adequado a tudo aposto e
Acomodado por desanimo,
O mundo tem razão a meu
Respeito; não existe um
Remédio externo, uma
Ligadura interna, um emplastro,
Que aplaque minha dor; um
Apósito de preguiça, quer
Apossear-se de mim ou
Apossar-se de todo o meu ser;
Ao lançar-me aposselênio, pelo
Espaço apolúnio, pois não estou
Decidido a viver, deliberado a
Amar e nem num fito propositado
A fazer o bem: não encontro-me
Empenhado; concertado em
Harmonia, preparado para a vida,
Aparelhado com a humanidade;
Não sou um apostado admirado
E sim esta formação de abscesso,
Esta acumulação de pus; uma
Apóstase longe da inflamação,
Sou a inflamação; falta-me uma
Orquídea, mesmo a do gênero
Apostásia; falta-me a flor sublime,
Que supera meu teor apostemático;
Falta-me o caule apostemeiro, para
Servir de lanceta e abrir minha
Apostemeira crõnica; como morro
Por ser apostemoso; se fosse
Um apostilador, se soubesse
Apostilar, anotar às margens e
Emendar, não sofreria tanto, pois
Todos conheceriam o apor
Das minhas anotações.

Comigo é diferente; RJ, 0150701981.

Comigo é diferente e
A maré é outra coisa,
E o buraco é mais embaixo;
E reclamo,
E protesto,
Manifesto-me e revolto-me;
E não fico calado,
Não fico quieto,
Falo e grito,
Brigo e luto;
E sou rebelde,
Se não aceito,
Não aceito;
Se não quero,
Não quero;
Sou radical,
Manifestante e revoltado;
Sou obstinado,
Intransigente e chato;
Sou teimoso,
Tinhoso e persistente;
Sou insistente,
Não desanimo
E nem entrego os pontos;
Comigo não,
Comigo couro come;
O pau é duro
E a luta é brava,
A guerra é suja;
Não perco a fé,
Nem a esperança;
Não perco a calma
E nem a bonança;
Conheço meus direitos,
Conheço meus deveres
E não apanho sem revidar;
Comigo tem que rebolar.

Superar a dor é a maior admiração; BH, 0220602000.

Superar a dor é a maior admiração 
Que poderemos causar àqueles, 
Que, a desaprovação é o sentimento
Do coração fraco, que não
Suporta a verdade; e que
Grita apre na mentira; o
Avaliador do caráter do ser,
Aquele que apreça o verdadeiro
Valor, o apreçador real, é
Justamente, o que evita o
Apreçamento; evita dizer que
Vale mais do que qualque ente
Normal; e deixo à disposição do
Apreendedor, todo o conteúdo
Do meu íntimo; demonstro a
Minha apreensibilidade no meu
Erro apreensível na faculdade
De apreender o erro, o apreensor
Da falha fatal, que faz aprefixar
Às boas palavras, juntar os
Prefixos às qualidades e prefixar
Como se já houvesse apregoado,
Tal o pregão num leilão, que
Apregoou a venda da riqueza,
Feito constar fora da realidade;
O entregador notório quer apresar
De todas as denúncias de
Irregularidades, todos so proclamos
Das entregações e não deu ouvidos
Aos clamores, continuou o total
Apregoador bobo alegre, que
Patenteia o solo da pátria; pregoeiro
Traiçoeiro da nação; amarrado ao
Apresador estrangeiro, que com a
Ciranda do capital financeiro,
Apresa o nosso destino futuro,
À miséria, à pobreza e à desgraça.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Friedrich von Schiller, Ode à Alegria; BH, 01201002011.

