quinta-feira, 29 de outubro de 2015

MIKIO, 13; BH, 050202013.

Sei lá, não sei, sei lá, não sei, não,
Mas, alguma coisa errada acontece
Com o meu coração; mas, não quero
Surpreender-me, só me surpreenderei,
No dia em que alguma coisa certa,
Acontecer com o meu coração; onde
Há uma puta, ali está o meu coração,
Onde há uma prostituta, lá ele constrói
Um altar; onde houver uma meretriz,
É ali que vai amar; e é um coração
Todo descordado, só se sensibiliza
Com o que é do submundo, do
Subterrâneo; para este coração
Transviado, só essas mulheres perdidas,
Desencontradas e esquecidas; é no
Santuário dessas mulheres desossadas,
Dessas mantas de charques sagradas,
Que este coração aleijado maquina
Suas sórdidas deformidades; este
Manietado maquiavélico sem compaixão,
Refoga em sua panela de pressão, suas
Vítimas prediletas; sem verve para nada,
Sempre na contra-mão, no contra-pé,
No vai e vem, nem na sistole e nem
Na diástole, mas, no intervalo deste
Vão formado nestas contrações, sei lá,
Não sei, sei lá, não sei, não, mas,
Alguma coisa sustenta este coração;
Será o pêndulo da poesia? será a
Locomotiva deste comboio descarrilhado? a
Gerar num salto no espaço, este poema vácuo?

Nenhum comentário:

Postar um comentário