domingo, 31 de janeiro de 2016

Não quero ser nada e não nasci para ser ao não ser; BH, 01º01102012.

Não quero ser nada e não nasci para ser ao não ser
Nada e faço questão de morrer, para não ser 
Nada; que mania que todos têm de quererem ser
Todos? não quero ser nada, já disse que não 
Quero ser nada e deixai-me ser nada sozinho;
Quereis tudo, quereis ser tudo, mas, há os que
Não querem ser nada; há os que só encontram-se
No nada, não fazem o bem e nem fazem o mal,
Não são os bons e nem são os maus; e penso 
Que nasci desses raros tipos de espírito, quanto 
Mais luz, mais procuram as trevas; quanto mais
Claridade, mais esquivam-se para os breus das
Absurdidades; se quiséreis as minhas negras
Letras, as ofereço-vos e se quiséreis as minhas
Malditas palavras, acalentai-vos com elas,
Sejais tudo que tiverdes de ser; tenhais tudo
Que tiverdes de ter, não causais-me nenhuma
Inveja e nem cobiça; toda bola que chuto, bate
Na trave e toda bolada que levo, é no saco,
Toda porrada é na cara; meus pés descalços
São pisados por tacões de botas e minhas 
Costas retalhadas a açoites, vergões, chicotes,
Chibatas; nunca, aqui, quis ser nada, para 
Não precisar contar uma história, uma 
Vantagem e para fazer qualquer um de nada; 
Há sempre alguém para contar uma história,
Há sempre alguém para contar uma vantagem,
Para pisar em pés descalços com tacões, 
Para retalhar costas amarradas em pelourinhos
Com relhos, cabrestos de aço, para não ser
Nada, o que é que eu faço? 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Tu quem és? que queres aqui?BH, 01º01102012.

Tu quem és? que queres aqui?
Não te conhecemos, quem és? dão-me a 
Alcunha de poeta, uns, outros, de 
Bardo e aedo; dão-te essas alcunhas,
E tu, o que nos dizes tu? nada
Tenho a dizer-vos, nasci mudo de infância, 
Falo pelos olhos, cílios, pestanas, orelhas;
Mas, não nos respondeste, o que queres
Aqui? nem sei o que é isto aqui e 
Quanto mais o que quero, o que quero 
Procuro desde que morri e desde que virei esta
Coisa indecifrável, que nem eu mesmo
Sei o que é, em qualquer lugar em que
Paro para abastecer-me de provisões,
Há sempre arguições; levas drogas contigo,
LSD, maconha, peyote, cocaína? não,
Nenhuma, nada, dessas não, as drogas
Que levo comigo, são as drogas das minhas
Letras, as drogas das minhas palavras, das 
Minhas escritas, com as quais, tento 
Viciar a mim e a outrem; acenderei a 
Luz para que possamos enxergar-te melhor;
Não, sou fotofóbico, contraio-me, retraio-me
Na presença da luz e só sinto-me em 
Segurança no escuro onde estamos; mas, não 
Temos assim tanta abominação pela luz 
Como tu, um pouco de luz até reanima o 
Nosso semblante; o meu a luz apaga ainda mais
E a total penumbra protege-me, as sombras
Escondem-me; acomoda-te a um canto, 
Velaremos-te, provaremos do sabor 
Amargo das tuas drogas, sentiremos o 
Efeito e seguiremos junto contigo, no 
Amanhecer, ao rumo do fundo da inexistência.  

Estava a pensar na vida e a coçar o saco; BH, 01º01102012.

Estava a pensar na vida e a coçar o saco,
A tirar melecas do nariz, ceras dos ouvidos,
A peidar baixinho, a esfregar a testa e a 
Careca oleosas, a observar o desfile das 
Bundas alheias, quando para em minha 
Frente, do outro lado da rua, luxuoso
Automóvel, do tipo importado da América;
Dele desce uma vistosa senhora em trajes
Elegantes, a chamar-me a atenção pela 
Beleza; quando dou-me por mim, percebo
Boquiaberto, que ela vem justamente
Em minha direção; e com um terno olhar,
A emoldurar um sorriso de criança: 
Boa-tarde, senhor, boa-tarde senhora, 
Preciso urgentemente de um figurino
Para fazer um papel de papai-noel, o 
Senhor se habilitaria? senhora, se for 
Para alguma fantasia sexual que a senhora
Queira realizar, não terei a menor dúvida; 
Não meu senhor, obrigada, era para uma
Festa infantil, para o Natal; agradeço 
Também à senhora e nesse caso lamento
Não poder ajudar, detesto Natal, papai-noel,
Ou qualquer trama urdida por mercadores
Judeus, para se enriquecerem às custas
Do pobre e inocente povo; e as crianças, 
O senhor não pensa nas crianças? também
Sou uma criança, nunca o deixei de ser; 
A bufar, afastou-se a puxar os rabos do 
Meu olhar, para o belo rabo que a seguia,
Em direção ao suntuoso automóvel.   

Sabes aquela estrela extinta situada; BH, 03001002012.

Sabes aquela estrela extinta situada 
Na parte mais obscura das trevas do universo,
Que a luz parou há séculos de viajar 
Para a Terra, aquela estrela sou eu;
Água só havia quando chorava e há
Milênios parei de chorar; rochoso, de 
Frio tão denso, que as pedras que formam
Minhas rochas, são semelhantes a blocos de 
Gelos negros; ar, nem o rarefeito, ou o 
Mais poluído e o mais contaminado
Dos ares; a possibilidade aqui é que 
A Teoria da Relatividade seria 
Impossível e a vida possível, nem a mais
Impossível das vidas; a força de 
Gravidade, as leis de atração e repulsão,
Ação e reação, ou qualquer outras
Demais leis, pela inexistência, não
Formam nenhuma conjectura; ciência,
Das ciências, nem a maior das paciências,
Ou a melhor das tolerâncias; órbita da 
Arrogância, elipse da ignorância, rotação
Da estupidez, translação da falta total de 
Todos os princípios; que passarinho corajoso,
Aquele que acabei de ver voar no meio da 
Tempestade, a ponto de ser atingido por um 
Raio; muito audacioso, muito ousado, enfrentar
Assim de peito e asas, tormenta tão escabrosa;
Mas, aquela estrela lá naquela coalhada
Coagulação de sangue universal, sangue que
Faz lembrar lama de fundo de vulcão,
Aquela estrela, meu irmão, sou eu que, 
Arrasto os joelhos nos penedos, a 
Deixar os meniscos agarrados por troféus.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Há muito tempo não tenho mais nada para dizer; BH, 03001002012.

