terça-feira, 31 de julho de 2018

Todos os meus heróis eram louros; NL, 0250402009; Publicado: BH, 0280302010.

Todos os meus heróis eram louros
Brancos e de olhos azuis e nunca tive
Um herói negro ou um príncipe ou uma
Princesa rainha ou rei que fizessem
Parte da história e que fossem
Negros todos os meus santos também
Eram assim brancos louros e de olhos
Azuis mais tarde depois de muito
Procurar fui descobrir Zumbi dos
Palmares João Cândido Nelson Mandela Bico
E hoje já tenho para quem rezar
Já apelo a todos os santos que não
Compõem o santuário de igreja
Católica já clamo por todos aqueles
Que foram excomungados pelo
Papa e os que foram queimados
Nas fogueiras do santo ofício que
De santo não tinha nada a
Europa de tanto sugar a África fez
Dela um inferno mas um dia 
Espero que a Europa vire inferno e
A África céu todos os negros têm que
Voltar então para a África têm que
Voltar para proteger preservar e desenvolver
O Continente todos os negros têm que
Se unirem se pacificarem se fortalecerem
Para não permitirem que as riquezas
As reservas e as culturas africanas sejam
Destruídas e dizimadas pelos chamados
Ocidentais novos heróis novos reis novas
Rainhas e princesas nova história de
Independência e glória novo povo
Soberano e cidadão nova realidade
Que não deixarão mais os meus
Olhos se encherem de lágrimas
Quando olharem a África.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Vou partir e não sei para aonde vou e nem sei se voltarei; NL, 0304020099; Publicado: BH, 0280302010.

Vou partir e não sei para aonde vou e nem sei se voltarei
Pois do meu destino não sei quero ir para bem longe
E fugir de mim esconder-me nas brenhas onde não
Houver espelhos nem senhas pois não quero
Números e nem resenhas não quero
Esboço e nem croqui chorar mais não
E somente rir vou escutar samba
Bossa nova e roquenrol blues e outras
Cantigas do tempo da minha avó
Mesmo que ninguém esteja comigo e
Que eu esteja só e amanhã se
Por acaso eu voltar quero que
Meu bem esteja a me esperar a me
Olhar da janela como uma santa
No altar e quero que quem chora
Pare de chorar e quem sofra pare de
Sofrer e que toda dor deixe de doer
Não tenho tesouros e muito menos riqueza
E a única coisa que sei é que a
Poesia é a minha proeza a vejo
Em toda parte e em todo canto em
Todo lugar é o dom que me faz
Até de olhos fechados a enxergar
Vou comer poeira pó de estrada e
Beber água de chuva deitar meu
Corpo nas pedras e me cobrir com o ar
Só não quero é angústia ou ansiedade
E ainda me desesperar quero calma
Paz de águas tranquilas e segurança
No meu olhar a garantia de na
Manhã seguinte encontrar o orvalho
O resto de sereno que queira me molhar
Vem amor e segura minha mão
Encoste o ouvido no meu peito e
Ouça a voz do meu coração...

Espírito de Chico Xavier, O sino, BH, 020402010.




Oh sino que planges nas tardes voluptuosas
Acordando em meu peito amargas sensações  
Sois o  mesmo cantor de estrofes vaporosas
Nas manhãs festivas de rutilos clarões!

Bem sabeis transmitir alegrias pomposas.
E tristezas sem par, derramando aflições,
Numa tarde outonal, esfolhando-se as rosas
Entre misto de dor de febris orações!

Mas, oh sino cantor, eu vos amo mais ainda
Numa tarde a morrer evocativa e linda,
Numa tarde de flor, num poente tristonho.

Porque na vossa voz entristecida e incerta,
Lembrais uma alma triste, igual a mim, deserta
Desiludida enfim dos extases de um sonho!

Um dia vou partir partido ao meio; NL, 0290402009; Publicado: BH, 030402010.

Um dia vou partir partido ao meio
E uma parte para o aquém e
Outra parte para o além e assim
Consigo agradar a alguém e a
Ninguém a gregos e a troianos e
A Deus e ao diabo minha alma vai
Para um canto e meu espírito vai
Para outro meu ser vai para o sul
E meu fantasma para o norte e até hoje
Não sei se tenho azar ou sorte e o
Que é a vida e o que é a morte a vida 
Dizem que é incerta e que a morte
É certa que a vida é curta e que a
Morte é eterna tenho que querer
Então o que é eterno o que é o
Para sempre: tenho que querer a
Morte já que a vida é efêmera e
Passageira e a morte é a condução
É o destino o itinerário de quem
Vive dentro deste vácuo no qual
Nos encontramos inexplicavelmente
De quem vive neste caos que com o
Passar do tempo vai aumentar
E se tornar mais confuso à medida
Que o tempo vai passar e vamos
Nos aproximar do fim desnudos
De nossos princípios despidos de nossas
Esperanças e vestidos de nossas frustrações
E haja decepções ao constatarmos que
Não há ressurreições não há reencarnações
E outras manifestações não há
Espíritos vagueantes e só os espíritos
De porco que querem destruir o planeta.

