segunda-feira, 11 de maio de 2026

não sei escrever o que quereis ler

não sei escrever o que quereis ler
então amputo os braços me mutilo
decepo as mãos ponho a cabeça no
cepo não sou mago das letras bruxo
das palavras esmago o que resta
com mão de pilão piso o tendão
com tacão de calcanhar de aquiles
esfacelo o perfil catão com o coturno
noturno não sei ser o que quereis
que seja sou tudo de todos os nojos
o que sai com mau cheiro de dentro
do corpo o corpo ainda vivo cheira
mais mal como se estivesse morto
jogo essências aromas olores
desodorantes o odor é insuportável
nem chanel da coco disfarça mais
imaginais quando esse corpo morrer
de vez de verdade só caixão de
chumbo lacrado para haver velório
para não afastar as carpideiras para
acontecer a procissão do enterro
muitas velas queimadas defumadas
muitas flores ou do contrário
ninguém comparecerá à missa de
corpo presente odores olores
defumadores vinde a mim os que
cheirais bem ajudai a fazer o cheiro
da morte suportável às narinas
sensíveis que não suportam o cheiro
da vida o suor o sebo a seborreia a
cera o pus não suportam nada que
sai do corpo que finge que está vivo

BH, 0260302026; Publicado: BH, 0110402026

quinta-feira, 7 de maio de 2026

quando o amor chegou ao meu ser

quando o amor chegou ao meu ser
quase me sufocou me asfixiou me
afogou na água da lagoa de
lágrimas da bacia das almas falei
coração não percas a razão deixa
o amor consumir teu sangue deixa
o amor comer tua carne acabar
com tua saúde física mental
espiritual corporal interna externa
dedica ao amor em sacrifício todo
tipo de saúde que houver em si
para que saúde sem amar? sem
amor? ou vida ou existência ou
felicidade nada disso é verdade
se não houver amor quem ama
não faz guerra quem ama não
mata não trai não humilha não
tortura quem ama compartilha
preserva protege parece difícil
impossível surpreendente é algo
que nem todo mundo quer não é
qualquer um que aprende às
vezes nem quem fala nem quem
escreve quem se pensa amante
verdadeiramente é o que
aparenta ser é a ilusão é a
desilusão é a alusão só não é
realmente amor é subterfúgio é
simulacro é enigma tese teoria
menos a prática a praticidade
não é alcançada com a qualidade
da virtude nem com a capacidade
de realizar o que se pede o que se
dá ao amor ao amar a oferenda no
altar a oferta no púlpíto coração
por coração sem a lei de talião só
o amor pelo amor a única salvação

BH, 0110302026; Publicado: BH, 070502026

terça-feira, 5 de maio de 2026

que absurdidade é essa esse desassossego que tenho que viver

que absurdidade é essa esse desassossego que tenho que viver
mil vezes morrer talvez não incomode mais aos indiferentes
toda absurdidade todo desassossego que a humanidade tem
que passar mas a mim me incomoda sim muito nem tenho
como reagir são poucos meus movimentos são loucos meus
pensamentos são descontrolados meus organismos
desarranjados meus intestinos incerto meu destino não quero
isso para nenhuma menina nem para nenhum menino até
minhas salivas são abundantes minhas lágrimas rolantes penso
que seja hidrofobia cólera raiva rancor ódio ira perdi minha
harpa não toco mais minha lira a gaita de fole a harmônica
triste a flauta doce ficou amarga azeda o trem bão não passa
mais na minha estação ops segui pela estrada de ferro a pé a
costear os alambrados as veredas as montanhas carregava
minhas doenças nas entranhas um peso morto de pedra pesada
uma falta de consciência total que só me fazia mal misturada
com uma inconsciência total de mau não consigo ser lúcido
nem lúcifer foi lúcido nem kant tinha razão pura quero uma
crítica da razão pura se perdi a pureza vivo na impureza sem
conhecimento embaralho tudo sem cartas nas mangas confundo
sem mim o mundo ficará menos imundo não chego à conclusão
a única conclusão é morrer sem confusão sou vencido sem data
de validade sem nem ser movido pela velocidade da luz aonde
posso chegar então? a nenhum lugar comum estão todos
ocupados pelos vitoriosos vencedores que chegaram na frente
dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço cheguei por
último srei sempre o último aonde tiver de chegar sem a luz

BH, 0100302026; Publicado: BH, 050502026

segunda-feira, 4 de maio de 2026

arrebatador universo seja arrebatador comigo

arrebatador universo seja arrebatador comigo
é que corro perigo pelo que persigo preciso
ser arrebatado manda um furacão um
redemoinho me coloca no ninho me joga no
teu olho em arrebentação arrebatadora estás
aí a ouvir universo? não sou daqui quero ir
para o lugar donde vim me leva de volta em
tempestade universal em temporal espacial
quero fluir nas ondas cósmicas dos cosmos
não quero ser nem cosme nem damião sabes
muito bem das minhas necessidades nem
falarei mais nada enquanto não obtiver
respostas num vento solar quente enriquecido
imantado magnetizado que mais universo
podes fazer por mim? não me perguntes
porque não sei as respostas pois as respostas
quem as sabem são as leis dos infinitos dos
ditados dos astros das constelações dos
aglomerados de galáxias como posso existir
sem as minhas estrelas? não quero existir as
estrelas me chamam pelo meu nome tenho
que ir a ser arrebatado por ti igualado no teu
tamanho bitelo no teu bojo deitado no teu
berço ninado no teu colo vem logo universo
é só um segundo de luz um fóton de distância
uma partícula vapt vupt lá fui arrebatado em
arrebatação arrebatadora ninguém aqui sentirá
falta nem dará queixa pelo sumiço ou até
graças a deus partiu rumo a eternidade onde
não foi identificada aquela nova estrela
observada fora de todos os sistemas solares

