quarta-feira, 30 de setembro de 2015

MIKIO, 57; BH, 0230202013.

Nunca terei certeza de nada e desconfiarei
De todas as certezas e da forma que falho
Todos os dias, elas um dia falharão; e as
Minhas falhas só põem em risco a mim
Mesmo; e as falhas das certezas porão em
Risco as leis do universo; nunca terei a
Infalibilidade do universo e ao escrever
Qualquer verdade, tremerei a mão, pelo
Peso da mentira; e quem escreveu assim,
São todos os que vieram antes de mim,
Os donos das verdades absolutas, dos
Caminhos, da vida, dos dogmas da
Salvação; depois de morto, qualquer
Situação é favorável ao morto; depois de
Morto, os vivos não passarão de mortos
Que dormem; depois de morto, minhas
Orelhas continuarão a arder: são as
Duras palavras a meu respeito; e as
Duras palavras entram em nossos
Ouvidos e aninham-se em nosso peito;
Nada mais letal do que as duras palavras
Ditas na nossa cara; e não quero ser
Duro nem nas letras e nem nas palavras
E nem nos atos; não quero ser duro em
Nada e nem com ninguém; e muito
Menos afirmativo, confirmativo,
Elucidativo, quero um sedativo, daqueles
Que vendem nos bares das esquinas; e
Nem taxativo quero ser, quem quiser
Que seja o que quiser ser, o que quer
Ser e a mim, o resto satisfaz; as
Sobras do caos, a rapa do tacho, o
Queimado da panela; minha avó
Comia numa gamela e com as mãos
Fazia capitão de arroz e feijão.

MIKIO, 59; BH, 0230202013.

Graças, adeus, não tenho dinheiro e
Aprendi, quando era crente que,
Não devia ajuntar para mim
Dinheiro, pois, onde estiver o
Dinheiro, ali estará o meu coração;
Graças, até logo, por não ser mais
Crente e nem ver mais a letal
Desvirtuação dos que se dizem
Crentes; antigamente, aos crentes
Do meu tempo, bastavam a Palavra,
Jesus Cristo era a única esperança e
Deus era o único amor; não consigo
Comungar o mesmo ar abafado, o
Mesmo ambiente de mofo dos que
Se gloriam e se vangloriam de serem
Crentes e os únicos salvos; e não leio
Mais nada na velha mídia a respeito
Dos crentes crentes, dos crentes
Católicos, dos crentes espíritas, dos
Crentes muçulmanos e outros
Milhares de crentes espalhados
Pelo mundo nas milhares de
Religiões; e não leio, pois, nada
Mais interessa-me de religião,
Teologia, canonismo, nada; não
Perturba-me mais as cifras
Secretas do Vaticano, o apego aos
Cifrões dos nossos pastores
Eletrônicos e até a fé cega que os
Crentes chegados depositam no
Que o dinheiro pode conseguir-lhes;
Lembro-me duma feita, alguém a
Perguntar: Mestre, o que farei para
Ganhar a vida eterna? vende tudo
Que tens e distribua entre os pobres;
Com a palavra os bem ditos crentes.

MIKIO, 60; BH, 0230202013.

Uma coisa aprendi com Zarathustra, o
Desprezo, o abominável desprezo e
Abominavelmente, desprezo tudo; e
Não é qualquer ser que tem o poder
De desprezar; tem que ter muita
Convicção, senão, a qualquer
Canto de sereia, cai na perdição;
Tem que ter muito dom e determinação
E do fundo do escuro do meu quarto,
Do mofo da parede, do mau cheiro das
Roupas de cama, desprezo o mundo,
Não esperei o mundo desprezar-me;
Desprezo todas as religiões, das mais
Pobres às mais ricas; desprezo o sol,
A lua, as estrelas, desprezo até o ar
Que respiro, a comida que como e a
Água que bebo; e quero estar sempre
Sozinho, desprezo a vida e desprezo a
Morte; sou discípulo de Zarathustra, o
Mais aplicado e levo ao pé da letra as
Suas palavras; desprezo deuses e
Diabos e não incomoda-me a briga
Dos dois grupos por minha alma que
Desprezo terrivelmente e nem sei
Por que brigam tanto por tal; desprezo
Tanto tudo, que não abro nem janela e
Nem porta e nem torneira; desprezo
Espelho, amor, paz, o bem, o mal; e
Quereis saber o que quero de vós e
Em dobro, o desprezo, nada mais
Além do desprezo, e ficarei grato; e
Oreis a Zarathustra por mim, a pedir
Cada vez mais desprezo para mim.

MIKIO, 61; BH, 0230202013.

Antes tivesse morrido, a ter pedido,
Pedi, humilhei-me, pedi, a quem
Nunca soube dar; e desgraçado de
Mim, malgrado meu, pedi errado,
Pedi para quem uma migalha é
Banquete, um resto faz falta, uma
Sobra é a salvação de tudo; pedi, é
A pior coisa que pode acontecer à
Vida de um homem que se diz
Homem, pedir; e pedir para quem
Dar é morrer e pedir para quem
Uma moeda vale mais do que um
Queijo a rolar ladeira abaixo; diabos,
Para que fui pedir? antes tivesse
Morrido e agora, arrasto arás de
Mim uma maldição, pois pedi a
Quem não sabe dever, a quem
Amaldiçoa a vida toda a quem
Pede; e roga praga e não esquece
O pedido, para quem o que foi dado,
Fosse como um membro do próprio
Corpo arrancado sem anestesia;
Miserável, ouço o ódio à toda hora
Aos meus ouvidos, sinto o ranger
De dentes, a ira e a raiva; sinto o
Rancor destilado e a cólera, por
Ter cometido o erro de ter pedido;
Mas ficou uma lição, morra de sede,
Mas não peça um copo d'água, morra
De fome, mas não peça um pedaço
De pão; poderás morrer envenenado,
Ou engasgado, pedi, e não durmo e
Quem deu, com certeza não deve nem
Viver, por jamais esquecer o que
Foi dado, ou até mesmo emprestado.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

MIKIO, 62; BH, 0230202013.

