segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Estava a pensar na vida e a coçar o saco; BH, 01º01102012.

Estava a pensar na vida e a coçar o saco,
A tirar melecas do nariz, ceras dos ouvidos,
A peidar baixinho, a esfregar a testa e a 
Careca oleosas, a observar o desfile das 
Bundas alheias, quando para em minha 
Frente, do outro lado da rua, luxuoso
Automóvel, do tipo importado da América;
Dele desce uma vistosa senhora em trajes
Elegantes, a chamar-me a atenção pela 
Beleza; quando dou-me por mim, percebo
Boquiaberto, que ela vem justamente
Em minha direção; e com um terno olhar,
A emoldurar um sorriso de criança: 
Boa-tarde, senhor, boa-tarde senhora, 
Preciso urgentemente de um figurino
Para fazer um papel de papai-noel, o 
Senhor se habilitaria? senhora, se for 
Para alguma fantasia sexual que a senhora
Queira realizar, não terei a menor dúvida; 
Não meu senhor, obrigada, era para uma
Festa infantil, para o Natal; agradeço 
Também à senhora e nesse caso lamento
Não poder ajudar, detesto Natal, papai-noel,
Ou qualquer trama urdida por mercadores
Judeus, para se enriquecerem às custas
Do pobre e inocente povo; e as crianças, 
O senhor não pensa nas crianças? também
Sou uma criança, nunca o deixei de ser; 
A bufar, afastou-se a puxar os rabos do 
Meu olhar, para o belo rabo que a seguia,
Em direção ao suntuoso automóvel.   

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