sexta-feira, 17 de abril de 2026

vivo num dilema não sei se faço poesia ou poema

vivo num dilema não sei se faço poesia ou poema
nem sei se faço goética ou poética mesmo sem
antologia parece mais elegia repito não vejo ode
à alegria schillerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr
ou o que fazer hoje em dia para agradar
à elite para enaltecer à burguesia vou perder o
soneto vou perder a emenda vou quebrar o pé a
mão o tendão chumbar o coração nada de
anatomia de ser ou não ser eis a questão já dizia
alguém noutra ocasião mas todo mundo agora
só repete o mais do mesmo toda hora então
ninguém faz mais revolução virou nostalgia
memória recordação muda a história impõe uma
nova condição que já vem mais velha do que
qualquer ideia é a realidade virtual é a
inteligência artificial é o pensamento mortal pois
morreu o pensamento imortal como pode isso
todo mundo faz igual a mesma guerra a mesma
fera quero vender a alma porém não se compra
mais alma perdeu o valor de mercado
mercadoria vencida o corpo plastificado envolto
em papel laminado moldado nalguma academia
de celerados tem mais valor do que uma alma
sem bolor a imagem vale mais causa mais efeito
mas o que sai de dentro continua a feder do
mesmo jeito joga perfume por cima desodorante
parece que deixaram o esgoto aberto é um
corpo vivo o cheiro é dum cadáver em viva podridão

BH, 0170402026; Publicado: BH, 0170402026

quinta-feira, 16 de abril de 2026

choveu na roseira não houve jeito

choveu na roseira não houve jeito
mesmo assim morreu para o seu
lugar arrumei uma pimenteira ao
lembrar da vó que me ensinou a
amar uma pimenteira igual a um
passarinho ama ao ninho já até
devorei a primeira leva que
surgiu nem sei o tipo da pimenta
porém me parece que não é
malagueta nem de cheiro isso sei
que não é pois arde igual a uma
boa mulher sei que a adorei até
lembrei-me quando chegava ao
barracão da vó em cima do
barranco a primeira coisa que
fazia era me mandar comer uma
pimenta no tranco mãe também
fez-me comer muita pimenta
ainda esfregava o molho na
minha cara mas isso era porque
falava muito palavrão mãe era
crente não gostava de jeito
nenhum de palavrão então com
essa esfregação passei a amar
pimenta alho pimentão a roseira
foi pela música está chovendo
na roseira mas que comigo não
vingou a pimenteira caiu melhor
ainda me alimentou estou a
esperar uma nova frutificação
para poder degustar o processo
é lento hei de ter paciência com
ciência consciência para
esperar com esperança
confiança segurança pois
em deus a vida avança

BH, 0230202026; Publicado: BH, 0160402026

sábado, 11 de abril de 2026

gostaria de viver no meu país com amor em paz

gostaria de viver no meu país com amor em paz
sem nenhuma referência aos yankees dos usa
sem nenhuma interferência da bandeira fascista
imperialista ou apologia às políticas capitalistas
neoliberais gostaria de viver no meu país com
amor em paz sem nenhuma propaganda alusiva
ao belicismo às armas atômicas ou nucleares
não suporto mais nada que diz respeito ou que
vem daquele império da américa do norte basta
de invasões controles quebra de soberania basta
de destruir a dignidade doutras nações deixa tudo
que é ruim com o povo desse país ruim arrogante
faminto sedento inimigos da paz do amor do bem
abominadores das virtudes uma nação racista
desagregadora desestabilizadora que querem
sempre mais do que é doutras nações um povo
que se pensa superior ao restante do mundo que
saiam do meu país todos aqueles que oram por
uma intervenção militar yankee ao meu país que
saiam urgentemente da minha terra todos aqueles
que batem continência à bandeira fascista do
império facínora pelo menos uma vez na vida
façais um bem a alguém volteis às vossas
origens às vossas raízes deixeis meu país na paz
no amor ninguém aqui ama o que fazeis mundo
fora ninguém aqui deseja o bem a quem espalha
o mal chega de maldição chega de maldade de
cia de fbi de ice a humanidade precisa respirar
nossas vidas humanas importam o ser humano
quer aprender a viver isso não tendes nada a nos
ensinar a raça humana agradece se reinar a paz

BH, 0100302026; Publicado: BH, 0110402026

sexta-feira, 10 de abril de 2026

IRON MAIDEN:


 

aqui ensina-se ao jovem a ser ateu ensina-se

aqui ensina-se ao jovem a ser ateu ensina-se
à juventude a ser transviada niilista agnóstica
iconoclasta aqui ensina-se ao jovem a ser
rebelde evolucionista revolucionário
progressista aqui ensina-se ao jovem a ser
ani-imperialista anticolonialista antineoliberal
aqui a juventude aprende a não ser corrompida
corruptora corrupta ou praticar corrupções aqui
aprendem a ser comunistas socialistas marxistas
leninistas anarquistas utópicos oníricos aqui se
ensina ao jovem a ser anticristão à juventude
a ser anticristã antinegacionista jovens senis
envelhecidos pela extrema-direita jovens 
cooptados pelas religiões rentistas financistas
capitalistas pelo capitalismo aqui aprendem
a quebrar as correntes do cristianismo ou do 
catolicismo entre outras aberrações que
prometem mundos fundos aos escravos jovens
do mundo aqui não há vez para mórmons
yankees yuppies workaholics wasps kkks
aqui se aprende a lutar no bom combate com
o power to the black people of the black
panther party a combater a burguesia as
elites os exploradores os opressores os
patrões aqui é fogo nos racistas porrada nos
golpistas chute no saco dos fascistas aqui se
aprende a fazer pastor ir para o cabo da enxada
pedófilo ao calabouço estuprador ao cadafalso
corrupto corruptor corrompido ao arcabouço
aqui vendeu a pátria é pelotão de fuzilamento
nem vem com chororô aqui sócrates não beberia
cicuta pelos bons serviços prestados à humanidade

