segunda-feira, 19 de maio de 2014

Pedras; BH, 02001002012.

Pedras,
Feliz do poeta que só teve uma pedra no meio do caminho,
Caminho,
Feliz do poeta que só teve um caminho;
E infeliz de mim,
Malgrado meu,
Pedras,
Muitas pedras,
Avalanches de pedras,
São tudo que sempre houve em minha vida;
Caminhos
E infeliz de mim,
Malgrado meu,
São inúmeros caminhos à minha frente;
E quem diz que soube escolher um único caminho?
Escolhi justamente os pedregosos,
Atulhados de espinhos,
Ribanceiras,
Barrancos,
Escarpas;
Que poeta feliz é esse,
Cujo único problema
É uma pedra no meio do caminho?
Que poeta feliz é esse,
Cujo destino é um caminho?
Desgraçado de mim,
O que faço daquela pedreira?
O que faço daquela estrada margeada pela morte?
Como gostaria de ter obstáculo tão pequeno assim,
Caminho tão estreito,
Que uma pedra põe fim;
Mas nem viver posso,
Não posso nem mudar de lugar,
Como muda o universo;
Se tivesse só uma pedra nas minhas retinas,
Se tivesse só um caminho na minha encruzilhada,
Mas sou espírito de todos os encostos,
Sou alma que todos os cemitérios querem para assustar os visitantes;
Sou peça que todos os museus querem expor em local bem
Escondido por não ter a composição dalguma pedra caída do céu;
E levam-me ao porão
E esquecem-me lá;
E vem outro curador,
Espana a poeira,
Leva-me ao sótão
E abandona-me lá;
É encargo demais,
Se fosse pelo menso um Bedengó,
Não nos causaria tantos transtornos;
Que pedra é essa?
Em que caminho foi encontrada?
Só um poeta sabe responder
E ele guarda o segredo consigo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário