terça-feira, 13 de outubro de 2015

MIKIO, 43; BH, 0150202013.

Esqueci todas as línguas extintas que
Falava antes da pré-história; e hoje, na
Era da comunicação, em que as línguas
São fósseis, as letras resíduos de milhões
De anos antepassados e as palavras meteoritos
De planetas explodidos e a linguagem
Dos mortos, não é mais psicografada e
Uma nova forma de falar há de ser lembrada;
A língua por hora é mais rudimentar
Do que o aramaico de outrora; não fala-se nada
E comunica-se tudo, ou fala-se tudo
E não comunica-se nada; línguas são lixos.
Desaparecidos, pessoas desaparecidas,
Nações desaparecidas, civilizações
Desaparecidas; e nessas línguas só as
Almas fossilizadas, os espíritos rupestres,
Os entes das idades das pedras, as entidades
Que perambulam pelo limbo, comunicam-se;
E as línguas dos tempos das pirâmides
Voadoras? das eras das pirâmides que
Eram construídas de cima para baixo?
Essas línguas todas esquecidas, das
Torres de Babel, das Babilônias, e
Das cidades que estão nos fundos
Dos oceanos e Sodoma e Gomorra,
Que estão nos fundos do pré-sal;
E essas línguas que amanhã não estarão
Mais aqui, nem no futuro e nem serão
Utilizadas quando outro universo for
Criado; e as línguas telepáticas nas
Quais, cada letra é um bloco de mármore
E cada palavra, um monte Ararat; e todos
Dirão pelos pensamentos, pelas viagens
Das ondas mentais nas retas das paralelas.

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