quinta-feira, 29 de outubro de 2015

MIKIO, 13; BH, 050202013.

Sei lá, não sei, sei lá, não sei, não,
Mas, alguma coisa errada acontece
Com o meu coração; mas, não quero
Surpreender-me, só me surpreenderei,
No dia em que alguma coisa certa,
Acontecer com o meu coração; onde
Há uma puta, ali está o meu coração,
Onde há uma prostituta, lá ele constrói
Um altar; onde houver uma meretriz,
É ali que vai amar; e é um coração
Todo descordado, só se sensibiliza
Com o que é do submundo, do
Subterrâneo; para este coração
Transviado, só essas mulheres perdidas,
Desencontradas e esquecidas; é no
Santuário dessas mulheres desossadas,
Dessas mantas de charques sagradas,
Que este coração aleijado maquina
Suas sórdidas deformidades; este
Manietado maquiavélico sem compaixão,
Refoga em sua panela de pressão, suas
Vítimas prediletas; sem verve para nada,
Sempre na contra-mão, no contra-pé,
No vai e vem, nem na sistole e nem
Na diástole, mas, no intervalo deste
Vão formado nestas contrações, sei lá,
Não sei, sei lá, não sei, não, mas,
Alguma coisa sustenta este coração;
Será o pêndulo da poesia? será a
Locomotiva deste comboio descarrilhado? a
Gerar num salto no espaço, este poema vácuo?

MIKIO, 14; BH, 050202013.

Hino de louvor às putas, às meretrizes, às
Marafonas, às mulheres perdidas que
Saciam nossos desejos, nas nossas
Andanças pelas madrugadas, em busca
Dos açougues de carnes batidas; um hino
De louvor a essas damas das camélias
Rameiras, essas guengas anônimas, que
Nos desprezam e só veneram o mesmo
Deus dos pastores eletrônicos: o deus
Dinheiro; um cântico de graça e de
Glória a essas que, raparigas em flor,
Ainda e já nas sombras da noite, se
Vendem nas esquinas das ruas das
Encostas das venéreas; um aleluia a
Essas salvadoras, que não nos enganam e
Que nos amam, igual a Judas amou a
Cristo e às vezes, nem é preciso trinta
Dinheiro para se entregarem; esses bifes
Mal passados, frios, servidos em pratos
Sujos e que comemos sem tempero
Algum; um bravo, meus putos maus
Companheiros, um urra, meus podres
Pensamentos, a essas almas perdidas,
Mas, que nos completam na nossa
Perdição; esses abortos, cujos fetos
Foram jogados vivos nas lixeiras,
Persistiram e têm todas a nossa
Gratidão; hino de louvor a essas
Madalenas desiludidas, que não
Um Jesus para livrá-las da lapidação;
Lavam nossos pés bandidos com as
Suas lágrimas e enxugam com os
Cabelos e amam nosso vil dinheiro.

MIKIO, 15; BH, 050202013.

Quando os pensamentos passam arreados,
Não posso perdê-los e nessa hora, com
Um salto mortal, triplo, de costas, é que
Tenho de montá-los; e quando erro o
Salto, estatelo-me no espaço e caio em
Queda livre, mas, preso no ar, em pleno
Asfalto; dos degraus das favelas descem
Os anjos noturnos com suas asas negras,
Seus corpos esculpidos em tocos de
Madeiras queimadas, seus nomes grafados
Em carvão nas paredes de carbono dos
Barracos às beiradas dos abismos; seus
Olhos de diamantes negros fitam-me dos
Fundos das retinas; não podem voltar aos
Céus de onde foram expulsos, são anjos
Pré-concebidos, que estavam nas
Incubadeiras à espera do tempo, o tempo
Que perdeu a luz que perdeu o tempo;
Todos dispersam-se e os anjos cegos
Caíram no voo; e confundiram tições em
Brasas, como as mariposas confusas com
A luz da vela; são maus esses pensamentos,
Perversas essas sombras, tenebrosas essas
Penumbras que agigantam-se titânicas,
Ciclópicas, demoníacas nas nossas
Imaginações; e somos esses seres que somos
Com membros de entes e componentes de
Entidades; somos esses fantasmas, esses
Ectoplasmas fantasmagóricos, pseudas
Pessoas que iludimos e vivemos iludidas,
Temos sem ter e ao não termos, não somos, pois,
Só somos, se tivermos, o que não podemos ter.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

MIKIO, 16; BH, 070202013.

O homem deve sempre brigar por alguma
Coisa que, não seja vil, vã, fútil; e uma
Coisa é certa, o homem deve sempre
Brigar pelo que é certo; e brigar pela
Ética, pelo decoro, moral, coisas miúdas
São para ser deixadas às pessoas miúdas;
O homem deve brigar por ideias, ideais,
Sonhos; Aristóteles, antes de Cristo, já
Alertava-nos a respeito do melhor
Comportamento para o homem, inclusive
O homem público, que, pensa que, pode
Se comportar da maneira mais
Inconveniente possível; e imagino que, o
Homem deve por obrigação superar a
Mediocridade, a ignorância e a estupidez;
Mesquinharia, arrogância, infelicidade
Também não combinam com o homem
Moderno; e o que tento dizer, é até fútil,
Pois, tudo está muito bem colocado, nos
Belos textos aristotélicos; o que torna
Completamente sem efeito as explanações
Que tento deixar registradas nestas
Sinuosas linhas; mas, teimoso, teimo e
Volto a insistir, que, o homem deve
Procurar moldar os próprios atos, naquilo
Que o engrandece; e na verdade vos digo:
O homem só pode ser grande nos atos;
Nove fora, é a vaidade, o narcisismo, o
Egoísmo, as futilidades; e observa-se que,
A evolução do homem, é algo bem difícil,
Desde os tempos de Aristóteles; antes de
Cristo, tentamos evoluir o homem e na
Maior parte desse tempo, sem sucesso.

