terça-feira, 15 de setembro de 2015

MIKIO, 90; BH, 090302013.

O que tem de ser feito, é um texto
Encantado, que encanta até mau-olhado;
O que tem de ser feito, é isso, um
Texto que seja um feitiço, uma macumba
Boa, um despacho bom, um trabalho
Que amarre a quem pousar os olhos nas
Linhas dele; atualmente, vive-se pelo olhar,
A nossa porta de entrada são os olhos,
Não mais a percepção e todos querem ver
E na estética literária, onde o visual é fraco, o
O texto tem que ser visionário; gosto de
Criar textos de todos os jeitos e maneiras,
Mas não são visuais; são textos cegos,
Sem olhos, sem visões, que, depois,
Caducarão nas gavetas das cômodas
Dos quartos de minha casa; gosto de criar
Textos que falem de mortos, ossos, ossadas,
Esqueletos, caveiras, de seres imortais, de
Assombrações, de fantasmas, espíritos,
Entes, entidades, sombras, penumbras,
Madrugadas, noturnos, paredes, paredões,
Muros, falésias, morros, montanhas,
Cordilheiras; faço milhares de textos assim
E abarroto os caixotes, as arcas, as caixas;
As traças adoram papel velho e às vezes
Novos, as traças são as únicas a se
Deleitarem com esses textos macabros;
Textos cheios de velórios, cemitérios,
Cruzes, encruzilhadas, defuntos, cadáveres,
Fãs do Zé do Caixão; e de putas, pois,
Nestes textos dos quais prezo, não podem
Faltar as putas, doces, ou azedas, as minhas
Prediletas raparigas, prostitutas, meretrizes;
O que tem de ser feito é um texto cheio de
Defeito, pois inda não nasceu um perfeito.

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