segunda-feira, 20 de abril de 2026

LLEWELLYN MEDINA, MUNDO SEM DEUS:

Mundo sem Deus


Diante da incerteza do passado

caleidoscópio furta cor

biografias corrompidas 

histórias sobreguardadas nos cantos 

que de indescritíveis nem te conto 


diante dos dias fugidios

que antecipam os males 

fortunas com igual ímpeto fluem 

impávida ampulheta 


a inútil luta de Jacó a coxa deslocada

legada aos filhos vida afora

diante das realidades 

Maratona Salamina e Plateia 

os horrores de Auschwitz 

o idílico campo de golfe

a ser construído sobre cadáveres de  indefesos palestinos

(e sua heroica história)

e sob a poderosa bênção de Jeová 


o que devo fazer 

pergunto angustiado

eu que nada fiz até aqui

não tenho lança 

nem punhal

nem adaga tenho

foi-se a esperança 


vergonha de (con)viver

mundo sem Deus.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

vivo num dilema não sei se faço poesia ou poema

vivo num dilema não sei se faço poesia ou poema
nem sei se faço goética ou poética mesmo sem
antologia parece mais elegia repito não vejo ode
à alegria schillerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr
ou o que fazer hoje em dia para agradar
à elite para enaltecer à burguesia vou perder o
soneto vou perder a emenda vou quebrar o pé a
mão o tendão chumbar o coração nada de
anatomia de ser ou não ser eis a questão já dizia
alguém noutra ocasião mas todo mundo agora
só repete o mais do mesmo toda hora então
ninguém faz mais revolução virou nostalgia
memória recordação muda a história impõe uma
nova condição que já vem mais velha do que
qualquer ideia é a realidade virtual é a
inteligência artificial é o pensamento mortal pois
morreu o pensamento imortal como pode isso
todo mundo faz igual a mesma guerra a mesma
fera quero vender a alma porém não se compra
mais alma perdeu o valor de mercado
mercadoria vencida o corpo plastificado envolto
em papel laminado moldado nalguma academia
de celerados tem mais valor do que uma alma
sem bolor a imagem vale mais causa mais efeito
mas o que sai de dentro continua a feder do
mesmo jeito joga perfume por cima desodorante
parece que deixaram o esgoto aberto é um
corpo vivo o cheiro é dum cadáver em viva podridão

BH, 0170402026; Publicado: BH, 0170402026

quinta-feira, 16 de abril de 2026

choveu na roseira não houve jeito

choveu na roseira não houve jeito
mesmo assim morreu para o seu
lugar arrumei uma pimenteira ao
lembrar da vó que me ensinou a
amar uma pimenteira igual a um
passarinho ama ao ninho já até
devorei a primeira leva que
surgiu nem sei o tipo da pimenta
porém me parece que não é
malagueta nem de cheiro isso sei
que não é pois arde igual a uma
boa mulher sei que a adorei até
lembrei-me quando chegava ao
barracão da vó em cima do
barranco a primeira coisa que
fazia era me mandar comer uma
pimenta no tranco mãe também
fez-me comer muita pimenta
ainda esfregava o molho na
minha cara mas isso era porque
falava muito palavrão mãe era
crente não gostava de jeito
nenhum de palavrão então com
essa esfregação passei a amar
pimenta alho pimentão a roseira
foi pela música está chovendo
na roseira mas que comigo não
vingou a pimenteira caiu melhor
ainda me alimentou estou a
esperar uma nova frutificação
para poder degustar o processo
é lento hei de ter paciência com
ciência consciência para
esperar com esperança
confiança segurança pois
em deus a vida avança

BH, 0230202026; Publicado: BH, 0160402026

sábado, 11 de abril de 2026

gostaria de viver no meu país com amor em paz

gostaria de viver no meu país com amor em paz
sem nenhuma referência aos yankees dos usa
sem nenhuma interferência da bandeira fascista
imperialista ou apologia às políticas capitalistas
neoliberais gostaria de viver no meu país com
amor em paz sem nenhuma propaganda alusiva
ao belicismo às armas atômicas ou nucleares
não suporto mais nada que diz respeito ou que
vem daquele império da américa do norte basta
de invasões controles quebra de soberania basta
de destruir a dignidade doutras nações deixa tudo
que é ruim com o povo desse país ruim arrogante
faminto sedento inimigos da paz do amor do bem
abominadores das virtudes uma nação racista
desagregadora desestabilizadora que querem
sempre mais do que é doutras nações um povo
que se pensa superior ao restante do mundo que
saiam do meu país todos aqueles que oram por
uma intervenção militar yankee ao meu país que
saiam urgentemente da minha terra todos aqueles
que batem continência à bandeira fascista do
império facínora pelo menos uma vez na vida
façais um bem a alguém volteis às vossas
origens às vossas raízes deixeis meu país na paz
no amor ninguém aqui ama o que fazeis mundo
fora ninguém aqui deseja o bem a quem espalha
o mal chega de maldição chega de maldade de
cia de fbi de ice a humanidade precisa respirar
nossas vidas humanas importam o ser humano
quer aprender a viver isso não tendes nada a nos
ensinar a raça humana agradece se reinar a paz