MIKIO, 17; BH, 070202013.

O mais triste para mim é que, não vou descobrir,
O que é o mais triste para mim; é que acabei de
Constatar que, o tal ponto, ou pontos, ou áreas
Do cérebro, que, dormem, não vou descobrir
Nunca, a maneira de fazer com que funcionem; e
É triste, pois, o tempo passa, envelheço precoce
E velozmente e não encontro o estímulo adequado
Para excitar o G cerebral; aá, sou este montículo
Adormecido, este monturo entumecido e fico
Impedido de prosperar, de tecer argumentos, de
Raciocinar; e os pensamentos saem em
Fragmentos e nenhuma frase consigo completar; e
As sentenças saem todas sem veredicto final; e
Apelo à mentira e minto e minto e minto, sem
Nenhum pudor por não falar a verdade; e as
Pessoas com quem converso, os seres com
Quem relaciono, os entes e as entidades que
Recebo, os espíritos, as almas, os fantasmas e
Mesmo os animais racionais e irracionais,
Pedem o interesse por completo, assim que
Abro a boca; além do mau hálito, pelas crateras
Dos dentes estragados, é o mau humor, pelo fel
Destilado; e como alegrar-me, se não tenho como
Alegrar-me? a esperança era encontrar um desses
Tais pontos, do tamanho de uma moeda, escondido
Dentro do cérebro, que, se bem estimulado, é
Capaz de excitar um gigante sem libido e sem
Adrenalina e sem testosterona e sem tesão.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

MIKIO, 18; BH, 070202013.

Infelizmente, o pior serviço no Brasil,
É o serviço público; quando o cidadão
Resolve ser servidor público, só pensa
Em uma coisa: trabalhar pouco e
Ganhar bem e muito; não há no
País, um único serviço público que, a
População  possa dizer: estou satisfeita
Com esse serviço público, sai caro
Para mim, mas é-me suficiente;
E não quero nem enumerar os
Serviços públicos  que não prestam,
Pois, parece-me que nenhum presta;
Enquanto concebermos pessoas que
Querem entrar para um serviço
Público, para se dar bem, ele nunca
Melhorará, é a constatação da verdade;
Saúde pública brasileira, é uma vergonha,
Essa humilhação conhecida; a educação,
Por mais que se gaste, não melhora, a
Justiça também, é de causar vergonha
E humilhação ao povo; vigilância e
Fiscalização sanitárias nunca funcionam;
Serviços de segurança pública, alfândega,
Fronteiras, pagou aos servidores, o crime
Corre solto; a concepção de quem quer
Servir e não ser vil, precisa mudar;
Graças aos governos do PT, Partido dos
Trabalhadores, pela primeira vez na
República Federativa do Brasil, a corrupção,
Os corruptores, os corruptos têm sofrido
Um combate contumaz e o corte tem sido
Feito até na própria carne; ainda é pouco,
É preciso mais , para passar o país a
Limpo; mas, há séculos que a corrupção
Não era combatida nos serviços públicos
Como agora; vamos ver se daqui para a
Frente engrene e a coisa melhore.

MIKIO, 19; BH, 090202013.

Meu Deus, nunca escreverei uma poesia, um
Poema, uma ode à alegria; e quando passo
No tempo, a mão adormecida, pesada, vestida
De luva de boxe, cismo que devo segurar uma
Caneta, na face obscura dalgum papel; e fico
Ali corcunda, corcovado e não pinga uma
Letra no papel; parece que, quando as palavras
Vêm da eternidade, levam mais tempo a
Chegar à terra, do que a luz do sol; sem antena
Externa, parabólica, ou do tipo para naves
Espaciais, embarcações, satélites, não percebo
As mensagens universais; o papel continua
Pardo e nestas mãos entorpecidas, nunca
Será um papel iluminado; forço, faço força,
Careta, ranjo os dentes, como se estivesse
Numa necessidade fisiológica, mas, é
Justamente, aí, que, nada acontece mesmo;
Finjo pensar para impressionar os que
Observam-me e em silêncio para parecer
Sábio; ouço o tropel da poesia no vácuo, o
Galope dos poemas nas órbitas siderais, mas,
Sem antena espacial, sem radar, sonar, nada
Consigo captar; viro a página da história,
Relembro as eras inglórias, vou ao lodaçal
Dos pensamentos perdidos e desisto da
Intuição; não valeu a intenção, fechou-me
A porta da percepção e no desespero,
Peguei uma machado e cortei minhas mãos.

domingo, 25 de outubro de 2015

MIKIO, 20; BH, 090202013.

Meu amigo, para de esperar, há quanto
Tempo esperas e sem acordar; se queres
Esperar, que pelo menos acordes, andes
Pelo ar, viajes ao universo, mova as
Montanhas de lugar; a esperar e a
Dormir, nem sonharás; um ser como tu,
Se não quebrar as pedras, elas não se
Partem, a dar as passagens; o mar não
Se abre, a água não deixa andar em
Cima dela e nem o tempo para; toda
Vez que dou uma volta ao redor do
Sol e quando passo por ti, estás aqui
Parado, com ares de desanimado, de
Plantão, a espreitar; falas que estás
Alerta, de sentinela e em atalaia e que
Saberás identificar a sua hora; e nessa
Calmaria, com a calma do lugar mais
Calmo da tempestade, que é o olho do
Furacão, não vais a lugar nenhum; a
Saída é ser a própria tempestade, é ser
O furacão; ficares no olho, de olho, a
Esperar, verás que não foste em busca
Da sorte e ficaste no azar; é no que dá,
Não ter iniciativa, não tomar uma
Atitude, de desprender um ato; meu
Amigo, espero que pares de esperar,
De ter esperança de que recuperarás
Esse tempo perdido, enquanto todos
Vivem; esquecer velhas ilusões e se
Prender em novas ilusões, é a mesma
Coisa; o dom precioso do ser, é não ser
Iludido e não iludir e acordar antes
Da hora, ou em tempo.

MIKIO, 21; BH, 090202013.

É de quando estou em febre, a ferver
Em panela de pressão, com a válvula
De escape aberta e na saída de emergência,
Os meus melhores momentos; é de quando
Estou em desespero, ansioso, nervos à flor
Da pele, angustiado, a morrer de depressão,
As minhas melhores fases; e quando estou
Normal, igual a todo mundo, nada
Impressiona-me; a normalidade não causa
Furor, não causa curiosidade; mas, quando
Estou em pânico, sufocado, sem poder beber,
Sem ar, sem poder respirar, a ponto de
Explodir, em ira, em ódio, raiva e rancor,
Penso que reajo melhor às manifestações
Do universo; se estiver curado, sarado, penso
Que, perderei a graça de viver; só tenho
Ansiedade por viver, justamente por ser
Doente, anormal, animalesco; é por ser
Bruto, grotesco, estúpido e ignorante,
Que almejo continuar a viver; se for para
Ser igualzinho a todo igualzinho, saio
De cena; para mim só vale ser desigual
E diferente; e para aqueles indiferentes,
Que são convivências saudáveis para
Ninguém, é que dedico estes piores
Momentos da minha vida; estes maus
Pensamentos, estas más horas e sensações
Têm endereços certos e conhecidos;
Estas palavras salgadas ditas nestes
Evangelhos, têm ouvidos certeiros e
Cada um aumentará a própria hipertensão
Ao escolher algumas destas palavras
Para digestão; o melhor é se fingir de
Morto, de bobo, ter ouvidos de mercador.

MIKIO, 22; BH, 090202013.

Na dita imprensa brasileira, que forma o PIG, o
Partido da Imprensa Golpista, salvos raras
Exeções, nenhum chamado jornalista sabe
Escrever; e os que pensam que escrevem, não
Têm elegância na escrita, não têm estilo e
Nem referências; a maioria escreve pelos
Cotovelos, sem sutilidade e sagacidade;
Nos tempos da ditadura, o jornalista, na
Verdade era jornalista; e escrever para
Enganar censores era o maior dom e tinha
Que ter metáfora, inteligência e sabedoria;
Com essa imprensa nossa, de hooje, que
Virou um balaio de gatos e ratos, menos
Imprensa, qualquer um se dar ao título
De jornalista, entra para a ABL, a Academia
Brasileira de Letras, com todas as aberrações,
Bizarrices e bisonhices possíveis; nos tempos
De jornalismos mesmo, todo mundo admirava
O Castelo Branco e a sua coluna no JB,
Jornal do Brasil; Márcio Moreira Alves,
Zózimo Barroso do Amaral, Carlos Drummond
De Andrade, Tárik de Souza, Ivan Lessa,
Jaguar, Ziraldo, Hélio Fernandes, Barbosa Lima
Sobrinho, Caó, Carlos Alberto de Oliveira;
Se perguntar para alguém, o nome de um
Jornalista de peso, por ora, duvido que
Saiba responder; fora os calunistas, os
Colonistas, assassinos de reputações,
Profetas do caos e porta-vozes, pit bulls
De plantão da velha mídia bovina, não
Conheço um jornalista digno de ser
Chamado de jornalista: falo do PIG, do
Partido da Imprensa Golpista que, se
Tivéssemos uma lei de Médios, nem funcionava.

O PENSADOR DA ALDEIA: "Musas Bukowskianas", a mais linda, criativa, alte...

"Musas Bukowskianas", a mais linda, criativa, alternativa e poética página do Facebook



















Fotos: da página do Facebook "Musas Bukowskianas"

Musas Bukowskianashttps://www.facebook.com/MusasBukowskianas?fref=ts

MIKIO, 23; BH, 090202013.

Não tenhais vaidades em demasia,
Num dia o mundo vos endeusa e
Noutro vos sataniza; não vos deixeis
Iludir ingenuamente,  num dia sois
Amados, noutro odiados; não tenhais
Mais do que o necessário, para aonde
Ides no fim, não levareis nada nada, nem
Vós; só os vossos ossos teimarão contra
O tempo, mas, é a sina dos ossos das
Ossadas dos esqueletos dos ossuários,
Resistir contra todos; vossos ossos
Sustentarão a terra, acompanharão o
Planeta na última viagem em direção ao
Perdido; respeitai vossos ossos e os
Ossos dos vossos semelhantes; no
Futuro, depois do além, os a serem
Encontrados, intactos, nos solos
Rochosos, serão vossos ossos; nossos
Ossos, todos os ossos devidamente
Identificados pelas estrias, onde eram
Os tutanos, os encontros das cartilagens;
Identificados como são identificados
Ossos das sopas que são feitas de ossos
Marcados; as coisas mais vãs são as
Palavras proferidas por bocas néscias;
As pedras não gravam as falas dos
Histriões; os pensamentos mesquinhos
Não empoeiram as estantes universais;
Aos estúpidos, ignorantes, grosseiros,
Até os ossos serão moídos nas rodas dos
Moinhos das moendas do tempo; quem
Tem ouvidos ouçam o que dizem as
Montanhas, os abismos, os desfiladeiros;
As mensagens estão ali cifradas nas
Moléculas das matérias; das entranhas
Da terra nascem os homens que
Conquistam os cometas dos céus.

MIKIO, 24; BH, 0110202013.

