então amputo os braços me mutilo
decepo as mãos ponho a cabeça no
cepo não sou mago das letras bruxo
das palavras esmago o que resta
com mão de pilão piso o tendão
com tacão de calcanhar de aquiles
esfacelo o perfil catão com o coturno
noturno não sei ser o que quereis
que seja sou tudo de todos os nojos
o que sai com mau cheiro de dentro
do corpo o corpo ainda vivo cheira
mais mal como se estivesse morto
jogo essências aromas olores
desodorantes o odor é insuportável
nem chanel da coco disfarça mais
imaginais quando esse corpo morrer
de vez de verdade só caixão de
chumbo lacrado para haver velório
para não afastar as carpideiras para
acontecer a procissão do enterro
muitas velas queimadas defumadas
muitas flores ou do contrário
ninguém comparecerá à missa de
corpo presente odores olores
defumadores vinde a mim os que
cheirais bem ajudai a fazer o cheiro
da morte suportável às narinas
sensíveis que não suportam o cheiro
da vida o suor o sebo a seborreia a
cera o pus não suportam nada que
sai do corpo que finge que está vivo
BH, 0260302026; Publicado: BH, 0110402026
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