sábado, 17 de maio de 2014

Recolher-me-ei à minha casa; BH, 01801002012.

Recolher-me-ei à minha casa,
À morada para refletir,
Imaginar e afiar a percepção;
Recolher-me-ei à minha pedra,
Para assentar a cabeça
E divagar bem devagar,
Perdido para encontrar a primeira peça
Do mecanismo que rege o organismo,
Do equipamento que é o imaginário;
Aqui neste exoplaneta escondido no
Mais distante sistema onde o pensamento pode chegar,
Finalmente terei privacidade;
Aqui neste exoplaneta pedra,
Pequeno príncipe,
Serei anônimo
E poderei nesta treva eterna ficar incólume;
Quem me procurará aqui com incomodações,
A querer de mim o que não quero de mim?
Que vastidão obscura,
Que escuridão intransponível,
Nem a luz é capaz de resistir nesta geração;
E é aqui que quero pairar para parir meus seres
Que povoarão meus mundos
E não precisarei gritar haja luz,
Haja água;
Não precisarei gritar nada,
Nem à existência;
Quem quiser
E mesmo que queira
Não tomará conhecimento do querer;
Os diamantes serão infinitas noites,
As pérolas luas de planetas inexistentes,
Que não conhecem a luz;
O ouro é o composto das cinzas dos núcleos apagados
De sóis extintos fundidos;
E o silêncio tão ensurdecedor,
Que nem o primeiro choque registrado entre dois
Aglomerados de galáxias o encobrirá;
Serei, ou não serei esquecido para ser?
Inexistirei, ou não inexistirei para existir em mim?
E terei a paz dos mortos mais densos;
A paz sem luz,
A paz sem bem,
A paz sem mal;
A paz sem deuses,
A paz sem demônios;
A paz sem céus,
A paz sem infernos;
A paz de um neurônio desobrigado de vibrar
Para reverberar em si.

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