O que rotula ao poeta, dá-lhe estilo,
Não é a poesia que ele forra como
Tapete as linhas do universo mas,
Os títulos que consegue em academias,
Liceus, faculdades e universidades;
Se o dito poeta não pertencer à
Uma certa escola, não apresentar
Um diploma de uma instituição de
Renome, nunca terá nome;
Penso ao contrário, o que me faz, não
Sou eu, nem as instituições e nem
Os trajes que visto; o que me faz, são
As poesias nas quais existo e os poemas
Que edito; sem estas letras transviadas,
Sem estas palavras profanas, por mais que,
Queiram consagrar-me, não passarão
Das boas intenções; são as obras que nos
Ditam o que devemos ser mas, para quem
Quer ser milimétrico, viver tecnicamente,
O melhor caminho é mesmo a escola;
Quem já pensa livremente, qualquer
Caminho é caminho, tortuoso, ou largo,
Sombrio, ou iluminado; quem pensa
Livremente, não se enquadra facilmente,
Não agrada e tem escrita amaldiçoada;
Não faz mal, não escrevo para agradar e
Sim para imortalizar o universo; pego
Uma rua vazia e vejo tanta poesia,
Que com certeza não encontraria nas
Estantes abarrotadas das bibliotecas; pego
Um nascer de sol, lá, si, dó, ré, mi,
Fá, silencioso e componho uma
Sinfonia sem nenhum movimento e
Faço um concerto com um pé de vento.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

MIKIO, 25; BH, 0110202013.

Em febre, sentado numa cadeira, sem
Nenhuma noção do que acontece ao
Redor do universo, sinto como se o
Sol ocupasse o lugar do meu cérebro;
E tremo de frio, com calafrios e
Arrepios e no entanto, um calor sem
Igual toma conta de tudo; suores
Molham-me as vestes e vapores
Embaçam-me a visão; sem nexo, a
Caneta corre num papel, como se a
Mão fosse guiada por uma mão
Dalgum fantasma oculto; e oculto
No escuro, daqui, onde estou, observo
Os outros fantasmas a moverem-se na
Penumbra e a confudirem-se com
Suas sombras; com tanto calor, sinto
Frio nas trevas e um ardor por dentro,
Como se algo fervesse, bebo água
Que não chega-me ao estômago e sai
Toda pelos póros; e com toda
Evaporação, as lágrimas secaram e
Choro um choro indefinido, como se
Não chorasse a ninguém; quem virá
Ao socorro dum espírito assim,
Ressequido, sem óleos lubrificantes
Nas engrenagens, sem sucos nos
Organismos? os músculos estão sem
Fibras, os ossos sem tutanos e a
Coluna cervical sem a medula óssea;
Tudo é só areia a emperrar a máquina,
Um deserto noturno, em tempestade
Tão densa, que os raios do sol, não
Ultrapassam mais as paredes; a luz
Encontra uma névoa de chumbo que,
Se cair da altura em que se encontra,
Na queda, esmagará o mundo.

Do DCM, Memórias de uma advogada libertina. Por ANÔNIMA

Por Manara
Por Manara
Este é o quarto capítulo do folhetim que descreve as memórias de uma advogada libertina. A autora é uma das colunistas mais festejadas da internet, e assina os textos como ANÔNIMA.
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Os demais capítulos:
Na cena final do último capítulo, estou ajoelhada diante de um semi-desconhecido em quem acabara de fazer o sexo oral mais alucinante – e inesperado – da minha vida. Era uma festa com pouca luz e muita gente estranha. Fomos flagrados por uma menina quase bonita que usava o corte mais estiloso que eu já vi na vida.
Ela parecia não ligar muito. Talvez a cena fosse comum em sua vida movimentada e rodeada por pessoas essencialmente livres. Sentamo-nos de volta na sala lotada e cheia de fumaça com a naturalidade de quem não estava na gozando na varanda segundos antes.
Ele estava à minha esquerda com uma das pernas encostadas em mim. Ela, usando uma saia turquesa soltinha e as pernas finas estiradas. Trocamos olhares sugestivos entre um gole e outro – os três, numa reciprocidade quase sincronizada.
- Vamos tomar a última lá em casa? É  aqui pertinho.
O tom da voz dela era ébrio, natural e muito safado. Entreolhamo-nos.
- Acho uma boa.
Entramos no carro e felizmente eu ainda podia dirigir, mesmo que mal. Era difícil me concentrar com uma mão insistente transitando entre minha coxa e minha virilha, mas, por sorte, o apartamento dela era a duas quadras dali.
Entramos. Havia um Merlot nos esperando (pois é, aquela noite podia mesmo ficar ainda melhor). Ele abria o vinho enquanto ela se ocupava em me beijar tão repentinamente quanto ele mesmo me fizera ajoelhar horas antes.
Ela tinha mãos delicadas e habilidosas e um beijo quente e feminino. Tocava meus peitos por cima da blusa enquanto passeava a própria língua por cada centímetro da minha boca. Quando abrimos os olhos, ele estava parado, com o vinho em uma das mãos e o pau visivelmente duro. Não esperou o convite e sentou-se conosco no sofá. Serviu o vinho. Bebi um gole enquanto os olhava, imóvel, com um sorriso de canto.
Ele tirou a taça da minha mão – em outras circunstâncias, eu consideraria isto completamente ofensivo – puxou meu cabelo, me olhou firmemente durante precisos três segundos e me beijou com sede. Puxou-me mais para perto. Sentei em seu colo, com as pernas abertas, de frente pra ele. Nos beijávamos enquanto eu cavalgava, ainda vestida, e a anfitriã se divertia com a cena. Mas ela precisava se divertir mais.
Levantei e tirei sua blusa. Ela tinha peitos grandes, muito brancos com auréolas rosadas. Passei a sugá-los enquanto ele a masturbava por cima da calcinha de algodão e ela gemia baixinho com a expressão mais safada que eu veria naquela noite.
Eu não podia lidar com a dimensão do meu tesão. Gozaria ao menor estímulo. Ele tirou a camisa e nós duas – juntas – cuidamos do resto até que pudéssemos vê-lo nu em pelo na nossa frente. Conduzi-a gentilmente para que ela provasse o pau que eu provara mais cedo – e ela o fez com maestria. Ajoelhamos, ambas, na sua frente, e ele tinha uma expressão (que hoje parece patética, mas, naquele momento, era excitante) de rei do harém. Ele revezava o próprio prazer em nossas bocas.
Levantei e sentei para assistí-los. Ela parecia preferir mulheres, mas se divertia. Ao perceber que eu me masturbava gostosamente diante do espetáculo que eles mesmos protagonizavam, ele veio em minha direção e segurou o meu rosto pela segunda vez naquela noite, fazendo com que eu me virasse de costas. Ela era do tipo participativa, e posicionou-se estrategicamente perto da minha boca.
O momento em que ele colocou a camisinha pela primeira vez não estragou o clima, porque eu me ocupava chupando-a. Enquanto seus gemidos incontidos ecoavam pela sala à meia-luz, senti-o me penetrar abruptamente enquanto puxava meu cabelo. Ela gozou primeiro, gostoso, na minha boca, e se afastou alguns centímetros, talvez pela sensibilidade pós-orgasmo, mas eu ainda podia vê-la escorrer, de muito perto, enquanto ele me comia.
Ao abrir os olhos depois do meu próprio gozo, notei que ela me olhava com uma expressão atenta e excitante. Ele pediu que nos ajoelhássemos de novo, juntas. Obedecemos. Nossos rostos estavam juntos, nossos corpos, nus, se misturavam no assoalho de madeira. Ele dividiu o gozo entre nossas bocas e nossos seios.
Não terminamos o vinho. Eu tinha pressa. Me despedi, deixei-os sozinhos e saí madrugada adentro, em direção à casa da minha amiga, onde era esperada. O dia seguinte seria de retorno à minha rotina maçante – mas não exatamente monótona – no escritório.

