segunda-feira, 7 de setembro de 2015

MIKIO, 107; BH, 0210302013.

Queira desculpar, há tempos, observo-o
E estás, assim, nessa posição, inerte, como
Se fosses uma estátua; desculpo-o, com
Motivos, ou sem motivos, é que estou a
Pensar o universo e observo-o; és um
Pensador? não, Sócrates fazia o mesmo,
De pé e de noite, mas a ouvir os seus
Demônios; como sabes disso, Sócrates não
Deixou nada escrito? mas Platão deixou
E conta-nos em alguns fragmentos de obras;
E tentas ouvir demônios? não, sou
Um demônio; és um demônio? e
Qual homem que não é um demônio?
Então, também sou um demônio? todo
Homem é um demônio, uns mais passivos,
Outros mais ativos; de onde tiras essas ideias?
És por ventura um santo? és por ventura
O homem santo? não sou santo, mas,
Também não sou demônio; pensa
Que não és, mas, todo homem, se não for
Um demônio, traz um demônio dentro de si;
E para despertá-lo, não precisa de muito
Barulho, um pouquinho só de poder
E a fera estará desperta; fiques aí,
Meu antigo, em confabulações com
Os teus demônios; e siga tu os teus
Caminhos com os teus, continuarei
Imóvel, estático, estátua, a
Perscrutar o universo, só ensejo é
Que não apareça outro como tu,
A tirar-me das minhas eternas reminiscências,
Não queiras perdoar-me com
Motivos, ou sem motivos.

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