Há muito tempo não tenho mais nada para dizer
E para que dizer se as flores dizem tudo? há 
Muito não tenho mais nada para pensar e para
Que pensar, se olho o firmamento e o 
Firmamento pensa tudo e é tudo que pensa? 
Há muito tempo não tenho mais nada para
Imaginar e para que imaginar, se quando 
Sondo o universo, o universo é tudo que 
Imagino? por isso calo-me diante de uma flor
E passo por morto de barriga para cima 
Estendido numa relva, a olhar o firmamento
E sinto-me fora do corpo ao sondar o universo;
Há muito tempo não tenho tempo para nada,
Nem para Deus, só para as minhas poesias,
Meus poemas e as minhas odes sensacionais
E é com sensação que digo isso, pois não há
Sensação maior do que fingir de morto,
Enquanto vive no infinito; é prazeroso
Demais fingir de morto, enquanto converso 
Em colóquio com as constelações; e as 
Galáxias citam para mim o que tenho que 
Ditar aos espíritos; e os espíritos prestam
Atenção quando falo, pensam que estou
Morto e que falo para eles em espírito; 
Há muito tempo não tenho nada para dizer
Aos vivos e depois que descobri o mundo dos 
Fantasmas, não quero falar com outra coisa.

Todos os rios são feitos de lágrimas; BH, 03001002012.

Todos os rios são feitos de lágrimas, 
Lágrimas de choros da pré-história,
Da história e dos anais que geraram
As sagas das civilizações; todos os rios
São feitos de choros, choros doces de cristalinas
Lágrimas que, ao empoçarem aqui
E ali, formaram os lagos e as lagoas;
Já as lagrimas das criancinhas, formaram
Regatos, riachos, arroios, ribeirões e 
Outros riozinhos de cidadezinhas esquecidas
Dos interiores, riozinhos das aldeias 
Mais distantes, nos rincões das matas 
Perdidas; já as corredeiras, as cascatas,
As cachoeiras, as cataratas, são prantos
Me mulheres apaixonadas, mulheres 
Que amaram de verdade e que ajudaram
A inundar os mares e os oceanos; e mais 
Triste do que o choro de uma mulher 
Que ama, é só o choro de mãe quando
O filho vai embora, ou quando a mãe 
Perde o filho; e todo filho é ingrato,
Qual todo marido que não corresponde
À entrega da mulher que o ama; e as 
Fontes? as águas que formam as fontes
São lágrimas de virgens, as mais puras
Virgens; e os pantanais, os lodaçais,
As lamas, são feitos de lágrimas de 
Putas, meretrizes, traiçoeiras concubinas;
As lágrimas dos homens formam chuvas
Ácidas, pois são lágrimas falsas, lágrimas
Sem choros, prantos, ou lamentações; o
Homem que quer tudo egoisticamente, 
Não sabe dar nenhuma lágrima ao sol
Poente, é um choro de ser indigente.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Estamos aqui na terra e é aqui; BH, 03001002012.

Estamos aqui na terra e é aqui
Na terra, com os pés no chão dela que, 
Avistamos as visões celestiais; e que visão
Celestial maior do que um beija-flor,
A plainar ali, a poucos metros do chão?
É aqui, vivos aqui, que temos a ideia 
Do firmamento, do azul divinal; que 
Impressão maior do que essa borboleta,
Que passa a voar agora, ao redor de 
Mim? são as almas do paraíso e que nunca
Serão expulsas do Jardim do Éden; que 
Compreensão melhor de Deus teremos do 
Que essa joaninha? e do sabiá corredor,
Que encolhe o pescoço para correr melhor?
Estamos aqui na terra vivos e só quero
Reminiscências de Deus enquanto vivo,
Depois que morrer, não quero mais ter 
Sensações divinas; e que sensações mais
Sensatas do que essas que a natureza 
Põe a se manifestar e a fazer performances
A nos atestar essas visões celestiais? estamos
Aqui na terra, limitados pela linha do horizonte
E por mais que espichemos o pescoço, não
Conseguimos transpô-la, nem em ser,
Espírito e alma; aproveitemos o tempo 
Que passaremos aqui e olhemos as visões
Celestiais, as vistas divinais, as belas
Paisagens, pois depois de mortos, seremos
Apenas olhados antes de sermos enterrados,
Ou incinerados; estamos na terra, a 
Terra está em nós e se sairmos da terra,
À terra voltaremos em forma de terra.

Mestre o que tens a dizer para quem; BH, 03001002012.

Mestre o que tens a dizer para quem
Quer iniciar na difícil tarefa da arte
Do escrever? é pensar, noviço, é 
Pensar, carola, pensar aí, algo fora 
De série, algo extraordinário, 
Assombroso; Mestre, mas, penso;
Pensas que pensas e pensar não é 
Pensar que pensa, não é isso
Não, é tarefa árdua, e depois,
Passar o pensamento ao papel, é 
Outra situação complexa e tens que
Ser sobrenatural; e conseguirei 
Captar as letras e as palavras certas?
Nas primeiras lidas, não, terás que 
Tentar infinitas vezes, treinar 
Eternamente e repetir toda uma 
Posteridade e teimar até que consigas
Formar o que possa ser definido pelos
Especialistas como escrita; penso que 
A tal tarefa da escrita é muito ingrata,
Inglória; acertaste, é necessário muito
Conhecimento histórico, muitas 
Leituras dos clássicos consagrados,
Aliadamente com boa inspiração, 
Uso da criatividade, busca da 
Imaginação, com descobrimento de 
Temas essenciais e técnicos que, 
Agradem aos futuros críticos; Mestre,
Se seguir assim, os teus conselhos,
Poderei enfim, criar uma obra-prima,
Ou uma obra de arte? penso que terás 
Que comer muita poeira, ruminar
Muita erva daninha, descobrir o 
Caminho para tirar leite das pedras
E o mel das abelhas africanas com as
Mãos, sem ser picado; Mestre, muito
Obrigado, deste-me uma luz e já 
Sinto-me iluminado, agora é 
Amadurecer o meu traçado.  

Os cegos enxergam com os fundos dos olhos; BH, 02801002012.

Os cegos enxergam com os fundos dos olhos,
Por detrás das retinas; os cegos enxergam
Com os poros, com as entranhas, com as 
Medulas e os tutanos dos ossos; os cegos 
Enxergam com os elementos dos organismos,
Com a química destilada pelos órgãos, com o
Metabolismo e a adrenalina; quem enxergava
Mais do que Homero, Borges e outros cegos
De nascença? os cegos enxergam para o lado
De dentro das trevas e não têm medo do 
Escuro e nem de assombrações; todo 
Sobrenatural habita dentro dos cegos e nas
Sombras, nas penumbras, os cegos se sentem
Em casa;os cegos não sofrem o nosso 
Processo acelerativo de degeneração; a 
Sociedade, a mídia bovina não escravizam 
Aos cegos e nem os fazem de cativos, como 
Querem fazer conosco, que somos todos 
Escravos, cativos do sistema, do estado, da 
Mídia opressora; a nossa escravidão inda não 
Acabou e nem demos o nosso grito de 
Independência, liberdade, autonomia; os 
Cegos não são autômatos, são autônomos,
Perceptivos, sóbrios, lúcidos, corajosos,
Acima de tudo corajosos; os cegos não são
Covardes, são moderados, educados e 
Solidários uns com os outros; os cegos 
Enxergam com os fundos azuis dos olhos
E a cor predileta dos cegos, é justamente
A cor azul do firmamento que não podem ver,
Pois têm consciência do que está dentro deles.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Muita loucura é muita loucura dentro; BH, 02801002012.

