terça-feira, 6 de outubro de 2015

MIKIO, 50; BH, 0210202013.

Hoje será um dia difícil, percebo, apesar
Do sono e da falta de percepção mas,
Hoje será um dia difícil; é que apesar do
Sono, vivo o pesadelo da falta que faz
Uma obra-prima e primo pela obra de
Arte, pelas belas artes, por todas as artes;
E mesmo com este sono, que é o sono de
Todos os sonos, nenhum sonho habita
Meus sonos; hoje será um dia difícil, é
Que não consigo viver de dia, só vivo de
Noite, tenho alma de morcego, espírito
De coruja, ente de mariposa, entidade
De sapo e de animais de hábitos
Noturnos; de animais que vivem para a
Lua, coiotes, lobos, cães e outros bêbados
Apaixonados; e enquanto o dia é difícil,
A noite é fácil, mulher que diz sim, puta,
Prostituta, meretriz; a noite é rua de canto,
Encosto de muro, encruzilhada e de noite
Os mortos saem das tumbas; os fantasmas
Abandonam os cemitérios e vão aos bares,
Aos botecos, aos puteiros, cabarés; e lá,
Vejo-me no meio deles, meus poetas,
Minhas musas, meus zumbis; e meu ser é
Composto de todos esses seres notívagos,
Que fogem de catequeses e não saem
Nem com exorcismo; hoje será um dia
Difícil e lascivo, gosto de facilidades,
De casas de tolerâncias e de permissividades
Nas bolinações das partes íntimas; se não
For assim, a poesia não se excita, o
Poema não ganha tesão e a caneta não
Fica em estado de ereção.  

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