sexta-feira, 27 de abril de 2018

Pareço como se fosse desenvolvido; BH, 02101001999. Publicado: BH, 010502012.

Pareço como se fosse desenvolvido 
No tecido de certas plantas,
De tão abdito larvado que sou;
E ao sofrer de abdominopatia,
Enfermidade abdominal,
Fiz uma abdominoscopia,
Um exame instrumental do abdome,
Uma laparoscopia completa
E nada foi descoberto;
O abdominoscópio que,
Prende-se ao exame,
Não verificou nada;
O instrumento adequado,
O aparelho próprio,
Para a inspeção,
Não achou o que procurou;
O abdominoscópio no meu abdominoso,
Meu grande abdome de ruminante,
De barrigudo que sou,
De ventrudo por falta de moderação,
De pançudo por preguiça,
Nada de útil registrou;
Para acabar com o meu problema
Abdominotorácico crônico,
Só a fazer uma abdução;
Retirar do tórax o coração,
Afastar os músculos e os membros,
Tirar o corpo de sua linha média,
Usar o direito antigo que permitia,
Subtrair o escravo ao senhor;
Fazer tudo abducente,
Que produz o vácuo,
Que separa e afasta,
Que produz o nada,
Completo abdutivo;
Deixar só a pele
E o oco do abdutor.

Preciso tomar um atalho; BH, 0180901999; Publicado: BH, 010502012.

Preciso tomar um atalho,


Sair deste caminho secundário,
Encurtar a distância em relação,
A mim e à estrada principal,
Que me levará ao seio do amor,
Ao berço da felicidade,
À estrutura da paz;
Tenho que atalhar a guerra,
Impedir bruscamente a continuidade,
De algo que só faz a destruição,
Da humanidade e da natureza;
E aprender a interromper a dor,
O sofrimento e a ruína,
Que atormentam nossos corações;
E ser uma atalaia da verdade,
Um vigia da inteligência;
Colocar a sabedoria em lugar alto,
Na torre do pensamento,
No ponto elevado da meditação,
Onde o homem pode ser chamado,
Sem medo, de homem;
E alertar a todos o risco corrido,
Fazer o atalhamento do caos,
O fim da infelicidade;
Atafulhar os corações de amor,
Encher demais a alma e em demasia,
De luz pura e natural;
Moer em atafona a mentira,
A falsidade e a ilusão, na azenha e
Moer em moinho primitivo,
Movido à mão ou por cavalgadura,
Todo percalço à evolução,
Todo empecilho e obstáculo,
Que impedem a humanidade,
De cair nos braços dela mesma.

Estou atado a um tronco de cepo; BH, 0180901999; Publicado: BH, 010502012.

Estou atado a um tronco de cepo,
Igual a escravo preso no pelourinho,
Chicoteado, ligado os pés e as mãos,
Por correntes e argolas;
Sou um negro amarrado,
Amordaçado e ferido;
Não tenho atadura,
Nas minhas feridas;
E no meu conjunto de coisas boas,
Estão todas atadas pelos dominantes;
Não tenho vez e razão,
Não tenho voz também, não;
Todo ato que faço,
Só causa o efeito de me atar;
E a coisa com que ser negro,
Não merece nem uma faixa de gaze,
Com que se faz curativos,
Nas feridas da alma,
Cicatrizes do colonialismo;
Sou atacável em qualquer piada,
Filho de negro é macaco,
Pode-se e deve-se atacar o negro,
Tem que cortar o rabo;
Quando não faz na entrada,
Faz na saída;
Parem de me atacar,
De acometer contra mim,
Toda desgraça e ruína do mundo;
Quero impugnar o racismo,
Avançar contra ele com hostilidade;
Aqueles que querem cingir meu semblante,
Apertar meu pescoço,
Prender meus punhos com algemas;
Quero abotoar também minha camisa de seda,
Com botões de madrepérola;
Atar com correia e cordão,
O dedo para não esquecer,
O meu sangue derramado,
Ao iniciar a execução de uma obra histórica.

Altair Magdaleno; RJ, 02901201998; Publicado: BH, 010502012.

Altair Magdaleno,


Patrimônio vivo
Do IAPI da Penha;
Não tem papa na língua,
Não tem obrigação,
É independente e rebelde,
Bebe cachaça todo dia,
Fala que colocará fogo
No apartamento do irmão;
Manda todo mundo tomar no cu,
Não respeita ninguém,
Diz não ter religião;
Dorme o dia todo,
Na mesa do bar;
Se arruma um trabalho,
Começa e não quer terminar;
É o mais velho de dez irmãos
E faz disso a coisa,
Mais importante do mundo;
Em um dia só,
Brigou três vezes
E apanhou,
Nas três vezes que brigou;
Esse é o Altair Magdaleno,
Macho para chuchu;
Não tem medo de ninguém,
Não tem medo de nada;
Come pouco e fuma muito,
Chama todo mundo de animal;
Tudo para ele está bem,
Nada lhe faz mal;
Esse é o Altair Magdaleno,
Um velhinho legal. 

