segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Empacado aqui neste domingo nebuloso; BH, 0200502017.

Empacado aqui neste domingo nebuloso,
Com águas pluviais a misturarem-se com
Águas fluviais e águas lacrimais com
Águas de corizas nasais, todos os poros
Corporais choram e fluidos sensoriais, as
Dores existenciais; as flores morrem nos
Caules e acompanham os mortos dos
Velórios aos enterros e quem ontem
Desfrutava vida, hoje desfruta morte no
Desterro; estrangeiro estranho dos idos
Idos, passageiro do destino incongruente,
Faz o coração cruel a destilar fel e o 
Fígado opilado a destilar sangue venoso;
E o mundo é virtual, com tudo a iludir o
Astronauta descuidado, o argonautas
Que, perdeu a astúcia e a sagacidade; e 
De onda em onda, à deriva pela cidade
Formada de simulacros e de oásis 
Fictícios e de desertos reais e físicos,
Que cada um faz questão de preservar
No coração; e a pensar-se um titã, um 
Talos, um ciclone, um ciclope, um
Polifemo, um furacão, um tudo posso
Naquilo do meu poder e da minha 
Potência e justiça e da minha vontade; 
Um o universo sou eu e acabou-se 
Quem pensava diferente; e desfaz-se 
Em água acarne e em cinzas em cima 
Da mesa, os ossos de marfim do
Esqueleto da caveira de sorriso eterno.

Não via inspiração em lugar nenhum; BH, 0210602017.

Não via inspiração em lugar nenhum,
Daltônico, via tudo cinza, não conhecia 
O azul; olhava para o céu e era um 
Descaso, enxergava o horizonte e não 
Achava graça; e às vezes pensava que,
Sofria de cegueira branca e indiferente, 
Não reverenciava o vento nas falésias, 
As manifestações do universo; desprezava
Eclipses, alinhamentos de planetas, brilhos
De quasares, caudas de cometas cabeludas
E das coisas antigas, dizia que eram coisas 
Antigas e que não serviam para nada; era 
Uma tristeza sem fim, não cantava uma 
Canção, não recitava um verso, não 
Pisava descalço o chão, não amassava o 
Pão e vivia pelos cantos da casa de rosário
Nas mãos; tinha nojo de insetos, besouros,
Cigarras, borboletas, libélulas e louva-deuses,
Esperanças, gafanhotos, grilos, sapos; não 
Amava calangos, lagartixas, taruiras, joaninhas;
Rico em adjetivações negativas, menosprezava
A felicidade, a paz, o amor, a criança, a mulher
E gabava-se de ser assim; péssimo ator 
Coadjuvante, passava de personagem principal,
De protagonista indispensável, de personalidade
Com celebridade e paparazzi nenhum o 
Fotografava; pensava a fama acachapante, para
Ser um famigerado e não media o preço a pagar
E quanto mais ouro pagava, menos valia à uma
Análise de um olhar; glutão, beberrão, estômago
De hipopótamo, paquidérmico com quelônio,
Mistura de bicho preguiça; e nas vezes nas 
Quais pensava, só pensava que era o tal, o ás e 
Não passava de um especialista nas coisas 
Fúteis e inúteis e notórias e aleatórias de simplório. 

Oração à Santa Maria da Conceição Santos Medina; BH, 0160202017.

Santa Maria da Conceição Santos Medina, 
Nos mais dos teus cem anos que viveste,
Aqui entre nós, particularmente, não herdei
A tua pureza; a culpa não é tua, a culpa é 
Minha, pela incompetência, de absorver
As tuas coisas boas; e minha Santa Mãe,
Os poetas verdadeiros não gostam de 
Demonstrar amor e mesmo sem amor, por
Desprezar, todo amor que dedicaste a mim
E por ser um pseudo poeta, um falso bardo,
Quero dedicar-Te esta oração, minha Nossa
Senhora Santa Maria da Conceição Santos 
Medina, zelai por mim, é que mesmo sem 
Merecer, continuei por aqui, a desfrutar 
Desta vida que, a Senhora agarraste nela,
Com toda a Tua garra, coragem, fé, ousadia
E audácia; e a besta quadrada aqui, não 
Aprendeu nada dos teus ensinamentos, não
Deu ouvidos às tuas palavras e nem seguiu 
Os teus exemplos e os teus caminhos; 
Moderada em tudo, só tiveste excesso na
Arte de amar, de fazer o bem sem olhar a 
Quem, de servir, pois, dizias, quem não 
Vive para servir, não serve para viver; e 
Muito obrigado pela vida que me deste,
Pelos caminhos nos quais me colocaste e 
Que, teimoso, obtuso, ignaro, fiz questão
De desviar de todos, como um transviado
Incorrigível; nada fiz para honrar o Teu 
Santo Nome e só me surgiu esta ideia 
Profana, de elevar-Te esta oração, a 
Qual espero que aceites, com a maior
Das atenções disponíveis, amém e até logo.

