sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Doutor; RJ, 0200701981.

Doutor,
Para o meu caso,
Não existe solução,
Não existe remédio,
Não existe médico,
Não existe não;
Nem psicólogo
E nem psiquiatra;
Sou uma rata,
E para o meu mal,
E minha doença,
Não existe cura;
Sou egoísta e ignorante,
Minha doença sou eu,
E para sarar,
Tenho que morrer;
Sou orgulhoso e podre,
Ambicioso e mal,
Guloso e faminto;
Doutor,
Não sei o que fazer,
Para me fortalecer,
Sair desta ideia,
Deixar esta idiotice,
Parar com tanto pensamento,
Que me tiram do sonho
E me jogam em pesadelo;
Gostaria tanto de curar
A minha mente,
A minha cabeça
E a minha semente;
Deixar de ser doente,
De ser vil e maluco,
De ser doido e louco;
Doutor,
Gostaria tanto,
De ser somente eu,
Sem precisar de ser,
O que as pessoas querem,
Que eu seja.

Ai quem me dera viver; BH, 0200402000.

Ai quem me dera viver, 
Sentir-me livre do teu amor
Anabrótico e corrosivo;
Ai quem me dera estar longe
De tudo que é relativo a esta
Anabrose, que rói as entranhas
Dos meus ossos; chega de
Ulceração superficial, teu amor
Só me faz mal; gosto de sofrer
Profundamente, ter o anabolismo
Negativo, alterado o balanço
Positivo; e que as transformações
Que sofro no meu organismo
Desequilibrem as substâncias
Nutritivas; e que toda assimilação
Anabólica, seja como uma anabiose,
Numa suspensão das funções vitais;
E todo meu organismo vegetal ou
Animal, por congelação dos meus
Nervos, que por dessecamento
Dos meus membros, sem a revivência
Das minhas forças, depois de toda
Noite de amor; e de manhã, sou
Uma anabi, arbusto da família das
Loganiáceas; e que mesmo a ser um
Anabenodáctilo, animal que tem os
Dedos conformados para trepar,
Não consigo galgar sequer um degrau
Na vida; não consigo crescer mais
Do que uma mulher anã, de estatura
Muito inferior ao normal; e não passo
De uma piquira, uma peva pedra
No rés do chão.

Gota a gota e pingo a pingo; BH, 090102000.

Gota a gota e pingo a pingo,
Pouco a pouco e passo a passo,
De um a um, encontros similares,
Já não sei mais o que faço,
Nem mesmo da preposição,
A mais comum e menos especificativa
De todas as preposições;
Pois exprime quase todas as relações,
Existente entre as palavras,
A substituir outras preposições
E indica fundamentalmente,
Movimento de aproximação, de
Direção e fim e lugar;
De onde vem o proveito,
O dano e o modo,
Do prefixo que equivale à partícula,
Prepositiva vernácula o latim ad
E exprime tendência do ser,
Aproximação do semelhante,
Semelhança do próximo
Ou simplesmente maior força
Expressiva de prefixo expletivo;
Exemplo de acinzentado,
De tirante a cinzento,
Achegar ao corpo do outro,
Ao aproximar da carne;
Não o comportamento do urbanoide,
Mas o do acaipirado do campo,
Feito caipira ingênuo;
Apá, (pá), a lagoa escura,
Lagoa de areia branca,
Que faz alevantar o brio,
Levantar os braços aos céus e bradar,
Como tudo que é muito usado,
Na língua vernácula para a formação
De verbos e de adjetivos participiais
E de substantivo mais raramente,
Seu correspondente aproximado ou acavalado,
Ou encavalado amarelecer do amanhecer até emarelecer.

Não mande-me embora; RJ, 0210501998.

Não mande-me embora,
Penso em ti toda hora;
Sinto a tua presença,
Vejo a tua imagem,
Tua sombra e silhueta;
Não abandone-me,
Guarde o meu nome,
Mate minha fome
De amor e paz;
Preciso de teu leite,
Do teu mel, do teu leito
E do teu jeito;
Não sei o que será,
Que vai me acontecer,
Se me deixares morrer,
Afogar-me em mágoas,
Em manchas e nódoas,
Perder-me em erros;
Acerta-me os ponteiros,
Dá-me corda e vida,
Não me reprimas
E nem me proíbas de nada;
Deixe-me ser feliz,
Livre e sem censura;
Não me expulses,
Deixe-me acoplar em ti;
Ser o teu parceiro e cúmplice,
Teu verdadeiro escravo;
Não mande-me embora,
Minha alma chora;
Ficarei destruído
Distante de ti
E não terei salvação,
Se não tiver a tua mão;
Abrace-me e beije-me,
Quero sentir na carne,
Tudo que é feito de ti;
Quero gravar no corpo,
Tudo que for feito por ti.

Gosto do a que sou; BH, 090102000.

Gosto do a que sou,
Substantivo masculino predominante,
Vogal oral, primeira do alfabeto,
Ao corresponder ao alfa grego
E ao alef semita;
Que tanto primitivamente,
Foi escrita no inverso do universo,
Quando os gregos e os latinos,
Deram-lhe a posição atual;
Quantas vezes na história,
Foi escrita inclinada,
Donde se originou,
A forma arredondada
E em música de melodia,
Representou a nota lá,
No segredo da sinfonia;
E em química o símbolo do argônio,
Que destoou a agonia;
Gosto do artigo definido feminino de o,
Donde deriva-se do demonstrativo latino illa (m);
Nos primeiros tempos da língua foi lá,
Hoje está para cá,
A reduzir-se depois a a,
A deixar ao vestígio pela (per-la)
E respeito o pronome pessoal,
Do singular femino,
Do caso oblíquo
E o pronome demonstrativo,
Equivalente a aquele;
É a mesma forma de articular,
Mas com função de pronome pessoal
Ou de substantivo;
Foi escrita no período arcaico, la
Forma que aparece verbi gratia,
No por exemplo após o infinito,
Vou vê-la tão bela,
Chamá-la de meu amor,
A conjunção coordenativa latim ac,
E corresponde a e nas locuções adverbiais,
Gosto assim de todos os ais de amor.

Se não conheces a fome; RJ, 0260501995.

Se não a conheces a fome,
Dê graças a Deus
E penses nos teus,
Que vagueiam pelo mundo
E que a conhecem muito
E não sabem como,
Acabar com ela,
A fome;
Vou apresentar,
Vejas as crianças,
Que morrem sem viver,
Morrem sem conhecerem,
Um pedaço de pão,
Um copo de café com leite,
Um prato de arroz com feijão;
A fome,
Elege políticos,
Enriquece governadores,
Dá poder a presidentes,
E dólares muitos dólares,
Aos planos assistenciais;
E só os hipócritas,
Demagogos e imbecis,
Lucram com ela;
A fome está aí,
E não pode acabar;
Onde é que o senador,
Vai conseguir votos?
A fome,
Ronda a buscar vítimas
E geralmente são crianças.

Não consigo fugir e esconder-me; BH, 0401101999.

Não consigo fugir e esconder-me,
Sou um acalcanhado pela sociedade;
Fui pisado com o calcanhar,
Igual se pisa na cabeça,
De uma serpente vil e reles;
Calcado pela burguesia,
Vexado pela elite,
Humilhado pela classe dominante,
Até hoje não recuperei-me;
Fiquei traumatizado,
Acabado igual ao calçado,
Cujo tacão está entortado,
Com o uso do andar;
Estou cambado e acalcado
E não sei superar;
E ainda esta acalasia,
Esta falta de relaxamento de esfíncter,
Que quer estourar-me;
Na corrente não aceita,
Na liberdade de minha alma,
Na prosódia acalásia,
Na linguagem médica deturpada,
Que não deixa tirar a saúde
Da noz do caju,
Da acajuba e da acajucica,
E da resina do cajueiro,
E da casca da acajurana,
Árvore da família da Leguminosas;
E por mais acajadado que seja,
Não aprendo a distinguir,
O meu lugar daqui;
Quanto mais espancado sou,
Mais entrego-me.

Sou uma mulher carente; RJ, 0260501995.

Sou uma mulher carente,
Mal amada e sem carinho;
Tranco-me dentro de mim,
Não abro-me a ninguém;
Sou uma mulher perdida,
Ninguém achou-me;
Meu sangue secou-se,
Meu pranto evaporou-se
E ainda estou,
Lançada no seio da vida,
Sem encontrar um braço forte,
Que ampare minha queda,
De encontro à morte;
Sou uma mulher sem sorte,
Minha boca nunca foi beijada,
Meu corpo nunca foi acariciado;
Nunca fui possuída,
Homem nenhum me quer;
Todos olham-me de longe,
Correm de medo de mim,
Sabem que sou mulher carente,
Sabem que sou necessitada,
E torno-me fácil,
E mesmo assim não querem-me;
Passo despercebida e só,
Coração a pulsar,
A bater loucamente,
Ao primeiro olhar de consentimento,
Entrego-me toda,
Só por um carinho.

Tem que bater-me com cajado; BH, 0401102999.

Tem que bater-me com cajado,
Espancar-me até moer-me,
Curvar-me a cajadadas,
Dar a forma de cajado,
Às minhas costas;
Tem que deixar-me recurvo,
De cabeça baixa igual porco,
Orelhas caídas a cobrir os olhos
E onde não consiga
Nem elevar a cabeça,
Para olhar o pé de acajá,
Nem mesmo ver a fruta
Ou desfrutar o cajá;
E que seja expulso,
Do açaizal, bosque de açaizeiros,
Igual eles foram expulsos
Do jardim do Éden;
Já que no meu ser,
Não existe lugar para acairelar,
Ou guarnecer de cairel,
Borda de prender alma,
Extremidade de espírito,
Orla de sentimento,
Beira de abismo,
Debrum de acairelador;
Acairela no cercado,
Não há beira de apoio,
Uma amarra de gancho salvador,
Um forte acairelado,
Que dê garantia ao fim da dor,
Da angústia do medo,
A covardia extrema,
Que enfraquece o amor.

Pode uma pessoa; RJ, 0401201987.

Pode uma pessoa,
Que luta pela liberdade,
De sua pátria,
Ser chamado
De terrorista
Ou de guerrilheiro?
Penso que não;
Se vives,
Oprimido e reprimido,
No teu próprio país,
E se lutas
Para libertar teu povo,
Consegues terras,
Trabalho e emprego,
Felicidade e tudo o mais,
Para um povo sofredor,
Tu és um herói,
Um herói popular,
Um herói sem fronteiras.

De que que vou morrer; RJ, 0401201987.

De que que vou morrer,
Talvez até morra de câncer,
Em algum lugar do corpo;
Talvez nem morra,
Sofra até o final;
Aids mete-me medo,
Lepra é possível,
Tuberculose não sei;
De que que vou morrer?
Assassinado não quero,
Atropelado também não;
Morro do coração,
A melhor morte que existe;
Tu já pensaste,
Morrer matado,
Pelo principal órgão do corpo,
O centro da emoção,
Da felicidade e da paixão;
O órgão máximo da máquina,
Para de funcionar
E vais para o beleléu;
Graças a Deus,
Graças ao Diabo,
Quem habita o meu ser?
Não sei, não posso saber;
Nem eu que habito,
Meu próprio ser,
E continuo a perguntar,
De que devo morrer?
Pois a coisa mais certa,
Que sei,
É que no segundo próximo,
E devo morrer,
Não sei de que.

Nunca vou perder; BH, 0401101999.

Nunca vou perder,
Este meu jeito acaipirado;
Sempre fui feito caipira,
De maneiras acanhadas,
Modo amatutado,
Tímido e acanhado;
Calado e mudo comigo,
Perco a voz e a fala,
Na hora que
Mais preciso delas;
Tremo e gaguejo,
Sou uma vergonha, só;
E penso que mesmo,
Se fosse acaico,
Da Acaia, na Grécia,
Seria do mesmo jeito,
Que sou aqui;
Só não seria se fosse,
Um acaléfico relativo,
Aos acalefídeos ou acaléficos,
Espécime e classe dos celenterados,
A quem pertence as grandes
Águas-vivas Cifozoárias;
Aí não teria problemas,
Não teria complexos,
Nem dogmas e nem religiões;
Não teria tabus e nem medos
E esqueceria eternamente,
Esta vil covardia,
Que não deixa-me libertar-me;
E faria parte da acalefologia,
Pedaço da zoologia acalefológica
E viveria feliz para sempre.

