sábado, 30 de setembro de 2017

Um poeta não pode ser um artista; BH, 0300902000; Publicado: BH, 0270902013.

Um poeta não pode ser um artista, 
O martírio é a poesia de um poeta,
Um poeta não faz arte, não faz obras-primas
E faz trabalhos penosos: não pensa, não constrói 
Tijolo sobre tijolo, se arrasta onde Jesus foi 
Crucificado, renuncia a si próprio, morre num monte 
Sem vegetação, não tem a inteligência com a forma 
Aproximada dum crânio calvo; a vida de um poeta tem 
Que ser um calvário, um poeta não é uma clareira,
Não tem a parte da cabeça clara como a calva e
Só o pensamento calunioso; e a escrita que serve
Para caluniar a natureza, o rabisco que
Contém a calúnia, a vergonha de ofender,
Atribuir falsamente, fato definido como crime;
O poeta é caluniador, calunia a própria mãe,
Faz da calúnia o alimento, a digestão de
Ofensa grave, com acusações de pessoa de
Estatura pequena; de boneco camundongo, de
Qualquer coisa diminuta, o fetiche que o representa
Pequeno, divindade secundária do culto banto,
Calunga de calundu de mau humor; a irascibilidade
Da poesia de marinheiro de primeira viagem,
Indivíduo sem prática em qualquer atividade
Poética, estudante novato de uma escola sem
Sem escola, uma faculdade sem faculdade,
Um calouro caloteiro que dá calote na literatura,
O poeta é esta figura; não paga o que deve e
Faz do escrever o não escrever, faz do calotear,
Não pagar uma dívida, o contrair para passar a
Intenção contraída; e a peça que protege as
Extremidades dos eixos dos automóveis, da terra,
A parte de uma esfera, ou cilindro, compreendida
Entre planos paralelos, o poeta vive fora das calotas;
E não tem o corpo caloso, não tem o calor, não
Apareceu na tomografia computadorizada, não tem
Qualidade do que tem qualidade; não tem a dureza
Da calosidade o poema ardoroso, veemente ao
Observar as flores, calmoso ao sentir o mar, caloroso
Para a medição da quantidade de calor dos corpos;
E da parte da física que trata da calorimetria, do
Aparelho que produz calor, não para matar; secar a
Água na fonte, a flor na terra, o fruto no pé e o que
Mudar a energia sob forma de calor, para salvar
O amor calorífico; o aquecer da luz do sol, ó,
O desenvolver ao calorificar, para que esses seres
Mantenham temperatura constante; desenvolvimento
De calorificação nos corpos dos animais e o coração
Usar o teor calorífero, aquecer os recintos
Fechados, onde o sangue esconde a caloria;
A umidade com que se mede a quantidade
Que deve ser fornecida a um grama de água
Sob pressão atmosférica normal, para que
A sua temperatura passe de 14, 5° a 15,5° de quem
É sensível calorento, que tem, ou onde há
Calorão excessivo abrasador no auge da luta;
Coragem na refrega, animação e a sensação que
Se experimenta quando se toca, ou se aproxima
De um corpo quente de mulher, fenômeno físico
Que determina a elevação de qualquer
Temperatura, montículo, inchaço em qualquer
Parte do corpo, igual a um calombo, uma
Substância dura, tal a que une e consolida
Ossos fraturados; e por pressão, ou fricção continuadas,
A causar o endurecimento da pele em certo ponto,
Um calor temporário, abafado, quente, tranquilo,
Sem vento, calmo, com importante tranquilidade,
Sem ausência de fatos e ocorrências e a cessação
Do movimento das águas; a calmaria com a
Maria Cal, até tornar a acalmar, a calmar a amar o
Mar com o sedativo de um beijo; o medicamento
Que alivia dores, acalma e tranquiliza, serena
Com serenidade de um calmante de carícia; uma
Carícia mais avante, mais adiante, mais forte do
Que o mar em toda hora do dia, da noite com
Calma, abafamento, atmosfera; um cálix de
Vinho, um cálice de sangue, um calista pedicuro
E um gênero de  música improvisada e cantada, o
Calipso natural do Caribe, triângulo amoroso das Bermudas.

Não sei perdoar e nem esquecer; RJ/SD; Publicado: BH, 01º01002013.