MIKIO, 26 ; BH, 0110202013.

Se há algo para onde gosto de olhar sempre,
Quando estou doente, é para o céu; é do céu
Que vem o remédio que cura-me, sara-me e
Restabelece-me; e além desses remédios
Para a alma e para o espírito, vem também
Para o físico e tudo que o universo
Tem a dizer, vem através do céu; não
Quedo-me de olhar para este azul,
Que suaviza meu sofrimento; e as
Bulas caem, caem as receitas com os
Medicamentos e as dosimetrias
Certas; e doente, curo-me de uma
Hora para outra; saro-me e fico
Muito bem restabelecido, com o que,
Os ares celestiais trazem-me; maior
Parte do tempo perturbado, trancado
Em quarto, animal acuado, ser
Arredio, a evitar contato e quando
Abre-se a janela, a luz areja, e o azul
Assedia-me, cobiça-me mais do que
Mereço; choro em pranto, que logo
Em seguida, deita-me pronto ao
Sabor das minhas lágrimas adocicadas;
E reergo-me, inteiro, bitelo, do
Chão, já outro coração a pulsar,
Já outro pulso a segurar minha mão;
E perguntam-me curiosas vozes:
Onde estavas, doente? vedes lá aquele
Azul mais azul, infinito, estava
Lá, a receber um remédio, a
Receber um tratamento especial que,
Logo em seguida deixou-me estratificado;
E reparais no que digo, se há algo que
Faço questão de reparar, é o azul do céu.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

MIKIO, 27; BH, 0110202013.

Está tudo bem, só quero ficar um pouco
Aqui, sozinho, estou com algumas
Letras por dentro, grávido de algumas
Palavras e preciso dar à luz a estas
Crias que habitam-me as entranhas;
Geralmente, não tenho muita coisa a
Dizer e quando digo, os surdos não
Querem ouvir e quando quero ouvir,
Os mudos não querem falar comigo;
Não é nada demais, é só um momento
De solidão, é que preciso cavar uma
Sepultura e enterrar um coração;
Lastimo o tempo perdido, por não
Saber encontrar a razão; lamento a
Vida jogada fora, por falta de percepção,
Choro o medo agudo que emperrou a
Intuição; a poesia é sepultura para os
Seres que não amam, sepulcro para
Aqueles que só vivem em oração e
Não vivem; quero é pecar e errar com
Deus e com todo mundo, para ter
Motivo de pedir perdão; é que é
Muito bonito pedir perdão e pedir
Perdão acompanhado de um choro
Convulsivo e comovente, é melhor
Ainda; a poesia é boa, o poeta é que
Não presta, não escolhe a palavra
Adequada e baixa o nível demais, mas,
A poesia é celestial, o poeta é que é
Infernal e a leva ao subterrâneo,
Leva-a ao submundo; e mesmo assim,
Não consegue macular a poesia e a
Conclusão que se chega, é que todos
Estão certos e o errado, é o ser tirado
A poeta, esse é o único torto, que,
Nasce em terreno impróprio à vida.

MIKIO, 28; BH, 0110202013.

Vamos  guardar lágrimas para o nosso
Futuro, muitas lágrimas; cada coisa
Tem seu tempo, no seu devido rigor
E o futuro será o tempo das lágrimas;
E se nós não guardarmos as nossas
Lágrimas, precisaremos de lágrimas
Alheias, de semelhantes e até de
Dessemelhantes e de parentes; repito
A todos, vamos guardar lágrimas
Para os tempos vindouros; não as
Gastemos, todas elas, com coisas
Vãs; o futuro será de choro, choro
Por nossos vivos e choro por nossos
Mortos; arrumemos uns vidrinhos,
Choremos e as lágrimas colocaremos
Nesses vidrinhos; vamos precisar de
Muitas lágrimas no nosso futuro e
Quem não as tiver, não sei como
Será para chorar por si e pelos
Outros; ai de quem não tiver lágrimas,
Quando estiver sozinho, no escuro
Dum quarto, jogado num chão, sem
Móveis, sem ninguém; ai de quem
Não tiver uma alma para chorar por  
Si no futuro; quem não tiver um
Espírito para fazer companhia e
Carpirem juntos, ai; é tempo de
Guardar lágrimas, muitas lágrimas,
Muitas lágrimas em todos os
Recipientes das casas, vasilhas e
Frascos; vamos estocar lágrimas
Para os tempos secos, áridos,
Desérticos; não termos como pedir
Lágrimas emprestadas, como se
Pede azeite, óleo, água; ai de quem,
No futuro, sozinho querer pensar
Em si e não conseguir, pois, se
No presente nunca pensou em
Ninguém, sem lágrimas, terá
Apenas que ranger os dentes.

