sexta-feira, 2 de outubro de 2026

polícia documentos qual a tua idade ancião?

polícia documentos qual a tua idade ancião?
sou um septuagenário porra um velho ainda
a fazer merda pelo salão absalão? sim mas
nunca fui polícia nunca achaquei ninguém
ou protegi rico a desprezar pobre nunca
assassinei ninguém nem dei pontapé em
porta de barracão de favela nem fiz forjado
num preto sem flagrante a única fragrância
que jogo na tua cara é a fumaça da minha
maconha se for falar aqui tudo que nunca fiz
que um polícia já fez passaríamos a noite
aqui nestas prescrutações és um corajoso a 
dizer esses desaforos nas caras dos policiais
sou até digo muito mais nunca dei tapa em
cara de ninguém ou fiz covardia ou cometi
injustiça ou espalhei medo horror terror pelas
comunidades se deus tivesse me dado a
oportunidade de ser alguma coisa na vida por
livre arbítrio jamais nunca quereria ser polícia
quando um ser humano chega a ser polícia é
porque já perdeu a última condição o último
vestígio o resquício final de ser considerado
um ser humano quem não serviu para nada
só serve para ser polícia vamos à delegacia

BH, 040902026; Publicado: BH, 0201002026

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

esfregarei na tua cara os meus escritos

esfregarei na tua cara os meus escritos
não vais limpar a bunda com os meus
papeis esfregarei na tua cara os meus
escritos a dizer assim estes escritos
merecem sim o prêmio nobel de
literatura na cara dura na cara de pau
não quero saber o que pensas estão aí
os meus versos a incomodar o paralelo
universo não incomodam o universo
real porque é do universo real que
vêm os meus versos todo conterrâneo
tem o direito de almejar um prêmio
nobel dalguma coisa mesmo in
memoriam faço por onde lanço meus
poemas nos vazios dos espaços lanço
minhas poesias nos vácuos das ruas
mesmo que deem azia tiradentes foi
despedaçado hoje nem sequer é
lembrado machado desprezado rosa
desfolhado carolina de jesus até hoje
pregada na cruz sem ser laureada a
nada vou sair do pus vou brilhar na 
luz uma estrela da vida inteira com
bandeira quem não gostou dá um
golpe de estado igual ao golpe
covarde que deram numa mulher para
manchar a nossa história quero sair da
vida para entrar para a história sem
morrer todos que saíram da vida para
entrar para a história a morrer estão
mortos enterrados esquecidos por nós

BH, 020902026; Publicado: BH, 0300902026

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

quando não existir mais letras

quando não existir mais letras
quando não existir mais palavras
também não existiremos mais
és muito pessimista sou és muito
negativista sou não és nada
nativista natural não cada um é do
jeito que cada um é escrevi muitas
letras não evolui em nada não me
tornei mais sábio escrevi muitas
palavras não me melhorei em nada
nem melhorei o mundo não adquiri
mais sabedoria até me parece que
involui que fiquei mais estúpido
obtuso então basta não lavrarei mais
não serei mais operário proletário
lavrador o mundo o mundo não liga
para essas coisas também não quero
mais ligar para isso nada me faz me
tornar mais inteligente nem a
inteligência artificial nem a realidade
virtual me fizeram ver a realidade
real enterrarei essas letras mortas
incinerarei essas palavras mórbidas
dispersarei as cinzas aos ventos mais
vagabundos arrastadores de molambos
derrubadores de mocambos esses
ventos que não são músicas para
bailarinos dançarinos levados peregrinos

BH, 020902026; Publicado: BH, 0280902026

P.U.L.S.E. PINK FLOYD:


 

sábado, 26 de setembro de 2026

não estou do lado da luz quando não se é sábio

não estou do lado da luz quando não se é sábio
não se está do lado da luz para se estar do lado
da luz há de se ser sábio para se ser sábio há
de se estar do lado da luz há que se ter
consciência de sabedoria não tenho
consciência de sabedoria morreria a gritar por
luz mais do que cícero gritou na hora de morrer
talvez até morreria meus próprios excrementos
igual voltaire comeu na hora que morreu não
serei diferente também beberei cicuta igual
sócrates bebeu na hora que morreu terei também
o meu barril igual diógenes de sinope teve o seu
também serei enterrado no chão mais enlodaçado
mais pantanoso que existe por aí sem testamento
sem epitáfio condolências encomendações todo
de vela apagado flores mortas ao meu lado riscado
de todos os mapas banido de as bulas receitas
listas abandonarei minha alma ao seu próprio
destino terá que responder por si mesma essa alma
de menino traquino a luz não iluminou onde pisou

BH, 020902026; Publicado: BH, 0260902026

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

penso assim por mim dentro de mim fora de mm

penso assim por mim dentro de mim fora de mim
se não consigo escrever mais nada nem a
obra-prima perfeita para que quero continuar a
viver? escrever é preciso viver não é preciso
nunca me cansarei de dizer porém agora o
universo me abandonou a fenomenologia do
espírito me abandonou a razão pura a política a
genealogia da moral o bem o mal me
abandonaram nada mais me habita sou um
ermitão minha sombra até minha sombra a leal
companheira me traiu me trocou por uma
penumbra um vulto cosido no muro escuro uma
panela de barro preto que a minha avó tinha em
cima do seu fogão à lenha na sua cozinha de terra
batida no chão tudo na casa da minha avó era igual
a mim empretecido pilão mão de pilão facão
tamanco de tacão pano de saia papel de pão feijão
preto carne defumada chouriço morcela linguiça até
a luz do dia que entrava pela janela era embaçada

BH, 020902026; Publicado: BH, 0250902026

terça-feira, 22 de setembro de 2026

meu coração não diz mais nada ao mundo

meu coração não diz mais nada ao mundo
o mundo está cheio de corações mudos
secos torrões torrados concretos armados
ladeados de lajedos alambrados de aço
estacas de ferro meu coração não chora
por mais nada seja lá o que for que o
cause dor se faz de indiferente de morador
de peito ausente seio arenoso úbere sem
manancial tetas murchas todas as vias
entupidas oxigênio rarefeito não se
ausculta mais meu coração mamas com
defeito é um aleijado de todo jeito
paraplégico tetraplégico deficiente terminal
podeis desligar as máquinas que o mantém
em estado paliativo não apliqueis mais
adrenalina ou qualquer alimentação
parenteral o deixeis em estado vegetativo o
deixai morrer à míngua duma vez por todas
não merece outra chance de amor de paz de
perdão desligai agora o comboio que move
o meu coração não diz mais nada ao mundo

BH, 020902026; Publicado: BH, 0220902026

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

ALDIR BLANC, MOA LUZ, CÉSAR PINHEIRO, SAUDADES DA GUANABARA:

Eu sei
Que o meu peito é uma lona armada
Nostalgia não paga entrada
Circo vive é de ilusão, eu sei

Chorei
Com saudades da Guanabara
Refulgindo de estrelas claras
Longe dessa devastação (e então)

Armei
Piquenique na Mesa do Imperador
E na Vista Chinesa solucei de dor
Pelos crimes que rolam contra a liberdade

Reguei
O Salgueiro pra muda pegar outro alento
E Plantei novos brotos no Engenho de Dentro
Pra alma não se atrofiar (Brasil)
Brasil, tua cara ainda é o Rio de Janeiro
Três por quatro na foto e o teu corpo inteiro
Precisa se regenerar

Eu sei
Que a cidade hoje está mudada
Santa Cruz, Zona Sul, Baixada
Vala negra no coração

Chorei
Com saudades da Guanabara
Da Lagoa de águas claras
Fui tomado de compaixão (e então)
Passei
Pelas praias da Ilha do Governador
E subi São Conrado até o Redentor
Lá no morro Encantado eu pedi piedade

Plantei
Ramos de Laranjeiras foi meu juramento
No Flamengo, Catete, na Lapa e no Centro

Pois é pra gente respirar (Brasil)
Brasil
Tira as flechas do peito do meu Padroeiro
Que São Sebastião do Rio de Janeiro
Ainda pode se salvar

cada um tem um estilo

cada um tem um estilo
sou o único que não tem
estilo nenhum quero ter
algum estilo só na hora
da morte ao morrer com
dignidade morro como se
morre de verdade nada de
medo nada de covardia
nada de pessimismo que
tive a vida inteira morrer
livre como se morre um
libertado livre dos
pensamentos atormentados
da metafísica da filosofia
num canto coberto de
picumãs iguais eram o
telhado as paredes do
barracão da minha avó
então num canto úmido
coberto de teias de aranhas
mofo bolor limo longe da
luz do sol do calor sufocado
no quarto escuro trancado
quando derem por mim a
parecer que durmo porém
já estou é doutro a olhar de
soslaio ou enviesado os
que ficam aqui a observar
meu cadáver fascinados

BH, 020902026; Publicado: BH, 0220902026

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

aproveito que o espírito me acordou escrevo alguma coisa

aproveito que o espírito me acordou escrevo alguma coisa
antes de morrer já vivi demais despercebido desperdiçado
sem ser notado por nenhum ser vivo que compõe os seres
vivos da natureza natural ou desnaturado coalhado creme
desnatado igual leite estragado ou sangue coagulado soro
ou salmoura derramado então alguém vai dizer que até no
último dia de vida escrevi sem querer sem saber que era o
movido pelo espírito que não tinha noção de nenhuma boa
ação porém só dormi todos os dias que dizeis que vivi não 
notei anotei não sabia que anotava não falei não sabia que
arrotava apontai um que deu atenção ao que falei dei soco
coração doa ainda bem que não há ninguém para chorar por
mim no meu testamento não terá esse legado de herança só
quem ama é que pode dizer que deixará alguém a chorar por
si amar essa coisa nunca soube fazer nem na hora da morte

BH, 020902026; Publicado: BH, 0170902026

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

disse deus que se houver um único ser humano no mundo

disse deus que se houver um único ser humano no mundo
não mandará destruir o mundo novamente se até agora
não destruiu o mundo é porque realmente há um único
ser humano por aí que salvou a todos nós que estamos a
padecer aqui neste mundo apesar das bestas apocalípticas
que estão nos poderes ávidos para colocar um fim nas
nossas vidas muitas vezes ainda colaboramos com essas
bestas apocalípticas essas pragas antigas do egito
conscientemente ou inconscientemente ou
inconstitucionalissimamente o certo é que muitas vezes
marcamos gols contra em nós mesmos quando nos
entregamos de mãos beijadas aos genocidas aos
negacionistas aos apátridas aos lesa-pátria aos entreguistas
aos capitalistas aos colonialistas imperialistas aos fascistas
racistas nazistas boicotadores sabotadores da democracia
da paz do amor do perdão que perseguem trabalhadores
trabalhistas o trabalhismo lançam trevas na soberania na
cidadania na dignidade colocam o cabresto em nós nos
levam em manada ao cadafalso na boca do calabouço do
precipício para evitar isso vamos fazer de conta que cada
um de nós é o ser humano que deus disse que se houver um
único ser humano no mundo não mandará destruir o mundo

BH, 0310802026; Publicado: BH, 0160902026

o que deus mandar diretamente para mim da plenitude

o que deus mandar diretamente para mim da plenitude
à finitude o que vier será o que será até ao meu fim do
trevo da sorte à flor de alecrim cravo de lapela vela de
capela pele de capelão chá de chapéu de couro de
boiadeiro que perdeu o berrante não frequenta mais
rodeio respeita animais a natureza tudo mais abomina
touradas despreza vaquejadas farra do boi toda a
exploração que se faz à animália sofrer para a nossa
satisfação ninguém merece diversão medieval onde o
animal é torturado como num regime feudal abro mão
dessa ilusão desse dinheiro sujo de sangue mesmo que
o sangue não seja o meu as crias as criaturas são obras-
-primas são da natureza esperam o nosso respeito o
tratamento adequado humano com humanismo de
humanidade intrínseca na civilização a nós engendrada

BH, 0310802026; Publicado: BH, 0160902026

The Very Best Of The Black Crowes - The Black Crowes Best Songs - The Black Crowes Full ALbum


 

terça-feira, 15 de setembro de 2026

dizeis lá dos aglomerados das constelações algumas coisas

dizeis lá dos aglomerados das constelações algumas coisas
se sabeis estou a ouvir falai escrevei quem sabeis escrever
escutai quem sabeis escutar às vozes universais meu findo
coração é o mar morto que o sal transformou que o sol já
secou sombrio sem brilho meu coração silenciou nunca
mais serei homem qualquer coisa será mais do que sou
não serei nem o nada que serei o que serei? não sei nem
ninguém saberá alguém dirá alguma coisa não prestarei
atenção já estarei noutra dimensão tarde demais apaga a
luz já estamos no escuro é que está cego não percebes que
já estás no escuro a escuridão é o teu torrão teu pedaço de
pão queimado o que te resta de chão chorar? covarde a
vida toda cobarde agora choras na presença de estranhos
pressentes a morte escondes tuas vergonhas quebres teus
espelhos que ganhastes por recompensa com essas contas
de vidros BH, 0280802026; Publicado: BH, 0150902026

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

TBO, DURAN DURAN:



 

nem em tudo excedi-me na vida

nem em tudo excedi-me na vida
bebi demais comi demais vivi de
menos agora na hora da morte
escondo-me num cômodo dentro
duma gaveta mais profunda duma
cômoda velha agora na hora da
morte fujo para o quarto sujo
escrevo com medo de viver meus
últimos instantes como se tivesse
últimos instantes que já não os
tenho mais se ainda soubesse
rezar rezava se ainda soubesse orar
orava se ainda soubesse fazer uma
prece igual minha avó fazia
aproveitava a ocasião que desce
também fazia uma prece para a
minha redenção talvez assim
diminuiria em mim o medo do
meu fim não tive plenitude com
certeza não terei finitude de digno
do justo pois fui o varão ímpio não
terei um brilho no olimpo se chegar
por lá ó sujo saias já daqui desse
lugar reservado aos justos és um
ímpio dos mais sujos cujo caminho
perecerá sairei como uma vara na
correria sem olhar para atrás a
salvação será o primeiro bar da
madrugada que encontrar lar dos
boêmios solitários refúgio dos
corações que latejam na solidão
nos lajedos sombrios escorregadios

BH, 0280802026; Publicado: BH, 0140902026

hoje não estarei para hoje nem para ontem

hoje não estarei para hoje nem para ontem
também tenho a certeza que hoje não
estarei para amanhã ou para depois de
amanhã ou para antes de ontem hoje para
o que estarei hoje não sei talvez nem
queira saber são tantas as dúvidas que me
assolam que duvido se hoje estarei para
alguma coisa já há muita gente no mundo
a se importar com as coisas principalmente
com as coisas banais normais corriqueiras
sem ideias superficiais sem ideais sem
bases rasas sem fundamentos então hoje só
amanhã ou depois de amanhã esqueçam de
mim por ora já esqueci de todo mundo por
agora não lembro nem de mim se alguém
lembrar de mim esqueça que existi pois nem
sei se existi de verdade ou se fui só uma
fotografia dentro dum baú de relíquias de
lembranças de coisas esquecidas
principalmente coisas estúpidas se há algo
que guardamos bem guardado no fundo da
alma são as nossas indefectíveis estupidezes

BH, 02600802026; Publicado: BH, 0140902026

domingo, 13 de setembro de 2026

POESIA IN NATURA:


 






TRISAL, MÉNAGE À TROIS:




 

POESIA MORTA:








 

quantas são as histórias contadas desde as primeiras histórias

quantas são as histórias contadas desde as primeiras histórias
da pré-história? as histórias são tantas porém poucos são os
que sabem contar as histórias como deveriam ser contadas
então camuflam a verdade escondem os fatos expõem os
boatos quantas vezes pensei que os inimigos eram os
peles-vermelhas quantas vezes me orgulhei de domingos
jorge velho ou abominei o zumbi dos palmares quantas
vezes enalteci colonizadores desprezei os donos das terras
indígenas quilombolas povos originários povos tradicionais
agora preciso da verdade da verdadeira história preciso me
envergonhar de mim corrigir os meus aleijões impostos pelos
reles impostores falsos historiadores vilões historialistas vis
não quero mais ser iludido por enganadores um diploma
falsificado um título desonrado defensor duma tese furada
nunca mais mintam para mim deem-me a verdade nada mais
além da verdade mentirosos adeus até nunca mais inclusive
aos piores crentes religiosos difamadores das religiões

BH, 0260802026; Publicado: BH, 0130902026

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

há algum ser humano completo repleto sublime

há algum ser humano completo repleto sublime
em plenitude? há alguma raça humana superior
dentro da raça humana? há humanismo dentro
da humanidade? o que sabemos a respeito da
verdade? não a verdade que nos contam mas a
verdade que chegamos através de nós mesmos
porque não podemos chegar à verdade através
dos nossos próprios meios? querem nos impor
de que não temos capacidade de alcançar a
verdade evitam que pensemos impedem que
raciocinemos apagam o nosso discernimento
enchem-nos de religiões ideologias políticas
filosofias ficamos cegos surdos mudos a nós
mesmos perdemos a nossa própria identidade
cancelamos os nossos próprios cpfs somos
manipulados o gado que não entra em
disparada o povo que não sacode o tabuleiro os
cavalos selvagens que não correm pelas
pradarias campos nos encurralam ditam até
aonde vai a nossa liberdade democracia
dignidade soberania cidadania que agonia que
angústia fazem-nos odiar a civilização até a
querermos a subjugação da nossa própria nação

BH, 0260802026; Publicado: BH, 0110902026

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

TBO JOTA QUEST:


 

acabou-se a munição a cacimba secou-se

acabou-se a munição a cacimba secou-se
só ficou-se o arcabouço do meu coração
o açude evaporou-se a cisterna não era
eterna o paiol destelhado ao sol o que
agora resta à tropa sem tropeiro mula
de guia com sineiro cincerro de égua
madrinha sincerro de cavalo baio a
pinga de cabeça beberam toda na
cabaça a cachaça não tem mais graça
nem garapa de engenho nem álcool de
destilaria o caminhante não tem com o
que se animar nem a sombra por
acompanhante fumo de rolo aos
mascantes aos fumantes mascastes aos
assaltantes mosquetões espingardas
baionetas caladas ora pro nobis espinhos
nas beiras dos caminhos poeiras nas
ventas embaralho nas vistas visagens no
ar das trêmulas paisagens é preciso
caminhar viver não é preciso cai mais um
no capim dessa vicinal sem fim de quem
era a alma que agora vai nos assustar
nos assombrar ao nos acompanhar? não
tem encruzilhada para despachar esse
encosto na estrada uma cruz abandonada

BH, 0260802026; Publicado: BH, 0100902026

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

chama aí um alguém para me dar um alô

chama aí um alguém para me dar um alô
acende a chama mesmo que faça calor
cheguei desde cedo esperei uma
recepção de vida de viola de vilão me
parece que o povo já esqueceu do meu
coração avisa aí que continuo o mesmo
não fiz transplante não mudo de peito
nem de seio nem de úbere é o mesmo
coração de carne de veias de sangue
não é de ferro nem de alumínio é um
coração pueril de menino sim às vezes
malino mas cheio de destino de vida de
desejos alguém pode pensar ainda que
mudou alguma coisa a receita é a
mesma quer o mesmo que todo mundo
quer sem tirar nem pôr meu senhor como
vais? tudo bem? minha senhora cheguei
não tenho hora de ir embora fica só um
critério posso me retirar para outra
ocasião aportar meu coração cais não
falta por aí pedra de chão terra de torrão
adeus minha irmã adeus meu irmão