Para fechar com alegria, deixais
Para mim, uma parte da Literatura;
A Literatura é universal, infinita
E a menor parte dela, a menor
Partícula, a que ninguém por
Ventura venha a se interessar, deixais
Para mim; com alegria contento-me
Com a Ode à Alegria, para fechar o
Dia e bem fechado, imagino; e
Imagino coisas inimagináveis
E viajo nessas ondas, nesses tubos
Como um surfista; e viajo nesses
Subterrâneos, pelas trilhas submersas,
Que ligam civilizações, ou que
Ligam o externo ao interno;
São as tripas da terra, o intestino
E sou a comida da terra e mais
Tarde o sangue das veias dela;
E onde houver uma obra-prima
Incubada, a ser chocada, meu
Papel é evidente, é revelá-la;
Não há meio termo e o preço que
For cobrado, pago para dar à luz, com
Satisfação de parturiente; os inimigos
Criticarão e nem quererão saber, mas,
No contrapeso, no contraponto, há os
Amigos, poucos, parcos, quase nenhuns;
Amigos raros, daqueles que valem
Por dez irmãos e que já bêbados, a
Não suportarem mais, inda topam uma
Saideira convosco; e ao bebermos mais
Uma juntos, com a alegria da
Chegada da madrugada, bêbados
De consciência, daqui a pouco será dia.

MIKIO, 63; BH, 0250202013.

Esses desossados, cujas carnes tantos
Prazeres nos causaram, inda nos impressionam;
Esses descarnados, cujos ossos nos sustentaram
Na imortalidade, inda fazem-nos falta;
Esses desencarnados, de cujos ossos fiz altares,
Alicerces para montanhas e nas estrias desses
Esqueletos, hoje secos, outrora moradia
De tutanos, medulas, entranhas, organismos, os
Códigos estão marcados, os símbolos registrados,
Não há mais mistérios; há muitas vagas
Nas constelações, muito espaço nos aglomerados
De galáxias e essas ossadas geniais, que nos
Contaram tudo, fizeram a esfinge cair
No abismo; esses complexos sistemáticos,
Erradicaram todos os complexos, agora são
Infinitas soluções no infinito, resoluções
Eternas na posteridade; são curas na
Eternidade e nos deixaram suas receitas;
Custamos a aprender, mas nos ensinaram,
Ensinaram ao mundo a desvendar as
Conjecturas; e o mundo não aprendeu nada,
Continua na órbita errada, mesmo com
Todas as carnes que esses ossos deixaram aqui;
Outrora corações e mentes, veias
Com sangue, nervos e cartilagens; era éter,
Etéreo, névoa abissínica na escuridão
Do caos; esses ossos imortais não são
Restos mortais, são berços de onde acordaram
Obras-primas, obras de arte, todo respeito é
Pouco com essas antigas estruturas de marfim;
Essas velhas esculturas de mármore, reverência
A esses ossos reverendos, reverência, o
Infinito fica pequeno diante deles.

MIKIO, 64; BH, 0270202013.

O dom que adorna a vida, é o que
Todo vivente deveria almejar, o dom
Saliente, que ressalta as excrescências
Das reentrâncias e põe à luz nossas
Cadências, na marcha pelo fim  da
Obtusidade; se não acabarmos com
A obscuridade, nos afogaremos na
Mediocridade; e temos que querer nadar,
Mesmo em águas profundas, das quais
Lutamos para chegar ao fundo; e é no
Fundo, depois da lama, depois do lodo,
Que encontraremos os tesouros, que tais,
Adornarão as nossas vidas; se ficarmos só
No conhecimento superficial, onde dá pé,
No raso, na beira, não abarrotaremos
Nossos alforges; nem sei por que digo isto,
Talvez seja pela necessidade primordial
De alcançar o topo; os holofotes cegam-me,
Turvam-me as luzes dos faróis; com visão
Infravermelha, prefiro andar melhor nas
Trevas, enxergar com os mapeamentos
Das retinas; e aí, nesses recônditos
Posso pensar com a própria cabeça, comandar
Meus rebanhos, liderar as manadas nos
Estouros das boiadas; e quanto mais
Deus encontrar-me, mais solitário, distante,
Quanto mais indiferente for à luz falsa, mais
Tato terá a percepção e perfeita a intuição;
O dom é perseverar no discernimento,
Inda que nos cause estranheza às
Nossas entranhas e disfunção nos nossos organismos;
E com o fim das nossas inconveniências,
Intolerâncias, impaciências, não seremos
Mais domados e sim seres cheios de dons.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Alexandre de Oliveira Périgo, Ser de direita é muito louco.

Ser de direita é muito louco.
É defender o estado mínimo mas achar corretíssimo que o congresso defina com quem você pode casar e constituir família.
É defender a meritocracia mas reclamar de desemprego.
É dizer que o PT só se elege por conta da baixa escolaridade de seus eleitores mas ser fã de um senhor que se diz filósofo e que não completou a quarta série do primário.
É querer combater a corrupção petista votando no PSDB.
É ser contra bolsas e cotas mas prestar concursos públicos.
É defender o livre mercado mas achar o Uber um absurdo.
É ficar com a boca seca em São Paulo mas premiar Alckmin por gestão hídrica.
É defender o armamento da população para evitar tiroteios nas ruas.
É ser defensor da liberdade irrestrita mas xingar e dar porrada em quem não concorda com sua visão de mundo.
É ser contra o aborto mas a favor da redução da maioridade penal.
É chamar o Lula de bêbado e ser eleitor do Aécio.
É dizer que Lulinha ficou bilionário com falcatruas de seu pai mas não dar a mínima pro apezinho de 50 milhões de dólares de FHC no centro de Paris comprado com aposentadoria de professor de estado.
É mandar comunista pra Cuba mas nunca pro Uruguai.
É chamar empresários bilionários de "vencedores" mesmo sendo explorado por estes.
É chamar opositores de "esquerda caviar" porque não conseguir compreender que há gente com dinheiro que não compactua com as injustiças capitalistas.
É reclamar do dólar de hoje a 4 reais desconsiderando que em 2002 ele custava quase 8 reais com a correção inflacionária.
É gritar pela derrubada de um governo democraticamente eleito e pedir a volta dos militares mas dizer que comunista é que gosta de regimes autoritários.
É ser fã do Mujica e do Mandela mas desconhecer que ambos foram guerrilheiros comunistas.
É adorar o Bolsonaro mas... bem, pra quem adora o Bolsonaro não há nenhum "mas" que salve.
Se de direita é muito louco, meus queridos.

MIKIO, 65; BH, 0270202013.

Penso que, o que deveríamos entender, é
Que, a cada dia que passa, caminhamos
Mais ao lado da morte, estamos mais ao
Lado dela; a cada segundo a morte se
Aproxima mais dos nossos calcanhares
E quanto mais pulamos, na tentativa de
Livra-nos, como uma sombra, a morte
Está sempre a arfar nas nossas nucas; e
Passou da hora de despirmos das nossas
Vaidades, despirmos das nossas
Intolerâncias, passou da hora de
Rasgarmos as nossas vestes e nos
Cobrirmos com cinzas e nos vestirmos
De estopas e panos de chão; e compensa
Morrermos em vão? com a mesma
Ignorância, ou estupidez que adquirimos
No decorrer da vida? compensa teimarmos
Na mediocridade? não apresentarmos
Nenhuma perplexidade diante da nossa
Pequenez? vamos crescer para a morte
Ter bastante trabalho na hora de nos
Levar; vamos ter a consciência imensa,
Infinita lembrança, para que a morte,
Fique bastante cansada ao nos carregar;
Se formos fluidos, flatos, seremos uma
Heresia para a morte e num sopro, ela
Nos levará; então, transformemo-nos
Em montanhas rochosas, em desfiladeiros
De pedreiras, para que ela pense duas
Vezes antes de mexer conosco; façamos
De nossos pensamentos firmamentos e
De nossas obras infinitos e quando a
Morte der o grito, quem se assustará
Será ela; sigamos sem orgulho, vaidade,
Desamor, sigamos sem soberba, ambições,
Com a morte debaixo dos nossos tacões.

MIKIO, 66; BH, 0270202013.

O pensamento é para ser petrificado,
Gravado com fogo na pedra e se
Não sair fogo da ponta do dedo,
Gravar com sangue fresco; o pensamento é
Mina da nióbio, platina, é aço inox,
Não admite nem ferrugem e nem
Fuligem; o pensamento é de material
Que compõe as rochas da explosão
Do caos; não pode ser deteriorado,
Danificado, desestruturado; os
Pensamentos são alicerces de montanhas,
Sedimentos de cordilheiras, bases de
Morros, elos de constelações, aprimoramentos
De galáxias, pontes para os espaços
Siderais; os pensamentos não são cerebrais,
Físicos, fisiológicos, orgânicos, elementares;
Inorgânicos, são o contrário do que são, raros,
Retos, paralelos e sem os pensamentos,
Os universos não teriam sentidos, não seriam
Palpáveis, pulsantes, pulsares; os pensamentos
São bisturis, são cirúrgicos, siderúrgicos,
Siderais, não comportam-se dentro de
Um pequeno cérebro; não têm atitudes
Se ficarem adormecidos, guarnecidos
Dentro de um útero de caixa craniana,
Na placenta de um crânio neandertal;
Só um cérebro com má formação, com
Cavername cerebral, deixa os pensamentos
Nos breus das cavernas; mas, no cérebro arejado,
São, sadio, sarado, o pensamento é
Gerado e logo dado à luz, para seguir
Vida própria, imortalizar-se e
Driblar a morte pequena, a morte
Que nunca valerá pena.

domingo, 27 de setembro de 2015

MIKIO, 67; BH, 0270202013.

Porra, cacete, caralho, estou a ficar velho,
Chato e desbocado; meu rabo já parou
De arder, o ovo que estava a botar,
Recolheu-se e agora só as dores da
Ossada envelhecida; dentes na boca
Não há mais, só as crateras, tais as que
Os meteoritos e os meteoros deixam
Na lua e nos planetas; da visão, só o
Sentimento de galo velho, cego, sem
Quintal, que para a panela não vai,
Devido possuir carne tão envelhecida e
Estragada; dos trapos ficaram os
Farrapos, os andrajos, outrora uns
Fatos domingueiros; dos aromas, um é
O indefectível mau cheiro de inhaca que
Cada rabugento carrega; a outra é a tal
Da catinga que habita corpo morto; é o
Bodum característico, que afugenta até
As moscas; se tropeço, é um palavrão,
Puta que pariu, é palavra de baixo calão,
Que na boca velha vira oração e velho
Que se preza, não fica a bater queixo de
Terço nas mãos, em bancos de igrejas,
A ouvir ladainhas de padres sem futuro;
E quando vem flatulência, a pensar que
É de ar seco, e vem é borra de geleia;
É um Deus nos acuda, principalmente,
Se estiver dentro de ônibus lotado e
Os passageiros começam a sentir os
Sintomas do borreiro; porra, cacete,
Caralho, estou a ficar velho, um gato
Velho borralheiro de botas furadas.

MIKIO, 68; BH, 01º0302013.

Afastas qualquer um de ti, não só
A mim, constatei, afastas tudo de ti,
Sentis repulsas, queres estar sozinha,
Reprimes, repeles, constato e de fato,
O universo foge de ti; o vento muda
De rota, a chuva o itinerário e a
Flor não exala mais perfume; e o
Amor exila-se para uma ilha fantasma
Invisível; que destino traças para o
Futuro? não vives o presente e nem
Gostas do passado: e nesse conceito,
Sem perceberes, não vives e segues
Um caminho tortuoso, de contra
Com a felicidade; e chocamos nossos
Corpos em rochedos salientes e
Nacos de nossas carnes ficam
Perdidos nos escolhos; e nossos
Corpos seguem despedaçados, sem  
Encontrar uma ao outro; são corpos
Acéfalos, um sem falo, o outro sem
Talho; e os organismos não destilam
Seivas, libido, néctares; os botões
Das blusas não se abrem e os lençóis
Não ficam amarrotados; as vestes
Não ficam mais amassadas, com
Suores, odores e aromas; e aquela
Fragrância especial, aquele cheiro
Inebriante, dão lugar ao mofo, a
Colônias de ácaros; e não temos
Mais paciência, perdemos a
Tolerância e o que era ontem,
Hoje não é mais e amanhã nunca
Será; nervos à flora da pele,
Estresses, pânicos, depressões; e
Queres estar sozinha na solidão
E continuas a afastar qualquer
Um de ti, até quando? nem tu
Sabes a resposta.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

MIKIO, 69; BH, 030302013.