Não sei perdoar e nem esquecer,
Se alguém me faz um mal e 
Penso que isso não é bom;
Mas não consigo mudar, tentar
Viver melhor, com todo mundo;
Nunca tive amor, nem fui criado
Com amor; só sei pagar o mal,
Com o próprio mal e não consigo 
Fazer o bem, como é difícil viver
Assim; não sei perdoar, não sei
Amar, sou um ser perdido, na 
Vida e no mundo; sou uma 
Molécula, que se desprendeu da 
Matéria e sumiu no espaço; e 
Como sou mau e como pratico o
Mal; não sei viver em paz, que vida
Levo, alguém pode me ajudar?
Dar-me amor, dar-me paz e
Ensinar-me a fazer o bem; quero
Viver também, ser feliz, aprender
A perdoar e a esquecer; quero
Num dia de sol e luz, simplesmente ser.


Limpo no pano; RJ/SD; Publicado: BH, 01º01002013.

Limpo no pano as canções sujas de sangue,
Das minha lágrimas choradas no pranto,
Pranto da morte; corto com a faca, faca da 
Vida, os versos das poesias, poesias
Vividas ao teu lado; lavo-me no sangue,
Da minha alma sofrida, agora que
Foste embora; limpo no pano de chão,
A tua lembrança, mato o meu medo,
Medo de sofrer, apago a tua imagem
Do meu pensamento; afugento o sabor
De teus beijos da minha boca e só em
Sonho te vejo, toda enfeitada de
Estrelas do céu e peixinhos dourados
Do fundo do mar, a vir a voar para mim,
Para o teu amor me dar e prefiro morrer,
Do que sonhar; limpo no pano as canções,
Sujas de sangue das minha lágrimas,
Choradas no pranto da perda de ti.


Gandhi; RJ/SD; Publicado: BH, 01º01002013.

Pele e osso, pequeno e torto,
Sem roupas e sem dinheiro,
Sem amar e sem exércitos,
Gandhi conseguiu, libertar a
Sua nação, de um povo hostil 
Que queria escravizar a sua 
Pátria; não usou violência, nem 
Usou ódio, a sua arma invisível, 
Ninguém via, foi o amor, a não
Violência, o desprezo ao ódio;
Gandhi, um bom exemplo de
Vida e de um verdadeiro amor;
O mendigo que revolucionou o
Mundo, com seu modo de amar;
Explorou a sabedoria e o poder
Mental; não se preocupou com
A religião e nem com a sociedade;
A sua única preocupação, foi a de
Propagar o amor e a de fazer o
Bem; Gandhi, foi mais um santo,
Do que um homem, Gandhi foi.

Para que passar pelo campus a passear pela área duma escola; BH, 030401002000; Publicado: BH, 0300902013.

Para que passar pelo campus a passear pela área duma escola, 
Colégio, ou universidade, onde estão os edifícios?
O desemprego está aí, com o diploma na mão se exige
A experiência que o recém-formado não tem; para
Que essa camuflagem, esse camuflar da verdade,
Disfarçar da realidade, o esconder sob falsas aparências,
Dissimular como numa guerra, nalgum armamento,
Ou local estratégico? a burguesia trata o povo como
Se fosse um pequeno rato doméstico; a elite nunca 
Vestirá o povo de camurça, de cabra montês da família
Das autilópidas; a pele desse animal é usada em luvas,
Sapatos e é também a cor do pêlo pardo avermelhado
Das cavalgaduras; a vida no xadrez neoliberal, a prisão
Por crimes hediondos em penitenciárias, a cachaça que 
Levou o estuprador a atacar e a matar as crianças; a alavanca
De madeira com que se governa o leme dos navios,
A designação de alguns objetos alongados e cilíndricos; a
Planta da família das canáceas, a cana-de-açúcar das
Gramíneas, da qual se faz o açúcar, a cachaça, o
Melado e outros produtos; o canadense, natural do Canadá,
Do fosso que transporta água e do que transporta carros,
Por debaixo do Canal da Mancha, com corte de terreno,
Para comunicação de mares; o estreito de mar e de rio,
Por outras águas são desviados por irrigação e a cavidade,
Ou tubo que dá passagem a líquidos, ou gases nos corpos
Organizados; a frequência de irradiação das estações de
Televisões, intermédio, meio competente, adequado de
Tramitação de processos, ou projetos de leis que só existem para
Pobres, negros, marginalizados, putas; a canalha da burguesia
Continua a reinar, o conjunto de pessoas previsíveis da elite,
Continua com a mesma pregação; na alta sociedade é só
Gente ordinária, ralé reacionária, que não tem caráter e
Nem pudor; é só canalhice do presidente ao senador, do
Deputado ao vereador, do prefeito ao governador, o povo,
Fica sem canalização; não tem como canalizar ideias
E os canos e os canais para os ideais, perdem o efeito
Canalizador, não existe mais o líder que canaliza o povo;
A pessoa que trabalha para colocar, cortar, dirigir as
Valas e conduzir para algum lugar, o Moisés cananeu,
De espírito canalizável, com ato que pode ser canalizado,
Não existe mais em Canaã; vive agora no canapé,
No assento comprido, com costas e braços, deitado com duas,
Ou mais pessoas agradáveis e esqueceu do canarino, já
Esqueceu do natural das Canárias, no Oceano Atlântico;
E sumiu o pequeno pássaro, de canto melodioso, originário
Das ilhas, o canário; a pessoa de voz melodiosa, canarino, e o
Certo jogo de carteado de sois, ou mais parceiros; a diligência 
Policial, a canoa, o corcunda de Notre Dame, atrás da sua bela
Esmeralda e não a encontra; na cesta longa e pouco alta de cipó,
Ou fibras de madeiras flexíveis; a canastra do canastrão,
Do mau ator que não sabe sorrir, não sabe viver, que não
Sabe sofrer, que não sabe cantar igual Janis Joplin, que 
Cantava com o aquém de si e o além de si, com 
O que tinha e com o que não tinha; e buscava
Em qualquer lugar, em qualquer coisa, cada vez
Mais recursos para cantar sempre, eternamente, Janis
Infinitamente Joplin; do canto multiplicado tal plantação de 
Canavial, verde e às vezes cancã; com dança francesa
De movimentos ágeis e velozes, a canção, o canto, a composição
Poética de amor, de tudo mais, para ser cantada, para romper as candelas,
Romper as portas dos tímpanos, com grade de ferro, ou de madeira
E buscar o cancelamento do ódio; o ato de cancelar a ira,
De anular a raiva, eliminar o rancor, impedir a cólera e 
Suspender a injustiça; interromper a violência em todos os meios,
Curar o câncer da sociedade e da designação genérica dos 
Tumores malignos; curar a doença produzida pelo desenvolvimento
Exagerado de células, curar o cancro, mandar para a constelação
E signo do zodíaco; e ouve então o canto do canceriano,
Do nascido sob o signo de Câncer e manda já o cancerígeno
Atropelar outro organismo inorgânico, para não cancerizar-se
E transformar a cancerologia, o estudo dos tumores malignos,
Num ninho de sonho e não num pesadelo cancerológico. 

Não carrego na cabeça nada mais que seja relativo; BH, 0501002000; Publicado: BH, 0300902013.

