domingo, 30 de setembro de 2018

Meu coração é uma algor; BH, 050202000; Publicado: BH, 0100802012.

Meu coração é uma algor
Uma cidadela de frio veemente
Uma viva sensação de frio eterno
Carrego em mim a perfeição na qual
O prazer está ligado ao sofrimento
Experimentado pelo paciente
Que infligido a outrem
A algolagnia a tendência mórbida
De procurar sensações dolorosas
A distinguir-se do masoquismo
Pela ausência do comportamento erótico
Na algomania psicótica
Quando me martirizar
Algozar-me neste montanhoso
Onde feito de alhas
De palhas que o vento espalha
Sou a designação vulgar
Das folhas secas dos alhos
Meu amor não se tornou
A alheabilidade para a felicidade
Não fiquei alheado na situação
Pois era um enlevado
Um extasiado mental
Distraído pela própria natureza
Absorto na mediocridade
Louco insensato abstrato
Doido varrido um mentecapto
Um alheador que alheia aliena
As almas os espíritos os pensamentos
Para criar manifestar alforra
Alforrar as searas produtoras
Do coração alforriado escravo
Que recebeu carta de alforria
Liberto da alfuja da mentira
Da pocilga da falsidade
Do antro do pecado da morte
Onde era enganado por alga variada
No falar no escrever confusamente
Exprimir algaravias a variar
Jurar de mãos postas que é poesia

Nada mais sou do que um algaço; BH, 060202000; Publicado: BH, 0100802012.

Nada mais sou do que um algaço
Uma designação genérica dessas vegetações
Que o mar arroja à praia
Esse algáceo banido do meio das algas
Que trago no peito algo
Do grego algos a exprimir
Toda a minha ideia de dor
A sórdida algofilia que é o prazer
Mórbido da própria dor
O masoquismo da algomania
Até me escondo no meu algodim
A capa de tecido rústico de algodão
Sou um algofilo que tem algofobia
Terror mórbido das minhas dores
Sou um algofóbo que tento fugir
Da dor que deveras sinto
Pela escavação onde se recolhe
A água da chuva ao final
Deparais com a cisterna seca
Tais meus olhos áridos arenosos
Sou a miragem dum algibe
Que me causa algestesia
A sensação dolorosa de não ser
A água pura fresca que mata
A sede de algia extrema
No sufixo com o sentido de dor
Não o que é muito frequente
Usado na nomenclatura médica
Tipo gastralgia sinalgia epigastralgia
A analgesia do grego algo+ia
Não adianta algebrizar meu destino
Não tenho destino nem vou
Melhorar a vida no futuro
Encher de fórmulas sem soluções
De perguntas sem respostas
São todas as nossas acomodações
Um algarobo distraído árvore da
Família das leguminosas esquecida
Numa tarde

Tenho a aliagem do nome que se dá; BH, 070202000; Publicado: BH, 0100802012.

Tenho a aliagem do nome que se dá
À liga dos metais nobres sou nobre
Tenho em mim o contrário do aliadófilo
Por não me aliar à mentira à falsidade
Totalmente aliadófobo tenho receio
À certas ligações perigosas tristes
Sofro de aliadofobia crônica
Mesmo se estivesse na guerra de 1914
Seria favorável às nações aliadas
Ou na de 1939 às Nações Unidas
Contra a união ítalo-alemã
Só pelo fim da guerra pela paz
Minha aliadofilia só na paz
Em todo formador de substantivo
A indicar grandeza de espírito
Quantidade de sensibilidade
Coleção de ideias luminosas
Não terem nada de sentido pejorativo
A romper as muralhas da ignorância
Todo muro que guarnece a fortaleza
Da brutalidade a praça de armas
De exterminação de almas
Soltar a cordualha do pescoço
O conjunto de cordas que sufoca a garganta
As várias espécies de cordames
Que servem para enforcar ao pobre
Impedir que as minhas limalhas
Caiam feito pó partículas ao ser
Limado pelo destino de tempo
Vencer a batalha árdua cotidiana
Evitar de cair na fornalha
Deixar a cainçalha ladrar enquanto
A caravana segue voar
Não dar ouvidos à gentalha canalha
Que só no faz confinação
Como um sufixo do vernáculo
A formar alha de alhão
Que no final dá bobalhão
Que não sabe que no fundo
Sou só um brincalhão

sábado, 29 de setembro de 2018

Mesmo que vejais em mim; BH, 070202000; Publicado: BH, 0100802012.