Sabe gente mesmo que ninguém queira saber; NL, 0130402009; Publicado: BH, 030402010.

Sabe gente, mesmo que ninguém queira saber 
Mas preciso desprender-me do papel preciso
Livrar-me das linhas perder a alcunha e o
Apelido e arranjar um nome e um sobrenome
E sou há tanto tempo coadjuvante estou a 
Envelhecer ainda secundariamente e sou 
Há tanto tempo pseudônimo assino
Anonimamente que agora sinto
Necessidade de uma relevância alguém
Precisa levar-me em conta mesmo
Que seja eu mesmo o menos importante
Nesta história tudo porque eu gostaria 
De ganhar ares de gladiador
Ter uma arena para mim ou um
Picadeiro para as minhas palhaçadas
Tudo porque quero ser personagem
Da vida da humanidade e vejo
Uma luz de palito de fósforo e já
Penso que é uma luz do fim do
Túnel a vir em minha direção
E cai a ficha da realidade e desperto
Da ingenuidade e da enganação
Do destino que levo não consigo
Plateia nem em botequins falo igual a
Um mudo tenho ouvidos surdos e para a
Arte a pressa de quem está com dor
De barriga e de quem vive choramingas
Pedi pena compaixão e caridade pelo
Amor de Deus uma esmola um pedaço de pão
Um trapo de pano um resto de comida mas
Quem quer saber de um mendigo sentado
Numa calçada a pedir em nome de Deus
E sem ter procuração?
A ingenuidade da enganação  (?)

A má consciência não deixa fugir dela; NL, 0110402009; Publicado: BH, 030402010.

A má consciência não deixa fugir dela
Acompanha e põe toda história numa
Tela mostra as decepções fracassos
E derrotas e o quanto é difícil perder a
Estupidez náufrago nas próprias ondas
Afogo-me de lágrimas e o mar é tenebroso
Pior do que os mares antigos povoados
De monstros gigantes titãs e procelas
Não me transponho a lugar algum e se
Procuro alguma coisa não encontro
Nada e quando encontro olho as
Mãos e elas estão vazias o
Corpo está frio inerte rígido feito
Cadáver recente os vermes quando
Olham meu corpo gordo pensam oba
Hoje vai haver festança temos um
Bom petisco no pedaço e se houver tempo
Vou descobrir algum tesouro em mim
E o tesouro maior será a perda da
Má consciência da estupidez e da
Insanidade atingirei a realidade e
Imergirei virei à tona respirar e
Encherei o pulmão de alternativa tomarei
Iniciativa e meu nome será atitude
Se alguém me olhar e a imagem
Chegar a chamar a atenção a figura que
Eles virão não será a de um vilão
De um fora da lei ou de um renegado
E então terá alguma coisa pela
Qual terei interesse uma nuvem
Que guardarei de lembrança ou
Um vento suave que deixarei na
Memória e enfim uma brisa
Bem fresquinha para comemorar a vitória.

domingo, 29 de julho de 2018

Billy Hollyday blues; NL, 0290602009; Publicado: BH, 020402010.

Billy Hollyday blues 
Ai Billy Hollyday
Gosto de gemer ai Billy Hollyday ai Billy Hollyday
Quero gemer ai Billy Hollyday ai Billy Hollyday
Preciso gemer ai Billy Hollyday ai Billy Hollyday
Ouças o que vou dizer ai Billy Hollyday
Chupes meus beijos mames meus lábios
Sugues minha língua sedenta de
Ti ai Billy Hollyday mostres me teus
Segredos elucidas me teus mistérios
E deponhas me teus enigmas para que
Eu possa sorver ai Billy Hollyday estou
Tentado a conseguir o que outros de
Fato já teriam conseguido com muito
Mais evidência é que sou tão tolo
Acredito em promessas um homem menino
Sem rumo e caminho que não sabe  o
Que quer e nem entende a mulher e
Só sei gemer na solidão da noite
Sozinho e solitário com o meu coração
Que na encruzilhada desta canção
Comigo aprendeu a gemer ai Billy Hollyday
Feches teus olhos me acordes dentro de
Mim e esta tristeza assim um dia 
Terá fim e meus olhos pararão de
Gemer ai Billy Hollyday e não terei mais
A ansiedade de lamentar ai Billy Hollyday
Virarei poeta outra vez já que não tenho
Profissão farei apenas canção usar
O mesmo bordão ai Billy Hollyday ponhas
Um fim na minha aflição não
Rejeites-me e nem me negues a tua
Mão abras me teus tesouros tuas
Minas de ouro tua prata e marfim
Ai Billy Hollyday quero tu todinha dentro
De mim ai Billy Hollyday apareças na
Bruma e nas flores do jardim.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Amanhã a manhã terá a mesma manha; NL, 040202009; Publicado: BH, 020402010.

