terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Alameda das Princesas, 756, 35; BH, 0250802012.

Gabriel Garcia Márquez e eu, depois da
Idade em que chegamos, podemos nos
Dar ao luxo, à liberdade, de pensar e
Falar e escrever o que quisermos; e
Temos tudo em comum, Gabo, Prêmio
Nobel de Literatura e eu sem nenhum
Prêmio, ou licenciatura; e Gabo guarda
Muitas putas nas memórias e também
Tenho minhas lembranças recheadas
Delas; como acredito que nem todas
Das que tive eram tristes, as dele
Também, nem todas foram tristes, como
Já chegou a dizer; gênio da literatura
Sul-americana, Gabriel Garcia Márquez,
Cismou de nos entristecer; há pouco
Tempo, mandou dizer ao mundo, que
Não ia mais escrever; aí, quem ficou
Triste fui eu, não foram mais as putas,
Nem as deles e nem as minhas; o
Mundo ficou triste e mudo, o mundo
Ficou pasmado, Gabriel Garcia Márquez
Não vai mais escrever; dizem que é
Devido a idade, porém, agora com
Mais idade é que é a hora de escrever;
E avançados na idade, que adquirimos
O salvo conduto de pensar e falar e
Escrever com a liberdade ampla e
Geral e irrestrita; não precisamos mais
De metáforas e de outras linguagens
Subentendidas, com figuras subliminares;
Tornamo-nos crianças e tudo nos é
Possível e nada mais nos é impossível;
Para quem não sabe, somos amantes, o
Gabo e eu, somos amantes da literatura,
Gabo escritor e eu aprendiz e ledor; mas,
Com essa teimosia de não querer mais
Escrever, Gabo vai acabar por me aborrecer.  

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