Mesmo que vejais em mim
Um fator depreciativo por ser
Um grandalhão não sou espertalhão
Respeito o cidadão às vezes até
A prejudicar-me ao perder
Para não subtrair ao próximo
Ou me perco no vergalhão
Perco a prancha na crista da onda
Até me dou na areia
Em violento caldo
Quando ando pelas ruas
Em estado de beatitude
Aparento um fradalhão
Um frade corpulento que não mete medo
Não assusta ninguém nem faz
A devota confessar os pecados
Sou tido uma figura de hálito aliáceo
Tenho o bafo semelhante ao alho
Exalo ao cheiro relativo ao alháceo
Pois carrego no alho no tempero
Na hora da comida muitas vezes
Tenho a alcunha de alhote
Elemento superlativo designativo de composição
Um grandalhote bobão mole de coração
Que se pegardes o alho
Que vem do aculu
Juntardes ao substantivo um sentido
Diminutivo às vezes depreciativo
Não passo de frangalho com ações de porcalho
Enceno também em mim
Um sentido aumentativo de problemas
Um ramalho de contas para pagar não pago
Sou este vergalho este órgão genital
De boi ou de cavalo cortado seco
Não deixo de ser um patife látego
Azorrague que merece açoite punição
Flagelo da inquisição
Espantalho de cabeçalho tirante grisalho 
Só espanto as crianças mais nada

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Caí por não saber voar; BH, 070202000; Publicado: BH, 0100802012.

Caí por não saber voar
Pois perdi igual Ícaro o 
Ali da ala perdi a asa
Não sou mais o aliforme alífero
Pois me espatifei contra o solo
Quebrei a alheta peça de madeira
Que forma o alongamento exterior
Da popa do navio
Perdi a pista do encalço no salto
Fui na alheta dela não a encontrei
Não era um alguém
Não tinha expressão
Geralmente não era usado
Fazia os meus negócios com alhos
Com alheiro de alheira
Planta de cheiro parecido
O chouriço transmontano
Temperado especialmente
Com alhos bugalhos
No alhal do campo
Onde colhia pedrinhas de talhe
Regular com que se fazem
Mosaicos embutidos de alguergue
Ornar para alguergar ou
Substituir o aguazil
No processo de impressão em que
A pedra litográfica é sumariamente
Substituída por folhas de alumínio
Na presença da algrafia
Para que a diminuição ou a extinção
Da sensibilidade à dor nos casos
Traumáticos ou cirúrgicos
Seja uma algóstase não
Uma over dose de morfina
Que o fundo do mar é algoso
Tem algas que o processo formal
De cálculo série de operações
Matemáticas que fornecem soluções
De certos problemas não sabe a quantidade
Exata do algoritmo final caí
Igual cai um corpo

Estou perdido de vez; BH, 070202000; Publicado: BH, 0100802012.

Estou perdido de vez
Entrei num algirão sem volta
A mesma abertura por onde os peixes
Entram na rede ou armação
Era só um algibebe falido
Que fazia vendia roupas feitas
De fazenda ordinária
Da pior qualidade
Pois nem sou nem a minha
Algibeta nunca soubemos fazer
Nada que quer que seja de qualidade
Não sei algodoar um tecido
Forrar com algodão tornar
A minha oficina semelhante
A uma algodoaria fábrica de 
Fiação ou de tecido cotonaria
Se pelo menos aprendesse ou 
Descobrisse a linguagem referente
À programação dos problemas matemáticos
Nas máquinas eletrônicas de cálculos
O enigma do algol seria chamado de 
Gênio algoide papa da algologia em estudo
Em contrato do algológico phd
Algologista especialista em algas
No algo da alga do elemento
De composição vocabular
Com a ideia para algaliar
Sondar com a algália a alfridária
Sentir a influência que os
Astrólogos árabes atribuíam
A certos astros durante cada setênio
De vida duma pessoa
De cada árvore extrema
Terebintácea resinosa alfóstiga
Que gera o alfóstico da alforva
No nome duma planta leguminosa

Nadei num mar de lama corrompi; NL, 090502008; Publicado: BH, 0240402010.

Nadei num mar de lama corrompi 
Soneguei prevariquei matei de fome criancinhas
Pais desviei verbas públicas para meus projetos pessoais
Aumentei meu salário dez vezes mais do que o
Aumento do salário mínimo a minha aposentadoria,
Será mil vezes melhor do que a aposentadoria
Dum trabalhador comum ainda tenho o benefício
De não precisar trabalhar tenho plano de saúde
O melhor que já se viu quando morrer
Até auxílio funerário vou ter ando em
Carro oficial com gasolina paga motorista por
Conta as minhas contas também são todas pagas
Pelo erário público basta apresentar as notas frias
Estou sempre limpo uso paletó de última moda
Viajo pelos recantos do país pelo mundo sem
Gastar um tostão tenho um lobby forte para
Virar nome de rua de avenida de praça
Ou de fundação mantenho um colégio de votos
No cabresto que me garante reeleição imunidade vagas
Na televisão cometo todo tipo de crimes tenho a
Justiça na mão comprar juiz é fácil a polícia
Não mete medo não ministério público é na
Mordaça nos tribunais superiores a limpeza é pura
Habeas corpus preventivo estou sempre com um na mão
Pago a peso de ouro com bastante antecipação quem
Adivinhar quem sou ganha um cargo de confiança ou
Assessoria num gabinete de luxo com toda mordomia
Tem emprego garantido total isonomia é só
Tecer loas a mim me tornar sempre ocupado
Mesmo que esteja num bom spa sempre bem
Acompanhado que de mulher bonita menina nova
Não vivo desgarrado são nas tetas da nação
Nos modelos de ocasião sou bezerro esfomeado
Quero sempre é mais não importa o resultado
Depois o povo esquece estou perdoado à
Beira do meu caixão serei elogiado como um
Homem que soube engrandecer a nação vejam só que
Gratidão depois de tudo que fiz de roer como um rato o país
Ainda ser mais valorizado do que uma meretriz

Estou denegrido; RJ, 01801101994; Publicado: BH, 0100802012.

Estou denegrido
Minh'alma está difamada
Meu espírito breu
Estou nas trevas
O que pode me salvar
Só o teu amor
A luz do teu olhar
Que ridículo
Homem adulto
Formado maduro
A falar em amor
Luz de olhar
Olha que vergonha me dá
Tenho que me esconder
Ninguém pode saber
Que ainda amo
De dia de noite
Nas trevas na luz
No barulho no silêncio
É paixão
É emoção
É sensação
Este meu coração
Tenho que sair deste cemitério
Sair das sombras
Abrir o peito à vida
Abrir a cabeça ao mundo
Sem nada para impedir
Que um dia chegue
Aonde tiver de ir
Estou enlouquecido
Espero um dia
Poder brilhar

Estou a dormir; RJ, 01001201994; Publicado: BH, 0100802012.