BH, 0100302026; Publicado: BH, 0110402026

sexta-feira, 10 de abril de 2026

IRON MAIDEN:


 

aqui ensina-se ao jovem a ser ateu ensina-se

aqui ensina-se ao jovem a ser ateu ensina-se
à juventude a ser transviada niilista agnóstica
iconoclasta aqui ensina-se ao jovem a ser
rebelde evolucionista revolucionário
progressista aqui ensina-se ao jovem a ser
ani-imperialista anticolonialista antineoliberal
aqui a juventude aprende a não ser corrompida
corruptora corrupta ou praticar corrupções aqui
aprendem a ser comunistas socialistas marxistas
leninistas anarquistas utópicos oníricos aqui se
ensina ao jovem a ser anticristão à juventude
a ser anticristã antinegacionista jovens senis
envelhecidos pela extrema-direita jovens 
cooptados pelas religiões rentistas financistas
capitalistas pelo capitalismo aqui aprendem
a quebrar as correntes do cristianismo ou do 
catolicismo entre outras aberrações que
prometem mundos fundos aos escravos jovens
do mundo aqui não há vez para mórmons
yankees yuppies workaholics wasps kkks
aqui se aprende a lutar no bom combate com
o power to the black people of the black
panther party a combater a burguesia as
elites os exploradores os opressores os
patrões aqui é fogo nos racistas porrada nos
golpistas chute no saco dos fascistas aqui se
aprende a fazer pastor ir para o cabo da enxada
pedófilo ao calabouço estuprador ao cadafalso
corrupto corruptor corrompido ao arcabouço
aqui vendeu a pátria é pelotão de fuzilamento
nem vem com chororô aqui sócrates não beberia
cicuta pelos bons serviços prestados à humanidade

BH, 080402026: Publicado: BH, 0100402026

quarta-feira, 8 de abril de 2026

enquanto houver um cidadão uma cidadã moradores de rua

enquanto houver um cidadão uma cidadã moradores de rua
o país não deu certo a sociedade faliu o sistema veio abaixo
as religiões os bancos as instituições burguesas das elites
corporativistas só defendem os próprios interesses a justiça
comete injustiças os legislativos não legislam em benefício
do povo o executivo faz o trabalho sujo de excluir de
eliminar o povo incômodo para satisfazer aos sádicos aos
áulicos bajuladores do poder surtos de aporofobias racistas
fascistas nazistas milicianos traficantes quadrilheiros
contrabandistas todos os tipos de componentes do crime
organizado juntos aos sonegadores empresários 
inescrupulosos trabalhadores pelegos vira-latas
entreguistas lesa-pátria apátridas escrotos políticos
fisiológicos eleitores omissos apolíticos analfabetos
políticos com isso o brasil não pode dar certo é muita
desigualdade é muita falta de consciência é muita
inconsciência num povo só é muita falta de resiliência as
polícias exterminadoras os militares apátridas que batem
continência à bandeira yankee do imperialismo nada pode
dar certo nesta nação que faz cultos capitalistas em igrejas
financistas demoniza o socialismo o comunismo tudo que
diz respeito ao trabalhismo aproveita as fragilidades as
deficiências dos desprivilegiados fazem práticas de
escravismo exercem a escravidão a exploração a opressão
disseminam as desigualdades viadutos marquises pontes
becos morros viram moradias precárias com ausências dos
estados dos municípios da federação enquanto houver
neste país um único cidadão uma única cidadã moradores
de rua não seremos uma civilização uma pátria uma nação

