quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Alameda das Princesas, 756, 82; BH, 0220902012.

Respeito aos escritores, poetas, romancistas,
Ensaístas e a todos os críticos que somos;
Se estamos certos, ou se estamos errados,
Pensamos que somos alguma coisa, que
Pensamos alguma coisa, que escrevemos
Poesias, romances, críticas, pensamentos;
Respeito a esses bilhões de artistas, articulistas,
Escribas, escrevinhadores, poetas que tanto
Eternizam a cultura mundo a fora; respeito
A esses que perpetuam as letras nos
Universos e imortalizam versos até onde
As letras e as palavras são mortas; e todo
O meu respeito a esses poetas que nunca
Vão deixar a poesia ser assassinada e
Nem o poema ser exterminado; são os
Nobres cavalheiros das obras-primas,
Das obras de arte, das obras clássicas,
Eruditas, populares, folclóricas, sertanejas,
Caipiras e gêneros e gêneros de manifestações
Humanas, ou mesmo das que não são
Mais humanas e são captadas pelos
Humanos que têm a capacidade de
Captá-las através da telepatia, psicografia,
Ou outras línguas desconhecidas; e respeito
Aos poetas pré-históricos, aos pais e
Mães de todos os poetas; respeito à
Luzia, a nossa mãe que luzia para fazer
Com que hoje fosse conhecida a sua
Luz; respeito à natureza, à fauna, à flora,
Aos rios, mares, oceanos; respeito aos
Regatos, riachos, arroios e às cachoeiras e
Cataratas; respeito aos morros, nossos
Túmulos, às montanhas e cordilheiras; às
Ossadas que estarão aqui em resistência a
Confirmar o nosso passado, a nossa existência.

DVD Dudu Nobre " Os mais lindos sambas enredo de todos os tempos."

Alameda das Princesas, 756, 81; BH, 0220902012.

São tantas as coisas inacabáveis, inextermináveis,
Que se fosse contá-las, contaria e contaria e,
Mesmo que vivesse mil anos, jamais chegaria ao
Fim; são tantos os planetas desconhecidos, os
Sóis de grandezas incalculáveis, que é impossível
Não ficar maravilhado; só em imaginar essas
Maravilhas, não as conhecermos e para
Atingi-las, teríamos que viajar,  à velocidade da
Luz, por milhares e milhares de anos-luz; e são
Tão dimensionais, que, nem o pensamento mais
Brilhante a mente mais genial seriam capazes de
Descrever-nos o volume, a massa, a energia e a
Velocidade desses astros reis; minha avó Naninha
Deve ter ido habitar um desses sóis; e a minha avó
Maria, mãe do meu pai, deve ter ido habitar
Outro; meus avôs também, avós e avôs são
Assim, meio extraterrestres, meio aliens; vêm às
Nossas vidas, nos fazem sonhar e depois, partem
Em naves espaciais, ou outros objetos e nos
Deixam aqui, a esperar a volta deles, ou o dia de
Irmos ao encontro; e nós nunca seremos os avôs
E as avós, que foram os nossos avôs e avós; e
Ficarei frustrado, o meu avô Donato dizia, que,
Tinha comido o dedo polegar, de fome, numa
Guerra; e meu avô César pintava carrancas,
Caretas, cangaceiros, caçadores, vaqueiros em
Folhas de papel que não sei aonde andam; nunca
Consegui fazer nada igual para merecer estar
Com eles nalgum sol, imagino desde menino.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Alameda das Princesas, 756, 80; BH, 0200902012.

No infinito há alguma coisa que intriga-me,
O nada e como pode não haver nada e
Ser infinito? na religião há algo que
Incomoda-me: o uso indevido do nome de
Deus; como se pode usar o nome de Deus
E disseminar o mal? ajuntar riquezas,
Destruir civilizações, matar o próximo? e
Há mais coisas que enchem-me o saco,
Entre os céus e a terra, do que duvida a
Minha ignorância e a minha estupidez; e
Enche-me o saco, o fato de não acabar o
Imperialismo, a globalização, o capitalismo;
Enche-me o saco a mídia com o seu
Parceiro, o PIG, o Partido da Imprensa
Golpista e as elites representativas e a
Burguesia dominante; enche-me o saco a
Classe política, principalmente aquela que
Persegue a classe trabalhadora; enche-me
O saco o judiciário com a usina de Habeas
Corpus e a indústria de vendas de sentenças,
Numa justiça inacessível ao povo; enche-me
O saco as políticas da seca, onde a verba
Fica com os governadores, os prefeitos
E os vereadores e jamais chega ao
Sertanejo, para aplacar o sofrimento dele;
Enche-me o saco a saúde pública, a
Humilhação sofrida por quem não pode
Pagar um plano de saúde; enche-me o saco
Os banqueiros e seus bancos e o
Funcionalismo do Banco Central, que
Não entendi até hoje para que serve; e
Enche-me o saco a fome e a falta de solidariedade 
E a exploração do homem pelo homem.

Alameda das Princesas, 756, 79; BH, 0200902012.

Hei de escrever uma obra tão prima,
Que será chamada de irmã, que fará
Os peixes saírem das águas, as aves
Descerem dos céus, as pedras
Saltarem pelos campos, como se
Fossem ovelhas, cordeiros, carneiros
E as montanhas a voltarem para o
Fundo dos mares; usarei todos os
Sinais, símbolos e signos, cortarei a
Força da gravidade e as cordilheiras
Voarão de volta aos seus planetas de
Origem, de onde caíram; ó, depois
Desta obra ser feita, a colocarei em
Rota de colisão com o maior meteoro
Que vaga perdido pelo espaço, para
Que com o choque, a grande colisão
A transforme no diamante mais raro,
Desconhecido, não encontrado; hei
De conceber uma obra, que quando
Nascer, será o ponto de convergência
De todas as galáxias dos universos, a
Gravitarem em torno dela; e os deuses
E os demônios se confabularão e
Trocarão imprecauções, impropérios,
Blasfêmias e profanações: uns tão
Exaltados a alegarem paternidades e
Outros, excitados, a provarem
Maternidades; a exporem os úteros,
As mamas inchadas de leite gotejante;
Que composto de perfil antológico
Extravagante, não abrirá portas de
Academias, não iluminará altares de
Catedrais, não terá tapetes vermelhos
Estendidos em palácios; mas, o
Infinito não será o mesmo, quando o
Jogo estiver armado no tabuleiro, a
Ouvir o grito no final, xeque-mate fatal.

Alameda das Princesas, 756, 78; BH, 02001202012.

Um texto dentro do contexto mitológico para
Ser concebido, de que tem que ser assim, ou
De que tem que ser assado, para ser agradável,
Ou agradar aos críticos, para ser chamado de
Texto, para ser lido, entra num crivo tão técnico,
Que nunca será entendido; uns pedem fim dos
Adjetivos, outros fim dos pronomes pessoais
E possessivos; alguns não aceitam o gerúndio,
Nem sentimentos, emoções, sentidos; exigem
Metáforas, formas de linguagens rebuscadas,
Denotativas, discursos conotativos; o certo é
Que, se for agradar a quem ler, não se escreve
Mais nada; se for acompanhar as exigências
Dos catedráticos, eruditos, clássicos, mata-se
Na fonte a flor, afoga-se no mar o peixe; quando
Um escritor, no seu delírio, apresenta um texto,
O onírico vira logo decepção; o autor olha a
Obra, sente-se bem com o escrito, fica satisfeito,
Mas quando passa para alguém ler, a cara vem
Ao chão, a máscara cai; o autor fica ali com
Cara de estúpido, com ar de ignorante, enquanto
O ledor faz aquela cara de incrédulo: e lê-se no
Semblante, o que é isso que esse cara deu-me
Para ler? devolve o texto ao autor sem nenhuma
Palavra e o silêncio é uma punhalada no peito;
O pobre do escritor enfia o rabo entre as pernas,
Meneia a cabeça e não encontra mais coragem
De mostrar, o que quer que seja a alguém; um
Texto dentro do contexto é puro teor mitológico.