A mão direita pega a caneta entre os
Dedos polegar, indicador e maior de
Todos e a desliza pelo papel; a mão é
Minha, os dedos são meus, o pepel é
Meu, a caneta é minha, mas, não
Tenho conhecimento da trama que
Estes cinco aprontam; não sei o que
É deixado nas linhas desta página
Ao deslizar da mão; dormente, a mão
É movida, mas não é por mim, sou o
Que não sou meu e o que fazem
Independe da minha vontade; é no
Além que um dia releio o que
Estará escrito aqui; é na vida após a
Morte, na reencarnação, que tomarei
Conhecimento do que faz esta mão;
É uma mão autônoma, guiada pelos
Sopros dos ventos, pelos balanços
Das ondas do mar e pelos encantos
Das noites, das madrugadas e dos
Silêncios; um dia, alguém me
Perguntará: escreveste isto? terei
Que responder não, quem escreveu
Foi está mão que tem vida própria,
Mão de fantasma, mão de espírito,
Mão de ente, mão de entidade,
Menos mão de gente; é uma mão
Cheia de vícios, mão de Onã,
Viciada, transviada, corrompida,
Corrupta e corruptora; e escreve
Como se fizesse alguém vomitar,
Como se estivesse a estrangular
A caneta, a apertar o pescoço de
Algum peru para a ceia do dia de
Ação de graça; e incontinente, se
Sacia com estes arroubos dementes.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

MIKIO, 70; BH, 030302013.

Catapora na taquara poca sarampo
Caxumba espinhela caída quebranto
Cobreiro bicho de pé sarna berne;
Tiririca ramela dor dói frieira,
Coqueluche furúnculo, carnegão
Pescado na linha, clara de ovo
Batida para queimadura; calango
Areia de rio arapuca, estilingue,
Pelota bolota bolinha de gude
Bola de meia capotão; pelada
Campinho capitão limão para
Tirar bafo de cigarro fumado
Escondido de noitão; suco de cana,
Jurubeba cinzano martini não sei
Não; padre nosso ave maria terço
Credo em Deus Pai rezas de
Minha avó ramo de arruda da
Guiné na mão cigarro de palha
No canto da boca, cachaça no
Cospe grosso da balcão; prova
No grupo escolar hora de
Interromper a prova, tua avó veio
Te buscar, dizia a diretora
Baixinho ao meu ouvido na sala
De aula; e no portão da rua ,
Minha avó toda alegre, a ir para
Casa comigo; e não me deixava
Apanhar, acodia-me em nome
De todos os santos e santas que
Conhecia e a minha mãe por
Perceber a nossa parceria, mais
Batia-me, dá um golinho aí,
Minha avó, e uma pitadinha
Também, depois pego na venda,
Ou compro no armazém.

MIKIO, 71; BH, 030302013.

São três marias fora das constelações
Universais, desprendidas das galáxias
Siderais, não comungam pontos de 
Vistas, confabulações, opiniões; são
Três virtudes anônimas, irmãs das 
Fúteis e das inúteis  e das praticidades
Superficiais; não caem do céu para a 
Terra e nem sobem da terra para o céu,
Latejam nas pedreiras de lajedos, 
Labutam pelo pão e pela água e 
Trabalham por seus maridos, tais as 
Mulheres de Atenas; vivem de fatos 
E de boatos corriqueiros das vidas 
Alheias, próprias e impróprias; cantam
Hinos de louvores nas igrejas, rasgam
As poesias das Flores do Mal e as 
Páginas dos livros espíritas, em 
Cumplicidade com a inquisição, Hitler,
Mussolini e as mais chumbadas 
Ditaduras; pedem a Deus de um tudo
E de um nada, mesmo saciadas de 
Um tudo e de um nada e de fome e 
De desejos; ignoram, desprezam e
Indiferentes, iludem-se na tentativa
De serem diferentes; sempre do 
Contra, perdem para não dividir e 
Não ganham por medo de jogar;
Pregam o medo, o temor ao pecado
E não abrem mão da vida material
Escravocrata; contraditórias, contam
Histórias e não fazem história: 
Surrealista, barroca, rococó, gótica,
Enquadrada em todos os estilos;
Não se conhecem entre si, não 
Conhecem a si mesmas; não 
Conhecem o conhecido e nem o
Desconhecido e não desconfiam 
De nada nem duvidam de tudo. 

MIKIO, 72; BH, 030302013.

Quando curar-me, sarar-me,
Acordar sarado, todos os meus
Problemas estarão resolvidos; nasci
Determinado a ser doente, a não
Ser ser e a nem ser gente; mas a
Culpa não é minha e nem sei
De quem é e quero é procurar por um
Fim a este prolongado tempo
De paciente sem maca, sem UTI, sem
Médico, sem hospital; todos os remédios
Já ingeri, todas as injeções já
Apliquei; e comprimidos e xaropes,
Garrafadas, o que foi possível usar
Para acelerar minha cura, usei e
Tornei-me foi cada vez mais
Doente; e todo dia quando acordo
De manhã, penso: será que hoje acordei
Curado? e logo fico assombrado,
Assustado, um paciente terminal,
Que teima em sobreviver, se não
Tem o direito nem de viver; e como
É difícil se curar dessas doenças que
Atacam-nos desde o dia do nascimento;
E quando vou dormir, penso: bem,
Amanhã com certeza, devo acordar
Sarado, são, curado, livre de todas
Estas doenças que tornam-me um
Paciente sem paciência; e impaciente,
Logo descubro que, acordei pior do que
Dormir; e não dormi, não sonhei e
Vivi pesadelo a noite toda, deitado
No desconfortável velho sofá da sala;
E sonâmbulo cheguei ao trabalho
E inconsciente, voltei à casa
E lá estavam todos impacientes.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

MIKIO, 73; BH, 030302013.

Nunca parei de chorar e nunca
Pararei de chorar e gosto de perguntar:
Como fazer para parar-se de chorar? sinto
Tantas pessoas alegres e sou tão triste;
Percebo tantas pessoas tão felizes e sou
Infeliz e noto quanta gente bem
Sucedida e sou mal sucedido;
E inda conheço seres senhores de
Si, seguros, garantidos, confiantes e
Sou tão vacilante; e nunca pararei
De chorar por causa disso, procuro um
Motivo para consolar-me e não o
Encontro; e choro, pois, não quero
Nada do que todos querem; se tivesse
O desejo de ser igual a todo mundo,
Com certeza seria feliz igual a todo
 Mundo; e não quero nada do que
Todos querem e nem tenho nada
Do que todos têm; tenho é choro, pranto,
Lamentação e dor; mas sei que tudo
Isso não passa de demagogia, é pura
Demagogia o meu sofrimento; é o puro
E real fisiologismo, que passa com o
Primeiro copo de cerveja bem gelada;
Com a primeira dose da cachaça da
Forte, boa; estou igualzinho a todo
Mundo embriagado pelas futilidades
E inutilidades da vida; no primeiro
Copo de da roça curtida na semente
De sucupira, lá se vão todos os
Meus males vãs, é tiro e queda; e
Bêbado, vejo-me em todos os
Felizes, realizados, don juans,
Garanhões e galanteadores; e aí vem
A hora, não a que fere, mas a que
Mata e tenho que passar a ser eu
Mesmo: nunca pararei de chorar.

