sábado, 6 de dezembro de 2014

Alameda das Princesas, 756, 28; BH, 0230802012.

Gani, ladrei, lati, uivei, urrei, berrei e a
Sociedade não me deu atenção; e 
Esperneei, pirracei, birrei, teimei e a 
Elite me deu desprezo; e reclamei, 
Grasnei, crocitei, vinguei, gritei, discursei
E a burguesia ignorou-me; relinchei, dei
Coices, empinei, joguei-me de ancas,
Empaquei e o estado esmagou-me; e 
Sou vítima, cobaia, paciente, robô,  
Sou o povo que paga, sustenta, banca
E é explorado; sou o povo que carrega
Nas costas a alimentar, manter, aturar
A plutocracia e seus três poderes
Executivo, legislativo e judiciário
Caros, que sugam os parcos recursos,
Que o povo dispõe; e sou o povo,
Que para garantir as mordomias, o 
Status quo, os privilégios dos seus
Algozes, tem que abrir mão de saúde,
Educação, moradia, segurança, transporte,
Serviços públicos de qualidade, cultura,
Lazer, alimentação, para não faltar nada
Aos apaniguados que comandam a 
Sociedade, a elite, a burguesia, o estado,
Os três poderes, executivo, legislativo,
Judiciário e funcionários públicos;  e 
Igual ao povo, não aprendi, não me 
Adaptei ao estilo de vida condicionado; 
Mas igual ao povo, não posso me revoltar,
Tenho que pagar, os bancos não sobreviverão
Sem mim; os políticos precisam comer,
Viajar para a Europa, depositar verbas em
Paraísos fiscais, comprar carrões, mansões,
Marcas de grifes, morar em coberturas;
Os políticos precisam enriquecer e para isso,
Eu, o povo, junto com o povo, precisamos
Abrir mão, viver na miséria, criar nossos filhos na 
Pobreza; não podemos extinguir nossos opressores.







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