BH, 080402026; Publicado: BH, 080402026

terça-feira, 7 de abril de 2026

gostaria de escrever uma obra onde pudesse dizer escrevi uma obra

gostaria de escrever uma obra onde pudesse dizer escrevi uma obra
agora posso morrer em paz ou que quando alguém visse a tal obra
dissesse quem escreveu essa obra escreveu realmente uma obra
agora pode de fato morrer em paz vestido de fato novo não precisa
de mais nada da vida porém olho as paredes nuas manchadas
umedecidas envelhecidas sinto que nunca conseguirei esse intento
não tenho desejo suficiente de marcar um tento um tanto impedido
por total impedimento falta-me também vontade de potência se fosse
uma casa igual todo mundo faz estava feita estafeta se fosse para
erguer um muro igual todo mundo ergue estava erguido metido se
fosse para construir uma ponte igual todo mundo constrói estava
construída tolstói mas não é fácil assim é uma obra tal opus dei um
santo graal um cálix bento um santo sudário um trabalho de levar o
demônio de volta ao inferno nem hércules tentou em seus doze
trabalhos nem os trabalhadores do mar nas suas provações no fundo
do mar é uma obra que sísifo rejeitaria preferiria continuar a carregar
pedras morro acima ulisses fugiria desesperado dom quixote nem se
atreveria enfrentar com seu indomável rocinante com seu fiel valoroso
escudeiro sancho pança no bravo burrico rucio porém sou tentado pelas
tentações dos demônios socráticos então com essas assombrações
procrastinarei essa morte em vão essa noite enquanto não honrar o sangue
derramado do meu coração que coagula no lençol imundo do meu quaro

BH, 0230102026; Publicado: BH, 070402026

MORAES MOREIRA:




ARNALDO ANTUNES:



 

segunda-feira, 6 de abril de 2026

pelo máximo que o escritor queira escrever

pelo máximo que o escritor queira escrever
o leitor quer ler o mínimo possível ou nada
ou fazer o que pensa ser o melhor desprezar
a leitura tolstói escreveu guerra e paz joyce
ulisses steinbeck as vinhas da ira calhamaços
porém sabiam escrever eram lidos avidamente
quem é lido assiduamente nos dias atuais? até
o relatório hite de shere era disputado devorado
na irlanda criava-se o dia duma personagem
dum livro de joyce o blomsday não se vê nada
hoje que enaltece tanto a literatura nosso país
ainda não foi laureado por um prêmio nobel
de literatura pois matamos bibliotecas fechamos
livrarias editoras desprezamos escritores
ignoramos a cultura com o passar do tempo
nem precisaremos mais de escrever nem de ler
pois a realidade virtual a inteligência artificial
os robôs farão tudo por nós até a nossa função
de viver não será mais exercida por nós outros
seres mortos farão seremos apenas escravos
servos lacaios vassalos manipulados
controlados não precisaremos pensar nem
existir aboliremos penso logo existo ou o 
navegar é preciso viver não é preciso apenas
vegetar na vida paliativa parenteral sem
mastigação sem usar a voz a língua será
atrofiada os membros não terão funções
seremos uns aleijados por dentro por fora a
perambular mundo fora ao sabor do vento ao
relento iguais répteis ao sol iguais lobos ao luar

BH, 0120202026; Publicado: BH, 060402026

domingo, 5 de abril de 2026

IRA!


 

a tua morte foi um bem não vais mais viver

a tua morte foi um bem não vais mais viver
a atrapalhar a vida de ninguém ou a
constranger alguém diante dos
semelhantes agora todos estamos
livres de ti não serás mais uma carga
pesada às costas doutros nem do
governo nem do estado nem da
sociedade morreste como um
condenado à morte na primeira
consulta foi lido o veredicto sem
apelação tem que abrir a barriguinha
aqui ali mesmo ficaste não voltaste à
casa nunca mais te vi a não ser nas
minhas divagações nas minhas
reminiscências intermitências nas
aparições nas assombrações visagens
que imagino ver pelos antigos cantos
onde ficavas encostavas marcavas
marcas da tua cabeça das tuas costas
das tuas mãos até nos meus ombros
sinto quando encostas como encostavas
antigamente agora todos estamos
aliviados sou o único que persisto nas
lamentações nos remorsos nos
arrependimentos pois se continuasses a
viver atrapalharias o sistema colocarias
abaixo as estruturas abalarias as igrejas
não dava mais para continuares a viver
todos decidimos que tinhas que morrer
morreste mártir herói sei como ainda
dói em mim a cruz que trago às costas
a arrastá-la pesada pela estrada fora
pelos trinta seis sóis cravados no
calvário onde faço questão de está
pregado por cravos ensanguentados

BH, 0290102026; Publicado: BH, 050402026

sexta-feira, 3 de abril de 2026

a primeira frase que passar arreada

a primeira frase que passar arreada
há de se captar boa ou má pois não
é toda hora que há desfile de frases
nas paisagens nas passarelas nas
paralelas a antena o radar a torre
de controle tudo que se puder usar
tem que estar diretamente em
sintonia em sincronização com o
universo geral o ditador da razão
das normas das leis o rei dos reis
que rege o bem ou o mal a morte
ou a vida a sorte ou o azar se
perdeu o fio da meada a deixar-se
peteca cair lá se foi o que era
doce até passar outra frase à
velocidade da luz ao quadrado
pode-se levar uma eternidade aí o
tempo para o cara está na
academia numa mesa para uma
cirurgia estética num banco a fazer
lucros investimentos numa igreja a 
pagar padecimentos indulgências
perder a razão o tino a se desviar
dos caminhos das frases ou está a
comer demasiadamente num fast
food a beber sem moderação
depois a reclamar de deus do
diabo de tudo que se pode lembrar
poderia ter feito história entrado no
guiness book na calçada da fama
que disgrama que desgraça viveu
na trapaça a enganar até a si
mesmo não captou nenhuma
mensagem nem do além para
epitáfio da sepultura no mausoléu
da literatura

