sábado, 31 de maio de 2014

A salvação é quando ocorre ao ser comum uma frase brilhante; BH, 02201002012.

A salvação é quando ocorre ao ser comum uma frase brilhante:
Ganhou o dia e a tarde e a noite;
E quando surge do pensamento mortal,
Um pensamento imortal,
Que entra para sempre no pedestal
Dos provérbios sagrados;
Há prazer maior para o reles,
Do que ter a certeza que,
Terá um período fruto da própria imaginação,
Celebrado em academias?
Há gozo maior para o anônimo,
Do que ter o sonho de ver uma sentença,
De sua autoria,
Como veredicto duma ação da mais alta
Corte de Justiça?
Quando a mente é brilhante
E tira frases de efeito,
Citações clássicas,
Textos eruditos,
É algo como um respirar,
Não estranhamos mais;
Mas, quando é ao contrário,
O contexto encefálico é acéfalo
E nada se tira dali,
Como se fosse um deserto,
Qualquer um há de sentir surpresa:
O que é isso,
Não acredito,
Não pode ser,
Não é possível;
O que se passa então pela cabeça do criador,
Que nem ele mesmo acredita de ter a capacidade
De elaborar uma pérola rara tal uma ostra elabora?
Ou um diamante que é gerado pelo tempo?
Ou o petróleo pela decomposição dos dejetos milenares?
O ser que pretende naturalmente,
Ser o portador dos ditados,
Das citações universais,
Ou o psicografador do que falam os fantasmas,
Os espíritos siderais,
Deve ter sempre a mente fechada para as
Coisas abertas normais
E ter sempre a mente aberta para as coisas
Fechadas paranormais;
E com o tempo,
Com a sedimentação,
Tropeçará um relevo,
Num mosaico barroco
E descobrirá que aquilo é a própria salvação.

Las Bodas de Figaro kv 492 Le Nozze di Figaro. Die Hochzeit des Figaro ....

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Não domino mais sentimentos e sentidos; BH, 02201002012.

Não domino mais sentimentos e sentidos
E novidade, nem funções fisiológicas;
E se pensar direito, penso que nunca dominei nada,
Nunca tive domínio e nem moderação,
Quer no comer, no beber, ou no falar;
Moderação é uma espécie de domínio dos desejos,
Para que não nos exageremos naquilo que nos cause mal;
Todo excesso é nocivo ao nosso organismo
E à nossa mente;
Excesso de medo, de covardia, de dúvida,
Só complica a vida;
E o primeiro passo é aprender o saber dominar,
Controlar aquilo que desestabiliza a harmonia
Do conjunto;
Quem tem quebrada essa hegemonia,
Passa a sofrer noite e dia,
De ansiedade, angústia e agonia;
Minha mãe já me dizia, meu filho tome cuidado,
Corpo vadio pede folia;
E quando não dominamos e somos dominados,
Mais fracos aparentamos diante de todos;
E as vacilações aparecem e as dúvidas permanecem,
Dúvidas cruéis que prostram qualquer ser,
Com a palavra Hamelet;
E o mais pueril é que chegar à velhice,
Não posso me valer do dom da experiência
Na aprendizagem da vida;
Dizem os bocas tortas que,
Quanto mais velhos, mais experientes
E mais sábios;
E sinto que comigo é ao contrário,
Com o passar do tempo fui dominado
E controlado, mas, não por mim
E sim pelo tempo, pelas contradições,
Pelas volições e demais ações que imperam
Com mãos de ferro em destino tão breve,
Quanto é a passagem pela face da terra,
Dos que se pensam que são eternos.

Centauro, 1; BH, 02301002012.

As letras não empolgam mais aos mortais
E as palavras não causam excitações e comichões;
E muitos preferem engolir as letras e ser mudos,
Para não pronunciar as palavras;
Há muito tempo a literatura e a leitura
Deixaram de causar interesses;
E sinto uma pena ao ver as letras serem desprezadas
E as palavras abandonadas;
E como um paranormal,
Um portador de mensagem sobrenatural,
Uma besta apocalíptica,
Persisto onde ninguém mais persiste;
E teimo em resistir naquilo do qual
Todos correm para não resistir;
E sei que estou errado,
Que nado contra a correnteza
E navego contra a maré,
Como um salmão a procurar a sobrevivência
E cai na boca do urso;
Reconheço que é uma medida que leva ao suicídio,
É um ato que deveria estar restrito aos séculos passados;
Mas, se não houver um bastião
E que seja uma referência,
Nem nos museus mais bem adaptados e modernos,
Veremos vestígios de letras e palavras,
Escritos e escrituras,
Leituras de literaturas;
Dos liceus e dos ginásios,
Colégios e faculdades,
Universidades e academias de letras,
Já desapareceram há muito tempo;
Que nostalgia que causam os tempos inflamados,
Todo mundo lia e todo mundo escrevia;
Todo mundo discutia e os debates,
Shows e festivais pegavam fogo;
A sociedade e a elite e a burguesia,
Até gostavam de cultura;
Hoje, o que parece-me,
É que com o pior capitalismo,
O pior neoliberalismo e imperialismo,
Todos só gostam agora dos lucros a qualquer custo;
E com a eliminação da cultura,
Do poder intelectual,
Subjugado ao poder do mercado.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Com quem estará a verdade dos fatos; BH, 0290502014.

Com quem estará a verdade dos fatos?
As pesquisas dizem que, uma candidata
À reeleição à Presidência da República,
Dilma Vana Rousseff, que quer mais valorização do
Salário mínimo; e mais médicos para o
Povo trabalhador brasileiro, mais moradia,
Educação; e quer mais postos de trabalhos
Criados, cai nessas pesquisas eleitorais;
E o candidato de má fama, Aécio Neves,
Senador por Minas Gerais, mas que vive e
Desfruta da boa vida no Rio de Janeiro e
Que quer justamente ao contrário da primeira,
Bem como, a desvalorização do salário
Mínimo, o fim do Bolsa Família e da CLT;
E que prometeu, se eleito, governar com
Medidas impopulares; e é, segundo as tais
Pesquisas, justamente esse candidato, que
Nunca aprovou um projeto nos tempos de
Senador; e que quando governador, abusou
De Leis Delegadas, perseguiu professores,
Servidores; e confrontou a educação, a
Saúde e a cultura, é o que sobe nas ditas
Pesquisas; com quem estará a verdade
Povo trabalhador brasileiro? será que o
Dito senador, com suas más companhias,
Como o pelego patronal Paulinho da Força,
O Ronaldo ex-Fenômeno, FHC, o vulgo
Fernando Henrique Cardoso, e o Armínio Fraga
Neto, de triste figura no cenário econômico
Nacional; Armínio Fraga Neto, que era presidente
Do Banco Central do vulgo FHC e chegou a
Falar na época, que não era seguro investir
No estado em que Aécio Neves nasceu,
Minas Gerais; conseguirá tal vil candidato
Nos convencer a votar nele? o que quer a
Convulsão nacional, o fracasso do Brasil
Na Copa das Copas, os protestos que
Desestabilizam o país, o que fala mal do
Brasil, quando está no exterior, merecerá
Um dia, ser eleito presidente duma Pátria, a 
República tão continental quanto a nossa?
A amada República Federativa do Brasil.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Centauro, 2; BH, 02301002012.