BH, 0240802026; Publicado: BH, 090902026

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

vacilei não aguentei o tranco

vacilei não aguentei o tranco
jogou-me ao chão carrinho
de mão sem carinho de
ternura perdi a tanajura que
agrura pendura a fatura na
garupa tiro de garrucha
derrubou mais um capitão
do mato feitor servidor de
dono de engenho lavoura de
café de cana lá vou fora
pela estrada a pé minha vó
deu-me rapé seu moço leva
a mulher maior tesouro
quem não quer quero levar
tudo comigo se no meio não
tiver mulher dou é um
pontapé bengalada na cabeça
cajadada varada do solo
sagrado nasce o chão feito de
terra da qual é feito o homem
sem defeito qual o nome do
sujeito nunca vi nem de perto
de longe parece um preto de
flanco parece um branco
chama aí os irmão da pauliceia
resolvem o enigma da esfinge

BH, 0240802026; Publicado: BH, 070902026

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

antes que a morte volte mandais daí uma preleção

antes que a morte volte mandais daí uma  preleção
sideral uma seleção espacial se não fizer bem mal
não faz também o universo parece vazio escuro
porém é iluminado cheio de versos cósmicos
dalgo proposital no fundo está o sedimentado
camada por camada com o tempo que não
medimos sai um menino ou uma menina criança
de tranças com o codinome de esperança dizem
os bocas-tortas que quem espera nunca alcança
espero não me desespero não me canso não quero
mais nada de velho vital fatal letal anormal amor
quero cabelo no lugar de chiqueiro tinteiro
hospedeiro de hospício elogiada seja a loucura
conheci bons loucos poucos iluminados uns arthurs
uns bispos uns rosários uns lucas ordinário marchar além
do horizonte além da terra além dos céus além do mar

BH, 0240802026; Publicado: BH, 030902026

LULA É O NOSSO HERÓI DA CLASSE TRABALHADORA:


 

o rio de janeiro nunca mais foi o mesmo

o rio de janeiro nunca mais foi o mesmo
com o revolucionário brizola eleito a
revolucionar tudo cieps brizolões piscinões
sambódromo projetados por oscar niemeyer
todo morador de favela tem que ser chamado
de cidadão não quero pontapé em porta de
barracão beijódromos doutro revolucionário
darcy ribeiro crianças em horário integral
nas escolas postos de saúde segurança
garantia confiança o rio era só felicidades
só festança fervilhava socialmente
politicamente democraticamente
alegremente com direitos humanos só
nomes históricos na política saturnino
braga vivaldo barbosa lysâneas maciel
carlos alberto de oliveira caó maurício
azedo sérgio macaco luiz carlos prestes
zé kéti até aguinaldo timóteo era parceiro
noca da portela a imprensa não era o pig
era o jornal do brasil movimento pasquim
opinião convergência socialista cultura
destilada nas veias não tinha sertanojo
aí veio a tragédia nas próximas eleições
para governador brizola lança darcy ribeiro
seu sucessor a globo assumiu o controle
queimou o filme do brizola do darcy a
globo apostou tudo em wellington gato
angorá moreira franco o que  o povo
fez foi na onda da globo desprezou
brizola preteriu darcy ribeiro preferiu
moreira gato angorá franco que foi
eleito adeus rio de janeiro o rio de
janeiro que nunca mais foi o mesmo

BH, 020902026; Publicado: BH, 030902026

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Hans Sahs nos Mestres cantores:

Meu amigo
esse é precisamente
o trabalho do poeta
observar e interpretar
seus sonhos acredite
a ilusão mais verdadeira
do homem a ele se
manifesta no sonho
toda arte poética
toda poetização
nada mais é que
tradução verdadeira
do sonho 

quem procura acha

quem procura acha
donald trapo humano
procurou encontrou
entrou pelo cano
procuro vou achar
mas não quero entrar
pelo cano igual o 
donald trapo humano
entrou roubou petróleo
esculachou cuba
roubou ouro terras
raras invadiu países
exigiu prêmio nobel
da paz tomou
medalhas duns
aprontou fez o que
o diabo bem quis
não vai deixar raiz
vai quebrar o pau
do nariz o pomo de
adão vai tomar na
contramão desse
jeito fico quieto por
aqui o que for meu
por direito vem não
preciso roubar nada de
ninguém o donald trapo
humano rouba porém
penso que o dele está
guardado mais dia
menos dia descuidado
leva um rabo de arraia
bem dado um martelo
no saco uma bigorna
na cabeça aí foi o 
donal trapo humano
nocauteado para o
fundo do mundo
que desnorteou

BH, 0240802026; Publicado: BH, 020902026

terça-feira, 1 de setembro de 2026

papel demais à minha frente que não dou nem conta

papel demais à minha frente que não dou nem conta
nem sei quem doou tantos papeis assim a mim são
poesias são poemas nunca lidos nem conhecidos só
vivo a dizer que são poemas que são poesias que
estão sobre à minha mesa à espera de que um dia
não tenham por destino a lata de lixo neste fluxo
sou herdeiro de minha avó gero lixo não luxo dona
maria vive a dizer tira de minha mesa essas
porcarias então com essas minhas crias só encontro
problemas dilemas antigamente o pessoal enaltecia
tudo que era cria de casa até as criaturas as criações
dos quintais hoje se mostrar um filhote só recebe
um tapinha no cangote um adeus até nunca mais
quero que todas essas minhas crias sejam enterradas
comigo no meu caixão de defunto as levarei junto
de volta ao infinito as depositarei no altar do mais
brilhante quasar da constelação mais distante que
encontrar no universo no qual do voo aterrissar

BH, 0210802026; Publicado: BH, 01º0902026 

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

DO FUNDO DA GROTA, BAITACA:


 Fui criado na campanha

Em rancho de barro e capimPor isso é que eu canto assimPra relembrar meu passadoEu me criei arremendadoDormindo pelos galpãoPerto de um fogo de chãoCom os cabelo enfumaçadoQuando rompe a estrela d'alvaAquento a chaleira já quase no clariá o diaMeu pingo de arreio relincha na estrevariaEnquanto uma saracuraVai cantando empoleirada
Escuto o grito do sorroE lá do piquete relincha o potro tordilhoNa boca da noite me aparece um zorrilhoVem mijar perto de casaPra inticá com a cachorrada
Numa cama de pelegoMe acordo de madrugadaEscuto uma mão peladaAcoando no banhadalEu me criei xucro e bagualHonrando o sistema antigoComendo feijão mexidoCom pouca graxa e sem salQuando rompe a estrela d'alvaAquento a chaleira já quase no clariá o diaMeu pingo de arreio relincha na estrevariaEnquanto uma saracuraVai cantando empoleiradaEscuto o grito do sorroE lá no piquete relincha o potro tordilhoNa boca da noite me aparece um zorrilhoVem mijá perto de casaPra inticá com a guapecada
Reformando um alambradoNa beira de um corredorNo cabo de um socadorCom as mão rodeada de caloNo meu mango eu dou estaloE sigo a minha campereadaE uma perdiz ressabiadaVoa e me espanta o cavaloQuando rompe a estrela D'alvaAquento a chaleira já quase no clariá o diaMeu pingo de arreio relincha na estrevariaEnquanto uma saracuraVai cantando empoleirada
Escuto o grito do sorroE lá no piquete relincha o potro tordilhoNa boca da noite me aparece um zorrilhoVem mijar perto de casaPra inticá com a cachorrada
Lá no santo do capãoO subiar de um nambúNuma trincheira o jacúGrita o sabiá nas pitangaE bem na costa da sangaBerra a vaca e o bezerroNo barulho dos cincerroEu encontro os bois de cangaQuando rompe a estrela d'alvaAquento a chaleira já quase no clariá o diaMeu pingo de arreio relincha na estrevariaEnquanto uma saracuraVai cantando empoleiradaEscuto o grito do sorroE lá no piquete relincha o potro tordilhoNa boca da noite me aparece um zorrilhoVem mijar perto de casaPra inticá com a guapecada

