quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Vim do chão e nasci do chão; NL, 0250202010; Publicado: BH, 080502010.

Vim do chão e nasci do chão 
E sou feito de chão e terra e pedras e 
Pedregulhos e seixos compõem-me
Numa construção precária a areia
É pura para o cimento o alicerce de barro
Lama e lodo escorregadio e todo
O edifício para chapinar na firmeza
A querer cair e ao levantar
Poeiras de cal com o vento mistral
Quer voltar ao berço natural quer
Embrenhar-se nas grutas do chão
Fugir para as cavernas sombrias
Ficar junto aos vermes aos germes
Das raízes que transformam-se em
Extrato de seiva vim do chão e dos
Cascalhos e dos cristais as britas e os
Saibros são meus quintais e
Todos arados com sal grosso e o boi
Que puxa o arado pisa minhas costas
Abrindo sulcos para semear sementes
Ressequidas e de cujas hortas
Brotarão as flores do mal os jardins
São espinheiros e o sangue um
Sangue ralo de réptil é que rega
Os terreiros gota à gota as raízes
Adentram a carne procuram as
Trevas abissais cipós de embiras
Balançam a alma incerta num
Pêndulo de relógio que marca
O tempo regressivo o anti-tempo
Contrário ao tempo e da última
Vez que olhei as horas foi quando
O chão se fechou em cima de mim.

Tenho preguiça de pensar; Varanda da Marechal Marques Porto, 131; RJ/SD; Publicado: BH, 0220802012.

Tenho preguiça de pensar
De escrever e de pensar
Tenho preguiça de raciocinar e de lógica
De fazer e solucionar
Tenho preguiça de tudo
De interpretar e de entender
Tenho preguiça ainda
De compreender e de conhecer
De descobrir e de desvendar
Tenho preguiça de arriscar
De ser curioso e de saber
Inda está para nascer
Cabra mais preguiçoso do que eu
Não vi e nem conheci
Sujeito mais preguiçoso
Tenho preguiça de aprender
De viver e de amar
Tenho preguiça de ser
De existir e de ter
Não tenho nada
Só tenho preguiça
Não sou nada
Só sou preguiça
Preguiça de procurar
Preguiça de achar
Preguiça de tudo
Preguiça total
Preguiça geral
Sou todo preguiçoso
Ai meu Deus do céu
Meu São Benedito
Meu São Jorge
Meu Nosso Senhor do Bonfim
Ai minha Nossa Senhora Aparecida
Minha Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos
Ai minha Virgem Santa
Meu Santo Antônio
E todos os santos 
E todas as santas
Tirai de minhas costas
Tirai do meu corpo
Esta preguiça maldita
Esta preguiça danada
E me livrai de ter outra igual
Amém.

Quero entrar na luta; Varanda da Marechal Marques Porto, 131; RJ/SD; Publicado: BH, 0220802012.

Quero entrar na luta
Na luta e na defesa
Das prostitutas e dos homossexuais
Eles também têm direitos
Liberdades e necessidades
Quero gritar
Junto às meretrizes
Junto aos homossexuais
Pelo respeito e pela vida
Eles também são gente
São seres humanos
E precisam de carinho e amor
Precisam de entendimento
E de muita compreensão
Chega de discriminação
Chega de ignoração
De isolamento e de separação
Chega de marginalização
E de abandono total
Temos que amparar
Esses seres carentes
Desorganizados e sozinhos
À mercê dos exploradores
Dos corruptores e dos aproveitadores
Chantagistas e policiais levianos
Vamos humanizá-los
Dar as mãos com eles
E partir para o campo de batalha juntos
Estamos todos no mesmo barco
Na mesma canoa furada
E temos mais é que nos unir
E nos ajudar uns aos outros
Chegou a hora da consciência nacional
Olhar para essas classes
Desprezadas pela sociedade e pelo sistema
Esmagados e ridicularizados por todos
Mais respeito às prostitutas
E aos homossexuais também
Mais dignidade e mais justiça
Quero entrar na luta
Para que possam conseguir
A tão almejada independência.

Duas coisas; Varanda da Marechal Marques Porto, 131; RJ/SD; Publicado: BH, 0220802012.