Não carrego na cabeça nada mais que seja relativo
A cabelo, ou do que seja delgado como cabelo e só 
Em anatomia, a designação dos vasos delgados que,
Interligam as pequenas artérias e as veias; e da parte 
Física que estuda os fenômenos capilares e nesta 
Matéria não tenho capelo, capuz usado por frades, ou 
O manto de doutor, nem o honoris causa; e o chapéu 
Cardinalício e sim a parte dilatável do corpo de 
Algumas serpentes, o capelão religioso esperto e que 
Chefia um bando que diz missa em capela, tal o padre 
Encarregado de prestar auxílio espiritual nos 
Regimentos militares e preparados para matar em 
Qualquer parte; em pequena igreja e os músicos que 
Tocam nela e estabelecimentos que vendem todas a
Quinquilharias; e não adianta capear, não adianta 
Cobrir, ou esconder sob a capa da falsa verdade e 
Agitar a mentira; catucar a onça com canivete, 
Pequena faca de lâmina móvel que se fecha sobre o 
Cabo; e que se esconde igual a um carango, um
Calhambeque , um carro velho de fundo de
Garagem; um piolho do púbis, uma caranguejola,
Armação de madeira pouco sólida; uma palafita
Amazônica em mau estado e o membro, ou
Adepto do partido político que pleiteava a restauração
De D Pedro I; o apelido dado a Diogo Alvares pelos
Tupinambás da Bahia; o peixe marinho da família dos 
Murênidas, caramuru caramujo, que, representa a 
Pessoa retraída que sou; uma imagem de sombra e 
De silhueta esquisita, um molusco gastrópode univalve, 
Com cabeça, massa visceral, pés, tentáculos e a 
Carregar uma concha de caraminhola, de intriga e de 
Mentira; e no fundo, o que eu quero sobre minhas costas
É todo o sofrimento do mundo; e no fundo, o que quero 
Em meus olhos, são as lágrimas de todas as crianças 
Que choram, que sofrem violências, que são agredidas, 
Espancadas e abandonadas em todas as partes do 
Mundo; no fundo o que quero é que toda injustiça
Do mundo esteja para mim, como uma cara-metade;
Como uma esposa, em relação ao marido, é por
Isso que não quero sorrir, não quero ser feliz, enquanto
A grande maioria vive nas areias escaldantes dos 
Desertos; é por isso que quero a infelicidade, não 
Quero o caramelo, enquanto a maioria vive com o sal 
Grosso esfregado nas feridas; não quero o açúcar
Fundido e decomposto em parte pela ação do
Fogo; não quero a guloseima, feita de açúcar
Assim tratado, a juntar-se café, cacau, se a
Maioria morre de fome no mundo e às vezes,
Nem teve uma caramboleira na infância; ou
Uma planta da família das oxalidáceas no
Fundo do quintal, uma carambola  para matar,
Ou enganar um pouco a fome; só vejo o político
Carambolar, bater sucessivamente, duma só tacada
Milhares de dólares para o seu bolso; como uma bola
De bilhar nas outras duas, a ação da bola vermelha
E acaçapar dinheiro de merenda infantil; e com
Ironia acaçapar dinheiro da saúde pública, a
Fingir espanto e admiração, a pedir CPI
Contra a corrupção e exprime caramba quando
Descobrem que um auxiliar dele está envolvido
Até o pescoço; e com cara-lisa, com cara de pessoa
Descarada, cínica, lava as mãos, a sorrir para
Os holofotes como se nada fosse com ele; e
Precisamos crescer para acabar com o caradurismo
Político, com a falta de vergonha e o descaramento
Com que o povo é tratado; é preciso banir o
Político cara-de-pau, o caradura e demagogo,
Que fala que rouba mas faz, estupra mas não
Mata; e o povo só não pode é capitular, não pode
E nem deve é firmar compromisso, ou acordo
Mediante condições sombrias; o povo não deve é
Render-se aso inimigo e ser reduzido a capítulos e
Vê a sua história chegar a final como o capítulo
Dum livro imprestável 

Escrevo igual ao goleiro dum time de futebol; BH, 0501002000; Publicado: BH, 0300902013.

