segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Tu quem és? que queres aqui?BH, 01º01102012.

Tu quem és? que queres aqui?
Não te conhecemos, quem és? dão-me a 
Alcunha de poeta, uns, outros, de 
Bardo e aedo; dão-te essas alcunhas,
E tu, o que nos dizes tu? nada
Tenho a dizer-vos, nasci mudo de infância, 
Falo pelos olhos, cílios, pestanas, orelhas;
Mas, não nos respondeste, o que queres
Aqui? nem sei o que é isto aqui e 
Quanto mais o que quero, o que quero 
Procuro desde que morri e desde que virei esta
Coisa indecifrável, que nem eu mesmo
Sei o que é, em qualquer lugar em que
Paro para abastecer-me de provisões,
Há sempre arguições; levas drogas contigo,
LSD, maconha, peyote, cocaína? não,
Nenhuma, nada, dessas não, as drogas
Que levo comigo, são as drogas das minhas
Letras, as drogas das minhas palavras, das 
Minhas escritas, com as quais, tento 
Viciar a mim e a outrem; acenderei a 
Luz para que possamos enxergar-te melhor;
Não, sou fotofóbico, contraio-me, retraio-me
Na presença da luz e só sinto-me em 
Segurança no escuro onde estamos; mas, não 
Temos assim tanta abominação pela luz 
Como tu, um pouco de luz até reanima o 
Nosso semblante; o meu a luz apaga ainda mais
E a total penumbra protege-me, as sombras
Escondem-me; acomoda-te a um canto, 
Velaremos-te, provaremos do sabor 
Amargo das tuas drogas, sentiremos o 
Efeito e seguiremos junto contigo, no 
Amanhecer, ao rumo do fundo da inexistência.  

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