quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Um sabor de amor e noite; TO; S/D; Publicado: BH, 0190702013.

Um sabor de amor e noite
Uma noite clara e úmida
Uma mulher beijos e carinhos
Um sabor de calor e paz
Um dia manso e infinito
Um sabor de alma viva
Uma vida com sabor de amor
Um amor com sabor de vida
Uma mulher com sabor de mulher
Um sabor com sabor de saber
Um sabor com sabor de céu
Um ar com sabor de novo
E um mundo sem sabor
E uma vida sem amor.

Abaixo o racismo; TO; S/D; Publicado: BH, 0190702013.

Não quero ser um racista,
Nem propagar o racismo,
Só quero dizer uma coisa:
Quando é que o mundo vai entender,
Que branco não é cor de pele,
Que o preto também não é cor de pele;
Vou tirar o valor de cada cor,
Talvez assim esse problema se resolva no mundo
E é uma vergonha a gente ver,
Homens serem perseguidos por homens,
Conflitos entre os que se dizem brancos
E os que se dizem negros;
A culpa disso é da sociedade,
Se não houvesse sociedade, 
Não haveria essa doutrina;
Não pode haver felicidade,
Onde os seus lutam entre si,
Por causa de uma besteira;
Vamos gente, quantas vezes é preciso dizer,
Que todo mundo é igual?
E libertai de vós mesmos
E ajudai-me a gritar bem alto,
Para todo o mundo ouvir:
Abaixo o racismo
E ajudai a igualar,
Os povos do mundo.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Minha libido não manifesta-se mais e não está em mim; BH, 090902000; Publicado: BH, 0180702013.

Minha libido não manifesta-se mais e não está em mim
E não sei o que há comigo, o meu instinto sexual é extinto,
Não tenhas medo, comigo não corres perigo; podes 
Fazer-me a saudação, como fazes a alguém, na chegada,
Ou na despedida, antes do meio-dia: bons-dias; e aos 
Numerosos autores que, consideram galicismo, no singular,
Bom-dia, que, porém, já está muito arraigada e dou um
Boa-noite, pois sei que não sou bonitote, não sou um
Tanto bonito, formoso e nem carrego nada de bonitete, só
Sei dizer que sexualmente, penso que já estou adormecido,
Já estou morto e não quero saudação nenhuma; e se fosse 
Bonitaço, muito bonito, atraente bonitão e teria trabalho 
Demais dom as mulheres e aí, passaria vergonha bem maior;
Ainda bem que elas não querem-me mais e nem procuram-me;
Fogem de mim, refugiam-se no boninal, no campo de boninas
E deixam-me igual a um bonifrate, a uma pessoa casquilha,
Ridícula de comportamento, leviana de caráter; e faço questão 
De que elas cubram-me de bonicos, cubram-me de excrementos 
Miúdos dos animais; mereço, sei bem, ser coberto de cíbalos, não 
Satisfaço às mulheres e se bongar em mim, se apanhar algo de 
Qualidade, nem a catar vai encontrar; se procurar com cuidado,
É de desistir, nada tenho para substituir e de grão em grão 
Fui-me a esvaziar-me; as mulheres podem ir buscar lenha em outro 
Lugar; comigo as fogueiras delas ficarão sem coisa ara combustão
E sem combustível a vela da minha embarcação é pequena; mesmo 
Que se junta à uma maior, desce ainda mais, até vibordo, igual a uma 
Bonete; sou um fruto fora de época parecido com melão estragado;
Meu pé não pode mais produzir bonecas de milho, embonecar a 
Espiga, bonecar o sabugo e no carnaval entrarei para uma bonecada,
Um bloco de porção de bonecas, já estou quase a assumir;
Ou então transformarei-me num bonduque, planta da família das 
Leguminosas, olho-de-gato, Cesalpináceas, também chamada 
Quartzo com agulhas de amianto; espécie de lantejoulas coloridas em 
Estacas de espaço a espaço, ao longo das estradas e que refletem a 
Luz dos faróis e servem para indicar aos motoristas, o leito carroçável;
Aí serei uns úteis olhos-de-gato e deixarei de ser inútil bondadoso;
O bondoso que hoje só se usa na forma haplológica, pois a queda de 
Uma sílaba completa por vir seguida de outra igual, ou quase igual, a 
Haplologia de vaidoso, de vai doloso e de candinha de candidinha e o 
Efeito haplológico da língua e é dessa forma que a humanidade
Perde a bonacheirice, o humano, a qualidade e o caráter de bonacheirão;
Está todo mundo mais para bomôncia, trepadeira da família das 
Apocináceas do que preocupado em fazer o bem a alguém;
E é a falta disso que leva o mundo a não bonançar, a não estar
Em bonança, a não aproveitar o bom tempo para a navegação 
Pela órbita do espaço; o bom hoje só se encontra na bombonaça, 
Planta da família das Ciclantáceas, semelhante a uma palmeira em 
Leque e de cujas folhas se fazem os chamados chapéus do Chile;
Mulheres, esqueçais de mim, do gênero de insetos lepitópteros, o bômbix,
Uma espécie dos quais é o bicho-da-seda, o bombice e senti a utilidade 
Nas bômbicas; também pudera, assumo, nunca fui mesmo um bombeador 
E nem tive por aparência daquele que bombeia, ou espiona o campo 
Feminino; a mulher ver em mim um inimigo reprovador, todas são c
Culpadas por minha bombeação, elas querem reprovar-me, bombear-me 
Em exames de amor e sexo e libido e coito e cópula; na relva, ou no chão, 
No banheiro, ou no jardim, na esquina, ou no capim, no muro, ou no pé de 
Arvoredo; na cama coberta de bombazina, tecido riscado, de algodão, a 
Imitar veludo; não importa o lugar, querem é dar-me o cascudo; e minha 
Bomba-d'água secou, é a queda volumétrica e repentina d'água e em 
Chuva de trovoadas; é o fim do forte aguaceiro, mais comumente 
Tromba-d'água sem tromba; as bomas-d'água sem água, libido desértica.