MIKIO, 74; BH, 030302013.

Ontem foi um dia promissor, de grande
Utilidade, muito Philip Glass, Johannes
Sebastian Bach e Heitor Vila-Lobos,
Para fechar a ópera Aida de Giuseppe
Verdi, completa; um dia ganho de uma
Tacada, todos os dias, como ganhei
O de ontem e que não foi perdido e nem
O perdi, repito; e alguns títulos das
Músicas de Philip Glass fizeram-me
Lembrar de Nietzsche e outros de
Wagner; imagino que ele deveria
Ter um vasto conhecimento desses
Dois gênios; Vila-Lobos, o nosso gênio
Nacional, sempre nos encanta em
Qualquer de suas obras; e ontem para
Bach, foi dia das Suítes para Violoncelo
Solo, obras-primas inconfundíveis e
Que dispensam os mais geniais
Comentários; são maiores de que
Quaisquer pensamentos; passar um
Sábado assim, cercado por essas almas,
A sentir esses espíritos nas suas
Criações, são momentos impagáveis,
E qualquer monumento que for
Erigido a esses imortais, fica
Finito, devido à eternidade que
Representam; Aida de Verdi, com
Pavaroti novinho em folha e no
Auge, é outro tesouro de calibre
De posteridade; a mim, resta-me
Agradecer por ter esta oportunidade
De poder, ao gozar essas obras-primas,
Fazer parte dos sonhos desses criadores,
Que, com certeza, fizeram-nas ao
Pensarem em mim, na certa, ou na cesta.

Philip Glass - Glassworks (complete)

MIKIO, 75; BH, 030302013.

Para quem tem vontade de poder,
Vontade de potência, vontade de fazer,
A vida já não é nada fácil; e
Para quem não tem vontade de
Poder e nem de potência e nem
De fazer? e como é a vida para
Quem não tem vontade nem
De ter vontade? ou a vontade de
Estar no desânimo? é só o estado de
Inércia, repouso sem estar cansado
E cansado por estar em repouso; e o
Combustível para o que tem vontade
É o amor; é o amor que é a vontade
De poder, de potência, de fazer; é o
Amor que não é a pilha queimada
E nem a bateria arriada; e quem
Não ama é assim, sem coragem até
Para viver, sem ânimo para fazer,
Sem tesão para existir; e percebo que,
Não amo, nasci sem amor; a vida
Para mim não podia ser fácil,
Tenho medo da vida, tenho medo
Do amor, tenho medo de amar; e não
Trabalho direito e não divirto-me e
Quando bebo, é uma sede sem fim,
Para afogar o que resta dentro; e sou
Filho de mulher de fibra, sou filho
De pai que lutou até contra a
Ditadura; era para ter herdado
Essas qualidades deles, mas, não
Soube honrá-los, não posso querer
Imitá-los; então, meus dias, como
Dizem as tradições, não serão
Prolongados, tanto quanto os deles
E deixarei em breve a terra.

MIKIO, 76; BH, 030302013.

Perambulei pala praia esbodegado,
O vento não animou-me e as
Ondas não fizeram-me dançar;
Sorumbático caminhei pela areia,
Meditabundo fitei o horizonte, não
Conseguia sorrir, queria só
Chorar e o choro não veio, fitei
O azul do mar; como meu coração
É pequeno, meu olhar curto e
Ouvidos moucos; era o universo
A querer fazer-me reanimar e
Prestava-me o que melhor tinha
A oferecer-me; ingrato segurei,
Desprezei, ignorei e inclusive,
Um barco estava ali à disposição;
A brisa movia-me, envolvia-me,
Enlevava-me e farrapo rolei
Igual rola a moinha que o vento
Leva; desistiram de mim e o
Azul ficou mais azul, a areia mais
Branca , as ondas mais ondas e
O mar mais mar e o universo
Mais universo, tudo a agradar-me;
O firmamento achegou-se mais
De perto, toquei-o com as pontas
Dos dedos, não é possível que
Teimas em não ressuscitar;
Arrepiei-me, calafrios
Correram-me a pele, tremia,
Quando dei o grito de liberdade
Ao infinito, passava-se já de
Tantas horas; as horas que
Sabem ferir aos que não sabem
Viver; o sol a pino, nenhuma
Nuvem no no céu, vi um corpo
Estendido na areia, era o meu, enfim, 
Em casa, levantei-me, saudei 
O universo e segui o meu caminho.

MIKIO, 77; BH, 030302013.

O leitor quer ler pouco, ou quase nada,
Ou não quer ler; penso que, a maioria
Não queira ler e sem leitor, não há
Escritor; e com leitor que ler pouco e
Com leitor que não ler, resta ao escritor
Escrever pouco, ou não escrever; o
Escritor escreve, pois o prazer de
Escrever, é maior do que o de ler,
Penso eu; também leio pouco, quase
Não leio, ou não leio nada e a nossa
Sociedade é assim, é a tradição e o
Costume, pouca leitura; para atrair o
Leitor de hoje, o livro tem que ser fino,
De poucas páginas mesmo, quase sem
Letras e sem palavras; e a escrita, a mais
Transparente possível, nada que faça o
Leitor  ter que pensar, pois, aí, ele
Desiste de ler; nada de enredo
Complicado, texto intrínseco e
Intrigante; até o Woody Allen já disse
Que leu poucos livros e os que leu
Eram finos e que se fossem grossos,
Não os teria lidos: um gênio o Woody
Allen; vi poucos filmes dele, não
Fazem-me nenhuma falta; mas sem a
Escrita penso que deixo de ter o que
Tenho, a escrita; e não sou lacônico,
Conciso e nem gosto de ser lacônico
E conciso, prefiro ser prolixo,
Justamente para treinar e acostumar-me
Mais com a escrita e à mão; sem papel
E caneta, perde-se totalmente a graça;
Se pudesse encontrar um meio que
Incentivasse a leitura, usaria, mas não
O tenho, pois quem se envolve com
Leitura, com escrita, não se envolverá
Com coisas desagradáveis; se soubesse
Passar às pessoas o que o prazer de
Escrever, o que é o prazer de ler, juro
Que o faria sem segredo nenhum.