Escrevo igual ao goleiro dum time de futebol, 
Que, acabou de levar um gol, aos quarenta
E cinco minutos do segundo tempo, numa partida
Final, de disputa de campeonato; e levou
Um frango, falhou na hora fatal e o empate
Dava o título ao seu time: e é aí que ele
Gostaria de estar numa cantoneira; numa prateleira,
Que se adapta ao canto da casa, de ser uma peça
Metálica para quinas de móveis, em forma de
L; um encaixe de papel para fixar fotografia
Em álbuns, tudo que lembra a esquecimento
E a arrependimento, ele gostaria de ser aquela 
Hora, menos goleiro; o que entrou pelo canudo, entrou
Pelo tubo comprido e aquele cacho de cabelos anelados,
Ficou transformado em cão, em mamífero da família
Dos cânidas; numa pessoa ruim, no próprio demônio
Em pessoa e sem perdão e sem desculpas e a
Receber na cara a detonação da peça de
Espingarda que que percute a cápsula e ainda
Foi chamado de cego e de caolho; foi
Chamado de zarolho que não tem olho
E se tem, o olho é torto, vê duas bolas,
Segura uma e a outra entra; escrevo
Igual aquele mendigo que anda na
Chuva, coberto de chagas e não tem uma
Capa, para encobrir seus andrajos; não tem
A peça de vestuário larga, com ou sem mangas,
Que pende dos ombros e se usa sobre a
Roupa; e como o toureiro que não tem o pano
De cor viva usado para enfrentar o touro
E igual ao próprio touro que recebe nas costas,
O que envolve o cobre, alguma coisa pontuda,
Uma cobertura que não é envoltório de
Papel, cartolina, couro, ou outro material,
A não ser o ferro, o metal, não como o que
Protege externamente um livro, uma revista
E a parte da sela que protege as pernas do
Cavaleiro do contato da montada; e o
Motociclista que acaba de cair de testa
No meio-fio e lembrou-se de estar sem capacete,
A armadura de copa oval para a cabeça,
Que impede que o teto móvel de moinho
De vento venha a capar o pescoço, castrar a
Cabeça, cortar e separar com a violência do 
Tombo; escrevo dotado de capachismo, com
Ausência de brio e cheio de servilismo, pois
Não passo dum capacho, dum tapete de esparto,
Ou fibra de coco, onde se limpam as solas dos
Calçados antes de entrar em casa; sou uma
Pessoa servil e sem capacidade, não carrego em
Mim a qualidade de capaz; meu recipiente não
Tem volume interior e âmbito e aptidão e 
Não conheço o que é direito legal e grande 
Sumidade de saber; nada pode me capacitar
E não nasci para habilitar e persuadir, não
Nasci para compreender e convencer-me de que 
Posso ser útil à cultura, à literatura e 
Às letras, às palavras, à poesia, à teoria e à poética
Em geral; nasci capado, um porco capado, barrão,
Para a engorda, um capão de qualquer definição:
Frango, ou cavalo, ou ordeiro; nasci varrão, varrasco,
Nasci castrado; não sou o bosque que se
Destaca no meio dum descampado e só
Sabe inutilizar dalgum modo os meus órgãos
De reprodução; não sou um bom capataz,
Um chefe dum grupo de trabalhadores, capcioso,
Manhoso e ardiloso; e quem me olha, sente
Que sou um indivíduo, ou uma coisa
Que procura induzir ao engano; sou um capanga,
Com os fracos sou valentão, contra os covardes
Ponho-me a serviço de alguém para executar
Tarefas violentas por qualquer bolsa pequena,
Usada a tiracolo em viagens, com menor
Número de moedas do que o Judas recebeu;
Sou um Judas capenga, um comprado coxo, um 
Vendido manco; por qualquer capilé, qualquer 
Bebida composta de água e xarope, perco
O capeamento, perco o revestimento moral que 
Nunca tive; perco manto de doutor, a capilaridade,
O capilar e me vejo um careca sem capuz.

Nada de nada; RJ/SD; Pulicado: BH, 0201002013.

Nascemos dum nada para sermos nada,
A substância ainda informe na barriga da mãe,
Que vai pôr no mundo um nada, surgido do nada;
E que seu destino é ser nada, nada de nada
E vira homem com ódio e furor, a tenta lutar,
Para um dia ser; mas para ser, tem que saber
E saber para o homem, é coisa difícil;
Vive na ilusão, a pensar que é; mata e rouba,
Prende e humilha, não dá para ser;
E continua nada de nada; e não sabe
Que só com amor, o homem pode ser;
Mas ele não sabe e nem procura saber,
Que para ser, tem que sair do fruto do amor
E para ter amor é preciso saber.

Vou aprender a cantar para nunca mais chorar; TO/SD; Publicado: BH, 0201002013.

Vou aprender a canta  para nunca mais chorar,
Vou aprender a escreve para nunca mais passar vergonha,
Vou aprender a falar para nunca mais ninguém falar mal de mim,
Vou aprender a amar para mais tarde não sofrer,
Vou aprender a ser bom para mais tarde ser feliz,
Vou aprender a me comunicar para minha garota não me xingar
E depois dizer que não sei bater um papo
E que não sei conversar;
Vou aprender a beijar para não machucá-la na boca,
Vou aprender a acariciar para não arranhá-la o corpo,
Vou aprender a ser cortês para poder vê-la outra vez,
Vou aprender a pensar para mais rápido raciocinar;
Tudo que for bom vou procurar a aprender,
Pois quem precisa de amor sou eu e não quero
Sofrer e nem quero aprender a sofrer;
Vou aprender a cantar para a minha vida alegrar;
E vou gostar de flores e ela é uma flor,
Para a minha vida embelezar;
Vou aprender a me dominar para nunca mais errar
E nem fazer besteiras;
Vou aprender a ser homem para mais tarde meus filhos,
Não reclamarem de mim.