Alameda das Princesas, 756, 77; BH, 0180902012.

Que cálice é este que vibra em
Meu peito, toda vez que o universo
Pulsa um segundo? que taça é esta
Em que encosto os lábios e traz-me
À boca o amargo do mundo? que vinho
É este que vem misturado com cacos
De vidros, que ao cortarem-me a língua
Ao beber o vinho e no lugar do vinho,
Bebo o sangue? que vida é esta na
Minha vida, que suga a minha vida e
Deixa a minha vida sem vida? que olhar
É esse tão superficial, que não sabe
Olhar com o fundo do olhar no fundo
De outro olhar? que pensamento é este,
Que bloqueia qualquer luz e impede a
Saída das trevas, de dentro do bloco
De concreto? que luz é esta, não irradia 
Claridade e nem ilumina os caminhos
E nem é lâmpada para os pés e nem é
Vaga-lume? que montanha é esta, que
Nasce do fundo do mar e não chega aos
Céus? que destino é este, que não passa,
Que não se equilibra na corda e nem na do
Raio da circunferência? que água é esta,
Que não mata a sede, junto com este
Pão que não mata a fome? é a volta que
O universo dá em torno do seu próprio
Eixo; é o rastro dos planetas nas
Peregrinações; é o lado de dentro que
Está do lado de fora, é o lado de fora,
Que está do lado de dentro; é o que
Não foi, não é e nem nunca será.

Alameda das Princesas, 756, 76; BH, 0160902012.

Gênio, pensador, músico, poeta desperta inveja,
Sócrates por exemplo, que era um livre pensador,
Despertou tanta inveja e despeita, que os seus
Adversários, arranjaram-lhe um processo por
Corrupção da juventude, que desencadeou em
Sua condenação; mas, apesar de absolvido,
Resolve se auto condenar, por pensar que, a
Própria dignidade já estava manchada e bebeu
A cicuta altivamente; Mozart, gênio precoce de
Grande criatividade e produções musicais,
Despertou tanta inveja, que os historiadores
Acreditam, que foi envenenado aos trinta e
Poucos anos; quando muito poderia fazer pela
Humanidade, Euclides da Cunha, foi assassinado
Porque a mulher não compreendia o trabalho
Dele, que requeria longos dias fora de casa e o
Traiu com outro homem; ao saber do caso,
Euclides da Cunha foi lavar a honra e acabou
Morto, o filho foi vingar o pai e morreu
Também, ambos assassinado pelo amante da
Mulher e mãe; muitos outros escritores, poetas,
Artistas sofreram perseguições; Giordano Bruno,
Galileu Galilei, um a inquisição não perdoou, foi
Queimado vivo, o Giordano Bruno, que não abriu
Mãos dos princípios; o outro, o Galileu Galilei, 
Por negar os próprios pensamentos, as teses
E as descobertas, permaneceu vivo; Erasmo de
Roterdan, se escondeu em casa de Thomas More,
Para não morrer; Karl Marx e Friedrich Engels
Fugiram por vários países e quase perdera as
Vidas por causa de obras de arte do pensamento;
O estado, a igreja, a sociedade assassinavam
Quem por ventura pensasse diferente do
Establishment vigente da época; e poucos são
Os criminosos que pediram perdão pelos
Crimes cometidos contra os gênios.

Dennis Chang, Vinny Raniolo, Gonzalo Bergara, Frank Vignola - Dark Eyes

Frank Vignola & Vinny Raniolo "Flight Of The Bumblebee"

Frank Vignola & Vinny Raniolo "Tico Tico / Apache"

Frank Vignola Shreds Beethoven's 5th & Morzat's 40th.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Moacir Santos - Coisas full album

Alameda das Princesas, 756, 75; BH, 0140902012.

Daqui não vejo nada e nada tenho para ver
E quem é poeta, precisa sempre, de ver    
Algo, enxergar alguma coisa, um movimento,
Uma impressão; quem é poeta, precisa de
Uma sombra, uma rua vazia, uma janela
Aberta; e daqui, ilhado, não vejo o horizonte
E todo monte fugiu da paisagem; apuro os
Sentidos, pois, poeta, se tiver de ter alguma
Coisa, tem que ter é sentido apurado; apuro
Os sentidos e não sinto as vibrações dos
Elementos; as moléculas, as partículas estão
Todas estacionadas e não percebo, natureza
Morta que sou; aí, sobram-me as sôfregas
Letras de quem pede socorro e restam-me
As insolúveis palavras de quem é solúvel; e
Da próxima vez em que estiver aqui, quero
Olhar e ver, quero ver e enxergar e contar
Todas as façanhas que ninguém pode contar;
E ao abrir os olhos, expressar de olhos
Abertos, sou lúcido, sim, tenho lucidez,
Consciência de conscientizado, que vive
Sem remorso, vive sem arrependimento; e
Que tem por máxima a mínima de que, se é
Para arrepender-se, o melhor é não fazer;
E agora que tenho rosto nos rostos das
Coisas, não preciso mais procurar o meu
Rosto nos rostos das coisas; meu rosto
Agora é meu, com face e semblante, sou
Todo eu meu; e só olho agora as pessoas,
Com o fundo dos meus olhos, nos fundos
Dos olhos delas; daqui, então, vejo o
Infinito universo.  

Alameda das Princesas, 756, 74; BH, 0140902012.

Cão Caim, não precisavas nem fazer as oferendas,
Caim Cão, não aceitarei nenhuma oferta e a
Fumaça do que queimas em sacrifícios, será
Dissipada nos ares dos altares; tuas orações, tuas
Rezas, poesias, poemas, odes, elegias, libações,
Não passarão de uma blasfêmia, de uma
Profanação, uma afronta aos céus; só o fato de
Pensares primeiro em ti, já magoas a todos aqui;
Só com o fato de escolheres o melhor para ti, as
Melhores carnes, os melhores vinhos, as melhores
Frutas, os melhores frutos, os melhores meles,
Desagradastes o que é Santo; observas o teu
Irmão Abel, faz questão de agradar a todos com o
Melhor que tem; construiu o altar mais bonito, é o
Mais enfeitado, o mais perfumado e o que queima,
Enche a todos de agrados; Caim vil, vistes o teu
Irmão Abel? por acaso sou guarda do meu irmão?
Deve estar por aí a recolher os meles; o que
Fizeste com o teu irmão, vil Caim? não era o melhor?
Sacrifiquei-o em homenagem a Ti; será imundo pelo
Mundo, toma esse sinal, todos correrão de ti, não te
Matarão e nem morrerás; serás o pior poeta em
Toda a poesia que quiseres criar; ingrato és, pensei,
Que com o sacrifício, ficaria de bem contigo, e Tu de
Bem comigo, mas o que aconteceu, não foi o que
Preveni; és um poeta assassino de tudo que é belo,
As formosas poesias fugirão de ti; e então, Tu o que
És? poderias muito bem ter segurado a minha mão,
E impedido que matasse ao meu irmão.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Alameda das Princesas, 756, 73; BH, 0140902012.