Oh amigos, mudemos de tom!
Entoemos algo mais agradável
E cheio de alegria!
          Alegria, mais belo fulgor divino,
Filha de Elíseo,
Ébrios de fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Teus encantos unem novamente
O que o rigor da moda separou.
Todos os homens se irmanam
Onde pairar teu vôo suave.
A quem a boa sorte tenha favorecido
De ser amigo de um amigo,
Quem já conquistou uma doce companheira
Rejubile-se conosco!
Sim, também aquele que apenas uma alma,
Possa chamar de sua sobre a Terra.
Mas quem nunca o tenha podido
Livre de seu pranto esta Aliança!
Alegria bebem todos os seres
No seio da Natureza:
Todos os bons, todos os maus,
Seguem seu rastro de rosas.
Ela nos dá beijos e as vinhas
Um amigo provado até a morte;
A volúpia foi concedida ao verme
E o Querubim está diante de Deus
Alegres, como voam seus sóis
Através da esplêndida abóboda celeste
Sigam irmãos sua rota
Gozosos como o herói para a vitória.
Abracem-se milhões de seres!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Irmãos!  Sobre a abóboda estrelada
Deve morar o Pai Amado.
Vos prosternais, Multidões?
Mundo, pressentes ao Criador?
Buscais além da abóboda estrelada!
Sobre as estrelas Ele deve morar.

Não vou apresbiterar-me; BH, 0220602000.

Não vou apresbiterar-me,
Tomar ordem de presbítero nenhum;
O que eles querem é só cifras,
Pessoa portadora de letra de câmbio,
Apresentador de algum valor,
Apresentante de alguma bolsa de dízimo;
Não estou aí para ser apresentável,
Não sou digno de me apresentar,
Não tenho boa apresentação,
Para essa ocasião de pedir cifrão;
E ao me guarnecer e me prender com presilhas,
Ao apresilhar-me na minha timidez,
Não me sinto pronto para enfrentar,
O destino no meu lugar;
Não vivo apressado em viver,
Como o que tem pressa em respirar o ar,
O acelerador imprudente e sem educação;
Almejo mais a ser um diligente na calma,
Açodado na serenidade da tranquilidade,
Urgente em não fazer nada,
Precipitado em ficar parado e
Dar lugar à morte ao apressador;
Que vive com apresso na angústia,
Aperto indevido na alma, e
Pressa para se chegar ao buraco;
Apressurado para ser cremado
E o que se apressa para se desintegrar, na
Precipitação para virar pó;
Diligência para apodrecer rápido,
Celeridade para reunir no nada,
Prontidão para ficar em linha reta,
No apressuramento que poderia
Ser evitado numa tarde serena;
O aprestador do trauma apresto,
Que apresta a morte pelo trauma;
Apercebimento da esquizofrenia, é o
Aprestamento incurável, onde
Que só a morte é palpável.

E não quero ser heroi; RJ, 080602000.

E não quero ser heroi,
Nem vivo
E nem morto;
Não quero medalha
E nem quero condecoração,
Quero apenas ter no peito,
O meu próprio coração;
E não quero ser soldado,
Nem guarda
E nem polícia,
E não quero ser militar;
Quero ser um pacifista,
E quero a paz;
Não quero monumentos
E nem quero estátuas;
E não quero o meu busto,
Em praça pública;
Não quero o meu nome,
Em nome de rua;
Não quero homenagens
De espécies algumas;
O que quero mesmo,
É o amor,
É ver todo mundo a amar,
A viver a vida em paz,
Sem dever nada a ninguém;
Sem ser preso a nada
E sem problema algum;
E não quero ser santo,
Não quero ser beatificado
E nem venerado;
Não quero ser velado
E nem quero religião;
Quero a realidade,
O sol e o dia e a noite;
Quero o ar e a brisa,
A lua e as estrelas;
Quero a natureza,
O bem e o amor;
Quero o que é real.

Meu sonho aprimorado; BH, 0220602000.

Meu sonho aprimorado,
Tornou-se num pesadelo,
Todo feito com primor;
Apodreci com suma elegância,
Pequei com tamanha perfeição,
Que a mentira se tornou verdade,
O erro totalmente perfeito,
O crime ficou completo;
E até hoje me acho prisioneiro,
Aprisionado ao negror do passado,
Encarcerado nas masmorras das sombras,
Submisso ao medo e à covardia,
Cativo de mim mesmo;
E meu aprisionador, o
Que aprisiona o aproamento,
Contra os rochedos tenebrosos;
Se fosse de abril, próprio e
Mesmo abrilino; ou o ar aprilino,
Sobreviveria a mim?
Ou continuaria no meu aproche?
No entrincheiramento para facilitar
A chegada às praças sitiadas,
Investidas para me fuzilar?
Quero mais é aproejar longe do mal,
Aproar no aprontamento da luta, no
Preparativo para a batalha final,
A prova com que termina a fase,
Do exercício de um parelheiro;
E o exercício final para verificação
Das condições técnicas de um indivíduo
Ou de um grupo para continuar
No apronto para a defrontação;
Que caiam por terra exaustos,
Todos os meus membros decepados
E me lançarei aos cães.