Há muito tempo encontro-me em descanso por mais de um ano; BH, 070902000; Publicado: BH, 0180702013.

Há muito tempo encontro-me em descanso por mais de um ano
Até, igual ao barbecho, o terreno que deixa-se assim, igual a 
Mim, em descanso de barbeito, cômoro que divide uma 
Propriedade de outra, pois quando curar-me dos malditos 
Barbelões, tipo as dobras e os tumores que formam-se bem
Debaixo da língua dos cavalos e dos bois; aí, sim, será comigo,
Vou dar meu grito de excluído, disparar do barbete, da plataforma
De onde a artilharia dispara por cima do parapeito; e se tiver
Vergonha de ser barbífero, barbi, do latim barba, o pêlo, passarei 
Pelas ruas barbialçado, de moral levantada, de fronte erguida;
Sou barbiforme sim, só não tenho barbilhão, o apêndice
Carnoso por baixo do bico de certas aves, ou da boca de
Alguns peixes; e aí, será o barrido, o barrito do elefante ferido,
Que aprendeu a barricar, a defender com barricada seus
Direitos, com entrincheiramento provisório, feito com barricas,
Carros, ou estacas; e não tirarei a barretina para a elite, não
Tirarei para a burguesia o boné de copa alta, em sinal de
Respeito; e já encomendei ao barreteiro, ao que faz e ao que
Vende, mas não é para dar barretada, não é para a
Saudação que se faz a tirar o chapéu, não é para cumprimento
Cortês ao burguês; quero é cobri-lo no barreleiro, sujá-lo no
Lugar da cinza que serviu para a barrela, despejar o certo
Na cabeça dele; estou na barreguice, no estado daquele
Que vive com barregã, na mancebia, sou barregueiro com o
São Francisco e não sei se digo salvem o São Francisco,
Ou se digo salvemos o São Francisco, porém alguma coisa
Precisa ser feita imediatamente, se ainda houver tempo,
Alguma coisa em janeirofevereiromarçoabrilmaiojunhojulho
Agostosetembroutubronovembrodezembrosegundafeira
Terçafeiraquartafeiraquintafeirasextafeirasábadomingo 
Barregão, feira não podemos deixar mais o Chico barrigar, o 
Chico berrar, dizer aos berros, o Chico gritar, feito homem 
Amancebado, preso na barregona, coberto de tecido
De lãsetembrooutubronovembrodezembro é o porco que 
Deixou de ser leitão e ainda não é barrão, é o barrasco, 
Dentro do barraquim, a pequena barraca do ribeirinho, é o 
Barrão, o porco novo e não castrado que serve de reprodutor,
O varrasco de varrão, é a carranca do carranqueiro barranqueiro 
Do morador de sopé de barranco na barranceira do grande 
Desbarrancado de porção de barrancos, a barranqueira, leito 
Barrancoso, ribanceira da barranca do barramaque, espécie de 
Tela antiga e preciosa; o leito está barrado, coberto de barro, é 
Uma barra, do campo coberto de barras de metal e de cor, a 
Barradela que só sabe barrar e vai a ficar barracento, vai a ficar 
Barroso e todo o barracamento, todo abarracamento ribeirinho 
Vai a perder o valor, o telheiro para guarda de diversos utensílios  
A ficar esburacado de abandono e à margem solitária só a
Barquinha, a barquilha furada, o pequeno barco esquecido,
Pendente do aeróstato e sem o lugar onde viaja o
Aeronauta; o quebrado instrumento com que se mede a
Velocidade dos navios e à margem, a barqueta,
Perdida no tempo, o baroscópio é o vento, o instrumento
Para demonstrar a pressão do ar e o princípio de Arquimedes
Aplicado aos fluidos elásticos; só o barosânemo, destinado
A fazer conhecer a força do vento e todo o séquito baronial,
As baronias e os barões; o baronato do folclore, senhorio de terra,
Que conferia ao possuidor do título de barão, baronete de nobreza,
Como na Inglaterra, vai perder o reinado na folia
De Reis, vai perder o bumba-meu-boi e a tradição;
Agora é só barometrografia, descrição de barometrógrafo, que
Entende a barometria , o ramo da Física que trata da teoria
Do barômetro, e da medida de pressão atmosférica, e a de
Ação da gravodade, a barologia do barológico, a usar o baroco, o
Tipo de silogismo de segunda figura aristotélica; e baro,
Do grego baros é o peso de bari; e do barnabita, clérigo regular
Da congregação de São Paulo, fundada em Milão em 1530;
E agora a barlaventear, a dirigir o navio contra a parte
De onde sopra o vento, a mochila de couro, a bolsa de linhagem,
A barjuleta cheia de baribita, mineral ortorrômbico, sulfato de
Bário, baritina, hidróxido de barita, meu coração virou barisfera,
Virou núcleo central do globo terrestre, está constituído provavelmente
De metais pesados em estado de fusão, principalmente níquel
E ferro; meu coração também é chamado centrosfera, nife de onde
A lava jorra feito bariri, corrente veloz e precipitada das águas dos
Rios em trechos de sensível desnivelamento, no toponismo,
Paulista o caminho pelas lágrimas traçado no terreno desértico
Do meu rosto de bariolagem, de choro de maneira especial de 
Executar certas peças de música no violino a empregar corda soltas.