Muita loucura é muita loucura dentro
Do ser, não explico, Erasmo tentou
Explicar e é muito complicado; mas,
Nesta pequena biografia, a loucura
É muito grande; doença, desequilíbrio,
Esquizofrenia, não sei; mas, sou maluco,
Moleque, doido, muito doido mesmo
Por dentro; é a explicação que 
Encontro, é o diagnóstico que vejo,
Alienista e alienado; penso que talvez
Seja pelo fato de ser povoado e povoação
De muitos antepassados; e quando se 
Manifestam, o único que está livre,
Está desocupado, sou eu e deixo 
Que comandem minha mão ao bel 
Prazer, a encher laudas e laudas
Com tudo que têm a dizer e com esta
Miscelânea, tudo passa a parecer coisa 
De doido, louco, varrido, maluco e
Mentecapto; um pega minha mão e 
Diz: escreve aí assombração sobrenatural;
Outro puxa minha mão: não, escreve
Aí fantasma solitário e mais outro vem
E subitamente, a espumar, escreve aí
Ectoplasma desesperado e haja mão para
Todos e tudo parece psicografado;
E cada um tem mais coisa para dizer,
Do que quando estava vivo: escreve aí
Minha pequena biografia póstuma;
Louco, se trabalhasses, não te 
Procurariam tanto assim, sabem que 
És vagabundo e sem-vergonha e 
Enchem teu saco de loucuras.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Grandioso es tu. hino com letras

Paul McCartney Mull Of Kintyre-Original Video-HQ

O sonho de todo sonhador e pensador; BH, 02801002012.

O sonho de todo sonhador e pensador,
Contestador, aventureiro, devia ser o
De deixar uma obra-prima para a 
Humanidade; a razão de cada um da 
Raça humana deveria ser a de deixar 
Uma obra de arte para a humanidade;
Para que que as pessoas têm de fazer
De tudo para lotar as cadeias, os presídios,
As penitenciárias? bom seria se lotássemos
As bibliotecas de obras-primas, as 
Galerias de obras de arte; para que 
Tanta delegacia, meu Deus do céu?
Para que tanto reformatório? duvido,
Se cada um pensasse mais em se dedicar
Em compor uma obra-prima, em realizar
Uma obra de arte, as cadeias ficariam
Vazias, as penitenciárias abandonadas
E os presídios na solidão; penso, que, 
Aprendi a ser um perseguidor de 
Obras-primas, um descobridor de obras 
De arte; nem as mulheres procuro 
Tanto quanto procuro essas obras; e 
Fico satisfeito sim, fico indignado é 
Com a injustiça, os corredores da 
Morte, com os políticos da má 
Política; fico indignado é com quem 
Faz de tudo para transformar-se 
Num membro da população carcerária;
Procurais incentivar-vos em oração 
Todo dia, não em ganhar o pão, mas, 
A obra-prima, a obra de arte, que é o que 
Realmente, pode salvar o homem 
Da condenação final.

Eric Clapton - Lonely Stranger [mtv unplugged]

Eric Clapton - Old Love

Running on faith eric clapton unplugged

Eric Clapton Got You On My Mind

Qual a causa para não ser educado; BH, 02801002012.

Qual a causa para não ser educado,
Moderado, sóbrio? para que fugir da 
Lucidez, da razão, da noção? os velhos
Caquéticos senis bebem demais, comem
Em demasia e não querem passar mal
Depois; bom é aprender a viver mesmo
Depois de velho e a sabedoria de um 
Velho ontem para mim foi fundamental: 
"Não sinto ressaca, pois bebo todo dia"; até
Sorri e o velho continuou: "faço esta
Emenda: bebo pinga, cerveja e não 
Consigo ficar de ressaca, não dá tempo"
E falou sério, a fumar cigarros paraguaios;
Não fumo mais e gostaria de moderar-me
Nos goles, bebo e a sede aumenta, torno a 
Beber e a sede aumenta mais ainda;
E já que sou meio aéreo, fico mais
Bêbado e acabo de estragar-me; mas, 
Os velhos foram feitos para beber e a maioria 
Dos velhos que conheci, tinha mais 
Sede por álcool, do que por água; 
Constatei durante treze anos em 
Que administrei bares, velhos fugiam
Para beber e as filhas vinham desesperadas
Atrás; velhos que bebiam, caiam, machucavam
A cara e os filhos vinham saber se tinha 
Sido pancada, porrada de alguém, se 
Alguém bateu neles, era duro atender 
Velhos em bares; bem, mas qual é a 
Causa para não se ter educação nas 
Coisas, nos atos, nos gestos, nos jeitos?
Educação, há por aí alguém que saiba 
O que é educação hoje?

Há quem olha para o nada e não; BH, 02801002012.

Há quem olha para o nada e não 
Vê nada e há quem olha para o 
Nada e vê tudo; o nada está 
Cheio, composto, completo e no nada
Estão os espíritos, os fantasmas, os 
Seres aprisionados, acorrentados,
Algemados, amarrados, cativos,
Escravizados; sempre vejo esses
Seres quando olho para o nada; 
Encaro-os frente a frente e sou 
Encarado; todos dizem algo ao
Mesmo tempo, mostram as amarras, as
Correntes, as algemas; ditam ditos, gostam
De olhar e de serem olhados de 
Fundos de olhos para fundos de olhos;
E ditam ditos ao latejarem e enfeitam
Vitrais, paredes, muros, monturos; chamam
A atenção ao reverberarem no vácuo e 
Contam contos, cantam cantos, ladainhas
E outras manifestações; todas as performances
Deles são para serem observadas e muitos, de
Letras em letras, pedem para fazer dunas
De palavras; sirvo-os o que tenho e 
Camuflo com o nada, para os conhecer
Melhor; todo silêncio é pequeno e ao
Perceberem que são percebidos, despercebem
E haja eternidade para retornarem a vibrar;
E olho, olho, olho e estão estáticos, bocas
Abertas, bocas fechadas, olhos parados, cabeças
Viradas, mãos estendidas, braços erguidos,
Corpos postados, cores inócuas, incolores,
Multicores: há quem olha para o nada
E o faz posteridade, o perpetua na pele.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Hoje é domingo e céu azul sem nunvens; BH, 02801002012.

Hoje é domingo e céu azul sem nuvens
No firmamento, hoje é domingo dia de
Letras, de palavras, dia de poesias; sem
Rádio, sem televisão, sem computador, sem
Jornal, sem celular, enfim, sem mídia;
Hoje é domingo e não é dia de 
Nada disso, é dia de incrustar 
Poemas, facetar letras e polir palavras;
A todo lugar em que se olha, enxerga-se
As pedras preciosas que querem ser 
Colhidas; hoje é domingo, dia de sol
E tenho uma novidade, não estou
Deprimido, não chorei e nem estou
Abatido; e veio-me agora algo que, 
Aprendi com a minha mãe, que contava 
A história de uma freira, que agia,
Como se todo dia, fosse o último dia 
De vida dela; e aprendi assim, a pensar
Desta maneira, e vivo como se hoje,
Fosse o meu último dia de vida; e a 
Morte comigo terá uma certeza e uma 
Surpresa, a morte nunca me pegará 
Desprevenido; e nas reminiscências dela,
Sempre murmurará, esse cara está
Sempre a esperar-me, quero pegá-lo
Num dia em que estiver bem descuidado, 
Aí, dou o bote nele e o levo; hoje é 
Domingo e num dia assim, tão firme,
Muita gente pode morrer, mas quem está
Preparado, a saber que hoje é domingo,
Tem mais é que viver.