Sou um menino chorão; BH, 0401101999.

Sou um menino chorão,
Perdi pai, mãe e irmão;
Dai-me um acalenta-menino,
Uma espécie de feijão,
Usado na alimentação de crianças,
Que não vou,
Chorar mais não;
Vou ficar acalmado,
Calmo igual ao céu azul,
Sossegado como o campo verde,
Tranquilo igual ao vento,
Moderado igual ao santo,
Quieto e a dormir no meu berço;
Longe do acalipto tenebroso,
Serpente venenosa e hidrofídea,
Que gosta de comer,
Menino chorão passarinho,
Que caiu no açalpão
E quebrou a asa no alçapão;
E que só quer agora,
Levar uma vida acálice,
Um destino acacilino,
Sem o cálice do sofrimento;
E, levanta dessa cama, acamatanga,
Não acambulha mais, acamutanga,
Deitar de cambulhada,
Acamar só o pão nas searas,
Um sobre outro;
Levanta-me deste chão,
Já estou inclinado, acambulhado demais;
Sinto-me acâmato, forte,
Dotado de organização robusta
E de músculos rijos, pega aqui.

Não suporto mais; RJ, 0140501996.

Não suporto mais,
Tamanha passividade;
É muita falta de vontade,
De energia e calor;
Muita falta de ânimo,
De coragem e fervor;
O que acontece,
Todo mundo aceita;
Cadê a indignação?
Cadê a provação?
Acabam com tudo,
E ninguém estende a mão,
Ninguém lança uma pedra,
Naquela direção,
Ninguém dá um tiro
Ou mesmo um tapa sequer;
Não existe reação,
É o mesmo imobilismo,
O mesmo faz de contas,
A mesma promessa;
Já estou acostumado,
E só gostaria de saber,
Quando passa essa onda,
Quando sairemos dessa;
Será eternamente,
Não é possível;
Temos que virar a esquina,
Virar a página da história,
Mudar o destino,
Adquirir coragem,
Perder o medo,
Deixar de lado a covardia,
Enterrar o temor,
De uma vez por todas,
Dar um basta no
Continuísmo fisiológico.

Fui feito assim açamoucado; BH, 0401101999.

Fui feito assim açamoucado,
Com o mau emprego do material,
De construção e acabamento;
Fui feito assim mesmo,
Sem arte e talento,
Sem gosto ou segurança;
Meu ser acampto,
Meu espírito opaco;
Não reflito a luz,
E meu coração acampainhado, com
Campainha de pêndulo de relógio,
Campanudo na campânula,
Só falta parar de balançar;
Meu aspecto acamurçado,
Semblante de camurça,
Sombrio na cor,
Escuro no preparo,
Mete medo em assombração;
Quem dera se,
Tivesse dentro de mim,
A alma da acamutanga,
Ave da família dos Psitacídeos;
Quem dera se fosse,
Uma espécie de papagaio,
Mesmo de pirata,
De perna de pau,
De olho de vidro
E cara de mau;
Mas que nada,
Estou mais para açaná,
Esta galinha dos Ralídeos,
Este frango d'água pernalta,
Que foge com medo de tudo.

O que temos no poder?; BH, 0401101999.

O que temos no poder?
Um presidente acanalhado;
O que temos no senado?
Um presidente que se acanalhou,
Desde os tempos da ditadura;
O que temos na câmara dos deputados?
Só deputado acanalhador;
E todos eles juntos,
Só sabem é deixar,
O povo acanaveado,
Supliciado com paus de cana,
Emagrecido de pobreza,
Abatido de fome,
Doente de miséria,
Mortificado de sofrimento,
Angustiado de dor;
E o nosso papel é impedir,
Que eles venham acanastrar-se,
Juntos com essa nossa justiça canhestra;
Pôr em canastra,
Impedir de dar forma,
Aos ideais e ideias, o acancelar,
Do povo já acancelado,
De vida reticulado,
Impedido de felicidade,
Preso em cancelas;
Homens que o sol do trabalho,
Ajudou a acanelar a pele,
Onde gotas de suor de sangue,
Da cor de canela,
Gotejam na flanela,
Que enxuga o suor;
Suor derramado,
Sangue vertido,
Para ganhar pouco,
Quando os poderes ganham muito,
Sem derramar o suor,
Sem verter o sangue.

Estou em agonia; RJ, 090501996.

Estou em agonia,
Entre o delirium tremens
E a extrema unção;
Já chamaram o padre
E o sacristão;
Acenderam a vela,
É a última vela;
E vejo a frágil luz,
Entre a abertura e os
Cílios e pestanas de
Minhas pálpebras;
Escuto ao longe vozes e murmúrios,
Alguém parece chorar;
Não percebo ao todo,
Sussurros e lamentos
E no finalzinho,
Um resíduo de felicidade,
Uma migalha de orgulho;
Alguém inda chora por mim;
Cai o pano,
Cai o véu,
Breu e escuridão,
Bonança e levitação,
Um resto de mente no espaço,
O pensamento a fluir no ar;
No rosto quase imperceptível,
O final de um sorriso,
O eco distante de uma voz,
Morreu feliz.

Fiquei até bonito; BH, 0401101999.

Fiquei até bonito,
Coberto com o acangatara,
Penacho colorido,
Enfeite de penas,
Adorno para a cabeça,
Que os índios usavam,
Nas suas solenidades;
Fiquei até parecido com índio,
Com o canitar,
Em cima da cabeça;
Participei até da caça
Do acanguçu, animal carniceiro,
Da família dos felídeos,
Também chamado onça pintada ou
Jaguar da selva,
O canguçu acangulado,
Que tinha os dentes salientes,
Como o peixe cangulo;
E não me causa timidez,
Falar estas coisas,
Pois o que mais
Quereria ver, era
O índio em seu lugar,
Sem ninguém mexer
E nem incomodar,
O índio livre e feliz;
E a não sofrer o efeito acanhoador,
Que a cultura branca,
Tenta impor a ele;
Chega de impor
Acanho aos índios;
Deixe-os sem acanhamento,
A viver sua cultura,
A gozar suas tradições.