Duas coisas
Dois fatores
Que faço questão
De deixar marcados
De deixar grifados
Na minha luta
Na minha batalha
E na minha guerra
São as árvores e os índios
Defendo-os até debaixo d'água
Defendo-os até enterrado
E gostaria muito
De poder despertar
O interesse da nação
Para esses dois fatores
As árvores estão a ser podadas
E cortadas e destruídas
E não se pode mais
Permitir tal crime
Contra a natureza
Os índios estão a ser exterminados
Expulsos das terras e explorados
Manipulados e traídos
Enganados e iludidos
Violentados e ultrajados
E também não se pode mais
Continuar a permitir
Que façam tais coisas
Com os nossos índios
E é preciso parar urgentemente
É preciso parar agora
Chega de cortar tantas árvores
Chega de destruir a natureza
E chega também
De exterminar destruir os índios
De matá-los e de trucidá-los
Por isto que queria
Que a nação e o povo inteiro
Entrassem na defesa total
Das árvores e dos índios
É uma luta que não é só minha
Mas de todo o mundo
Proteger as árvores e os índios. 

Pobre árvore; Varanda da Marechal Marques Porto, 131; RJ/SD; Publicado: BH, 0220802012.

Pobre árvore
Quem foi que cortou-te?
Quem foi que fez isso contigo?
Aposto que foi um louco
Aposto que foi um doido
Um maluco perdido
Um inimigo das árvores
Pobre árvore
Quem foi que derrubou-te?
Quem foi que matou-te?
Aposto que foi um neurótico
Aposto que foi um hipócrita
Um mentiroso e imbecil
Um paranoia maníaco
Um débil mental debiloide
Garanto-te pobre árvore
Que quem cortou-te
Não foi um homem
Não foi um ser humano
Quem derrubou-te
Não sabia o que estava a fazer
Era um ignorante
Um pobre diabo qualquer
Sem hospício e sem cadeia
Sem inferno e sem céu
Sem vida e sem nada
Pobre árvore
Perdoa quem fez isso
Era um ser
Muito pior do que tu
Era um nada
Pobre árvore
Cortada pela raiz
Crianças
Faço-vos um apelo
Ajudais a proteger as árvores
Ajudais a conservar as árvores
Pobre árvore
Sem ninguém para defender-te
Agora restam as crianças
Pois os homens não prestam mais.

Não sei por que; Varanda da Marechal Marques Porto, 131; RJ/SD; Publicado: BH, 0220802012.

Não sei por que
Mas estou a achar
Estou a encontrar
Uma dificuldade imensa
Para poder escrever
Não sei o que aconteceu
Minha cabeça dura
Não quer mais funcionar
Sumiram minhas ideias
Evaporaram meus ideais
Voaram meus pensamentos
Perderam-se minhas frases
Engoli minhas palavras
Agora fiquei nu
Agora fiquei pelado
Agora fiquei morto
Agora fiquei podre
Arruinei-me de vez
Quando penso que despertei
Aí foi que vi
Que continuei a dormir
Que continuei a sonhar
E que tudo era sono
Pesadelos e delírios
E que eu era sonâmbulo
E falava quando dormia
Falava mesmo mudo
Sem palavras e sem sons
E não saí da ilusão
E continuei a enganar
E a me enganar ao enganar as pessoas
Traía-me à toda hora
Perdia-me e não me encontrava
E esmorecei de verdade
Caí novamente de cara
No mesmo estado de letargia
E a amnésia se apoderou de mim
Não me lembro de mais nada
Não me recordo de mais nada
Perdi a memória
Bem no meio da rua. 

Quero deixar bem claro; Varanda da Marechal Marques Porto; RJ/SD; Publicado: BH, 0220802012.