Não, não faço mágicas, não sou o mago
Que tu pensas; não, não sou mágico e
Nem inventor, ou descobridor; sou só
Caçador, boiadeiro, pastor,
Apascentador, sou só guardador de
Rebanhos; com o meu cão de guarda,
Cuido das ovelhas, não as deixo
Desgarradas e nem ficarem presas em
Espinheiros; tosquio-as e livro-as das
Incômodas lãs, mas não dou a vida por
Elas, pelo contrário, elas que dão a
Vida por mim, ao matarem minha sede
Com sangue puro, fresco, arterial; e ao
Matarem a minha fome com carne
Virgem; não, não faço milagres, não
Abro mares e nem faço chover; não,
Não tiro leite das pedras, tenho o leite
Virginal das minhas carneirinhas; tenho o
Mais depurado mel das seivas delas e
Saciado, as sacio; e na ânsia de me
Agradarem, me fazem mil mágicas,
Milhares de inventos, infinitas descobertas;
As mais nobres caças, novilhas, inúmeros
Milagres; no desespero para não me
Verem chorar, choram por mim, balem,
Mugem apaixonadas; passam horas e
Horas a fio a brincarem na relva macia;
Pisam de mansinho para não perturbarem
Os meus ouvidos; e sopram na minha nuca
Hálitos de boca aberta para refrigerarem
Meu espírito; e com a minha vara, com o
Meu cajado as consolo e elas não me
Deixam faltar nada; não, não, no meu
Aprisco, não permito a aproximação do
Lobo mau; e evito que ele empestei as
Águas das fontes onde elas bebem.

Alameda das Princesas, 756, 72; BH, 0120902012.

Não vejo mais o JN, o Jornal Nacional, da REDE
GLOBO, ancorado pelo William Bonner; quem
Tem dignidade, tem que desligar o aparelho
Televisor, ou mudar de canal, mas assistir ao JN,
Ao Jornal Nacional, da REDE GLOBO, ancorado
Pelo William Bonner, é para quem não exerce a
Cidadania e nem a soberania; no dia 7 de
Setembro, dia da Independência do Brasil, o
Príncipe do PIG, Partido da Imprensa Golpista,
JN, Jornal Nacional colocou longa matéria das
Eleições nos USA, United States of America e
Um pequeno destaque para a comemoração da
Nossa Independência; JN, da REDE GLOBO,
Tem todo o direito de bajular os USA, como fez
Com a Ditadura e como FHC, Fernando Henrique
Cardoso, o Príncipe da Privataria Tucana faz até
Hoje; só penso que, os que bajulam os yankees
Norte-americanos, deveriam bajularem lá no
Território deles, não aqui no nosso país e com as
Nossas concessões; é muita falta de critério e
Demonstra claramente, o desrespeito pela nossa
História cívica; o que que queremos saber de
Convenções yankees? o poder que se instalou na
REDE GLOBO,  se não receber rapidamente uma
Lei de controle de mídia, daqui a uns anos, quererá
Mandar no Brasil; e é uma televisão que recebeu
Uma concessão a ser explorada, recebe verbas
Públicas e boicota abertamente quem a concedeu;
E não informa ao povo devidamente como se
Deveria informar; cidadania já, soberania já,
Conscientização já, consciência já, Brasil sem REDE
GLOBO já, Brasil sem alienação já; que vá
Envergonhar outro país, gosta dos USA, não há
Problema, mas aqui no meu país, as coisas do meu
País, são preferenciais; tomara que um dia entre
Um governo e corte as raízes dessa coisa maligna.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Alameda das Princesas, 756, 71; BH, 0120902012.

Dentro das madrassas, crianças em cárceres
Privados, decoram o Al Corão; e têm que
Saber de cor, versículo por versículo, numa
Verdadeira lavagem cerebral; não recebem
Outro tipo de informação, não têm meio de
Conhecimento; e só saem dali, quando estão
Totalmente condicionadas e respondem a
Qualquer pergunta na ponta da língua; e
Viram mujahedins, fazem a jihad e morrem
E matam com disposição, pelo Islã e Alá;
Vivem no fundamentalismo e desprezam
Qualquer outro tipo de vida; amam a morte,
Tanto a própria, quanto a dos semelhantes; e
Aprendem que, ao explodirem-se no meio
Dos cães, o martírio e o extermínio de
Dezenas de pessoas com o ato, os garantirão
No paraíso em companhia de sete belas
Mulheres, sempre sete, o número dos
Mentirosos; desprezam outros deuses,
Ignoram outras religiões e os que não
Seguem a religião do Al Corão, são chamados
De cães infiéis imundos e se possíveis,
Decapitados; as mulheres são tratadas como
Reles, vis, sujas e os únicos bens são as
Armas mortíferas, as barbas, as bombas,
As burcas, o Al Corão, as mesquitas, as
Madrassas; não podem ter mais nada, tudo
Para depois da morte, odeiam aos ocidentais,
Têm cólera aos norte-americanos, isso aí,
Penso que todo mundo tem; e pregam o fim
Do império, como um dos motivos de
Salvação: em pouco tempo transformam
Crianças em criaturas monstruosas.

Alameda das Princesas, 756, 70; BH, 0120902012.

Todos os meus pensamentos não habitam-me mais,
Nem os bons e nem os maus pensamentos; pois,
Todos já foram aprisionados nos papiros, nos
Manuscritos e nas folhas de papéis de carbono; e
Encontro-me sem nenhum pensamento que seja
Inquilino, proprietário, ou visitante; o calabouço
Está abandonado, a masmorra está vazia, não
Mantenho prisioneiros nas cadeias, nos catres, nas
Celas; os sanatórios, os hospícios, os reformatórios
Encontram-se desocupados; e os pensamentos
Perdidos, esses não houveram efeitos, baniram-se
No lume; e os pensamentos achados, são os que
Passaram a ser imortalizados, tanto que agora,
Quando consulto-me no oculto, sinto-me
Totalmente aleatório, evasivo, sem condições de
Dialogar; e passo a não ter nada para dizer,
Mantenho silêncio, calo-me, não canto e nem
Capto um conhecimento, não absorvo uma
Informação; não faço perguntas, e nem fazem-me
Perguntas, e respostas, soluções resoluções,
Passam a ser sagradas e quem as têm, não as
Profanam; não as passam a outros, por isso, a
Partir do momento que as passam e não as
Guardam mais, profanam-nas e deixam de ser
Consagradas, santas; uma resposta certa, pode
Virar o sol ao avesso, uma solução acertada,
Pode parar o universo, uma resolução correta,
Pode diminuir o infinito; e quem, hoje, tem a
Perfeição para essas grandezas inconcebíveis?
São coisas sem letras, sem palavras, sem
Pensamentos, que só acontecem de milênios em
Milênios, igual Miles a tocar Kind of Blue,
Um momento único do que é raro e perfeito.

Alameda das Princesas, 756, 69; BH, 0100902012.

Várias vezes cheguei à janela e bali para
As montanhas, gemi para o universo, na
Tentativa de receber uma atenção especial;
Sacudi-me tal qual um cachorro quando
Sai do banho e nem um piscar de olhos
Partiu em minha direção; abnegadamente,
Permaneci de total prontidão, lápis e papel
Nas mãos, a cabeça pendente e o
Pensamento a oscilar de um lado para
Outro, como o som de um grito, que sai
Da garganta, a machucar as muralhas; e
Quem por ventura olhasse para mim,
Acharia-me impassível; outro pensaria, é
Um indiferente e mais algum inda chegaria
À uma conclusão equivocada; mas, todo o
Meu conjunto de átomos parecia encontrar-se
Dentro de um acelerador de partículas, tal o
Revolvimento que sofro no interior, na
Expectativa de aprisionar no papel, as
Borboletas em busca de acasalamento; e
Não fecho a porteira do aprisco e os
Rebanhos revoam ao redor de mim; e
Quando aprisiono um, surgem salpicados
De luz, outros a bolinarem-me; querem
Provar-me, e fazem todos os tipos de
Testes, lançam mais uns desafios e não
Posso entregar-me, e integro-me ao
Redemoinho; rodopio, dançamos, cantamos
Embriagados e ao fim, em cima da mesa,
Jaz uma folha, que já não está mais em
Branco; e tudo o que dançávamos e tudo o
Que cantávamos, virou registo eterno,
Nesta moribunda folha de papel

Alameda das Princesas, 756, 68; BH, 080902012.

Preponderei-me, depois, arrependerei-me
De ter feito tudo que fiz; e inda deste  
Jeito, é que cheguei à conclusão, de que,
Não posso curar-me e nem sentir-me
Curado; não posso sarar-me e nem
Sentir-me sarado; a poesia quer-me
Doente, o poema quer-me ruim do
Pulmão, a arte quer-me ruim das vistas;
Talvez acreditam que, são, não terei mais
Motivos de chorar, se estiver tudo bem
Comigo; mas, nunca posso estar
Totalmente bem, nunca posso sentir-me
Completamente bem; sempre um despojo
Meu, estará numa encruzilhada, como
Despacho; sempre alguém usará umas
Gotas de meu sangue, para algum pacto
Demoníaco; sempre alguém venderá minha
Alma para conseguir algum benefício;
Sempre meu espírito estará errante, de
Necrotério em necrotério, de cemitério em
Cemitério, de sepultura em sepultura, a
Procurar nos esquifes mais luxuosos e nas
Campas, tumbas, ataúdes mais rasteiros,
Um corpo em bom estado de conservação;
O meu, a matéria deteriorou-se, não foi
Digno de sepulcro e foi abandonado para
Pasto de abutres, urubus, corvos e outras
Aves de rapina carniceiras; cheguei a um
Sarcófago de ouro puro, depurado, maciço:
Jubilei-me, aí será a minha eterna morada,
Abri o sarcófago, mas, qual o que, lá dentro,
Uma múmia velha, enfaixada de molambos,
Expulsou-me aos gritos de impropérios; às
Carreiras, assustado, a perder ossos pelos
Caminhos, preponderei-me, nem tudo
Comigo acaba certinho.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Alameda das Princesas, 756, 67; BH, 080902012.

Dialoguei a noite inteira com todas
As estrelas que encontrei na feira
Cósmica; e viajei tanto, que quando
Regressei, inda estava coberto de
Poeira da tempestade solar; muitos
Astros queriam deixar em mim as suas
Reminiscências e as suas reverberações;
Fiquei impressionado, por todos terem
Considerado-me um cavaleiro das
Constelações, um conhecedor de
Galáxias e visitante de cometas dos
Mais distantes; todos os quasares
Reluzentes queriam habitar meus
Olhos; e foi com muito custo que
Expliquei, que meus olhos trevosos,
Não mereciam tanta luz; até
Concentrações luminosas, inda não
Detectadas pelos aparelhos terrestres,
Pediam-me uma palavrinha comigo;
Leva contigo um jazigo, tem aí dentro
Um segredo, um mistério muito
Antigo, que talvez consigas desvendar,
Pois nunca foi aberto por nenhum de
Nós, por não estarmos aptos para tal
Teor; encheu-me o peito de lisonja,
De honra e de nobreza; ser assim
Escolhido para mensageiro tão
Especial; não cabia em mim de euforia,
De jubilo e de exaltações, pois o
Jazigo não trazia a morte, nem o azar,
Nenhuma premonição; era só um pulsar
Que ficará órfão de pai e mãe e não
Tinha irmão; um pulsar de rara beleza e de
Uma cor de vermelho sem igual, com tanta
Emoção em meu peito, batizei-o de coração.

Alameda das Princesas, 756, 66; BH, 080902012.

Aprendi por conta própria, como um
Autodidata, que para viver, é preciso
Ter sabedoria; não aprendi matemática,
Nem geografia e aprendi comigo
Mesmo filosofia; e criei a minha
Própria autonomia, que para viver,
É preciso ter uma filosofia e tenho
A minha, que não é a de ninguém;
Nasceu antes dos pré-socráticos, nasceu
Com os navegadores fenícios, nasceu com
O primeiro homem símbolo da pré-história;
Nasceu com a primeira mulher Luzia a dar a luz,
Àquilo que foi chamado de primeiro
Homem; e foi assim que aprendi a
Resistir, a sobreviver, a ser forte, pois,
Se não fosse isso, não estaria aqui;
Aprendi com a consciência das primeiras
Pedras enviadas pelos universos e que
Trouxeram nelas gravadas as mensagens
Secretas para serem decifradas; são
Pedras que vieram além dos limites dos
Infinitos e cada uma com um código,
Uma conjectura, um dito; cada uma com
Um composto, uma fórmula, um elemento,
Um organismo; e para chegarem aqui,
Viajaram milhões e milhões de anos-luz;
E com os impactos das chegadas, estão
Às grandes profundezas, debaixo dos
Picos, de montanhas, de cordilheiras; e
Dessas densas pedras nasceram os homens que
Vieram dos subterrâneos, para formarem
As civilizações distintas e que tiveram o
Aprendizado desprezado e preferiram ser
Extintas; e poucos vestígios, ou quase nada
Sobraram desses seres e só com muita
Procura, árdua labuta, nas entranhas dos
Mais recônditos sítios, às vezes é possível
Encontrar um caco fossilizado dalgum
Osso do que era um esqueleto ambicionado.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Alameda das Princesas, 756, 65; BH, 08092912.

Converso telepaticamente com outros
Seres, em busca de outros pensamentos,
Ideias e sentimentos; a mim, não
Interessa mais, conversar com quem
Mata o outro de fome e de sede e
Sem trabalho e saúde; converso
Com extraterrestres, com seres alienígenas,
Demônios de outros universos, pois, não
Desejo mais contato com quem faz guerra,
Joga bombas nas criaturas da natureza e
Vive com estupidez e ignorância; não
Simpatizo mais com o capitalismo, com o
Imperialismo, o neoliberalismo e com o
Consumismo desenfreados; e quero
Distância de religiões, todas elas, menos
Das que já existiam aqui antes do catolicismo
Chegar com seus dogmas, tabus, preconceitos,
Pecados; as religiões, pelas quais, inda
Demonstro algum respeito, são as religiões
Dos pretos africanos, com seus rituais
Tribais, antes de virarem escravos e as
Religiões dos índios, que viviam sossegados
Na América, antes de chegarem os
Portugueses e os espanhóis para dizimarem
Com todos e com tudo; por isso busco a
Psicografia com homens pré-históricos,
Contatos imediatos e telepatia com mortos;
Aqui a comunicação tornou-se superficial,
Subjetiva e leviana; propagam a mentira,
Enganam a todos e vendem o supérfluo, como
Se fosse coisa útil; e como ninguém quer
Aprender a viver e nem sabe o que é o viver
E a maioria pensa que o viver é o não pensar,
O não meditar, o não refletir e é não ter
Razão para viver, vou totalmente para o lado
Contrário, para o lado desses que vivem ocultos.

Miles Davis, Kind of Blue.

Chet Baker ~ Every Time We Say Goodbye

Alameda das Princesas, 756, 64; BH, 070902012.

