quarta-feira, 18 de julho de 2018

E lembro-me do meu galo; BH, 01º0202000; Publicado: BH, 0310702012.

E lembro-me do meu galo
Que tinha lá no Rio de Janeiro
Galo valente e feroz que igual
Nunca cheguei a conhecer
E de tudo que fosse alectório
Que diz respeito a ele
Gosto sempre de recordar
E da pedra alectórica que se julgava
Existir no fígado ou na moela
Nada posso falar e da qual
Os prodígios não posso contar
Sei que comi o bicho a moela
E o fígado e o coração
E não quis nem saber da alectoromancia
A antiga arte de adivinhar por 
Meio de um galo que ia a comer
Os grãos de milho postos sobre letras
A formar palavras reveladoras
Nunca preocupei-me em ser um 
Alectoromante praticante a não ser
Um edificante comedor de galo
Assado ensopado cozido enfarofado
E muita cerveja gelada por cima
Para não ficar entalado
Muita pimenta da boa
E pinga da melhor qualidade
Pãozinho à francesa
E tome galo descarnado
E quanto mais valente e brigão
É melhor para o coração
E quando lembro-me
Do que tive no Rio de Janeiro
Dar-me até uma vontade
De sair por aí a procurar
Um galo igual aquele
Para colocá-lo numa boa panela
E matar as saudades.

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