MIKIO, 29; BH, 0110202013.

Escreves, sabes escrever, nós, aqui, leigos,
Temos que tirar o chapéu, escreves, não
És nenhum Pero Vaz de Caminha, um
Luiz de Camões, um Padre Vieira, ou um
Gil Vicente, mas, escreves e é o que
Interessa; não és um Antônio Nobre, um
Eça de Queirós, mas, tendes a verve das
Escrituras; tendes os veios das letras e das
Palavras sagradas e consagradas e até os
Segredos das profanas; e digo para ti o
Que ninguém diz, escreves, não desistas,
Não és um Fernando Pessoa, nem o
Fernando, nem o Pessoa e nenhum dos
Que eles tiraram do limbo, mas, escreves;
Não és um José Saramago, nem José, nem
Sara a tua escrita e nem és um Mago; mas,
Escreves, tens as inspirações celestiais,
Tens os limites universais e nada te faltará,
Quando quiseres escrever; escreves, sabes
Escrever, apesar de saberes ser arte inútil;
A escrita já não traz mais aquela sensação,
Não excita como antigamente e nem traz
Mais luz aos que vivem cegamente; nem a
Nós, que somos os amantes dela, ela já não
Nos reconhece mais, finge, esquiva-se e
Fica cada vez mais erradia; mas, não
Desanimes, vamos em busca dela, com
Aperfeiçoamento, com teima de perfeição,
Pois, é a única arte onde vale a pena ser
Perfeito, é com a pena; escreves, tens
Consciência e é o que importa, nesta
Época de tão grande falta de consciência.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

MIKIO, 30; BH, 0110202013.

Todo ser humano sonha ser Deus, não
Há um que não queira ser santo
E até mesmo o que está prisioneiro,
Encarcerado numa cela, deve
Passar pela cabeça dele: se fosse um
Deus, se fosse um santo, sairia
Agora, nesse momento, de dentro
Dessa cadeia; eu mesmo adoro sonhar
Que sou Jesus, adoro sonhar que
Curo as pessoas doentes e falo para
Elas falarem que não fui eu; todo
Ser humano sonha em ser perfeito
Igual a Deus; e faz jejum, vigília.
Constroem templos, igrejas, mosteiros
E querem até operar milagres e quando
Notam que nunca serão Deus e nem santos,
Entram em desespero e choram; e inda há
Os pregadores que usam o nome de
Deus para enriquecerem-se, pois, pensam,
Que, quanto mais cifras ajuntarem,
Mais perto de Deus estarão; deixemos
Assim, cada um com a própria loucura,
Uns a pensarem que são Deus, outros
Que são santos e outros ainda, a
Sonharem acordados, em suas celas de
Hospícios; mas, se olharmos bem, cada um
A olhar no fundo de si mesmo, nos
Reconheceremos uma grande
Comunidade de loucos: uns mansos,
Outros mais bravos, mas, no fundo,
Todos loucos a elogiarmos a nossa
Própria loucura; e alienados, unirmos
Aos alienistas, que querem fazer de
Todos nós os seus discípulos.

MIKIO, 31; BH, 0110202013.

Esta hora foi abençoada, foi a hora em
Que, meus olhos projetaram nas paredes,
O que estava gravado em minhas
Retinas; esta hora foi sagrada,
Pois, foi a hora em que, meu coração,
Doou seu sangue arterial, para matar
A sede dos seres ansiosos do universo;
Por isto imortalizei esta hora, esta
Hora está na eternidade, pois,
Foi a hora em que demonstrei
Aos que não creem, que é possível
Amar; agradeço aos que fizeram
Com que esta hora existisse, para
Ser engrandecida no infinito; esta
Hora é a hora do meu grito e todos
Os ouvidos deixarão de ser moucos e
Todos entenderão a mensagem desta
Hora; mas muita gente inda é incrédula,
Pensam que o amor é inútil e a
Paz, desnecessária; enganam-se essas
Pessoas, perdem-se essas parasitas, são
Os únicos que nesta hora ficarão de
Fora, não receberão a graça do amor;
E quando baterem às porta, a pedirem
Farinha, azeite, amparo, a carruagem
Estará longe, difícil de ser alcançada
E nesta hora chorarão; não serão
Infinitos nesta hora, nem universais;
Não entrarão na porta da posteridade
E lamentarão, rangerão dentes, tatearão
Nas trevas e quem de cá, olhar
Para lá, ao os verem, pensarão que
São sombras refletidas nas trevas
E não os guiarão pelas sombras tenebrosas.

MIKIO, 32; BH, 0120202013.

Nenhum pensamento em movimento passou
Pelo umbral, nenhuma ideia luminosa
Passou pelo portal; e a cabeça subia só a
Soleira, solitariamente, com a mente
Solitária; mas tenho memórias, onde estão?
Tenho recordações, de quais tempos? tenho
Lembranças, de quais andanças? e
Inusitadamente percebeu que não concebeu
Um solidéu; não posso ir adiante, algo
Empacou no coração, como se ele parasse
De bater; bateu com o pé no chão, tateou
Com a sola, não posso ir adiante, há de se
Surgir uma razão; e todas as explicações
Cobradas do universo, serão dadas numa
Só palavra, formada por todas as letras
Conhecidas e desconhecidas, antigas e
Novas e até as que se encontram debaixo
Das pedras ancestrais e as que serão
Encontradas nos planetas dos cinturões
Siderais; mas, preciso do pensamento, como
A casa precisa do alicerce e o estômago da
Comida; e da mesma maneira que a sede
Precisa da água, preciso duma ideia, quem a
Concederá a mim? e com urgência,
Diagnósticos, prognósticos e com perfeição;
E jogaram uma boia de ouro para mim, com
O peso, ele em vez de reerguer-me, elevar-me
Aos píncaros, afundou-me mais no lodaçal;
Não era esta a palavra da ansiedade e como
Morto não pode desistir, não desistirei,
Vagarei a eternidade a procurar e quem
Sabe não a encontro lá.