Aos banzos e as peças laterais da escada de mão; BH, 070902000; Publicado: BH, 0170702013.

Aos banzos e as peças laterais da escada de mão,
De um bastidor de bordar, para não tropeçar, não dar com o pé
E nem com as mãos, involuntariamente; e nem esbarrar em alguém,
Para que ao encontrar empecilho, ou obstáculo inesperado, evitar
E não cair em erro, não atinar e não incorrer  na falta e
Evitar hesitar diante dos percalços, para não cambalear, não
Cair de tropeções e não pecar ao ser abraçado pelos braços do 
Andor, deixar de ser o baquara do esquife; esperto em
Caixão de defunto não vale e o sabido sobrevive à procela no barco
Estreito e comprido, revestido de baquelita, resina sintética
Que serve de material isolante e de solda de objetos de vidro,
Que se obtém pelo aquecimento na autoclave de uma 
Mistura de formol e de fenol, do nome de seu inventor L. H.
Baeckland; e o baquerubu? a árvore da família  das Leguminosas;
E a tribo Cesalpínea, chamada bacurubu? quero baquetar o
Tambor, quero baquetear com as baquetas, não sei de mais
Nada, não sei aonde anda mais nada; ando sempre embriagado,
Num porre báquico, correlato de Baco, cheio de vinho e de espírito
Orgíaco; e perdi o interesse igual a um baquiqui, um molusco
Da família dos Corlubídeos; pessoa dada ao vinho, não posso
Negar, à embriaguez, não abro mão, sou um dos que gosta
De orgias, um baquista inveterado; perdi o baquité, da mesma
Maneira que os índios perderam os samburás que traziam às costas;
E por um fio perdi a felicidade, por um cordel fiquei amarrado
E o baraço foi o laço para estrangular-me; para fazer-me entrar
Violentamente na depressão, meter-me onde não devia e 
Barafustar a confusão alheia; trapacear na baralhada e só
Ganhar com baralho marcado e mesmo baralhador, o profissional
Que baralha, já caiu no meu golpe e foi aí que fui baratar
Minha vida, destruir meu destino, esperdiçar meu tempo,
Desbaratar minhas ideias, meu ideal virou barataria, multidão
De baratas, virou permuta desvalorizada, prejuízo intencional,
Como o causado aos armadores pelo comandante e pelos tripulantes
Dum navio; meu barateio chegou à escala zero, não arrumei nada
No barateamento da manteiga; o barômetro está caro, o
Termômetro graduado para conhecer a temperatura do
Leite e da nata, no fabrico da manteiga, está mais
Caro ainda; quase barátrico e não transponho o báratro,
Só me resta as profundezas, para poder medir a velocidade
E conhecer a direção das correntes submarinas, com o tal
Baratrômetro; se fosse uma baraúna, grande árvore da 
Família das Leguminosas, de madeira duríssima e muito
Empregada em maquinismo e construções e talvez não
Sofreria muito, se tivesse comigo uma barbacã, uma muralha
Baixa que ficava adiante do muro nas fortificações
Medievais, ninguém diria na minha cara, que 
Não era homem, como já cansaram de dizer; mesmo ao ser
Barbudo do jeito que sou, mesmo ao ter muita barba,