Para derrubar-me; BH, 0401101999.

Para derrubar-me,
Só se acanhoar-me,
Abater-me com tiros de canhão,
E acanhonear meu coração;
É bater-me bem de frente, na fronte,
Do contrário não caio;
Só se disparar canhões,
Contra mim;
E bombardear minha fortaleza,
Destruir meu forte;
Do contrário, meu amigo,
Nem acanoado fico;
Não sou tábua para empenar,
No sentido da largura;
Sou difícil de cair,
Nem balançar chego;
Acanônico e incrédulo,
Contrário aos cânones,
E às regras da igreja,
Só acredito em mim;
Sou um santo acanonista,
Transgressor da igreja católica;
Para eliminar-me,
Nem se acanoar-me,
Ou dar-me á forma de simples canoa
E lançar-me na lagoa,
Ao furar meu casco;
Não vou a pique,
Não vou ao fundo;
E numa moita de acantáceo,
Ou referente ou semelhante,
Ao mato de acanro acântico,
Escondo-me de todos
E não arranho-me.

Hoje falei comigo mesmo sem querer; RJ, 0210501995.

Hoje falei comigo mesmo sem querer;
De repente peguei-me a falar sozinho,
Sentado no meio-fio da esquina da rua;
Absorto estava comigo mesmo solitário,
Com meus pensamentos que não levavam-me,
Pois se estava sentado no meio-fio,
Os meus pensamentos não poderiam levar-me,
A lugar algum que quisesse que fosse,
Mesmo se estivesse com vontade de ir
E sentia dentro de mim sozinho,
Que não estava com vontade de mover-me;
Só ficar sentado ali morto na calçada
Ou mesmo no meio-fio que fosse lá;
E pernas e mãos e bundas e joelhos e sacos e vaginas,
Passavam todos bem apressados diante de mim;
Meus olhos míopes e cegos acompanhavam tudo;
Todo o movimento desse vai e vem e vai e vai;
Era apenas um pensamento ali agora,
Sentado à porta de um mundo estranho;
Um estrangeiro mudo e surdo e mendigo,
Coberto de andrajos e poeiras e tiriricas;
A cheirar um pouco mal devido a falta de banho;
Nem percebi quando aproximou-se o carro do hospício;
Vestiram-me a minha camisa de força predileta;
Fiquei bastante elegante e seguro dentro dela;
Novinha em folha feita sob medida para mim;
Parti sem sair do lugar em que estava,
Para a minha próxima casa nova na esquina da rua sem saída;
Cataram-me as pulgas e os piolhos e os carrapatos,
Que eram meus inquilinos inadimplentes,
Há anos não pagavam-me o aluguel
E não sabia como fazer para receber deles;
O jeito foi apelar para o bom senso da vida
E negociar a permanência por mais um período;
Falei tanto que fiquei rouco e perdi a voz,
Peguei um mudo para falar por mim por mímica
E comunicava-se melhor é enterrar logo o defunto antes;
Consegui entender o fim da última parte
E pedi um aparte ao saber quem o defunto era
E estava em adiantado estado de decomposição
E pensei com todos os meus botões então,
Inclusive os da braguilha da minha calça saia;
Pelo menos por enquanto estou a adiantar agora,
Senti a terra a ser jogada em cima de mim,
E aos poucos meu gritos foram abafados:
Quero é ser cremado.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Procuro refúgio no meu quintal; BH, 02901202011.

Procuro refúgio no meu quintal, 
E a CEMIG demotucana deixou-me
Sem energia elétrica, e para
Aplacar um pouco a frustração,
Escondi-me aqui no quintal;
A chuva não para, a casa está
Às escuras, e o vira-latas de minha
Filha veio encher o meu saco; não
Estou para brincadeiras, estou fulo
Com esse governo incompetente
De MG, suas empresas e suas
Administrações; em pouco tempo,
Acabaram com a paciência dos
Mineiros, com a saúde, educação
E cultura; a polícia demotucana
Não respeita ninguém, e a guarda
Municipal, em postos de saúde
De maus atendimentos, dão até
Tapas nas caras das pessoas;
Quase três horas sem energia
Elétrica, e penso que a única
Maneira que a tucanalhada encontra
De não falarmos mal dela, é  a
De desligar MG, desconectar o
Estado das redes sociais; penso
Que não há justificativas maiores,
Para qualquer chuva, deixar o
Estado assim isolado do resto do
Mundo; um dia inda nos livraremos
Desses canalhas, que além de
Aparelharem o estado, o administram
Mal e o entregam nas mãos de
Comparsas incompetentes, que
Derrotados em seus estados, vieram
Para cá; mas, mais cedo ou mais
Tarde, nos livraremos deles e os
Colocaremos para correr; graças a
Deus, Aécio Neves, já mudou-se
Para o Rio de Janeiro, é menos uma
Peste a nos contaminar; o próximo
É o Antônio Anastasia, esse é
Intragável, é a nossa azia, o choque
De má congestão de MG.

Depois de usado; BH, 0401101999.

Depois de usado,
Velho e alquebrado,
Fui posto ao canto;
Oculto da luz do sol,
Separado das pessoas,
Apartado do meio ambiente;
Depois de estragado,
Fui acantoado por todos,
Esquecido e abandonado,
Posto de lado,
Chorei de dor;
E quando era jovem,
Era tão acantonado,
Distribuído por cantões,
A conquistar aldeias,
A transformar virgens,
Em santas mulheres;
Hoje não sirvo mais,
Ninguém quer dispor de mim,
Encantonar-me como antigamente,
Aproveitar para tropas,
Estacionar em diferentes lugares;
Só me mandam para o descanso
E para mim é a morte,
E não quero hoje,
Morrer agora tão cedo;
Mesmo eriçado de espinho,
Como um acantóforo,
A pretender inda a amar,
Muito, bem e melhor;
Não quero que meus frutos,
Se transformem em acantocarpos,
E sejam iguais a mim,
Cobertos de espinhos.

