terça-feira, 20 de março de 2018

LLEWELLYN MEDINA, Sobre um poema de Drummond


Sobre um poema de Drummond

A mim também Ele me deu esse amor experimentado
áspero e rugoso  couraça impenetrável de jabuti
suave e mágico roçar da brisa na relva matinal

esse amor me faz desejar o úbere da terra maternal
que minha última seja a lembrança dele
se de mim for levado esse anseio de amor perene
nada restará e tudo aquilo que sou nunca fui

esse amor no tempo de maduro desesperançado
cultivado com ardiloso engenho donaire sutil
olhar enfeitiçado sorriso alegrado
para que os dias frios e sombrios que se adivinham
avizinhem-se sem borrasca
pois são certos e hão de vir

parece contrariar a natureza das coisas
essa tepidez outonal que me enleva docemente
faz renascer sentidos que cria não mais sentidos
aquelas lendas que os antigos costumam guardar


esse amor de anos tardios Deus me deu
quando impôs Sua mão sobre mim
e tornou encantado o tempo
e agoniza meu respirar

esse amor sereno e constante
nesses meus dias de esquecimento
que esse amor de outono me aqueça
o inverno chega certo

e não é certo que amanheça.

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