Estou a dormir
Não nasci acordado
No meu sono
Não sonho
Não nasci para sonhar
Todos contam uma realidade
Nada tenho para contar
A não ser reclamar da vida
Isto não quero falar
A hipocrisia impera solta
As faltas de amor de paz
As faltas da família do lar
O que nos segura um pouco
Não nos deixa nos matar
Se a vontade é esta
Viver deixar morrer
Não sei responder
Estou a dormir
Meu sono é atormentado
Meu sonho é pesadelo
Angústia desespero
Reinam em meu coração
Mágoa ânsia pânico
Peço penico à toa
Jogo a toalha antes do jogo
Tremo só em pensar
Que vai passar o tempo
O mundo vai acabar
Não vou acordar
Nem uma bomba atômica
Desperta meu sono mortal
Sou um duende ambíguo
Um anão desgarrado
Que dorme eternamente
Num berço desamparado

Agora me sinto aliviado; BH, 090202000; Publicado: BH, 0100802012.

Agora me sinto aliviado
Livre de todo de parte do peso
Que faz-me curvar as costas
Não sinto mais o encargo
Nada me é mais incômodo
Cada vez mais o efeito aliviador
Leva paz ao meu coração
Paz que me alivia
Que me enche de consolação
Estende a aliviação
Ao seio da minh'alma
Alivia meu pensamento
Das ideias tormentosas
Num alívio mental que
Não dá para descrever
Um aliviamento de desencargo
De consciência de remorso
De arrependimento de ter feito o mal
Por mais aliteratado que seja
Não encontro palavras suficientes
Confundo-me me perco
Faço até aliteramento
A tentar me explicar
A tentar demonstrar que
Para um tanto literato
As dificuldades aparecem
Para quem tem ares de literato
Os erros os defeitos são constantes
As repetições também idem
Apesar de aliterar-me às vezes
Resvalo nos segredos da gramática
Ao tentar assumir modos de literato
Aí visto a minha alizaba
Espécie de túnica de mangas largas
Aberta na frente usada pelos
Antigos mouros caio na estrada
Atrás do alizari raiz seca da ruiva
Ou garança no comércio alternativo 
Agora me sinto aliviado

Não é meu não porra nem tenho nada; NL, 02101102008; Publicado: BH, 0160402010.

Não é meu não porra nem tenho nada
Nem sou meu até parece que
Deus quer me matar antes da hora 
Não me deixa sonhar só faz do meu
Sonho pesadelo uma embriaguez
Nunca estou sóbrio lúcido ou
Racional nunca estou lógico
Ético ou convencional só anormal
O que que tem síndrome cerebral
Não convenço por meus pensamentos
Nem por opinião se fumam
Fumo se bebem bebo se comem
Como acabo por não ser 
Então o que teo que
É meu? nada nem
Conheço alguém que tem alguma
Coisa e todos falam que têm tudo
Também penso que nem são
Deles tudo é da natureza da
Terra que há de comer ou do
Fogo de quem for cremado pois
No fundo tudo acaba tudo se
Derrete tudo se funde vira
Lava vai para o depósito de
Pré-sal para outras eras outras
Civilizações doutros tempos
Que vierem depois de nós aí
Quando virarmos petróleo outras
Fontes de energias mais limpas
Do que as geradas por nossos restos
É que serão desenvolvidas pelos
Do futuro quem morrer verá

Fala comigo alguém preciso; NL, 02101102008; Publicado: BH, 0150402010.

Fala comigo alguém preciso
Ouvir alguma voz um som humano
Alguém precisa me dizer alguma
Coisa seja lá o que for não sei
O que grita comigo berra uiva
Urra que estou para ficar surdo
Não ouço mais um sussurro
Sinto aumentar a rejeição
Que a humanidade tem de mim
Percebo cada vez maior a ojeriza que
O ser humano tem comigo a raça
Humana só sabe me desprezar
As mulheres então me têm total
Aversão me veem como um louco
Às vezes nem me veem como
Causo repulsa ficam até com vergonha
De mim sintam pena de mim
Sintam misericórdia tenham
Dó sejam pios os homens sejam
Pias as mulheres não suporto mais
Viver assim ou do contrário vou
Por um fim a esta vida sem
Sentido vou antecipar-me a Deus
Dar adeus a mim um basta
A esta vida ruim sei que é
Isto que todos querem
Verem-me pelas costas irem ao
Meu enterro rirem do meu
Cadáver debocharem do defunto
Que serei não aparecerá um
Para falar bem de mim quero
Que não sejam demagogos falem
A verdade digam o que fui
Que não prestei nem servi
Não chorem sorriam gargalhem
Zombem não levem flores nem
Acendam velas ponham uma moeda
Reles barata na minha boca
Para pagar ao Caronte

Fumo um cigarro sem saber para que; NL, 02101102008; Publicado: BH, 0160402010.