Quero exaltar; RJ, 01º0601981.

Quero exaltar,
O amor que tenho por ti,
A paz que vejo
Em teu olhar;
Quero exaltar,
A tua esperança,
A tua bonança;
Quero exaltar,
O teu amor,
A segurança que sinto,
Quando estou a teu lado;
Quero exaltar,
Teu corpo e tua imagem,
Teu pensamento e coragem;
Falar de ti,
Para Deus e para o mundo;
Cantar-te
Para o universo inteiro,
Em prosa
E em verso;
Em sinfonias
E em melodias;
Canções e músicas
De qualquer maneira,
De todas as maneiras,
Não importa como;
Só importa que,
Quero exaltar-te,
Pôr-te num altar,
Num ninho de carinho,
Entre os meus braços,
Em eternos abraços ternos,
Beijos e amor;
É isso que quero,
Fazer de ti,
Uma santa eterna;
Quero exaltar,
Exaltar a vida,
Que se encontra em ti.

Elemento de composição; BH, 0401101999.

Elemento de composição,
Designativo de espinha,
Acanto do grego akantha,
Acantopterígio etecetara e tal;
Não penseis vós,
Que vais me transformar,
Em vil acantocéfalo,
Espécie e classe de animal,
Do ramo dos Nematelmíntios,
Parasito do intestino dos vertebrados,
Que caracteriza-se pela ausência,
Do tubo digestivo,
E traz à cabeça tromba
E alguns espinhos;
Podeis até me transformar,
Num acantopterígio,
Espécie e ordem de peixe,
De esqueleto ósseo,
Caracterizado por alguns
Raios duros e
Espiriformes nas barbatanas;
E com a acantose então,
Espessamento da camada
Da pele chamada de
Corpo mucoso de Malpighi,
Com o acanular da vara,
Da cânula ou do cano,
Vou submergir em mim,
Soçobrar em meu ser,
Encapelar-me infinitamente,
No meu interior capelo,
Acapelar-me na alma
E não vir à tona nem para respirar.

Hoje pago por meus erros; RJ, 0150250301988.

Hoje pago por meus erros,
Confesso que errei,
Errei por não saber superar,
Os meus próprios complexos,
Os meus próprios tabus,
Preconceitos e dogmas;
Errei por não saber superar,
Os meus próprios erros,
Por não saber superar,
A mim mesmo;
Hoje pago duro
Por meu defeitos;
A minha reduzida inteligência,
A minha falta de capacidade,
Não me deixam atingir
O rumo da felicidade;
Não sinto o gosto
Do que é ser feliz,
Do que é ser paz,
Do que é ser amor;
Não sinto o gosto do saber
E volto atrás,
E vou adiante;
E hoje confesso que errei,
Que vivi no erro
E nunca acertei;
Errei por não saber ser,
Por não saber ser tudo
Por não saber ser nada
E por não saber sair
Da prisão que é a minha cabeça;
Do medo que tenho,
E da covardia infinita,
Que se apoderou de mim;
Como superar este abismo?
Como transpor esta ponte?
Como equilibrar nesta corda bamba,
Que é a minha mente flagelada?
Como conviver comigo?
Com esta falta de razão?
Com esta falta de solução?
Para a minha existência;
Confesso que estou indignado,
Constrangido e contrito;
Confesso que estou desesperado,
A nata do desespero,
Diante das coisas;
Hoje pago por meus erros,
Confesso que errei,
Errei por não saber superar,
A dor imensa, profunda,
Que rege meu coração,
Um coração sem compasso,
Que bate sem ritmo,
Capenga e aleijado,
Que precisa de uma muleta,
Para poder andar;
Confesso que errei,
Não valeu a pena confessar,
Não mudou nada,
Não mudei em nada;
E podeis até assinar,
O meu atestado de óbito;
Estava morto,
E não sabia;
Estava errado,
E não sabia;
E não encontrei
A minha solução.    

Light; BH, 0401101999.

Light raio de luz concentrado,
Amplification by obtido por emissão,
Stimulated estimulada,
Emission of
Radiaton;
Certa vez comentaram, não sei se
Que o grande brasileiro, é verdade
Luis Carlos Prestes, mas se não for,
Havia declarado, não fica fora
Que numa guerra, da realidade
Entre o Brasil e a antiga URSS, 
Ele ficaria do lado da URSS, mais
Hoje pergunto:, daria um tiro
Em hipótese de uma guerra
Do Brasil contra outro país qualquer, de
Quem se habilitaria, fender esta
A lutar pelo Brasil?, corja de abutres
Que iria dar a sua vida, que de
Para defender os interesses, foram os
Dos Josés Sarneys, Celsos Pittas, Brasil;
Antônios Carlos Magalhães, Newtons Cruzes,
Delfins Netos, Robertos Jeffersons,
Robertos Campos, Moreiras Francos,
Fernandos Collors de Mellos, Cesares Maias,
Fernandos Henriques Cardosos,
Marcos Macieis, os irmãos Farias,
Os Civitas, das Zélias Cardosos de Mellos,
Bernados Cabrais, Robertos Marinhos,
Mários Garneros, Helenas Landaus,
Assises Pains, Armínios Fragas,
Paulos Malufs, Orestes Quércias; eu não.

E até hoje; RJ, 0250301988.

E até hoje,
Que me tenho por gente,
Nunca segui ao pé da letra,
Uma determinação dos meus pais;
E sempre procurei fazer,
Tudo ao contrário,
Do que eles pediam;
Porque é que agora,
Vou querer determinar,
Alguma coisa que seja,
Aos meus filhos?
Eles vão ser,
O que bem entenderem,
Que vão ser,
Que bem quiserem ser;
Não sou o que vou querer,
Que eles sejam alguma coisa;
O que eles quiserem ser,
Serão;
Poetas marginais ou revolucionários,
Terroristas ou pacifistas,
Comunistas ou capitalistas,
Socialistas ou militares,
Esquerdistas ou direitistas;
O futuro pertence a eles,
Apenas estarei ao lado deles,
Serei amigo e cúmplice,
De todo ato que cometerem;
Estejam certos ou errados,
Estarei com eles;
E não serão iguais a mim,
Não darei exemplos,
E nem serei espelho;
Não quero que busquem o
Meu mesmo caminho;
Serei guiado por eles,
Dividiremos o mesmo mundo;
Gostaria de poder oferecer,
Um Brasil melhor,
Mais livre e humano,
Um Brasil mais feliz,
Um Brasil socialista;
Sem a sombra dos USA,
Sem a sombra dos monstros do consumo
E sem as sombras das drogas.