BH, 0100302026; Publicado: BH, 0400502026

BETO GUEDES:


 

BETO GUEDES, O SAL DA TERRA:

Anda, quero te dizer nenhum segredoFalo desse chão da nossa casaVem que 'tá na hora de arrumar
Tempo, quero viver mais duzentos anosQuero não ferir meu semelhanteNem por isso quero me ferir
Vamos precisar de todo mundoPra banir do mundo a opressãoPara construir a vida novaVamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao ladoE quem não é tolo pode ver
A paz na terra, amorO pé na terraA paz na terra, amorO sal da terra
És o mais bonito dos planetas'Tão te maltratando por dinheiroTu que és a nave, nossa irmã
Canta, leva tua vida em harmoniaE nos alimenta com seus frutosTu que és do homem, a maçã
Vamos precisar de todo mundoUm mais um é sempre mais que doisPara melhor juntar as nossas forçasÉ só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agoraPara merecer quem vem depois
Deixa nascer o amorDeixa fluir o amorDeixa crescer o amorDeixa viver o amorO sal da terra oh oh

nós famélicas sedentas vítimas do capitalismo

nós famélicas sedentas vítimas do capitalismo
não sabemos que somos sedentas famélicas vítimas do
capitalismo por total falta de consciência total resistência
resiliência quando nos entregamos ao consumismo
quando nos deixamos nos manipular ou nos iludir com as
propagandas enganosas das religiões dos donos dos
dinheiros dos poderes das justiças das leis dos trabalhos
não nos libertamos seguimos escravos dos escravos
nas cavernas acorrentados doentes dementes não
queremos cura nem física nem mental nem espiritual
vendemos a alma ao sistema por menos moedas do
que o judas se vendeu pois não  valemos pelos tantos
que nos vendemos valemos sempre menos do que
recebemos espelhos contas de vidros bugigangas
cangalhas arreios freios selas cabrestos nas celas que
serão nossas moradas finais sem lápide o fim sem epitáfio

BH, 040502026; Publicado: BH, 040502026

domingo, 3 de maio de 2026

nunca fui privilegiado com nenhuma virtuose

nunca fui privilegiado com nenhuma virtuose
virtude ou dom nenhuma especialidade ou
qualidade experiência de ciência nunca fui
dotado dalgum detalhe de consciência ou
dalguma genialidade ou fenomenologia
física ou espiritual o único apêndice que tive
foi extirpado de mim da noite para o dia
quando me vi nu sem lua sem sol sem
girassol igual a um irmão gêmeo siamês
xifópago univitelino idêntico ou bivitelino
fraterno dizigótico ou sesquizigótico
semi-idêntico de mim era a parte que
prestava a que era a boa o lado bom meu
que foi levado a deixar o lado contaminado o
lodo da lama do pântano a pasta que não serve
para nada o suco falso ralo qualquer coisa de
humano não identificado se foi o luminoso
esclarecido fica o desumano carcamano que
desconhece os manos as manas as minas as
sagas as sinas os sinos os cimos os altos só
por baixo pó poeira fuligens ferrugens bolores
mofos fedores terrores horrores até o dia no
qual encontrar esse elo perdido esse anel
fendido esse laço rompido o nó desfeito
força da gravidade cortada cabeça separada
do corpo partiu ao infinito fiquei preso pesado
chumbado nunca mais será ouvido meu grito
fora do jardim rastejarei eternamente maldito

BH, 030302026; Publicado: BH, 030502026

quarta-feira, 29 de abril de 2026

fazer poemas é a minha profissão no momento

fazer poemas é a minha preocupação no momento
já que estou preste a partir para a terra dos pés
juntos com fome a comer capins pelas raízes
vestido do meu paletó predileto o de madeira de lei
pinho de riga cedro do líbano mogno jatobá
jacarandá ypê para entrar numa vida melhor então
meu irmão preciso fazer alguma coisa
urgentemente uma poesia de gente que trabalha
de povo trabalhador de nação operária de país
trabalhista que dê atitudes ao mundo de
humanidade de civilização de evolução de
revolução de ação não posso mais é ficar sem
fazer nada um membro destacado dos párias um
associado da turma dos parasitas se continuar a
fazer parte do grupo de mentes pré-históricas de
mentes dos primeiros protótipos designados
gentes como fui designado a fazer poemas por
profissão um trabalhador numa fábrica de poesias
um operário numa obra de antologias poéticas um
proletário sem remuneração sem numerário o
soneto é o meu sustento a ode é a minha alegria o
vento minha alegoria a brisa minha blandícia o
amor o meu adorno igual jesus foi alegria para o
homem que foi bach então sigo a sina sigo a
menina a saga sagaz desde os primórdios
universais então sigo o sol que habita o meu
coração desço da colina não sou mais o bobo o tolo
o engano desço da montanha um moisés repleto de luz

