sábado, 31 de março de 2018

Não? Varanda da Marechal Marques Porto, 31, Tijuca, RJ/SD; Publicado: BH, 01701002012.

Não?
Não;
Não, não?
Não, não;
Não, não, não?
Não, não, não;
Não, não, não, não mesmo?
Não, não, não, não mesmo;
Não nada?
Não nada;
Não, não nunca?
Não, não nunca;
Não de jeito algum?
Não de jeito algum;
Não de forma nenhuma?
Não de forma nenhuma;
Não?
Não;
Não, não?
Não, não;
Não, não não?
Não, não, não;
Não, não, não, não?
Não, não, não, não;
Não, não, não, não, não?
Não, não, não, não, não:
Não, não, não, não?
Não, não, não, não;
Não, não, não?
Não, não não:
Não, não?
Não, não;
Não?
Não;
Então não tem jeito mesmo?
Não tem jeito mesmo não;
Não e acabou?
Não e acabou;
É não e fim de papo?
É não e fim de papo; 
Não para o resto da vida?
Não para o resto da vida:
Não para sempre?
Não para sempre;
Não de verdade?
Não de verdade;
Então o jeito,
É ter que sair na mão.

Acabei de almoçar; Varanda da Marechal Marques Porto, 31, Tijuca, RJ/SD; Publicado: BH, 01701002012.

Acabei de almoçar
Inda'agorinha,
Arroz e feijão,
Purê de batatas,
Com molho de cebola
E caldo de carne cozida;
Comi bem
E comi muito;
Depois vim para a varanda,
Tirar os fiapos de carne dos dentes,
Com um fio de linha,
Da toalha de rosto;
Enchi a barriga
E estou satisfeito;
Mas quantos por aí,
Estão de barriga vazia;
Quantos não acharam,
O que comer hoje;
Milhares de pessoas talvez,
No Brasil, na África e na Ásia
E no mundo inteiro;
Minha mãe cozinha bem,
Faz o almoço sozinha,
Põe o de todo mundo
E só depois é que põe o dela;
Mais de vinte bocas,
Para dá de comer,
E é sozinha,
Que prepara o boião,
Que faz o rango
E que põe o almoço;
O resto é só para comer,
Criticar o rango
Ou pedir mais;
Muito obrigado,
Minha mãe,
Por comida tão respeitável
E tão interessante;
Muito obrigado, mesmo.

A tomar um café; Varanda da Marechal Marques Porto, 31, Tijuca, RJ/SD; Publicado: BH, 01701002012.

A tomar um café fresco,
Feito na hora,
Vi um avião passar,
Contra o céu azul,
Na limpidez do ar;
Liguei-me no sabor,
Do café gostoso;
Não enxerguei o avião,
Não ouvi o barulho dele;
Senti apenas o café,
Descer quente,
Por minha garganta;
Os carros passavam,
A tarde ia embora,
A criança chorava,
O rapaz lia o jornal,
O vento mexia,
Nas intimidades das árvores.

Gosto de pessoas; Varanda da Marechal Marques Porto, 31, Tijuca, RJ/SD; Publicado: BH, 01701002012.

Gosto de pessoas,
Que são
Ativas e inteligentes,
Mentalizadas,
Intelectualizadas
E realizadas;
Gosto de pessoas entendidas,
Bem informadas
E caracterizadas;
Pessoas reais,
Normais e naturais;
Que são pessoas,
Gentes e humanas,
Seres racionais;
Gosto de pessoas pacíficas,
Que têm amor,
Paz e carinho,
Opinião e presença,
De espírito e de alma,
De corpo e de tudo;
Gosto de pessoas magnéticas,
Influentes e fortes,
Personalizadas e independentes,
Que encontraram-se
E conheceram-se
A si mesmas;
Gosto de pessoas livres,
Liberais e emancipadas,
Evoluídas e desenvolvidas,
Completas e inteiras;
Gosto de pessoas
Simples e claras,
Frescas e lúcidas,
Transparentes e fáceis,
Abertas e escancaradas,
Francas e  verdadeiras;
Gosto de pessoas absolutas,
Sinceras e sãs,
Sadias e conscientes.

Lampião; Varanda da Marechal Marques Porto, 31, Tijuca, RJ/SD; Publicado: BH, 01701002012.

