quinta-feira, 3 de setembro de 2015

MIKIO, 120; BH, 0290302013.

À minha frente doze horas
E o que poderia escrever para
Passar este tempo? poderia simplesmente
Cochilar, ler não posso, não trouxe
Jornal, hoje é Sexta-Feira Santa
E a moça que vende jornais não
Estava no ponto; a padaria também
Não havia recebido; poderia ter
Trazido um livro, esqueci e é
Recorrer à escrita; dos males o
Menor, a escrita, onde posso falar
Dos meus antepassados; adoro os meus
Antepassados, meus avôs e minhas
Avós da pré-história; e penso nos
Partos da idade da pedra, nas
Mães a amamentarem filhos e a
Fugir de tiranossauros-rex e
Outros predadores; e penso nas tentativas
De comunicação, na sobrevivência,
Nas cavernas que eram disputadas
Com tigres-dentes-de-sabres; se
Tivesse nascido na idade da
Pedra, teria morrido no dia do
Nascimento: fátuo do jeito que sou,
Flácido, frágil, fraco, não viveria
Um segundo naquelas condições
Tão inóspitas; e penso ainda que foi
Essa resistência pré-histórica,
Essa luta desigual, que fez com
Que, a humanidade chegasse
Até aqui; e inda penso que, com
O pé firme nesse passado, a
Humanidade irá além, bem mais longe,
Ao encontro da suprema felicidade

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