Ninguém nunca respeitou-me; nem o barbadiano, o natural
Da ilha de Babados, Antilhas, já demonstrou assim em motivo,
Com toda barbalhada, tanto medo sem motivo; antes fosse um 
Barbalhoste, com pouca barba e muita coragem, muita fé e 
Muita paixão; o que mata-me, é que sinto-me pior do
Que um barbalho, um ridicular das plantas; e não
Sobreponho-me, não seguro com firmeza o barbaquim, o arco
Da pua; não sei por que deixei-me barbar, se não sei
Nem começar e nem adquirir ar barbaresco, comportamento
Próprio dos bárbaros; é o que é-me estranho, o barbarí, do
Latim barbaru, se não sei ser bárbaro, não sei ser cruel, impor
Meu barbarisco adormecido, barbarizar no salão, embrutecer
Com a sociedade; só sei introduzir barbarismos nos textos,
Só sei cometer barbarolexia, junção de palavra estrangeira
E outra nacional, mal e porcamente; pronúncia errada
De palavras estrangeiras é comigo mesmo, vegetal barbasco
Que sou, das famílias das Compostas e das Escrofulariáceas e
O dia em que livrar-me da barbata, tipo o assento do
Freio na parte da boca do cavalo em que não há dentes,
Penso que poderei falar corretamente, cantar igual gente
E berrar como o barbatão, a rês que, por se ter criado nos matos,
Se torna bravia, que é o que mais desejo; mas não passo
Do barbatimão, a árvore da família das Leguminosas, porém rica
Em Tanino: substância adstringente existente sobretudo na casca do
Carvalho, do castanheiro e do eucalipto e que é o ácido tânico;
Aqui vos falou o barbato, o leigo de barba comprida,
Que tem medo da barbeação e do barbeirola, barbeiro pouco hábil.

Amor sem fim; TO; S/D; Publicado: BH, 0220702013.

Não quero andar penteado,
Não quero andar arrumado
E nem quero andar barbeado,
Mas quero andar sempre,
Com uma mulher a meu lado,
Para aproveitar o meu
Amor sem fim;
Não quero dar satisfações a ninguém
E nem confessar-me;
Não quero saber de nada,
Mas tenho um amor
E é um amor sem fim;
E tenho uma mulher,
Que anda sempre a meu lado
E gosta de mim;
Não quero andar penteado,
Não quero andar arrumado
E nem quero andar barbeado;
Quero ser um pacifista,
Posso ter o corpo sujo
E a mente limpa
E graças a meu amor sem fim,
Todo mundo gosta de mim;
E vivo em paz com todo mundo,
Se quiseres viver assim,
É preciso ter muito amor,
Talvez um amor sem fim. 

Revofusão e confulução; TO; S/D; Publicado: BH, 0220702013.

Vou fazer uma revolução
E vou fazer uma confusão;
Vou fundir tudo: revofusão
E vou trocar tudo: confulução;
E vou fazer também uma guerra,
Contra os que não querem amar
E também contra o desamor
E contra os problemas sociais;
Revofusão e confulução e misturação,
Na outra dimensão;
Se aqui continuar assim
E vou fugir,
Para bem longe daqui;
Confulução e revofusão,
Se mesmo assim não mudar
Nada no mundo, fico por lá mesmo,
A morar na imensidão,
Da grande dimensão infinita,
Do espaço sideral,
Onde não precisarei nem de
Revofusão e nem de confulução.

Dentro do átomo; TO; S/D; Publicado: BH, 0220702013.