a história é implacável com os que vivem fora da história

a história é implacável dom os que vivem fora da história
ou estão do lado errado da história há homens que fazem
história desde da pré-história da época da pedra lascada o
homem nasceu para fazer história depois que saem da
vida eufórico vim vi venci fiz história não é uma história
real porém é a minha história única particular singular
cheia de altos de baixos mais baixos do que altos muito
nervo sol sal grosso osso carne de pescoço pouco músculo
pouca carne fresca muita gordura desnecessária vou aparar
as arestas as pontas não quero mais sobras restos vou
acertar num grande final com chave de ouro abrir o baú do
tesouro num estouro de dinamite aflorar o veio do ouro na
bateia o diamante incrustado na rocha a pedra preciosa a 
pérola graciosa na ostra oxalá esta seja a minha história
quem souber que conte outra melhor ou de mulher todas já
me deram na bunda pontapé mesmo sem dar papo a zé mané

BH, 0200802026; Publicado: BH, 0310802026

ASSISTA AO PRIMEIRO PROGRAMA ELEITORAL DE LULA PRESIDENTE 2026:


 

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

JORGINHO DO IMPÉRIO:



 

a nação trabalhadora brasileira

a nação trabalhadora brasileira
o povo trabalhador brasileiro a
emancipação do proletariado
da proletariada brasileiros não
queremos a evolução da espécie
se quiséssemos seres da extrema-direita
não teriam ressurgidos dos
pântanos dos mortos dos lodos
do ostracismo apodrecido dos
mofos da religião medieval dos
bolores da política nacional dos
fedores da heresia da burguesia
dos monstros feudais das elites
dos currais dos chiqueiros dos
estercos dos cogumelos envenenados
abraçaríamos a nossa civilidade
demonstraríamos que a nossa
civilização é referência no mundo
civilizado nossa democracia é
consolidada inabalável nossa
dignidade não está à venda nem
tem preço é impagável porém
não nos unimos contra os nossos
inimicíssimos num só grito rouco
trabalhadoras trabalhadores do
brasil unamo-nos à liberdade ao
futuro à pá de cal na cara retardada
da extrema-direita atrasada

BH, 0280802026; Punlicado: BH, 0280802026

OBRA-PRIMA, FORÇA ESTRANHA, CAETANO VELOSO

Eu vi um menino correndo
Eu vi o tempo
Brincando ao redor do caminho daquele menino
Eu pus os meus pés no riacho
E acho que nunca os tirei
O Sol ainda brilha na estrada, e eu nunca passei

Eu vi a mulher preparando
Outra pessoa
O tempo parou pra eu olhar para aquela barriga
A vida é amiga da arte
É a parte que o Sol me ensinou
O Sol que atravessa essa estrada que nunca passou

Por isso uma força me leva a cantar
Por isso essa força estranha
Por isso é que eu canto, não posso parar
Por isso essa voz tamanha

Eu vi muitos cabelos brancos
Na fronte do artista
O tempo não para e, no entanto, ele nunca envelhece
Aquele que conhece o jogo
Do fogo das coisas que são
É o Sol, é o tempo, é a estrada, é o pé e é o chão

Eu vi muitos homens brigando
Ouvi seus gritos
Estive no fundo de cada vontade encoberta
E a coisa mais certa de todas as coisas
Não vale um caminho sob o Sol
E o Sol sobre a estrada, é o Sol sobre a estrada, é o Sol

Por isso uma força me leva a cantar
Por isso essa força estranha
Por isso é que eu canto, não posso parar
Por isso essa voz tamanha

Por isso uma força me leva a cantar
Por isso essa força estranha no ar
Por isso é que eu canto, não posso parar
Por isso essa voz tamanha

Por isso uma força me leva a cantar
Por isso essa força estranha no ar
Por isso é que eu canto, não posso parar
Por isso essa voz tamanha