BH, 0290102026; Publicado: BH, 030402026

quarta-feira, 1 de abril de 2026

ERASMO CARLOS:



 



PEDRADA, CHICO CÉSAR:

 Cães danados do fascismo

Babam e arreganham os dentesSai do ovo a serpenteFruto podre do cinismo
Para oprimir as gentesNos manter no escravismoPra nos empurrar no abismoE nos triturar com os dentes
Ê, república de parentes, pode crerNa nova Babilônia eu e vocêSomos só carne humana pra moerE o amor não é pra nós
Mas nós temos a pedrada pra jogarA bola incendiária está no arFogo nos fascistasFogo, Jah!
Ê, república de parentes, pode crerNa nova Babilônia eu e vocêSomos só carne humana pra moerE o amor não é pra nós
Mas nós temos a pedrada pra jogarA bola incendiária está no arFogo nos fascistasFogo, Jah!
Cães danados do fascismoBabam e arreganham os dentesSai do ovo a serpenteFruto podre do cinismo
Para oprimir as gentesNos manter no escravismoPra nos empurrar no abismoE nos triturar com os dentes
Ê, república de parentes, pode crerNa nova Babilônia eu e vocêSomos só carne humana pra moerE o amor não é pra nós
Mas nós temos a pedrada pra jogarA bola incendiária está no arFogo nos fascistasFogo, Jah!
Ê, república de parentes, pode crerNa nova Babilônia eu e vocêSomos só carne humana pra moerE o amor não é pra nós
Mas nós temos a pedrada pra jogarA bola incendiária está no arFogo nos fascistasFogo, Jah!
Fogo, fogo (queima)
Fogo, fogoQueima, Senhor! (queima)Todo homem que oprime outro homemPor ganância, por dinheiroFaz da nossa revolta teu incêndioCada um de nós tua fagulha, SenhorE queima a BabilôniaSalve, Jah!Fogo, Jah!
Mas nós temos a pedrada pra jogarA bola incendiária está no arFogo nos fascistasFogo, Jah!

não aprendo até hoje não aprendi

não aprendo até hoje não aprendi
nem no futuro aprenderei que as
coisas estão no universo só que 
preciso aprender das leis universais
dos princípios das virtudes das
relações estelares das interações das
galáxias dos intercâmbios entre os
infinitos aglomerados de estrelas de
constelações porém meu bruto coração
não é fruto não é fruta pão é pau é
pedra é torrão não me deixa ver além
do meu nariz não me faz dar um passo
à frente de todos os meus passos
quando vejo caminhei em círculos
andei apara atrás dei marcha à ré
agourei minha mãe meu pai não saí
do lugar comum fechei todas as portas
os portais as janelas me isolei no visgo
da resina me colei com os pés presos na
cola veio um físico amigo cortou minha
força de gravidade mesmo assim não
levitei era pesada demais a minha
consciência que me fazia inconsciente
tinha a alma na umidade tinha o ser no
breu tinha o espírito de porco espinho a
espinhela caída o quebranto minha avó me
apareceu numa aparição de assombração
rezou ladainha num canto da cozinha
acordei atônito a falar esperanto

BH, 020202026; Publicado: BH, 01°0402026'

a pimenteira à entrada do barracão

a pimenteira à entrada do barracão
da minha avó à direita de quem
chegava à esquerda de quem saía
olhava-me quando aparecia para
visitá-las menino nada sabino nada
ladino nada sandino nada saladino
minha avó escolhia a pimenta mais
bonita mais vermelha dava-me de
presente fazia-me comer a pimenta
na hora não faz mal se não comer
os sabiás vão comer vão acabar
com todas sempre gostava de ir
menino paladino ao barraco em
cima do barranco onde minha avó
morava com a mãe o marido césar
o filho lourenço a pimenteira na
porta do lado de fora à esquerda
de quem saía à direita de quem
chegava tinha sempre uma puta
para ser benzida rezada bolinada
aos risos cochichos comichões
cócegas arranhões tinha sempre
o pote com água potável fresca
talhas cheias de tralhas jarras
vasos penicos bacias gamelas
tachos fogão de barro branco à
lenha onde acendia-se cigarro
de palha na brasa pinguinha
na moringa fumo para mascar
bananas na garrafa para fazer
vinagre era só sorte tudo era
usado para espantar o azar

BH, 020202026; Publicado: BH, 01°0402026