Sinto um calor intenso mas não é da minha alma; BH, 0301002000; Publicado: BH, 201002013.

Sinto um calor intenso mas não é da minha alma,
É uma canícula que não sei de onde vem; meu
Pensamento magricela é insuficiente para me 
Fazer chegar à alguma conclusão; sinto-me uma 
Isca presa num anzol, com linha e cana para 
Pescar e estou quase a ser engolido por um 
Peixe; sinto-me uma isca delgada, um caniço
Frágil, que não suporta sustentar uma pescaria
Em alto-mar; por isso desprezo o demônio e não
Prefiro as suas ações e as suas intensões e o
Mantenho sempre bem distante de e longe de mim,
Por mais que ele esteja a me brindar e a me sondar,
Guardo-me como a parte não destacável do talão,
Ou livro de recibos, ou cheques; não sou inábil e
Nem procuro ser  canhestro para viver; e realmente,
Não uso normalmente, a mão, ou o pé esquerdos, uso
Sempre os direitos; não sou canhoto e nem uso a
Canhota e tento só iludir-me, a pensar que o meu
Canhoneiro é a minha escrita, a pensar que o meu
Bombardeio, é o meu pensamento literário, sem
Saber, ou talvez até a saber, que bilhões de pessoas
E de seres humanos no mundo pensam e fazem e
Escrevem as mesmas coisas que escrevo; e ao querer
Bombardear com tiros de canhão, é preferível, na
Verdade, escrever, o que não venha a dizer que seria
Canhonear só a verdade; o canhestro não é o dono
Dela, o embaraçado tem é que procurar alternativa
Para desatar o nó; o tímido precisa vencer, deixar de
Ser o desajeitado, que não sabe nada, feito às canhas,
Nada feito a extremidade superior das botas, inferior
Das calças e da peça de metal das fechaduras,
Denominadas e da artilharia e do cânhamo, a planta da
Família das urticáceas, com que se fazem cordas e outros
Artigos têxteis e às avessas; desajeitadamente, como se
Fosse feito com a mão esquerda para quem não a tem, a
Canha do canguru boxeador, mamífero marsupial da
Austrália, de até dois metros de altura e que anda aos
Saltos, não carrega o filhote no cangote; ou na região
Occipital, na mira e sim na bolsa e não o trata como 
A um traste inútil de homem; pessoa ou coisa velha, ou
Imprestável e cada um dos paus que compõem a 
Canga, o cangalho de armação de madeira, que se 
Coloca nas costas das cavalgaduras, para segurar a
Carga que elas carregam dos dois lados; cangalha
Dos óculos contra a miopia e o conjunto das armas
Do cangaceiro; o gênero de vida dos heróis históricos,
Que a sociedade queria fazer de bagaço; e de
Resíduo das uvas depois de tirado o seu líquido;
Porém o cangaço reagiu, o bandoleiro se voltou
Contra o criador, o salteador se virou contra os 
Banqueiros, os latifundiários e os coronéis e os 
Fazendeiros; o cangaceiro reinou para derrubar o jugo
E a submissão, a canga e não deixou que se prendessem
Homens no lugar de bois nos carros; acabou com a candura
Do sertanejo, ensinou-o a não ter mais qualidade de cândido
Com as forças dominadoras; acabou com a ingenuidade, a
Inocência do homem da seca, a pureza do campônio, a alvura
Do que vive na esperança que o governo trará a chuva na
Própria próxima eleição, para fazer verdejar o sertão; e que o
Político do governo irá canforar, misturar, preparar com cânfora,
Substância aromática extraída do canforeiro; e conferir cheiro 
Novo à terra, às feridas velhas e às dores do abandono e ao
Sonho canforado que não vem, ficou tudo no papel assinado
Com caneta-tinteiro, caneta com depósito para tinta a prometer
Depósito para água, prometida através de pequeno tubo de
Metal a que se encaixa a pena de escrever que não tem pena o
Sol forte, a secar o sal grosso e o cebo usado pelos cirurgiões
Para segurar o cautério da canelada, da retirada, o pontapé do
Retirante na canela sem caneleira, sem a liga muito forte que
Os atletas usam nas pernas, a não ser a árvore que dá canela,
E o pó feito da casca dessa árvore. 