BH, 0260202026; Publicado: BH, 0290402026

terça-feira, 28 de abril de 2026

SCORPIONS:


 





todo mundo é melhor do que todo mundo

todo mundo é melhor do que todo mundo
tem um feito maior mais heroico do que 
o outro tem uma história de vida mais
avida mais bonita um fato mais relevante
mais novo um fardo mais leve se pensa
até mais importante do que o semelhante
segue adiante na ignorância não aprende
a viver passa vergonha na hora de morrer
chora na presença da morte na verdade
nunca está preparado para nada nem em
águas tranquilas afogado mais do que em
águas turbulentas antes de atingir a praia
pousa na areia perde o sangue da veia a
palavra da voz o som da letra o tom do
eco arruma uma treta dum vestido novo
que logo à frente é um vestido velho um
boato com rabo de lagarto uma mentira
enraizada uma falsidade arrumada uma
verdade virtual que fala que é felicidade
quem diria que vive mil noites mil dias
não dá à luz a um único poema não pare
uma única poesia passa o tempo deserto
cheio de netos vazio de sonetos coleciona
moedas dinheiros cifrões no coração ajunta
tesouros que não cabem nas mãos pratas
ouros joias pedras gemas transforma em
dilemas o que empobrece por dentro
fenece o peito perde a razão no seio não
larga o osso ao cachorro vira-latas os
restos ao cão caim quer comer a folha da
planta desta lagarta morre as cinzas são
guardadas numa lata de lixo de luxo a
família chora alguns minutos de luto

BH, 0230202026; Publicado: BH, 0280402026

sexta-feira, 24 de abril de 2026

quando quiser falar alguma coisa falo quando quiser

quando quiser falar alguma coisa falo quando quiser
nunca na inércia sem pensamento o pensamento
perturba a ausência de pensamento com essa
inquietação destrói a inércia quando não quiser não
falo nada pois não preciso falar quem fala demais
dá bom-dia a cavalo já dizia pai muito antes de
dizer nada nem necessito repetir o que os
ancestrais disseram nem os antepassados ou os
antecedentes nem aos descendentes que nunca
ouvem ouviam ou ouvirão invisível nem dormir
por que fui para outrem não para mim talvez até o
pior fui do que são só que sei fingir finjo não ser
nem ter sido o que são quem precisa dalguma
palavra ou palavrinha ou palavrão? fico mais com o
palavrão ainda mais se for cabeludo de baixo calão
causa mais má impressão mais impacto depravado
que hipócrita idiota do bem pacato bom cidadão
certinho rato de família igreja extrema-direita
reacionário ordinário racista egoísta fascista
entreguista apaixonado imperialista pelo
imperialismo predador colonizador explorador ai
que dor capitalista destruidor do meio ambiente
poluidor exterminador de povos originários
tradicionais acabei por repetir tin tin por tin tin
tudo que já saiu de mim nunca deixei de ser
assim este ser humano tão ruim sem din din

BH, 0230202026; Publicado: BH, 0240402026

quarta-feira, 22 de abril de 2026

toda escrita é como uma galinha a pôr um ovo

toda escrita é como uma galinha a pôr um ovo
abre a cloaca o ovo sai abre a cabeça a escrita
sai quanto mais a cabeça rachada como se
fosse uma fenda a massa exposta mais as
ideias fluem os pensamentos voam se a
cabeça for fechada fundida blindada só saem
drogas dogmas tabus preconceitos racismo
fascismo só sai o que sai da cloaca
literalmente menos argumentos ou
discernimentos só sai o que vai para o esgoto
sarjeta retrete latrina mais perigosa é a
cabeça lacrada encaixotada velada
acorrentada não há aragem que areja não há
vento que refresca não há água que refrigera
não há hidratante para a hidratação não há
britadeira martelete marreta que fende para
deixar a luz entrar nas trevas da escuridão
abismal coitado do ser que tem a cabeça
reacionária retrógrada refratária coitado do
que tem a cabeça de bigorna bate-estacas
onde furadeira nenhuma funciona broca
nenhuma fura diamante nenhum corta o ser
morre antes de nascer ou nasce morto até
finge que é vivo porém está mais para uma
flor cadáver que de longe exala o mal cheiro
da decomposição cadavérica

BH, 0290102026; Publicado: BH, 0220402026

segunda-feira, 20 de abril de 2026

LLEWELLYN MEDINA, MUNDO SEM DEUS:

Mundo sem Deus


Diante da incerteza do passado

caleidoscópio furta cor

biografias corrompidas 

histórias sobreguardadas nos cantos 

que de indescritíveis nem te conto 


diante dos dias fugidios

que antecipam os males 

fortunas com igual ímpeto fluem 

impávida ampulheta 


a inútil luta de Jacó a coxa deslocada

legada aos filhos vida afora

diante das realidades 

Maratona Salamina e Plateia 

os horrores de Auschwitz 

o idílico campo de golfe

a ser construído sobre cadáveres de  indefesos palestinos

(e sua heroica história)

e sob a poderosa bênção de Jeová 


o que devo fazer 

pergunto angustiado

eu que nada fiz até aqui

não tenho lança 

nem punhal

nem adaga tenho

foi-se a esperança 


vergonha de (con)viver

mundo sem Deus.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

vivo num dilema não sei se faço poesia ou poema

vivo num dilema não sei se faço poesia ou poema
nem sei se faço goética ou poética mesmo sem
antologia parece mais elegia repito não vejo ode
à alegria schillerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr
ou o que fazer hoje em dia para agradar
à elite para enaltecer à burguesia vou perder o
soneto vou perder a emenda vou quebrar o pé a
mão o tendão chumbar o coração nada de
anatomia de ser ou não ser eis a questão já dizia
alguém noutra ocasião mas todo mundo agora
só repete o mais do mesmo toda hora então
ninguém faz mais revolução virou nostalgia
memória recordação muda a história impõe uma
nova condição que já vem mais velha do que
qualquer ideia é a realidade virtual é a
inteligência artificial é o pensamento mortal pois
morreu o pensamento imortal como pode isso
todo mundo faz igual a mesma guerra a mesma
fera quero vender a alma porém não se compra
mais alma perdeu o valor de mercado
mercadoria vencida o corpo plastificado envolto
em papel laminado moldado nalguma academia
de celerados tem mais valor do que uma alma
sem bolor a imagem vale mais causa mais efeito
mas o que sai de dentro continua a feder do
mesmo jeito joga perfume por cima desodorante
parece que deixaram o esgoto aberto é um
corpo vivo o cheiro é dum cadáver em viva podridão

BH, 0170402026; Publicado: BH, 0170402026

quinta-feira, 16 de abril de 2026

choveu na roseira não houve jeito

choveu na roseira não houve jeito
mesmo assim morreu para o seu
lugar arrumei uma pimenteira ao
lembrar da vó que me ensinou a
amar uma pimenteira igual a um
passarinho ama ao ninho já até
devorei a primeira leva que
surgiu nem sei o tipo da pimenta
porém me parece que não é
malagueta nem de cheiro isso sei
que não é pois arde igual a uma
boa mulher sei que a adorei até
lembrei-me quando chegava ao
barracão da vó em cima do
barranco a primeira coisa que
fazia era me mandar comer uma
pimenta no tranco mãe também
fez-me comer muita pimenta
ainda esfregava o molho na
minha cara mas isso era porque
falava muito palavrão mãe era
crente não gostava de jeito
nenhum de palavrão então com
essa esfregação passei a amar
pimenta alho pimentão a roseira
foi pela música está chovendo
na roseira mas que comigo não
vingou a pimenteira caiu melhor
ainda me alimentou estou a
esperar uma nova frutificação
para poder degustar o processo
é lento hei de ter paciência com
ciência consciência para
esperar com esperança
confiança segurança pois
em deus a vida avança

BH, 0230202026; Publicado: BH, 0160402026

sábado, 11 de abril de 2026

gostaria de viver no meu país com amor em paz

gostaria de viver no meu país com amor em paz
sem nenhuma referência aos yankees dos usa
sem nenhuma interferência da bandeira fascista
imperialista ou apologia às políticas capitalistas
neoliberais gostaria de viver no meu país com
amor em paz sem nenhuma propaganda alusiva
ao belicismo às armas atômicas ou nucleares
não suporto mais nada que diz respeito ou que
vem daquele império da américa do norte basta
de invasões controles quebra de soberania basta
de destruir a dignidade doutras nações deixa tudo
que é ruim com o povo desse país ruim arrogante
faminto sedento inimigos da paz do amor do bem
abominadores das virtudes uma nação racista
desagregadora desestabilizadora que querem
sempre mais do que é doutras nações um povo
que se pensa superior ao restante do mundo que
saiam do meu país todos aqueles que oram por
uma intervenção militar yankee ao meu país que
saiam urgentemente da minha terra todos aqueles
que batem continência à bandeira fascista do
império facínora pelo menos uma vez na vida
façais um bem a alguém volteis às vossas
origens às vossas raízes deixeis meu país na paz
no amor ninguém aqui ama o que fazeis mundo
fora ninguém aqui deseja o bem a quem espalha
o mal chega de maldição chega de maldade de
cia de fbi de ice a humanidade precisa respirar
nossas vidas humanas importam o ser humano
quer aprender a viver isso não tendes nada a nos
ensinar a raça humana agradece se reinar a paz

BH, 0100302026; Publicado: BH, 0110402026

sexta-feira, 10 de abril de 2026

IRON MAIDEN:


 

aqui ensina-se ao jovem a ser ateu ensina-se

aqui ensina-se ao jovem a ser ateu ensina-se
à juventude a ser transviada niilista agnóstica
iconoclasta aqui ensina-se ao jovem a ser
rebelde evolucionista revolucionário
progressista aqui ensina-se ao jovem a ser
ani-imperialista anticolonialista antineoliberal
aqui a juventude aprende a não ser corrompida
corruptora corrupta ou praticar corrupções aqui
aprendem a ser comunistas socialistas marxistas
leninistas anarquistas utópicos oníricos aqui se
ensina ao jovem a ser anticristão à juventude
a ser anticristã antinegacionista jovens senis
envelhecidos pela extrema-direita jovens 
cooptados pelas religiões rentistas financistas
capitalistas pelo capitalismo aqui aprendem
a quebrar as correntes do cristianismo ou do 
catolicismo entre outras aberrações que
prometem mundos fundos aos escravos jovens
do mundo aqui não há vez para mórmons
yankees yuppies workaholics wasps kkks
aqui se aprende a lutar no bom combate com
o power to the black people of the black
panther party a combater a burguesia as
elites os exploradores os opressores os
patrões aqui é fogo nos racistas porrada nos
golpistas chute no saco dos fascistas aqui se
aprende a fazer pastor ir para o cabo da enxada
pedófilo ao calabouço estuprador ao cadafalso
corrupto corruptor corrompido ao arcabouço
aqui vendeu a pátria é pelotão de fuzilamento
nem vem com chororô aqui sócrates não beberia
cicuta pelos bons serviços prestados à humanidade

BH, 080402026: Publicado: BH, 0100402026

quarta-feira, 8 de abril de 2026

enquanto houver um cidadão uma cidadã moradores de rua

enquanto houver um cidadão uma cidadã moradores de rua
o país não deu certo a sociedade faliu o sistema veio abaixo
as religiões os bancos as instituições burguesas das elites
corporativistas só defendem os próprios interesses a justiça
comete injustiças os legislativos não legislam em benefício
do povo o executivo faz o trabalho sujo de excluir de
eliminar o povo incômodo para satisfazer aos sádicos aos
áulicos bajuladores do poder surtos de aporofobias racistas
fascistas nazistas milicianos traficantes quadrilheiros
contrabandistas todos os tipos de componentes do crime
organizado juntos aos sonegadores empresários 
inescrupulosos trabalhadores pelegos vira-latas
entreguistas lesa-pátria apátridas escrotos políticos
fisiológicos eleitores omissos apolíticos analfabetos
políticos com isso o brasil não pode dar certo é muita
desigualdade é muita falta de consciência é muita
inconsciência num povo só é muita falta de resiliência as
polícias exterminadoras os militares apátridas que batem
continência à bandeira yankee do imperialismo nada pode
dar certo nesta nação que faz cultos capitalistas em igrejas
financistas demoniza o socialismo o comunismo tudo que
diz respeito ao trabalhismo aproveita as fragilidades as
deficiências dos desprivilegiados fazem práticas de
escravismo exercem a escravidão a exploração a opressão
disseminam as desigualdades viadutos marquises pontes
becos morros viram moradias precárias com ausências dos
estados dos municípios da federação enquanto houver
neste país um único cidadão uma única cidadã moradores
de rua não seremos uma civilização uma pátria uma nação

BH, 080402026; Publicado: BH, 080402026

terça-feira, 7 de abril de 2026

gostaria de escrever uma obra onde pudesse dizer escrevi uma obra

gostaria de escrever uma obra onde pudesse dizer escrevi uma obra
agora posso morrer em paz ou que quando alguém visse a tal obra
dissesse quem escreveu essa obra escreveu realmente uma obra
agora pode de fato morrer em paz vestido de fato novo não precisa
de mais nada da vida porém olho as paredes nuas manchadas
umedecidas envelhecidas sinto que nunca conseguirei esse intento
não tenho desejo suficiente de marcar um tento um tanto impedido
por total impedimento falta-me também vontade de potência se fosse
uma casa igual todo mundo faz estava feita estafeta se fosse para
erguer um muro igual todo mundo ergue estava erguido metido se
fosse para construir uma ponte igual todo mundo constrói estava
construída tolstói mas não é fácil assim é uma obra tal opus dei um
santo graal um cálix bento um santo sudário um trabalho de levar o
demônio de volta ao inferno nem hércules tentou em seus doze
trabalhos nem os trabalhadores do mar nas suas provações no fundo
do mar é uma obra que sísifo rejeitaria preferiria continuar a carregar
pedras morro acima ulisses fugiria desesperado dom quixote nem se
atreveria enfrentar com seu indomável rocinante com seu fiel valoroso
escudeiro sancho pança no bravo burrico rucio porém sou tentado pelas
tentações dos demônios socráticos então com essas assombrações
procrastinarei essa morte em vão essa noite enquanto não honrar o sangue
derramado do meu coração que coagula no lençol imundo do meu quaro

BH, 0230102026; Publicado: BH, 070402026

MORAES MOREIRA:




ARNALDO ANTUNES:



 

segunda-feira, 6 de abril de 2026

pelo máximo que o escritor queira escrever

pelo máximo que o escritor queira escrever
o leitor quer ler o mínimo possível ou nada
ou fazer o que pensa ser o melhor desprezar
a leitura tolstói escreveu guerra e paz joyce
ulisses steinbeck as vinhas da ira calhamaços
porém sabiam escrever eram lidos avidamente
quem é lido assiduamente nos dias atuais? até
o relatório hite de shere era disputado devorado
na irlanda criava-se o dia duma personagem
dum livro de joyce o blomsday não se vê nada
hoje que enaltece tanto a literatura nosso país
ainda não foi laureado por um prêmio nobel
de literatura pois matamos bibliotecas fechamos
livrarias editoras desprezamos escritores
ignoramos a cultura com o passar do tempo
nem precisaremos mais de escrever nem de ler
pois a realidade virtual a inteligência artificial
os robôs farão tudo por nós até a nossa função
de viver não será mais exercida por nós outros
seres mortos farão seremos apenas escravos
servos lacaios vassalos manipulados
controlados não precisaremos pensar nem
existir aboliremos penso logo existo ou o 
navegar é preciso viver não é preciso apenas
vegetar na vida paliativa parenteral sem
mastigação sem usar a voz a língua será
atrofiada os membros não terão funções
seremos uns aleijados por dentro por fora a
perambular mundo fora ao sabor do vento ao
relento iguais répteis ao sol iguais lobos ao luar

BH, 0120202026; Publicado: BH, 060402026

domingo, 5 de abril de 2026

IRA!


 

a tua morte foi um bem não vais mais viver

a tua morte foi um bem não vais mais viver
a atrapalhar a vida de ninguém ou a
constranger alguém diante dos
semelhantes agora todos estamos
livres de ti não serás mais uma carga
pesada às costas doutros nem do
governo nem do estado nem da
sociedade morreste como um
condenado à morte na primeira
consulta foi lido o veredicto sem
apelação tem que abrir a barriguinha
aqui ali mesmo ficaste não voltaste à
casa nunca mais te vi a não ser nas
minhas divagações nas minhas
reminiscências intermitências nas
aparições nas assombrações visagens
que imagino ver pelos antigos cantos
onde ficavas encostavas marcavas
marcas da tua cabeça das tuas costas
das tuas mãos até nos meus ombros
sinto quando encostas como encostavas
antigamente agora todos estamos
aliviados sou o único que persisto nas
lamentações nos remorsos nos
arrependimentos pois se continuasses a
viver atrapalharias o sistema colocarias
abaixo as estruturas abalarias as igrejas
não dava mais para continuares a viver
todos decidimos que tinhas que morrer
morreste mártir herói sei como ainda
dói em mim a cruz que trago às costas
a arrastá-la pesada pela estrada fora
pelos trinta seis sóis cravados no
calvário onde faço questão de está
pregado por cravos ensanguentados

BH, 0290102026; Publicado: BH, 050402026

sexta-feira, 3 de abril de 2026

a primeira frase que passar arreada

a primeira frase que passar arreada
há de se captar boa ou má pois não
é toda hora que há desfile de frases
nas paisagens nas passarelas nas
paralelas a antena o radar a torre
de controle tudo que se puder usar
tem que estar diretamente em
sintonia em sincronização com o
universo geral o ditador da razão
das normas das leis o rei dos reis
que rege o bem ou o mal a morte
ou a vida a sorte ou o azar se
perdeu o fio da meada a deixar-se
peteca cair lá se foi o que era
doce até passar outra frase à
velocidade da luz ao quadrado
pode-se levar uma eternidade aí o
tempo para o cara está na
academia numa mesa para uma
cirurgia estética num banco a fazer
lucros investimentos numa igreja a 
pagar padecimentos indulgências
perder a razão o tino a se desviar
dos caminhos das frases ou está a
comer demasiadamente num fast
food a beber sem moderação
depois a reclamar de deus do
diabo de tudo que se pode lembrar
poderia ter feito história entrado no
guiness book na calçada da fama
que disgrama que desgraça viveu
na trapaça a enganar até a si
mesmo não captou nenhuma
mensagem nem do além para
epitáfio da sepultura no mausoléu
da literatura

BH, 0290102026; Publicado: BH, 030402026

quarta-feira, 1 de abril de 2026

ERASMO CARLOS:



 



PEDRADA, CHICO CÉSAR:

 Cães danados do fascismo

Babam e arreganham os dentesSai do ovo a serpenteFruto podre do cinismo
Para oprimir as gentesNos manter no escravismoPra nos empurrar no abismoE nos triturar com os dentes
Ê, república de parentes, pode crerNa nova Babilônia eu e vocêSomos só carne humana pra moerE o amor não é pra nós
Mas nós temos a pedrada pra jogarA bola incendiária está no arFogo nos fascistasFogo, Jah!
Ê, república de parentes, pode crerNa nova Babilônia eu e vocêSomos só carne humana pra moerE o amor não é pra nós
Mas nós temos a pedrada pra jogarA bola incendiária está no arFogo nos fascistasFogo, Jah!
Cães danados do fascismoBabam e arreganham os dentesSai do ovo a serpenteFruto podre do cinismo
Para oprimir as gentesNos manter no escravismoPra nos empurrar no abismoE nos triturar com os dentes
Ê, república de parentes, pode crerNa nova Babilônia eu e vocêSomos só carne humana pra moerE o amor não é pra nós
Mas nós temos a pedrada pra jogarA bola incendiária está no arFogo nos fascistasFogo, Jah!
Ê, república de parentes, pode crerNa nova Babilônia eu e vocêSomos só carne humana pra moerE o amor não é pra nós
Mas nós temos a pedrada pra jogarA bola incendiária está no arFogo nos fascistasFogo, Jah!
Fogo, fogo (queima)
Fogo, fogoQueima, Senhor! (queima)Todo homem que oprime outro homemPor ganância, por dinheiroFaz da nossa revolta teu incêndioCada um de nós tua fagulha, SenhorE queima a BabilôniaSalve, Jah!Fogo, Jah!
Mas nós temos a pedrada pra jogarA bola incendiária está no arFogo nos fascistasFogo, Jah!

não aprendo até hoje não aprendi

não aprendo até hoje não aprendi
nem no futuro aprenderei que as
coisas estão no universo só que 
preciso aprender das leis universais
dos princípios das virtudes das
relações estelares das interações das
galáxias dos intercâmbios entre os
infinitos aglomerados de estrelas de
constelações porém meu bruto coração
não é fruto não é fruta pão é pau é
pedra é torrão não me deixa ver além
do meu nariz não me faz dar um passo
à frente de todos os meus passos
quando vejo caminhei em círculos
andei apara atrás dei marcha à ré
agourei minha mãe meu pai não saí
do lugar comum fechei todas as portas
os portais as janelas me isolei no visgo
da resina me colei com os pés presos na
cola veio um físico amigo cortou minha
força de gravidade mesmo assim não
levitei era pesada demais a minha
consciência que me fazia inconsciente
tinha a alma na umidade tinha o ser no
breu tinha o espírito de porco espinho a
espinhela caída o quebranto minha avó me
apareceu numa aparição de assombração
rezou ladainha num canto da cozinha
acordei atônito a falar esperanto

BH, 020202026; Publicado: BH, 01°0402026'

a pimenteira à entrada do barracão

a pimenteira à entrada do barracão
da minha avó à direita de quem
chegava à esquerda de quem saía
olhava-me quando aparecia para
visitá-las menino nada sabino nada
ladino nada sandino nada saladino
minha avó escolhia a pimenta mais
bonita mais vermelha dava-me de
presente fazia-me comer a pimenta
na hora não faz mal se não comer
os sabiás vão comer vão acabar
com todas sempre gostava de ir
menino paladino ao barraco em
cima do barranco onde minha avó
morava com a mãe o marido césar
o filho lourenço a pimenteira na
porta do lado de fora à esquerda
de quem saía à direita de quem
chegava tinha sempre uma puta
para ser benzida rezada bolinada
aos risos cochichos comichões
cócegas arranhões tinha sempre
o pote com água potável fresca
talhas cheias de tralhas jarras
vasos penicos bacias gamelas
tachos fogão de barro branco à
lenha onde acendia-se cigarro
de palha na brasa pinguinha
na moringa fumo para mascar
bananas na garrafa para fazer
vinagre era só sorte tudo era
usado para espantar o azar

BH, 020202026; Publicado: BH, 01°0402026

terça-feira, 31 de março de 2026

qual a causa da tua tristeza meu jovem septuagenário?

qual a causa da tua tristeza meu jovem septuagenário?
a lucidez abandonou-me desde o dia no qual nasci daí
então nunca mais fui lúcido meu irmão ai coloquei a
cabeça no mundo perdi a cabeça o cabaço a cabaça
entrei na escuridão pela contramão nada mais
enxerguei adaptei lentes aos olhos em vão troquei as
naturais por fixas em vão fiquei mais cego todo mundo
enxerga mais tudo claramente tateio no veio perco o
cobre o ouro a prata todo mundo segue a própria
intuição fico biruta de aeroporto molambo de estrada
para onde o  vento der sem dinheiro sem mulher sem
felicidade um homem só é feliz de sorrir quando leva
uma mulher consigo mesmo uma mulher que não seja
lúcida também igual não sou bebas umas quem sabe
não diminuis esse teu augúrio? tentarei se a tentação
vier pois até a tentação não me dá mais atenção só
desacelerou meu coração que hoje funciona à base de
drogas que não deixam a sístole a diástole essas
celeradas me jogarem no chão balanço no pêndulo
guio a louca locomotiva passiva que há muito deixou
de ser ativa hoje é nociva a fazer com que tenha medo
da morte o que outrora não fazia pois sempre vivi no
azar nunca tive boa sorte só a má o sul não me quis
perdi o norte abracei o nordeste num vento sem raiz

BH, 040202026; Publicado: BH, 0310302026

que fazes aí?