BH, 080402026: Publicado: BH, 0100402026

quarta-feira, 8 de abril de 2026

enquanto houver um cidadão uma cidadã moradores de rua

enquanto houver um cidadão uma cidadã moradores de rua
o país não deu certo a sociedade faliu o sistema veio abaixo
as religiões os bancos as instituições burguesas das elites
corporativistas só defendem os próprios interesses a justiça
comete injustiças os legislativos não legislam em benefício
do povo o executivo faz o trabalho sujo de excluir de
eliminar o povo incômodo para satisfazer aos sádicos aos
áulicos bajuladores do poder surtos de aporofobias racistas
fascistas nazistas milicianos traficantes quadrilheiros
contrabandistas todos os tipos de componentes do crime
organizado juntos aos sonegadores empresários 
inescrupulosos trabalhadores pelegos vira-latas
entreguistas lesa-pátria apátridas escrotos políticos
fisiológicos eleitores omissos apolíticos analfabetos
políticos com isso o brasil não pode dar certo é muita
desigualdade é muita falta de consciência é muita
inconsciência num povo só é muita falta de resiliência as
polícias exterminadoras os militares apátridas que batem
continência à bandeira yankee do imperialismo nada pode
dar certo nesta nação que faz cultos capitalistas em igrejas
financistas demoniza o socialismo o comunismo tudo que
diz respeito ao trabalhismo aproveita as fragilidades as
deficiências dos desprivilegiados fazem práticas de
escravismo exercem a escravidão a exploração a opressão
disseminam as desigualdades viadutos marquises pontes
becos morros viram moradias precárias com ausências dos
estados dos municípios da federação enquanto houver
neste país um único cidadão uma única cidadã moradores
de rua não seremos uma civilização uma pátria uma nação

BH, 080402026; Publicado: BH, 080402026

terça-feira, 7 de abril de 2026

gostaria de escrever uma obra onde pudesse dizer escrevi uma obra

gostaria de escrever uma obra onde pudesse dizer escrevi uma obra
agora posso morrer em paz ou que quando alguém visse a tal obra
dissesse quem escreveu essa obra escreveu realmente uma obra
agora pode de fato morrer em paz vestido de fato novo não precisa
de mais nada da vida porém olho as paredes nuas manchadas
umedecidas envelhecidas sinto que nunca conseguirei esse intento
não tenho desejo suficiente de marcar um tento um tanto impedido
por total impedimento falta-me também vontade de potência se fosse
uma casa igual todo mundo faz estava feita estafeta se fosse para
erguer um muro igual todo mundo ergue estava erguido metido se
fosse para construir uma ponte igual todo mundo constrói estava
construída tolstói mas não é fácil assim é uma obra tal opus dei um
santo graal um cálix bento um santo sudário um trabalho de levar o
demônio de volta ao inferno nem hércules tentou em seus doze
trabalhos nem os trabalhadores do mar nas suas provações no fundo
do mar é uma obra que sísifo rejeitaria preferiria continuar a carregar
pedras morro acima ulisses fugiria desesperado dom quixote nem se
atreveria enfrentar com seu indomável rocinante com seu fiel valoroso
escudeiro sancho pança no bravo burrico rucio porém sou tentado pelas
tentações dos demônios socráticos então com essas assombrações
procrastinarei essa morte em vão essa noite enquanto não honrar o sangue
derramado do meu coração que coagula no lençol imundo do meu quaro

BH, 0230102026; Publicado: BH, 070402026

MORAES MOREIRA:




ARNALDO ANTUNES:



 

segunda-feira, 6 de abril de 2026

pelo máximo que o escritor queira escrever

pelo máximo que o escritor queira escrever
o leitor quer ler o mínimo possível ou nada
ou fazer o que pensa ser o melhor desprezar
a leitura tolstói escreveu guerra e paz joyce
ulisses steinbeck as vinhas da ira calhamaços
porém sabiam escrever eram lidos avidamente
quem é lido assiduamente nos dias atuais? até
o relatório hite de shere era disputado devorado
na irlanda criava-se o dia duma personagem
dum livro de joyce o blomsday não se vê nada
hoje que enaltece tanto a literatura nosso país
ainda não foi laureado por um prêmio nobel
de literatura pois matamos bibliotecas fechamos
livrarias editoras desprezamos escritores
ignoramos a cultura com o passar do tempo
nem precisaremos mais de escrever nem de ler
pois a realidade virtual a inteligência artificial
os robôs farão tudo por nós até a nossa função
de viver não será mais exercida por nós outros
seres mortos farão seremos apenas escravos
servos lacaios vassalos manipulados
controlados não precisaremos pensar nem
existir aboliremos penso logo existo ou o 
navegar é preciso viver não é preciso apenas
vegetar na vida paliativa parenteral sem
mastigação sem usar a voz a língua será
atrofiada os membros não terão funções
seremos uns aleijados por dentro por fora a
perambular mundo fora ao sabor do vento ao
relento iguais répteis ao sol iguais lobos ao luar

BH, 0120202026; Publicado: BH, 060402026

domingo, 5 de abril de 2026

IRA!