Lenha seca não lança fumaça; BH, 0501101999.

Lenha seca não lança fumaça,
É uma acapna boa de fogo;
Lenha verde não queima,
E ainda enfumaça a tarde toda;
E chora quando o fogo chega,
E chora igual as abelhas,
Quando perdem o acapno,
O melhor mel extraído da colmeia,
Sem expulsar as abelhas,
Que não querem sair,
E por meio da fumaça,
Choram tal a acapora,
Planta da família das Caprifoliáceas,
Sabugueiro tutano, e o acapu,
Árvore da família das Leguminosas,
Divisão papilionáceas,
O mesmo que uacapu;
Análogo a toda a natureza,
A todo o universo,
E à toda criança que,
Em algum lugar na face da terra,
Sofre algum tipo de violência;
E todos devemos chorar,
Por todos esses seres,
Que muitas vezes nem sabem
Como se defender;
A abelha ainda tem o ferrão,
Ataca e pode até matar;
E as árvores que viram lenha?
E as crianças desamparadas?
Só nos resta chorar por elas,
É o mínimo que podemos fazer;
E pedir a Deus que um dia,
O quadro possa se inverter.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

A brisa; RJ, 060501995.

A brisa
Fria da noite
Toca o meu corpo;
Arrepio-me de frio,
Não tenho agasalho,
Não tenho cobertor;
Sou menino de rua,
Criança
E já mendigo;
Vivo de esmolas,
De caridade e furto;
O estômago dói,
A maconha ajuda,
A cola me cola,
Prende-me na sola,
Das botas da polícia;
A cocaína me ajuda,
A sociedade me marginaliza
E o grupo de extermínio,
Caça-me como se eu fosse,
Um animal raro;
Ao ser cada vez mais,
Um grande número em evidência,
E que até do governo,
Enchi a paciência.

Conheci um abidense; BH, 02601001999.

Conheci um abidense,
Natural de Àbido, no Egito;
Abietário por profissão,
Era uma pessoa que trabalhava,
Com a madeira do abeto;
Com o ácido abietâmico produzido
E abiético encontrado na resina
Abietina extraída de várias aplicações químicas,
Da árvore conífera, tal como
O pinheiro e o cedro de
Floresta abietínea;
Hidrocarboneto abietena,
Conseguido de destilação
Do Pinus sabiniana
E quando abriu os olhos,
Ficou com o coração a chorar,
Por cada árvore arrancada,
Cada árvore morta,
Desde a criação do mundo;
Deixou o coração a chorar,
Uma lágrima por cada
Árvore desaparecida,
Desde o início do universo;
Morreu de abietite,
Substância extraída da Abies pectinata;
Morreu sem oxigênio,
Pois não havia mais árvores,
Para purificar o ar;
Morreu no auge da evolução,
Do desenvolvimento da era moderna,
Do concreto e da cibernética,
E do robot e da computação.

Político brasileiro; BH, 02601001999.

Político brasileiro,
Tem a cara de pau,
De abibliotecar a mentira;
Arranjar a falsidade,
Dispor da ilusão,
Faltar de liberdade
E abusar da enganação do povo;
O país pode não ter
Dinheiro nenhum,
Para poder resolver,
Os graves problemas nacionais;
Agora para pagar presidente,
Pagar senador,
Deputado e vereador,
Governador e prefeito,
Ministro e secretário,
O dinheiro não pode faltar;
Para pagar essas abiburas,
Essas espécies venenosas
De cogumelos nacionais,
Tem que fabricar dinheiro;
O jeito é encher um navio,
Com toda espécie possível,
Desse detrito num destino abicado,
Com a proa voltada para a terra,
Terra bem distante, e em direção
A um porto sem volta;
E ficarmos livres para sempre,
De uma vez por todas,
Desses bichos parasitas,
Pais das falcatruas,
Filhos das mamatas,
Servos das mordomias,
Escravos da corrupção,
Será a nossa felicidade.

Jamais quereria me transformar; BH, 02601001999.

Jamais quereria me transformar,
Num deputado federal
Ou mesmo estadual;
Jamais quereria ser um abezerrado,
Semelhante a um senador bezerro,
Um presidente amuado,
Ministro cabeçudo;
Não nasci para ser político renitente,
Embezerrado com a corrupção,
Mordomia e tráfico de influência;
E o povo brasileiro,
Precisa calar de vez,
A voz desses aproveitadores;
Precisa amuar-se contra eles,
Enfezar-se e acabar com um basta,
Com as boas vidas,
Desses párias da nação;
A nação precisa impedir,
Aos que querem só abezerrar,
Usufruir da mamata
E não se preocupar,
Com os verdadeiros problemas,
Que atravessamos;
É o fim das ábias,
Insetos himenópteros,
Que só querem abichar no poder,
Conseguir vantagens,
Obter posições elevadas,
Lucros fáceis e imunidades;
É o fim da mentiras bibliotecadas,
Dispostas e conservadas,
Em processos, como livros nas bibliotecas:
É hora de condenar, 
Cada político tem que apanhar.

Fora da linguagem médica; BH, 02401001999.