FLORBELA ESPANCA: Os versos que te fiz.

Deixa dizer-te os lindos versos raros 
Que a minha boca tem pra te dizer! 
São talhados em mármore de Paros 
Cinzelados por mim pra te oferecer. 

Têm dolências de veludos caros, 
São como sedas brancas a arder... 
Deixa dizer-te os lindos versos raros 
Que foram feitos pra te endoidecer! 

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda... 
Que a boca da mulher é sempre linda 
Se dentro guarda um verso que não diz! 

Amo-te tanto! E nunca te beijei... 
E, nesse beijo, Amor, que eu te não dei 
Guardo os versos mais lindos que te fiz! 

domingo, 17 de setembro de 2017

VICTOR JARA, O ÚLTIMO POEMA: SOMOS CINCO MIL.

Somos cinco mil
nesta pequena parte da cidade.
Somos cinco mil.
Quantos seremos no total,
nas cidades e em todo o país?
Somente aqui, dez mil mãos que semeiam
e fazem andar as fábricas.
Quanta humanidade
com fome, frio, pânico, dor,
pressão moral, terror e loucura!
Seis de nós se perderam
no espaço das estrelas.
Um morto, um espancado como jamais imaginei
que se pudesse espancar um ser humano.
Os outros quatro quiseram livrar-se de todos os temores
um saltando no vazio,
outro batendo a cabeça contra o muro,
mas todos com o olhar fixo da morte.
Que espanto causa o rosto do fascismo!
Colocam em prática seus planos com precisão arteira,
sem que nada lhes importe.
O sangue, para eles, são medalhas.
A matança é ato de heroísmo.
É este o mundo que criaste, meu Deus?
Para isto os teus sete dias de assombro e trabalho?
Nestas quatro muralhas só existe um número
que não cresce,
que lentamente quererá mais morte.
Mas prontamente me golpeia a consciência
e vejo esta maré sem pulsar,
mas com o pulsar das máquinas
e os militares mostrando seu rosto de parteira,
cheio de doçura.
E o México, Cuba e o mundo?
Que gritem esta ignomínia!
Somos dez mil mãos a menos
que não produzem.
Quantos somos em toda a pátria?
O sangue do companheiro Presidente
golpeia mais forte que bombas e metralhas.
Assim golpeará nosso punho novamente.
Como me sai mal o canto
quando tenho que cantar o espanto!
Espanto como o que vivo
como o que morro, espanto.
De ver-me entre tantos e tantos
momentos do infinito
em que o silêncio e o grito
são as metas deste canto.
O que vejo nunca vi,
o que tenho sentido e o que sinto
fará brotar o momento...”
Somos cinco mil
En esta pequeña parte de la ciudad.


Somos cinco mil.
¿Cuántos seremos en total
en las ciudades y en todo el país?
Sólo aquí,
diez mil manos que siembran
y hacen andar las fábricas.
¡Cuánta humanidad,
con hambre, frío, pánico, dolor,
presión, terror y locura!
Seis de los nuestros se perdieron
en el espacio de las estrellas.
Un muerto, un golpeado como jamás creí
se podía golpear a un ser humano.
Los otros cuatros quisieron quitarse todos los temores,
uno saltando al vacío.
Otro, golpeándose la cabeza contra el muro.
Pero todos, con la mirada fija de la muerte.
¡Qué espanto causa el rostro del fascismo!
Llevan a cabo sus planes con precisión artera.
Sin importarles nada.
La sangre para ellos son medallas.
La matanza es acto de heroísmo.
¿Es este el mundo que creaste, Dios mío?
¿Para esto, tus siete días de asombro y de trabajo?
En estas cuatros murallas sólo existe un número,
que no progresa,
que lentamente querrá más muerte.
Pero de pronto me golpea la conciencia.
Y veo esta marea sin latido.
Pero con el pulso de las máquinas
y los militares mostrando su rostro de matrona.
Lleno de dulzura.
¿Y México, Cuba y el mundo?
¡Que griten esta ignominia!
Somos diez mil manos menos
que no producen.
¿Cuántos somos en toda la Patria?
La sangre del compañero Presidente
golpea más fuerte que las bombas y metrallas.
Así golpeará nuestro puño nuevamente.
¡Canto, qué mal me sales
cuando tengo que cantar espanto!
Espanto como el que vivo,
como el que muero, espanto,
de verme entre tantos y tantos.
Momentos del infinito
en que el silencio y el grito
son las metas de este canto.
Lo que veo, nunca vi
Lo que he sentido y lo que siento
hará brotar el momento.