Lampião,
Quando andou no mundo,
Lá no fundo do sertão,
Matou sem coração;
Furou muitos umbigos,
Não respeitou patrão;
Meteu bronca com o rifle,
Cortou com o facão;
Abriu a Bíblia,
Com o punhal na mão;
Ditou o próprio destino,
Sem perder a cabeça;
Teve a cabeça cortada
E fez a cabeça,
De muita gente;
Aproximou corações,
Destruiu lares
E deu bom emprego,
Para uma corja de ladrões;
Lampião acendeu a luz,
Da revolta e da rebeldia,
Da liberdade e da valentia;
Nem parecia nordestino e 
Que era brasileiro;
Bravo e destemido,
Lutava com ardor;
Matava os macacos,
Com o calor,
Do chumbo se sua espingarda;
Bramia o punhal,
Abria as tripas,
Deitava tudo ao chão;
O governo o temia,
Os senadores e os deputados
E os mais influentes políticos,
O respeitavam desesperadamente;
Os macacos sofriam com ele,
Padre Cícero,
Abençoou Lampião,
Que não conseguiu fazer com que,
O seu sangue jorrasse,
Nas veias de todos os brasileiros.

Quando morrer; Varanda da Marechal Marques Porto, 31, Tijuca; RJ/SD; Publicado: BH, 01701002012.

Quando morrer,
Quero ser colocado nu,
Numa câmara mortuária,
De modo que,
O meu corpo morto,
Fique bem diante,
De uma máquina eletrônica,
Com capacidade de filmar;
Quero que seja filmado,
Cada segundo,
De minha decomposição,
O meu apodrecimento total,
Até à pulverização geral;
O meu corpo a inchar,
A pele podre a se romper,
Os bichos a devorar minhas carnes,
Os micróbios e os vermes e os germes,
Todos a devorarem
As minhas imundícies,
As minhas carniças;
Por isso que quero,
Que seja tudo filmado;
Não é para perder,
Um minuto sequer,
Da minha transformação;
Por que é a única transformação,
A única mudança,
A única metamorfose
E a única revolução,
Que realmente acontece,
Na vida da gente,
É quando morremos;
E quero o filme revelado
E exibido nos melhores cinemas,
Que existem no país;
A decomposição total,
A transformação real,
O apodrecimento do podre,
A arena dos vermes,
Qualquer título sugestivo serve.

Morte; Varanda da Marechal Marques Porto, 31, Tijuca; RJ/SD; Publicado: BH, 050902012.

Morte
E não tenho medo de ti;
Não tenho um pingo de medo de ti,
O dia que me quiseres,
Podes me procurar
E podes me levar;
E não vou fugir de ti
E nem vou me esconder;
Morte
E até te pergunto,
Porque é que,
Não me levas de uma vez?
Porque é que,
Não morro de uma vez?
Mata-me logo
E acabas comigo,
De uma vez por todas;
Morte
E te enfrento,
Cara à cara,
De olhos abertos
E sem vendas nos olhos;
Não tenho medo de morrer,
Não tenho um pingo de medo de morrer;
Morte,
És a única coisa certa,
Que vai acontecer comigo um dia;
Então, porque hei de temê-la?
Não, morte,
Não te temo
E te espero,
A qualquer momento,
A qualquer hora;
É só estenderes a tua foice,
E decapitar o meu corpo;
Vais matar a minha matéria,
As minhas substâncias e abjeções;
Eu mesmo, não vais matar;
Por isto que, não tenho medo de ti,
Por isto que, não corro de ti;
O dia que me quiseres,
Podes vir me buscar;
Vais levar meu soma,
Tenho toda a certeza,
Mas eu, não podes levar.

Será que sou poeta? BH, 020402000; Publicado: BH, 0100702012.

Será que sou poeta?
Gostaria de acreditar,
De ter autoestima,
De ter emoção;
Será que sou escritor?
Gostaria de confiar,
De bater no peito e gritar:
Respeitais o meu vernáculo,
Respeitais a minha verborrágica;
A minha poesia imortal,
Posso apodrecer, desintegrar;
Posso morrer, não existir,
Não valer nada e até feder
E nada ter para oferecer;
Porém, respeitais minhas letras,
Respeitais minhas palavras;
Meu pensamento não morre,
Minhas frases são eternas 
E todos os meus léxicos
Permanecerão no infinito;
Todos os meus versículos
Serão decorados pela humanidade;
Serei eternamente esquecido,
Não quero que lembreis de mim,
Não quero ser recordado;
Quero apenas que meus versos,
Minhas prosas defeituosas,
Minhas imperfeições literárias
Sejam tal Lázaro e que,
Mesmo depois de mortas,
Voltem à vida sempre, Fênix,
Novas e fortificadas.