Negro raiou quando o sol no morro; BH, 02601002012.

Negro raiou quando o sol no morro
Escondeu-se, negro batucou, negro
Cantou, quando o dia morreu, a noite
Chegou e o negro viveu; viva eu, cantou
O negro, o samba de ocasião, viva eu
Na roda de bamba, que o samba é 
Coisa de negro, de batucada que 
Meninada não entra; mulatas de balaios
Nervosos em polvorosa colocam a malandragem
E os malandros mais espertos chegam perto
E quem risca o chão sem deixar
Riscado, é o bom malandro sorteado;
O samba só é samba num único 
Lugar, que as outras vozes queiram
Desculpar; podem até imitar, mas,
Fazer samba, igual faz o Rio de Janeiro,
Isto é difícil de se imaginar; e para
Representar esta grande nação, é 
O samba nas palmas das mãos;
Na escola, na mesa do bar, na
Madrugada, em qualquer lugar
O negro que cantar samba, vai raiar;
O negro raiou, quando o sol no morro
Escondeu-se , vai meu samba, transforma
A sociedade, Noel, Cartola, Candeia,
Filósofos de eterna mocidade, que 
Os discípulos e noviços, querem imitar
Com curiosidade, é só no samba que 
Se pode cantar com a liberdade; e Preto
Velho Benedito já dizia, tem uma 
Voz que vem lá da Bahia; vamos respeitar 
O samba é samba no terreiro, em qualquer lugar.

Samba alegria de um povo e bandeira; BH, 02601002012.

Samba alegria de um povo e bandeira
De uma nação, samba, hino nacional
De um país, causa de minha razão;
Não nasci batuqueiro, não nasci em
Terreiro, mas virei candongueiro, o
Sangue de tuas veias, é o sangue da
Minha inspiração; meu samba não é
De bamba, não é de partideiro, nem
Do Rio de Janeiro, mas é o meu
Samba brasileiro; é o samba que sei
Cantar, que sei compor e quero
Batucar, outro samba alienígena que
Não venha para cá; aqui nasceu o
Meu coração, coração de todos os
Escravos e cativos que batiam nas
Palmas das mãos; os meus ancestrais,
Que riscaram em minhas costas,
Estas notas desses sambas geniais,
Transformados de gemidos sofridos,
Em memoráveis carnavais; nossos
Corpos que serviram de tambores,
Para agradar nossos senhores, que a 
História não pode esquecer, da 
Senzala à casa grande, quem mais
Legado deixou, foi o samba que a 
Tristeza criou; agora é alegria em
Qualquer batucada, sempre a 
Comemorar o fim da escravidão e o 
Raiar da liberdade, até o nascer da 
Madrugada; samba, identidade de um 
Povo, olha aqui de novo, quero te 
Saldar e já dizia o Preto-Velho, o 
Samba não pode acabar.

Sento-me à mesa como se fosse fazer; BH, 02601002012.

Sento-me à mesa como se fosse fazer 
O primeiro almoço, o prato está à minha
Frente, vazios os dois; espero que seja 
Servida a refeição e não tenho fome,
Bebo do vinho e não como do pão; a refeição
Veio quente e chegou à minha boca fria,
Mais frio estava o meu estômago; imprudente,
Sirvo outra taça, o vinho tinge de vermelho o
Meu sangue; o pão amarga, molho-o no 
No vinho sangrento, levo-o à boca, vinagre; 
Com tanta luz, não enxergo nada, com tanto 
Calor, sinto frio; o garfo não saiu do lugar,
Olhei através da vidraça das salas, vi os 
Vitrais dos prédios, pessoas que nunca 
Pareciam ter comido comida, comiam 
Como se fossem comidas; perdido, perdi
A fome que não tive; o vinho não matou
Minha sede; bolo de levedo formou-se no
Estômago, deixei a mesa, fui à sala, como 
A porta estava aberta, se a havia trancado? 
Buzinaram no portão em frente, rangido,
Batido, latido; a tarde morria em agonia 
E em angústia afoga-me no tédio; vi com 
Ansiedade no olhar que inda estava
Sozinho e todos os olhares das janelas,
Olhavam-me reprovadores; o estômago 
Doeu, a trazer-me de volta à falsidade; 
Salivei como se fosse vomitar, mordi os 
Lábios, passou a ânsia; acendi aquele 
Cigarro que estava guardado há tanto 
Tempo na cigarreira; lembrei que 
Teria que passar à tabacaria, saí à rua,
A multidão engoliu-me e anônimo,
Anômalo, virei a esquina do nada.    

Não faz bem contar dinheiro e a avareza; BH, 02601002012.

Não faz bem contar dinheiro e a avareza
Aumenta, a mesquinhez dispara; não 
Faz bem contar os bens, a ambição só 
Cresce; é melhor contar estrelas que,
Aparecem apenas verrugas nos dedos;
E contar vantagens? qual a vantagem 
Em contar vantagens? bancárias? 
Financeiras? capitalistas? às vezes 
Pergunto sem obter respostas: para que
Levar a vida ao nível de uma ficção e 
Elevar uma ficção ao nível da vida? não
Sei o que vou contar, dinheiro não tenho
E estrelas não dá, vou contar conchinhas
Do mar, os grãos de areia das praias e 
As moléculas do ar; vou contar as pedras
Das pirâmides, de Machu Picchu, dos 
Castelos e das fortalezas medievais, 
Onde escondem-se corações virgens;
E as coisas que nunca vi, vou contar
E as coisas que vi, vou deixar para outro
Alguém contar; só vou contar o que 
Nunca ninguém teve para contar, o que 
Todo mundo tem para contar, não 
Interessa-me; a loucura é assim, com 
Seus elogios, ou sem seus elogios e 
Todo sonho de louco é louco, utópico,
Onírico; e toda loucura é bela, é 
Artística, com exceção da loucura pelo
Poder e pelo dinheiro; essas loucuras
Diminuem a humanidade e leva o 
Homem ao rés do chão; as loucuras
Que são ervas daninhas da raça 
Humana, do ser humano, devem ser
Afastadas, como o joio é do trigo.

Cidade Maravilhosa não mereces tanta; BH, 02601002012.

Cidade Maravilhosa não mereces tanta
Violência, qual a causa de tamanha 
Violência, num lugar que nasceu tão
Parecido com um paraíso? milícias, 
Paramilitares, traficantes, policiais 
Corruptos da pior espécie do país e 
Bandidos de todos os calibres, políticos
Sem escrúpulos e decoros; se pudesse
Descobrir a causa de tanta tragédia e 
Tivesse a fórmula de uma solução que 
Findasse essa eterna maldição carioca, 
Desenvolveria, aqui, um método para 
Pôr fim aos destinos malignos dessa 
Cidade Maravilhosa; o chato é que 
Todos querem cocaína, maconha, 
Drogas pesadas a qualquer custo e sem
Pensar nas consequências maléficas
Que o tráfico de drogas pode causar; 
Menino do Rio, vamos parar de cheirar,
Garota de Ipanema, vamos parar de 
Fumar maconha, de aplicar nas veias,
De tomar bolinhas, de queimar pedras;
Ela é carioca e por ser carioca, não 
Precisa ser drogada; quantas poesias 
Que há em Copacabana Princesinha do
Mar? quantos poemas no Pão de Açúcar?
Nos Dois Irmãos, Corcovado e mesmo
Nos bairros suburbanos do samba, e nos
Morros do funk e do rap? não é fácil
Largar os vícios e se viciar em cultura,
Em obras de arte, obras-primas e clássicas;
Não precisa nem apelar à religião, São
Jorge e São Sebastião; é só parar de 
Comprar o crack e fazer a cabeça com 
As belezas, as maravilhas desse berçário
De poesias vivas e de poemas imortais;
Minha ferida Cidade Maravilhosa do Rio de
Janeiro, não mereces malévolas maldições.