sábado, 16 de setembro de 2017

Que emoção é superar o limite e a paixão e o desejp; BH, 0220240502001.Publicado: BH, 02101002013;

Que emoção é superar o limite e a paixão e o desejo;
Suspender uma encomenda do sentimento e desistir do
Medo de morrer e desencomendar a covardia com a fé;
Que sensacional, desencoivarar a mente e descoivarar como se
Fosse limpar um terreno e depois de limpo, olhar para ele com
Olhos de lince e separar os dedos que estavam enclavinhados; e
Destrançar as pálpebras e destravar o olhar, desenclavinhar
Para secularizar-se, como deixar dogmas de uma ordem religiosa
Para os lados; e abolir o claustro, e desenclaustrar, desvencilhar dos
Arreios, enxugar a cilha, desencharcar o charco e aproveitar
O terreno do peito, desencatarroar o nariz; e curar-se do catarro
E do engaste, do cartão ao desencastoar, pois ir à lua, ou
Ir ao sol e ao desmanchar todas as distâncias e desalojar
Do castelo os fantasmas medievais; o homem continuará
A ser homem ao desencastelar-se de uma ideia fixa e de
Uma mania mórbida de fazer alguma coisa; de dissuadir
Da cabeça os pensamentos e de desencasquetar do cérebro
E destruir o emprego do mau que estava encartado e o tal
Encarte descarrilar e desencartar o baralho que faz o jogo
De desencaminhar e de desencarreirar o rebanho que vê o caminho
Bonito, lustroso e quer alegrar descuidadamente e não
Observa o carrancudo; a carranca maldita da inveja
E ao lutar para desencarrancar o vício, ao debater-se para
Desencarquilhar do pecado, sente que já é bastante tarde
Para desenrugar; e triste demais para alisar e chora,
Perdeu a desencarnação, perdeu a oportunidade de desencarnar,
De passar para o mundo espiritual; de morrer na coragem,
Deixar a carne podre e a matéria morta e tem gente.
Que não é sábia e sabe muito bem depreciar o sábio; e
Tem gente, que não é inteligente, mas sabe muito bem
Aviltar também, desencarecer o alvejar; zomba do purificar e foge
Por detestar o embranquecer, essa gente não gosta do branqueamento,
Pensa que o único alvejamento válido é o da pele e a 
Única expurgação é a do pobre; essa gente é que precisa
De limpeza, precisa de desencardimento, ou morrerá
Sem libertar-se; morrerá sem soltar o ser e sem desencarcerar
A alma: alizar o cabelo, pode até ser bonito, mas não é 
O mais importante; desencrespar a carapinha é vaidade,
Desencarapinhar é moda e onde fica o natural? onde 
Fica o real? aprenda a desenredar os próprios mistérios e a 
Desencarapelar os caracóis dos anéis e a desencaracolar os da
Bomba H; e não revelar qual é o sem capote e desencapotar
A bola do canto e o canto da bola trazer ao convívio para
Desencantoar o que faz perder as ilusões; e desencanta o encantado
E a desilusão do desencantador, se afastar o empedramento,
Se rolarem as pedras e desempedernir os atalhos, valerá à pena?
Também desempedrar a sombra refletida no paredão da rocha
Do rochedo do precipício e usar a desempenadeira e 
O aparelho de desempenar e nivelar por cima no esparaval 
Rico desempenado é direito e forte e galhardo e destemido
E elegante, porém, é morto; o espírito é duro e desempenar
O rico ignorante, o empeno da alma dele é muito resistente,
Impossível endireitar; é muito aprumo e galhardia e
Elegância e agilidade, um desempeno de morto e a
Desistência da perrice e a teima, o desempeno do dinheiro
É de doer o coração, não suportar o desempenamento do
Cifrão; apodrece preso no falso valor do emplastro, no
Virtual desemplastrar e do crime que causa o desemplastro
Nas plumas e nas penas das aves, no desemplumar dos pássaros,
Mesmo que eu pareça lhano e tratável; modesto e limpo, higiênico
E desempoado: não entreis em contato comigo, contamino pelo
Espírito, intranquilizo pela alma; podeis limpar o pó
E podeis sacudir a poeira, ao pó todo mundo retornará,