A morte chegou; RJ, 1981; Publicado, BH, 0100702012.

A morte chegou,
Segurou a minha mão;
Beijou-me a boca
E levou-me
Para junto do seu coração;
E chamei a morte,
Implorei pela morte
E agora ela está comigo
E não deixa-me mais;
Como amo a morte,
Como quero a morte;
E sou a morte,
Tenho a morte
E ela me tem;
Possuiu-me 
E me escravizou;
E sou da morte,
E me acorrentou,
Amarrou-me
Nos seus longos cabelos
E não me deixou mais;
Canta pra eu dormir,
Lê histórias para mim
E me dá de mamar;
A morte é minha mãe,
Concedeu-me a luz,
As trevas e silêncio;
Concedeu-me o poder,
De ser um morto-vivo,
De saber morrer;
Orgulho-me da morte
E é tão grande;
Mas tem o prazer de se apresentar,
Bem menor do que a vida.

sexta-feira, 30 de março de 2018

Sofri uma peça inaugural de ação penal; BH, 0220402001; Publicado: BH, 0180202013.

Sofri uma peça inaugural da ação penal
De distribuição do ministério público e 
Um ato igual ao pelo qual um governo
Faz saber a outro com que concluiu
Tratado ou convenção que não tenciona
Manter acordo até o prazo previsto de 
Uma vigência; sofri um indício e sinal de 
Alguma coisa oculta alguém quer denunciar-me
Alguém quer fazer uma denúncia dentuça de 
Aspecto dentudo como aquele escândalo que 
Tem os dentes grandes e salientes um ar 
Dentuço de dentadura de dentes ressaídos e
Se tivesse a chave de abrir portas e cofres
A dentro, até que faria evidência mas não
Estou dentro e interiormente não tenho nada
Do lado interior está vazio e no íntimo não
Sou do meio e dentre os políticos não existe
Honestidade o dentola que morde a língua e
Grande dentoina substância extraída da
Dentina sujeita a ação dos ácidos e submetida
A cocção dentóide que o dentista profissional
Que trata das moléstias  o odontologista não
Evita mais e nem o dentirrostro que tem o bico
Dentado a dentina marfim dos dentes que fica 
Sob a camada de esmalte e circunda a polpa
Dentária nunca mordi a fatia do bolo nunca bebi
Do leite da mamata nunca marquei gol na jogatina
E nem criei negócio com a negociata então não
Venha com o dentilhão não venha sobre mim com a 
Pedra que ressalta de uma parede a indicar que a 
Construção continua em cima de mim do meu
Conceito e percepção.

Quero deixar bem claro que isto não é um romance; RJ, 0140601980; Publicado: BH, 0180202013.

