segunda-feira, 5 de outubro de 2015

MIKIO, 53; BH, 0230202013.

Raramente posso escrever alguma
Coisa feliz, poço de maldade, como
Escrever algo feliz? se olho para os
Céus, vejo fumaças a encobrirem as estrelas;
Se olho para o mar, vejo depósitos
De lixos atômicos, descaso e poluição;
Se olho para a terra, vejo ruindades,
Maus-tratos, infelicidades e olho
Para os bares, as garrafas nas
Prateleiras e vejo ali, a oportunidade
De encontrar a felicidade; e o
Que faço? bebo todas, encho-me de
Ilusões e de falsas esperanças; fico
Iluminado, penso-me um gênio,
Um herói invulnerável, um
Aquiles, mas, é só por algumas horas;
E vem o que não deveria vir
Nunca, o dia seguinte e o dia
Seguinte, é que é a realidade,
A vontade de nunca ter nascido,
O dia seguinte; e o dia seguinte é
Como se fosse depois um desastre
Nuclear; a vontade é só de morrer e
De não nascer nunca, inda mais nascer
De novo; e juro e imploro a todos os
Anjos e santos e santas e prometo e
Enfim, quando há uma melhora, qual
É o lugar para onde penso em correr
Célere? o maldito do bar; e lá deixo
Tudo de mim, meu espírito, minha
Alma, meu ser; e todo o meu dispositivo
Emperrado, no primeiro gole, fica
Logo lubrificado e como num passe
De mágica, sinto o cérebro destravado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário