sexta-feira, 25 de setembro de 2015

MIKIO, 69; BH, 030302013.

A mão direita pega a caneta entre os
Dedos polegar, indicador e maior de
Todos e a desliza pelo papel; a mão é
Minha, os dedos são meus, o pepel é
Meu, a caneta é minha, mas, não
Tenho conhecimento da trama que
Estes cinco aprontam; não sei o que
É deixado nas linhas desta página
Ao deslizar da mão; dormente, a mão
É movida, mas não é por mim, sou o
Que não sou meu e o que fazem
Independe da minha vontade; é no
Além que um dia releio o que
Estará escrito aqui; é na vida após a
Morte, na reencarnação, que tomarei
Conhecimento do que faz esta mão;
É uma mão autônoma, guiada pelos
Sopros dos ventos, pelos balanços
Das ondas do mar e pelos encantos
Das noites, das madrugadas e dos
Silêncios; um dia, alguém me
Perguntará: escreveste isto? terei
Que responder não, quem escreveu
Foi está mão que tem vida própria,
Mão de fantasma, mão de espírito,
Mão de ente, mão de entidade,
Menos mão de gente; é uma mão
Cheia de vícios, mão de Onã,
Viciada, transviada, corrompida,
Corrupta e corruptora; e escreve
Como se fizesse alguém vomitar,
Como se estivesse a estrangular
A caneta, a apertar o pescoço de
Algum peru para a ceia do dia de
Ação de graça; e incontinente, se
Sacia com estes arroubos dementes.

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