Quero deixar bem claro
E que tomem isto
Como uma advertência
Ou como uma ameaça
Mas quero deixar bem claro
Bem claro e explícito:
A partir de hoje
Vou querer mais respeito
Com a minha pessoa
Afinal de contas
Também sou gente
E sou humano
A partir de hoje
Vou querer ser livre
Dono do meu destino
E do meu próprio nariz
Quero todos os meus direitos
Tenho minha razão
Sou lúcido e tenho noção
Quero ser entendido e compreendido
Quero ter segurança e tranquilidade
Quero ter os mesmo direitos
Que todo mundo tem
Não vou mais ficar para atrás
Não vou deixar
Mais ninguém passar por cima de mim
Não vou ser mais submisso
E nem vou ser mais humilhado
Nem explorado e nem oprimido
Vou me libertar de todas as correntes
Vou me libertar por completo
É por isso que eu
Quero deixar bem claro
Tudo que disse aqui
Estou disposto mesmo
A matar e a morrer
Se preciso for
Para alcançar meus ideais
Para impor minhas ideias
Agora é sério e para valer
Que fique bem claro
É o que tinha para dizer.

Tu dizes; Varanda da Marechal Marques Porto; RJ/SD; Publicado: BH, 0160802012.

Tu dizes bom-dia
Tu dizes boa-tarde
Tu dizes boa-noite
Tu dizes até logo
Tu dizes até já
Que tragédia
Meu Deus do céu
Tu dizes adeus
Dizes adeus para mim
Morri
Apodreci
Podes me enterrar
Não vivo mais
Não existo mais
Podes acabar comigo
Destruas-me
Exterminas-me
E não quero mais
Saber de nada
Aprender nada
E nem quero mais nada
Tu dizes que ias ali
E voltavas logo
Tu dizes que não demoravas
Tu dizes que me amavas
E que teu coração
Era todo meu
Tu mentiste
Tu me iludiste
Tu me enganaste
Mulher para mim acabou
Sexo para mim acabou
Amor para mim acabou
Tudo por tua causa
Tudo por causa de ti
Tu que me abandonaste
Tu que me deixaste
Que me mataste
E que me arruinaste
Tu que me cegaste
Que me secaste
E me sujaste
Tu me dizes adeus.

Eus; Varanda da Marechal Marques Porto; RJ/SD; Publicado: BH, 0160802012.

Eu protesto eu participo
Eu reclamo eu evoluo
Eu falo eu forço
Eu grito eu metamorfoseio
Eu contesto eu quero
Eu berro eu posso
Eu agito eu faço
Eu aciono eu escrevo
Eu levanto eu labuto
Eu revoluciono eu acordo
Eu transformo eu vivo
Eu mudo eu morro
Eu exijo eu louco
Eu sugiro eu doido
Eu opino eu maluco
Eu ensino eu esclareço
Eu aprendo eu pergunto
Eu experimento eu respondo
Eu manifesto eu questiono
Eu conclamo eu raciocino
Eu exclamo eu penso
Eu clamo eu ajo
Eu chamo eu sou
Eu unifico eu não corro
Eu brigo eu fico
Eu luto eu liberto
Eu bato eu entro
Eu apanho eu respeito
Eu ganho eu abrigo
Eu perco eu suspiro
Eu elevo eu aspiro
Eu enervo eu invejo
Eu imponho eu orgulho
Eu exponho eu mobilizo
Eu deponho eu mortifico
Eu imploro eu discurso
Eu choro eu projeto
Eu pranteio eu banco
Eu lamento eu canto
Eu argumento eu danço
Eu explico eu manso
Eu informo eu travo
Eu acredito eu amasso
Eu confiro eu caço
Eu desconfio eu asso
Eu não espero eu traço
Eu anseio eu passo
Eu laço eu converso
Eu dialogo eu ligo
Eu digo eu vingo.

As costas do meu pai; NL, 0120202010; Publicado: BH, 080502010.

