sábado, 24 de maio de 2014

Centauro, 5; BH, 02301002012.

Olho para todos os lados
E todos perguntam-me para onde olho
E não olham junto comigo;
E se olhassem,
Veriam o que procuro ver?
Olho para todos os lados do paralelogramo
E não enxergo lado algum
E não perguntam-me o que procuro enxergar;
Estou numa janela
E daqui de cima,
Procuro visualizar a história,
Para fazer uma história,
Mas não sei contar história;
Minha avó sábia sabia sabiá
E não aprendi com ela;
Minha avó sábia sabia sabiá,
Que vinha à soleira da casinha dela,
Comer as pimentas da pimenteira;
Vai ali acender meu cigarro de palha no fogão,
Tudo ela sabia fazer sabiá,
Cigarro de palha,
Cortar couve,
Beber pinga,
Roubar nas feiras enquanto mamãe fazia as compras,
Roubar nas lojas diante dos olhos dos vendedores,
Rezar para quebranto,
Cobreiro,
Caxumba,
Espinhela caída,
Contar causos de assombrações,
Encher o saco dos padres na hora das missas,
Andar com um carvão dentro da sola do pé,
Ir à porta da minha escola pedir a diretora
Que eu a levasse em casa;
Bebia pinga até alguém colocar um travesseiro
Para ela deitar a cabeça na calçada
E mamãe inda brigava com quem colocava o travesseiro;
Peidava alto na frente dos outros
E dizia que não podia prender,
Para não dar nó nas tripas;
Minha avó foi,
É e será uma das paixões da minha vida;
E se um dia tiver netos,
Quero ser para os meus netos,
O que a minha avó foi para mim:
Índia de sábia,
Dedicação de escrava,
Protetora avó.

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