O viver de coisas lúcidas, nobres, elevadas,
O viver de coisas luminosas, altaneiras, altivas,
O viver de coisas sóbrias, elucidativas, é
O viver que diferencia um ser do outro;
Um ser que conheço
E que saiu do meu ser,
É um ser diferente;
Talvez não saiba explicar 
E nem encontre tese e teoria, ou
Outo tipo de explanação,
Para demonstrar esse ser que nasceu do meu coração;
E é deusa, é Vênus, é Afrodite, é Eros,
Não sei explicar;
Passei toda a minha vida a visitar o Olimpo
E a tomar conhecimento e sabedoria,
Em toda a Mitologia Grega
E não encontrei deusa superior a essa;
Se outros não têm motivos para enaltecer os seus deuses,
Tenho motivos de sobras para enaltecer os meus;
E incrustada neste contexto,
Está essa minha deusa,
A quem dedico todos os meus provérbios,
Todas as minhas razões,
Princípios e emanações;
Se todos os poetas a conhecessem,
A quereriam para mote,
Para servir de musa às suas poesias;
Mas, deste privilégio não abro mão
E quando a assediam,
A protejo em meu coração;
É um ânimo que inflama
E a ver raiar assim em minha vida
E a ver iluminar os meus caminhos,
Os meus recônditos mais escuros,
É tudo que justifica a minha existência;
Bane de mim como um remédio as doenças,
Afasta com uma força sobrenatural os medos,
E as covardias,
E faz acontecer como um poder paranormal,
Soluções graciosas e respostas singelas
Às mais duras contestações;
E não afobo-me e nem fico estafado em dizer,
E repetir e escrever,
Para que seja testemunha do tempo,
Da história e da vida,
O que é o viver-se em nível elevado,
Sem tirar os pés do chão.

Cloaca News: O CLIPE DA COPA QUE A GLOBO NÃO VAI EXIBIR

Cloaca News: O CLIPE DA COPA QUE A GLOBO NÃO VAI EXIBIR

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Alegrei-me; BH, 070502014.

Alegrei-me,
Pois disseram-me,
Maravilhados,
Que Deus gravou para Moisés,
Com fogo,
As palavras na rocha;
Letra por letra,
Veio um raio de fogo do céu
E fundiu na pedra os conhecimentos;
Tenho, então, a esperança,
De também receber uma celeste inspiração,
Fazer parte duma divina imaginação;
E no passar do meu tempo,
Deixarei não nas pedreiras,
Mas nas facetas lapidadas dos universos,
Átomos do meu sangue em poesia,
Poemas do firmamento na hemorragia;
Fungo envelhecido como um fungo de estepe,
Um musgo esquecido no espaço,
Uma erva de pradaria,
Raiz de falésia panorâmica;
É a maravilha dum velho poeta desenganado,
A última chama do último lampejo;
A palavra final
E a letra no fim da palavra;
E levou o coração até à beira do rio,
Lavou o sangue na água,
Tingiu de tinto o leito;
A relva enverdeceu,
A seiva emanou
E num sorriso de ironia,
O poeta faleceu;
E no mesmo instante um botão se abriu,
A flor brotou,
Para ser colhida por uma criança.

sábado, 24 de maio de 2014

Centauro, 5; BH, 02301002012.

Olho para todos os lados
E todos perguntam-me para onde olho
E não olham junto comigo;
E se olhassem,
Veriam o que procuro ver?
Olho para todos os lados do paralelogramo
E não enxergo lado algum
E não perguntam-me o que procuro enxergar;
Estou numa janela
E daqui de cima,
Procuro visualizar a história,
Para fazer uma história,
Mas não sei contar história;
Minha avó sábia sabia sabiá
E não aprendi com ela;
Minha avó sábia sabia sabiá,
Que vinha à soleira da casinha dela,
Comer as pimentas da pimenteira;
Vai ali acender meu cigarro de palha no fogão,
Tudo ela sabia fazer sabiá,
Cigarro de palha,
Cortar couve,
Beber pinga,
Roubar nas feiras enquanto mamãe fazia as compras,
Roubar nas lojas diante dos olhos dos vendedores,
Rezar para quebranto,
Cobreiro,
Caxumba,
Espinhela caída,
Contar causos de assombrações,
Encher o saco dos padres na hora das missas,
Andar com um carvão dentro da sola do pé,
Ir à porta da minha escola pedir a diretora
Que eu a levasse em casa;
Bebia pinga até alguém colocar um travesseiro
Para ela deitar a cabeça na calçada
E mamãe inda brigava com quem colocava o travesseiro;
Peidava alto na frente dos outros
E dizia que não podia prender,
Para não dar nó nas tripas;
Minha avó foi,
É e será uma das paixões da minha vida;
E se um dia tiver netos,
Quero ser para os meus netos,
O que a minha avó foi para mim:
Índia de sábia,
Dedicação de escrava,
Protetora avó.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Centauro, 4; BH, 02301002012.

No Brasil ainda há os que vivem do lixo
E vivem no lixo,
Moram nos verdadeiros lixões;
No Brasil,
Passaram-se quinhentos anos,
Sem incentivos à educação,
À cultura e à inclusão social;
Atualmente,
Que temos essas oportunidades de facilidades
À educação e à cultura
E do acesso da população negra,
Em setores da sociedade,
Antes negados,
Inda há os que criticam
E apresentam argumentos poderosos
Contra essas políticas;
Que desserviços prestam essas pessoas,
Que têm espaços nos meios de comunicação
E expõem suas opiniões nocivas de combate
Ao desenvolvimento da nação;
É uma completa absurdidade o que dizem,
Demonstram preconceitos,
Invejas e despeitos;
Demonstram iras e querem passar ao povo
Que é beneficiado,
A ideia de que as políticas empreitadas
São nefastas;
Querem passar aos negros,
Que agora podem frequentar faculdades,
Formar-se em universidades,
Fazerem a própria cultura negra desvinculada;
Que agora podem se preparar para entrar
Nas melhores empresas privadas, ou públicas,
Que tais caminhos são formas de discriminações;
Quiséramos não precisássemos mais presenciar
Pessoas a viverem de lixo,
A viverem no lixo;
Se tais medidas já tivessem sido aplicadas
Há mais tempo,
Obviamente,
Teríamos diminuído em muito as desigualdades
Sociais que tanto nos envergonham,
Mas que servem de matérias aos contrários.

Centauro, 3; BH, 02301002012.

Lula,
Luiz Inácio Lula da Silva,
É o nosso Fidel Castro;
Da mesma maneira que Fidel enfrentou
As forças capitalistas e imperialistas
E neoliberais,
Em toda a sua vida
E que tentaram matá-lo de todos os modos,
Lula as enfrenta também aqui no Brasil;
Lula,
Como o nosso Fidel,
É uma Fênix,
Ressurge das cinzas;
Quando pensam que o derrotaram,
Que o abateram,
Que enfim,
Dominaram-no,
Eis que reaparece a iluminar a História brasileira,
Tão mergulhada nas trevas
E em mentiras;
E quem é o combustível desse operário?
Qual é o segredo desse incansável trabalhador,
Na sua lida em mudar o país?
O povo;
O povo é o segredo do Lula,
O povo é o combustível do Lula,
O povo é o gás para essa chama que nunca se apagará;
O povo é o motor 
E contra a vontade do povo,
Todos os argumentos contrários,
Vão por água abaixo;
E podem se unir os que se pensam poderosos:
Demotucanos e o PIG,
Partido da Imprensa Golpista;
Colonistas e calunistas e o STF,
Supremo Tribunal Federal;
Jornalistas e historialistas podem se unir,
Mas terão que se vergar;
Têm a mídia,
Detêm o poder do capital,
A informação e a comunicação;
Controlam a justiça,
Mas terão que se vergar à História;
E a História é o povo brasileiro,
Que resolveu fazer História;
Não a oficial,
Mas a História dele,
Do próprio povo,
Que se denomina combustível da máquina,
Do fenômeno brasileiro Lula,
Luiz Inácio Lula da Silva.