As costas do meu pai
Sentado estava meu pai na maca
Do hospital e da poltrona o
Observava e ele estava de costas
Para mim sem camisa as costas
Do meu pai eram erectas os ombros
Eram altos mas não vi os sinais
De tantas chibatadas que levaram
Os antigos negros relhados nos
Pelourinhos a cabeça era de touro
De touro negro não sei de quais
Rincões d'África de pé era o
Verdadeiro Colosso de Rhodes dominava
Toda a região o tronco era
Feito de árvore que o vento não
Balançava as canelas finas porém
De ferro raramente vistas canelas
De capoeirista Firmo a estrutura 
De gigante de Maratona porte de
Atleta grego venerado igual a
Um deus do Olimpo as costas do
Meu pai cravei nas memórias das
Minhas retinas nas lembranças das
Meninas dos meus olhos e foi a
Única vez que elas passaram por meus
Cristalinos nunca tinha visto
Meu pai desnudo nunca o  vi em
Trajes mais sumários ou sem a
Camisa e impressionei-me com
As suas costas e tentei decifrar ali
Seus mistérios segredos e medos
Suas histórias berços e destino
Não o tenho mais entre nós
Eu e os meus eus ficamos órfãos
Daquelas costas de Apolo negro do


Muro das lamentações dos nossos conflitos.

E conto os meus próprios contos; NL, 0180202010; Publicado: BH, 080502010.

E conto os meus próprios contos
Para que ninguém os precise
Contar dos contos dos outros não
Sei falar não adiantam tentar perguntar:
E o fulano o beltrano e o sicrano? deles
Não posso dissertar é duro tentar
Corrigir meus erros matar meus vícios
E encobrir minhas faltas como posso
Tomar conta do alheio ou vigiar o
Semelhante? quero me aperfeiçoar em
Outra arte numa arte de nível bem
Superior universal infinita e que
Eleve-me além do além do além
Preciso não ser descuidado com o
Descuidista pois ele pode aproveitar
E levar meu arado e aí ai de
Mim como lavrarei minhas terras?
Como plantarei meu pomar ou
Encherei meu berçário de filhos?
Se perder o ancinho a enxada a pá
O regador meu jardim ficará
Desflorido os besouros não terão onde
Pousar as joaninhas voarão em vão
E as abelhas nem pólen terão é por
Isso a pensar nessas coisas que
Não cuido das coisas dos outros
E chamam-me de egoísta chamam-me
De vaidoso e ambicioso e nada disso
Eu sou não preocupo-me com os
Adjetivos pois sou cheio de substantivos
Não preocupo-me para não parecer
Medíocre tenho receio da mediocridade
E guardo meus contos bem guardados
Para evitar traças e maus olhados.

Era um dia que nunca chegava; NL, 0240202010; Publicado: BH, 080502010.

Era um dia que nunca chegava 
E se tornou noite e uma noite que
Nunca se tornou dia e chovia
Tão torrencialmente até dentro do
Meu coração era uma chuva ácida
Que me desfolhava a pele e
Derrubava os meus cabelos fiquei
Sem pelos e todo em carne viva
As solas dos meus pés foram destruídas
E deixava rastros de sangue
Por todo lugar percorrido pelo meu
Fantasma vermelho procurei um
Lençol para me esconder pois
Assustava a todos inclusive aos
Cegos que encontrava nos entraves
Que queres tu? perguntavam-me
Os mudos e passavam por mim
Como se eu fosse um ser de ficção
Cientifica um criador de efeitos
Especiais em 3D um desenho animado
Para ganhar um oscar da academia
De cinema surrealista espantei
Dali cubista desdenhei Picasso e 
Mirei Miró e contei a história aos 
Surdos  e a todos aqueles que não 
Sabiam o que diziam e nem o que 
Faziam não inventei novidades compilei 
Do céu as estrelas amarrei-as ao infinito
Pois estavam soltas corriam para
Lá e para cá, algumas caíram dentro
De mim e enfim a chuva parou
Em meu coração raiou o sol do
Meio-dia e vi Zarathustra a passar
De costas não retirei as sandálias
Pois já estava descalço sem as
Correias que prendiam as solas dos meus pés.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

A evolução da espécie não passou por mim; NL, 0190202010; Publicado; BH, 090502010.