Nada tenho para trocar entre a verdade e a mentira; BH, 0301002000; Publicado: BH, 0201002013.

Nada tenho para trocar entre a verdade e a mentira,
Não discuto cambiar o vinho com a água e nem me 
Levo a pender para a mentira, a falsidade; sei que 
Até minto e nem sempre falo a verdade; sou só um 
Poeta a cambalear pelas sarjetas da noite, sujo de 
Carne de mulheres, que vive morto a mudar de 
Direção de acordo com o entortar das pernas, o
Cambar do corpo; o voo da cambaxirra, nome comum
A diversas aves da família dos troglodítidas, eu, este
Troglodita cambembe, a se intitular poeta e sem
Título algum, não tenho o dom de imortalizar; poeta
É o trabalhador livre, que se unia aos escravos no
Serviço da lavoura; é o desajeitado vivente cambaio,
Cambeta pela natureza e gênio pelas letras e não
As de câmbio e a nota promissória respectiva; não
A cambetear a cambial, a cor indecisa, a gradação
De cores, furta-cor irisado, camaleão cambiante que
Cambia com a arte; e com o mudar de cor e de
Opinião, o trocar de comportamento, de sexo, de
Moedas de um país pelas de outro; e fazer
Operações para cambiar nas legislações, ou fora
Do cambiário; da permuta natural, a compra e a 
Venda de metais preciosos, com valor relativo 
Dos objetos cambiados na cotação; automóveis
De mudança, a vida clandestina do negro, que
Só procura o cambista; e negocia com o indivíduo
Que vende fora dos padrões legais, das bilheterias,
Dos teatros, dos estádios, etc; ingressos com ágio,
Cambito com ágio, pernil de porco com ágio do
Malandro perna fina, que corre mais do que a
Polícia; que o confunde com louco curioso e quer o
Imobilizar com algemas, quer tolher os movimento
Dos braços, com espécie de camisa de lona
Resistente e mangas fechadas, a camisa-de-força;
E a camisa de vênus, o envoltório plástico que se
Coloca no pênis para evitar contato direto com a
Vagina; hoje até o amor perdeu a liberdade, virou
Camisaria e a mulher camiseira, virou peça de
Mobília, em que se guardam outras roupas menores;
O camiseiro do homem que prefere camiseta de pano
Leve, usada sob outra de tipo curta, sem colarinho e
De mangas cavadas, que se usa por baixo para
Resguardo contra o frio, ou absorção do suor, enquanto
A mulher fica melhor de camisola comprida de dormir,
Com chá de camomila, a planta odorífera, artarácea, de
Que se fazem infusões medicinais; à beira da camboa,
Da pequena lagoa formada artificialmente junto ao mar,
Igual ao Aruçu, estreito de rio que seca com o refluxo
Das águas; eu, homem estúpido, calabre, grosso, igual
Ao camelo, mamífero ruminante da família dos camélidos,
Não tenho nem noção, do que sofreu o cambojano, o
Natural do Camboja, no tempo de Pol Pot; até a camélia,
Planta da família das tráceas, até a flor, sente mais do
Que eu; este cambota, igual molde semicircular para
Armação de arcos e abóbadas, este indivíduo de pernas
Tortas, cambaio que não dá uma cambalhota, esta
Cambraia, tecido fino e transparente de linho, ou de
Algodão, existe mais do que eu; até este gado de pêlo
Totalmente branco, é mais útil do que eu; que não chego
Nem a cambucá, a fruta do cambucazeiro, árvore das
Mistáceas; e o que restou de minha vida, esta cambulhada
Que sou, porção de inutilidade, cambada de futilidade,
Roldão de medo, atropelo de covardia, de só de ver o
Camburão, o carro de polícia, para transporte de presos,
Começo a tremer e a entrar em pânico, tal a presa de
Canibal a ser devorada, pelo que se alimenta da carne
De seu semelhante; verme que se alimenta de verme?
O verme é canibalesco? existe canibalismo, antropofagia
Entre os vermes? não entendo porque o pânico, o pavor
De viver, o horror à vida; a canivetada na veia, o golpe
De canivete por onde o sangue jorra para a calçada, o
Mundo canino, o dente de cão preso à carne; a caninha
Do pobre, que ilude, a cachaça do fraco, que o faz sentir
Forte; o cortiço é pior do que canil, a canicultura é mais
Usada do que o verdadeiro sentido de vida;
Amor hoje só o de canicultor.