Ouço o som dos tambores; BH, 0180901999; Publicado: BH, 010502012.

Ouço o som dos tambores,
Atabaques de guerra; ouço
Tambores alongados, usados nos
Rituais religiosos dos candomblés;
Ouço o som das batidas,
Dos corações desesperados,
Dos tambores semi-esféricos;
Usados na Ásia e na África mãe,
Para acompanhar as danças
Dos negros guerreiros;
Fugitivos da escravidão,
Dos atacadistas escravocratas,
Negociantes e traficantes,
De homens e mulheres;
Firma e comércio compradores de
Navio negreiro por atacado,
Do vendedor de almas infelizes;
Até hoje a história ainda,
Precisa de um atacador,
Que ataca a injustiça,
O racismo e a discriminação;
Inda hoje o irmão,
É amarrado ao cordão, à
Correia para apertar o coração,
Sufocar de indignação,
Pela sombra da escravidão; e o
Que o atacante da igualdade,
Fraternidade e harmônia,
Não aceita é a vida em comum,
De homens de todas as cores,
De homens livres e em paz;
Em busca somente da vida,
Sobrevivência e felicidade,
Na construção de um futuro melhor,
Um mundo preservado,
Natural e iluminado.

Nunca faças nada; BH, 0180901999; Publicado: BH, 010502012.

Nunca faças nada,
De modo grosseiro e com precipitação;
Não queiras atamancar,
No cotidiano da vida,
Sem atapetar teus caminhos;
Cobris com tapetes os espinhos,
Para que teus pés não sejam,
Magoados na andadura;
Não sofras ataques de ira,
Ódio e raiva e rancor;
Não sofras o ato e o efeito,
De atacar o semelhante;
Não tenhas acesso,
De um mau orgânico,
Súbito e mórbido;
Saibas unir o útil ao agradável,
A sujeitar com ligaduras,
A alma e a serenidade,
A tranquilidade e a meiguice;
E não te deixes prender a dogmas,
Ligar-te a tabus e complexos;
Submeter-te só ao amor;
Venhas impedir o movimento da guerra,
Prender a mentira bem longe,
Atar-te com nó cego,
Ao bem e às coisas boas;
E nunca sair atarantado,
Perdido e sem destino,
Aturdido e com sentido perturbado;
Nada de atarantar-te,
Atrapalhar-te à toa
E fazer tempestade em vão;
Fiques atarefado e ocupes o tempo;
Muita preguiça mata,
Penses por tarefa e costumes;
Mudes de opinião se preciso for;
O jogo ainda não acabou,
Tu podes ser o vencedor.

Ainda bem; RJ, 02901201998; Publicado: BH, 010502012.

Ainda bem,
Que até aqui,
Está tudo bem;
Não estou deprimido,
Não estou triste,
Ansioso e angustiado;
Estou até e me sentir normal,
Um ser humano comum,
Um homem comum,
A carregar os próprios problemas;
Ainda bem,
Que até aqui,
Está tudo tranquilo,
Em paz e em felicidade;
O demônio está acorrentado,
O capeta está preso,
O inferno está bem longe,
O espírito de porco,
Está a queimar no fogo;
E só o espírito celestial,
Impera no nosso meio;
E espero que Deus,
Não mande ao contrário;
Espero que a calma,
A bonança e a paz,
Não sejam trocadas
Por moloques e moleques
Das profundezas dos infernos;
Obrigado meu bom Deus,
Pelo menos por hoje,
Que está tudo bem.



Quero um atarefamento; BH, 0190901999; Publicado: BH, 010502012.

Quero um atarefamento,
Que me cause alegria, orgulho
E muita felicidade;
Preciso atarefar-me com urgência,
Para afastar a preguiça,
A moleza e o desânimo;
Encarregar o meu tempo de utilidade,
Sobrecarregar-me de trabalho
E acabar com a futilidade;
Estou a ficar curvo,
Baixo e gordo, a diminuir de tamanho,
A ficar atarracado de 
Tanto não fazer nada;
E quando as pessoas me olham,
Sinto apertar o nó no peito,
Embaraçar-me todo de vergonha,
Por me ver atarracar assim,
Sem fazer nada,
Sem produzir nada;
Aí, sinto-me todo preso,
Triste e infeliz;
Sinto-me prender com tarraxa,
Toda a minha alegria;
É a hora de atarraxar
A tampa do meu ataúde,
O caixão em que se leva,
O meu cadáver para enterrar;
Não tenho como me sentir alegre,
Não vejo como me sentir vivo;
Passar mensagens aos outros,
Passar boas energias,
Sem querer me atassalhar,
Cortar-me em tassalhos,
Desacreditar e abocanhar,
Morder-me e morder aos outros,
Igual a um canibal.