Meu reator queimou-se
Com a descarga
Do raio do teu amor,
Que encheu-me de radiação;
Era tanta a energia potencial,
Que meu reator não aguentou
E o raio laser do teu amor,
Partiu-me em dois;
A luz de tão forte cegou-me,
Meu corpo começou a flutuar;
Teu amor era tão leve,
Dava-me uma sensação tão estranha,
Que não sei nem definir;
Misturo tudo,
Quando tento narrar para mim,
O que é o teu amor;
Ele me faz tudo,
Faz-me nadar em um mar cósmico
E leva-me para dentro do átomo;
Faz-me expulsar os prótons e os eléctrons
E dentro do átomo,
O mundo é só nosso;
Teu amor transporta-te também,
Para dentro de mim;
E dentro do átomo,
Meu reator volta ao normal,
Já penso melhor em ti;
Conheço-te e já sei quem és
E dentro do átomo
Vivemos em paz,
Dentro do átomo
Nos amamos.

Minha frauta de pau de borregueiro comanda; BH, 080902000; Publicado: BH, 0220702013.

Minha frauta de pau de borregueiro comanda
Meu sopro de pastor de borregos, ao deixar o rebanho a apascentar;
Nenhum lobo mau o irá fazer borregar, gritar de medo e toda a 
Borregagem estará sob meus cuidados, como se eu fosse 
Um bom cão de guarda; toda a porção borregada, ficará tão
Serena, quanto a própria lã tirada do cordeiro; e a que 
Terei mais cuidado será com a borrega, a ovelha de um ano
De idade e ainda indecisa e frágil na sua ação;
A hiena que ronda, será apenas um borratão, um borrão de
Tinta alastrada, que não levará perigo algum; esteja o
Tempo claro, ou borralhento, da cor da borralha, cinzento, nós
Estaremos atentos; eu, a frauta de pau, o cão de guarda, os
Eus e o fantasma borralheiro, que gosta de estar no borralho,
Que sai pouco de casa, como a gata borralheira, antes de
Meia-noite; já preparei um jeito para ele, um lugar onde juntar
A borralha da cozinha, o forno de cinzas quentes, lá será
Ele jogado minha gente; sem a borraina, sem a almofada
Interior das selas; e o borragináceo, relativo à família
Dos Borragináceos, espécime de plantas que tem por tipo a
Borragem da borraginácea; nos esconderemos nela igual
Borradela, a camada de tinta dada grosseiramente, a borrada, o
Derramamento de porcaria; a porção indecorosa da vida, a asneira
Durante todo o destino, a tolice infinita, a bobagem eterna que não
Nos abandonarão nunca; e em certo ponto, a chegada do
Sintético foi boa, o arvoredo borrachífero, que produz borracha,
Pode enfim descansar; é a árvore borrachice, a borracheira,
Não foi mais perturbada, não deu mais borrachão, a borracha
Grande e a utilidade é só do chifre com fundo tapado
E aberto na ponta, que serve para conduzir água, ou
Bebidas espirituosas; e já não passo de um homem borracho,
Um bêbado sem espírito: infelizmente, mesmo ao estar o tempo
Meio borracheiro, com chuvisco, chuvoso; e borracieiro e pouco
Limpo, não deixo de passar a limpo o borraçal do corpo,
A terra de brejos com pastagens e lameiros; como o veado
Bororó, também chamado camocica, ao matar a fome com
A relva verde, antes que o bororé, veneno com que os índios
Do Brasil, empeçonhavam as flechas, venham-no ferir de morte, para
O jantar de logo mais a noite; e mesmo o que alimenta de
Boroa, ou de broa, de pão de milho, o bororeiro só por isso, é só
Chamado de grosseiro, de rude, tal o borocotó, terreno escabroso,
Cheios de altos e baixos, escavado e obstruído de pedras, de boro,
Elemento químico metalóide, símbolo B, de peso atômico
10,82, número atômico 5, trivalente negativo; mas que traga
O trigo borneiro moído na borneira, mó de pedra. e na mira
Do borneio; capricha no movimento para acertar a pontaria
De canhão, contra o borne, a peça de aparelho de rádio,
Alburno, pequena borla na sacola; pasta de couro com borleta,
Borjaca com bórico, compostos e misturas que encerram boro;
Ácido-tribásico, de fórmula H3BO3, quando bastante diluído,
É empregado como antisséptico e conhecido pelo nome de
Água boricada, em dissolução de boricado e bori planta
Silvestre, ou do vinho borgonhê, ou do queijo borguinhão
E o que importa é que é da Borgonha, França, tal o
Habitante, ou o natural, não faz mal, a França é
Exemplo de qualidade, de história, de cultura, de
Educação, de mais eu falo meu irmão? de
Boreste e de estibordo, do bóreas, o vento norte e do boré,
Espécie de trombeta dos índios; que se matasse com
A bordoeira, a pancadaria mortal, a sova no branco, não
Teria perdido a guerra, a luta, a tradição, as terras, não
Teria sido enganado em nome da religião, em
Nome da colonização, não teria perdido o bordo, a
Árvore silvestre da família das Aceráceas, cuja madeira
É usada em marcenaria, o que não deixa de ser crime ,
Não se tem que usar o ácer para fazer móveis; é necessário
Criar um borderô, uma relação dos títulos de crédito que o
Cliente leva ao banco para realizar operações de desconto;
Canção, cobrança, olha o francês bordereau aí; de quem corta
Árvore para fazer papel, fazer móvel, fazer seja lá o que for; que
Mata índio, que passe no garrote vil, igual o bordelês, de Bordéus, França, todo
Inimigo declarado e que não suporta ver uma árvore de pé e índio feliz.