Tu, viajante, quem és? um velho à procura
Do nada e quando chego perto, olho
O horizonte e vejo, que está bem mais
Distante e tu, quem és? um velho em
Busca de letras velhas, de palavras velhas,
Acorrentadas em profundas cavernas e
Que não gosta de nada que é novo;
Não gostas de nada que é novo? sim, o
Novo e o belo reluzem, brilham, faíscam,
Atraem; é a vaidade que faz isso, é a inveja
E o orgulho e penso que já estou desprendido
Desses sentimentos, gostas do que é novo?
Gosto dos novos horizontes, dos novos
Infinitos, dos universos bebês, que nascem
Todo dia; então, não explicaste-me de qual
Brilho gostas, de qual faísca, o que que reluz?
Exatamente, os astros mais longínquos e que
Aparecem aos nossos olhos como faísquinhas;
Tens encontrado muitas palavras velhas, muitas
Letras velhas velho? algumas, tão antigas, que
São indecifráveis e viraram símbolos e outras
Letras, de tão velhas, não pertencem a nenhum
Alfabeto e para encontrá-las, é necessário ir
Aos locais mais inacessíveis à vida e à luz; e
Para que tanta obsessão com essas letras e com
Essas palavras anciãs ancião? é que pretendo escrever
Um poema, que seja pai de uma poesia, que
Tenha no genoma o dna do classicismo perdido;
Velho, penses numa coisa, quando encontrares
Essas letras senis, essas palavras decrépitas
E fizeres esse tal poema, essa tal poesia, todos
Chamaremos de novo, de inédito e vens com
Essa de que não gostas de nada novo,
Já ao asilo, velho; tu, viajante, quem és?

Alameda das Princesas, 756, 63; BH, 070902012.

Tamarindeira, dá-me um tamarindo bem azedo, aí,
Daqueles do meu tempo de menino; como era
Bom, quando era menino e minha avó ralhava
Comigo, não assusta o curió do teu tio, cuidado
Para não espantar o sabiá; e me ensinava a fumar,
Mandava acender o cigarrinho de palha dela, lá
No tição em brasa, no fogão de lenha, fogão feito
De barro branco, que ficava na cozinha, com chão
De terra batida; o banheiro, era atrás da casa,
Mesmo, tudo jogado pela janela, num canto do
Fundo do quintal; a água para beber, ficava num
Pote, água fresquinha; a pimenteira, na porta da
Casinha, em cima dum barranco; tamarindeira, da
Praça no centro da cidade, manda um tamarindo,
Bem azedinho, aí; e o jatobá, também manda-me
Um e a ingazeira, manda-me um ingá e a pinheira,
Uma pinha; menino, olha o curió, não espanta o
Sabiá; e o canário, como canta, é da terra; o coleiro
Também quer cantar, está na muda, fica mudo, mas
Depois solta a voz nas estradas; menino de poeira,
De pé no chão, de alma coberta de pó, do peito
Sem camisa; e detestava comer quiabo, maxixe e
Jiló; lá vem a minha avó, vem cortar couve para a
Minha mãe; sossega, menino, quer apanhar?

domingo, 21 de dezembro de 2014

Alameda das Princesas, 756, 62; BH, 070902012.

Como gosto de sonhar que estou a voar, a
Pousar em torres de igrejas, em altos de
Montes, morros, picos, cumes de montanhas;
Como gosto de sonhar que estou a voar, a
Acompanhar velhas naus nas Grandes
Navegações, a acompanhar navios piratas
Em suas batalhas e embarcações fenícias
Com suas travessias; sem brincadeira,
Até acordado, gosto de sonhar, que estou
A voar, a visitar universos em modernas
Naves espaciais; e quando estou a sonhar,
Quando durmo, não gosto de ser acordado
E quando estou a sonhar acordado, não
Gosto de dormir; e gosto de sonhar também,
Que saio do meu corpo e levito acima de
Mim, a olhar meu corpo aqui na terra lá do
Alto; e às vezes, até acredito que saio
Realmente do corpo e dou umas viagens
Pelos universos; e não vou perto não, vou
Longe, ao infinito; e não sei como não
Enterraram meu corpo, por pensarem que
Estivesse morto, pois costumo demorar
Muito nessas viajadas; numa hora dessa,
Enterram-me, ou cremam-me e não
Poderei mais voltar ao meu corpo; terei
Que ficar perdido lá pelo espaço sideral,
O que até pode ser um lado positivo,
Pois posso encontrar com muita gente
Boa que partiu na minha frente; e
Oníricamente, prefiro sonhar a viver;
Viver é para quem sabe e é muito
Complicado; e como gosto de sonhar
Que estou a voar, deixem-me aqui
Acordado, não despertem-me jamais.

Alameda das Princesas, 756, 61; BH, 070902012.

Todo menino tinha um muro e aquele
Muro, não era para o emparedar, mas,
Para o menino o transpor, subir, brincar,
Pular de cima, ou para, pura e simplesmente,
Assistir as peladas, observar a tarde e tudo
O mais; e todo menino tinha uma corda,
Que não era para enforcá-lo, mas, para
Fazer um balanço, brincar de escoteiro,
De laçar vira-latas nas ruas, ou para bater
E as meninas pularem; e todo menino
Tinha uma bola, era o seu troféu e com a
Bola, o menino era o rei dos campinhos;
Todo menino tinha um cachorro fiel, um
Cão que o acompanhava a todos os
Lugares e entendia tudo que o menino
Fazia; todo menino tinha seu tesouro,
Onde escondia as bolinhas de gude, latas
Com terra e minhocas, coleção de ferrinhos,
Pelotas para estilingues, linhas para soltar
Papagaios; todo menino não gostava de
Estudar, a única ambição era a de ser
Menino; e não gostava da Matemática e
Nem dos seus números, mas de nadar
Nos rios, colher frutas no mato e caçar
Passarinhos; todo menino era rico e não
Sabia, era livre e não sabia; e tenho um
Segredo para contar e que nunca
Contei para ninguém; é um segredo só
Meu, que sempre guardei em meu
Coração, igual todo menino guardava
As suas coisas numa caixa, ou num
Baú velho: nunca deixei de ser menino.

Eric Clapton - Kind Hearted Woman, Sessions for Robert Johnson

sábado, 20 de dezembro de 2014

Alameda das Princesas, 756, 60; BH, 040902012.

Quando o meu corpo baixou ao necrotério do
Instituo Médico Legal, para as análises de
Praxe, a autópsia, a necrópsia, a lavratura de
Ocorrência de causas mortis, o legista
Responsável perguntou indignado: qual a idade
Deste ancião, coitado, parece-me um ser
Pré-histórico? alguém respondeu: não, não é
Tão idoso assim; como, não? com todas essas
Rugas, corpo ressequido, carnes e músculos
Flácidos; sim, mas não tem todo este tempo,
Não, é que levou uma vida de prazeres, orgias,
Farras em companhias de putas, concubinas,
Meretrizes, raparigas, em muitas noites perdidas;
E assim ficou com essa aparência de velho
Decrépito, de ser pré-histórico fossilizado, mas,
Na realidade, a idade é menos do que o
Tempo dele, aparenta; o legista a redigir e a
Redigir o atestado de óbito, lavrou lá: cadáver
De pouca idade e que no fundo apresenta
Sequelas de pessoa que viveu muito, mas é
Totalmente ao contrário, segundo testemunhos,
Viveu pouco, porém, na perdição, o que deixou
O corpo como se fosse um carvão; a pele
Encrespada; morreu inda a pouco e quem olha,
Pensa, que está em adiantado estado de
Decomposição; o melhor seria enterrar logo,
Ou queimar e se houver velório, não abrir o
Caixão; caixão lacrado, ou todos que depararem
Como o defunto, sairão a correr em disparada,
Como se estivessem visto, a mais feia assombração;
Assinou o atestado e foi internado num hospício.