Patagônia, 927, BH, 01901002011.

Ansioso,
Volto a cabeça para cima
E quero beijar a primeira estrela que passa;
O pescoço estala,
A nuca enrijece,
Por toda uma eternidade a olhar para atrás,
A olhar para baixo,
Ao ter o queixo rente ao chão;
Quase rastejo,
Réptil anfíbio,
Molusco
E nenhum brilho chega a mim;
De brincadeirinha,
Penso em existir,
Em viver
E de brincar de esconde-esconde,
Com os astros do céu ,
E finjo não sofrer;
Visto a fantasia de mendigo de raios de sol,
Cubro-me com a carapuça de poeta,
Com o manto da poesia;
Evito deixar escapar por entre o fragor do alcantil
E as escarpas das serras,
O poema que elevará este barão assinalado,
Ao berçário imortal dos clássicos
E à incubadeiras das imaginações celestiais;
Deu cãibra nas articulações,
As vértebras estalaram;
O corpo aprumou-se,
Rígido,
Esquelético,
A pele encobria o osso inda calcinado;
O esqueleto passou por entre as moléculas de ar
E a bruma alvejo-o,
Como se fosse de mármore,
Uma escultura de marfim;
Nas encostas deixou o rosto mumificado
E nu,
Banhado em bálsamo,
Envolto em espermacete
E âmbar azul,
Jamais visto em outro céu,
De firmamento puro,
Sem ânsia de chumbo
E manchas de fumaça;
Livre das tiras de linho que o envolviam,
O cadáver viu-se na fímbria;
Mal pisava o chão,
Não sentia os pés
E correu pelas nuvens como se levitasse;
Amamentou estrelas,
Deu cria a querubins,
Constelações de anjos que ainda não nasceram,
Em jubilações
E anunciações de galáxias refrescantes.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Yaznayah Antônia Ivanovitch Furtado Medina: Contextualização da ocupação muçulmana e seus prolongamentos na Península Ibérica

Contextualização da ocupação muçulmana e seus prolongamentos na Península Ibérica
A Península Ibérica possui em sua história um diferencial de todo o resto da Europa: a presença dos muçulmanos como agentes fundamentais para o desenvolvimento social e econômico, mas também no aspecto cultural, durante todo o século VII até a reconquista cristã nos séculos XI a XIII.
Tendo em vista que a região da Península Ibérica era puramente católica, a presença dos muçulmanos trouxe o contato com a religião islâmica. É inevitável notar que não houve combate à “fé invasora”, entretanto, por estarem em maior número e maior grau de desenvolvimento, os muçulmanos foram capazes de segregar os católicos ibéricos no norte da região peninsular e desenvolver todo o seu reinado, com o Califado, na região Centro-Sul da Península Ibérica. Por se tratar de um sistema político unificado à religião, onde o soberano político também é a autoridade religiosa, um dos meios de dominar os ibéricos, foi através da obrigatoriedade em professar o islamismo e também com o pagamento de impostos.
A partir da ocupação muçulmana na Península Ibérica, de acordo com Barboza Filho (2000), podemos afirmar que houve alto desenvolvimento econômico, em relação às práticas comerciais implantadas; a miscigenação cultural, tendo em vista que ocorreu certo choque entre a religião católica, a islâmica e até mesmo à presença dos judeus.
Mediante esta acentuada presença dos árabes e o crescente desenvolvimento do islã em território puramente católico, a aristocracia, em suma, católica, e que se via, grosso modo, segregada ao Norte da Península, viu-se com a missão de expulsar de território “sagrado” a presença daquela fé invasora e seus adeptos. Assim, inicia-se a Reconquista Cristã, a partir do século XI, com a tomada de Toledo em 1085, até a tomada de Granada em 1492. Em Espanha, os Reis Católicos, apoiados por uma nobreza altamente poderosa, tomaram frente à Reconquista.



Ensaio sobre a tradição Ibérica
Para trabalharmos o fator Tradição na Península Ibérica, partiremos da análise do estudo de Barboza Filho em “Tradição e Artifício”. Em seu trabalho, Barboza Filho busca identificar as especificidades que tornam a Ibérica singular. Partindo da herança religiosa e administrativa dos visigodos, da ocupação muçulmana, a presença dos judeus e como a Reconquista, demonstrou força da tradição ibérica em permanecer suas raízes nos Séculos de Ouro e as influências nos territórios ibéricos além-mar, após a Expansão Ultramarina.
Ao elaborar este assunto, Barboza Filho (2000) aponta algumas características da formação filosófica da cultura grega. Remontando à Antiguidade Clássica, ele estabelece que, em um primeiro momento, os gregos buscavam explicações cosmológicas a partir de figuras míticas e epopeias. Podemos citar, por exemplo, os grandes heróis épicos, como Aquiles e Ulisses. Estes são figuras que reproduzem, segundo Barboza Filho (2000), a máxima para a conduta humana
Sua intenção é a de relembrar as dimensões nas quais o exercício iluminado da aretái – das virtudes- torna os homens excepcionais – aristoi- dignos de honra e de eterna recordação. (BARBOZA FILHO, 2000, P.21)
A partir desta citação podemos perceber que há certa menção à concepção de “história”, principalmente por Homero e posteriormente por Heródoto. Ambos são de contextos históricos diferentes, entretanto, há na forma de escrita a necessidade de evitar o esquecimento de um fato que fora de extrema importância histórica, que por sua vez contou com a ação fundamental do homem.
É perceptível na concepção da tradição ibérica suas semelhanças com a matriz filosófica grega acerca do homem e a história, um exemplo a ser citado, é a epopeia “Os Lusíadas”, obra na qual Luis Vaz de Camões retrata a história portuguesa, grosso modo, tal qual faz Homero em Odisséia e Ilíada com as origens cosmológicas.
Entretanto, como aponta Adeline Rucquoi (1995), é de imprescindível necessidade citar a exaltação do passado visigodo por parte dos ibéricos, principalmente os espanhóis. Uma vez que, há a busca pelas permanências católicas visigodas, principalmente em relação à restauração de Fernando, o Católico, e também a primazia espanhola sobre os povos bárbaros.
Fator importante para melhor compreensão da tradição grega é a pontuação em relação à concepção de hispânico, esta de acordo com Heloisa Guaracy (2009), é católico, tingida de misticismo e de cultura maometana. Assim, percebemos que a Reconquista cristã é um ponto de fundamental importância para os ibéricos, uma vez que há certo sentimento de heroísmo e impulsionadores de uma civilização que pregasse, principalmente, o catolicismo aos outros povos.
Os ibéricos armaram-se como portadores de uma missão substantiva e universal que solidarizava reis, nobres e povo. Puderam, por isso, diminuir a estatura dos antigos heróis clássicos e valorizar as ações e as palavras que inventaram no presente. (BARBOZA FILHO,2000, P. 31)
Os chamados Séculos de Ouro Ibéricos (XV, XVI e XVII), período em que há à expansão ultramarina, a Península passa a ser o centro da Europa, assim como fortaleceria ainda mais o espírito de nacionalidade, como podem ser observados com a unificação e formação das nações Portugal e Espanha, no XV. O século seguinte é tomado com certo “orgulho” para os ibéricos, uma vez que é a partir deste momento que eles descobrem a rota para um mundo “além-mar”.
Guaracy (2009), assim como Barboza (2000) afirmam que enquanto a “Europa*” ou Além-Pirineus encontrava-se em um período de transição (Anderson, 1964) a Península Ibérica pretendia alcançar formas e estratégias que permitissem aos ibéricos reviver as estruturas e valores tradicionais, os valores preponderantes da luta entre o hispânico e o outro.
Ruggiero Romano (1995) demonstra em “Os mecanismos de conquista colonial”, o fato de os espanhóis possuírem uma mentalidade de superioridade, primeiramente as batalhas pela reconquista tratava contra os muçulmanos, despertaram no espanhol um sentimento de heroísmo, este tal que, a partir da análise de Barboza Filho (2000) sobre a origem grega, esta trazida pelas traduções que chegaram à Ibérica a partir dos muçulmanos.
Romano aponta que, a partir da conquista da América, há uma contribuição, afirmação do mito da superioridade espanhola, uma vez que, como foi dito, a Reconquista nutre esta ideia, assim como as batalhas medievais travadas contra os “bárbaros”.
Outro fator característico que podemos afirmar a partir da análise de Barboza Filho (2000) e Ruggiero Romano (1995) é o fato de às permanências de um “homem virtuoso”, ainda prevalecem na mente de muitos que se jogavam às práticas de navegações espanholas, uma vez que, a partir daquele momento, como afirma Romano, os homens ao se lançarem nestas “aventuras ultramarinas” almejavam, além de riquezas, a posição de verdadeiros heróis.
Para ilustrar tal imaginário medieval presente na “iberidade” (GUARACY, 2009, P.19) Rucquoi (1995) aponta como D. Quixote vivenciava o “sonho cavalheresco” dos momentos finais da Idade Média hispânica. Sonho a partir do qual os primeiros descobridores da América buscavam encontrar a “fonte da juventude” e “Eldorado”.