Amanhã a manhã terá a mesma manha 
Dúvidas se levanta ou não levanta se sai 
Da cama ou se se fica um pouco mais na 
Cama depois pega o ritmo vem o pique a
Coisa acelera o dia engrena vem
O encontro com a galera vem o
Ônibus e se chega ao destino
É a rotina o neo-liberalismo e
O pregão o eterno consumo o lixo
O luxo a propaganda o ter que ter
Sem poder o desejo a busca ao prazer
O álcool as drogas a polícia e o letal
Traficante é bala perdida que gera
Cadáveres mais do que em guerras
É o transito nas estradas que mata
Inúmeras famílias os carros parecem de
Papel de embrulho não protegem
Matam quem está dentro tanto
Quanto quem está fora é a era
Do descartável até mesmo o ser
Humano o homem pressionado a gerar
A gerir a não viver a morrer a todo
Dia carregar nas costas o peso
Da elite e o preço da burguesia
Os políticos se alimentam do povo que
Não pode vender o voto para o político
Que só vota se o voto for muito bem
Pago e com muito dinheiro o que
Acaba só gerar a pobreza a miséria
E a desgraça do povo e enriquece
O porco o hipócrita o parasita o pária
Que passa a vida a rir e a zombar
Do povo dentro do congresso nacional.

Quero que todos entendais e não cobreis de mim; NL, 040202009; Publicado: BH, 020402010.

Quero que todos entendais e não cobreis 
De mim dinheiro riquezas poder ou força
E não nasci para ganhar dinheiro para ser 
Rico poderoso ou forte até hoje ainda 
Não sei mesmo para que nasci qual é o 
Meu papel nesta vida aqui mas disto tenho
A certeza não nasci para satisfazer
Alguém para ter orgulho egoismo
Inveja ou ambição não nasci para
Juntar cifrões e é assim que serei
Até o último dia de minha vida dou
Mais valor ao voo de uma borboleta
Azul do que ao trajeto de um carrão
Não dou valor ao bife suculento e
Sim a um pedaço de pão quero que
Todos presteis atenção não tenteis 
Entender-me nem eu mesmo entendo-me
Não nasci para comprar e nem para
Vender sinto mais atração por mendigos
Seres dos subterrâneos do lado escuro
Da vida que vivem pelos cantos e
Pelos contornos das ruas de fundo que
Andam rente aos muros nas penumbras
E nas sombras das paredes e se escondem
Nas caladas da noite não nasci para
Aqueles que brilham durante o dia
Ou que só existem para as luzes dos
Holofotes minha luz é a das estrelas
Da lua do sol do vaga-lume podeis
Criticar-me chamar-me de mentiroso covarde
Medroso podeis-me excluir do meio
De vós não queirais a minha companhia
Eu sozinho comigo mesmo já estou
Muito bem acompanhado.

Pelo menos uma vez na vida; NL, 01º01202008; Publicado: BH, 020402010.

Pelo menos uma vez na vida
Tenho que botar na cabeça
Que vai dar tudo bem as
Coisas irão acabar bem e o futuro
Não será tão temeroso assim só
Tragédias calamidades genocídios
Penso que um dia mais cedo ou
Mais tarde as coisas irão mudar
E o mundo será um lugar melhor
Pra gente habitar; no futuro creio
Que a humanidade estará
Mais conscientizada e irá causar
Menos lixo menos poluição e
Violência e destruição um dia
Terá que chegar a nós a lucidez
O valor da preservação o amor
Ao meio ambiente e a resposta
Está na salvação da natureza
Não consigo enxergar mais
Negativismo preciso de um banho
De positivismo acreditar ter fé e
Nada de alienação pânico de
Que tudo só dá errado e viver
Fora dos eixos e causar a
Destruição pelo menos uma vez
Na vida vejo um fim ao fanatismo
Ao terrorismo ao horror ao desequilíbrio
As coisas boas começam a acontecer
Os contras chegarão a um consenso
E a oposição sentará à mesa
Para uma negociação em
Benefício de todos que querem
Sobreviver sem o caos.