Está no meu sangue de bordeleiro e no meu espírito; BH, 090902000; Publicado: BH, 0190702013.

Está no meu sangue de bordeleiro e no meu espírito
De bordelengo; nasci para bordel, frequentador assíduo, não
Perco a oportunidade, de me perder, dentro de um
Deles; pode me custar um bordamento da esposa, pode
Custar-me uma bordadura da mulher, a perda de
Uma muqueca de bordalo, de mugem, de tira gosto de
Robalinho; o certo é que pode ser bordalengo, um
Tosco bordel, grosseiro e de mulher ignorante e de
Proprietário tão estúpido quanto eu; chego para lá
Como um bordadeiro, um carneiro de lã crespa, disposto
A ser tosquiado, a deixar tudo ali, até o último
Centavo; sinto-me numa bordagem, seguro como se
Tal estivesse, na madeira do costado dos navios;
Passo por bordador, homem artista que borda pano,
Quadro, história, novela; que na borda do campo,
No limite do campo com a mata, depois de uma
Golada, age igual a uma bordada, uma descarga
Geral da artilharia, como de cada um dos bordos do
Navio; fico a marear, a bordejar e com toda banda
Na ação de bordejar e quanto mais borbulhoso é o 
Líquido, como o que tem mais borbulhas, o que sai mais
Bolhas e o que as forma, mais quero me afogar; é
Um estranho e efervescente: um borbulhento evento
Etílico, que deixa borbulhamento na cabeça e 
Borbulhação no coração; e borbulhagem no fígado, grande
Porção de borbulhas no estômago, formação de gases mal
Formados; é o borbulhador, é o que borbulha, a peça refletora,
A ter no tipo convencional a forma de campânula,
Ou capacete; "hoje há outras formas", instaladas sobre a 
Passagem de emissão de gases afluentes, em cada
Bandeja, ou prato de uma coluna, ou torre de
Borbulhamento com o fim de obrigar os gases que
Escoam, a atravessar o líquido já condensado,
A ficar por cima, o borbulhaço por dentro, a querer
Voltar por onde entrou, com ruído surdo, rouco,
Borborigmo, causado pelo pelo borborismo dos intestinos; e
Essa borboletice adquirida, passa com a ressaca, é
Só capricho e modos de bebida, devaneio de borboleta
Borboleteante pela noite infinita, irrequieto borboleteador
A encontrar sossego na flor do mal noturna do
Borboleteamento do bordel sórdido encardido sombrio;
E a irrequietabilidade do ser feminino no corpo inerte  
De mulher já apodrecida pelo tempo, a alma ainda
Borboleteia pelos sujos balcões; inconstantes pelas mesas
Nauseabundas, volúveis como uma bolha de champanha;
Bórax bordel, minério de cristais humanos monoclínicos,
De borato de sódio, com designação genérica dos sais
E esteres do ácido bórico; e boracita ortorrômbico pseudocúbico,
Magnésio mais cloreto; de borá, abelha social da família
Dos Meliponídeos, na medida da capacidade, na Índia
Faltou o boquim, bocal fatal de instrumento de sopro
Da vida; e o que ao ser visto de manhã, lançado na
Calçada da sarjeta, fez boquiabrir, causar grande
Admiração: sujeito de boa situação, pai de família,
A causar pasmo assim; e ficar pasmado ao acordar e
Boquiaberto perguntar: foi um boquete que me derrubou?
Foi o começo de uma zona apertada entre terrenos
Altos da boemia; buraco do baixo meretrício, sepultura
De boquelho, de pequena abertura ao pé da boca do
Inferno da prostituição de boquejo, proferida
Entredentes: o murmurar da vergonha da dor; o
Bocejar da doença que leva à morte, o falar baixo pelos
Cantos; o falar mal e o intrigar, o criticar ao boquejar
E volta na boquejadura da noite, volta a boquear,
Abrir a boca a respirar com dificuldade, a implorar
Uma ruindade pelo amor de Deus; e sem cautela na
Rifa do azar, o bozó bonzo do sacerdote budista dá as
Boas-vindas como se nada tivesse acontecido aquela noite.