MIKIO, 78; BH, 030302013.

Não chamarei a atenção, passarei
Incólume e anônimo pela multidão,
Pois, não chamarei a atenção; não
Despertarei interesses, passarei
Sem acordar ninguém; não farei
Barulho por um punhado de letras
E nem gritarei por bocado de
Palavras; quem ecoam os gritos
São os desfiladeiros, que são
Largos e profundos e minha
Garganta não ecoará nada; continuo
Com a boca seca e engoli toda a
Saliva, a língua está áspera, parece
Língua de gato, ou de gado, cheia
Reentrâncias; não tomarei o
Remédio receitado pelo médico,
Sou do tempo da bruta, quando
Remédio era muito alho, muita
Cebola, limão, pimentão, pimenta,
Salsa, coentro, cebolinha, couve,
Taioba, mel, cachaça, conhaque,
Vinho e não tomar remédio por
Nada, remédio mais estraga do
Que cura e já sou muito doente
De longo tempo; e não farei alarde
E nem algazarra, quero curar-me,
Mas com o que a natureza pode
Oferecer-me, como o que
Curava-me a minha avó e ela
Sabia de muitas curas, era
Rezadeira e benzedeira e sempre
Dava certo; não atiçarei a galera
Na galeria e na gare, não pegarei
O trem da história, deixarei aos
Que querem visibilidade; quero
Sótão, porão, estar debaixo do
Assoalho, bem ao meu estilo no
Rés do chão; quieto, na moita,
Mudo a estreitar a moda a brotar,
O botão a abrir, a flor a florir, o
Fruto na árvore do pomar; estou
Ao Deus dará, não chamarei a
Atenção, deixa como está.

MIKIO, 79; BH, 050302013.

O homem precisa ligar-se à terra, estar
Envolto na terra e não só voltar à terra,
Depois de morto; o homem  precisa
Conhecer a terra, sua tripas, suas
Entranhas, seus organismos, seus
Intestinos, suas medulas, seus tutanos,
Suas veias, suas seivas, seus subterrâneos;
O homem veio da terra, nasceu da terra,
Do pó de poeira, da lama, do barro e
Precisa voltar às suas raízes, enquanto
Vivo; e precisa se mumificar na argila,
No barro branco, na tabatinga, enquanto
Vivo; depois de morto, seus restos
Mortais só irão poluir a terra; o homem
Precisa comer a terra, possui-la,
Engravidá-la, para continuar o seu
Nascimento do útero da terra; se o
Homem estuprar a terra, violentá-la, a
Terra deixará de ser mãe, sangrará e
Não nos deixará mais leite e mel; e o
Homem precisa navegar nas veias da
Terra, conhecer suas seivas, seus
Sangues, resinas, líquidos, âmbares; e
Quando for fossilizado na terra e num
Futuro remoto, o seu esqueleto for
Encontrado, que o DNA do homem
Seja o da terra e o da terra seja o do
Homem, de tão intrínsecos que foram;
O homem há de engendrar a terra,
Pois a terra, engendrou o homem e
Deu-lhe resistência, poder, potência;
É necessário que o homem conheça
O coração da terra, suas palpitações,
Suas pulsações, suas sístoles, suas
Diástoles, suas oscilações; esta bela
Terra abençoada, planeta mais belo
Que se tem notícia, estalagem de
Todos os deuses, esta terra que o
Mala homem deveria amá-la como
Ama-se a uma mulher, como se
Ama a si próprio.

MIKIO, 80; BH, 050302013.

Antes da morte chegar, lavrarei o meu
Testamento, nesta escritura de
Emaranhado de letras e palavras; e
Isto é simplesmente para enganá-la,
Anda ávida a beber o meu sangue,
Desencarnar-me, descarnar-me e
Desossar-me e faço testamento para
Ela pensar que já estou perto de partir;
Mas, o meu caso é prolongar-me neste
Testamento, para iludi-la da melhor
Maneira possível; envelheci rapidamente
E sempre, ronda-me como uma ave de
Rapina, abutre do ombro do barqueiro
Caronte; urubu de teto de casa
Mal assombrada e para distraí-la,
Imortalizo-me nestas letras pobres,
Nestas palavras vãs, mas, que poderão
Ter um efeito ilusório de prestidigitador,
De falso taumaturgo, de pseudo
Testamenteiro inventariante inventador;
E não quero acabar os meus dias, igual
Ao filho do Cachimbo, que quando
Cachimbo morreu do coração, ficou a
Perambular largado pelas ruas da
Cidade; a última vez que vi o filho do
Cachimbo, ele andava de costas, só
De cuecas, todo encardido de tiriricas,
Pela contra-mão da Rua do Rezende;
Não quero acabar os meus dias assim
Loucamente, mais louco do que já sou;
E uso palavras de demente, uso letras
De bêbado, frutas da insanidade, que
São para a morte, uma volta nela; e
Se outros quiséreis bisbilhotá-las, não
Façais cerimônias, achegai a tempo.

MIKIO, 81; BH, 050302013.

Quando a engrenagem emperra,
Nemhuma flor nasce no asfalto, um
Solo de violoncelo não é ouvido numa
Tarde, ou o vento que acompanha
A chuva nos encanta; quando a
Engrenagem emperra, a borboleta
Não nos visita, a andorinha não
Faz festa e o calango foge do muro;
De repente, tudo quando a engrenagem
Emperra, tem o sabor do nada; o menino
Chora, a mão não o nina, o pai não sai
Para trabalhar; e o marido está na
Farra, as igrejas enchem-se de fieis e
Adeptos e os bares ficam vazios; os bêbedos
Recolhem-se mais cedo, há uma expectativa
No ar, de nenhuma expectativa no ar; os
Elementos corroem as entranhas, os
Canibais modernos fazem festins com
A nossa carne, não sobra nada no
Butim do organismo; quando a engrenagem
Emperra, o leite é derramado, a vaca vai
Para o brejo, a porca torce o rabo, o político
Lava a égua: "mim dei bem com as
Verba indenizatória, do orçamento impositivo
E das emenda"; e as almas que cobram perfeição
De outras almas, dão de cara com as
Próprias imperfeições; quando a engrenagem
Emperra, o sino não dobra, o cachorro
Não late, a galinha não cisca no
Quintal, o galo não canta no terreiro
E a lavadeira não estende a roupa
No varal; não há óleo lubrificante,
Quando a areia monazítica emperra
A engrenagem da ampulheta.