MIKIO, 33; BH, 0120202013.

Uma letra é um raio de uma palavra,
Que é uma luz; um homem sem
Palavra, é um homem sem luz; não
Vivo sem palavra e se perder a
Palavra, perderei a vida; a palavra
Cura a deficiência, cura o aleijão
Que trazemos desde nascença; a
Palavra é o remédio que falta nas
Bulas, nas receitas, nos diagnósticos;
Infeliz o cujo que diz não se interessar
Pelas palavras, pelas letras; coitado desse
Cujo aleijado, coxo, manco, capenga,
Pé de cabra; quem tem uma palavra,
Tem brado, imagina quem tem todas
As palavras e usa cada uma na medida
Certa, na hora certa, sem tirar nem pôr;
E já o que age ao contrário, vira mendigo,
Não toma banho, não troca de roupa,
Não corta o cabelo, não faz a barba,
Bigode, unhas, dentes; e cobre-se de
Andrajos e faz de si uma sacola de
Lixo e põe tanto ouro em cima, que
Não consegue se locomover com
Leveza, não consegue dançar com os
Ventos, bailar com o orvalho, movimentar
Com o sereno, tal o peso que carrega,
Na justificativa do vale quanto pesa; mas,
Toda palavra numa boca estúpida é cega,
Toda letra numa boca ignorante é
Estúpida; toda letra na boca que é uma
Letra é uma letra, toda palavra na boca
Que é uma palavra, é uma palavra;
Toda letra e toda palavra, numa boca
Que é uma letra e que é uma palavra,
São a luz que não nos pode faltar.

MIKIO, 34; BH, 0120202013.

A escrita é tão importante para a
Nossa civilização que, quando fôssemos
Escrever, deveríamos vestir black tie e
Usar letras e palavras de ouro; e ao
Estarmos vestidos a rigor, com fraque,
Cartola, bengala de castão e luvas de
Pelúcia, reverenciarmos esse ato
Sagrado; a escrita é tão importante
Para a nossa civilização que, se por
Ventura a matássemos, com certeza
Morreríamos juntos, um suicídio
Humano coletivo; não há como
Abominarmos a escrita, seria uma
Heresia, uma blasfêmia, uma
Profanidade, de tão sagrada e santa
E santuário, a escrita é para a nossa
Civilização; penso que cada um
Quando for escrever, se não puder
Tomar um banho, deveria pelo
Menos desinfetar as mãos, repito,
Vestir o melhor fato, sentar-se à
Melhor e mais confortável cadeira,
À mesa da mais nobre possível; e
Portar-se como se estivesse diante
Dum trono do mais simbólico dos
Reis; é a escrita que nos eterniza,
É a escrita que nos imortaliza, é a
Escrita que nos eleva para a
Posteridade; é a escrita que alavanca
Nosso espírito, nos torna infinitos,
Universais; não poderia conceber
E nem perceber e nem imaginar a
Nossa civilização sem o seu
Berçário de escritas; e a escrita são
Várias, pois, a nossa civilização
É composta por várias gerações
E cada geração com a sua civilização;
As verdadeiras tábulas da salvação,
São as que lavramos com a nossa escrita,
A preservação de nossa civilização.

MIKIO, 35; BH, 0120202013.

Quando será que me conscientizarei de verdade,
Sem meias palavras? quando será que me
Conscientizarei e apresentarei em meus atos,
A postura, a atitude da minha conscientização?
Quando será que demonstrarei o produto da
Minha consciência? pois, nesta questão, inda
Estou a engatinhar, estou a andar de gatinhas
Neste quesito de ser consciente; não tenho e
Nem tomo consciência de nada que órbita ao
Meu redor; e preciso mudar esta concepção,
Mudar esta intuição e percepção; e isto é
Pior do que viver alienado, indiferente e num
Mundo moderno, quem vive assim, não vai
Para a frente; e é necessário, pelo menos ter
Consciência de si mesmo e se não puder,
Ter a consciência universal; e é o que eleva
Verdadeiramente o ser, é a sua consciência e
Quero possuir uma, já está a passar da hora,
Devido ao avanço da minha idade; e morrer
Inconsciente é o que menos quero, quero
Morrer é lúcido, sóbrio, ciente da vida que
Levei e da morte que encontrarei; e que
Seja isto um fato determinado, um ato de
Grandeza, de honra e uma atitude nobre de
Um plebeu; é um comportamento que quase
Não se ver hoje em dia, pois, apesar de ser
Cobrado no currículo, penso que poucos
Apresentam tal gabarito; e é um gabarito
Imprescindível, do qual, todos deveriam
Correr atrás, para possuírem consciência;
A palavra inteira, o marco que pretendo
Tomar a partir do marco deste momento.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

MIKIO, 36; BH, 0120202013.

