terça-feira, 5 de janeiro de 2016

E o tempo passou na janela e na porta; BH, 020902013.

E o tempo passou na janela e na porta,
No portão; e o tempo ecoou-se como
Uma lágrima de um choro numa tarde,
Gota à gota; e o tempo iludiu e enganou
E quando chegou-se à janela, era noite
Fechada; e o tempo fluiu pela chaminé
Em fumaça ora branca e ora preta; e 
Só sabia-se que o tempo havia ido há
Muito tempo, devido a cor encardida
Da ossada, devido aos ossos velhos
Do esqueleto, devido ao estado 
Desgastado da caveira; e o tempo 
É inorgânico, sempre nos pega com
As calças nas mãos, nos faz gol 
No nosso contrapé; e quando 
Queremos fazer mea culpa, zomba
De nós descaradamente; e diz na 
Nossa cara: o problema é seu, 
Estou a esperar lá fora, na encruzilhada,
Na esquina, no bar da marquise; e o 
Tempo não espera, independente, 
Brinda-nos com belas paisagens,
Mas despreza-nos, ignora-nos e 
Monta em nossas costas sem 
Piedade; e não é de galopar, é de
Marcar passo e de trote de marchador,
Mas não em passo de ganso; devagar,
Sem pressa nenhuma, lentamente, 
Retira o ar do canudo e lá vamos nós,
Sugados e nem sentimos e o tempo
Também não sente nada, só nos
Suga, como se dormisse.

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