Podeis desempoar, tornar afável, mas se não barrar os preconceitos
Não adianta desempoeirar; é preciso aplainar, igualar, desempolar,
As ampolas contêm veneno e o veneno mata se não fizerdes
Descer de posição tão elevada, se não desempoleirar, sem
Abater o ser e cair do poleiro; não vais, então, agilizar a
Desempolgadura; e desempolgar é esquecer, é largar o ânimo,
Desgarrar o mau e deixar cair, depor da posse e destituir e
É desempossar, andar para abater o orgulho e a vaidade; corrais
Para desemproar, perder e soltar o cabo do medo e ainda 
Desencabar a covardia, que quer desencabeçar o frágil,
Desencaminhar o fraco; e dencabrestar o animal, o burro, libertar
A mula, desenfrear a besta, soltar o equs animal,
Não arrependo deste tempo perdido; a era da desencadernação
É o futuro, a época do desencadernar chegará e ai do
Solto e descosturado e descosido e desconexo, ou que não está
Encadernado e está desencadernado, como um arrancar de
Capa de livro; e descosturar em sutura de pós-operatório e
Descorar a cicatriz da pele, desencadernar a entranha
Da medula e a mandíbula do maxilar: feliz ao
Perder o azar; ao ser feliz e ao ter sorte, desencaiporar de
Vez o mau agouro e desencaixar um corpo do outro,
O tubo do cone no desencaixe da junta na articulação;
No desencaixamento do músculo do osso e a desencaixadura
No nervo, na carnura e o desencaixilhar a paisagem, o
Caixilho da janela, o desenquadrar a porta e o desemoldurar
A natureza viva no desencaixotamento dos elementos; e o
Desencaixotar da caixa e do caixote, pois o que se
Espera ainda da escrita? e da filosofia? e da poesia?
O que se quer mais da literatura? e das letras? e das
Palavras? alguém poderá dizer-me o que se espera mais
Do pensamento humano? e do sentimento da raça
Humana? desde que a escrita é escrita e a
Primeira letra foi inventada e depois de descobertas
Todas as letras, foi criada a primeira palavra, tudo já
Foi dito, pensado e escrito; nada mais livrara-me
Desta desenlacração, este sentimento de livrar dos apuros de escrever
Alguma coisa que agrade e que traga prazer pelo menos a mim
Mesmo; nada mais irá desenlacrar-me e quitar essas dívidas
Literárias que assumi comigo mesmo; é pior do que dificuldade
Financeira, se eu conseguisse um desencalhe urgentemente
E se fosse alvo de desencalho e criasse e escrevesse e pensasse;
Mas, o quê? pegunto, nada mais existe para desencalhar
Nestes termos, nem o refrescar-me da calma, para moderar o
Ardor de querer mostrar prova e competência; e o tranquilizar e não
Desencalmar e repelir do meio do caminho o desencaminhamento e a
Perversão, a corrupção que entope o canal e o cano; e tudo que
Possa acelerar e desencanar a desencantação, o desencantamento
E a desilusão; e para desempedernir o coração, amolecer o homem,
Abrandar ânimo da fúria e enternecer a voz: amar, com todas as forças,
Fé e paixão; com todos os sentimentos, sentidos, formas e conjugações
E evitar empecer, deixa livrar a todos, sem exceção, pois ninguém
Merece privilégio maior do que o outro; nem prerrogativa acima
Do outro, quanto mais desvio da regra geral para beneficiar os
Que se pensam superiores e merecedores de atenção especial;
Só para desembaraçar a mente e desimpedir a lembrança,
Lembrai-vos, que pelo menos no papel, na teoria, todos
São iguais; para desempecer a si próprio, o melhor é
Que desempece os atos, desempeces as ações, para que todos
Desempeçam, também e que vós desempeçais mais ainda e
Todos conjuguemos ao mesmo tempo: desempeçamos os nossos
Elementos na natureza; desempeça os movimentos também,
Que do meu lado, desempeço aqui nestas palavras todos os meus 
Preconceitos e complexos e dogmas: o maior bem é desempeçar 
O bom do caminho do mau e o mau do caminho do bom.