Llewellyn Medina, Palavras não erigem castelos.

Agora é tarde; BH, 02001002012.

Agora é tarde,
O leite está derramado
E a luz apagada;
Quando era tempo de esperança,
Fartura,
Bonança,
O futuro ficou esquecido,
O passado não serviu de lembrança 
E o presente escorreu entre os dedos;
Aí alguém gritou no mar:
Agora é tarde,
O navio levantou âncora
E zarpou,
Embrenhou a quilha nas ondas;
Ouviu-se um suspiro vindo lá do fundo 
E sentiu-se a insegurança do gás carbônico que foi expelido;
O oxigênio que foi inalado,
Não apagou a impressão,
Que cada mal estar causa,
Quando as coisas não correm bem:
Pressão alta,
Veias entupidas,
Tonturas,
Suores,
Calafrios;
Sim,
Agora é tarde,
As dores estão aí,
Orgânicas e inorgânicas;
Soluços abafados e vozes que sussurram
Murmúrios lamentosos de desesperança;
Quem mandar não se preparar para o tempo do porvir?
E antes do tempo do porvir,
São sentidos remorsos e capitulações;
Não há bastião para se apoiar,
As badaladas do relógio são ouvidas,
Como as últimas badaladas do coração;
Ouviu-se um retinir de sinos bem distante,
A manhã pode ser que seja melhor,
Ressoam,
Mas o amanhã é hoje,
Ecoam o macabro agora é tarde;
Baixou-se uma noite
E não há na memória,
A lembrança de noite tão memorável;
Não há registro dela na recordação
E foi uma noite que não trouxe sonhos
E notou-se,
Nem pesadelos;
Que noite estranha,
Diferente,
As entranhas dela não pariram madrugada;
Uma eternidade depois,
Quando enfim,
Conheceu-se o dia,
Descobriu-se numa parede um rabisco de negrito:
Letras e palavras indecifráveis,
Mas as pedras das paredes reverberavam:
Agora é tarde.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Fantasmas do Passado

As composições que me compõem; BH, 01801002012.

As composições que me compõem,
São as dos mesmos organismos dos elementos;
Não faltam e nem falham
E estão em todas as partes dos meus compostos,
Orgânicos e inorgânicos;
Porém,
As energias concentradas nos núcleos das partículas,
Na formação das moléculas das minhas matérias,
Inda não posso canalizá-las em alimentos para mim;
Busco nas resistências destas coisas que sustentam-me,
A minha resistência;
Nas essências delas que estão a essência que falta-me
E sem combustível não inflamo,
Não destilo adrenalina,
Não flui em mim testosterona,
Libido e sangue arterial 
E oxigênio purificado;
É por isto que tenho este aspecto de cadáver,
Com aparência de muitos anos morto;
Não tenho o ar circunspecto de defunto fresco,
Morto recentemente;
Encarquilhado,
Como se fosse uma velha embarcação abandonada,
Nalgum porto por avaria,
Sem conserto;
Anelo desfrutar das minhas aragens,
Para inflar novamente as minhas velas e navegar;
Tenho uma esquadra que precisa de mares,
De oceanos,
De intermináveis caminhos marítimos,
Que levam a continentes desconhecidos;
E o que mais gosto de fazer,
É como um grande navegador,
Comandar viagens,
Que levam a grandes descobertas de novos mundos;
E quando volto a mim,
Venho carregado de especiarias,
De tesouros roubados de piratas;
A reboque trago naus apreendidas
E suas cargas e mercadorias pilhadas;
E venho à toda,
Com ventos favoráveis,
Longe das calmarias;
E deposito aos pés da minha rainha,
Os baús com as joias mais raras,
Com as pedras mais preciosas.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Pedras; BH, 02001002012.

Pedras,
Feliz do poeta que só teve uma pedra no meio do caminho,
Caminho,
Feliz do poeta que só teve um caminho;
E infeliz de mim,
Malgrado meu,
Pedras,
Muitas pedras,
Avalanches de pedras,
São tudo que sempre houve em minha vida;
Caminhos
E infeliz de mim,
Malgrado meu,
São inúmeros caminhos à minha frente;
E quem diz que soube escolher um único caminho?
Escolhi justamente os pedregosos,
Atulhados de espinhos,
Ribanceiras,
Barrancos,
Escarpas;
Que poeta feliz é esse,
Cujo único problema
É uma pedra no meio do caminho?
Que poeta feliz é esse,
Cujo destino é um caminho?
Desgraçado de mim,
O que faço daquela pedreira?
O que faço daquela estrada margeada pela morte?
Como gostaria de ter obstáculo tão pequeno assim,
Caminho tão estreito,
Que uma pedra põe fim;
Mas nem viver posso,
Não posso nem mudar de lugar,
Como muda o universo;
Se tivesse só uma pedra nas minhas retinas,
Se tivesse só um caminho na minha encruzilhada,
Mas sou espírito de todos os encostos,
Sou alma que todos os cemitérios querem para assustar os visitantes;
Sou peça que todos os museus querem expor em local bem
Escondido por não ter a composição dalguma pedra caída do céu;
E levam-me ao porão
E esquecem-me lá;
E vem outro curador,
Espana a poeira,
Leva-me ao sótão
E abandona-me lá;
É encargo demais,
Se fosse pelo menso um Bedengó,
Não nos causaria tantos transtornos;
Que pedra é essa?
Em que caminho foi encontrada?
Só um poeta sabe responder
E ele guarda o segredo consigo.

sábado, 17 de maio de 2014

Recolher-me-ei à minha casa; BH, 01801002012.

