terça-feira, 17 de julho de 2018

Não ensaiei o meu papel; NL, 0150902008; Publicado: BH, 0801202009.

Não ensaiei o meu papel
Não decorei o meu texto e no cenário
Deste teatro sou o pior ator que a natureza
Já formou não mudei nada e em mim
Nada mudou eu que pensava que
Pensava descobri que o meu pensamento
Pregava-me peças do teatro do absurdo
Ninguém entendia o que representava
Era o ator que todo elenco evitava
Trabalhar com ele e que nenhum
Diretor tinha prazer de dirigir e todo
Autor que escrevia para mim acabava
Decepcionado com oque eu fazia
Com a obra dele e a plateia vaiava
Ululava e apupava a plateia era
Trocista e a cada passo trôpego
Pelo palco a cada cambaleada eram
Gargalhadas achincalhes e escarnações
E não endireitava-me não
Tomava prumo e cada vez mais 
Cavava  minha ruína diante de todos
E continuava pensar que fazia arte
Que fazia cultura e estava nu um rei
Despido deposto com o castelo arrasado
Reinado falido cuja rainha fugiu com
O bobo da corte enquanto os vassalos
Riam e saqueavam os tesouros dos
Escombros do castelo e dentro de mim tudo
Continuava a dormir ainda no pesadelo não
Era sonho pois nunca tive sonho e nem
Soube sonhar não persegui com ambição
A oportunidade da sabedoria.

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