segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Nelson Cavaquinho Completo {1973} - Jamiel Silva

Homo pinealens; BH, 02502601102016.

Homo pinealens, vive de forma subcutânea, cultiva a 
Terceira visão, pratica a clarividência, a clariaudiência,
Tem fórmulas do ocultismo; sobrevive só, engendrado
Em si, entranhado nas entranhas, nada lhe é estranho
E percebe o imperceptível; abusa da lucidez, perde 
Tudo de natural e ganha toda espiritualidade; lateja 
No escuro a sondar as trevas, a luz artificial vai para 
Um lado e homo pinealens vai para o outro; capta as
Premonições nas suas reminiscências, constrói nos 
Terrenos subterrâneos, hiberna nas locas cardíacas, 
Desprendido, incompreendido, lamenta a morte das
Estrelas, chora as galáxias engolidas pelos buracos 
Negros; quer virar constelação, colecionar universos,
Dimensões e ser, sempre, um gigante invisível; e quem
Pensa no que o homo pinealens tem nas adversidades? 
Ninguém pensa, mas, ele tem amor-próprio e ao 
Próximo, o moral é elevado, a autoestima é alta, e a 
Verdade nunca é a mentira, é a verdade mesma: pura,
Nua, crua, e aplicada; por nascer nas eras glaciais, é
Ultramoderno, intra órgão e livre de sentimentos 
Mesquinhos; justo, despreza a injustiça, o injusto e o
Indiferente; não perde a vida por nada e nem teme a 
Morte por tudo e tem por ideal o sobrenatural; canta,
Dança, medita, reverbera, todos morrem, vive; 
Transcende essências, repele excrescências, aceita a 
Dor mais aguda sem fingimentos, por ser maior do que 
A dor; sereno, orvalho, de gelo, mudo, fala por 
Consciência de puro aço inoxidável.  

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

João Nogueira e Paulo César Pinheiro - Parceria Ao Vivo 1994(álbum c...

Paulo César Pinheiro - Paulo César Pinheiro (1980) Álbum Completo - Full...

Morrerei sem ser sarado; BH, 01501102016.

Morrerei sem ser sarado, curado, mas, também, 
Para quê morrer com boa saúde? e morrerei 
Esquecido, pois, nem eu lembrarei-me de mim; 
E é bom morrer assim, com a certeza de não 
Ter muitos anos para viver-se; e é ótimo morrer
Sem ter nada: já não tenho mais cabelos, nem 
Dentes e vistas, e em muitos lugares do corpo,
Nem pele; e já não tenho mais amor, paz e 
Satisfação, só canseira e enfado de fim de vida;
Preocupa-se, ao morrer, quem tem muitas 
Coisas, e terá que deixar tudo aqui; a graça de
Quem não tem nada, como não tenho, é que 
Não deixa nada, nem a vida, lembranças, 
Recordações, memórias, nostalgias, saudades;
Até tentei curar-me, mas, malgrado meu, ficava
Com mais ressaca, do que com cura; não ficava
Sarado, restabelecido, revigorado, ficava 
Cansado, esgotado, sem sangue para verter,
Sem suor para molhar a camisa e sem lágrimas,
Sentidos, emoções, tristezas ou alegrias; se 
Pudesse dizer alguma coisa para alguém, diria, 
Cura-te a ti mesmo; e, quem sou eu para dizer 
Isto, se não sei nem dizer alguma coisa para mim,
Quanto mais para alguém? e se tentasse dizer,
Ouviria de volta, não sabes de nada, e queres
Dar uma de falastrão? ora, enfia a tua língua em 
Algum orifício da tua alma, do teu corpo, ou do 
Teu espírito; e bem feito para mim, não cuidei 
Da minha vida, não aprendi a viver e nada posso
Querer passar a outrem; pouparei os ouvidos de
Todos e seguirei o conselho, enfiarei a minha 
Língua no buraco do tatu.

domingo, 13 de novembro de 2016

Precipício precipitado de voo cego; BH, 0180802016.

Precipício precipitado de voo cego
Em queda livre preso às correntes
De ar psicossomático;
De mergulho nas pedras vivas
Nada no rio de lava do magma do
Manto do peito da terra;
É o leite de seio de mãe solteira
Que lança o leite nas rochas e
Não amamenta os rebanhos;
E nada nasce da semente lançada
No deserto;
A letra não vinga
A palavra não brota
A oração não atinge o coração
A sentença não é o veredicto da frase
O período não tem parágrafo
O parágrafo não tem artigo
O artigo não tem teor.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Não posso cansar-me; BH,

