segunda-feira, 7 de setembro de 2015

MIKIO, 109; BH, 0230302013.

Quem pode, enaltece o que tem e
Quem não pode, enaltece o que não
Tem; se não tenho o que quem tem,
Tem, enalteço o que tenho e é o
Que talvez o que quem tem, tem,
Não tenho: o universo, o infinito,
A eternidade, a posteridade, o além;
O que entristece-me em quem tem,
É que tudo que tem, terá que deixar
Aqui; e o que alegra-me em mim, é
Que nada deixarei aqui; e irei ao
Encontro de tudo que tenho: a
Imensidão, o firmamento, a áurea
Sideral, constelações, aglomerados,
Galáxias, sóis; se por não ter nada
Aqui não deixa-me triste, canto do
Mesmo jeito, danço em redemoinho
Com os ventos, brinco de esconder
Como os raios, grito com os trovões
E mantenho relações incestuosas com
A chuva; e dispo-me para a natureza,
Da mesma forma que São Francisco
Despiu-se e mantenho dialética com
Os pássaros, os cachorros, os gatos;
Troco zumbido com os besouros e
Confirmações com os calangos,
Lagartixas e taruíras; confabulo com
Os lagartos, as minhocas e as lesmas,
Ouço caramujos, os casulos e os
Insetos em suas fases; e enalteço
Essas coisas que não tenho e penso
Que, o bem precioso talvez seja o
Não ter e sim o ser; e engrandeço-me
Nessas coisas que não sou, nessas
Coisas que não tenho.

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