Alameda das Princesas, 756, 59; BH, 040902012.

Nas estranhas entranhas subterrâneas, subitamente,
Deparei com um tesouro, um ossuário com esqueletos
Intatos de gente de vários teores: uns de marfim,
Outros de mármore, como se fossem das alvas
Montanhas de Carrara; e outros, ainda, de ouro
Branco e mais adiante, caveiras nobres de platina
E prata e variados metais desconhecidos; então,
Pensei com meus velhos e encardidos ossos: estou
Rico, que maravilha de tesouro, mais caro do que os
Das Minas do Rei Salomão; comecei a fazer um
Levantamento e a calcular num inventário em cifras, o
Que me representaria e onde poderia os vender no
Mercado, ao melhor preço de ocasião; meus velhos e
Encardidos ossos, numa rebeldia inesperada, se
Enciumaram: velho ingrato, a nós que aqui estamos, que
Sempre o carregamos aos lugares que desejavas ir,
Nunca nos fizeste festas, por nos encontrar sempre
Contigo; já a esses esqueletos milenares, que com o
Tempo viraram marfim, ouro, platina, prata, mármores,
Variados metais desconhecidos, tu calculas quanto
Valem; e nós, não valemos nada? nós que o sustentamos,
Velho, quando tremes alquebrado e com medo de cair;
Meus ossos que me levais, por mais caros que sejais
Para mim, onde, por ventura, encontraria quem quereria
Pagar, um preço bom por vós? nos açougues das
Cidades estão à venda ossos inda frescos, com
Nacos de carnes, com cartilagens, tutanos e com
Preços bem mais em conta e que podem ser
Aproveitados num suculento ensopado.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Alameda das Princesas, 756, 58; BH, 040902012.

Todo texto novo, só serve se for velho, todo
Texto moderno, só serve se for ultrapassado;
Todo texto que está na moda, só serve
Se estiver fora de moda; todo texto vivo,
Só serve se estiver morto; escritor
Que é escritor, vive recluso, em eteno
Casulo, vive como se estivesse asilado,
Num asilo dum albergue, nas montanhas,
Ou nas entranhas dum subterrâneo;
Todo texto raso, tem que ser profundo, todo
Todo texto profundo, tem que ter fundo de barro,
Como fundo de poço, onde se deposita
A melhor agrila para se moldar um
Utensílio; todo texto nobre, tem que
Ser erguido, como se ergue uma
Montanha, de grão em grão de terra,
Que depois é solidificada pelo tempo;
Todo texto qualquer o cego enxerga, mas,
O texto sublime, ao visionário, é preciso
Tatear, enxergar com todos os olhos, como
A boca fala todos os nomes; todo texto
Mortal, só entrará para a posteridade,
Quando o autor estiver na eternidade,
A escrever nas linhas do infinito,
As palavras que regem o segredo da
Imortalidade; todo texto embriagado,
Causará uma ressaca, uma dor de cabeça,
Mas depois de digerido, virá uma lucidez,
Uma noção, uma luz de razão, do poste
Fincado no coração; todo texto pode
Ser escrito, as letras estão aí, ovelhas;
Todo texto pode ser formado, as palavras
Estão aí, rebanhos; todo texto pode ser
Firmado, os pés estão ali sustentados, nas
Pirâmides que flutuam nas areias dos desertos.

Alameda das Princesas, 756, 57; BH, 040902012.

Não líamos, não lemos e não vamos ler nunca,
Não somos chegados à leitura, aos livros,
Às letras, às palavras, aos verbos, à gramática;
Somos uns assassinos da arte literária,
Matamos as obras-primas, os romances e
As obras de arte; não preservamos a cultura,
Ou a educação, o ensino. ou o erudito;
É uma pena desprezarmos assim a
Poesia, não fazermos questão da escrita,
De falarmos bem o idioma; é horrível
Quando assassinamos a língua pátria
E não nos envergonhamos; e isso faz
Com que nos perpetuemos nos erros e no
Falar inconvenientemente; meus pais queriam
A minha perfeição, o que era impossível;
Minha mãe na matemática e o meu
Pai no português e no inglês, não me
Davam trégua, o que me faziam até não
Compreendê-los; e percebo que estavam
Com a razão, se não passamos a coisa certa
Aos nossos filhos, eles passaram aos deles,
Que persistirão nos mesmos defeitos; e me
Chega a notícia, que a Biblioteca Nacional
Está cheia de infiltrações, ratos, baratas,
Cupins, traça; percebo que no Brasil é uma
Causa perdida guardar os os livros;
Preferimos perpetuar no poder, um pária,
Que nos sai tão caro, igual ao José Sarney, do
Que proteger uma biblioteca; preferimos
Manter um congresso de parasitas, que
Custa-nos os olhos da cara e um
Judiciário luxuoso, mas inútil, que não
Tem eficiência para nós e abandonamos
Os livros; realmente somos um povo
Inusitado, conservamos políticos inescrupulosos
E destruímos a nossa valorosa cultura.

Alameda das Princesas, 756, 56; BH, 040902012.

Rapaz, aprendi a deixar de ser ansioso,
Creia, aprendi a deixar de ser
Desesperado e angustiado; e dei um
Grande passo em direção à evolução:
Aprendi a deixar de ser estúpido; e
Dei uma guinada no meu caminho,
Aprendi a deixar de ser bizarro; rapaz,
Nem te conto, acredita, tracei um
Norte em minha vida e adquiri
Conhecimento; aprendi algo importante,
Como deixar de ser mesquinho,
Mórbido; e as coisas básicas que impediam
A minha sobrevivência, consegui
Dominar com um pouco de perfeição;
Já falo melhor, escrevo melhor e
Vejo um pouco melhor; já sei até
A andar e nem me aborreço mais;
E a alegria chega ao peito, quando
Se aprende algo, é pura maravilha,
Quando se aprende a beber e a comer,
É ótimo quando se aprende a viver;
E confesso a ti, sem sombras de
Dúvidas, aprendi a deixar de ser
Ignorante, é como se uma luz,
Brilhasse em mim; e já presto atenção
E observo muitas coisas das quais,
Não tinha percepção; que benção,
Meu irmão, sinto-me um deus,
Por ter acabado de atingir, o que
Mais almejava; mortificava-me o não
Saber estas coisas, acredita, mumificava-me
Esta falta de teor; vê bem, em poucos
Minutos, quantas coisas te falei, com
Quantos sons preenchi teus ouvidos; antes,
Encontrava-te e era um mudo no mundo.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Alameda das Princesas, 756, 55; BH, 040902012.

Cantaram que o samba acabou, contaram
Que o samba morreu, mas o que sei, é
Que nada disso aconteceu; o samba
Viveu, o samba vive e o samba viverá na
Alma daquele que sabe encantar, nos pés
Daquele que sabe sambar, na boca de
Quem sabe cantar, com a altivez e a
Elegância de um sabiá; a minha terra é
Terra de bambas, mestres, menestréis e
Bacharéis, mulatas, passistas e malandros;
Batucadas, madrugadas, um verdadeiro
Carnaval, a minha terra é um terreiro
Nacional; aqui desembarcaram todos os
Deuses africanos e nos brindaram com
Os seus cantos nagôs, suas rezas e
Cantigas, pais e mães do samba, com
Seus tambores sagrados a nos ensinar
Na palma da mão, o que levamos para o
Altar da mesa de um bar; o samba é eterno
Minha gente, o samba é de chinelo, pé no
Chão; e o samba também é de gravata e
Terno, de bermuda e camiseta, o samba
Não é para se guarda na gaveta; não é
Para se envergonhar na hora de sambar 
E batucar, o samba é uma louvação,
Cantemos o samba em oração; que
Maravilha são os tamborins a baterem
No peito de uma bateria, chocalhos nas
Mãos, no ritmo do coração, a cadência do
Samba é a minha salvação; o samba já
Chegou ao céu, desde os tempos de Noel
E outros bardos retumbantes, que aqui
Deixaram no papel, as raízes plantadas
Nesta terra fértil, árvores que dão frutos para
A história do samba que é a nossa glória.    

