domingo, 25 de outubro de 2015

MIKIO, 21; BH, 090202013.

É de quando estou em febre, a ferver
Em panela de pressão, com a válvula
De escape aberta e na saída de emergência,
Os meus melhores momentos; é de quando
Estou em desespero, ansioso, nervos à flor
Da pele, angustiado, a morrer de depressão,
As minhas melhores fases; e quando estou
Normal, igual a todo mundo, nada
Impressiona-me; a normalidade não causa
Furor, não causa curiosidade; mas, quando
Estou em pânico, sufocado, sem poder beber,
Sem ar, sem poder respirar, a ponto de
Explodir, em ira, em ódio, raiva e rancor,
Penso que reajo melhor às manifestações
Do universo; se estiver curado, sarado, penso
Que, perderei a graça de viver; só tenho
Ansiedade por viver, justamente por ser
Doente, anormal, animalesco; é por ser
Bruto, grotesco, estúpido e ignorante,
Que almejo continuar a viver; se for para
Ser igualzinho a todo igualzinho, saio
De cena; para mim só vale ser desigual
E diferente; e para aqueles indiferentes,
Que são convivências saudáveis para
Ninguém, é que dedico estes piores
Momentos da minha vida; estes maus
Pensamentos, estas más horas e sensações
Têm endereços certos e conhecidos;
Estas palavras salgadas ditas nestes
Evangelhos, têm ouvidos certeiros e
Cada um aumentará a própria hipertensão
Ao escolher algumas destas palavras
Para digestão; o melhor é se fingir de
Morto, de bobo, ter ouvidos de mercador.

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