segunda-feira, 12 de outubro de 2015

MIKIO, 44; BH, 0170202013.

Morcego, a noite me atrai e passo a
Voar noite adentro, madrugada
Afora e a pousar de bar em bar;
Mariposa, as luzes noturnas bem
Encantam-me, persigo-as e chego
A queimar-me; cu de luz, voo cego,
Embriagado, a beijar bocas amarradas
De sapos secos empedrados; e frango
De macumba, paro nas encruzilhadas
A degustar os quitutes do ebó oferecido
Aos santos pretos e às santas negras; e
Bebo da cachaça, como da farofa e
Ladrão, roubo as oferendas; das vezes
Nas quais os feitiços não deram certo,
Deve ter sido porque roubei as
Encomendas; e saciado, o vento
Pega-me pela popa, apruma-me a
Proa e leva-me a navegar argonauta;
Leva-me a cantar marinheiro,
Náufrago sem porto, navegar é preciso,
Viver não é preciso; e navegante
Perdido dessa Nau Catarineta,
Junto-me à voz do coro, do marinheiro
Desgraçado; Nau Catarineta, nós
Somos marinheiros desta Nau Catarineta;
Enfim a carne cansa, desfalecido o
Morcego volta antes do amanhecer,
À gruta; dependurado no teto
Duma caverna, envolto nas mórbidas
Asas, mata a realidade que surge
Além dos paredões; e diferente do
Corvo, não ecoa o nunca mais, e sim o
Raiar da esperança, hoje à noite tem mais.

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