domingo, 31 de janeiro de 2016

Não quero ser nada e não nasci para ser ao não ser; BH, 01º01102012.

Não quero ser nada e não nasci para ser ao não ser
Nada e faço questão de morrer, para não ser 
Nada; que mania que todos têm de quererem ser
Todos? não quero ser nada, já disse que não 
Quero ser nada e deixai-me ser nada sozinho;
Quereis tudo, quereis ser tudo, mas, há os que
Não querem ser nada; há os que só encontram-se
No nada, não fazem o bem e nem fazem o mal,
Não são os bons e nem são os maus; e penso 
Que nasci desses raros tipos de espírito, quanto 
Mais luz, mais procuram as trevas; quanto mais
Claridade, mais esquivam-se para os breus das
Absurdidades; se quiséreis as minhas negras
Letras, as ofereço-vos e se quiséreis as minhas
Malditas palavras, acalentai-vos com elas,
Sejais tudo que tiverdes de ser; tenhais tudo
Que tiverdes de ter, não causais-me nenhuma
Inveja e nem cobiça; toda bola que chuto, bate
Na trave e toda bolada que levo, é no saco,
Toda porrada é na cara; meus pés descalços
São pisados por tacões de botas e minhas 
Costas retalhadas a açoites, vergões, chicotes,
Chibatas; nunca, aqui, quis ser nada, para 
Não precisar contar uma história, uma 
Vantagem e para fazer qualquer um de nada; 
Há sempre alguém para contar uma história,
Há sempre alguém para contar uma vantagem,
Para pisar em pés descalços com tacões, 
Para retalhar costas amarradas em pelourinhos
Com relhos, cabrestos de aço, para não ser
Nada, o que é que eu faço? 

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