 

a tua morte foi um bem não vais mais viver

a tua morte foi um bem não vais mais viver
a atrapalhar a vida de ninguém ou a
constranger alguém diante dos
semelhantes agora todos estamos
livres de ti não serás mais uma carga
pesada às costas doutros nem do
governo nem do estado nem da
sociedade morreste como um
condenado à morte na primeira
consulta foi lido o veredicto sem
apelação tem que abrir a barriguinha
aqui ali mesmo ficaste não voltaste à
casa nunca mais te vi a não ser nas
minhas divagações nas minhas
reminiscências intermitências nas
aparições nas assombrações visagens
que imagino ver pelos antigos cantos
onde ficavas encostavas marcavas
marcas da tua cabeça das tuas costas
das tuas mãos até nos meus ombros
sinto quando encostas como encostavas
antigamente agora todos estamos
aliviados sou o único que persisto nas
lamentações nos remorsos nos
arrependimentos pois se continuasses a
viver atrapalharias o sistema colocarias
abaixo as estruturas abalarias as igrejas
não dava mais para continuares a viver
todos decidimos que tinhas que morrer
morreste mártir herói sei como ainda
dói em mim a cruz que trago às costas
a arrastá-la pesada pela estrada fora
pelos trinta seis sóis cravados no
calvário onde faço questão de está
pregado por cravos ensanguentados

BH, 0290102026; Publicado: BH, 050402026

sexta-feira, 3 de abril de 2026

a primeira frase que passar arreada

a primeira frase que passar arreada
há de se captar boa ou má pois não
é toda hora que há desfile de frases
nas paisagens nas passarelas nas
paralelas a antena o radar a torre
de controle tudo que se puder usar
tem que estar diretamente em
sintonia em sincronização com o
universo geral o ditador da razão
das normas das leis o rei dos reis
que rege o bem ou o mal a morte
ou a vida a sorte ou o azar se
perdeu o fio da meada a deixar-se
peteca cair lá se foi o que era
doce até passar outra frase à
velocidade da luz ao quadrado
pode-se levar uma eternidade aí o
tempo para o cara está na
academia numa mesa para uma
cirurgia estética num banco a fazer
lucros investimentos numa igreja a 
pagar padecimentos indulgências
perder a razão o tino a se desviar
dos caminhos das frases ou está a
comer demasiadamente num fast
food a beber sem moderação
depois a reclamar de deus do
diabo de tudo que se pode lembrar
poderia ter feito história entrado no
guiness book na calçada da fama
que disgrama que desgraça viveu
na trapaça a enganar até a si
mesmo não captou nenhuma
mensagem nem do além para
epitáfio da sepultura no mausoléu
da literatura

BH, 0290102026; Publicado: BH, 030402026

quarta-feira, 1 de abril de 2026

ERASMO CARLOS:



 



PEDRADA, CHICO CÉSAR:

 Cães danados do fascismo

Babam e arreganham os dentesSai do ovo a serpenteFruto podre do cinismo
Para oprimir as gentesNos manter no escravismoPra nos empurrar no abismoE nos triturar com os dentes
Ê, república de parentes, pode crerNa nova Babilônia eu e vocêSomos só carne humana pra moerE o amor não é pra nós
Mas nós temos a pedrada pra jogarA bola incendiária está no arFogo nos fascistasFogo, Jah!
Ê, república de parentes, pode crerNa nova Babilônia eu e vocêSomos só carne humana pra moerE o amor não é pra nós
Mas nós temos a pedrada pra jogarA bola incendiária está no arFogo nos fascistasFogo, Jah!
Cães danados do fascismoBabam e arreganham os dentesSai do ovo a serpenteFruto podre do cinismo
Para oprimir as gentesNos manter no escravismoPra nos empurrar no abismoE nos triturar com os dentes
Ê, república de parentes, pode crerNa nova Babilônia eu e vocêSomos só carne humana pra moerE o amor não é pra nós
Mas nós temos a pedrada pra jogarA bola incendiária está no arFogo nos fascistasFogo, Jah!
Ê, república de parentes, pode crerNa nova Babilônia eu e vocêSomos só carne humana pra moerE o amor não é pra nós
Mas nós temos a pedrada pra jogarA bola incendiária está no arFogo nos fascistasFogo, Jah!
Fogo, fogo (queima)
Fogo, fogoQueima, Senhor! (queima)Todo homem que oprime outro homemPor ganância, por dinheiroFaz da nossa revolta teu incêndioCada um de nós tua fagulha, SenhorE queima a BabilôniaSalve, Jah!Fogo, Jah!
Mas nós temos a pedrada pra jogarA bola incendiária está no arFogo nos fascistasFogo, Jah!

não aprendo até hoje não aprendi

não aprendo até hoje não aprendi
nem no futuro aprenderei que as
coisas estão no universo só que 
preciso aprender das leis universais
dos princípios das virtudes das
relações estelares das interações das
galáxias dos intercâmbios entre os
infinitos aglomerados de estrelas de
constelações porém meu bruto coração
não é fruto não é fruta pão é pau é
pedra é torrão não me deixa ver além
do meu nariz não me faz dar um passo
à frente de todos os meus passos
quando vejo caminhei em círculos
andei apara atrás dei marcha à ré
agourei minha mãe meu pai não saí
do lugar comum fechei todas as portas
os portais as janelas me isolei no visgo
da resina me colei com os pés presos na
cola veio um físico amigo cortou minha
força de gravidade mesmo assim não
levitei era pesada demais a minha
consciência que me fazia inconsciente
tinha a alma na umidade tinha o ser no
breu tinha o espírito de porco espinho a
espinhela caída o quebranto minha avó me
apareceu numa aparição de assombração
rezou ladainha num canto da cozinha
acordei atônito a falar esperanto

BH, 020202026; Publicado: BH, 01°0402026'

a pimenteira à entrada do barracão

a pimenteira à entrada do barracão
da minha avó à direita de quem
chegava à esquerda de quem saía
olhava-me quando aparecia para
visitá-las menino nada sabino nada
ladino nada sandino nada saladino
minha avó escolhia a pimenta mais
bonita mais vermelha dava-me de
presente fazia-me comer a pimenta
na hora não faz mal se não comer
os sabiás vão comer vão acabar
com todas sempre gostava de ir
menino paladino ao barraco em
cima do barranco onde minha avó
morava com a mãe o marido césar
o filho lourenço a pimenteira na
porta do lado de fora à esquerda
de quem saía à direita de quem
chegava tinha sempre uma puta
para ser benzida rezada bolinada
aos risos cochichos comichões
cócegas arranhões tinha sempre
o pote com água potável fresca
talhas cheias de tralhas jarras
vasos penicos bacias gamelas
tachos fogão de barro branco à
lenha onde acendia-se cigarro
de palha na brasa pinguinha
na moringa fumo para mascar
bananas na garrafa para fazer
vinagre era só sorte tudo era
usado para espantar o azar

BH, 020202026; Publicado: BH, 01°0402026

terça-feira, 31 de março de 2026

qual a causa da tua tristeza meu jovem septuagenário?

qual a causa da tua tristeza meu jovem septuagenário?
a lucidez abandonou-me desde o dia no qual nasci daí
então nunca mais fui lúcido meu irmão ai coloquei a
cabeça no mundo perdi a cabeça o cabaço a cabaça
entrei na escuridão pela contramão nada mais
enxerguei adaptei lentes aos olhos em vão troquei as
naturais por fixas em vão fiquei mais cego todo mundo
enxerga mais tudo claramente tateio no veio perco o
cobre o ouro a prata todo mundo segue a própria
intuição fico biruta de aeroporto molambo de estrada
para onde o  vento der sem dinheiro sem mulher sem
felicidade um homem só é feliz de sorrir quando leva
uma mulher consigo mesmo uma mulher que não seja
lúcida também igual não sou bebas umas quem sabe
não diminuis esse teu augúrio? tentarei se a tentação
vier pois até a tentação não me dá mais atenção só
desacelerou meu coração que hoje funciona à base de
drogas que não deixam a sístole a diástole essas
celeradas me jogarem no chão balanço no pêndulo
guio a louca locomotiva passiva que há muito deixou
de ser ativa hoje é nociva a fazer com que tenha medo
da morte o que outrora não fazia pois sempre vivi no
azar nunca tive boa sorte só a má o sul não me quis
perdi o norte abracei o nordeste num vento sem raiz

BH, 040202026; Publicado: BH, 0310302026

que fazes aí?

que fazes aí?
à espera duma frase que passará aqui
necessito começar um período novo
ou um artigo ou um ensaio ou uma
lauda ou seja lá o que for porém não
passa uma frase por aqui ou uma
sentença que vença vitoriosa ou
uma oração com todos os termos da
razão mesmo que peça ao senhor
por favor camarada presta a atenção
ninguém liga mais para essas coisas
não temos aí a inteligência artificial
a realidade virtual com um único
clic compões uma obra-prima ou
uma obra de arte da bela arte sem te
torturares a si mesmo sem angústia
sem ansiedade ânsia agonia
camarada sou da antiga do tempo do
bom-dia do poema da poesia isso
hoje é pura heresia goétia sem
teurgia não enche barriga não traz
alegria todos que tentaram ficaram
loucos adoeceram mentalmente vais
pelo mesmo caminho todo mundo
reclama de ti que vestes mal não
fazes a barbas não cortas os cabelos
andas em desmazelo deselegante
sem dinheiro vives aí pelos cantos
punhos cerrados pergaminhos folhas
em branco canetas nas mãos não
tens nem um pedaço de pão a matar
tua fome pareces mais um animal
não pareces um homem qualquer 
dia te internam numa clínica para
alienados severos como um
trabalhador que não se reconhece
no produto do seu trabalho bye go

BH, 040202026; Publicado: BH, 0310302026

CHICO CÉSAR:


 

segunda-feira, 30 de março de 2026

tomara que agora com o fim da escala 6x1

tomara que agora com o fim da escala 6x1
possamos escrever mais ler mais com o tempo
que teremos de sobra para o lazer assim com
mais dedicação à literatura num futuro próximo
poderemos enfim ganhar um prêmio nobel de
literatura que talvez venha do pensamento
proletário brasileiro que projetará o país no seio
da inteligência universal pois sem escrita sem
leitura sem literatura ficaria cada vez mais
distante talvez impossível esse sonho do
proletariado do nosso país ser laureado através
dalgum nome a um prêmio nobel de literatura
tanto almejado pois nomes para disputar apesar
da nossa parca escrita pouca leitura fraca
literatura já temos alguns que só precisamos de
promover com o hábito de ler o prazer de escrever
o resultado será prazeroso com menos violência
feminicídio pedofilia tráficos de quaisquer espécies
contrabandos fim das milícias do crime organizado
das facções das quadrilhas com todo mundo
preocupado em viver em paz em aproveitar a vida
em desfrutar o bem o amor a preservar a natureza
a respeitar a fauna a flora o povo da floresta será
uma maravilha só todo mundo consciente cidadão
a usufruir a cidadania a soberania a dignidade dum
ser humano perfeito do tamanho da humanidade

BH, 040202026; Publicado: BH, 03003002026

sexta-feira, 27 de março de 2026

RAY CHARLES:



 

não sei o que escrevo

não sei o que escrevo
se alguém souber o que escrevo
diz para mim o que escrevo
ou ninguém sabe o que escrevo?
como as outras coisas
esta é uma das coisas
que não sei
como sócrates também
que não sabia de nada
mas para que saber dalguma coisa
num mundo onde ninguém sabe nada?
não me canso de perguntar porém
continuo a perguntar obstinadamente
se as respostas não vêm é justamente
porque como sou é que todo mundo é
um ser ignorante a ignorar
a própria ignorância
um ser estúpido que não sabe
da própria estupidez
um ser insensato que esconde
a própria insensatez
o bom seria se todo mundo quisesse
saber dalguma coisa
não coisas pessoais de pessoas impessoais
porém coisas das quais
não sei como todo mundo não sabe
se há alguém que sabe é obviamente
o que se alimenta só de sabedoria
não se sacia nem com soda
nem com coca-cola mas
com água da fonte dos pricípios
quais princípios?
os princípios inventados pelo próprio homem
que não tem princípio que
talvez seja a única coisa certa que sei
é que o homem não tem princípio
pode até escrever sobre princípios
causas efeitos éticas teses teorias livros
laudas artigos parágrafos parênteses
mas não sabe sobre o que escreve
joga no escuro
às vezes pode até dar certo
num mundo errado
onde ninguém age correto
aí a vergonha que passa será menor
se dividida entre os semelhantes

BH, 0110202026; Publicado: BH, 0270302026

sexta-feira, 20 de março de 2026

nunca havia ouvido falar nesse pobre diabo

nunca havia ouvido falar nesse pobre diabo
septuagenário edson gomes quando o pig o
partido da imprensa golpista o globo fez
uma longa matéria sobre suas falas bizarras
seus pensamentos medonhos suas
expressões macabras suas palavras bisonhas
suas letras medievais suas inspirações
feudais depois que li entendi porque o pig
agiu assim com tanto espaço ao cabra safado
se meteu o malho no bolsa família escrachou
o comunismo como se fosse vítima escrachou
o dia da consciência negra detonou as cotas
raciais apaziguou o racismo fascista acabou
com o sindicalismo que prega o trabalhismo
não separou os pelegos dos proletários com
isso tem palanques em quaisquer folhas do
pig da imprensa marrom não só no globo que
sempre apoiou a ditadura as torturas os
assassinatos dos presos políticos os sequestros
o militarismo o golpismo senti nojo desse
demônio septuagenário edson gomes que um
dia se acomode no seu lugar no ostracismo
fascista esquecido pela história como um pária

BH, 0200302026; Publicado: BH, 0200302026

tenho que aprender a aproveitar a vida

tenho que aprender a aproveitar a vida
pois aproveitar a vida para mim é isso
aqui uma mesa rústica uma cadeira
velha uma folha de qualquer papel
uma caneta esferográfica na mão uma
cabeça que seja a minha cheia de
inspiração se a cabeça não for a minha
pode ser uma cabeça alheia numa
psicografia numa ação doutro mundo
da solidão dos solitários que não
aprenderam a aproveitar a vida teimo
nesta repetição morro não entro em
aceleração só em decomposição em
putrefação a vida segue não sigo não
fico enterrado o pescoço no garrote
vil na corda que atravessa o abismo no
raio da circunferência sou todas as
linhas fora dos conceitos trago vendas
nos olhos cegos os corvos estão
famintos sedentos meus olhos são
secos olhos de assassinos fominhas
famélicos do mundo ou dos que a vida
negou um pedaço de pão não deixou
aproveitar da água das lágrimas
de quem chora um ribeirão

BH, 0200302026; Publicado: BH, 0200302026

quando aparece algum escroto a falar mal

quando aparece algum escroto a falar mal
dalguma conquista social contra o capital
do mundo capitalista tem logo microfone
livre no jornal se detonou o bolsa família
riremos se escrachou o sindicalismo viu
comunismo em tudo achemos graça
batamos palmas se amenizou o racismo
então criticou as cotas raciais as lutas de
classe gargalhemos é o nosso cara o
incentivemos a falar mais a impedir a
politização do povo pobre a fazer
aristóteles a se revolver no túmulo da
história que bastardo inglório esse pobre
diabo preto esse demônio negro
septuagenário edson gomes teve os quinze
minutos de fama de pelego fascista
reacionário racista até o dia da consciência
negra oi cara vomitou na cara da gente seu
fedor de apodrecimento interno seu
manquejo de aleijado por dentro pelos 
bons serviços prestados à burguesia às
elites bom capacho da plutocracia da
cleptocracia da oligarquia deve ter
lambido muito as bolas do toninho
malvadeza vulgo antônio carlos magalhães

BH, 0200302026; Publicado: BH, 0200302026

escreves umas linhas bem curtinhas aí

escreves uma linhas bem curtinhas aí
bem pequenininhas que as lerei
enquanto escreveres essas linhas
dessas laudas infinitas tais as
paralelas não me terás como leitor
nem ledor nas passarelas o que farei?
se bem mais curta é a vida bem
pequenina ainda fazemos questões
de diminui-la ao mais baixo nível
não tenho preguiça de escrever
porém parece que tens preguiça de
ler não me deixarei levar por tuas
hostis palavras se não quiseres ser
ledor nem leitor das minhas palavras
paciência ciência inteligência tento
só livrar a vida da decadência
empolgar a civilização livrar a
humanidade da religião a pregar uma
vida em paz com o ser humano a
aprender a compartilhar o mundo
sem si doer pois qualquer vida em
comunhão compartilhada mutuamente
coletivamente machuca mais fere mais
do que uma facada uma navalhada ou
dum soco que nos arranca os dentes

BH, 0200302026; Publicado: BH, 0200302026

se o cara diz não sou de esquerda

se o cara diz não sou de esquerda
nem de direita é batata é de
extrema-direita se diz não sou
crente nem católico é fascista não
tem erro se ainda fala tenho
amigos pretos conheço negros é
racista se vangloria ser de deus
pátria família é nazista não há
como se enganar podeis tirar
vossas dúvidas tirar vossas
próprias conclusões se o cara
pediu invasão imperialista no seu
país é vira-lata entreguista bate
continência para a bandeira
yankee inconsciente não percebe
a própria doença mental se
defendeu patrão o fim das leis
dos direitos trabalhistas é pobre
a se pensar capitalista defendeu
estupro pedofilia ameniza
violência contra a mulher
machista machão macho alfa
porém é só um escroto que
encontra respaldo nas mídias do
pig partido da imprensa golpista
combate a luta de classe classifica
o que vem à sua cabeça de
comunismo quer menos educação
mais religião menos universidade
mais bíblia academia fitness
menos biblioteca quer mais
igrejas menos cinemas mais
censura menos cultura ouvidos
moucos para o que dizem os
caras dessa gente

BH, 0200302026; Publicado: BH, 0200302026

quanto mais distante dos componentes entes

quanto mais distante dos componentes entes
extravagantes da extrema-direita fascista
melhor para a saúde mental quaisquer
contatos corporais comportamentais com
essa gente é um risco iminente de
contaminação de ficar doente do ser da
alma da mente aí o melhor é o isolamento
total a turma de deus pátria família é o que
demais nocivo já saiu do esgoto da história
da retrete do passado do inferno não há como
relacionar fazer amizade desfrutar de
companhia é uma turma omissa apolítica
analfabeta política despolitizada fisiológica
nem vale a pena gozar com almas tão
pequenas vivem nos chiqueiros nos currais da
extrema-direita donde não se aproveita nada
nem atos nem palavras nem ideias não têm
ideais só fisiologismos misoginismos
armamentismos machismos militarismos
capitalismo imperialismo dá até nojo ânsia de
vômito então para o bem do meu coração
mantenho distância como na frase de
para-choque de caminhão a única mão que
estendo é a minha mão de pilão para dar pisão

BH, 0200302026; Publicado: BH, 0200302026

onde está a extrema-direita não estou

onde está a extrema-direita não estou
mantenho minha saúde mental sana
mantenho-me livre preso aos livros à
escrita à cultura longe do pig sigla
do partido da imprensa golpista meu
lema é delenda essa porra de rede
0globo carajo suas afiliadas
concorrentes tudo que causa dano à
minha saúde mental quero manter-me
sadio não sádico quero manter-me
ativista não masoquista defendo que
o mundo defenda cuba das garras
imperialistas neoliberais capitalistas
sou pelo fim imediato do bloqueio
econômico a cuba as nações lúcidas
da civilização mundial precisam dar
um basta à covardia à violência que
os capitalistas cometem contra a ilha
sagrada nunca mais surgirá um fidel
fiel igual ao casto castro ou um
soldado universal combatente igual
ao honesto ernesto che guevara então
as nações do mundo civil devem
decretar duma vez por todas o fim do
maldito bloqueio ninguém é dono do
mundo o mundo é para ser
compartilhado por todos aqueles que
vivem no mundo que a águia do ninho
do mal tire as garras de cima de cuba

BH, 0200302026; Publicado: BH, 0200302026

vou-me embora o mundo acabou

vou-me embora o mundo acabou
o mundo é o lugar mais imundo do mundo
não dá mais par limpar
vou-me embora par outro lugar
largar o mundo que não quer se limpar
só quer sujeiras podridões putrefações
o mundo é de fato putrefato
um fardo difícil de carregar
não dá mais para continuar a viver aqui no mundo
é que não sou escroto
não sou fisiológico
quero rebeldia quero socialismo quero comunismo
não quero capitalismo pois capitalismo é o inferno in natura
capitalismo é nazism fascismo racismo
exploração dominação anexação omissão
capitalismo é a falsa propaganda da felicidade
é o aumento da miséria da desgraça da pobreza
ninguém divide nada com ninguém
nem pão nem água
só medo covardia violência balas perdidas
vou-me embora ainda nem sei para onde
não posso ir para o lugar donde vim
seria uma maravilha se pudesse porém
se não for hoje será um dia mais cedo ou mais tarde
o certo é que irei
por enquanto crio um ninho
onde virarei um urubu-rei
esperarei até quando não sei

BH, 0200302026; BH, Publicado: 0230302026

terça-feira, 17 de março de 2026

não reconheço a minha poesia não é de empolgar

não reconheço a minha poesia não é de empolgar
não é do tipo de arnaldo antunes pop concreta
não é concisa nem chic já disse que é de pau a
pique de sebe taipa não levanta poeira das
estradas nem pó das prateleiras nem é
transparente como a cristaleira é uma poesia
antiga ultrapassada que não será lida em
nenhuma academia nem no municipal não
participará de sarau pois tímida envergonhada
tem medo de ser ousada audaciosa é uma poesia
ociosa tem preguiça de tudo omite o que deveria
ser dito quando bebe uma ou outras é que
procura si sobressair mas aí está trôpega bêbada
embriagada fala aos borbotões grita gesticula
grunhe uiva já ninguém a escuta ninguém a dá
ouvidos nem moucos às bêbadas fica louca então
a pensar que está lúcida espera elogios mas quem
elogiou a loucura foi erasmo não está mais entre
nós só a obra pode agora morrer sem elogios
esquecida num sanatório tal bispo do rosário
sem resgate recuperação sou o que queria fazer
dessa poesia uma poesia zen nobre uma obra de
arte uma obra-prima a representação do que é
clássico erudito também vou morrer em vão
longe da companhia dessa poesia não ficará aí
para me defender bem como não a defendi o
que quero? o que não quer o meu coração cada
um vai para o seu lado todos os caminhos levam
ao mesmo lugar só sou o que não sei onde quero
chegar ando em círculos avanço regrido ando
para trás as mãos vazias i peito a arfar a cabeça
pendente ninguém aparece para me dizer se a
minha poesia é de gente indigente já sei que é
gostaria de ouvir o outro lado as opiniões lúcida ou
opaca obtusa clarificada? daí depende minha salvação

LN, 050502008; Publicado: BH, 0170302026

são as ideias que nos deixam em alerta máximo

são as nossas ideias que nos deixam em alerta máximo
a toda hora a procurar a aperfeiçoar as ideias são as
ideias que nos iluminam nos deixam clarificados com
noções de que pensamos de que existimos na realidade
são a nossa virilidade o fim da nossa melancolia são o
que nos dão as noções de vida de tempo de espaço de
morte sem as ideias não construímos não criamos nem
colocamos em evidências não apresentamos sentenças
referências nem credenciais as ideias não podem se
abruptas superficiais tímidas devem ser ideias arrojadas
ousadas audaciosas que apresentem teores de fé ou do
contrário não sairão do limbo virarão fantasmas
ectoplasmas simulacros de ideias serão natimortas a
pior coisa é carregarmos cadáveres dentro da gente a
pior coisa é estarmos cheios de mortos como se
fôssemos um cemitério ou cheios de ossos como se
fôssemos um ossuário um obituário abandonado ideias
são para ser colocadas em prática para que nos ajude a
vencer nossas limitações fraquezas complexos defeitos
imperfeições tem que ser rápido pois o tempo urge
num piscar de olhos já estaremos a andar com três
pernas aí não teremos mais tempo de evidenciarmos
as nossas ideias só o tempo de virar poeira de virar pó
espalhados pelas pradarias lodo musgo faia seres que
vivem agarrados às pedras às rochas não permitir que
as ideias se transformem em rochedos é a meta de
quem expele em ideias o ideal é saber aproveitá-las
no dia seguinte falar agora sim estou bem melhor
coloquei as ideias em prática fiz o que tinha para
fazer arrisquei o resultado deu certo foi benefício
para mim estou a me sentir outro um morto que
fugiu do caixão saiu para a vida um cadáver que 
ouviu o grito levantou do sepulcro abandonou a
catacumba ganhou o universo a deixar para atrás
todos que ficaram lá acorrentados nos sus ataúdes
como vampiros que dormem nos féretros durante o
dia despertam durante a noite só que não despertam
nunca assim são também os desprovidos de ideias
os vazios de ideais vagos de intelectos frágeis de
princípios são as ideias que respaldam o homem
são os ideais o engrandecem o empoderam são os
atos que o tornam imortal