Cheguei só para falir a empresa na qual era; BH, 01201102000; Publicado: BH, 02301002013.

Cheguei só para falir a empresa na qual era
Comandatário, era sócio de sociedade em
Comandita, quando entrei só com o capital; 
Cheguei para pôr a perder a sociedade ao lado
Dos sócios solidária e ilimitadamente responsáveis,
Há os que entram apenas com os capitais e não ter
E nem participar da administração e mesmo
Assim, levei ao chão, à total ruína, o colosso do
Meu coração, a coisa de pessoa corpulenta e de
Tamanho mais exagerado que tinha; matei
A grande capacidade e o poderio de coisa muito
Boa e vantajosa e em grande quantidade que
Trazia dentro de mim; da mesma maneira
Que ruiu Rodes com suas proporções, todo o tal
Instinto colossal que me identificava, ruiu também;
E por ser assim, tenho que ruborizar-me também,
Tenho que tingir-me de vermelho e adquirir
Ares de vergonha; enfeitar o espelho que refleti-me,
Realçar a imagem disfarçada e fazer brilhar o
Falso diamante que represento agora; e tenho que
Pintar um novo rosto em mim, matizar-me e
Dar cor nova, colorir de vivo, o teor cadavérico do
Rosto; preciso de um realce, de um brilho de
Espírito Santo, de combinações de várias cores,
Preciso de cor de sangue, de colorido de veias;
De carne com condimento feito de pimenta, urucu
E colorau; preciso de carne de coloração viva,
Para impedir o colóquio, a conversação entre os
Vermes, como a que acontece entre duas, ou mais
Pessoas, para impedir o assunto coloquial, que querem
Fazer por pensar que a minha carne está putrefata; e
Sei que não passo de um colono, de membro de uma colônia, o
Pior do trabalhador rural, o pior que o estabeleceu e no
Promover a colonização pode fazer; o pior fruto a colonizar
E cujo colonizador não aceita mais, pois quem
Coloniza é responsável pela cultura colonialista;
Pelo que pratica e defende o colonialismo,
0 sistema e o regime político-social fundado
No domínio sobre nós como colônia, da qual
Não sabemos fugir, não sabemos sobressair e romper
Todo o nosso elo colonial e comportamento de
Colonos; e não no local onde os associados de certas entidades
Passam as férias; transformada em estabelecimento penal,
Em que o condenado realiza trabalhos agrícolas, era
Possessão de um país fora de seu território; e grupo de
Pessoa que se estabeleceu em terra estranha, povoação
Da colônia que habita o cólon, a parte do intestino grosso,
Entre o ceco e o reto, o colo; e o colombiano, natural da Colômbia,
Ou a substância composta de aglomerado de moléculas
Dispersas em solução aparentemente sólida, de aspecto
Semelhante ao da cola, ao caloide coloidal, com os dizeres
Com que se concluiu ma obra-tipográfica, a indicar
A data e lugar de impressão colofão; e a plástica que
É obtida pela ação de álcool e éter sobre celulose e
Empregada em cirurgia e fotografia, o colódio que faz
Obter emprego, ou trabalho; faz conseguir classificação,
Faz tomar uma determinada posição e proporcionar
A quem quer trabalhar uma esperança; e expor à venda
O trabalho, a obra, não deixar a literatura e
Dispor e coordenar, colocar a inteligência a serviço
Da sobrevivência da cultura da raça humana;
Esta é a situação que apresento e de ter a colocação
De um corpo sobre os joelhos e de trazer e de carregar 
Nos braços, como a criança que não sabe andar, 
Achegada ao regaço e ter no colo, nome, parte, vários 