Recolher-me-ei à minha casa,
À morada para refletir,
Imaginar e afiar a percepção;
Recolher-me-ei à minha pedra,
Para assentar a cabeça
E divagar bem devagar,
Perdido para encontrar a primeira peça
Do mecanismo que rege o organismo,
Do equipamento que é o imaginário;
Aqui neste exoplaneta escondido no
Mais distante sistema onde o pensamento pode chegar,
Finalmente terei privacidade;
Aqui neste exoplaneta pedra,
Pequeno príncipe,
Serei anônimo
E poderei nesta treva eterna ficar incólume;
Quem me procurará aqui com incomodações,
A querer de mim o que não quero de mim?
Que vastidão obscura,
Que escuridão intransponível,
Nem a luz é capaz de resistir nesta geração;
E é aqui que quero pairar para parir meus seres
Que povoarão meus mundos
E não precisarei gritar haja luz,
Haja água;
Não precisarei gritar nada,
Nem à existência;
Quem quiser
E mesmo que queira
Não tomará conhecimento do querer;
Os diamantes serão infinitas noites,
As pérolas luas de planetas inexistentes,
Que não conhecem a luz;
O ouro é o composto das cinzas dos núcleos apagados
De sóis extintos fundidos;
E o silêncio tão ensurdecedor,
Que nem o primeiro choque registrado entre dois
Aglomerados de galáxias o encobrirá;
Serei, ou não serei esquecido para ser?
Inexistirei, ou não inexistirei para existir em mim?
E terei a paz dos mortos mais densos;
A paz sem luz,
A paz sem bem,
A paz sem mal;
A paz sem deuses,
A paz sem demônios;
A paz sem céus,
A paz sem infernos;
A paz de um neurônio desobrigado de vibrar
Para reverberar em si.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

PDG, Alvarenga Peixoto, 1455, 6; Olho à procura dum olho que enxergue mais do que o meu; BH, 0270102012.

Olho à procura dum olho que enxergue mais do que o meu
E que ajude-me a ver o que o meu olho seco não consegue ver;
Todas as luzes estão acesas
E sinto que a madrugada é de trevas;
Pego a lanterna
E saio na noite a procurar as sombras;
E todas se escondem atrás dos monturos 
E dos murundus,
Como escondo-me da luz,
Quando iluminam-me,
Com os falsos holofotes da mediocridade;
Inda sinto-me cravado no calvário da estupidez
E pregado no madeiro da ignorância;
Luto para sobreviver sem a bizarrice
E fujo da morbidez que acompanha-me,
Irmã gêmea;
Em toda esquina paro para escutar as palpitações
E assusto-me com o arrastar dos meus pés;
Os meus murmúrios,
Os meus sussurros
E oscilações metem-me medo,
E corro das minhas vibrações;
Reverbero-me nas quebradas a esconder-me
Das assombrações das minhas imagens refletidas nos espelhos 
E em cada reflexo vejo um prisioneiro acorrentado
E indignado ainda;
Então disse de voz embargada ao meu ouvido surdo,
Mouco, ou de mercador,
Algo que não pude ouvir,
Apesar de ser o mesmo que soprava algumas palavras,
Que resgatassem-me das cinzas:
Não foi desta vez que ressuscitei;
Tentarei em outros patamares,
Soprarei novas palavras
E alguma trará a mim a chave do meu segredo,
Que abrirá meu cofre,
Meu baú,
Minha caixa preta,
De pandora,
Minha arca de Noé,
Tumba de faraó,
Sarcófago milenar
E olho de novo o velho
E vejo a olhar para mim,
Um velho de novo.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Planalto, O Legado da Copa é Nosso.