Ode à Alegria; BH, 02601002012.

Alegria, quero compor a minha ode a ti,
Alegria, maravilhado com as maravilhas
Que conténs, comporei esta ode
Endeusada a ti, deusa; e a mostrarei
Aos meus amigos, companheiros e 
Camaradas; subirei em altares, aras,
Púlpitos, pedestais e a cantarei em
Solo e em corais; queres saber a causa
Que endereçarei a ti esta ode? é que 
Cansei das elegias às tristezas; cantei
Tristeza desde o dia em que nasci e 
Há muito desejo mudar, enaltecer a 
Felicidade, viver a harmonia das 
Quatro estações; e hoje comecei uma
Vida nova, uma vida de compositor 
De odes; mudei de profissão, meu 
Papel agora será o de passarinho
Canoro; meu figurino será o de cantar
E levar a alegria a todos os seres e 
Criaturas; de manhã, igual aos pássaros
Que só cantam de manhã, de tarde,
Igual aos pássaros que só cantam de 
Tarde e de noite, imitarei aos pássaros
Que só cantam de noite; e todo os 
Pássaros só cantam à alegria, alegria, 
Passo a cantar todo dia, esta ode que 
Conta a beleza das tuas manifestações; 
A receba como a primeira de uma 
Série de infinitas odes que dedicarei 
A ti neste pequeno espaço de tempo 
Que é a minha vida, nesta pouca 
Lucidez que habita a minha alma
Embriagada e neste raro momento 
De sobriedade deste meu espírito ébrio. 

Inda não me veio uma boa ideia; BH, 02601002012.

Inda não me veio uma boa ideia
À cabeça, inda não cavei no veio da mina
E permaneço parado; não avancei,
Justamente, por ser a pedreira muito
Potente e todo o estoque de dinamite
Não foi suficiente para abrir o coração
Da montanha e fazer jorrar o sangue 
Amarelo; continuo a garimpar, é que,
Igual a todo mundo, quero encontrar
Tesouros; e hoje o garimpeiro está sem sorte,
Bateu martelo, bateu martelete, bateu
Marreta, picareta, usou escavadeira,
Enxada e enxadão e deu com a 
Cara no chão; nenhuma pepita digna 
De classificação; nenhuma pérola para 
Ser chamada de rara, ou um diamante
Eterno; o garimpeiro olha e vê na encosta
O pastor e seu rebanho; pensa que, em 
Lugar de lavrador, poderia ser um
Guardador de ovelhas, carneiros, cordeiros;
É ambicioso, quer sempre algo maior, é 
Insaciável e nunca fica satisfeito, quer 
Sempre ir mais profundo no fundo 
Do organismo das entranhas da 
Mina; quer se perder no labirinto,
Minotauro, sem um fio de lã para
Guiar-lhe; diferente daquele, que
Espera a luz do sol para mostrar-lhe 
Tudo, prefere procurar nas trevas, na 
Densa escuridão dos subterrâneos,
O veio mais sinuoso, por ter a certeza 
De encontrar a passagem secreta.

David Bowie - Lazarus

Nem parece que Jesus Cristo foi criança; BH, 02401002012.

Nem parece que Jesus Cristo foi criança,
Pois as crianças continuam a sofrer
Violências; será que, quanto mais 
Moderna a sociedade, mais evoluída
A humanidade, mais violentos ficamos?
O que nos leva a isso? quando não
É a morte individual de meninos e 
Meninas, é o extermínio nas guerras,
Nos atentados terroristas, nos campos
De refugiados, ou de fome nos 
Sertões das secas, nos rincões de miséria
E pobreza, nos países assolados por 
Tragédias civis; gostaria, de verdade, 
De ter uma solução para casos tão
Complicados assim; se soubesse de 
Rezas, se soubesse de orações, se 
Soubesse rezar, se soubesse orar e 
Tivesse a certeza, de que Deus atenderia
As minhas preces e os santo e santas e 
Os anjos da guarda protegessem as 
Crianças e evitassem que sofressem
Violências, juro que iria aprender a 
Rezar e a orar e a fazer preces e iria de 
Uma só vez perturbar a Deus, aos anjos
Da guarda, aos santos, às santas para 
Que pusessem fim, enfim, a qualquer 
Morte pueril; mas eu mesmo sou tão
Infantil, que não acredito que essas coisas
Se resolvam com Deus, santos, santas, 
Anjos, rezas, preces e orações; o que 
Precisamos é de tomar vergonha na 
Cara, proteger nossas crianças, punir com 
Rigor indeterminado, que as molestam, ou as 
Causem violências e impedir de todas 
As maneiras que tenham mortes tão precoces.

DAMARES MEDINA: Sobre nome, identidade e feminismo:



Sobre nome, identidade e feminismo:
Temos assistido a um levante que procura resgatar o papel da mulher na sociedade atual. Uma redefinição ou explicitação do que seria feminismo e uma conclamação a nos unirmos, a nós, mulheres, nos unirmos.
Confesso que sempre achei que o engajamento nessa temática atrairia para mim rótulos sectários e, em compensação, convivi, como todas nós convivemos, com a dura realidade de ser pelo menos 2x mais competente do que qq colega homem, para ter ao menos as mesmas oportunidades.
Ao parir uma filha mulher (sim, eu digo parir porque o nascimento de um ser humano é algo mais dramático e potente que o romantizado dar a luz... o que vc fez nos últimos 4 anos? Escreveu alguns livros? Concluiu o doutorado?... ok, eu fiz um ser humano! Sim! Eu fabrico humanos, concebo, gesto e após o parto... a humanidade tem sua chance de prosseguir!) Enfim... após ter uma filha mulher as questões de genero passaram a me tocar mais fundo e, há 2 dias, minha filha ingressou em um novo colégio!
Qual não foi o meu choque quando no registro colegial dela constava o nome: Sophia dos Santos... sim!
O primeiro e último nome (do pai) como é costume em várias sociedades...
Eu fiquei chocada pelo fato de em pleno 2016 acharem normal literalmente apagar o nome da mãe (recapitulando: que concebeu, gestou por 9 meses e pariu) do registro escolar...
Procurei a escola e expliquei que, lá em casa, ensinávamos nossa filha a prezar o feminino desde cedo e a enaltecer o papel da mulher na família e na sociedade, o que começava na importancia do nome da mãe e de sua família materna, uma questão de empoderamento...
Imediatamente o registro foi corrigido: Sophia Medina dos Santos (quando ela tiver idade escolherá qual sobrenome adotar, como eu escolhi o da minha mãe, ou do pai), mas...
O fato assustador é a naturalidade com que nós mães somos formalmente apagadas por convenções machistas que devem remontar à época que mulheres e seus filhos eram propriedades exclusivas dos homens...
Parafraseando o premier canadense: estamos em 2015...
Ops, já é 2016!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Eric Clapton - Pilgrim [Audio Fidelity Hybrid SACD] [Full Album]

Não é possível e não acredito e alguma; BH, 02401002012.