Mestre; BH, 0190901999; Publicado: BH, 0300402012.

Mestre, 
Como posso,
No meu ataviamento,
Compor uma sinfonia?
Não sei adornar a vida,
Não sei enfeitar a alegria,
Ou ataviar a felicidade;
Não sei se o que herdei,
É um processo atávico;
Não sei se o meu jeito de ser,
Foi transformado por atavismo;
A semelhança com os meus aatepassados,
Herança de caracteres biológicos,
Que impede o adorno,
Impede o emoldurar do riso,
Da gargalhada feliz;
O atavio da alma,
Até hoje não entendi,
O que é que expressa,
Meu limite no tempo,
No espaço e nas ações,
No amor também
E mais ainda na paz,
Que não tenho;
E atear minha satisfação,
É mais difícil então,
Fazer lavrar o fogo do meu coração,
Estimular o meu apetite de viver,
Avivar a fome de amar,
Pegar o fio da esperança,
Tornar-me mais intenso e profundo;
Orgulhar da sinfonia,
Que vou compor um dia;
Sei que o mestre vai dizer,
Que sou muito jovem para aprender
E que o mestre criou tudo
E não perguntou nada a ninguém
E nem pediu para que o ensinassem. 

Hoje estou taciturno; RJ, 02901201998; Publicado: BH, 010502012.

Hoje estou taciturno,
Sorumbático e meditabundo,
Pois a vida é cheia de incongruências
E um destino cruel;
Não tenho nem ideia completa,
Do que seja a vida e o mundo,
O destino e o caminho
Coberto de espinho e sofrimento,
Que temos que seguir,
Ao longo da existência,
Que sobrevivemos aqui;
Falar em miséria e fome,
Pobreza e infelicidade;
Falar em crianças abandonadas,
Abuso sexual infantil;
Falar em prostituição,
Em extermínio e matança,
Parece até demagogia;
Porém é o que vemos,
Ao longo do cotidiano;
E por mais que clamemos,
Não encontramos solução;
É uma agonia e um desespero,
É uma ânsia e uma indignação;
A luta do palestino
E a busca de um torrão;
O grito dos povos da África,
A guerra civil pelo mundo;
A injustiça social,
A relação é infinita e fatal.

Não sou partidário do ateísmo; BH, 0190901999; Publicado: BH, 010502012.

Não sou partidário do ateísmo,
A opinião ou a doutrina,
De quem não crê em Deus;
Não sou ateísta e nem ateu e 
Penso ser o poder de Deus atemorizador,
Ser a força de Deus atemorizante,
Causa e faz sentir temor;
Aprendi a atemorizar a Deus,
E guardo no meu coração,
Tudo que aprendi,
Com a minha avó
E com a minha mãe;
Porém sei que não tenho,
A pretensão de ser santo,
Beato, devoto e fanático;
Nasci do pecado,
Vivi no pecado
E procriei no pecado;
Porém, sou necessário;
Se não houvesse pecador no mundo?
Aí, sim, é que duvidaria,
Da existência de Deus;
Por isso, enquanto houver pecador,
Vai existir Deus;
Pois Ele tem que perdoar,
O pecador arrependido;
Deus ama é ao pecador
E não aquele que não peca;
Peco pois sou da humanidade,
Sou do mundo
E tenho que usufruir,
De tudo que a humanidade,
Criou no mundo;
E vice-versa,
Se todo o mundo se convertesse
E ninguém pecasse mais,
Seria o caos geral
E a vida perderia o sentido:
Peco, logo existo.

Pareço estar sempre; BH, 0190901999; Publicado: BH, 010502012.

Pareço estar sempre,
Com a febre palustre;
E vou usar a atebrina,
A substância química,
Que combate a febre palustre;
E atempar, marcar prazo,
Para que ela deixe,
De me atenazar;
Torturar-me dia e noite,
Mortificar-me eternamente;
Toda a atenção é pouca,
A concentração da mente,
Num determinado objeto,
É de suma importância;
E não se pode perder,
A urbanidade por motivo,
De uma doença qualquer;
Não se pode perder a cortesia,
A consideração e o estudo,
Com a vida e a saúde;
Quanto mais atencioso,
Consigo próprio e com as pessoas,
Melhor para si;
E tens que ser aquele,
Que presta atenção;
Que trata com mimo
E bem delicado;
Tens que atender,
Acolher favoravelmente,
Respeitar o desejo,
Ouvir a ideia,
Cuidar para que alguém,
Também se sinta no dever,
De cuidar de ti,
Tomar e acatar, estar atento,
Ter em conta do coração.