Copa 2014
No lançamento do Compromisso Nacional pelo Emprego e Trabalho Decente na Copa do Mundo, nesta quinta-feira (15), a presidenta Dilma Rousseff ressaltou que o legado do Mundial fica para o povo brasileiro. Ela afirmou que os aeroportos, as obras de mobilidade urbana e os estádios ficam para o Brasil, enquanto os turistas “levam na mala” a garantia de ter visitado um país alegre e hospitaleiro.
“Nós podemos dizer, em alto e bom som: o legado da Copa é nosso. Porque ninguém que vem aqui assistir à Copa leva consigo na sua mala aeroportos, portos, obras de mobilidade urbana, nem tampouco estádios. Podem levar na mala a garantia de que esse é um país alegre e hospitaleiro. Agora, aeroportos ficam para nos, obras de mobilidade ficam para nós, estádios ficam pra nós. Isso que é a questão central dessa Copa e finalmente a ultima é que faremos sem sombra de duvida a Copa das Copas”, comentou.
Dilma deixou também uma mensagem de apoio à Seleção Brasileira de futebol. A presidenta afirmou que todos vão torcer juntos pela vitória do Brasil, e que quando isso acontece, sempre tivemos uma taxa de sucesso alta, ao mencionar os cinco títulos mundiais do País na Copa do Mundo.
“Quando nós, que somos todos ligados ao futebol, que vivemos futebol, que torcemos pela Seleção e torcemos seis vezes – essa vez já tô contando agora, essa nova vez já contei – que torcemos seis vezes pela nossa vitória e sempre tivemos taxa de sucesso alta. Vejam que nas seis vezes, ganhamos cinco, e a última podemos ganhar ainda. Somos capazes de fazer sim a Copa das Copas, e quero dizer que todos nós vamos juntos torcer pela vitória da nossa Seleção”, disse a presidenta.
Posted: 15 May 2014 01:00 PM PDT
Presidenta Dilma Rousseff participa de cerimônia no Palácio do Planalto. Foto: Roberto Stuckert Filho/PRPresidenta Dilma Rousseff participa de cerimônia no Palácio do Planalto. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
A presidenta Dilma Rousseff afirmou que o Brasil virou a página da ameaça constante do desemprego, e hoje exibe uma das menores taxas do mundo e da própria história. Nesta quinta-feira (15), no lançamento do Compromisso pelo Trabalho Decente na Copa do Mundo, ela também ressaltou que foram criados novos empregos com carteira assinada.
“Conseguir um trabalho com carteira era raridade. O desemprego era uma ameaça sempre presente. Felizmente, o Brasil virou esta página da história. Hoje exibimos, com orgulho, uma das mais baixas taxas de desemprego do mundo e, sem dúvida, de nossa história. Mais emprego e mais emprego formal. Nos últimos 12 anos, chegamos a uma marca rara, que foi atingir 20 milhões de empregos com carteira assinada. Isso, junto com ampliação do crédito, valorização do salário mínimo, junto com todas as políticas de proteção social, como Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, contribuiu para que o Brasil se transformasse naquele país em que houve a maior redução da desigualdade no mundo”, analisou.
Também sobre a questão do trabalho decente na Copa, Dilma disse que o Mundial é um momento especial no qual mostra para o mundo os passos importantes dados pela sociedade. Tais conquistas, segundo a presidenta, não vieram da noite para o dia, mas foi fruto de um esforço de emprego decente para todos sem discriminação, diferente do que aconteceu em outros países.
“Somos um país que nos últimos anos andou contra a corrente do que acontecia internacionalmente, enquanto no resto do mundo desempregavam, priorizava a redução da jornada de trabalho e ao mesmo tempo dos direitos trabalhistas, aqui temos uma situação diferenciada. Temos as menores taxas de desemprego do mundo, combinadas com cultura de negociação”, comentou a presidenta.
Posted: 15 May 2014 08:39 AM PDT
Presidenta Dilma Rousseff tira dúvidas sobre o Enem pelo Facebook. Foto: Roberto Stuckert Filho/PRPresidenta Dilma Rousseff tira dúvidas sobre o Enem pelo Facebook. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Em resposta a perguntas enviadas pela página do Palácio do Planalto, a presidenta Dilma Rousseff afirmou que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é uma forma democrática de garantir a todos os brasileiros e brasileiras maiores oportunidades de acesso à universidade. Nesta quinta-feira (15), em mais um Face to Face, ela afirmou que a diferença do Enem é que, pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), ele oferece vagas em várias instituições de ensino superior.
“O Enem é uma forma democrática de garantir a todos os brasileiros e brasileiras maiores oportunidades de acesso à universidade. Com o Enem, você pode participar de um processo seletivo em 115 instituições de uma só vez. O nosso objetivo é um processo de seleção que teste não só o conhecimento, mas também que avalie a capacidade analítica”, comentou.
Dilma explicou à outra internauta que a escolha da universidade, seja pelo Sisu, pelo Prouni, ou pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), é feita após a divulgação do resultado das provas do Enem. Ela também esclareceu que pessoas sem condições de pagar a taxa do exame podem pedir isenção no momento da inscrição, e que com uma única nota, é possível obter a certificação de conclusão do ensino médio e concorrer a vagas no Sisu ao mesmo tempo.
“As possibilidades são as seguintes: primeiro, se você fez o ensino médio, mas não concluiu você pode fazer o Enem. Se tirar mais de 450 pontos em cada uma das provas e 500 na redação, e tiver 18 anos ou mais, você recebe uma certificação de conclusão do ensino médio. Segundo, se já concluiu o ensino médio, você pode fazer o Enem e concorrer a uma das vagas nas universidades federais e públicas. Terceiro, durante todo o ensino médio é possível fazer o Enem”, escreveu.
Em relação à questão das cotas raciais, a presidenta afirmou que elas “integram as ações afirmativas necessárias para que superemos as consequências de 300 anos de escravidão e do racismo dela decorrente”. Ela também respondeu a perguntas sobre a correção de redações desconexas com o tema proposto pelo Enem.
“Agora o Enem está eliminando qualquer inserção indevida na prova de redação. Quem, na sua redação, incluiu, de acordo com o edital, “texto deliberadamente desconectado com o tema proposto” terá sua redação anulada e, portanto, não poderá utilizar o Enem para acessar a universidade”, ressaltou a presidenta.
Dilma ainda falou sobre o plano de segurança com relação às provas do Enem. Ela salientou que o esquema é melhorado a cada ano, e que a segurança é importante para garantir a isonomia do exame.
“Todas as pessoas que participam têm igualdade de oportunidade. Hoje, temos um amplo acordo com todas as secretarias de segurança dos Estados no País, ao mesmo tempo que as áreas de inteligência da Polícia Federal e das Forças Armadas dão amplo suporte a segurança do Enem. Por sua vez, a Polícia Rodoviária Federal e as Polícias Rodoviárias Estaduais prestam apoio principalmente no transporte das provas”,  respondeu.
Posted: 15 May 2014 04:40 AM PDT
face to face_ENVIE blogNesta quinta-feira (15), a presidenta Dilma Rousseff participa de mais um Face to Face na página do Palácio do Planalto no Facebook. A partir das 9h30, Dilma responde a perguntas sobre o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que está com inscrições abertas até o dia 23 deste mês, no site do Ministério da Educação.
Enem
No Café com a Presidenta desta segunda (12), Dilma falou sobre as oportunidades que o Enem abre para todos os jovens, democratizando o acesso à educação e valorizando o esforço de cada uma das pessoas que querem estudar.
“Em primeiro lugar, a nota do Enem é o critério de seleção usado para que os estudantes tenham acesso às universidades públicas, federais e estaduais, e aos nossos institutos federais de educação profissional e tecnológica. (…) Em segundo lugar, a nota do Enem também é adotada como critério de seleção para o ProUni (…). Em terceiro lugar, com base no Enem, os estudantes também podem contratar o Fies (…). Em quarto lugar, o Enem abre as portas das melhores universidades do mundo aos nossos estudantes pelo programa Ciência sem Fronteiras. E, em quinto, a nota do Enem ajuda ainda a conseguir vaga nos cursos técnicos de nível médio do Pronatec por meio do Sisutec”, destacou a presidenta Dilma.
Posted: 15 May 2014 03:45 AM PDT
Agenda presidencial
Nesta quinta-feira (15), a presidenta Dilma Rousseff se reúne, às 9h30, com o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Thomas Traumann, no Palácio da Alvorada. Às 11h, ela recebe o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, no Palácio do Planalto.
Às 15h, Dilma participa da cerimônia de lançamento do Compromisso Nacional pelo Emprego e Trabalho Decente na Copa do Mundo FIFA Brasil 2014. À noite, Dilma recebe cronistas esportivos para jantar, no Palácio da Alvorada, às 19h30.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, LEI DE MÍDIA, JÁ.

