terça-feira, 22 de setembro de 2015

MIKIO, 76; BH, 030302013.

Perambulei pala praia esbodegado,
O vento não animou-me e as
Ondas não fizeram-me dançar;
Sorumbático caminhei pela areia,
Meditabundo fitei o horizonte, não
Conseguia sorrir, queria só
Chorar e o choro não veio, fitei
O azul do mar; como meu coração
É pequeno, meu olhar curto e
Ouvidos moucos; era o universo
A querer fazer-me reanimar e
Prestava-me o que melhor tinha
A oferecer-me; ingrato segurei,
Desprezei, ignorei e inclusive,
Um barco estava ali à disposição;
A brisa movia-me, envolvia-me,
Enlevava-me e farrapo rolei
Igual rola a moinha que o vento
Leva; desistiram de mim e o
Azul ficou mais azul, a areia mais
Branca , as ondas mais ondas e
O mar mais mar e o universo
Mais universo, tudo a agradar-me;
O firmamento achegou-se mais
De perto, toquei-o com as pontas
Dos dedos, não é possível que
Teimas em não ressuscitar;
Arrepiei-me, calafrios
Correram-me a pele, tremia,
Quando dei o grito de liberdade
Ao infinito, passava-se já de
Tantas horas; as horas que
Sabem ferir aos que não sabem
Viver; o sol a pino, nenhuma
Nuvem no no céu, vi um corpo
Estendido na areia, era o meu, enfim, 
Em casa, levantei-me, saudei 
O universo e segui o meu caminho.

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