Quero deixar bem claro que isto não é um romance, 
Quero deixar mais claro ainda, que também não é 
Um diário e nem mesmo sei o que é isto; é apenas 
Um passar de tempo, penso; desde menino, quando
Não tinha nada para fazer, ouso escrever; agora se me 
Pedirem para definir tudo que já escrevi em toda a 
Minha vida, ficaria louco, maluco, mais doido do que já 
Sou; e não sou um demagogo e não quero ser um 
Demagogo; procuro o máximo possível evitar a 
Demagogia; tento ser aquilo que sou, tento ser aquele 
Que sou, sempre fui e que sempre quis ser: nada; 
Não me importa os adjetivos que vão usar sobre mim
E nunca me importou aquilo que falam e que usam sobre 
Mim; o que realmente me importa é o que faço, penso e 
Falo; o resto mando á merda; quando comecei a escrever,
Tentei relatar um fato acontecido num ônibus, com uma 
Mulher grávida; depois fui a divagar e a devagar, e acabei 
Por me perder em divagações; aqui me encontro, 
Totalmente fora do caminho e da linha que tentei seguir 
Desde o início; ainda não consegui encontrar o fio da 
Meada e espero que se tiver alguém a ler até aqui e agora 
Que esse alguém por favor tente me ajudar; não preciso 
Dizer que desde já vou pedir desculpas pelos erros de 
Português, pelas discordâncias, pela falta de assunto, 
Pela má qualidade da minha caligrafia e por tudo em 
Geral; sou um amador e me encontro perdido comigo 
Mesmo; já se viu que, urgentemente, preciso de ajuda,
Se tiver algum voluntário a querer me ajudar, que por 
Favor, faça isso imediatamente; serei muito grato e 
Por toda a minha curta vida, não saberei esquecer 
Essa ajuda e a minha gratidão será cada vez maior e 
Eterna; muita gente anda a pensar e a dizer por aí que
Sou vermelho, que sou comunista etc e tal; e não sou
Comunista e não sou vermelho, não e nem sou 
Socialista, nem nada; e não sou capitalista e nem 
Imperialista, não sou racista e nem sou nazista; e não
Sou fascista, não sou discriminador e nem sou terrorista;
E não sou anarquista e nem sou sequestrador; não sou 
Torturador e nem sou militar e nem soldado e nem 
Marinheiro e nem aeronauta; e não sou nada, não sou 
Revolucionário e nem sou conspirador; e não sou líder 
De nada e nem de movimento algum; não tenho
Correntes e nem tendências políticas; e não sou 
Católico, não sou protestante, não sou religioso e nem 
Tenho religião; e não tenho seita e nem tenho sociedade
De espécie alguma; não quero é ser egoísta e nem 
Individualista e nem egocentrista a falar só de mim, sem 
Chances às outras pessoas; vou abrir um parenteses e uma
Pausa, quem quiser falar e escrever sobre qualquer tema, 
Palavra e escrita francas, que o faça (), ... pausa; espero 
Que os parenteses e a pausa não tenham sido pequenos 
Demais; não importa o tamanho, o que importa é a 
Oportunidade concedida; que cada um aprenda a 
Aproveitar bem a única boa oportunidade que a vida 
Oferece; que o destino oferece; e vou ser franco, a vida e o 
Destino me ofereceram várias oportunidades e não soube 
Aproveitar, não soube aprender as coisas da vida e do 
Mundo; gostaria que esta escritura fosse agradável a todo 
Mundo, sei que não esta a ser e muita gente já parou na 
Terceira página; sei que é chato perder tempo e ficar a 
Ler estas coisas que nada vão acrescentar de bom e de 
Progresso na vida de cada um; estou de pleno acordo 
Com os que pararam de ler antes da hora e agradeço a 
Atenção por eles dispensada até aonde leram; para mim 
Já é alguma coisa; o que gosto mesmo é de ouvir uma boa 
Música clássica; não vou dizer que sou profundo conhecedor 
De música clássica, gosto de ouvir um Mozart; tanto seus 
Concertos, como suas sinfonias; gosto de ouvir um 
Beethoven, Shumann, Antonio Vivaldi, Hachmaninoff,
Mendhelson e as belíssimas valsas de Strauss, não tenho 
Preferência; o que me fizer arrepiar primeiro é o que é o mais 
Bonito; gosto de um Verdi, Tchaiskoviski ( sei que 
Está errado), Franz Shubert e muitos outros; o que me deixa 
Impressionado são esses gênios, cujas composições são 
Imortais; tu morres, porém essas músicas, concertos,
Fugas, serenatas, sonatas, sinfonias, ficam aí, aqui, acolá, 
Para comprovarem a imortalidade desses grandes gênios.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Meu bem me perdoa e perdoa o meu coração; RJ, 0140601980; Publicado: BH, 0180202013.