Será que ter compaixão faz mal ao homem? NL, 01º01202008; Publicado: BH, 020402010.

Será que ter compaixão faz mal ao homem?
E ter misericórdia será que não faz bem ao 
Homem? tem gente que acha que ser bom
É sinal de fraqueza e ter clemência
É sinal de insegurança e fazer
Caridade é falta de confiança
E que ser honesto não é nenhuma
Garantia aí penso que a gente
Fica sem saber o que fazer quer
Ser solidário e tem medo de
Ser visto como otário a nossa
Sociedade só destaca o agressivo
Que junta cifras que tem lucros
E gera muitos lucros para outrem
Todo mundo quer ter mais do que
Pode e comer mais do que cabe no
Estômago e beber mais do que o fígado
Suporta até passar por pessoas educadas
Tenho certeza de que temos vergonha
De passar e assim acaba-se a gentileza
A educação e a solidariedade
Então sentir pena ter dó sofrer
Com o sofrimento do semelhante
Não pode ser visto como algo ruim
Da maneira que alguns querem
Passar para nós mas graças a Deus
Que a maioria do povo não
Pensa assim vide o caso de Santa
Catarina tanto exemplo de caridade
Tanta demonstração de bondade
Para atenuar a dor daqueles que
Perderam tudo a humanidade
Ainda não está perdida resta
Uma esperança apesar daqueles
Que querem acabar com as duas.

Não posso dizer que não quero mais saber; NL, 01º01202008; Publicado: BH, 020402010.

Não posso dizer que não quero mais saber 
Das coisas que Deus não existe que o 
Diabo existe e que anjos e santos não 
Habitam o céu não posso mais ser
Indiferente ignorante e inútil
Não gostar de pensar questionar
E ficar indignado alguma
Coisa sempre acontece no
Universo o sol brilha todo dia
E a noite vem a lua tal
Um espelho a refletir no breu
A luz do sol não posso só
Dizer não e também só dizer
Sim coisas boas acontecem e
Também as ruins quem sou
E não posso não querer saber
De onde vim e para aonde
Vou e não posso deixar passar 
Despercebido Pelé marcou 
Muitos gols porém
Escreveu poucos livros e há
Escritores que nunca marcaram
Um único gol e no entanto
Escreveram infinitos livros não
Posso dizer que não escrevo
Mais poesias se não iria
Morrer e é a poesia que me faz
Viver e é o poema que é meu
Alimento a musa é a natureza
E o belo é o meu sustento amo
A flora e a fauna o pau e a
Madeira e detesto ver fogueira
Tenho horror a fumaça na
Natureza não posso dizer mais nada.

Pão de Ló paciência de Jó pão de Jó paciência de Ló, NL, 050602008; Publicado: BH, 020402010.

Pão de Ló paciência de Jó pão de Jó paciência de Ló
E já com o povo é assim: pão que o diabo amassou
Paciência de desesperado pão de desesperado paciência
Que o diabo amassou tudo porque as necessidades
Do povo são para ontem e mais do que urgentes
Urgentíssimas quem é do povo que ainda aguenta 
A situação que o povo vive hoje? principalmente a
Maioria do povo trabalhador e que não tem acesso aos
Privilégios das classes mais abastadas procures hoje uma
Defensoria pública meu amigo e verás o que é um
Descaso procures por qualquer necessidade órgão
Público de segurança saúde educação transporte
Jurídico habitação e notarás que para tu não
Estão nem aí os servidores responsáveis para
Te servir são pagos com o teu dinheiro porém
Parecem que estão a fazer favores e não trabalhar
E os órgãos previdenciários? e as prefeituras com
Combate às pragas e às epidemias? são umas
Verdadeiras pragas percalços e empecilhos ao
Bem estar dos cidadãos nas áreas pobres  e
Miseráveis é latente a ausência do poder público
E depois ainda querem respeito e serem chamados
De autoridades responsáveis vergonha é pouca
Para a indignação e a falta de dignidade
Como querem que o povo tenha amor-próprio?
Como querem que o povo tenha auto-estima?
Como querem que o povo tenha auto-confiança?
Como querem que o povo tenha moral-elevado?
Não dão ao povo as mínimas condições de conforto e
Felicidade não dão ao povo as mínimas noções de
Direitos só de deveres e das condições de gerar os
Lucros e os ganhos dos plenipotenciários e as crianças
O desleixo com as crianças os loucos os deficientes mentais
Os marginalizados todos vítimas do desamparo do
Estado e da sociedade é uma calamidade tragédia
E catástrofe e querem paciência querem que o povo
Faça a parte dele querem que o povo pague mais
Impostos querem que o povo seja mesário querem
Que o povo participe e lucre só em demagogia só
Em deficiência incompetência e depois reclamam
Quando o povo reage ao ser coagido pela força da lei.

Eles e eu; NL, 070502009; Publicado: BH, 030402010.

Eles e eu 
Eles são ricos fortes e
Poderosos têm deuses para protegê-los
E santos para fazerem milagres e papas
E padres para perdoarem seus pecados eles
Têm carros importados whiskys legítimos
E vinhos saudáveis máquinas super modernas
Parafernálias eletrônicas de última geração modelos
Famosas e desejadas por todos enfim
Eles são invejados têm tudo de
Tudo e não lhes falta nada se
Safam e se esbaldam fazem festas
E banquetes orgias e bacanais olham
Esbugalham os olhos e querem sempre
Mais juntam dinheiro com muita usura
E eu só tenho a literatura eu só sou
O prisioneiro da caverna platônica só
Sou o porco Diógenes no barril o cego
Homero a vagar de aldeia em aldeia a
Viver da ajuda alheia e não tenho deuses
E não tenho santos e não tenho padres e
Muito menos papas só tenho cá comigo
Os meus demônios socráticos as minhas
Dúvidas e as minhas incertezas as
Derrotas e fracassos e outras coisas mais
Que eles não conhecem pobreza e
Miséria e desgraças mas que são os maiores
Causadores eles são a elite e a burguesia
Eu sou a poesia o poeta herético
A utopia a bigorna a marreta e a azia
A ferida crônica purulenta e que está sempre
Aberta para a festa das moscas infernais.

Quero sentir o que a minha cabeça; NL, 040202009; Publicado: BH, 030402010.



Quero sentir o que a minha cabeça
É capaz de produzir então
Preciso pensar melhor aprender a
Pensar raciocinar ter lógica e
Ética na condução do pensamento
Pensar livre livremente libertado
Sem preguiça e sem pressa sem
Ansiedade e sem angústia e
Depois chego à conclusão que é
Muito bom pensar gosto muito de
Pensar surfar nas ondas mentais
Imaginar estar em locais nunca
Visitados por ninguém em lugares
Desconhecidos só com a força da
Criatividade não pretendo materializar
Um pão em minha mão não quero
Entortar colheres e nem parar relógios
Não quero prever o futuro adivinhar
Ler mapas astrais ou desvendar a sorte
Quero só pensar pisar nos astros
Encher o papel de palavras descobrir
Uma lavra de letras novas um
Comboio de frases períodos e orações
Conjugar os verbos identificar os
Substantivos falar em dez frases o
Que alguns falam em um livro o
Bom é viver em um pensamento
O que a maioria das pessoas levam
Setenta anos para viver quero é conversar
Com Homero encontrar os antigos mestres
Visitá-los em seus mundos aprender
Depois voltar a mim e melhorar-me.

Meu samba é assim um samba batido; NL, 0160902009; Publicado: BH, 030402010.

Meu samba é assim um samba batido
Que só fala de mim não tem cadência
De pandeiro cavaquinho ou tamborim
É um samba que ninguém quer ouvir
E quem escuta começa a rir e ao
Tentar sambar no pé se embaraça
Todo e ameaça cair e quando
Chega à mesa do bar entre umas
E outras bebe até embriagar não é
De palmas na mão nem de viola
Ou de violão é do bloco do eu
Sozinho a arrastar minhas cinzas
Nas quartas-feiras depois dos funerais
Dos carnavais pois no meu samba
A mulher não entra o amor foi apra
Escanteio e as dores são banais
Expulsa o rebolado das mulatas e as
Passistas consagradas e até a porta-bandeira
De quem eu era mestre-sala me
Deu um chá de cadeira no terreiro
Da escola e foi vista na Mangueira
De colombina a namorar arlequim 
E um pierrô de porre desafinado
Meu samba eletrônico foi eliminado
Pois é difícil fazer samba sem Cavaquinho
E Cartola Medeiros e Viola Cachaça e
Xangô Jamelão Candeia ilumineis 
Clementina e Natal resgateis este samba
Pelo amor de Deus chameis o Sargento,
Para botar ordem no pagode e o Zeca
Já não é o mesmo Guineto está tão
Quieto e aviseis ao Dudu que com fé
No Nosso Senhor do Bom Fim que pode
O dia clarear mas a batucada não vai acabar.