Faças uma apropinquação de mim; BH, 022002000.

Faças uma apropinquação de mim,
Numa aproximação física e espiritual;
Venhas apropinquar do meu corpo,
Num aproximar de minha alma,
Que é o apropínquo da tua;
Apropinquei-me apropositado de ti
E então apropinques ao vir de propósito,
Que este verbo é mais usado,
Na forma pronominal, oportuno,
Conveniente e discreto;
Justo e por ocasião da noite,
Nos fazer apropositar no amor,
Acomodar nos suores e nos odores,
Adaptar aos cheiros e aos sabores,
Apropriar sem tornar-nos sisudos,
Apropriados a nós dois,
Útil a mim e a ti,
Acomodados nos braços um do outro,
Congruente e proporcionado
E só Deus ser o apropriador,
O que se apropria de nós;
E ao mundo manteremos,
A impossibilidade de fixarmos,
A atenção ao mundo;
A herança será a aprosexia,
Sancionado só e em ti;
Admitida só tu em mim,
Com louvor só a Deus e a nós;
Beneplácito só o recíproco
E depois de julgado bom,
Habilitado e aprovado,
Passado e repassado pelo
Crivo do aprovador, com o
Visto de aprovável e digno
De aprovação; e aproveitante
Por ser totalmente aproveitado,
Utilizado de todas as maneiras,
Sem ser econômico para viver,
Sem ser poupado e ser só proveitoso.

E não sou senhor; RJ, 080601981.

E não sou senhor,
Senhor é Deus
E está no céu;
E não sou santo,
Santo é Jesus
E subiu
E nunca mais desceu;
Deixou este mundo,
Entregue ao léu
E não quis mais saber,
O que ia acontecer,
Com as coisas aqui;
Pobreza e fome,
Exploração e desamor;
E não sou profeta,
Para predizer,
O que vai acontecer;
Mas se continuar assim,
Não precisa ser profeta,
Para adivinhar;
Só não ver
Quem é cego,
Pois o que vai acontecer,
Vai estarrecer,
O mais forte coração;
E é bom logo,
Que todo mundo,
Converta-se ao amor,
Alimente-se de paz;
Pois o amanhã,
Pode não acontecer;
A cada dia,
Vai ficar mais feio,
Este mundo imundo,
Esta humanidade porca,
Esta sociedade podre;
E não sou senhor,
Senhor é Jesus,
Que foi e não voltou.

Dói meu coração apuado; BH, 0220602000.

Dói meu coração apuado,
Que tem puas trespassadas nele;
Objetos pontiagudos o perfuraram,
E está cravado de puas;
Não tenho aptitude de vida,
Aptidão para ser feliz;
O medo que me assalta,
Sobressai meu aptialismo,
Na ausência de saliva na boca;
Caio, por ser aptério e de areia,
Um edifício sem colunas; áptero,
Inseto sem metamorfose
E desprovido de asas,
Sofro por não poder voar,
Por ser um aperigoto solitário,
Não ando sequer aprumado,
Não fico posto a prumo, nem
Perfeitamente na vertical;
Pareço um lagarto a rastejar e
Não sou correto e altivo,
Homem teso e decidido;
Não sou o aprovisionador
E morro de fome e frio,
Por não ser aquele que aprovisiona,
Que come e guarda,
Para servir duas vezes;
Não sou prevenido,
Não valho por um,
Quanto mais por dois;
Dói meu coração chagado,
Ferido em carne viva;
Sangra meu coração na escada,
Cercado de arame farpado,
Encurralado por cardos no espinheiro;
Dói meu coração, dói;
Quando quiser pára,
Que vou morrer.

Não tenho ganhado para viver; BH, 0220602000.

