terça-feira, 6 de outubro de 2015

MIKIO, 49; BH, 0190202013.

Esta vaidade inda vai matar-me e o
Que é o maior dos absurdos, a vaidade
Das vaidades, não sei deixar de ser
Vaidoso; e vivo a procurar como um
Louco pretextos para mim; pretensioso,
Orgulhoso, soberbo, vivo cego por esta falsa
Altivez e faço lipoaspiração, pilates,
Ginástica localizadas e faço dieta,
Caminhadas, corridas, academias e nem
Sei mais o que faço para atender a esta
Vaidade que não é minha, e a
Assumo como se fosse minha; sinto-me
Um idiota, quero-me ver não do jeito
Que quero ver-me, mas do jeito que
As pessoas querem ver-me; imbecil, não
Agrado-me e mutilo-me na vã
Esperança de agradar aos que não
Estão contentes comigo; ora, vão para
O inferno sem mim, ou deixem-me ir
Sozinho para o inferno; morto pode ir
Para qualquer lugar, que não sente
Nada; que bobagem, como sou estúpido,
Faço implante de cabelos, aplico botox,
Silicone, sinto-me um moderno
Frankstein; quando encontrarem o meu
Esqueleto no futuro, com as próteses,
O silicone no meio dos ossos, as
Outras ossadas vão estranhar-me;
De qual bizarro ser é esse esqueleto
Estranho no nosso meio? perguntarão
Os outros ossos; e envergonhado terei
Que responder: sou o esqueleto da minha
Insensata vaidade; em vida fui mórbido 
Vaidoso, irreconhecível tanto lá, como aqui.

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