247 – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva avançou na defesa de uma nova legislação para regular o funcionamento dos meios de comunicação de massa, a chamada Lei de Mídia, ou de Meios. Até o discurso feito ontem na abertura do 2º Encontro Nacional de Diários do Interior, em Brasília, o ex-presidente sempre fora um crítico do noticiário dos veículos da mídia nacional, de perfil tradicional e familiar, mas não havia deixado tão claro o quanto considera importante mudar a legislação do setor.
- O Código de Telecomunicações é de 1962, quando não havia nem televisores no Brasil, mas televizinhos, como diz o Franklin Martins, divertiu-se o ex-presidente diante da plateia. Além do ex-ministro da Secretaria de Comunicação, principal incentivador de uma Lei de Mídia dentro do governo e do PT, Lula também citou o ex-secretário-geral da Presidência Luiz Dulci, defensor da mesma posição.
- Uma das mudanças mais importantes que fizemos nestes 11 anos foi democratizar o critério de programação da publicidade oficial, afirmou Lula. Em seguida, fez uma comparação de causar impacto:
- Quando chegamos ao governo, a publicidade oficial era veiculada em anunciava em 249 rádios e jornais. Em 2009, o governo federal já estava anunciando em 4.692 rádios e jornais de todo o país, cotejou.
Lula frisou que considera completamente distorcidas as coberturas jornalísticas feitas pela "mídia nacional" sobre, sem exceção, todos os programas de inclusão social de sua gestão e da presidente Dilma Rousseff. Iniciando pela história da implantação do Fome Zero, Lula assinalou que viu os jornais de maior circulação e as principais emissoras de televisão – sem citar o nome de nenhum veículo, empresa ou família detentora – atacarem, desdenharem, criticarem, encobrirem e não reconhecerem os resultados das seguintes ações de governo: Luz Para Todos, Mais Alimentos, Mais Médicos, Minha Casa, Minha Vida, ProUni, Reuni, Fies, o Samu e, ainda, o BNDES. Ufa!
Para cada programa, citou lembranças de como vem sendo a cobertura nos jornalões e resgatou que as maiores agências de publicidade criticam o governo quando verbas foram redivididas:
- Reclamaram quando o Luiz Dulci incluiu a imprensa regional na programação de publicidade do governo federal.
E reclamaram ainda mais quando o Franklin Martins aprofundou a política de democratização da publicidade, abrangendo as empresas estatais, sublinhou.
Lula prosseguiu:
- Diziam (as agências) que para falar com o Brasil bastava anunciar nos jornais de circulação nacional e nas redes de rádio e TV. Hoje é fácil ver como estavam errados, pois a imprensa regional está cada vez mais forte. São 380 diários que circulam 4 milhões de exemplares por dia, de acordo com os dados da ADI-Brasil.
Antes da íntegra do pronunciamento de Lula, que já reacendeu o debate sobre uma Lei de Mídia, um dos pontos altos do discurso ao 2º Encontro dos Diários do Interior:
- Os grandes jornais nunca deram valor ao Luz Pra Todos, mas quando o programa superou todas as expectativas e alcançou 15 milhões de brasileiros, um desse jornais deu na primeira página: "1 milhão de brasileiros ainda vivem sem luz". Está publicado, não é invenção, riu-se Lula.
Abaixo, a íntegra:
É sempre um prazer dialogar com os jornalistas e empresários da imprensa regional brasileira. Por isso agradeço o convite da Associação dos Diários do Interior do Brasil para participar desse Congresso.
Vocês acompanharam as transformações que ocorreram no Brasil nesses 11 anos e que beneficiaram o conjunto do país, não apenas os privilegiados de sempre ou as grandes capitais.
Sabem exatamente como essa mudança chegou às cidades médias e aos mais distantes municípios.
O Brasil antigo, até 2002, era um país governado para apenas um terço dos brasileiros, que viviam principalmente nas capitais. A grande maioria da população estava condenada a ficar com as migalhas; excluída do processo econômico e dos serviços públicos, sofrendo com o desemprego, a pobreza e a fome.
Os que governavam antes de nós diziam que era preciso esperar o país crescer, para só depois distribuir a riqueza. Mas nem o país crescia o necessário nem se distribuía a riqueza.
Nós invertemos essa lógica perversa, adotando um modelo de desenvolvimento com inclusão social. Criamos o Fome Zero e o Bolsa Família, que hoje é um exemplo de combate à pobreza em muito países.
Adotamos uma política de valorização permanente do salário e de expansão do crédito, que despertaram a força do mercado interno, e ao mesmo tempo garantimos a estabilidade, controlando a inflação e reduzindo a dívida pública.
O resultado vocês conhecem: 36 milhões de pessoas saíram da extrema pobreza, 42 milhões alcançaram a classe média e mais de 20 milhões de empregos foram criados.
O Brasil não é mais um país acanhado e vulnerável. Não é mais o país que seguia como um cordeirinho a política externa ditada de fora. Não é só o país do futebol e do carnaval, embora tenhamos orgulho da alegria e do talento do nosso povo.
O Brasil tornou-se um competidor global – e isso incomoda muita gente, contraria interesses poderosos.
A imprensa cumpre o importante papel de traduzir essa nova realidade para a população. E isso não se faz sem uma imprensa regional fortalecida, voltada para aquela grande parcela do país que não aparece nas redes de TV.
Todo governo democrático tem a obrigação de prestar contas de seus atos à sociedade. E tem obrigação de divulgar os serviços públicos à disposição da população.
A publicidade oficial é o instrumento dessa divulgação, que se faz em parceria com os veículos de imprensa – desde a maior rede nacional até os jornais do interior profundo do país.
Uma das mudanças mais importantes que fizemos nestes 11 anos foi democratizar o critério de programação da publicidade oficial.
Quero recordar que esta medida encontrou muito mais resistências do que poderíamos imaginar, embora ela tenha sido muito importante para aumentar a eficiência da comunicação de governo.
Essa medida foi também uma questão de justiça, para reconhecer a importância do interior no desenvolvimento do Brasil.
Quando o companheiro Luiz Gushiken, que era o ministro da Secom em meu primeiro mandato, começou a democratizar a publicidade oficial, muita gente foi contra.
As agências de publicidade, os programadores de mídia e os representantes dos grandes veículos achavam que era uma mudança desnecessária.
Reclamaram quando o Luiz Dulci incluiu a imprensa regional na programação de publicidade do governo federal.
E reclamaram ainda mais quando o Franklin Martins aprofundou a política de democratização da publicidade, abrangendo as empresas estatais.
Diziam que para falar com o Brasil bastava anunciar nos jornais de circulação nacional e nas redes de rádio e TV.
Hoje é fácil ver como estavam errados, pois a imprensa regional está cada vez mais forte. São 380 diários que circulam 4 milhões de exemplares por dia, de acordo com os dados da ADI-Brasil.
Isso ocorre porque temos políticas que levam progresso e inclusão social ao interior do país.
De cada 3 empregos criados no ano passado, 2 se encontram em cidades do interior e apenas 1 nas regiões metropolitanas.
Nunca antes o governo federal investiu tanto no desenvolvimento regional, para combater desequilíbrios injustos e injustificáveis.
Nunca antes a relação entre o governo federal, os Estados e as prefeituras foi tão republicana quanto nestes 11 anos.
E são jornais do interior – e não os veículos nacionais – que traduzem essa realidade.
Quando chegamos ao governo, a publicidade oficial era veiculada em anunciava em 249 rádios e jornais. Em 2009, o governo federal já estava anunciando em 4.692 rádios e jornais de todo o país.
Meus amigos, minhas amigas
Pediram-me para contar aqui uma experiência com a imprensa regional no período em que fui presidente da República. Vou contar o que aprendi comparando a cobertura da imprensa regional com a que fazem os grandes jornais.
Quando o Luz Pra Todos chega numa localidade rural ou numa periferia pobre, está melhorando a vida daquelas pessoas e gerando empregos. Isso é uma notícia importante para os jornais da região.