Fumo um cigarro sem saber para que
Bebo todas mesmo sem estar com
Sede como tudo ao estar bem
Saciado estou mais para um hipopótamo
Barriga boca grandes cérebro pequeno
Pensamento inglório até hoje
Não sei qual é o meu papel
Nem tenho a importância como
A formiga tem na biodiversidade
Tudo em mim cheira ao falso
À  dúvida à incerteza minha
Alma é mofo meu espírito
É lodo bolor sou um ser
Dos pântanos ente das ruas de
Canto entidade que lateja nas
Trevas todos que chegam perto
De mim sentem calafrios temor
Só sei causar horror não dou
Felicidade nem a uma flor me
Sinto mal depois de tudo que
Faço nunca fiz o bem a alguém
Meu nome é Ninguém traspassei
O olhar de todos com um tição em
Brasa ceguei os amigos traí
Falsifiquei não tenho amizades
Nem sou amigo do rei bebo só
Fel feio desajeitado rastejo
Não ando vegeto não vivo um
Zumbi sem Palmares censurado
Impróprio para crianças renegado
Maldito nunca sairei do
Círculo da loucura nem da
Alcunha de estigmatizado tudo
Para malgrado meu também
Pudera quem me mandou a não
Aprender se tivesse aprendido
Saberia a viver as coisas estão aí
Sou o que não estou em lugar algum
Só no meio dos mortos meus cúmplices

Hoje é manhã de segunda-feira; RJ/SD; Publicado: BH, 0100802012.

Hoje é manhã de segunda-feira
O céu está esplendido
O sol está esplêndido
Quando começou a esquentar
Senti uma coceira
Pelo corpo todo
Um formigamento
Até ficou a parecer
Que tinham jogado
Um punhado de pó de mico
Dentro das minhas roupas
A semana começa
A vida é a mesma
A rotina é a mesma
Continuo parado
Sem emprego
Sem trabalho
Continuo na ociosidade
Na obesidade
Continuo sem continuar
Não tem jeito mesmo
Não adianta nada
Não vale de nada
Não importa que hoje
Seja segunda-feira
Ou terça-feira
Ou qualquer outro dia
Desta minha semana
Só o sol o céu
Que são importantes
Que são interessantes
A vida não é importante
A vida não é interessante
Viver não importa mais
Viver não interessa mais
Viver não é mais preciso
Deixa o barco afundar
Numa manhã igual a esta
Perante um céu deste
Diante dum sol tão intenso
Parece brincadeira
Parece mentira
Mas é a pura verdade
É uma pena
Não tem mais saída

Deve existir uma saída; RJ, 0210301995; Publicado: BH, 0100802012.

Deve existir uma saída
Não conheço
Não sei da existência
Suponho que
Deve haver uma saída
É impossível não acreditar
Tem que aprender
A captar a luz certa
A energia certa
Canalizar
Numa saída qualquer
O tempo está a voar
Nós estamos a passar
Ficamos parados
Tudo passa adiante de nós
É possível uma solução
Um caminho a ser seguido
Uma trilha no mato
Uma direção norte
Que mostre a saída
Tire a pedra do caminho
O bloqueio da mente
O muro que dificulta
A transposição para a evolução
Deve existir uma saída
Não podemos ficar em palavras
Temos que passar para os atos
Agir ao sair da inércia
Dispensar a cinética
Que controla nossos órgãos impulsos
Libertar as correntes do coração

A culpa é do teu olhar aliciente; BH, 090202000; Publicado: BH, 0100802012.