Não tenho ganhado para viver;
Adquirido pelo menos para comer,
Não aquisto nem para sobreviver;
Como gostaria de um dia,
Adquirir por minha própria conta,
Ganhar por meu próprio suor,
Granjear sem precisar de ninguém,
Aquistar sem ajuda alheia;
Minha profissão é própria
Para a aquisição de nada;
Não tenho poder aquisitivo,
E nem o direito do desejo aquiritivo;
O desejo de aquirir alguma coisa,
Adquirir algo para meus filhos;
E as letras que deixo,
As linhas que ficam por herança,
Não têm poder aquiridor,
Não se adquire nada com elas,
Não têm efeito adquiridor;
E tudo que deixo,
Para aquinhoamento,
Tudo que tenho para aquinhoar,
Para repartição e distribuição em
Quinhões, são as palavras que levo,
Marcadas aqui neste papel;
Nego sortes e nego partilhas
E tudo de aquinhoador, todos sabem,
Não serve para ser aquinhoado,
Partilhado por quinhão,
Gratificado e pago em poesia;
Desde os tempos de Balzac,
Toda a sociedade já corria
Dos poemas e das poesias;
E quanto mais provinciano e aquilonal,
Mais a sociedade queria aquilonar,
Cada vez mais o poeta mendigo de luz.

A burguesia explora o povo; RJ, 0220602000.

A burguesia explora o povo,
Que paga tudo,
Que a burguesia precisa;
Os militares reprimem o povo,
Com as armas,
Que foram compradas,
Com o dinheiro do povo;
Os políticos enganam o povo,
Mentem e iludem
E passam o povo para atrás;
O governo despreza o povo,
Que paga suas mordomias,
Suas viagens e orgias,
Suas festas, banquetes e bacanais;
A sociedade discrimina o povo;
E a minoria privilegiada,
Tem tudo de bom,
Que o povo não tem;
Ninguém quer saber do povo,
Massacram e exploram,
Torturam e prendem,
Expulsam e banem,
Cassam e matam,
Os verdadeiros e reais
Representantes dos interesses
Do povo; e são degredados
E são exilados, os defensores
Do povo; são fuzilados às
Escondidas e o povo é
Desrepeitado, humilhado e
Pisado; passam por cima do
Povo, como se passassem,
Sobre um cadáver podre
Ou em decomposição; mas o
Povo não está morto e quando
Chegar a hora do povo exigir,
Tudo que tem direito, quero
Ver a cara da burguesia, dos
Militares e dos políticos,
Do governo e dos governadores;
Quero ver a cara dos exploradores,
Capachos das multinacionais.

Foi o branco que só soube; BH, 0220602000.

Foi o branco que só soube,
Fazer aquilombar-se o negro,
Reunir em quilombo os escravos,
Os fugitivos da escravidão vergonhosa;
E a história nos passa que o nosso heroi
Foi Domingos Jorge Velho, quando na
Verdade, o nosso herói, foi, é e será o
Zumbi dos Palmares; e o aquilombado
Não estava preparado para lutar contra
Aqueles que o tornavam um refugiado;
E até hoje a história do negro continua
A mesma coisa; em quase todo o
Mundo inteiro; não mudou muita coisa
A situação; na África toda criança
Sofre de aquilia e de falta de um sabor de
Comida nos lábios; sofre de ausência e
Deficiência de quilo, e gástrica também,
Com a ineficiência do suco gástrico,
Por inexistência de ácido clorídrico,
Pois não tem o que comer; o estômago
Não tem utilidade, não existe comida
Para enchê-lo; e os lábios também são
Inúteis, não servem para beijar e nem
Para serem beijados; pois não existe
Amor entre os povos; a criança africana
Não serve nem para levar a vida de uma
Aquilégia, a planta ornamental da família
Das Ranunculáceas; que pelo menos
Servem para ornamentar; e as crianças
Africanas só servem para morrerem
E sofrerem violências? até quando meu
Deus? o único Aquilatador da África,
Nelson Mandela, é aquele que aquilata
E realmente valoriza o povo africano;
E não mais o aquifoliáceo da
Aquifoliácea, espécime da família
De plantas dicotiledôneas dialiopétalas,
A que pertence o mate, serão mais
Importantes do que a nação.