Se algum dia na vida; RJ, 02901201998; Publicado: BH, 010502012.

Se algum dia na vida,
For chamado para ser útil,
Para fazer algum benefício,
Em pró da humanidade,
Espero ir sem pensar,
Em qualquer lugar do planeta,
Mesmo que seja para não mais voltar;
É duro levar uma vida
De inutilidade e inércia;
Uma vida vegetativa,
Vazia e sem razão;
Sem filosofia e sem sentimento,
Sem causa e sem solução;
Espero ter condições,
Ter força e esperança,
Ter fé e coragem,
Para no dia em que for chamado,
Não deixar a desejar
E nem ficar mal visto:
Como se fosse um pária,
Um parasita covarde;
Se algum dia na vida,
Alguém chegar perto de mim,
E me pedir a paz
E quero ter para dá-la;
Alguém me pedir amor
E quero ter para dá-lo;
Alguém me pedir a felicidade
E também quero tê-la,
Para poder dividi-la,
Com aqueles que almejam encontrá-la.



Estenda-me o teu atendimento; BH, 0190901999; Publicado: BH, 010502012.

Estenda-me o teu atendimento,
Quero ser também atendível,
Merecer atenção e ser atendido,
Com todo o amor,
Que guardas no teu coração;
Venhas me atender,
Sou um aluno calouro,
Nesse ateneu rigoroso; nesse
Estabelecimento de instrução secundária,
Venhas ser minha professora, a 
Ensinar-me todas as lições;
Não posso sofrer o atentado,
O delito extremo,
A execução de um ato criminoso,
Que é perder-te;
Ter que viver eternamente,
Longe da tua imagem;
Não deixes atentar contra mim,
Empreender algo ilegal,
Cometer o erro de te perder;
Venhas me ver com atenção,
Reparar e notar em mim,
Preocupar-te comigo;
Estou a sentir no ar,
Algo atentatório, perigoso
E contra o nosso amor;
Permaneço atento,
Sou o que tem fixa a atenção;
Coração cortês, ânimo aplicado;
Nada atenta contra,
Tudo a favor;
É a atenuação do pavor,
O medo enfim atenuado,
A exaltação do louvor.

The Very Best Of Bread 20 Great Songs [Full Album]

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Não vou olhar; RJ, 02901201998; Publicado: BH, 010502012.

Não vou olhar,
Vou deixar a curiosidade,
Vir me matar;
Não vou olhar,
Sou um cego,
Não tenho bengala,
Não tenho cão de guia,
Não preciso ver,
Não quero enxergar;
Seja lá quem for,
Por mais que queira,
Chamar-me a atenção,
Não sairei do meu lugar;
Não quererei saber,
Por mais que esteja para morrer,
De curiosidade por saber,
Quem é que está lá fora,
Quem é que bate no portão,
Quem é que arrasta o pé na calçada,
Anda a bater os calcanhares,
A falar alto e a gritar,
Aos quatro cantos do mundo,
A atrapalhar minha masturbação;
Minha única fonte de prazer,
De lazer e de vibração;
Não vou olhar,
Não quero ver lá no fundo,
Meus espermas morrerem afogados,
Na água suja do vaso.

Sofreu o efeito sei; BH, 0190901999; Publicado: BH, 010502012.

Sofreu o efeito sei,
Tentou ser atenuador,
Não houve jeito;
Foi o que atenua,
Que suaviza a circunstância,
Foi até demais atenuante,
Mas já era tarde;
E a tentativa era atenuar,
Tornar tênue na penumbra,
Sutil no tratamento,
Para minorar o ódio,
Diminuir a raiva,
Fazer menos forte o rancor,
Do rosto aterrado,
Da face aterrorizada;
Posto por terra de desespero,
Preso em terreno alagadiço,
Que foi coberto por terra seca
E não ficou firme,
Ficou movediço;
Aterrador o olhar,
Até me causou terror;
Aterragem do meu caixão,
Cobriu com terra,
Encheu a sepultura
E estava vivo ainda?
Não me lembro;
Deitar por derrubar,
Descer do espaço ao universo,
Aterrar até aterrorizar a morte;
Sei o que foi, sofreu o efeito,
Já estive em situação parecida,
Pesadelo ou sonho,
Não me lembro ter acordado
E estava vivo ainda?