MIKIO, 82; BH, 050302013.

Como é que pode? não sai nada, uma
Gota de suor, uma gota de sangue,
Uma gota de saliva; como é que pode?
A fonte secou, secou o riacho, secou
O regato; como é que pode? nenhum copo
D'água, nenhum balde d'água, secou
A cisterna, secou a cacimba, o açude
E o ribeirão; nenhuma lágrima sequer,
Nada, nem uma única gota de coriza, de
Sereno, ou de orvalho; até o mar secou
E a brisa parou, a maresia dispersou-se;
Como é que pode? aonde foi parar a
Chuva? cadê a garoa? a plantação
Precisa de água, a criação precisa
Beber, as criaturas que se saciam com
Lágrimas, querem lágrimas e as que
Degustam sangue, querem sangue;
Como é que pode? nenhum cálice de
Vinho, odre de azeite, caneca de leite;
Secou o ar, nada mais tenho para
Molhar, lubrificar, o óleo para untar,
Secou, as cartilagens enrijeceram,
Os meniscos viraram pedras; como
É que pode? querer um desejo e não
Ter mais desejo, querer um gozo,
E não ter como saciá-lo; secou-se a
Matéria, desligou-se a energia, a
Vida secou-se e era tão vida, tão
Doce e azedar-se assim, duma
Hora para outra; somo todos máquinas,
Robôs, autônomos, teleguiados,
Somos todos movidos à molas,
Cordas; secaram-se as sentidos e
Pulverizaram-se os sentimentos; a
Razão dorme, e do sono despertam-se
Os monstros que nos habitam em
Pesadelos, secou-se o sonho.  

CHORA CAMBADA DE GOLPISTAS SEM FUTURO:

Posted: 21 Sep 2015 10:57 AM PDT
selo_onuCom informações das Nações Unidas
A presidenta Dilma Rousseff chega ao Estados Unidos nesta sexta-feira (25) para participar da Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável. Durante três dias, cerca de 150 líderes mundiais participam das discussões sobre o tema, na sede das ONU, em Nova York. O debate tem como objetivo traçar novas metas para o desenvolvimento sustentável. A agenda servirá como plataforma de ação da comunidade internacional e dos governos nacionais na promoção da prosperidade comum e do bem-estar para todos ao longo dos próximos 15 anos.
Acordada pelos 193 Estados-membros da ONU, a agenda proposta, intitulada “Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, consiste de uma Declaração, 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e 169 metas, uma seção sobre meios de implementação e uma renovada parceria mundial, além de um mecanismo para avaliação e acompanhamento. A expectativa é que os países participantes ratifiquem as propostas.
Presidenta Dilma discursando na ONU em setembro no ano passado, na Cúpula do Clima das Nações Unidas. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR Presidenta Dilma discursando na ONU em setembro no ano passado, na Cúpula do Clima das Nações Unidas. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
A agenda é única em seu apelo por ação a todos os países – pobres, ricos e de renda média. A pauta reconhece que a erradicação da pobreza deve caminhar lado a lado com um plano que promova o crescimento econômico e responda a uma gama de necessidades sociais, incluindo educação, saúde, proteção social e oportunidades de trabalho. Além disso, contemplar mudanças climáticas e proteção ambiental. Ao mesmo tempo, engloba questões como desigualdade, infraestrutura, energia, consumo, biodiversidade, oceanos e industrialização.
A nova agenda de desenvolvimento sustentável se enquadra no êxito do resultado da Conferência sobre o Financiamento para o Desenvolvimento, recentemente concluída em Adis Abeba (Etiópia). Espera-se que ela também afete positivamente as negociações sobre um novo acordo climático significativo e universal, que acontecerá em Paris (França), em dezembro deste ano.
Em declaração emitida após o consenso dos estados-membros sobre o documento final, da Cúpula, o secretária da ONU, Ban Ki-moon, destacou que a agenda é um “um plano de ação para acabar com a pobreza em todas as suas dimensões, de forma irreversível, em todos os lugares, não deixando ninguém para trás“.
Assembleia Geral da ONU
Depois da Cúpula, começa o debate de alto nível. Na segunda-feira (28), a presidenta Dilma Rousseff vai abrir a 70ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU). O Brasil, por tradição, é responsável pelo discurso de abertura da sessão. Desde 1947, os olhos do mundo inteiro estão atentos e voltados para os pensamentos brasileiros que abrem as discussões.
Posted: 21 Sep 2015 04:00 AM PDT
Agenda presidencialNesta segunda-feira (21), a presidenta Dilma Rousseff participa da reunião de coordenação política, marcadas para as 9h, no Palácio do Planalto.
*Agenda sujeita a alterações ao longo do dia. Para atualizações, acesse o Portal Planalto.

domingo, 20 de setembro de 2015

MIKIO, 83; BH, 050302013.

Um dia voltarei à cidade onde nasci,
Andarei nas ruas em que andei e pisarei
No chão que pisei; banharei nos rios,
Irei ao grupo escolar onde estudei
E recordarei das minhas professoras;
Visitarei as igrejas, a Matriz e o
Automóvel Clube; passearei pelas praças,
Antigos cinemas e o local onde era
A zona das primeiras gonorreias; um
Dia, voltarei à cidade dos meus quintais,
Terreiros e encruzilhadas; andarei
Descalço nas ruas de paralelepípedos
E beberei cachaça no mercado, comerei
Carne seca, queijo frescal e sentarei
No parapeito da ponte; visitarei os bairros
Da minha infância, atravessarei a
Rio/Bahia e pararei à beira do berço
Da velha Bahia e Minas; e lembrarei do
Meu velho pai ferroviário revolucionário,
Da minha mãe e a ninhada de filhos, do
Mingau de milho verde, dos caminhões
De lenha a serem descarregados e das
Minhas madrinhas; e sentirei saudades
Das minhas namoradinhas e sei que
Chorarei e beberei mais e ficarei de
Porre, pegarei um fogo como naqueles
Velhos tempos; terei muitas recordações,
Lembranças, memórias, boas e ruins;
E olharei para as casas onde morei no
Pau Velho e nos Velhacos; farei
Embaixadinhas nos campinhos de
Peladas, sim, um dia, fantasmagoricamente,
Visitarei a cidade onde cresci; e descansarei
À sombra duma gameleira mal assombrada,
Ou ao pé duma sepultura, em silêncio, no
Cemitério do alto do morro.