Não é possível e não acredito e alguma
Coisa precisa acontecer; é muita
Maldade, muita perseguição e a injustiça
Não poderá ficar, assim, impune; seria
O mesmo se quiséssemos incriminar
Che Guevara e Fidel Castro pelas
Mortes causadas na libertação e 
Independência de Cuba das 
Garras do regime imperialista; penso
Que é muita ruindade, é querer dar um 
Golpe branco, por não aceitar as coisas
Do jeito que elas são; atropelar um
Trâmite legal para atropelar as lideranças
Naturais de um partido, fazer política na 
Alta corte do poder, o que não é o papel
Determinado; usar de parcialidade, não
Apreciar as provas e a gora resta a 
Apelação às cortes internacionais, aos
Direitos humanos e à Anistia; é um 
Linchamento da história e não pode
Ser assim sem uma apelação superior;
Espero que todos apelem, que o 
Processo seja revisto sem influências 
Da mídia bovina e sem espetacularidade;
Outros réus em crimes mais hediondos 
Foram rapidamente beneficiados com
Habeas corpus preventivos e não serão 
Os nossos líderes que servirão de bodes
Expiatórios e nem carniças para os 
Abutres da burguesia e da elite insatisfeitas.

Vai demorar e o processo de maturação é ; BH, 02401002012.

Vai demorar e o processo de maturação é 
Demorado e não teimar em querer
Acelerar, pisar no acelerador, agir
Como age um celerado; o processo natural
É demorado e quanto mais perguntamos
Quando ficará pronto, tem-se a impressão,
Que mais lento fica; nunca vi coisa
Igual e a verdade é uma só, da gestação
Ao nascimento, tudo passa por um 
Figurino, uma cartilha, uma norma
Rígida a ser seguida; toda uma regra
De respeito e hierarquia e nenhuma fase 
Pode passar na frente da outra; se passar,
Degringolará e será nociva à humanidade;
Vai demorar e é melhor demorar, não 
Poderá ser usada politicamente e nem 
Religiosamente; não poderá ser feito 
Marketing e nem propaganda enganosa,
O alimento principal da mídia; vai 
Demorar, para a burguesia entender, 
A elite assimilar, vai demorar, é a 
Verdadeira emancipação do operariado; é
A chegada ao poder do proletariado e 
Saber que um membro trabalhador fez
Pela nação, mais do que todas as 
Forças do mal fizeram juntas em 
Quinhentos anos de dominação, para
Aceitar tal realidade, é coisa que 
Vai demorar; os historiadores sérios
Terão que reconhecer esse marco
Histórico, esse fato delineador e 
Deixarão de agir como se nada 
Acontecesse por aqui, a não ser 
O que é da vontade deles.

Eric Clapton - Back Home (Full Album)

Inda vou descobrir e vou martelar; BH, 0170702013.

Inda vou descobrir e vou martelar
Nesta bigorna, vou marretar nesta
Pedreira e vou descobrir; e mostrarei
A joia da coroa, a gema, o diamante mais
Valioso, a pedra mais preciosa; verei
A pepita de ouro maciço, a pérola
Mais perfeita; e tudo de teimosia,
Perseverança e insistência, vou
Persistir o quanto puder, nada
Tenho a perder e o que encontrar,
Se não gerar lucro, prejuízo não
Vai dar; pararei com os dilemas,
Mistérios e segredos; abrirei clareiras e 
Com o tempo serei profissional, com
A prática terei experiência e 
Deixarei de ser amador; e me 
Conscientizarei, o que é o mais 
Importante, a conscientização;
Porei a consciência à minha
Disposição e me alegrarei, ficarei
Contente, acrediteis, ficarei deveras
Feliz, embriagado sem beber uma
Única gota de álcool; e com a mesma
Facilidade com que falo, escreverei,
Ficarei abismado, eu posso; coisa tão
Simples e não via; posso, algo
Singelo e eu cego, inútil e 
Acabei de descobrir, Arquimedes,
Posso; maravilha, estou maravilhado,
Coberto de calafrios, só não saio para
Dançar, pois é alta madrugada fria
E não estou a sonhar, estou muito
Bem acordado, sim, eu posso.

Reconheço que meu mal; BH, 0160702013.

Reconheço que o meu mal,  
É a minha dificuldade de pensar; pensar
Na coisa certa, no tempo certo,
No lugar certo; confesso que pensar 
É o entrave dos medíocres, quem 
Pensa, raciocina, age com pura 
Percepção, acerta; na maioria 
Das vezes acerta mais do que 
Erra; quem tem preguiça de 
Pensar, não usa a lógica nunca,
Fica com um pé sempre atrás,
Vacila, duvida e acovarda; 
Os meus piores momentos na vida
Foram por falta de pensamentos 
Lúcidos, sóbrios e com razão; as 
Mentes iluminadas estão todas
Na minha dianteira, bem além 
Do meu tempo; ficam por aqui só 
As mentes obtusas, improdutivas e
Irracionais iguais a minha; é por 
Isso que a maioria das coisas 
Saem erradas; e a humanidade mais 
Erra do que acerta, falta de luminosidade
No pensamento da raça humana; o 
Ser humano poderia perder mais tempo
Em pensar, só teria a ganhar; 
Agir por instinto, por intuição,
Pragmatismo, resultado, acaba
Por inviabilizar a vida na terra;
E a saída está na entrada, cada 
Um entrar para dentro de si e 
Pensar, até acertar o pensamento.

Disseram-me que também choras; BH, 020802013.

Disseram-me que também choras
Igual choro, será que o nosso 
Choro é comum? quais os motivos do 
Teu choro? choro por tudo, tudo
Que posso chorar e choro inclusive
Pelos que podem chorar; e tenho 
Uma revelação a fazer: não choro
Pela burguesia, não choro pela 
Elite, estas são as únicas certezas que 
Tenho nesta minha vida de incertezas;
Não choro pela oligarquia, não choro 
Pela aristocracia e nem pela plutocracia
E não nego, sou um chorão inveterado;
E tenho uma certa restrição em
Chorar por políticos, em chorar por 
Exemplo a morte de algum político,
Que muitas vezes foi responsável,
Pela morte de milhares de pessoas, 
Com os atos de corrupção que cometeu;
Mas sou um bobão ao chorar, ou não
Chorar, o mundo não vai mudar, 
O universo não vai parar, as 
Estrelas continuarão a cair na 
Terra, no fundo do mar; e do 
Coração da terra nascerão sóis
Derretidos, quando o coração da 
Terra sangrar, num choro incontido;
E tudo chora com sentido, ou 
Sem sentido, tudo chora e não 
Importa a hora; e se não houver 
Motivo, inventa-se uma dor,
Inventa-se um fingimento, 
Inventa-se um falso sofrimento.