A evolução da espécie não passou por mim
Darwin não me catalogou e nem conheci o 
Processo de seleção natural sou um animal 
Em extinção mesmo sem ser catalogado 
Ou conhecido no mundo da biologia e 
Biólogo nenhum conseguiu descobrir em
Qual categoria serei um dia enquadrado
E sinto-me estranho e sei que sou estranho
E esquisito e gostaria de um estudo a 
Respeito de mim de conhecer uma tese
Para poder me conhecer eu mesmo não 
Sei me desvendar e vivo enraizado no 
Meu quintal cisco no terreiro piso nos 
Seixos das estradas e me perco nas 
Pradarias encosto-me nas encostas 
E olho o musgo as folhagens as
Torres das igrejas as ruas vazias com
Suas vivas poesias e meus rastros já
Se dissiparam no vento meus restos
Caem dos outeiros tais quais as moinhas
E sinto-me uma erva daninha
Um ser sentado ao rés-do-chão
Com a poeira a cobrir-me da cabeça
Aos pés magoados e permaneço 
Entorpecido então e não me movo não 
Sei se é o efeito da cicuta minhas pernas
Estão dormentes não as sinto mais
Tento arrastar-me e pareço uma
Serpente minha língua bifurcada está
Áspera de víbora e cobra tento fazer
Com que a Eva morda minha maçã
Cicio quando tento falar ao esmagarem
Minha cabeça com o calcanhar não
Sentirão o sangue de tão frio que ele estará.

Quem entende nesta vida a vida? NL, 0110202010; Publicado; BH, 090502010.

Quem entende nesta vida a vida? 
E cada filósofo desenvolve seu 
Pensamento de acordo com a
Própria liberdade e cada religião criou
Um Deus e prega que Ele é melhor
Do que o Outro e no fundo cada
Um prende-se mais ao que tem
Fazem suas orações suas rezas cantam
Seus cânticos mas a sua salvação são
Os seus bens quanto mais têm mais
Eles querem os templos estão cheios
E os corações vazios as sinagogas
As mesquitas os mosteiros conventos
E as mentes cheias de ventos armas contra
Os que são do contra bombas em
Mercados sabotagens e terrorismos:
Quem entende esta vida cheia de
Perigo? no céu caberá tantos
Bilhões de almas? e no inferno
Quantos bilhões de almas caberá?
Quero entender não quero
Salvação quero uma solução
Para colocar um fim na aflição
Dos que estão abandonados pelos que
Têm uma filosofia ou uma religião
E o pão quem dividirá o pão? a fome
Não é aplacada por oração minha
Mesa é farta e a mesa do meu irmão?
E o meu semelhante que tem a
Mesma imagem projeta a mesma
Sombra no peito dele não tem
Coração? merece ser torturado? sofrer
Violências? morrer excomungado?
Humanidade ser humano raça humana
Aonde estamos indo? pretendemos ficar
Inertes sem entender a vida? e
A morte então como entenderemos
A morte que é o mais certo no
Nosso futuro? quem a entenderá
No dia em que ela chegar e
Perguntar quem entendeu
Nesta vida a vida?

É o que sei fazer; NL, 0120202010; Publicado; BH, 090502010.

É o que sei fazer
Trocar as palavras de lugar usar os
Sinônimos os antônimos e abusar dos
Adjetivos os substantivos são poucos e
As qualificações menos ainda as mensagens
Antigas todos exploraram e fico
Aqui a repetir os erros os defeitos e
As faltas quem procura novidade não
Encontra a realidade é rara e
A verdade cada um faz dela a sua
Mentira um quer ter no menor tempo
Possível cem bilhões de dólares
E quero mais quero o espaço do universo
Todo preenchido de versos e que meu
Nome nunca entre na relação da
Forbes e na da Fortune busco
Entrar em transe para meditar concentrado
E saber que logo em seguida
Esquecerei a lição que aprendi com
A vida meu peito é uma rua vazia
E quem olha para uma rua vazia
Às vezes consegue enxergar muitas coisas
Uns a poesia e não enxergo
Um palmo à frente do nariz e
Poesia sobre poesia nada mais se diz
Os poetas estão mudos outros surdos
Uns como eu cegos espero que meus
Outros sentidos se aprimorem para
Que não sinta tanta falta deste
Que estou para perder se minha
Avó estivesse viva pediria a ela para
Benzer-me e rezar para mim igual
Ela fazia quando eu sofria de
Cobreiro ou quebranto e espinhela caída
E quem sabe ela não daria um jeito
Nesta minha cegueira para a coisa
Verdadeira e ave minha avó ave.