Músicas de Natal no Cavaquinho

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Alameda das Princesas, 756, 54; BH, 040902012.

Machu Picchu que era a cidade eterna,
No cimo mais alto da Montanha Velha,
A verdadeira Morada do Sol; e os incas
A construíram no século XV e lá, as
Brincadeiras mais apreciadas eram os
Estudos astronômicos; e os cálculos
Com precisão dos solstícios e dos
Equinócios; a civilização avançada foi
Exterminada pelos colonizadores, com
O assassinato do último nobre imperador,
O Túpac Amaru; essa é a tristeza da
História, o direito que a colônia pensa
Ter, ao exterminar o colonizado; e com
Isso põe fim a um período de sabedoria
E de evolução, além do saquear das
Riquezas; e foi o que aconteceu, também,
Com os astecas e com os maias; e esses
Espanhóis criminosos, inda nos tempos
Modernos, vão à África exterminar a
Fauna, que já quase extinta, principalmente
Os elefantes, como fez a pouco, esse feio
Rei espanhol, Juan Carlo, um grande mau
Exemplo de nobreza; e não chega nem
Aos pés  dum nobre, como foi o Túpac
Amaru; hoje, os espanhóis sofrem as
Maldições lançadas contra eles pelos
Espíritos daqueles que exterminaram; por
Histórias assim, que às vezes me pego a
Chorar e choro por tais crimes, tais almas,
Tais civilizações, que os colonizadores,
Hediondamente, riscaram da face da
História; quem dera se nós tivéssemos a
Sabedoria desses antepassados, o
Conhecimento desses ancestrais sagrados.

Alameda das Princesas, 756, 53b; BH, 020902012.

Cada um faz a democracia à sua maneira,
O que torna a nossa democracia mambembe;
Uns colocam nos automóveis, sons que ao
Mortal comum, ensurdeceria; outros, viram
Na cara dura, e dizem assim, ao transeunte:
Não pode parar aí na calçada não, vai
Atrapalhar a frente da loja; e fala isso para a
Pessoa atônita, ali, a pé, sem nenhum remorso;
E outros colocam na portaria do edifício, na
Parede do lado de fora: proibido aglomeração,
Como que se alguém que mora ali, manda
Alguma coisa nas pessoas que circulam pelas
Adjacências; é cada uma que vejo, que chego
A ficar impressionado; como pode alguém
Pensar, que por ser estúpido, o povo todo é
Estúpido ou imbecil? é muita falta de civilidade,
Muita falta de cordialidade; democracia é
Plena, geral e irrestrita à toda a nação brasileira;
Não se pode, de acordo com as circunstâncias,
Cada um fazer a sua lei; aí fica muito complicado,
Atropela-se o respeito, destrói-se o direito do
Cidadão, ao abusar do direito próprio, como
Se fosse um privilegiado; a democracia é para
Ser amada, preservada para todo o povo
Unido, andar de mãos dadas com ela;
Democracia é para ser idolatrada, reverenciada
E não atacada através das coisas mais banais;
E um país igual ao Brasil, imenso e que se tornou
Referência no mundo, a democracia tem a
Tendência de permanecer mais sólida e cada vez
Mais influente ainda; um viva e um salve ao
Brasil, à sua democracia e ao seu povo.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Sir Gilbert Levine conducts Beethoven Symphony No. 9, Mvt. 4 "Ode to Joy"

Alameda das Princesas, 756, 52; BH, 020902912.

Perdoais estas minhas lágrimas, é que
Tirei o domingo para chorar; perdoais
Este meu pranto, é que escolhi hoje
Para lamentar; quero gemer sem
Parar, ai, ai, ai, ai, quero chorar,
Porra, chorar muito, caralho, preciso
Chorar; deixais-me chorar, assim
Que se escreve, ou como é? não sei,
Porra e nem quero ter motivo para
Saber; quero chorar e se tendes, ou
Não motivo, chorais também por
Alguém, por qualquer coisa e se não
Chorais, parais agora, saiais de perto
De mim; só quero companhia de quem
Chora, de quem gane, de quem faz
Igual os pretos faziam debaixo das
Chibatas atados aos pelourinhos;
Chorais para lavar aquelas pedras,
Onde o sangue deles fico marcado;
Chorais igual os pretos faziam, quando
Chegavam à Porta da Viagem Sem
Volta; salve, Mandela Mandiba, mau pai,
Salve, Mandiba Mandela, é, sou assim mesmo,
Chorão, meu pai velho; não fica com
Vergonha do teu filho chorão; é muita
Dor em meu peito, é sofredor o meu
Coração; Pessoa, neste momento não
Finjo, a única prova que tenho do meu
Pranto, é este canto; tu, que é uma
Fortaleza, nunca me mostraste um
Choro teu; e moraste na África e
Conheceste vários de ti dentro de si
E nenhum derramou uma lágrima; mas,
Lamento, tudo para mim é tormento e
Alguém aí, diz para amim assim: perdoo-te.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Alameda das Princesas, 756, 51; BH, 020902012.

É domingo, vejo os sabiás na amendoeira
E não acredito, é domingo, choro neste
Momento; as andorinhas passeiam no azul
E a única coisa que este estúpido sabe fazer,
É chorar; levanta os olhos para cima, imbecil,
A amendoeira está a zombar de ti e até os
Bem-te-vis não te dão a mínima; e as letras,
As letras saltitam, fogem de ti, e o mais cruel,
Perdeste as palavras, as palavras estão na
Tua dianteira há bilhões de anos-luz e tu
Não pegas nada, não percebes nada, não
Tens um bilionésimo de segundo de
Percepção; todas as tuas portas estão
Fechadas, meu caro, e Brecht inda quis
Ajudar-te, mas és imperfeito demais;
É domingo, não vejo mais a amendoeira,
Os sabiás e nem os bem-te-vis; não vejo
Mais o firmamento e acredito, então,
Estão todos lá fora, existem sem mim e
Não existo nem em mim; sequei a
Lágrima, disfarcei a voz, não choro mais,
Inda fungo um pouco, mas não é isto que
Faz-me existir; o que me faz existir, é não
Sentir fragilidade, é sentir confiança, fé
Na minha garantia, acreditar na minha
Segurança, no meu poder de potência,
Na minha consciência; é nisto, se tivesse,
Que existiria, mas, não tenho, não me
Tenho e então, não me sou; aonde
Andarão os meus pensamentos? quem
Sabe de mim? aonde andarei que não me
Encontro de forma alguma? Bertoldo,
Besta, gritei, é domingo, Bertoldo, não
Obtive resposta, mas alegrei-me até
Que enfim, olhei para mim, que final feliz.

Raul Seixas: as melhores.

My Funny Valentine - Miles Davis [1964]

Alameda das Princesas, 756, 50; BH, 020902012.