Coração canceroso e que tem a natureza do câncer; BH, 0401002000. Publicado: BH, 01º0100213.

Coração canceroso e que tem a natureza do câncer,
É daquele peito cheio de tumores, igual à concha; é 
O campo de futebol, no dia de decisão de campeanato,
É aonde se realizam corridas de cavalos, em dia de
Grande prêmio; e não tem como abrir, não tem como
Dar passagem e se mexer é aí que piora mais ainda
E no dia final do cancioneiro, desliga a máquina e
Deixa à mão, a coleção, o livro de canções, de poesias;
Deixe no ouvido a cançoneta, a pequena canção 
Popular musicada, pode até dizer que o moribundo é
Um cançonetista, é um dos que compõe e canta canções
De cunho popular; um Moreira da Silva, um Zeca Pagodinho,
Um Nelson Cavaquinho, ou qualquer outro, Cartola por
Exemplo; fala que este cancro que escreve, esta moléstia,
Esta úlcera venérea, é um candango qualquer; pensava ser
Um utensílio de ferro com que os carpinteiros seguram a
Madeira nos bancos e não passou de uma sombra, de uma
Imagem tênue no lençol. não teve o nome com que os
Africanos chamavam os portugueses; não foi trabalhador
Pioneiro na construção de Brasília e nem teve um poema
Escrito e enriquecido sob a luz de um candeeiro, o
Aparelho que servia para dar iluminação pela queima de
Querosene, óleo, ou gás, nos tempos em que os 
Verdadeiros poetas, se consumiam igual a luz da vela, da
Candeia para escrever, à luz da pequena lâmpada dum
Bico, duma vela de cera; hoje os poetas escrevem à luz
Do candelabro, à luz de grande castiçal, com ramificações,
E cada qual corresponde uma vela, ou lâmpada, ou lustre
Sem cadência; sem a qualidade e estado do que é e do
Que está candente, tal a poética de hoje, o canto que não
Aqueceu muito, a alma que não está em brasa; o espírito
Que não está abrasado e qualquer um só quer candidatar-se
Aos prêmios da mídia, aos brilhos dos holofotes, às cifras
Do grammy e declarar-se poeta, gênio; candidato ao
Oscar e apresentar-se como aquele que concorre a um
Cargo eletivo com a mentira e a falsidade na voz, nos atos
E ao lado dele; aquele que pretende determinado emprego,
Cargo, ou função, a colocar a candidatura, com qualidade e
Apresentação como se fosse um sufrágio; e é o naufrágio do
Cândido, é o naufrágio do puro, o fim ingênuo, a poluição do
Branco; é o alvo de todas as miras e não sabemos mais
Onde o enriquecimento da poesia; onde ficará o valor do
Poema, a obra-prima-clássica-das-belas-artes; a pureza
Do ritual religioso fetichista afro-brasileiro, de influência
Jej-nagô e que rende o culto aos orixás; fica profanada,
O lugar onde se realiza esse ritual, vira palanque, a sede
Religiosa do culto, não é mais respeitada e a antiga
Candonga, se transforma em carícia fingida; a paixão
Serve para mexerico e fofoca e a pessoa querida é
Usada como triunfo contra os adversários; e candongar
Agora só em sonho, adular pode gerar pesadelos e só
Quem lucra é o político candongueiro; mexeriqueiro e
Intrigante, com caneca de fel na mão, com o vaso
Cilíndrico, com asas sem saber voar e o líquido é o
Vinagre com sal; o caneco já está cheio, a transbordar,
É comprida a ambição, o orgulho, a vaidade, a inveja
E toda reunião política neoliberal e globalizante, acaba
A se transformar num canjerê clandestino de dança que
São usados contra o povo; tenho dito no meu canto de
Cantador; quem tem ouvidos ouve quem canta, ouve o
Cantar popular; o poeta cantante, ouçam o musical do
Silêncio das letras, ouve o verso que é para ser cantado;
Os cantares, os cânticos, os cantos populares, ouve até
O cantarolar, o trautear à meia voz, o cântico, o hino em
Ação de graças, o canto religioso, a ode; quem tem ouvidos,
Ouça: tenho dito, cantado, ouça o que o cantador diz, ouça.