Objetos, ou órgãos que lembram corpo, o pescoço,
Os ombros, tudo especial da mulher; o colmo, igual caule das
Gramíneas, não ramificado e dividido em nós, a colmeia,
Cortiço e morada de abelhas, onde grande número se 
Movimenta, com a colite da inflamação e sucessão de 
Consoantes que produz som desagradável; que produz 
Conflito de deveres de atribuições, abalroamentos e 
Embates recíprocos de dois corpos; o colidir da carne 
No osso, a colisão do peito no coração, na conjuntura
Dos olhos, a fonte de onde caiu a lágrima, o colírio e
O medicamento, o líquido que se aplica sobre a pedra
Ressequida da colina, na subida do pequeno monte, para
Ambicionar o horizonte; ter em vista o azul do céu, visar o bem
Do firmamento, o adequado instrumento para observar o
Universo; e colimar até ao último portal; ao unir-se
Em toda a distância do ano-luz, por coligação cósmica,
Aproximar as órbitas, unir e associar os astros e coligar na
Força de atração mútua, nações, partidos, pessoas, alianças,
Ligas; e plainar o ser oposto, ou contraditório, chocar a mentira,
Abalroar a ilusão, ir de encontro à falsidade e colidir
Com as velhas estruturas de comportamentos e os velhos
Padrões; a cólica crônica, a mórbida dor intensa tipo
A da região abdominal, em particular a localizada
Nos órgãos ocos; nos colibris e nos beija-flores, na porção
Que a colher comporta, a colherada a receber, a deduzir
A fome; a desprender a mudança, a perceber o imperceptível,
Apreender as emoções, obter sensações, alcançar satisfações,
Pegar as vibrações; e apanhar as reverberações, acolher
Os louros da vitória, recolher as unhas das garras e tirar
E separar o joio o trigo; e colher da haste e do galho,
Do cimento e do barro, da argamassa, a obra de cabo; e
De utensílio formado por lâmina geralmente triangular 
E provido de espírito de pedreiro, idêntico ao levar à
Boca a conha, aquilo que se colhe e ajunta dos produtos
Agrícolas de um ano, na colheita que nem sempre dá
Obras de bons frutos; e a repartição pública onde se pagam
Impostos, a coletoria, de modo geral, o funcionário que
Coleta, ou recebe os impostos, que colige, que reúne em
Volta do coletor, do substantivo que mesmo no singular,
Designa grande número de coisas, ou pessoas; e o que pertence
A um conjunto e abrange e que compreende numa
Sociedade para o coletivo, na qualidade de vida
Em coletividade, onde todos são um colete de
Gesso; um aparelho ortopédico feito de faixas
Gessadas que circundam o busto; e o espartilho e a
Espécie de cinta para mulheres a peça do vestuário,
Sem mangas e sem gola, que se usa sobre a
Camisa e por debaixo do paletó; e a colher material para 
Estudo e o coletar e lançar contribuição; e a coleção de
Várias coisas, seleção de trechos de autores diversos,
Ou de um só autor; a coletânea de recolhimentos de
Depoimentos, de quota para obra de caridade, ou de
Despesa em comum e a quantia que se paga na coleta
E é o preço alto do colesterol, da substância cristalina,
Que se encontra nas gorduras, nos cálculos biliares,
No sangue, no tecido nervoso, a causar moléstia,
Como se estivesse atacado de cólera, colérico, cheio de 
Vírus, de indignação violenta; de ira e de ódio e de grave
Moléstia infecciosa, em geral de caráter epidêmico, provocador.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Porque cobrais de mim perfeição e competência; BH, 01201301102000; Publicado: BH, 02301002013.

