sexta-feira, 9 de outubro de 2015

MIKIO, 48; BH, 0190202013.

Gostaria de sentir-me bem comigo mesmo
De uma vez por todas, dar um basta, pôr
Um ponto final e não mais sentir-me mal
Comigo mesmo; espeto-me, queimo-me,
Flagelo-me, faço-me sofrer para sentir dor,
Na ilusão de que, só a dor pode fazer-me
Sentir; e sei que estou errado, como tudo
Que há de errado comigo e não acerto e
Nem há nada certo, desde que nasci; e se
Com todos os seres sempre as coisas dão
Certo, os pensamentos são corretos e os
Argumentos aceitos; e as teses são
Aprovadas e as conjecturas comprovadas;
Só este pobre escritor, este diabo tirado a
Escrevinhador, faz tudo ao contrário do
Que determina a natureza e as leis
Universais; e como um planeta perdido,
Teimo em não encontrar a órbita natural; e
Como nm astro explodido, pego o rumo
Dos planetas normais e quero chocar-me
Contra eles, a provocar o caos; a provocar
Confusão e fazer com que, eu seja cada
Vez mais confuso e que eles sejam
Confusos, confundidos e nada elucidados
Em nada; e o nada está sempre cá comigo,
Somos pares e nunca ímpares mas, um
Não completa ao outro; fragmentos do
Mesmo meteorito que espatifou-se contra
A densidade de átomos da atmosfera; e o
Basta não veio e nem virá, pudera, com
Esta ansiedade de fazer das letras estas
Palavras vadias, é esperar em vão.

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