Não posso cansar-me, a meta é 
Sair do escondido, do oculto; a teoria, o 
Tema são a cura, a luz do sol, o abandono 
Do esconderijo das trevas, da escuridão; 
Não posso esgotar-me, o norte é a 
Independência, a potência, o poder de 
Não ser escravo do sistema; não posso
Estafar-me, a busca é constante e o 
Encontrado é pouco, quase nada, nulo,
É insignificante, mas, não posso desistir,
É persistir, mesmo que seja no erro, 
Na absurdidade, na desrazão, no 
Desassossego, no correr de medo, de
Covardia, de falta de segurança, de 
Confiança, ou garantia; a noite não é 
Tão longe, a jornada tão distante e 
Daqui, as estrelas são iguais, de lá,
Somos todos diferentes; não olhamos 
O sol de frente, não olhamos a lua
Detrás e de grão em grão, os ventos
Formaram os montes e do vômito
Da cratera nasceu a terra; e foi
Pisada de pé em pé, a deixar pegadas,
Nas rochas quentes, derretidas na 
Lava do vulcão; e não é luta em vão,
Cada um pode ter uma porta, uma 
Chave na mão e a porta esconder 
Um muro de lamentação, uma 
Muralha de lamúria vista do infinito;
E numa cordilheira cosida com a 
Linha do horizonte, cerziu-se uma 
Imagem panorâmica, tecida de tecidos
De velos de ouro, num sonho que 
Durou a eternidade e que acordou-me
Para a posteridade, na luz perpétua da 
Manhã, que nunca mais esquecerei; e 
Se esquecer, beberei para lembrar,
Levantarei com força de gravidade
Do chão, erguerei o mundo e no 
Ponto de apoio de minha alavanca,
Escreverei a espera da canção; e a 
Porta da imortalidade será aberta,
Entrarei nela vivo, a olhar um 
Corpo morto no esquife de prisma.  

Ansiado por algo; BH, 0250802016.

Ansiado por algo de inusitado que não 
Acontece, uma febre, uma gripe, um resfriado,
Uma constipação, uma infecção; assombrado
Por medo da realidade, sem conhecer a 
Verdade, assustado pela covardia unânime
Na alma, no ser, no espírito e a depressão
Que prostra o corpo no chão; é um abcesso 
No cérebro a latejar a razão, um tumor no 
Cerebelo a detonar a intuição; e a percepção
Fica escondida atrás das retinas bombardeadas
A lazer; analisada por caleidoscópio, a 
Paisagem para de vibrar e a fímbria 
É o fim do universo, que começa o 
Inverso, a guiar uma mão que 
Implora um pedaço de pão, ao som
De um trovão, à luz de um raio de 
Premonição; ai, quem me dera ser 
Aquela vela, a perder-se além daquele
Horizonte daquele oriente; não é uma
Vela, é uma estrela, é uma toalha branca
Num varal a corar; minha mãe foi quem
Estendeu, depois de lavá-la; é muita roupa,
Pouco sabão, água quase nenhuma, tanque 
Não tem, é pedra, é anil, na beira do 
Rio, lá se foi a pele da mão; a preta
Ajudava, calada, não sabia falar, não
Sabia escrever, não sabia rezar, mas,
Sabia foder; e dava para uma fauna  
Sedenta, de quem não tinha o 
Que comer; um dia, cansado, o
Tempo parou alquebrado, as horas
Caíram dos telhados e a noite adentrou-se,
De boca aberta, a engolir o dia e a vomitar
Astros na imensidão, e os enamorados correm 
Aos beijos, ao amor, às juras de vida eterna.

domingo, 6 de novembro de 2016

Sambas de Enredo Inesquecíveis ( 1ª Sequência )

Uma âncora; BH, 0901002016.

Uma âncora para fundear os navios,
Uma baia de salvação, uma porto de 
Angra, um cais de invenção, o marujo
Perdido, o marinheiro em alto-mar, o 
Náufrago de refrega, espera a bonança,
Depois da procela, do vendaval, do 
Temporal; ó naus, caravelas infelizes, que 
Desenharam histórias d'outros torrões á 
Flor d'água, correntes que aprisionaram
Gentes libertadas em outros continentes;
Os mapas mudaram o mundo, o mundo
Mudou o homem, o homem não mudou 
A si mesmo, depois de tantos morrerem,
Para que o homem fosse homem; e o 
Homem é pueril, alma de menino, um 
Infantojuvenil, mas, só não é homem;
Jogado de onda em onda, levado de 
Mar em mar, afogado de oceano em
Oceano, não vê a terra chegar, e a 
Cada braçada, mais distante está; nada,
Nada, e nada, a areia muda de lugar; o
Sonho galopou para longe, numa 
Tempestade, a obra afundou, a arte 
Secou na fonte, com tanta água na 
Fronte; marinheiro desgraçado, que 
Pensava que era deus, que dominava 
Ventos, sóis e luas; marinheiro caminheiro
Marítimo, bálsamo de maresia, âmbar de
Iguaria, sangue de coração destemido, de
Olhar aguerrido, que fura as paisagens: 
Quando um negror pontua no horizonte
E um coração soluça de ansiedade,