Por que cobrais de mim perfeição e competência,
Ou até mesmo a salvação? porque cobrais de mim eficiência?
Porque cobrais de mim e não me deixais em paz?
Quereis que eu seja algo, além do que possa ser,
Se sou uma mulher africana, que embala o esqueleto
Do filho nos braços; o filho já está morto, porém,
No seu instinto materno, na sua esperança de mãe, pensa
Que ele está só a dormir; porque cobrais de mim a
Realidade, a verdade, a vida, o caminho, a liberdade?
Sou aquelas africanas cujos filhos morrem de fome e
Os maridos, ou foram mortos, ou estão em campos de refugiados,
Ou nas guerras, ou nas guerrilhas; e então, porque é que,
O mundo inteiro vem cobrar de mim? uma codorniz, uma
Ave da família dos Tinamídeos, uma codorna, então,
Porque é que, o mundo vem cobrar de mim? não sei
Cocoricar, cantar de galo, nem no meu quintal; só
Sei ficar de cócoras, agachado, como se estivesse a fazer
Cocô e com medo das fezes, do excremento social que é
Produzido pela humanidade; não passo de uma cocoroca,
Um peixe da família dos pomadasídeos, de cor amarelo-esverdeada,
Que, não tem valor, não vale um cocorote, um cascudo,
Um coque no coco, um cocre no crânio; um dinheiro gasto de
Cabeça por uma cocote, por uma meretriz de zona de boêmia;
Usuária de coca, a cocaína derivada do arbusto das
Cristoxiláceas, cujo alcaloide extraído das folhas e usado como
Anestésico e estupefaciente, a gerar cocainômano, pessoa
Viciada, sem quociente de consciente e sem cociente de
Inteligência; e passa a vida e o tempo no cochilo,
No descuido e no erro de cochilar, cabecear com sono e
Dormir de leve e acordar morto; e dormitar pouco e
Descuidar-se e quando desperta, a morte já deu a
Coça, já deu a surra fatal; já retirou da cabeça o
Cocar, o penacho, o laço distintivo, a roseta colorida,
Como se fosse para enfeitar montaria; e a cocada, o
Doce seco de coco ralado em pequenas porções, transforma-se
Em grandes desejos impacientes; em tentações, e até
Descobrirmos que não é uma simples cócega, uma boa
Sensação agradável e irritante, causada por atrito,
Ou leves toques em certas partes do corpo, a coceira já
Se espalhou, a comichão deixou de ser as cócegas que nos
Faz rir; e virou tortura, virou cicatriz, virou tatuagem 
De frutas, de palmeiras, de coqueiros; virou música e 
Dança nordestina, virou um cocó no cérebro, um cocho,
Um tronco de árvore escavado onde se põe comida,
Ou água para os animais; porque cobrais de mim
Coerência, estilo, padrão, ética, nexo, razão, sexo?
Sou um cochicho, um falar em voz sussurrada;
Um segredar que ninguém quer saber, um cochichar
De cocheiro, daquele que guia os cavalos de uma 
Carruagem; de uma cocheira, recinto fechado de 
Coche, antiga e suntuosa e não adiantais cobrar-me,
Não sei coçar-me, a não ser para esfregar, ou roçar
Com unhas, ou objeto áspero; não sou de usar muito o 
Espírito e entristeço-me e por não ter tempo para 
Estar cheio de serviço, sinto-me em cocção, sinto-me
Cozer às minhas mazelas, à minha alma e ao
Meu ser, que caíram de mim e na queda quebrou-me
O cóccix, o osso do extremo inferior de minha coluna
Cervical; e quando o combustível da indignação que
Arde em mim se extinguiu, não restou material
Próprio para combustão; parei de queimar e a única
Coisa que gerei foi carvão e não o estado de um
Corpo que arde, a produzir luz e calor: meu comburente
Era o gelo e sem ter o que a alimentar a chama
Apagou-se; e as cobranças vieram, tais grupos de
Animais de carga em viagem, tropas e navios
Mercantes escoltados por belonaves; e conjunto de vagões
Ferroviários puxados por uma locomotiva, um trem de ferro,
Um reboque, uma reunião de veículos que se movimentam
Juntos para o mesmo destino; é o comboio de cobranças,
Eternas reclamações, que só servem para nos conduzir,
Nos escoltar e nos levara a comboiar na dor, na culpa
E no entrar em combinação química no fundo de
Uma sepultura, que nos faz concordar; nos faz ainda
Condizer e estar conforme com as limitações, com
Os sons, com as cores e o harmonizar entre o verme e
A carne podre; não venhais a ajustar-me, a contratar-me,
A estabelecer um modo de ação comum comigo, não
Estou fora de perigo, e vivo sem dispor conforme
Uma ordem, ou um método: vivo sem combinar
Nada com a morte e cobrais-me resultados de mim,
Que não tenho qualidades de jogadores de combinados,
Times de futebol constituídos por jogadores de dois,
Ou mais clubes; cobrais de mim resultados de seleção,
Que nunca despi uma mulher de peça íntima do vestuário
Feminino dela; que não tenho junção de substâncias
Diferentes para formar uma terceira , diversa de reunião
Ordenada de objetos, ou números; e diversa da reunião
Da harmônica de sons e cores, que não tenho acordo
Com nada, não tenho contrato e nem trago o que
Quer que seja ajustado com quem quer que seja;
A não ser a esperança de tirar numa noite a leve
Combinação de uma mulher; a verdade a meu respeito
É mais do que conhecida, todos sabeis que não sou
Combativo, não trago em mim o valor que não
Se recusa ao combate; não tenho combatividade e nem
Propensão para combater, como um espírito de luta, não
Sou de contestar, de impugnar o errado, a mentira,
A falsidade; não sou de opor-me, de atacar, de lutar,
Não nasci combatente, guerreiro e envergonho-me,
Sempre fui derrotado em toda minha batalha: e
Envergonho-me, escondo-me e digo que não tenho
Saúde; que tornei-me um abatido no primeiro lance,
E vi-me deteriorar,  ruir igual a uma casa velha,
Deixei-me abalar; tornar-me fraco, deixei-me combalir
Sem nenhum gesto de reação, sem nenhum jeito
Daquele que pelo menos tenta e ousa; parece que
Vivo em momento comatoso, parece que estou
Sempre em estado de coma; e fora de circunscrição
Judiciária, fora de comarca legal e que não tem
Autoridade de quem comanda; não sou de direção
Superior de tropas e de ter comando e ação de comandar,
Até a mim mesmo, é o pior flagelo que carrego,
É o pior preço que tenho a pagar, quando cobrais de mim.