Meu bem me perdoa e perdoa meu coração
E perdoa a minh'alma e meu espírito e perdoa 
Meu ser e meu pensamento e perdoa meus 
Atos e meus gestos e meus jeitos e sei que vai 
Ser difícil para ti e me perdoa mesmo assim e tu 
Bem sabes que estou à beira do abismo e mais 
Um passo e serei um morto sem direito à 
Ressurreição e serei um cadáver a cair num 
Abismo sem fim e a me apodrecer a cada 
Movimento da queda e a me perder a cada 
Onda sonora do grito macabro emitido pelo 
Corpo podre que se lançou no espaço e me 
Perdoa meu bem e te imploro de joelhos e meu 
Coração já explodiu de tanto pecado e não 
Existe mais restauração para mim e tentei fazer 
Um transplante mas não encontrei ninguém
Disposto a me doar um coração e o mais doente
E pior dos homens se negou a dar-me o seu 
Coração e falou que daria seu coração a um 
Cavalo ou a um jumento ou a um burro ou a um jegue 
Ou a outro animal qualquer menos a mim e que 
Por ele padeceria pela vida e pela morte sem 
Coração sem alma e sem espírito e sem ser e 
Sem nada e engulo a língua nos momentos em 
Que mais preciso dela e me enrolo todo e gaguejo
E perco a fala e fico igual mudo e surdo e cego
E criança desamparada que perdeu pai e mãe 
Em dia de feira e sabes vou ser franco contigo 
Não sei se o meu bem me perdoou e tomara que 
Tenha perdoado e quem dera que todo bem 
Perdoasse outro bem e quem dera e quando mataram
Kennedy quase morri também e era guri na época e  
Não vou mentir mas quando mataram Kennedy
Parecia que tinham me matado e para matar um
Homem tal o Kennedy o cara tem que ser 
Extraterrestre e tem que ser de outro mundo e 
Não sei onde estava com a cabeça o fanático 
Que atirou em John Kennedy e deveria estar com a 
Cabeça no mínimo num vaso ou num penico bem
Cheios de bosta e não pode ser chamado de ser 
Humano quem atirou em John Kennedy e depois 
Mataram o Bob Kennedy e o Nixon por exemplo 
Ficou aí vivo e com saúde com toda a sua 
Corrupção e assim é um mundo e assim é uma vida e
Assim é o mundo e assim é a vida e assim é uma 
Morte e assim é a morte e meu sonho real é um dia 
Poder conhecer o Brasil e conhecer o Brasil de 
Cabo a rabo e todas as suas cidades e capitais e vilas e 
Lugarejos e povoados e todos os seus recantos e 
Meu sonho é conhecer o Brasil da Amazônia ao 
Rio Grande do Sul e sem esquecer um palmo sequer 
Dos lugares por aonde passar e provar suas
Comidas típicas e regionais e suas cachaças e seus 
Folclores e tudo mais e provar suas mulheres e tudo 
De bom que esta terra pode oferecer e meu sonho é
Conhecer este país do mais profundo sertão e da 
Mais densa mata à mais nova e linda cidade e meu 
Sonho é conhecer todos os estados e todos os 
Municípios e todos os becos e corredores e ruas e ruelas e 
Vistas e esconderijos deste meu Brasil e gostaria de 
Desvendar todos os mistérios e todas as 
Descobertas desta imensa terra e enquanto isso no 
Sertão a seca mata o sertanejo e o gado e o índio é
Expulso de suas terras e o povo é explorado e morre 
De fome e fome é palavra maldita e os boias frias 
Morrem nos trabalhos e os andarilhos se perdem nas
Estradas e as prostitutas se apodrecem nos guetos e os 
Menores abandonados se corrompem no seio desta 
Sociedade e enquanto isso o rico está cada vez mais
Rico e o pobre está cada vez mais pobre e o país está 
Cada vez mais nas mãos das multinacionais e dos 
Especuladores e dos entreguistas e dos traidores e
Enquanto isso esta nação se afunda no seio da sua 
Corrupção e da sua perdição e um país tão grande e 
Belo e que não tem o povo que o merece e que
Nem sabe ver o verdadeiro caminho que vai levar este 
País à sua verdadeira independência e felicidade e este 
Povo não pode ser ignóbil e nem inútil a viver de imitar 
Modas e outros trejeitos de países mais evoluídos e se 
Todos nós voltássemos nossos olhos para nosso próprio 
País realmente ninguém ia segurar esta nação e não 
Viveríamos só de slogans e de propagandas que não
Refletem a nossa verdadeira realidade.

Já notei que hoje não estou com saco para nada; RJ, 0140601980; Pulicado: BH, 0180202013.