A culpa é do teu olhar aliciante
Essa coisa que me alicia
Sedução sem sentimento coração
Olhar aliciador ameaçador
Que me deixa paralisado
Igual vítima de cobra prestes
A ser devorada
Tenho um respaldo alicerçador
Donde se lança as bases de meu amor
Tenho um fundamentador
Um consolador de paixão frustrada
Porém contigo não foi alíbil
Não foi próprio para a minha nutrição
Pois me senti num aliazar
Numa porção de lezíria circundada
Por água de lágrimas infinitas
Dentro de mim me sentia um aljafar
Terreno seco arenoso água
Só do meu mar de lágrimas eternas
Olhava para ti a procurar amparo
O que via a não ser vazia
Como a minha aljafra de ilusão
Meu seio totalmente vazio
Tal o bolso das redes de arrastar
Em dias de tempo ruim
Pensei errado em tentar me alicercear
Alicerçar em tua gélida pessoa
Mesmo a conjugar o verbo
Não te emocionei nem no indicativo
Alicerceio alicerceias alicerceia alicerceamos
Alicerceais alicerceiam nem no subjuntivo
Alicerceie alicerceies alicerceie alicerceemos
Alicerceeis alicerceiem só ouvia gargalhadas
Sarcásticas cínicas humilhantes
Peguei a alidada a régua móvel que
Serve para medir os ângulos na
Determinação dos alinhamentos
Fugi com a correr de tua presença

Transfiro ao alienatário alienígena; BH, 090202000; Publicado: BH, 0100802012.

Transfiro ao alienatário alienígena
Àquele a quem se transfere posse
Ou propriedade dalguma coisa
A tudo que é transmissível por alienação
O direito à poesia universal única
À poesia linear visual hai cai
Concreta beat que tenha
Linha editorial de modernidade
Que tenha rigor de classicismo
Rigidez cadavérica dureza de pedra
A força do tufão do furacão do ciclone
Do vendaval da maremoto do terremoto
De todas as procelas tempestades
Juntas reunidas com toda consciência de
Severidade pontualidade da verdade
Insensibilidade à própria dor
A maior intensidade do frio
Do calor da chuva das 
Plantas poligomáceas do rochedo
Que se encosta à terra firme
Interrompe a linha arenosa do litoral
Que contenha toda a contenção verbal
Não sofra adjetivação excessiva
Seja o pão alimentoso alindado
O néctar alimentício nutritivo
Da cultura alinde enfeitada
Ornada de saber formoseada
De conhecimento elevado
Pelo alindamento do pensamento
Que cresce tal o alifate
O tumor entre o nervo do jarrete
O osso da perna dos cavalos
A colcha de retalhos que a vovó fazia
O cobertor sobre a cama vazia
O sonho alífero que foge de nós
Com asas nos pés para não alcançá-los
A alifática dos hidrocarbonetos
Que só possuem cadeia aberta
Donde se pode fugir acíclica livre
A poesia impossível

Está tudo perdido; RJ, 01801101996; Publicado: BH, 0100802012.

Está tudo perdido
Já estamos todos perdidos
Nem sabemos mais
Qual caminho a seguir
Nem sabemos mais
Qual a trilha que nos levará
A um lugar seguro
Parece o dia seguinte
À explosão da bomba atômica
Parece uma mistura
De terremoto com maremoto
Uma turbulência emocional
Um abismo de depressão
Agudo infinito
Nos agarramos a qualquer coisa
Todos ao mesmo tempo
Nos agarramos a um fio
Um fio de esperança
Tecido com teia de aranha
Nos agarramos a nós mesmos
A nossa única solução
Que tristeza absoluta
Ao constatarmos que
Somos feitos de areia
De cartas de baralho
Somos feitos de barro
De argila barata
Que podemos ser vendidos
Por qualquer preço
Em fim de feira de rua
A qualquer xepeiro
O primeiro que aparecer
Por qualquer dinheiro
Judas pelo menos valeu trinta
Quanto valemos nós?