Quem tem a fórmula aí contra o; BH, 020802013.

Quem tem a fórmula aí contra o 
Enlouquecimento? alguém aí sabe
Qual é o remédio contra a loucura?
Há alguma saída de emergência neste
Hospício? se este manicômio pegar fogo,
Se este sanatório for inundado, haverá
Um meio de salvação? e louco precisa 
De salvação? alienado precisa de Deus?
Quem tem aí alguma oração contra 
A loucura que é uma oração? a 
Minha avó, quanto mais bebia, mais 
Rezava e fumava sem parar e não
Viverei nem a metade do que a minha
Avó viveu; e quem prendeu Arthur 
Bispo do Rosário toda a vida dele, na
Colonia Penal Juliano Moreira era
São? quem realmente era o doido?
Arthur, ou os carcereiros dele? e 
Os que eliminavam os maníacos no 
Sanatório de Barbacena? por acaso 
Eram normais? vivo nesta dúvida
Desde que nasci, sou louco, sou
Alienado, sou doido, sou maluco?
Ou sou normal, equilibrado, com
Todos os parafusos no lugar? está dúvida,
É que me mata, a loucura driblo,
Finjo que não é comigo, que sou
Batizado, que não sou pagão e que
Não sou excomungado; a verdade um dia
Prevalecerá, louco de um lado,
Normal do outro, morto de um lado,
Vivo do outro, é aguardar para ver.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Todas as portas e sim todas as portas; BH, 0170902013.

Todas as portas e sim todas as portas,
Portais, portões, portarias; todas as 
Janelas, cortinas, janelões: ai que 
Falta que me faz uma abertura, uma
Fenda numa rocha, uma fresta, que,
Importa, um sentido de percepção;
Um universo de razão, ai, quem me
Dera, florisse a intuição, uma orquídea,
Uma flor mais rara, nos cumes do 
Meu coração; é que só sei dizer
Estas coisas que todo mundo diz; 
Não uso a linguagem dos animais,
A comunicação da natureza; os 
Balidos das constelações já não
Sensibilizam meus ouvidos e as 
Galáxias quando pegam corridas,
Não animam a minha torcida; um 
Buraco negro fechou-me no 
Passado, sugou-me as tripas, os
Filtros dos rins, entupiu-me os 
Canais intestinais; meus ossos 
Secaram a medula e a seiva, os 
Tutanos; um vitral, pode até ser
De capela medieval, mas que 
Deixe passar um fiapo de luz,
Preciso fingir de vivo; preciso de 
Um naco de carne viva, fresca, o 
Sangue a escorrer; um talho 
Meifingueiral, um corte de 
Magarefe, algo que abra alguma 
Coisa, algo que flua, pois o 
Meu ser está exasperante.

Norte-americano e ianque é uma raça; BH, 0190902013.

Norte-americano e ianque é uma raça,
Um povo, uma nação, sei lá o que que
São, mas sei que, não há como chegar
Diante de um exemplar desse, a lhe 
Apertar a mão; não há como olhar nos
Fundos dos olhos de um ianque e lhe
Desejar felicidades, ao ver os filetes
Do sangue inocente derramado; não 
Há como não se sentir vingado, de 
Alguma forma, quando qualquer 
Tipo de tragédia se abate sobre 
Aquele país; e como desprezam
Crianças, mulheres, velhos de outras
Partes do mundo, infinitamente maior,
É o meu desprezo pelos USA; se eu 
Orasse, ou rezasse, ou fizesse preces
A algum tipo de Deus, jamais pediria
Bençãos para os norte-americanos; 
Pediria era o fim da arrogância, do 
Imperialismo, do capitalismo, do 
Neoliberalismo, da globalização, do
Poderio financeiro; e pediria era o fim 
De tudo que os representasse na face
Da terra, com o fim do belicismo e 
Do ódio que têm à raça humana, aos
Seres humanos que fazem de cobaias
E à humanidade que querem explorar
Até às últimas consequências; não há
Como sorrir a um ianque, que só 
Sabe fazer o mundo chorar; não há 
Como compartilhar qualquer tipo 
De alegria, a história está aí a me 
Lembrar, sempre, que a única coisa que 
Posso desejar aos norte-americanos,
É que vão todos para o inferno.

Glórias e alvíssaras e nunca mais acessei ao; BH, 0180902013.

Glórias e alvíssaras e nunca mais acessei ao
Blog do Ricardo Chuck Brinquedo Assassino
Noblat, no jornal O Globo e bloqueei-o no
Facebook e no Twitter; e é uma vitória, 
Nunca mais li nada no Blog do Augusto Sancho  
Pança Nunes, no PIG, Partido da Imprensa
Golpista, na revistona Veja; não leio nada
Do Merval Pereira a não ser o pouco que o
Paulo Henrique Amorim reverbera no 
Conversa Afiada; é uma graça, não assistir
Nada do abominável Boris Casoy na Band;
Ignorar essa gente que só nos contamina, 
Esses reacionários que querem só despertar
O nosso ódio, é ótimo; e desprezar o Arnaldo 
Jabor? com seu ar de homem do bem? não
Tem preço; e tirar o som da televisão, quando
Falam Miriam Leitão, Galvão Bueno e 
Lixar para Dora Kramer, é sinal da evolução
Da espécie; e estou assim neste pé: sem 
Diogo Mainardi, sem Ali Kamel e a 
Desprezar contumazmente a turma da 
Bancada bandida do STF, Supremo Tribunal
Federal, da bancada vendedora de habeas 
Corpus, não dou trela para essa turma que,
Não merece nenhum crédito ou respeito; 
STF, Supremo Tribunal Federal, chega ao
Rés do chão, nivela-se ao congresso 
Nacional, para vê qual o pior para o povo,
O bravo povo trabalhador brasileiro.

Dói em mim o não saber e penso que; BH, 0170902013.

Dói em mim o não saber e penso que,
O não saber, não deveria doer só em 
Mim, mas, em todos aqueles que não
Sabem; e todos pensam que sabem
Alguma coisa, o que talvez seja bom,
Todos juram a verdade, o que é 
Ótimo; mas, sou um dos poucos 
Que não sabem de nada, sou um 
Dos que ignoram tudo e acaba
Por doer em mim esta brutalidade,
Esta ignorância sem fim; e acaba
Por perpetuar esta estupidez que,
Por mais que reze, não consigo
Exorcizá-la; e torno-me tão
Cego, que não enxergo um passo à 
Frente do nariz e não consigo
Nem por isto, enquanto 
Alguns ficam acordados a maior 
Parte do tempo possível, para não
Perderem o raciocínio, para não
Obscurecerem o dom da lucidez,
O dote da razão; ai, dói em mim, é 
A falta de entendimento, é a falta 
De compreensão, é a dúvida, o lado
Cético, o vazio do coração, a fuga
Súbita da mão em direção do 
Em vão; dói em mim o crânio
Rachado, a fratura exposta, o 
Peito ralado; e a impressão que 
Fica é a que, nunca chego e se chego,
Sinto a sensação de que fiquei
Pelo caminho, um andarilho sem destino.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Olho com olhos de visão e olho com olhos; BH, 0140902013.

Olho com olhos de visão e olho com olhos
De vista, de olhar, de cuidado e de
Atenção; olho com olhar de perspicácia,
Pela abertura circular, ou oval,
Num edifício, aro de qualquer ferramenta
Onde se entra o cabo; olho com o botão,
Ou com o rebento das plantas; olho 
Com o olho da rua, como exemplo 
De hebraísmo em nossa língua, no
Meio dum lugar indeterminado, para
Onde se manda alguém; e olho sem 
Medida certa e como se tivesse olhos de 
Lince, ou se estivesse nu e em tudo 
Que é considerado galicismo pelos previstos;
E olho de olhos derramados e de vistas
Desarmadas, com todos os olhos, nem
Auxiliados por qualquer instrumento;
Olhos de sapiranga, olhos envermelhecidos
E olhos armados, com instrumento
Que auxilia a visão, patentemente
Com todos os olhos; olho-d'água, da nascente
Que rebenta do solo e com o olho-de-boi,
Como a abertura circular, ou elíptica
No teto , ou em paredes, para dar luz no 
Interior duma morada; olho com claraboia,
Com olho-de-boi, olho-de-cabra e com
Olho-de-cão, olho-de-céu, olho-de-fogo,
E olho-de-gato; com olho-de-peixe,
Olho-de-perdiz, olho-de-pombo e olho,
Olho-de-santa-luzia, olho-de-sapo e 
Olho-de-tigre; olho olho-de-vidro, 
Olho-roxo e esbarro no mago do olho gordo, 
Olho-grande, que me faz ficar cego.

O que há de errado no Brasil; BH, 0150902013.

O que há de errado no Brasil
Chama-se burguesia, elite e 
Plutocracia, cujos componentes
Só sabem perguntar: o que 
Este país pode dar-nos? e não
Têm coragem de perguntar: e nós, o
Que podemos dar a este país?
O que há de errado no Brasil
Chama-se oligarquia, o poder,
O dinheiro nas mãos de poucos,
Como o governo onde predominou
Facção de grupos empresariais,
Banqueiros. dirigentes de negócios,
Que pensam que o país é obrigado
A dar-lhes todos os lucros e em
Troca sonegam, fazem evasões 
De divisas, burlam leis, Constituição
Federal e Código Penal; o que há 
De errado no Brasil, são os donos
Do mercado, que fazem o governo 
De refém, são os neoliberais que
Destroem o estado, controlam
Tudo, perpetuam-se no poder, a 
Passarem de pais para filhos o
Controle da nação; o que há de 
Errado no Brasil, é a mídia 
Bovina predadora despudorada,
Que engana, distorce, acaba com
A cultura nativa, com o folclore,
Com a arte; e é uma justiça
Direcionada a conservar o poderio
Dos que podem pagá-la; é uma
Justiça que não chega ao povo e 
Que o povo para mantê-la, abre 
Mão da educação, saúde, entre 
Outras conquistas e direitos; e é 
Um congresso nacional despido  
De qualquer valor moral, cívico,
Republicano; é isso que há de 
Errado no Brasil, o povo é 
Apenas o fiador, o avalista, só.

Persigo uma obra-prima; BH, 0150902013.

Persigo uma obra-prima 
Não sei até quando, o sol nasce
Todo dia, não sei até quando
E a luz há de brilhar, não
Sei até quando, mas,persigo
Uma obra-prima; Cazuza perseguia
Uma ideologia, Van Gogh a perfeição
Dum óleo sobre tela, Marx a sociedade
Utópica, Picasso fez vários experimentos,
Até ser chamado de gênio, Dali
Em sonhos de loucura, brindou-nos
Com a arte mais elevada e cada 
Um desses loucos sistemáticos,
Perseguiu a beleza, sem medir
As consequências negativas, que 
Muitas vezes recaiam sobre si
Mesmos, na ânsia de concluírem 
Uma obra de arte; persigo uma 
Obra-prima e quero também poder
Brindar a humanidade, com uma 
Obra de arte chamada de minha;
Não sei quando nascerá, não importa
Quando, mas todo dia levanto e 
Penso: hoje atinjo a perfeição, hoje
Concluo um pensamento seivado
De sabedoria, lucidez e percepção;
E domingo é o melhor dia para 
Liberar a intuição, longe dos jornais,
Longe das televisões, incomodado 
Igual a um animal no cio e a 
Perseguir a fêmea desejada a fugir 
Sempre, é a poesia a fugir de mim.

O homem não quer deixar de ser idiota; BH, 0130902013.

O homem não quer deixar de ser idiota,
O homem não quer ler, o homem não
Quer contemplar, o homem não 
Quer refletir; ninguém sabe o que 
O homem quer, nem o homem; ninguém
Sabe o que o homem é, nem o homem;
O homem não quer deixar de viver 
Na estupidez, faz de tudo para 
Dormir abraçado estupidamente com a 
Estupidez; o homem não quer deixar de
Ser ignorante, faz de tudo para permanecer 
Na ignorância; e bem que poderia fazer 
Um bem a si mesmo, ou a um semelhante; 
E poderia ser bom para si mesmo e para 
Os semelhantes; o homem não quer 
Amar nem como se amasse a si mesmo; 
E não sai das igrejas, não sai do pé
Do altar, não larga a Bíblia, o Corão, a
Cabala, o Torá; não larga as armas, 
As bombas, a maldade, os mísseis, 
Os foguetes, a ruindade; o homem só 
Sabe cantar a canção do idiota a falar
Mal da vida do homem; e não canta
A canção que aprendeu na infância,
Mata a criança de dentro de si e 
Mata o homem que herdou de algum
Antepassado; e mata o que puder
Matar, mata o que o que vai nascer
Do homem; e o homem não quer 
Deixar nada viver, nem o homem.

Há falta de uma sensibilidade; BH, 0130902013.

                                 Há falta de uma sensibilidade,                                 
Há uma suspeita no ar, o que foi 
Que aconteceu? morreu-se a 
Surpresa, o inusitado não
Surpreende a mais nada;
Há um banalismo perverso, um
Comportamento pernóstico, todos
Fingimos aceitar tudo e a 
Não perceber nada; há uma 
Embriaguez unânime, um 
Entorpecimento, uma falta de 
Indignação; tortura-se nas 
Prisões, somem-se com pessoas,
Concedem-se habeas corpus a criminosos,
Assassinos, estupradores, sequestradores,
Espiona-se mais do que na guerra
Fria e ninguém fala nada; e 
Invadem outros países, sem total
Consentimento, ou autorização
Da ONU, Organização das Nações Unidas;
Condena-se sem provas,
Atropelam-se os direitos, ferem-se
As liberdades individuais e as nossas
Democracias ruem-se; aumentam-se
Os campos de refugiados e de
Flagelados e marchamos firmes
Ao abismo, nada nos detêm; acabou-se
O que era doce, a utopia, a percepção,
Acabou-se a intuição e o que teima,
É a estupidez, o que perpetua-se, é a 
Ignorância, a brutalidade, e não temos
Mais convicções, nem nos instintos; há 
Um vago sabor amargo de decepção no ar.