Todo norte-americano para mim é
Assassino, é tão assassino que, até
Os que nascem por ora, devem ser
Taxados de assassinos; é tão grande
A quantidade de seres humanos
Exterminados pelos norte-americanos,
Que, se cada um se respponsabilizasse
Por uma morte, inda sobrariam muitas
Mortes a serem adotadas; todo yankee,
Para mim é um assassino, não
Reconheço nenhum como herói; e são
Assassinos saguinários, depois de
Assassinarem os próprios irmãos, os
Peles vermelhas, os negros, saíram
Mundo afora a exterminar e a fazer
De cobaias, povos livres e soberanos
Que encontravam pela frente; depois
De usarem franco-atiradores, bombas
Nucleares, agente laranja, napalm,
Arrasa quarteirões, B52, tantas
Fortalezas voadoras, chegou a vez
Dos drones; são aviões robôs, não
Pilotados, blindados, com artilharias
E lançadores de bombas e estão
Capacitados a matar em qualquer
Situação, indiscriminadamente; todos
Tapetes vermelhos que pisam pelo
Mundo, são feitos de pele humanas
Desidratadas e tingidas de sangue,
Sangue humano, digas-se de passagem,
Derramado por eles, inclusive de
Inocentes crianças; insaciável, sádico,
Sanguinário, comete ações ilegais,
Bloqueiam nações, usam e abusam
De arbitrariedades; não posso, mesmo
Que queira, desejar bons tempos aos
Norte-americanos em minhas orações.

DCM: MEMÓRIAS DE UMA ADVOGADA LIBERTINA, ANÔNIMA, CAPÍTULO, 3.

Leg-Tattoos-7
Este é o terceiro capítulo das memórias eróticas de uma advogada que, por motivos justos, pediu apenas o anonimato.
Os dois outros estão aqui: 1 e 2.
No último capítulo  conheci muito de perto meu novo vizinho. Ele me ajudou com uma porta trancada e saciou o desejo curioso que me despertara desde que nos conhecemos. Eu deixei claro que sabia que ele era casado na sua saída, enquanto sua esposa surpreendentemente nos observava pela janela.
Depois do episódio no mínimo curioso, passei a observar atenta o jovem casal. Pareciam vívidos, felizes, joviais. E liberais, assim eu esperava. A esposa aparentava vinte e poucos anos bem vividos. Era morena, os cabelos ondulados, escuros e pesados, um molejo de quem conhece a vida.
Trocamos alguns sorrisos de cortesia que escondiam segredos que nossas bocas não contavam. E não contarão, ao menos não neste ponto.
Minha casa já estava satisfatoriamente organizada. Era hora de voltar a viver de verdade: livre como gosto de ser. Resolvi viajar para a casa de uma amiga em Floripa. Praias bonitas, corpos dispostos, festas permissivas: tudo o que eu mais gosto no mundo estaria lá.
Ela me esperava com uma cerveja gelada. 
Vá se vestir, use aquela blusa de Capitu!”
Era uma camiseta com os dizeres “Olhos de cigana oblíqua e dissimulada.” Os meus olhos. Combinei-a com um saia curta, solta e confortável. Fomos a uma reunião no estúdio de tatuagens em que a minha amiga trabalhava.  Era um ambiente tão sensual que beirava o sombrio. Luz baixa, muitas referências de cinema e quadrinhos, desenhos criativos estampados nas paredes de uma sala minúscula… e pessoas. Muitas pessoas.
Uma moça no canto da sala, sentada no chão, com um corte de cabelo estiloso; alguns homens tatuados, com camisetas surradas e cabelos fora dos padrões. Atraentes, em geral. Sorriram-me e cumprimentaram-me. Abrimos a primeira cerveja. 8,9% de álcool: aquela noite não seria uma qualquer. 
Alguém me passou um baseado de boas-vindas. Aquelas pessoas pareciam transcender a um nível que eu só alcançaria algumas horas depois. A conversa era solta e leve, ninguém parecia deixar de dizer o que lhe viesse a cabeça. Resolvi ir à janela acender um cigarro. Tragava enquanto ouvia o murmúrio sonoro das pessoas na sala, até sentir uma sombra alcançar o meu corpo. Era uma presença masculina. Os cabelos na altura da nuca, os olhos maliciosos e negros demais. Um corpo quase delicado. 
“É aqui a área da fumaça?”
Sorri de canto e traguei como resposta. Ele parou perto de mim – perto demais: 
“Você tem um isqueiro?”
Em vez de responder, acendi o seu cigarro olhando-o nos olhos e cheguei ainda mais perto. Esperava que ele entendesse o recado. Conversamos qualquer coisa aleatória de que não me lembro mais, até que o ponto alto da noite chegasse. 
Ele lançou o próprio corpo contra o meu, lento, mas com uma agressividade medida e pensada, e escorregou uma de suas mãos pelo meu corpo. Tocou meus seios enquanto me olhava com uma expressão dominadora – e enlouquecedora, a propósito. Homens que sabem molhar a calcinha de uma mulher sem usar a língua merecem um lugar especial no céu. Ou no inferno. 
Passeou novamente pelo meu corpo, por debaixo da minha saia solta, sem desviar o olhar cafajeste por um minuto sequer. A porta aberta e a possibilidade de sermos flagrados me excitava. Beijei-o furtivamente, e, uma correção: aquilo não foi um beijo. Fui eu lambendo os lábios dele.
Era mais animalesco que um beijo qualquer. 
Ele usou a mão que não estava ocupada descobrindo minha calcinha pequena para empurrar o meu rosto, apertando meu queixo e interrompendo meu beijo lascivo. Não entendi muito, mas achava delicioso ser dominada por um quase desconhecido. Sem nenhuma palavra, puxou meus cabelos fazendo-me ajoelhar em sua frente – e neste ponto eu sequer pensava na porta aberta e nas pessoas na sala – e me fez engolir cada centímetro do seu pau. Não pediu licença para me fazer engolir sua porra. Não me deixou esquivar – embora eu não quisesse mesmo fazê-lo. 
Eu ainda estava ajoelhada, estupefata e excitadíssima com tamanha ousadia, quando a moça de corte estiloso apareceu na porta e esboçou uma expressão safada e sem o menor resquício de espanto. Ele abotoou as próprias calças, olhou-a e sorriu, cúmplice. Voltamos para a sala e nos sentamos juntos, muito perto da moça. Entre um gole e outro, ela nos olhava mais do que todos os outros.
A noite só estava começando.  
Continua …