Os grandes jornais nunca deram valor ao Luz Pra Todos, mas quando o programa superou todas as expectativas e alcançou 15 milhões de brasileiros, um desse jornais deu na primeira página: "1 milhão de brasileiros ainda vivem sem luz". Está publicado, não é invenção.
Onde é que estava esse grande jornal quando 16 milhões de brasileiros não tinham luz?
Quando chega o momento de plantar a próxima safra, são os jornais regionais que informam sobre as datas, os prazos, os juros e as condições de financiamento nas agências bancárias locais.
Mas na hora de informar à sociedade que em 11 anos o crédito agrícola passou de R$ 30 bilhões para R$ 157 bilhões, o que a gente lê num grande jornal é que a inflação pode aumentar porque o governo está expandindo o crédito.
Quando uma agência bancária da sua cidade recebe uma linha do BNDES pra financiar a compra de tratores e veículos pelo Mais Alimentos, vocês sabem que isso aumenta a produtividade e aquece o comércio local. É uma boa notícia.
Mas quando o programa bate o recorde de 60 mil tratores e 50 mil veículos financiados, a notícia em alguns jornais é que o governo "está pressionando a dívida interna bruta".
Quando nasce um novo bairro na cidade, construído pelo Minha Casa Minha Vida, essa é uma notícia local muito importante.
Mas um programa que contratou 3 milhões de unidades, e já entregou mais da metade, só aparece na TV e nos grandes jornais se eles encontram uma casa com goteira ou um caso qualquer de desvio.
Quando o governo federal inaugura um hospital regional, isso é manchete nos jornais de todas as cidades daquela região. O mesmo acontece quando chega o SAMU ou um posto do Brasil Sorridente.
Mas lendo os grandes jornais é difícil ficar sabendo das quase 300 UPAs, 3 mil ambulâncias do SAMU e mais de mil consultórios odontológicos que foram abertos por todo o país nestes 11 anos.
A maior cobertura de políticas públicas que os grandes jornais fizeram, nesse período, foi para apoiar o fim da CPMF, que tirou R$ 50 bilhões anuais do orçamento da Saúde.
Quando sua cidade recebe profissionais do Mais Médicos, vocês sabem o que isso representa para os que estavam desatendidos. Vão entrevistar os médicos, apresentá-los à população.
Mas quando 15 mil profissionais vão atender 50 milhões de pessoas no interior do país, a imprensa nacional só fala daquela senhora que abandonou o programa por razões políticas, ou daquele médico que foi falsamente acusado de errar numa receita.
Quando um novo câmpus universitário é aberto numa cidade, os jornais da região dão matérias sobre os novos cursos, as vagas abertas, debatem o currículo, acompanham o vestibular.
Lendo os grandes jornais é difícil ficar sabendo que nestes 11 anos foram criadas18 novas universidades e abertos 146 novos campi pelo interior do país.
É nos jornais do interior que se percebe a mudança na vida de milhões de jovens, porque eles não precisam mais sair de casa, deixar para trás a família e os valores, para cursar a universidade.
O número de universitários no Brasil dobrou para 7 milhões, graças ao Prouni, ao Reuni e ao FIES. Os grandes jornais não costumam falar disso, mas são capazes de fazer um escândalo quando uma prova do ENEM é roubada de dentro da gráfica – que por sinal era de um dos maiores jornais do país.
Quando uma escola técnica é aberta numa cidade do interior, essa é uma notícia muito importante para os jovens e para os seus pais, e vai sair com destaque em todos os jornais da região.
Quando eu informo que nesses 11 anos já abrimos 365 escolas técnicas, duas vezes e meia o que foi feito em século neste país, os grandes jornais dizem apenas que o Lula "exaltou o governo do PT e voltou a atacar a oposição".
Quando chega na sua cidade um ônibus, um barco ou um lote de bicicletas para transportar os estudantes da zona rural, essa é uma boa notícia.
O programa Caminho da Escola já entregou 17 mil ônibus, 200 mil bicicletas e 700 embarcações, para transportar 2 milhões de alunos em todo o país. Mas só aparece na TV se faltar combustível ou se o motorista do ônibus não tiver habilitação.
Eu costumo dizer que os grandes jornais me tratam muito bem. Mas eu gostaria mesmo é que mostrassem as mudanças que ocorrem todos os dias em todos os cantos do Brasil.
Meus amigos, minhas amigas,
Quanto mais distante estiver da realidade, mais vai errar um veículo de comunicação. Basta ver o que anda publicando sobre o Brasil a imprensa econômica e financeira do Reino Unido.
O país deles tem uma dívida de mais de 90% do PIB, com índice recorde de desemprego, mas eles escrevem que o Brasil, com uma dívida líquida de 33%, é uma economia frágil.
Não conheço economia frágil com reservas de US$ 377 bilhões, inflação controlada, investimento crescente e vivendo no pleno emprego.
Escrevem que os investidores não confiam no Brasil, mas omitem que somos um dos cinco maiores destinos globais de investimento externo direto, à frente de qualquer país europeu.
Dizem que perdemos o rumo e devemos seguir o exemplo de países obedientes à cartilha deles. Mas esquecem que desde 2008, enquanto o mundo destruiu 62 milhões de postos de trabalho, o Brasil criou mais de 10 milhões de novos empregos.
O que eu lamento é que alguns jornalistas brasileiros fiquem repetindo notícias erradas que vêm de fora, como bonecos de ventríloquo. Isso é ruim para a imprensa, porque o público sabe distinguir o que é realidade do que não é.
Alguns jornalistas dos grandes veículos passaram o ano de 2013 dizendo que a inflação ia estourar, mas ela caiu. Passaram o ano dizendo que a inadimplência ia explodir, mas ela também caiu.
Diziam que o desemprego ia crescer, e nós terminamos o ano com a menor taxa da história. Chegaram a dizer que o Brasil entraria em recessão, mas a economia cresceu 2,3%, numa conjuntura internacional muito difícil.
Eu gostaria que esses jornalistas viajassem pelo interior do país, conhecessem melhor a nossa realidade, estudassem um pouco mais de economia, antes de repetir previsões pessimistas que não se confirmam.
E vou continuar defendendo a liberdade de imprensa e o direito de opinião, porque sei que, mesmo quando erra, a imprensa livre é protagonista essencial de uma sociedade democrática.
Meus amigos, minhas amigas,
A democracia é o único sistema que permite transformar um país para melhor. E ela não existe sem que as pessoas participem diretamente da vida política. Por isso digo sempre aos jovens: se querem mudar a política, façam política. E façam de um jeito melhor, diferente. Negar a política é o caminho mais curto para abolir a democracia.
Aprimorar a democracia significa também garantir ao cidadão o direito à informação correta e ao conhecimento da diversidade de ideias, numa sociedade plural. Esse tema passa pela construção do marco regulatório da comunicação eletrônica, conforme previsto na Constituição de 1988.
O Código Brasileiro de Telecomunicações é de 1962, quando no país inteiro havia apenas 2 milhões de aparelhos de TV. Como diz o Franklin Martins, havia mais televizinhos do que televisores.
É de um tempo em que não havia rádio FM, não havia computadores, não havia internet. De um tempo em que era preciso marcar hora para fazer interurbano.
No Brasil de hoje é preciso garantir a complementariedade de emissoras privadas, públicas e estatais. Promover a competição e evitar a contaminação do espectro por interesses políticos. Estimular a produção independente e respeitar a diversidade regional do país.
Uma regulação democrática vai incentivar os meios de comunicação de caráter comunitário e social, fortalecer a imprensa regional, ampliar o acesso à internet de banda larga. Por isso foi tão importante aprovar o Marco Civil da Internet.
Este é o desafio que se apresenta aos meios de comunicação, seus dirigentes e seus profissionais, nesse novo Brasil: o desafio de ser relevante num país com uma população cada vez mais educada, com um nível de renda que favorece a independência de opinião e com acesso cada vez mais amplo a outras fontes de informação.
Quero cumprimentar a ADI-Brasil, mais uma vez, pela realização desse Congresso, e dar os parabéns aos seus associados, que levam notícias para a população do interior desse imenso país.
Muito obrigado.