Sinto-me em estado arrasante e por período arrasador; BH, 0120702000; Publicado: BH, 02801002013.


Sinto-me em estado arrasante e por período arrasador
Passa a minha alma, sem diminuir a arrasadura,
Sem impedir o ato de arrasar; os sobejos da medida e
Nem sei como ficará minha vida depois de arrasada,
É precoce a minha demolição; iminente a ruína, 
Não vou aprender a fugir de tudo que arrasa o meu
Ser, a rasoura da mente, que me deixa devastado;
Quero ficar cheio, até às bordas de luz e de amor,
Mostrar-me tornado arraso na dor, plano e sem 
A erosão e o relevo que me fazem cair ao chão;
Arranhado de moral, perdido e sem ética, nas
Trevas e sem razão; não chego nem ao preço dos
Arrás de França, as tapeçarias antigas e valiosas,
Fabricadas lá, onde não era preciso o penhor
Da palavra, a garantia, ou o sinal de um
Contrato, bens dotais que fazem o interesse, como o
Noivo que assegura à futura esposa com a
Aljava cheia; as arras e as manhas das raposas,
O acomodar-se no bem bom, o arraposar-se e
Deixar crescer a barriga, o cabelo e a barba e a preguiça;
Aquela disposição tais os modos de rapaz, aquele
Tesão arrapazado, de correr atrás das raparigas em
Flor; o tempo vai diminuir, a criar um canzarrão,
Um gatarrão, um homenzarrão sedento que não tem
Nada de santarrão; o que denota o aumento da
Ignorância e da perdição e não estou arranjado, o
Mundo não está remediado e quem é que tem algum
Dinheiro? quem é que é cuidadoso, metódico e
Arranjadeiro de todos os problemas; que pega na
Arranha, no aparelho para a pesca do polvo, sem
Arrancorar-se, tornar-se rancoroso com a humanidade;
Com o homem, com a sociedade, consigo próprio, a chegar
De arrançar e de rançar e tornar-se ranço o comportamento;
É hora da arrancadura da dor, o arrancamento do mal
Pela raiz, é a hora do arrancador, do utensílio
Agrícola que retira a colheita e o acelerador
De partículas na astronáutica, que faz arrancar
A molécula, derramar a luz, espalhar a felicidade; e
Enramar as flores, alastrar o bem como uma
Epidemia que faz arramalhar os sorrisos,
Ramalhar os risos em buquês; e esconder o ódio,
Sob ramos, como o réptil que não é visto e faz
Agitar-se a moita, onde está escondido;
É tempo de arralentar a erva daninha e tornar
Ralo o espinho, desbastar as plantações nocivas e
Infrutíferas, até as arraigadas, radicadas, enraizadas,
Estabelecidas, aferradas, que ao raiar do dia,
Terão outra cor, outro parecer no arraiar da
Madrugada que parirá um dia adormecido;
Um dia enfeitado de Sol, areado tal panela
De alumínio e o arreio arraiado como a Lua cheia;
Não sei viver sem a aurora, geme meu coração,
Não sobrevivo sem a alvorada, a arraiada
Romântica, que ajuda a dividir em rações,
Ajuda a raciocinar, arraçoar a alegria àqueles
Que não conhecem um sorriso de satisfação;
Por eles me deixo arpoar, me deixo arpar, ferrar
Com arpão, ou arpéu e arpear como se eu fosse
Uma imensa e mansa baleia azul; apesar
De ser contra a caça às baleias e a todos seres
Que sabem arpejar e cantar uma canção de ninar;
Para viver não sou arpista, não sou arisco
Na conquista do amor de uma mulher; vivo
Desconfiado com todos e tudo me leva a não
Crer, a não acreditar e nem a mais ter fé
No homem, o que faz doer meu coração;
Qualquer pânico me deixa espantadiço,
Qualquer barulho me põe assustado, com medo;
Não sei ser um homem prevenido, por isso
Deixo-me à arpoação do arpoador que arpoa;
Sou uma baleia encalha num banco de areia,
Preso à arpoeira, à corda do arpão; estou arqueado,
Dobrado de fadiga, curvado de dor, arcado de
Tristeza que a arqueação me causa, ao
Arquear-me com arqueio de tonelada; a
Medição da capacidade de vasilhas, de navios,
Curvaturas arqueadas que são insignificantes ao
Tamanho do pranto que carrego dentro de mim;
O arqueador, o que arqueia e que é o varador,
Não saberia definir minha arqueadura,
Meu arqueamento não seria sofrido, se
No meu peito pairasse a arquegoniada, a planta
Cujo gameta feminino se forma em um arquégono; o
Órgão do protalo dos fetos, ou do corpo dos musgos,
Com a forma de botija e que encerra a oosfera;
Conheci o arqueio e o arquegônio, a arquelha do pavilhão
Da cama, descrição dos monumentos antigos, na
Arqueografia que o mesmo arqueográfico nos mostra;
No arquete, pequeno arco para tocar instrumentos
De corda, na tumba dos faraós e dos cadáveres indigentes;
A urna cinerária, em forma de cofre quadrangular,
Onde meu arquiavô, meu avô mais do que remoto e minha
Arquiavó, guardavam os seus segredos de arquiavôs,
Que até hoje não conhecemos e que os arquibancos
Destroem as esperanças do povo trabalhador.