Fragilizado, vi árvores mortas, vi
Matarem índios, loucura, vi colocarem
Fogo nas florestas, sério, vi queimar
A fauna viva, vi queimarem a flora
Viva, doidice, meu, é muita maluquice,
Derramaram petróleo no mar; e
Inda matam baleias que amamentam,
Cantam; matam golfinhos, focas e
Seus bebês, é demais meu;
Fragilizado, fico fragilizado e choro à
Toa, matam mulheres, crianças, é
Muita insanidade, falta de consciência,
Matam anciãos; tem gente que tem a
Coragem de acabar com o belo e
Mata um adolescente; que loucura,
Meu, só muito doido, só muito louco,
Se todo mundo escrevesse um poema,
Se todo mundo escrevesse uma poesia
No lugar de jogar bombas, no lugar de
Colocar fogo nas coisas, poluir a
Natureza; é demais ao meu coração
E fico rude, a morrer e fico morto,
É muita maldade; desviam dinheiro
Da saúde, da merenda escolar, é
Muita ruindade que espalham no meio
Do povo: a miséria, a pobreza, a
Desgraça; é muito ódio, rancor, ira,
Raiva, é muita falta de educação e
Fazemos questão de demonstrar que
Não somos educados, não somos
Civilizados; não exercemos a cidadania,
Não respeitamos o direito dos outros,
Não sabemos o que é democracia; só
Por que tem demo no nome pensamos
Que é coisa do demônio; e é uma
Palavra tão bonita, democracia, deveria
Ser escrita com letras maiúsculas: pena que
Não a colocamos em prática, temos vergonha.

Alameda das Princesas, 756, 49; BH, 020902012.

Aqui não passa ninguém, quanto mais um
Alguém, nem passo aqui; e quando
Olhei sem querer olhar, não é que
Vinhas lá; e pensei, Deus gosta demais
De mim, gosta tanto de mim, que
Deu-te para mim; é tua, toma
Lá, leva para casa; fiquei tão
Feliz, mas tão feliz, que sozinho,
Senti-me no meio de uma multidão;
Sozinho,vi-me acompanhado,
Tu estavas do meu lado, Deus estava
Do meu lado, eu estava do meu
Lado, minha alma estava do meu
Lado, meu ser estava do meu lado,
Meu espírito estava do meu lado,
Minha sombra estava do meu lado,
Não faltava mais ninguém do meu
Lado, não faltava mais alguém do
Meu lado; parei, pensei, procurei, gritei,
O mundo está aqui do meu lado,
O universo está aqui do meu lado;
E senti-me curado e vi-me sarado,
São, não estava mais doente, insano,
Inconsciente, agora gente; e não posso
Mais dizer aqui não passa ninguém,
Quanto mais alguém, se vi na areia
As pegadas de Deus, vi o olho azul
Dele a me olhar de dentro do mar,
Ouvi a voz de Deus a me falar no
Marulhar das ondas, meu filho, quero
Te amar; meus olhos encheram-se
De lágrimas, chorei, lavei o rosto,
Receio ver a face; é muita perfeição
Para mim, não mereço, não posso
Alegrar-me assim, sou tristeza, sou dor, só
Mesmo Tu, Senhor, para fazer-me emocionar.

Alameda das Princesas, 756, 48; BH, 020902012.

Não gostou nunca de mim por que quis
E por que não quis; não gostou nunca
De mim e não gostar de mim, é não
Gostar do meu samba, da poesia do
Meu samba e da minha poesia; não
Gostou nunca de mim por que quis e
Não gostar de mim, é não gostar dela
E nem do poema que fiz para ela e
Nem do poema dela e do poema que
Ela é; e a dediquei minha dedicatória,
Minha vida e minha história; e o que foi
Que fez? o que toda mulher não faz e
Disse até nunca mais; ora vejais vós sós
E rasgou o meu paletó; igual a uma
Traça no livro, o encheu de furos, no
Duro e gargalhou na minha cara palhaça;
Sem dó ré mi fá sol la si chuva aqui,
E com a clave no meu coração; me
Deixou na mão, sem bilhete e sem
Passagem, não passei na linha do trem;
Era tudo que faltava e me faltou e não
Sobrou para mim, nem o bagaço da
Laranja; e foi assim que o meu samba
Acabou antes da madrugada e voltei
À casa sozinha vazia sozinho; e eu que
Era malandro bamba, arrependi-me e
Fiquei com remorso; e se era para
Ficar assim, melhor não fazer, mas, o
Tolo não aprende a viver; pelo
Contrário, o tolo não ensina nem a
Morrer; e todo mundo o olha e o vê como
O bobo da corte apaixonado, a beber nas
Esquinas; não gostou nunca de mim por que
Quis e por que não quis e foi assim o fim.

Sonny Clark - Deep Night

Alameda das Princesas, 756, 47; BH, 0310802012.

Quanto tempo perdido sem olhar a lua
E quanto tempo perdido sem fitar o horizonte;
Quanto tempo perdido sem furar o azul
Do firmamento com o olhar
E quanto tempo perdido sem sentir na face
A brisa do mar;
Quanto tempo perdido sem saber aproveitar o tempo
E depois é chorar;
Ai, perdi meu tempo e não vivi,
Não sorri para uma criança
E nem admirei a sabedoria de um ancião;
E aí é lamentar e reclamar da vida
E amaldiçoar o tempo;
Quanto tempo perdido sem assuntar a tarde do sertão
Ou acompanhar o voo da garça,
A coreografia do gavião
E o plainar do urubu;
Quanto tempo perdido carro de boi,
Meu boi zebu;
Que falta que me faz agora,
Aquele tempo que tinha a hora
E não aproveitei;
Lancei nas águas das fontes
E dos riachos e dos regatos,
As lágrimas das saudades que me tangiam o peito
E quase que afoguei-me;
Quanto tempo perdido sem observar os luze-cus,
Os besouros que moram nos ocos dos paus,
As lavadeiras nas beiras dos rios e suas cantigas e
Suas roupas estendidas nos varais a quarar;
Quanto perdido sem apreciar o café coado,
Que o cheiro ia longe invadir o peito;
Quanto tempo perdido e nem o nosso santo Marcel
Saberá mais buscar para nós esse tempo veloz,
Que voou para distante;
São Proust que ilumine os caminhos,
Para que encontre e encerre a busca de tudo
Que não tive e estava bem aqui perto de mim,
Diante dos meus olhos cegos;
Quanto tempo perdido sem enxergar o tempo perdido.

Alameda das Princesas, 756, 46; BH, 0310802012.

O universo quando quiser, interage
Comigo e o infinito pode se apoderar
Do meu coração; sou finito, sou mortal,
Mas, estou à disposição dessas monstruosidades;
E o interagir com o universo e ao ser
Possuído pelo infinito, torna-me também
Tão universal e tão infinito quanto;
Uns fazem questão de religiosidades,
Cultivam santos e deuses, querem para
Si céus e salvações, paraísos e vida
Eterna no meio dos anjos; nesse quesito
Sou bem mais ambicioso; quero ir além
E de todas as religiões criadas pelo homem,
Nenhuma me surpreende e não me
Apeteço a fazer parte, deixo  todas as
Religiões a seus criadores e a seus
Seguidores e que a mim, não
Encham-me o saco; não quero ser
Vítima de nenhum fundamentalismo
Religioso; o dia em que quiser, crio
Também uma religião e me enriqueço;
E o primeiro mandamento seria,
Gostar de dinheiro, depois não dividir
Nada com os pobres, comer do bom e
Do melhor, só iguarias e beber os mais
Caros vinhos; amar as mais belas mulheres,
Mas, como sou mais ambicioso, já disse,
Confesso que seria pouco para mim;
Quero é romper as barreiras universais,
Descobrir o fim das paralelas, transportar
O infinito para dentro de mim, e ir lá no
Berçário dos universos, ver os universos
Inda nenês, muitos dos prematuros em
Incubadeiras, outros a mamarem nos peitos
Das mães, ou em mamadeiras e adotar um
Que seja órfão, com todas as circunstâncias.