NL, 030502008; Publicado: BH, 0170302026

hoje não sai nada de dentro da minha cabeça

hoje não sai nada de dentro da minha cabeça
estou sem matéria-prima cerebral literal
linear quando vinha para cá vi um vale
passei à margem  pensei que se passasse por
aqui mil vezes durante jamais passaria com
os olhos fechados ou a dormir passaria
sempre bem desperto com olhos bem abertos
pois esse vale  vale mais do que cem olhos
sou o que devo esta obrigação ao vale não o
vale a mim esse vale vale uma eternidade
lembrei-me agora apesar de ainda estar por
baixo por fora completamente com a cabeça
sem nada por dentro não estou a sentir
discernimento nem estou a sentir lucidez não
é metáfora não é figurado é literal mesmo
falta-me conteúdo a causa do que deixou-me
assim meio com amnésia infrutífero sem
verve sem cerne praticamente sem recheio
também não falei que hoje está difícil até
agora só apareceram estas parcas linhas
diante de mim não perdi a tentação o desejo
de querer registrar um momento mas nesse
momento não consegui registrar nada que
valha um registro as pessoas passam a correr
os carros a voar só os pássaros são os que
sumiram da paisagem são raros até as
borboletas também estão escassas é por isso
que a poesia demora a fluir o poema a luzir
o ser que vive disso igual vivo sente falta
parece até que vai morrer quando não
frutifica um soneto no pomar da literatura
a poesia para mim é mais do que uma religião
é o sangue das minhas veias o tecido que cobre
minha pele minhas carnes é o pensamento que
falta-me às vezes é o meu comportamento que
que choca as pessoas é o silêncio que faz um
barulhão danado ao meu ouvido o motoqueiro
que passa a equilibrar em pé em cima da moto
de motocross é a mulher que passa a rebolar
um bundão indomável aqui na rua quase a
causar um acidente ou quase a ser atropelada
pelos automóveis hoje realmente não sai nada
de dentro de minha cabeça a não ser esta borra
neste papel quem quiser que chame de poesia

NL, 030502008; Publicado: BH, 0170302026

limitado cheguei ao limite não o ultrapassei ultrapassado

limitado cheguei ao limite não o ultrapassei ultrapassado
continuei limitado a limitar tudo que me diz respeito a
mim ao meu intuito só não sou limitado é na ignorância
na estupidez na falta de discernimento nas outras coisas
que causam espantos a intolerância a imprudência
destruo as barreiras do limite rompo os fins do universo
sem tentar concentrar usar da consciência da lucidez não
tenho atividades nenhumas que me satisfaçam tenho uma
sede ilimitada por álcool que por poucos minutos antes
de desfalecer me deixa uma sensação de prazer depois é
só uma queda livre no vácuo sem resistência sem atrito
caio como peso morto a quebrar a barreira do som sem
causar estrondo limitado meu peso me limita meu fardo
está transbordado cheio de tudo que me prende nesse
limite intransponível invisível numa hora é um muro
noutra hora é um murro é uma pedra depois uma corda
a enforcar-me nos percalços vêm uns após doutros um
abismo um precipício uma montanha maior do que a de
maomé uma fé menor do que o átomo então quebrar o
limite assim não faço questão de quebrar inescrupulosos
iconoclastas sois os ídolos das mídias tendes os pés de
barro mantendes contundidos com os joelhos estourados
tornozelos rompidos tendões de aquiles dos calcanhares
levastes um chute nos colhões ficastes de quatro diante
dos tolos só comigo não causaríeis tantas repercussões
não me correria tantos perigos convosco que dor é esta
no meu coração? é melhor ficar preparado para o que
der o que vier no dia em que meu coração doeu assim a
menina se suicidou rompeu o limite o pescoço num fio
de telefone pendurada na varanda da casa do lado de fora
aqui o ignorante tomava um porre num bar com amigos
inimigos no único limite que ainda sei quebrar os outros
nasceram comigo saramago meu saramago sonhei contigo
ontem à noite sonhei que te dava um aperto de mão um
abraço apertado que fui até entrevistado quando a imprensa
percebeu que quebrava o limite de mim ao ir em tua direção

NL, 050502008; Publicado: BH, 0170302026

quarta-feira, 11 de março de 2026

quero ficar em casa contigo à janela

quero ficar em casa contigo à janela
a ver o tempo correr no pátio vejo a
chuva a cair deito ao teu lado a te
ver envelhecer atenuas minha
estupidez quero estar em casa ao
teu lado a aprender a dissimular a
insensatez contigo a evolução é
duma vez a vida tem sentido o
mundo direção o tempo não passa
a voar cada hora nossa é só emoção
berçário de estrelas vira nosso
coração criamos planetas novos
suas luas quando passamos poesias
enchem nossas ruas és mesmo uma
musa sou um bardo um aedo a lirar
sem segredo ou alterado um louco
fascinado que quando está contigo
não sente medo nem de mau olhado
quero ficar em casa contigo criar uma
ong para te proteger uma fundação
em teu nome uma instituição para
manter a tradição nada está quieto
na natureza acalma a sensação de
dia após dia manter a adoração de
minha alma acoplar à tua numa
eterna união a tua imagem vou
mandar eternizar por ninguém
menos do que andy warhol numa
das minhas viagens ao além ou
através dum médium ou até numa
desincorporação pessoal ou numa
incorporação de marilyn monroe
demonstrarei minha dedicação só
quero ser uma tatuagem em teu
espírito um ferro em brasa no teu
ser a marcar teu nome no infinito
não quero nada que não possa
querer além do poder de estar
contigo falar teu nome velar teu
sono ninar teu sonho acordar para
sentir quando acordas ou que
continues a dormir a sonhar
estarei aqui contigo como abrigo

NL, 0150302010; Publicado: BH, 0110302026