MIKIO, 84; BH, 070302013.

Coração esfaqueado no peito traspassado
Por estaca de madeira, corpo baleado por
Bala de prata; espectro dissecado e alma
Autopsiada, todo surrealismo do sobrenatural
Decomposto numa tarde declinante de
Delírio extremo; voz perdida no primeiro
Grito e as tripas as primeiras a acusarem
O sentimento e os intestinos a perderam
Os sentidos; a pele foi costurada ao
Avesso e a incisão suturada com fios de
Cabelos; e um boneco moldado, que é
Um Frankenstein com veias abertas de
Sangue coagulado; e trocar de rosto,
Trocar de perfil, fazer transplante de face,
Não garante ao espantalho, um rosto; e o
Fantasma fica sem ar, aspecto, semblante;
E num círculo vicioso, a pele da alma
Quer reencarnar outra pele, o ente baixar
Em outro ente e todas as entidades
Chamadas por tambores pedem manadas
De corpos para possuírem e haja cavalos
Bípedes para tantas legiões; é parar com
Os tantãs, pandeiros e atabaques, todos
Para os seus limbos, já; que teimosia que
Cheira à rebeldia, não há mais corpos,
Que agregação à vida é essa? não há mais
Entranhas; larga esse pedaço de osso, aí,
Cão sem dono, vira-lata, não se incorpora
Em ossada, esqueleto; larga essa caveira,
Aí, tuas bestas, não se faz mais nada com
Esse amontoado de ossos envelhecidos.

sábado, 19 de setembro de 2015

MIKIO, 85; BH, 070302013.

E nunca mais falei de amor,
Depois de certo tempo,
Não se fala mais de amor;
E que coisa mais fora de moda,
Piegas e arcaica e ultrapassada;
E que coisa atrasada,
Abrir a boca no salão
E falar do amor que há no coração;
E nunca mais falei de amor,
Ou ouvi falar de amor
E que coisa estranha,
Complicada e complexa, amar;
E ainda há lugar?
Em que tempo se julga este verbo?
E em qual pessoa
E em que voz?
Saudosos tempos em que se cantava,
Louvava e orava-se ao amor;
Nostálgicos dias de verão,
Noites de primavera,
Madrugadas de inverno,
Tardes de outono,
Em que o amor era patrono;
E os carnavais de outrora,
No qual todas as marchinhas,
Eram dedicadas ao amor das senhoras;
Não quero viver estes tempos de agora,
Tenho saudades do vento,
Que trazia notícias da flor,
Em cada pétala escrita amor;
E até em Deus se falava sem interferência
De padres, ou comunhão de pastores;
E o amor era grande e infinito,
Era eterno e durava mais do que isso;
Hoje nasce de manhã
E morre de noite,
Ou nasce de noite
E morre de manhã;
E o amor hoje é de hoje,
Não é o de ontem e nem será o do amanhã,
Amanhã será um outro amor,
Que ficará velho no entardecer;
E nunca mais ouvi falar de amor,
Ou ouvirei falar de amor;
Falar de que?
De amor e estou a falar de amor;
E direi que nunca mais falei de amor,
Nunca mais amor.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Mendigo sapiens; BH, 0180902015.

Mendigo sapiens de sapiência a mendigar
Ciência e paciência; paciente de tolerância,
A ter fé na esperança, de que a luz do
Sol, que brilha no vale, amanhã trará
Bonança e todo ser será bem-aventurado;
Mesmo que seja refugiado, em terra estranha
Estado, perseguido de noite e de dia,
Passageiro da ânsia e da agonia; e
Navegado em mares encapelados, que
Desemboca em praias forasteiras, onde o
Corpinho jaz, por tudo que o capitalismo
Faz, emburrecer nações, estupidificar
Religiões, neoliberalizar sistemas dominantes,
Escravocratas, colonizadores; marcha de
Horrores, zumbis escamoteados nos derredores
Das fronteiras, muralhas erguidas de
Concreto e aço e braços armados e
Cães de dentes afiados; crianças
Chutadas, velhos pisoteados, mulheres
Secas que só têm a oferecer os próprios
Corpos, ou os das filhas, ou os das netas,
Em busca duma outra salvação,
Que não seja a eterna, a temporária,
Que atenue um pouco a aflição; e
Querem ser aceitos por um pedaço de
Pão, um pouco d'água, um espaço de
Chão; e ao fim da tormenta, voltarem
Ao torrão, agradecidos e com a certeza,
De que num futuro, se a situação for
Inversa, farão de tudo para retribuírem a
Acolhida bem recebida; e ninguém quer
Ficar longe da pátria, ser enterrado em
Terra que não seja a sua, ou ter o
Coração plantado em outro chão.

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Posted: 18 Sep 2015 01:07 PM PDT
Em mensagem divulgada pelas redes sociais nesta sexta-feira (18), a presidenta Dilma Rousseff manifestou repúdio contra o crescimento do preconceito e da intolerância no País. Segundo ela, o “ódio não é liberdade de expressão”, e para o convívio em sociedade é preciso respeitar as diferenças.
“O ódio não é liberdade de expressão. Uma sociedade que se pretende civilizada deve aprender a conviver muito bem com as diferenças, deve aprender a tolerar as divergências culturais e de pensamento. O Brasil sempre foi um País pacífico, fraterno e tolerante. Se quisermos ser um País cada vez mais civilizado, devemos honrar essa nossa tradição”, diz o comunicado.
No vídeo, a presidenta expressa “repúdio a toda forma de ódio contra quem quer ou o que quer que seja”. E acrescenta que o governo seguirá combatendo a “xenofobia e qualquer tipo de intolerância”, bem como “seguirá combatendo o racismo, a homofobia e a violência contra as mulheres”.
Dilma também declarou que o Brasil sempre foi conhecido mundialmente pela alegria e fraternidade de seu povo. “No mundo inteiro, nós, brasileiros, somos bem acolhidos porque enxergam em nós o espírito de paz, de amizade e de confraternização”.
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