Minha bomba é pequena dum bombacho e não tira e não eleva água; BH, 090902000; Publicado: BH, 0190702013.

Minha bomba é pequena dum bombacho e não tira e não eleva água,
Em poço algum e tem até medo de poço e de cisterna também;
E invejo o bombáceo, das bombáceas, espécime de família de 
Plantas dicotiledôneas, cuja planta mais comum é a paineira; Carlos,
O Chacal, era PhD em TNT, Trinitrotolueno e eu gostaria de ser
Uma bomba H, de Hidrogênio, ou termonuclear; um projétil nuclear
Que graças a altas temperaturas, promove a união de 
Um par de átomos leves para formar um núcleo de 
Átomo pesado, com enorme desprendimento de energia
E cuja potência se exprime em megatons; eu sim,
Gostaria de ser impossível e é só o que a humanidade
Parece merecer: o impossível; Deus me perdoe, porém, penso
Que é a pura verdade e uma centrífuga também,
Dispositivo apropriado para pressionar líquido por meio
De força centrífuga, isto é, o líquido é aspirado até
O centro de um disco em movimento através do 
Qual flui radialmente, a transformar-se sua
Energia cinética em energia que pressiona esse
Líquido na caixa, ou difusor, igual o sangue no
Coração; sem esquecer a bomba atômica, projétil de grande
Poder explosivo, baseado na energia que se desprende
Com a desintegração do átomo; a primeira desse tipo,
Empregada com fins bélicos, foi lançada em 1945,
Pelos norte-americanos sobre Hiroshima, a devastá-la;
A segunda e última, sobre Nagasaki: causou não
Menores estragos; apesar de ser uma das duas pessoas a 
Pedir a Deus, para que não se repita mais esses dois
Erros funestos, fúnebres, mórbidos e sei lá mais o que;
Quero estar sempre a conter substâncias explosivas, que 
Rebentam com estampidos; e no sifão para transvasar, nos
Aparelhos para esgotar águas dos navios, para encher as câmaras
De ar dos pneumáticos dos automóveis e bicicletas,
Esconder os erros da história; e quero ser uma espécie de doce,
Um acontecimento inesperado, o canudo de metal, ou madeira que se
Introduzem na cuia do gancho, para se tomar o
Mate; e numa bateria de pensamentos, de sentimentos, de
Sentidos, num coletivo de almas, espíritos, mentes,
Memórias, cérebros, cabeças, testas, crânios e guardar
Tudo no meu bolsinho; e no bolseiro, no que vende bolsas,
É justaposição, sim, sedimentação, bolsado, entufado,
Acervo de minério, conteúdo de uma bolsada; é sim
Bolotal, mata de árvores que dão bolotas; cevado,
Bolotado, grande quantidade de bolotada e fico
Triste sim, não perco a bolorência, porra, meu
Caráter não deixa, vou morrer bolorento? pergunta
Meu bolonhês, meu macarrão natural da Bolonha,
Itália; e o vaso de madeira para lavagem das areias
Auríferas e o cilindro de madeira, na coberta do navio
E que às vezes serve de cabrestante; bolinete bolineiro
Que navega bem à bolina, proprietário e não
Frequentador de boliches, bolicheiro, jogar boliche, bolichar,
Achar que é divertido, enganar, que tem bolhas, que tem
Calor, bolhoso nas mãos, salário vão; apresenta bolhante,
Bolhento; e o bolo feito de açúcar, ovos, leite e outras tais 
Substâncias; bolhelho, é sim, diz que é, diz que não,
Não faz mal, bolhar o olhar, apresentar a formar, a borbulhar
E não para a quedar, não basta o baque; o trambolhão
Aumenta, o solavanco vai ao chão, no tombo que se 
Dá no animal laçado e no final sou o boletineiro,
Indivíduo cujo mister ser portador de boletins e sim,
Particularmente de telegramas; a pessoa que faz o boletim
Final, sou eu mesmo e não sei o que sou a 
Não ser a boleima, grosseiro, uma pessoa palerma;
Atoleimada na ignorância que Deus me deu e 
Não me tirou jamais, por mais que eu clame e implore;
Tira-me do lugar do cavalo e me coloque na boleia,
Na peça de pau fixa na lança da carruagem e onde
Se prendem os tirantes, o assento do cocheiro; e do
Motorista de automóvel, que me tira da cavalgadura
E me transforma em boleeiro, meu Deus.