Fora da linguagem médica,
Da qual não entendo nada,
Sigo abeverado o meu caminho;
Apesar de estar condenado, abeverado,
Aos poucos dias de vida;
Sigo mesmo embebido de ilusão,
Encharcado com a certeza,
De que está cheio de qualquer líquido,
O meu angustiado coração;
E estou cheio de fel,
De vinagre e de pinga,
E de amargura; e vazio
Da ciência do saber;
Abeberado de ódio,
Rancor e ira,
Que não me deixam viver;
Quero abeverar minha alma,
Ensopar meu espírito,
Encher minha mente,
Abeberar meu ser,
Embeber meu ente,
Em qualquer fonte,
Que me traga o conhecimento;
Desde o tempo do abeviliano,
Artefato pré-histórico,
Do paleolítico mais antigo,
Caracterizado por ponta de silex,
Bifacetado de Abbeville, França;
Cobri com a máscara mortuária,
O meu rosto abexigado,
Que tem o vestígio da bexiga,
A varíola negra que veio abexigar,
Aqui por muito tempo
E furou o rosto de muitas crianças
Ao transformá-los em peneiras.

Sumiu do mapa; RJ, 0200201995.

Sumiu do mapa,
Ninguém nunca mais viu;
Foi para outro espaço,
Ser estrela absoluta,
Em outra constelação;
Foi ser brilho mais forte,
Em outro coração;
Dobrou a esquina,
Se perdeu na multidão;
Quem viu, não fala,
Quem não viu, também;
Só ela sabe,
Onde ele está;
Dentro de um buraco negro,
Ou qualquer corpo estelar;
Um quasar perdido,
No espaço sideral;
Um mapa desconhecido,
Com tesouro escondido,
Sem pirata de olho tapado,
Sem navio fantasma
E sem perna de pau;
Deixou flagelados,
Homens naufragados,
Corações ilhados,
Em dilúvios de lágrimas;
Sumiu,
Sumiu, mesmo,
Perdida no espaço,
Entre os espaços
Do espaço.

Não posso continuar assim; BH, 02401001999.

Não posso continuar assim,
Coberto de dúvidas e incertezas,
Ligado ao submundo,
Misturado com as piores espécies,
Abetumado e cheio de goteiras,
Para ser calafetado com betume;
Vivo grave e pensativo,
Sem ser o pensador,
De August Rodin;
Solitário e triste,
Abatumado e esquecido,
Abandonado e abetumado;
Só um técnico em abetumação,
Operário especializado
Em calafetagem,
Calafetador abetumador,
Para dar consistência,
À minha fragilidade,
Ao meu aspecto e semelhança;
Só o betume para me pichar,
Tapar-me com pez, abetumar,
E impedir que a vida,
Se esvaia por minhas fraquezas;
Por meus buracos e falhas;
O certo é que não posso,
Continuar assim,
Sem abevacuação de mim,
De todos os males;
Não posso permitir,
A evacuação incompleta ou parcial,
Tem que ser abundante,
A livrar-me de todos os defeitos,
De todos os erros do peito.

Ainda não aconteceu em mim; RJ, 0200201995.

Ainda não aconteceu em mim,
O meu grande descobrimento,
Não sou um descobridor,
Um desbravador intimorato;
Ainda não aconteceu comigo,
O meu descobrimento;
Não sei para que vim,
Não sei o meu legado,
A minha missão,
Não sei a minha parte,
O meu pedaço de chão,
A causa do meu bloqueio,
A falta de visão,
A inexistência de genialidade,
Um suspiro de razão,
O enchimento do vazio,
Que existe em meu coração;
O medo constante,
Pânico vibrante,
Passo vacilante,
Covarde sem reação;
Galinha fora do poleiro,
Galo sem esporão;
Meu terreiro não é meu,
Meu quintal não sei não;
Só sei que até hoje em dia,
Nos caminhos desta vida,
Meu descobrimento ainda,
Não tem data preferida,
E nada posso comemorar.

Fugi igual a uma abertada; BH, 02401001999.

Fugi igual a uma abetarda,
Um peru selvagem,
Ave peralta e vagarosa;
Fui chamado assim de abeta,
De aba e de abinha,
No meu andar de betarda,
Com a vergonha da batarda,
E batardão gazola;
O mesmo alcaravão,
Pavão-selvagem sem penugem no rabo
E parecido na forma e nas cores,
Pardo e castanho e ruço,
Abetardado desconhecido,
De coração estreito,
Caminho tortuoso;
Sem ser aplicado a estradas retas,
Caio em ruas de baixo meretrício;
Abetesgado abético,
Derivado de abetinado,
Que não tem qualidades,
A rijeza do abeto
E a destilação própria,
Da resina abetinote;
Fluído do abetouro,
A certa espécie de urze;
Fugi igual a traidor envergonhado,
Pois não via outra solução,
Já estava caído no chão,
Vencido e derrotado,
Coberto de cascas de batatas.

A escalada é tortuosa; RJ, 0270401995.

A escalada é tortuosa,
É difícil e duro o caminho a seguir;
E é bem curto o tempo,
E geralmente morres,
Bem antes de concluir;
Tens que ter coragem,
E não a tens;
Tens que ter peito
E não tens;
E passas o tempo,
A te iludir,
A te enganar,
Crente que,
És alguma coisa na vida;
E no fundo,
Até mesmo sabes,
Que não passas de ti mesmo;
Ficas preso à força da gravidade,
E não voas e nem levitas
Conscientemente;
Toda vez que tentas plainar,
Cais e não consegues te levantar,
Ficas estendido,
Sem poderes andar,
Como se fosses um bêbado,
Que bebeu todas as bebidas,
Que encontrou pelo caminho;
A escalada não é fácil,
Porém, o que dá sabor,
São as coisas difíceis,
Que a vida nos oferece.

Fico triste com o meu abestamento; BH, 02401001999.

Fico triste com o meu abestamento,
E já passou o tempo,
A razão e a utopia,
E a minha imbecilização,
Não vai chegar ao fim;
O meu embrutecimento aumenta,
E a apalermação do corpo,
Do ser estupidificado,
E abestiado de dar nojo;
O dia que a luz do sol brilhar,
E deixar de abestializar-me,
E nascer em mim,
Um novo pensamento,
Posso até ter a certeza,
Que não vou mais abestiar,
Não quererei mais abestalhar,
E virar chacota das pessoas:
Vou me cobrir de abestim,
Um novo nome,
De uma nova espécie de linho;
E não serei mais uma avestruz,
Nada de esconder a cabeça,
Na hora da realidade;
Botar a cabeça a prêmio,
Botar a cabeça no cepo,
Na guilhotina e na forca;
Nada de fugir da verdade,
Vestir-me com o mesmo
Roupão de abestino,
E subir o cadafalso,
A olhar sempre para o alto,
Como um novo Tiradentes,
Sedento de liberdade.