que fazes aí?
à espera duma frase que passará aqui
necessito começar um período novo
ou um artigo ou um ensaio ou uma
lauda ou seja lá o que for porém não
passa uma frase por aqui ou uma
sentença que vença vitoriosa ou
uma oração com todos os termos da
razão mesmo que peça ao senhor
por favor camarada presta a atenção
ninguém liga mais para essas coisas
não temos aí a inteligência artificial
a realidade virtual com um único
clic compões uma obra-prima ou
uma obra de arte da bela arte sem te
torturares a si mesmo sem angústia
sem ansiedade ânsia agonia
camarada sou da antiga do tempo do
bom-dia do poema da poesia isso
hoje é pura heresia goétia sem
teurgia não enche barriga não traz
alegria todos que tentaram ficaram
loucos adoeceram mentalmente vais
pelo mesmo caminho todo mundo
reclama de ti que vestes mal não
fazes a barbas não cortas os cabelos
andas em desmazelo deselegante
sem dinheiro vives aí pelos cantos
punhos cerrados pergaminhos folhas
em branco canetas nas mãos não
tens nem um pedaço de pão a matar
tua fome pareces mais um animal
não pareces um homem qualquer 
dia te internam numa clínica para
alienados severos como um
trabalhador que não se reconhece
no produto do seu trabalho bye go

BH, 040202026; Publicado: BH, 0310302026

CHICO CÉSAR:


 

segunda-feira, 30 de março de 2026

tomara que agora com o fim da escala 6x1

tomara que agora com o fim da escala 6x1
possamos escrever mais ler mais com o tempo
que teremos de sobra para o lazer assim com
mais dedicação à literatura num futuro próximo
poderemos enfim ganhar um prêmio nobel de
literatura que talvez venha do pensamento
proletário brasileiro que projetará o país no seio
da inteligência universal pois sem escrita sem
leitura sem literatura ficaria cada vez mais
distante talvez impossível esse sonho do
proletariado do nosso país ser laureado através
dalgum nome a um prêmio nobel de literatura
tanto almejado pois nomes para disputar apesar
da nossa parca escrita pouca leitura fraca
literatura já temos alguns que só precisamos de
promover com o hábito de ler o prazer de escrever
o resultado será prazeroso com menos violência
feminicídio pedofilia tráficos de quaisquer espécies
contrabandos fim das milícias do crime organizado
das facções das quadrilhas com todo mundo
preocupado em viver em paz em aproveitar a vida
em desfrutar o bem o amor a preservar a natureza
a respeitar a fauna a flora o povo da floresta será
uma maravilha só todo mundo consciente cidadão
a usufruir a cidadania a soberania a dignidade dum
ser humano perfeito do tamanho da humanidade

BH, 040202026; Publicado: BH, 03003002026

sexta-feira, 27 de março de 2026

RAY CHARLES:



 

não sei o que escrevo

não sei o que escrevo
se alguém souber o que escrevo
diz para mim o que escrevo
ou ninguém sabe o que escrevo?
como as outras coisas
esta é uma das coisas
que não sei
como sócrates também
que não sabia de nada
mas para que saber dalguma coisa
num mundo onde ninguém sabe nada?
não me canso de perguntar porém
continuo a perguntar obstinadamente
se as respostas não vêm é justamente
porque como sou é que todo mundo é
um ser ignorante a ignorar
a própria ignorância
um ser estúpido que não sabe
da própria estupidez
um ser insensato que esconde
a própria insensatez
o bom seria se todo mundo quisesse
saber dalguma coisa
não coisas pessoais de pessoas impessoais
porém coisas das quais
não sei como todo mundo não sabe
se há alguém que sabe é obviamente
o que se alimenta só de sabedoria
não se sacia nem com soda
nem com coca-cola mas
com água da fonte dos pricípios
quais princípios?
os princípios inventados pelo próprio homem
que não tem princípio que
talvez seja a única coisa certa que sei
é que o homem não tem princípio
pode até escrever sobre princípios
causas efeitos éticas teses teorias livros
laudas artigos parágrafos parênteses
mas não sabe sobre o que escreve
joga no escuro
às vezes pode até dar certo
num mundo errado
onde ninguém age correto
aí a vergonha que passa será menor
se dividida entre os semelhantes

BH, 0110202026; Publicado: BH, 0270302026

sexta-feira, 20 de março de 2026

nunca havia ouvido falar nesse pobre diabo

nunca havia ouvido falar nesse pobre diabo
septuagenário edson gomes quando o pig o
partido da imprensa golpista o globo fez
uma longa matéria sobre suas falas bizarras
seus pensamentos medonhos suas
expressões macabras suas palavras bisonhas
suas letras medievais suas inspirações
feudais depois que li entendi porque o pig
agiu assim com tanto espaço ao cabra safado
se meteu o malho no bolsa família escrachou
o comunismo como se fosse vítima escrachou
o dia da consciência negra detonou as cotas
raciais apaziguou o racismo fascista acabou
com o sindicalismo que prega o trabalhismo
não separou os pelegos dos proletários com
isso tem palanques em quaisquer folhas do
pig da imprensa marrom não só no globo que
sempre apoiou a ditadura as torturas os
assassinatos dos presos políticos os sequestros
o militarismo o golpismo senti nojo desse
demônio septuagenário edson gomes que um
dia se acomode no seu lugar no ostracismo
fascista esquecido pela história como um pária

BH, 0200302026; Publicado: BH, 0200302026