Tenho dentro de mim ente desprezador e ser acintoso e espírito vicioso; BH, 0110302001; Publicado: BH, 0230702013.

Tenho dentro mim ente desprezador e ser acintoso e espírito vicioso 
E outro libertino, debochativo que, só faz debochar e zombar das 
Filosofias, escarnecer das leis da elite podre, da burguesia que fede  
E troçar das leis da natureza; e desafiar com zombarias, com ar de
Debochador, daquele que debocha mesmo do governo, seus  
Asseclas; e é debochador íntimo de ministros, deputados, debochado
Com senadores, devasso igual a toda maioria dos políticos, libertino, 
Corruto tal qual a classe que domina; e tenho dentro mim, um  lado 
Extravagante, gaiato, zombeteiro, trocista igual o atual representante 
Do governo que não tem qualidade, nem debo da casta de uva preta 
E só sabe falar tanto e agitadamente, quando é para falar contra os 
Trabalhadores, contra gente só sabe bradar por direitos, contra o povo 
Clamar, gritar, contra a nação; e quando defronta com poderoso, fica
Com medo de deblaterar, fica seco e trêmulo, não tem utilidade, 
Quantidade de água fornecida por corrente, fonte de unidade de tempo 
E será grande e infinito, o débito dele com o país, que  a história terá 
Vergonha de registrar; jamais poderá pagar a parte da sua conta com 
Alguém e lança que, forneceu e pagou credores, a dívida dele será 
Vergonhosa; se a história debitar e inscrever o nome dele como 
Devedor, não será como lançar uma quantia, não será como na troca e 
Nem desfrute, nem debique: será como uma herança de sangue, que 
Se pode debitar na saga dum povo; será como um passado debilitável, 
Para tirar recursos de sobrevivência, causar perdas aos pobres; 
Enfraquecer o orgulho nacional, tirar as forças de todos nós; tornar débil 
O nosso futuro, delibitante o nosso homem e a trazer efeito que debilita 
Nossas crianças; e debilitação é o extermínio da nossa saúde e é
Necessário que demos um basta ao enfraquecimento e à prostração de 
Nossas forças; é necessário que acabemos com a nossa debilidade e a 
Nossa eterna qualidade de débil: de um povo pouco distinto, insignificante
E diminuto; nação de homens poucos enérgicos, imperceptíveis e frouxos; 
E basta de ser fraco e pusilânime, precisamos provar nosso orgulho, fazer
A elite comer pouco; precisamos debicar da burguesia, basta de tocar 
Levemente nas feridas deles, vamos machucá-los, abrir outras chagas, 
Vamos ser os debicadores que não deixam cicatrizar as feridas deles, ao
Fazê-los sangrar cada vez mais em hemorragias mortais; seremos o nosso 
Próprio debenturista, o possuidor do nosso próprio debênture; dono do 
Nosso próprio título de dívida amortizável do estado ou das companhias; e 
Ao debenturar, ao estabelecera  debênturagem, teremos obrigação e 
Debêntures só conosco mesmos: e aí o poder deles será debelatório; nós é 
Que vamos curar, extinguir a maldição deles sobre nós, nós que iremos 
Combater com nossas armas, reprimir e destruir a eterna ação maléfica 
Sobre nós; o povo nada mais irá debelar, vencer, dominar, ou subjugar a 
Nação brasileira, só se quisermos, é que o que debela, volta o dominador 
E seremos nós o vencedor, seremos nós um país sem debelador, a 
Debelação será só a debatidura em praça pública, nós a decidir o nosso 
Futuro e não a ser mais o debatidiço igual ao peixe que bate muito fora d'água,
A debater sim, democraticamente e discutir sim, austeramente, disputar 
Honestamente e contestar respeitosamente; nada de agitar-se como se 
Estivesse numa masmorra, a estrebuchar, debate com elevação discussão 
Sadia, altercação sem violência e contestação evoluída, não pegaremos por 
Exemplo por paradigma os modos deles no congresso, não os teremos por 
Referência, queremos vê-los fugir desordenadamente do momento, queremos 
Só aplaudir a debandada deles, a fuga desordenada e o debandar geral.