A última volta do mundo; RJ, 0120701995.

A última volta do mundo,
Chegou agora o momento,
É a última volta do mundo;
Não vale a pena correr,
À velocidade da luz,
O tempo já se esgotou;
Onde é o esconderijo,
O bunker de concreto,
O transatlântico,
A mansão à beira do lago;
É a última volta do relógio,
Não precisa olhar as horas,
Não marca o enterro,
Sem sepulturas,
Sem flores;
É a noite eterna,
Sem lua e sem estrelas;
O sol já se escondeu,
Atrás das minhas pálpebras;
E as crianças,
As mães,
As mulheres,
É a última volta do mundo;
Para aonde vais?
Deixas endereço e telefone;
O mundo vai cair no abismo,
Saiu de órbita,
Deu de cara com o buraco negro;
Rastejou igual a um verme,
Não tomou atitude,
Agora é mais do que tarde,
Nada detém o mundo;
Nem todo o ódio possível,
Nem todo impossível amor;
Faças logo teus negócios,
Despeças dos teus vizinhos;
É a última volta,
A tua grande chance,
Não teremos outra oportunidade igual.

A minha alma é um abesseiro; BH, 02401001999.

A minha alma é um abesseiro,
Lugar úmido e frio,
Falta sol dentro de mim,
Sinto falta de calor no meu terreno;

O meu espírito é um abixeiro,
E estou cada vez mais obscuro,
E mais gelado por dentro,
Sinto-me um estranho,

Um estrangeiro distante,
Abessim de longínquas terras,
Abissínio clandestino,
Um abexino sem passaporte,

Abissínico sem documentos,
Etíope sem carta de apresentação,
Procurado pela polícia federal,
Abasseno sem pátria,

Abassino cujo conhecimento,
Limita-se à mentira;
Meu cérebro é abestainado,
Abobado pela ignorância;

Tudo por causa da ilusão;
Sou um imbecil, todo o mundo
Sabe, só eu que não sei,
Um idiota alvar;

Bruto e embrutecido,
Grosseiro e pateta;
Só sei abestalhar-me,
Perante aos outros;

Sei estupidificar-me
E não encontro meios,
De fugir de mim,
Da minha extinção.

O Brasil tem saída; RJ, 0270401995.

O Brasil tem saída,
O Brasil tem jeito,
E tem gente que não fica satisfeita,
Quando chega à conclusão,
Que o Brasil vai dar certo;
Com todo o erro que tem aqui,
O Brasil é um país viável;
Apesar dos Sarneys da vida,
Dos ACMs e dos Collors;
Apesar dos PCs Farias e dos políticos,
Dos entreguistas e falsos nacionalistas,
O Brasil tem saída;
Tem que sair da mão da elite,
Da burguesia e das classes dominantes;
O Brasil precisa caminhar,
De encontro ao povo brasileiro;
É uma pena,
Que exista uma grande diferença,
Entre o Brasil e o povo;
O povo está sempre por baixo,
Nunca esteve no lugar,
Onde deveria estar,
No pedestal da democracia,
A guiar as rédeas da nação,
Da absoluta nação brasileira;
Ninguém conhece os problemas do povo,
Do que o próprio povo;
Cria-se aqui, então,
A República Popular Brasileira,
Totalmente dirigida e gerida,
Pelo soberano povo brasileiro.

Que destino abespinhadiço; BH, 02401001999.

Que destino abespinhadiço,
As coisas realmente não são,
Da maneira que nós,

Queiramos que elas sejam;
Que tempo irritadiço,
Queremos acertar a mega-sena

E não acertamos;
Queremos conquistar uma mulher boa,
Gostosa e bonita,

E não conquistamos;
Que período agastadiço,
Queremos poder e não temos;

E tudo ao nosso redor,
Só sabe nos abespinhar,
Encolerizar por falta de paciência,

Irritar por causa das derrotas;
Zangar por descobrir a mentira,
Enfurecer ao saber,

Que a mulher está com outro;
E não está a dar mais,
Nem bola para nós,

Que vergonha é essa;
Pode se agastar cada vez mais,
Quem somos nós para querer,

Que as coisas sejam
Do jeito que nós pensamos;
É a ilusão abespinhável,

Facilmente irritável;
Inda mais quando
O tempo passa,

E a abessaria abre
Em nosso rosto,
Os sulcos feitos pelo arado,

Do tempo que nos aprisiona,
Da velhice que não sabemos,
Como impedir de acontecer.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Se ando pelas ruas da cidade; RJ, 0120701990.

Se  ando pelas ruas da cidade,
De dia e de noite,
Não chego a sentir,
Nenhum pouco de felicidade;
A verdade me mete medo,
Fascina-me e me alucina;
A cidade é minha ruína,
Com toda a população;
Vivo sozinho,
Não conheço ninguém
E ninguém me conhece;
Até parece que,
Sou um ser de outro espaço,
Um ser do além,
Um sobrenatural;
Pois tudo que vejo aqui,
Só me faz mal:
Pobreza, miséria e destruição,
Mendigos abandonados, eus;
Que universo afligido,
Que formação bloqueada,
Asfalto e concreto armado,
Alucinações urbanas;
Falta de ar e de árvores,
Poluição visceral,
E vago neste mar infernal,
De dia e de noite,
Sem hora para parar;
E posso até a vir morrer afogado,
Se não souber nadar;
Pois as chamas me queimam
E me fazem afundar;
Mais e mais vou ao fundo
E à tona não posso mais voltar;
O peso da minha alma,
É maior do que o peso,
Do meu deslocamento espiritual;
E não boio neste enxofre,
Sou consumido pelo ácido;
Não plaino neste vácuo,
Que me oprime e despreza,
Que me explora e discrimina,
Que me decapita e decepa,
Que me disseca vivo,
Em plena luz do dia;
E lança meus dejetos
Na atmosfera poluída.