Já notei que hoje não estou com saco para nada, 
Estou desanimado e não encontro nada para me 
Animar, bati uma punheta e continuo ansioso; e não 
Consigo escrever nada e tudo me parece taciturno; e 
Estou de mau humor e triste, hoje é sábado, não 
Encontro diversão alguma; até com a minha mulher
Já entrei em atrito, algumas vezes; continuo 
Desempregado e sem dinheiro e quem sustenta a 
Casa é praticamente ela; praticamente não, vou ser 
Mais claro, quem sustenta a casa é ela; é ela que 
Faz tudo e compra tudo; fico a coçar o saco o dia 
Todo; penso que é isto que me deixa aborrecido e
Taciturno e de mau humor; e sei sinceramente que
Não gosto de ser assim; e sei que meu estado de 
Espírito é outro, totalmente diferente deste que 
Apresento; penso que agora é procurar a minha 
Mulher e tentar fazer um amor com ela, para ver se 
Passa esta tensão: favor não confundir; quero fazer 
Amor porque geralmente, depois do amor, me sinto 
Outro; sem aborrecimentos, sem ansiedades, sem 
Cansaços, sem nada, calmo e tranquilo; a melhor 
Coisa que se tem, quando não se tem nada para
Fazer, é fazer amor; e gosto de fazer amor e amo 
Fazer amor; gosto de gozar muito e me sentir bem 
Leve; pena que consigo gozar poucas vezes, mas, 
Mesmo assim procuro fazer amor o mais possível; 
Principalmente ao tentar recuperar o tempo perdido; 
Vim fazer amor de verdade, quando completei a 
Idade de vinte e cinco anos; quero dizer que tenho 
Que tentar recuperar alguns anos perdidos de amor
E de gozo e orgasmos; é para ter esta compensação, 
Que tento fazer amor o máximo possível; mesmo assim, 
Sempre fico no meio do caminho e nunca consigo o 
Máximo do orgasmo e o auge do prazer e do amor; só 
Não posso deixar é a monotonia tomar conta de mim;
E nem o desinteresse me levar ao abandono da prática
De amor; e sempre procuro fazer amor, então, pelo menos 
Uma vez por dia e todo dia; não paro nem nos dias em que
A minha mulher se encontra menstruada; fora a masturbação 
Que faço de vez em quando para dar uma variada.

Chego às vezes a me masturbar; RJ, 0140601980; Publicado: BH, 0180202013.

Chego às vezes a me masturbar 
Duas, três, quatro vezes por dia; 
Porém, as ainda não dominei, na arte 
Da masturbação, a arte de me masturbar e 
Faço isto desde de criança; para mim tudo 
Tem que ser arte, até para se masturbar, tem 
Que saber e ser artista; gosto muito de crianças
E se tivesse condição e uma boa estrutura, seria 
Pai de muitos filhos; uma das coisas que me leva
A não ser pai, é justamente o desequilíbrio que 
Ando com ele; sem condição de nada, sem amparo
E assistência médica e dentária, sem seguros, sem 
Dinheiro, sem um bom emprego, sem casa própria,
Nunca vou querer ser pai, nestas condições; não vou 
Querer que filho meu venha pagar por aquilo que não 
Deve; não quero que filho meu venha sentir na carne
A minha irresponsabilidade, a minha falta de sorte,
O meu azar, a minha inconsciência; não quero que 
Filho meu venha chorar mais tarde e me jogar na 
Cara que não tive condição de dar a ele uma vida 
Decente e digna de um ser humano; se um dia vier
A ter um filho, quero que ele tenha tudo de bom, 
Todo o conforto e assistência necessária; alimentação 
Básica, boa alimentação, roupas, sapatos, brinquedos, 
Diversão, passeios, viagens e festas, amor, carinho, 
Paz, tranquilidade, muita saúde, inteligência, vida boa, 
Boa vida e tudo mais que preciso for para fazê-lo feliz
E digno de si mesmo e de me chamar de pai; filho é 
Uma dádiva de Deus, uma herança que caiu do céu e 
Todo cuidado é pouco; ainda não sei quantos filhos 
Pretendo ter, mas não quero ter um filho só, não; creio
Que uns três ou quatro, já dá para se ficar feliz; e não 
Canso de afirmar de que sou pelo amor e pela paz; 
Não pretendo nunca parar e deixar de afirmar que sou 
Pelo amor e pela paz; e acredito no amor e acredito 
Na paz; e não acredito nas guerras, não acredito na 
Terceira grande guerra mundial e tenho plena certeza e 
Consciência de que um dia todas essas armas e essas 
Bombas pelos homens construídas, não terão utilidade 
Alguma; tenho fé de que esses exércitos e esses 
Soldados ficarão abandonados e a apodrecer 
E a envelhecer, sem usos bélicos e violentos, paz!.