domingo, 1 de julho de 2018

O bom autor é aquele que não se empolga; NL, 0300402008; Publicado: BH, 0101102009.

O bom autor é aquele que não se empolga 
Na hora de escrever por que se empolgar
Acabará a escrever sem profundidade espirito e
Alma pelas regras atuais o bom escritor é o
Que não usa sentimentalismo adjetivos e
Temas sociais e políticos todo grande autor é
Frio metálico e racional escreve e
Não procura agradar ou satisfazer quem espera
Emoção e prazer nos escritos de hoje tem que voltar
A ler a Bíblia hoje só serve a escrita que contém
Crueza e que está nua e que não contém
Escrita e sim símbolos imagens sons visuais
Tal a moderna revolucionária para quem um pingo
É o universo quanto mais letras e palavras justamente
Os de menos importância na atual linguagem
O alfabeto não é usado as letras vivem na indiferença
E as palavras desnecessárias na fala cotidiana
O vocabulário é reduzido ao mínimo possível num
Glossário conciso e as elementares expressões
Que nos colocam na condição de seres humanos
Superiores nós já não as usamos as idiomáticas
Um-bom dia é difícil uma boa-tarde impossível
E a  boa-noite inaudível por favor muito obrigado
Dá licença desculpe perdão viraram grunhidos
Pré-históricos e todos temos vergonha de usá-los
Educação quem tem guarda no armário faz questão
De não usá-la e vive todo mundo a parecer que
Não tem educação ou que ela não existe
Bem o papel do bom autor também não é esse de sair
Assim do trilho passar para a contra-mão e ir
De encontro às tendências e aos comportamentos
Ou à falta de é se fazer entender através de metáforas
Enigmas mistérios dilemas e não entregar de
Forma fácil leviana superficial o teor o cerne o verniz
E a verve de sua escrita ou do contrário não será aceito
Virará réu estará sempre em julgamento e condenado
À revelia ao ostracismo intelectual e abandono cultural
E já nascerá natimorta a tentativa de uma obra moderna
E a melhor coisa na vida de um ser humano é ele
Escrever bom seria se cada um no seu dia a dia escrevesse
Seja lá o que fosse de romance à poesia da ode
À elegia da realidade à fantasia.

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